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sábado, 24 de junho de 2017

Desgraçômetro Power Couple Brasil: os casais que mais amei e odiei na segunda temporada do reality



E chegou ao fim, nesta quinta (22), a segunta temporada do Power Couple Brasil (que não foi tão boa quanto a primeira, mas divertiu). Segue o balanço sobre todos os casais participantes do reality.

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Nayara e Cairo: a vitória de Nayara é raríssima entre todas as edições de realities exibidas desde 2001 no Brasil. Em pouquíssimas oportunidades, uma mulher negra conquista a vitória pelo voto popular. Ok, ninguém apostaria em Nayara e Cairo até a metade do programa. Mas o casal conseguiu ir se achando e encaixando seu espaço, de forma discreta e coerente. Foi a vitória do bom senso em meio a tantos realities pesados que acompanhamos ultimamente. Não teve a insanidade de guerras de torcidas. Não teve baixarias. Não teve jogo sujo. Nayara e Cairo foram coerentes, educados e simples do início ao fim. Eles tinham cumplicidade como casal, sem precisar apelar pra esteriótipos manjados que vemos a cada reality. Cairo foi por todo confinamento um cara pacato sem ser banana. Nem quando confrontado por Diego Cristo, Cairo levantou o tom de voz ou puxou alguma briga. Ele apresentou sua posição e ponto, não deu brechas para um bate boca. Calmo e racional, Cairo matinha uma boa relação com todos os casais, sem cair no clichê de ser o amigão de toda casa. Mereceram a vitória diante dos outros casais finalistas.

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MC Marcelly e Frank: um dos casais protagonistas da edição. Marcelly demonstrou toda a sua doçura no reality. A menina é linda, leve, engraçada e parecia realmente estar sempre se divertindo nas provas e nas edições. Porém, expôs fragilidade demasiada com o seu marido. Frank personificou a figura de vilão-mor na competição. Extremamente machista, grosseiro e deselegante. Ficou muitos tons acima. Impunha as suas verdades para a companheira de forma radical. Chegava a humilhar. Quase uma tortura psicológica. Manchou a imagem de forma indelével. Se não fosse pelo marido brucutu, minha torcida seria da Marcelly.

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Mauricio e Suyane: oh, pai! O casal mais querido desta temporada... Até a metade! De fato, passaram o ar de casal entrosado. Eram os meus francos favoritos. Mas o tempo foi passando e o casal de ex-mutantes foram mostrando um lado sonso e ensaboados que me desagradou. Um pouco do que li sobre o casal na vida real, parece que eles andam numa situação financeira ruim. O que justifica a aflição do casal na hora da DR. Índia Tainá chorava desesperada e Mauricio parecia bem abatido. Não era só por competitividade de jogo. Eles pareciam precisar muito do prêmio. Porém, se revelaram muito insossos no vídeo.

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Fabio Villa Verde e Regiane: o ator confirmou a sua boa imagem que sempre o marcou no decorrer de sua carreira. Porém, Regiane decepcionou. Completamente neurótica na gana de vencer, ela demonstrou irritação absurda com o marido, sendo completamente grosseira. Além disso, dedurou Marcelly para Frank na história do doce na van meio que "sem querer querendo". Arrumou uma confusão completamente desnecessária. Manchou ainda mais sua imagem perante os telespectadores. Fábio tem um jeitão banana zen, mas gostei do temperamento dele, além de ter mostrado ser uma boa surpresa nas provas, vencendo a maioria, e apresentando um jeito descontraído e com bom humor nos seus depoimentos nos VTs. Tal como Marcelly, se disputasse sozinho, sem a esposa pé no saco, teria minha torcida para vencer.


Rafael Ilha e Aline: sem dúvidas nenhuma, Rafael foi o maior destaque desta edição. Para o bem ou para o mal. O problema é que ele confundiu Power Couple Brasil com A Fazenda. Não plantou flores, como pretendeu passar em sua defesa. Na realidade, colheu foi é furacão. Foi humilhado por Diego e Lorena na grande final. Os dois ex-fazendeiros falaram as suas verdades na cara do rapaz. Diego ficou desapontado e indignado com a postura de Rafael. Por isso mesmo, no "barraco" exibido ao vivo, a plateia berrou o nome de Diego ao invés de Ilha. Além disso, o ex-polegar (talvez, por estar envergonhado) abandonou o programa na grande final e foi embora. Triste. Rafael adotou um tom acima do ideal. Evidentemente, é uma pessoa que enfrentou sérios obstáculos na vida e isso contribui para o seu comportamento. Imaginem se Ilha e Mara Maravilha tivessem, de fato, encarado juntos a sétima edição de A Fazenda? Sai de baixo...

