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sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Novelão Mexicano: Coração Indomável



Uma história, quando cai no gosto do público, se bem adaptada, pode voltar a fazer sucesso uma e outra vez. E esse foi o caso de Corazón Indomable, um grande sucesso de 2013 da Televisa, cuja exibição inédita aqui no Brasil chegou ao fim nesta sexta-feira (15/10), pelo SBT.


Na trama, original de Inés Rodena, Maricruz (Ana Brenda Contreras) é uma jovem selvagem que vive numa cabana com seu velho avô Ramiro (Ignacio Lopez Tarso) e sua irmã Solita (Gaby Mellado). Um dia, ela conhece Octavio Narvaez (Daniel Arenas), dono da fazenda vizinha, que a defende e ganha seu coração. Octavio não deseja viver na fazenda, mas é obrigado pela dificuldade financeira de seu irmão, Miguel (René Strickler). Para afrontar sua família, Octavio se casa com Maricruz e a leva para viver na fazenda, despertando o ódio de sua cunhada, a perversa Lucía (Elizabeth Álvarez), que arma mil armadilhas para separá-los. Octavio abandona Maricruz, que, por ingenuidade, perde sua casa, sua liberdade (já que é presa injustamente após uma armação de Lucía) e até seu avô, assassinado a mando de Lucía em um incêndio. O que ela não imagina é que seu verdadeiro pai, Alejandro Mendoza (César Évora), está a sua procura. E será a partir dele que Maricruz, agora convertida na fria e elegante Maria Alejandra Mendoza, começará um plano de vingança contra os Narvaez.

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A história já havia feito sucesso como La Venganza (1977), com Helena Rojo e Enrique Lizalde, e dado a volta ao mundo como Marimar (1994), com Thalía e Eduardo Capetillo. Nas três versões, fora adaptada por Carlos Romero, o maior expert no texto da autora cubana Inés Rodena. E para reescrever a novela, agora como Corazón Indomable, o autor se baseou mais na versão de 1977, onde o galã tinha um irmão e não um pai como em 1994. Fora isso, a versão de Thalía terminou abruptamente quando a produção se desentendeu com Thalía e a história foi encerrada às pressas. Os acontecimentos que viriam em seguida foram retomados nessa nova versão, que teve algum sabor de novidade. Como, por exemplo, a família original da protagonista. Aqui, Maricruz tinha apenas um avô e uma irmã de criação que era surda-muda. Também não havia o cachorro Pulguento – uma das marcas mais célebres da versão de 1994. Maricruz chegou a ter um macaquinho de estimação, que com o tempo foi sumindo e nunca teve pensamentos Ainda bem, né? Ia ser micão demais!.


Outras novidades: o personagem Alejandro Mendoza era dono de uma rede de cassinos, não um clube (e Vale Encantado virou Ilha Dourada), tendo como cenário principal um navio gigantesco. A administração estava a cargo de duas irmãs, Carola Canseco (Rocío Banquells) e Raiza (Ana Patricia Rojo), que, inclusive, desejava se casar com Alejandro e, posteriormente, se interessava por Octavio. Nessa fase do cassino, também surgiu o personagem Emir Karim (Carlos de la Mota), um exótico sheik obcecado por Maria Alejandra. Esse personagem em 1994 foi interpretado por Marcelo Buquet e apenas era um empresário. Esse toque kitsch de existir um emir apaixonado pela protagonista aconteceu, porém, na versão dos anos 70, e agora, em 2013, fez bastante sucesso. Mas, se por um lado havia essa dose exacerbada de excentricidade, faltou mais exuberância no visual de Maria Alejandra Mendoza. Seus vestidos e penteados não eram tão divertidos quanto em Marimar.


Mexendo uma coisa ali, outra aqui, Carlos Romero ergueu novamente uma trama rosa deliciosa e com todos os ingredientes para agradar o público. Corazón Indomable, mesmo exibida às 16h lá no México, foi líder de audiência, com números impressionantes. Pese a isso, a produção bastante simples, que pecou nos cenários demasiado artificiais, iluminação confusa, entre outros percalços, mas que no fim não importam muito quando a novela é definitivamente um êxito.

Corazón Indomable foi marcada por várias fases. Primeiro, a da fazenda; depois, a da Ilha Dourada, incluindo com a rival de Maricruz, Dóris (Ingrid Martz), filha do governador da cidade. E foi nessa fase que a audiência explodiu e fez com que a novela liderasse com folga por cima de todas as outras tramas do horário estelar. Assim como em Marimar, o recorde de audiência nessa nova versão se deu quando a vilã Lucía retirou notas promissórias da lama. A vingança de Maricruz atingia seu ápice.