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Ana Paula e Sylvinho: casal que mais me causou vergonha alheia na edição. Ana Paula apresentou um comportamento grosseiro e nada amigável com o seu companheiro. Nesse ponto, seu inimigo no jogo, Rafael, tinha razão: Ana era mesmo uma "jararaca". Bem falsiane, dissimulou, praticamente, o reality inteiro com a maioria dos casais. Além disso, Sylvinho resolveu bancar o “esperto” ao tentar infringir as regras do jogo. Ficou feio. Isso, agora, marcará a sua imagem. Sylvinho não merecia isso, após décadas de trabalho.

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Diego Cristo e Lorena Bueri: o público dos realities da Record já acompanhava o casal desde os tempos de A Fazenda. Tinham tal vantagem. Inicialmente, Diego e Lorena foram naturais. Não exploraram polêmica. Entenderam que o Power Couple Brasil tinha outro perfil em comparação ao confinamento rural. Apesar disso, Rafael Ilha resolveu cutucá-los com vara curta. A partir daí a instabilidade emocional, que já tinha aparecido em A Fazenda, voltou à tona. Tentaram adotar a mesma estratégia dos vencedores Laura e Jorge e se deram mal. Diego, principalmente, perdeu-se com a fragilidade emocional. Ouvindo histórias que não existiam. E isso respingou no desempenho das provas. Uma pena, pois até que curtia os dois.

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Marcelo Ié Ié e Julia: o humorista saiu do reality após problemas de saúde. Passou frieza ao tirar a amiga (ou ex-colega de trabalho) Narizinho do jogo. Julia forçava uma situação bem "melosa" de amor. Apesar disso, não saíram com imagem arranhada. Até poderiam ter vencido a competição.

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Andressa e Nasser: Alcançaram um bom desempenho na atração. Passaram naturalidade, entrosamento e não forçaram situações. Surgiram como um casal de verdade. Superaram as expectativas.

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Thaide e Ana P: Ana P demonstrou ser uma mulher de personalidade forte. Acertou ao desconstruir o discurso de Regiane. Porém, errou ao não transmitir compreensão com Thaíde, sempre tão rude com ele.

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Carol Narizinho e Mateus: não deixaram impressão, já que foram os primeiros eliminados.



segunda-feira, 5 de junho de 2017

Bem construída e cheia de boas cartas na manga, Rock Story sai de cena vitoriosa



E Rock Story chegou ao fim nesta segunda (05). Foi um capítulo final sem grandes surpresas, pois grande parte das histórias da trama já estava praticamente resolvida. E isso não foi um problema, muito pelo contrário. É apenas um sinal que Rock Story teve uma trama redonda do início ao fim, bem construída, sem excessos e que correu sem sustos, trazendo sempre novidades que mantiveram a novela quente por todo o seu período de exibição. Maria Helena Nascimento, novelista estreante, está longe de ser uma amadora. Em sua primeira novela como titular, mostrou uma rara maturidade na condução de seu enredo.

Rock Story foi vitoriosa em todos os sentidos. Primeiro, por trazer personagens muito humanos, reconhecíveis, fáceis de identificar e torcer por eles. Gui Santiago (Vladimir Brichta) foi um herói meio anti-herói, bastante impulsivo, que costumava resolver seus assuntos na base do grito e da violência. Mas, ao mesmo tempo, era um pai amoroso e um amigo dedicado. Ao seu apaixonar por Júlia (Nathalia Dill), se envolver com o filho Zac (Nicolas Prattes) e, ainda, partir para a terapia, Gui se transformou e se tornou um homem melhor. Sem forçação de barra, nem pirotecnias. A construção de Gui foi muito vitoriosa. Além do texto, sempre muito bem escrito, e da direção acertada, o personagem ainda ganhou mais camadas graças ao seu intérprete, Vladimir Brichta. Grande ator, um galã maduro e com talento dramático, Vladimir fazia falta às novelas, e retornou em grande momento. Fez um dos melhores protagonistas de novela dos últimos anos. Vladimir não tem somente estampa: é um ator da melhor qualidade.

E teve ao seu lado uma ótima parceira. A trama envolvendo Júlia foi muito bem desenvolvida, sempre com muitas reviravoltas e emoções. A mocinha era cheia de problemas, passou boa parte da novela fugindo da polícia, mas era otimista, carismática e com muitas qualidades. Esteve longe de ser uma mocinha chata. E Nathália Dill se mostra uma atriz cada vez mais madura, fazendo uma mocinha solar e bastante interessante. Além disso, mostrou talento ao viver a irmã gêmea de Júlia, Lorena. A atriz conseguiu marcar bem as diferenças entre as duas personagens, fazendo o espectador acreditar que se tratava, realmente, de uma outra pessoa.

Outra personagem cheia de surpresas e camadas era a vilã Diana (Alinne Moraes). Era uma vilã, mas com bastante humanidade. Diana, muitas vezes, era dura com a filha, além de armar, provocar e prejudicar Gui Santiago. No entanto, mostrava-se uma mulher de carne e osso, atenta às suas qualidades e seus defeitos. Ela meteu os pés pelas mãos várias vezes, se arrependeu de muitas bobagens, pedia desculpas e assumia seus erros. Alinne Moraes não precisa provar mais nada: é uma atriz da melhor qualidade e emplacou mais uma grande personagem à sua galeria.


Além da trinca, Rock Story apresentou uma gama de personagens e atores que merecem todos os aplausos. Rafael Vitti, revelação de Malhação Sonhos, foi uma grata surpresa como Léo Regis, fenômeno da música adolescente. O ator abusou do carisma e de seu jeito meio gaiato para fazer um tipo meio deslumbrado, quase uma caricatura de um astro da música. Ao mesmo tempo, teve sensibilidade para conduzir a derrocada de Léo, que teve um rumo surpreendente. Ana Beatriz Nogueira, sua mãe Neia, já é uma ladra de cenas profissional. Fez de uma personagem, a princípio sem muito destaque, um grande acontecimento. Também merece menção Viviane Araújo que, como Edith, mostra que se tornou, de fato, uma atriz das boas. Herson Capri, o Gordo, Laila Garin, a Laila, Alexandra Richter, a Eva, também fizeram trabalhos grandiosos. E a dupla de bandidos Romildo (PauloVerlings) e William (Leandro Daniel) foi outra grata surpresa.

Rock Story foi muito feliz na abordagem do mundo da música. Criou uma dicotomia interessante entre a música de qualidade e a puramente comercial, brindando o público com uma trilha sonora das melhores. Além disso, a novela não economizou trama e conseguiu manter a atenção do público graças às "cartas na manga" que a autora guardava, fazendo uso delas sempre com cuidado.

Quando a novela começou, Júlia foi vítima de um golpe, quando o namorado metido com tráfico de drogas a usou como "mula", tentando transportar uma encomenda para os Estados Unidos. Assim, a mocinha foi obrigada a fugir da polícia e se passar por sua irmã gêmea, Lorena. Então, acompanhamos as diversas fugas de Júlia, enquanto ela procurava o vilão Alex (Caio Paduan) e tentava provar sua inocência. Esta "caçada" teve seus desdobramentos, até que Alex fingiu sua morte e saiu de cena, dando espaço para que Lorena, até então vista apenas na tela de um tablet, chegasse de vez à trama. A "gêmea má" chegou trazendo novos conflitos, agitando ainda mais a vida de Júlia. No fim, acabou morrendo e inocentando a irmã, enquanto Alex foi preso. Que novela com gêmea má e gêmea boa você já viu onde uma delas morre antes do final?! Parecia o início de uma fase calma na vida da protagonista de Rock Story, que finalmente iria viver seu amor com Gui Santiago sossegada.

Aí a autora sacou outro trunfo: Mariane (Ana Cecília Costa), a mãe de Zac, que chegou para colocar mais lenha na fogueira da vida de Gui e Júlia. Quando a moça sai de cena, chega a vez de Alex sair da cadeia e propor o conflito final. Outra personagem que entrou e saiu em momentos oportunos foi Laila. Ela entrou para virar a vida de Gordo. Depois o enganou e saiu da cidade, deixando o caminho livre para que Eva crescesse na trama e engatasse um romance com o dono da gravadora Som Discos. Surgiu aí uma enteada para ela, gerando novos conflitos. Na reta final, Laila retornou, trazendo ainda mais acontecimentos. Ou seja, com estes entrechos sendo propostos a todo o momento, Maria Helena Nascimento deixou sua história movimentada o tempo todo, evitando ao máximo as indesejáveis "barrigas".