A fase seguinte reintegra alguns personagens que andavam esquecidos, como Simona (Isadora González), que era feia e virou bonita graças aos cosméticos Jequiti? e se casa com Octavio. Após algum tempo como vilã, ela fica doente e se divorcia de Octavio. Já Maricruz conhece o engenheiro Álvaro Cifuentes (Sergio Goyri), enquanto pouco a pouco perde toda a sua fortuna. Marimar acabava nesse exato ponto, com a diferença que, ao final, ela conseguia recuperar toda a sua fortuna. Nesse meio tempo, Miguel é assassinado pelo irmão gêmeo de Eusébio (Carlos Cámara Jr), o capataz da fazenda dos Narvaez, por vingança porque ele havia matado o empregado por tentar abusar de Lucía. Maricruz volta para a cidade do México e conhece o playboy Alfonso del Olmo (Brandon Peniche), um pintor sem talento e que deseja pintá-la nua e leva-la pra cama. Maricruz se recusa e vira dama de companhia da mãe dele, Clementina (Silvia Manriquez). E acaba reencontrando Octavio, já que ele era amigo de Alfonso. A personagem Dóris fez tanto sucesso que reapareceu nessa etapa, novamente disposta a conquistar Octavio, provocando mais uma série de desentendimentos.

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A fase final da novela gira em torno do assassinato de Alfonso. Ele conhecia um pintor talentoso, mas sem fama, o perturbado Anibal (Axel Ricco). Numa exposição, ele expôs um quadro de Anibal, que, por não ser reconhecido, o mata. Maricruz acredita que Octavio matou Alfonso por ciúme, assume a culpa do amado e acaba indo parar na prisão, onde, para a surpresa de todos, dá de cara com Carola Canseco, que apronta mais algumas para ela. Natasha (Arleth Terán), outra pintora e desafeto da mocinha, era quem tiraria Maricruz da cadeia, pois era a única quem sabia que Anibal era o verdadeiro assassino. Os últimos capítulos giram em torno de Maricruz na casa do engenheiro Cifuentes em voltas com sua filha rebelde, Elsa (Paola Torres). Ela odiava o pai pois ele a havia afastado de um namorado canalha – que resultava ser justamente o pintor Alfonso.

Conclusão: a história era eterna. A impressão que dá é que a novela poderia estar até hoje no ar apenas explorando as idas e vindas de Maricruz e Octavio. E mesmo com 161 capítulos, ainda ficaram muitos cabos soltos na adaptação e isso foi algo injustificável. O último capítulo terminou com grandes furos. Os mais graves: Solita, a irmã de Maricruz, que no começo da novela foi estuprada por Eusébio e ficava grávida dele, nunca contou pra ninguém quem a havia abusado. Pior: durante toda a fase do cassino, ela praticamente é esquecida pelo roteiro. Também não ficamos sabendo o que aconteceu com o resto da fortuna de Maricruz ou se ela havia sido ou não enganada por seu empregado, entre outros. Fora algumas incoerências, como Maricruz e Octavio se perderem completamente um do outro e não ter nenhum tipo de comunicação em pleno 2013. Também foi um pouco constrangedora a participação de Manuel Landeta como Teobaldo, o empregado do cassino meio retardado e doente. Ele basicamente simulou uma espécie de Corcunda de Notre Dame e uma careta para dar vida ao personagem, que também teve um destino mal contado dentro da história.

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O elenco teve uma série de destaques, sendo o principal deles, a protagonista Ana Brenda Contreras. Mesmo diante de um personagem imortalizado por Thalía, a atriz deu sua própria leitura para a personagem, tanto na fase ingênua, bastante terna, quanto na fase vingativa de Maria Alejandra. Aqui, a atriz ganhou definitivamente um status de grande estrela que há tempos merecia. Apesar de alguns erros na conclusão de algumas tramas e o vai e vem de personagens, Corazón Indomable foi uma deliciosa trama cheia de vilões, armações, intrigas, um casal apaixonado, heranças, vingança, enfim, tudo o que o público de uma história rosa espera e gosta de ver dentro de uma novela.


Agradecimentos: NovelaMexicana


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Novelão Mexicano: Teresa


É é com muita alegria que comunico que a partir de hoje (segunda, 05/10), às 16h45, o SBT irá exibir Teresa!!! Traz a champanhe e taca-lhe GIFs animados porque hoje é dia de festa, Brasil!

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Na história, Teresa (Angelique Boyer) acredita que a pobreza não é para ela e almeja ascender socialmente a qualquer custo. Por conta disso, vive um relacionamento turbulento com o taxista Mariano (Aaron Díaz), que sonha em se tornar médico, mas seus valores são bem opostos ao de Teresa. A história muda quando o professor Arturo (Sebastián Rulli) resolve dar uma oportunidade para Teresa em seu escritório de advocacia. E é aí onde ela começa a planejar minuciosamente a forma de conquistá-lo e ficar rica. Para isso, ela não hesitará em manipular os sentimentos de Arturo, em pisar no coração de Mariano e se aproveitar de todas as situações que apareçam em seu caminho.