Como se não bastassem tantas qualidades, Rock Story ainda foi feliz ao trazer ao horário das sete uma trama com uma cara mais adulta, diferente das comédias quase infantis que fizeram o horário nos últimos três anos. Além disso, diminuiu o tom de comédia romântica do horário, com uma história de contornos mais dramáticos. Por estas e outras, Rock Story sai de cena como uma das melhores novelas das sete dos últimos anos. Vai deixar saudades.


ACABEI DE ATUALIZAR O MEU DESGRAÇÔMETRO DAS NOVELAS DAS 7 DA DÉCADA ATUAL (DE 2010 PARA CÁ). CONFIRA CLICANDO AQUI OU NA FOTO ACIMA.


sábado, 6 de maio de 2017

Vade Retro está mais para 'O Dentista Mascarado' do que para 'Os Normais'



Quem esperava encontrar um novo Os Normais deu com a cara numa reedição de O Dentista Mascarado com toques de terror a la Zé do Caixão. Vade Retro estreou há três semanas e lembra pouco dos grandes trabalhos da dupla Alexandre Young e Fernanda Machado na TV. A nova série da Globo usa do humor para retratar as ideias maniqueístas de bem e mal, mas a julgar pelos três primeiros episódios, a produção precisa investir menos no sobrenatural e focar mais na trivialidade do cotidiano — coisas que Alexandre e Fernanda faziam como ninguém com Rui (Luiz Fernando Guimarães) e Vani (Fernanda Torres).

Desta vez, os autores resolveram brincar com o sobrenatural, usando da linguagem dos filmes de terror para fazer comédia. Não faltam elementos sacros e religiosos na nova aposta, que mostra a relação entre uma advogada que foi beijada pelo Papa quando criança, a doce Celeste (Monica Iozzi), e um empresário misterioso que mais parece o próprio diabo, que carrega o singelo nome Abel Zebu (Tony Ramos).

Verdade seja dita, Monica não é tão genial atuando quanto apresentando. Mas é correta, tem bom timing para o humor e convence bem fazendo um tipo meio sem graça e que carrega certa ingenuidade. Por outro lado, Tony Ramos usa todo o seu arsenal para fazer um Abel verdadeiramente diabólico. O ator usa o carisma que lhe é peculiar para dar a Abel Zebu um charme todo especial. Juntos, a dupla funciona bem, provocando um magnetismo interessante. Mas são Cecília Homem de Mello — que vive a simpática Leda, mãe de Celeste, senhorinha dona de uma língua afiada — e Maria Luísa Mendonça — trazendo mais uma desajustada (Lucy Ferguson, mulher de Abel) deliciosa à sua já ampla galeria — que roubam a cena.

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O grande problema de Vade Retro, porém, está na construção do texto. O maior trunfo de Os Normais eram os diálogos rápidos e cheios de ironia e humor corrosivo. Por ser uma comédia de costumes sobre a vida de um casal, gerou identificação imediata e tornou Rui e Vani fenômenos. Depois deles, Alexandre e Fernanda fizeram sátiras sem tanta identificação. Eles brincaram com o mundo das celebridades em Minha Nada Mole Vida, com o cinema-catástrofe em Como Aproveitar o Fim do Mundo, com as histórias em quadrinho na péssima O Dentista Mascarado e até retornaram ao mundo dos casais (desta vez, com narrativa de documentário) em Separação!?. Ou seja, tais séries vinham propondo universos satíricos que agradavam quem estava inserido no segmento satirizado, mas não fazia muito sentido para o espectador não familiarizado com tais universos, daí Alexandre e Fernanda jamais repetirem o sucesso de Os Normais.