As coincidências com a novela Rubi (também mexicana, exibida originalmente em 2004 e estrelada pela Bárbara Mori) não são poucas: ambas são pobres e ambiciosas, desprezam um cara pobre em favor de um homem rico, são dissimuladas com suas melhores amigas e amam sua família, mas sentem vergonha dela. Com essa série de situações milimetricamente iguais, desde a criação de ambas existe uma dúvida sobre quem criou primeiro esse protótipo de personagem. Rubi, criada por Yolanda Vargas Dulché para uma revista, nasceu na mesma época em que a autora Mimi Bechalaní criou Teresa, já numa adaptação para a TV. Assim, fica difícil saber se existe algum tipo de plágio.


Para a novela de 2010, a adaptação se encarregou de atualizar a novela, tirando o ar antiquado e propondo novidades. Um excesso de personagens da vizinhança em subtramas desinteressantes foi sendo suavizado, pois impediam a trama principal de avançar. Sanados esses problemas e enfatizando a novela no núcleo dos ricos, a novela entrou numa crescente de audiência, terminando com altos números. A frase “Entre ser e não ser, eu sou”, proferida a exaustão por Teresa, ficou bastante famosa. A bela Angelique Boyer ganhou sua primeira oportunidade como protagonista e se saiu muito bem. Com a idade ideal, a beleza ideal, a atriz deu a interpretação perfeita para a protagonista e conquistou o público com uma composição inspirada. Teresa, praticamente em todas as cenas da novela, está fingindo, mentindo, quase nunca é ela mesma. Sebastián Rulli teve aqui seu maior amadurecimento como ator vivendo o advogado traído. Muitas vezes enganado por Teresa, acabou conquistando a preferência do público, que terminou torcendo para que Teresa se arrependesse e se apaixonasse por ele de verdade. Sebastián provou que, além de beleza (e que beleza!), também tem talento. Curioso que ele também fez a Rubi onde seu personagem também era enganado pela protagonista, aumentando ainda mais as comparações entre as duas novelas.


Apesar de todos os pontos similares com Rubi, Teresa é uma novela diferente, com uma condução diferente, principalmente porque a personagem aqui, embora até mais ambígua, nunca pende pra vilania total, assim que essa história garantiu um novo sucesso, até mesmo no ingrato horário das 18h. O último capítulo respondeu as dúvidas sobre o destino de Teresa e foi recordista de audiência. Teresa foi uma das novelas mais populares e de maior sucesso da Televisa dos últimos tempos. Graças a sua impecável adaptação, passou da mera comparação e ganhou um sucesso só seu.



Tem algo que eu nunca entendi a respeito das novelas no Brasil: por que a mocinha precisa ser sempre sofredora? E tudo é muito estranho para mim, pois é só ver o sucesso que as vilãs gozam a cada novela. Uma Carminha (Adriana Esteves) é muito mais querida e lembrada pelo público que uma Nina (Débora Falabela), a Nazaré (Renata Sorrah) é muito mais carismática que uma Maria do Carmo (Suzana Vieira) e Beatriz e Inês (Glória Pires e Adriana Esteves) tinham cenas bem mais interessantes que uma Regina (Camila Pitanga). Sabendo disso, por que não podemos ter uma vilã como protagonista? Por nunca entender por que uma vilã não pode ser a mocinha da história que eu me impressionei e fiquei fã da novela Teresa. A abertura, embalada por uma música da Glória Trevi que fala sobre uma mulher cruel ("Esa hembra es mala"), mostra Teresa toda doce quando olha para a câmera, mas é só alguém fazer algo contra ela que a donzela solta um olhar fulminante de raiva.


A premissa de Teresa é mostrar uma protagonista que faz tudo para conseguir o que quer, um tipo de personagem que não vemos nas novelas brasileiras (tá, a Nina de Avenida Brasil chegou muito perto disso). Sem se preocupar se o público concorda com a sua atitude, Teresa se insinua sexualmente para homens, mente para a melhor amiga e trata mal sua família só porque sofre privações por conta de ser pobre. Mesmo com essas atitudes, ela não era odiada porque o autor soube colocar um contexto nas coisas. Os outros riquinhos, por exemplo, tem muito menos moral que a protagonista, então não é de se estranhar que o telespectador se afeiçoe a ela. Teresa tem cenas exageradas, humor involuntário, drama carregado e personagens carismáticos e é uma novela gostosa de se acompanhar porque não é nada previsível. Que voltem as mocinhas com nuances de maldade! Elas fazem muita falta.


Agradecimentos: Novela Mexicana


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