Com Vade Retro, não está sendo diferente. Quando adentram na trama fantástica, os autores precisam ser um tanto didáticos para explicar as situações absurdas. E isso soa forçado, às vezes. No entanto, sempre que brincam com as periculosidades sociais, os dois conseguem diálogos debochados e bem-humorados. Piada precisa de ritmo, de timing. Lentas e de conteúdo pouco inspirado, as falas passam longe da esgrima verbal que se espera de uma comédia, especialmente as de Celeste. Ainda dá tempo de corrigir!

sábado, 29 de abril de 2017

Fraca, Os Dias Eram Assim decepciona em não traduzir a real complexidade do que retrata



De um lado da história, temos Arnaldo (Antonio Calloni), um vilão com tintas carregadas. Um empresário arrogante, que maltrata a mulher Kiki (Natália do Vale) e tenta controlar a filha Alice (Sophie Charlotte). Mas vai além: não só apoia financeiramente o aparato repressor do regime militar, como sente um prazer sádico em acompanhar as sessões de tortura. Do outro lado, o idealista Túlio (Caio Blat), que adere à luta armada. Sim, idealista, pois na minissérie (ou supersérie ou qualquer outro nome que a Globo queira dar para suas novelas mais curtas) não existem as palavras comunistas e terroristas. Logo no primeiro capítulo, ele comete um atentado "light": solta uma bomba na entrada da fictícia Construtora Amianto, que pertence a Arnaldo. Sem vítimas, só uns poucos danos materiais, que é para manter a simpatia do público. Imediatamente capturado pela polícia, morre ao som de Walter Franco – um requinte a mais de crueldade.

Entre os dois extremos, há uma dezena de personagens que não está nem aí para a política. Como o protagonista Renato (Renato Góes), que se apaixona por Alice à primeiríssima vista numa passeata onde ambos estavam por acaso. Renato é irmão de Gustavo (Gabriel Leone), que é amigo de Túlio. Só por causa disso, o pai da mocinha irá infernizar sua vida, acusando-o de envolvimento com a subversão. Afastado através de mentiras de seu grande amor, o jovem médico será obrigado a se exilar do país. Esta é, em linha gerais, a trama central de Os Dias Eram Assim. Um romance proibido que começa em 1970 e vai até 1984.


As autoras Angela Chaves e Alessandra Poggi, pela primeira vez como titulares de uma obra, já colaboraram em inúmeras novelas e séries alheias. Aprenderam todos os clichês da nossa teledramaturgia, embora ainda não tenham conseguido traduzir a complexidade do período que escolheram retratar aqui. Nem todos os militares eram brucutus sanguinários que sentiam tesão em torturar alguém, assim como nem todos os "subversivos" eram anjinhos caídos do céu perseguidos inocentemente. Naquele momento, vários grupos que se diziam revolucionários estavam praticando atos contra o governo, desde sequestros de diplomatas estrangeiros a assaltos a bancos, passando por crimes contra figuras que apoiavam o regime. A maioria deles, inclusive, não lutavam pela democracia coisa nenhuma e sim para implantar o comunismo no Brasil.

Não estou querendo defender a ditadura militar. Longe disso. Porém, é como dizem: "o lobo sempre será mau se você ouvir apenas a versão da chapéuzinho vermelho". Os atos terroristas dos comunistas na série são amenizados e retratados como se fossem pura molecagem, sem vínculo com nenhuma organização de esquerda. Com um tema tão complexo quanto o que a série retrata, aqui não cabe maniqueísmo: não estamos falando de uma luta do bem contra o mal, entre vilões (os militares) e mocinhos (os comunistas), mas sim de revolucionários que praticavam terrorismo para implantar um regime comunista no Brasil, enquanto eram reprimidos com torturas e crimes obscuros pelo governo militar. Não havia inocentes. Não é à toa que a série vem fracassando na audiência (chegando a míseros 12 pontos) e repercute na web mais por conta dos telespectadores mais conservadores que resgatam imagens e vídeos daquela época para confrontar com a atualidade (através da hashtag #OsDiasNãoEramAssim) do que pela trama em si.

Pelo menos, nessas suas duas primeiras semanas, a supersérie carregou nas tintas do romance, distorcendo a real história e não se preocupando em examinar as contradições de um tempo ainda pouco explorado pela nossa teledramaturgia. Perdeu uma oportunidade de ouro. Não fosse pelas poucas cenas de violência, a série poderia ser facilmente uma novela das seis (como estava inicialmente prevista).

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Mudanças sem sentido fazem de 'Pro Dia Nascer Feliz' mais uma decepção



Emanuel Jacobina retornou à Malhação após a elogiada temporada Sonhos, desenvolvida por Rosane Svartman e Paulo Halm. Intitulada Seu Lugar no Mundo, a história desenvolvida por Jacobina parecia interessante no começo, mas foi se perdendo em meio a conduções inverossímeis, personagens perdendo suas funções e abordagens equivocadas. Ainda assim, parecia que a chance de se redimir viria com a temporada seguinte, intitulada Pro Dia Nascer Feliz, que chega ao fim semana que vem. Ledo engano.

A atual edição conseguiu repetir os mesmos erros da anterior, apesar de apresentar um elenco um pouco melhor. Foram aproveitados poucos personagens para o novo enredo, entre eles Jéssica (Laryssa Ayres), Nanda (Amanda de Godoi), Krica (Cynthia Senek) e Cleiton (Nego do Borel). Enquanto isso, como exemplo, Marina Moschen e Nicolas Prattes, que viveram o casal Luciana e Rodrigo (malconduzido pelo autor), estão repetindo o par em Rock Story, atual novela das sete, desta vez de forma bem mais rica e realmente convincente, interpretando respectivamente a patricinha Yasmin e o cantor Zac, líder da banda 4.4.

Um dos erros é a personalidade da mocinha Joana (Aline Dias). De início uma protagonista de atitude e pulso firme, ao longo do tempo, a personagem se tornou muito intrometida e chata. A falta de química com Felipe Roque (que vive o mocinho Gabriel e também mostrou altas doses de canastrice) também foi evidente, a ponto de Joana passar a se envolver com o irmão dele, Giovane (Ricardo Vianna).

A rival de Joana, Bárbara (Bárbara França), também sofreu com as mudanças estapafúrdias. A filha mais velha de Ricardo (Marcos Pasquim) sempre foi uma vilã voluntariosa, a ponto de fazer ofensas racistas e xenofóbicas contra a rival. Até aí, sem problemas. Porém, a personagem guardava um lado humano interessante em função da convivência com suas irmãs Juliana (Giulia Gayoso) e Manuela (Milena Melo). Essa complexidade foi esquecida sem qualquer motivo aparente. As brigas entre as personagens, que deveriam ser usadas como um bom recurso para a relação conflituosa entre elas, tornaram-se constantes a ponto de cansar. Dia sim e dia também Bárbara e Joana tinham longas cenas de discussão, brigando sempre pelos mesmos motivos: ora pelo Gabriel, ora pelo pai Ricardo, ora pela academia... Ai, que soninho...


Juliana, por sua vez, tinha uma interessante relação de gato e rato com Lucas (Bruno Guedes). As provocações entre os dois faziam do par o mais promissor da temporada. Até que ela se apaixonou por Jabá (Fábio Scalon) e houve uma inversão de personalidades entre eles: o primeiro, arrogante, virou uma boa pessoa, enquanto Lucas virou um babaca irresponsável. Este chegou a se envolver com Martinha (Malu Pizzatto) sem nunca ter sido amigo dela e, para piorar, ela ficou grávida. A abordagem da gestação foi erroneamente desenvolvida, parecendo algo engraçadinho e super legal na vida de um adolescente - e não uma coisa séria, como deveria ser - e repetindo o erro cometido com Krica e Cleiton na temporada anterior.

Nanda, por sua vez, chegou a se envolver com Rômulo (Juliano Laham) para tentar esquecer Filipe (Francisco Vitti), todavia, as constantes desconfianças e a indecisão amorosa dela a transformaram em um tipo irritante e cansativo, desvalorizando o talento de Amanda de Godoi (a mais promissora revelação de Seu Lugar no Mundo). Para piorar, entrou na história o professor Renato (Jayme Matarazzo), para quem supostamente o coração do ex foi doado. O triângulo nada acrescentou e o autor resolveu recorrer a cenas de Filipe como fantasma (bem cafonas, diga-se de passagem) e aproximar Rômulo de Sula (Malu Falangola), amiga cearense de Joana, para fazer ciúmes em Nanda. Nada disso funcionou. Inclusive, fez o efeito contrário, já que Rômulo e Sula formaram, inesperadamente, um casal até que bonitinho.

Agora, foi a vez de Caio (Thiago Fragoso) também sofrer com a mudança de personalidade. O cunhado de Ricardo, irmão da esposa falecida deste, era uma boa pessoa, embora guardasse mágoa do dono da academia Forma em função do acidente. Entretanto, foi transformado em um psicopata perverso, a ponto de se disfarçar de enfermeiro para matar o próprio irmão, assassinar a ex-namorada de Ricardo e sequestrar Tita. Tudo com a maior frieza do mundo. Algo que em nada condiz com seu perfil inicial.

Apesar dos problemas, o elenco consegue tirar proveito do fraco roteiro e aproveita todas as oportunidades. Bárbara França é o maior destaque da temporada e uma das maiores revelações da Malhação dos últimos tempos. Sua entrega total a personagem foi fantástica! Aline Dias, Malu Falangola, Giulia Gayoso, Amanda de Godoi, Laryssa Ayres e Milena Melo são outros bons nomes da turma jovem. Entre os adultos, Deborah Secco também está muito bem como Tânia e Thiago Fragoso, bom ator que é, consegue convencer em todas as nuances de Caio (apesar dos pesares). A grandiosa Joana Fomm, em participação especial, emociona como a avó de Gabriel e Giovane, dona Cleo. Como pontos negativos, as fracas atuações de Felipe Roque (Gabriel), Nego do Borel (Cleiton) e Juliano Laham (Rômulo).

Apesar da boa audiência, Malhação - Pro Dia Nascer Feliz sai de cena nada feliz, repetindo a fraca trajetória de sua antecessora e novamente se perdeu em meio a uma condução pífia e ao desperdício de personagens e enredos, por parte do autor Emanuel Jacobina. Com isto, só resta torcer pela próxima temporada, intitulada Viva a Diferença e assinada pelo cineasta Cao Hamburger, responsável por produções como Castelo Rá-Tim-Bum, Pedro e Bianca e Que Monstro Te Mordeu?, exibidas na TV Cultura.

sábado, 22 de abril de 2017

Power Couple Brasil - Primeiras Impressões



E começamos a segunda temporada do Power Couple Brasil, um reality que tem tudo que gosto no formato: subcelebridades, barracos, votação, provas involuntariamente divertidas e coisas trash. Dessa vez, o número de casais aumentou (são 11) e o programa é exibido duas vezes na semana (terça e quinta).

Eu ainda gosto de Masterchef, é um reality mais sério. Mas o problema é que a Band resolveu transformar o programa na sua Malhação, ficando no ar infinitamente sem parar. Isso cansa e acaba virando mais do mesmo. Se o Masterchef não se reinventar ou parar de ter 902 edições por ano, ele só tende a perder mais e mais público. Fico no aguardo para a Band usar o card de subcelebridades para alavancar o programa.

Já o Power Couple não faz cerimônia em enfiar o pé na jaca, com adultos sem medo do ridículo. É o único reality que nos presenteia com um casal de ex-BBB e um casal de ex-Fazenda competindo no mesmo universo. Isso é tipo fazer um filme com os Vingadores e a Liga da Justiça duelando entre si. Assustadoramente, eu conhecia o(a) famoso(a) de quase todos os casais. E o elenco desse ano é super diversificado. Temos um casal que já passou com certo destaque pela Fazenda (Diego Cristo e Lorena Bueri), uma ex-Panicat (Carol Narizinho) preenchendo a vaga regulamentar de qualquer produção desse gênero, um rapper (Thaíde), uma ex-Globeleza (Nayara Justino), um roqueiro decadente dos anos 80 (Sylvinho Blau-Blau), casal de ex-BBBs (Andressa e Nasser), funkeira (MC Marcelly), imitador de Sérgio Mallandro e ex-Panico (Marcelo Ieié), um ator decadente (Fábio Villaverde), um casal de atores que você nem sabia que existia que se conheceu durante as gravações de Os Mutantes (Mauricio Ribeiro e Suyane Moreira) e o Rafael Ilha que dispensa comentários no que diz respeito a barracos e confinamentos.

A seguir, minhas primeiras impressões sobre a primeira semana da nova temporada do reality.

Diego e Lorena Is The New Casal Kamikaze?




O casal Kamikaze encantou o país ano passado, quando se entregou de corpo e alma para a competição do Power Couple Brasil e apostaram num jogo bem suicida. Não obstante, foram os protagonistas da edição e Laura Keller e seu marido Jorge sagraram-se campeões graças a performances maiúsculas e uma popularidade que entristeceu Simony e Gretchen. Lorena Bueri e Diego Cristo não ficaram quase famosos durante a ótima passagem pela Fazenda 7 graças ao equilíbrio ou à civilidade. Lorena ficou conhecida como Lorena Boca de Boeiro por só falar barbaridades dos outros participantes e Diego ficou conhecido pelas discussões acaloradas que sempre protagonizava usando cueca de R$ 3,99. Ou seja: garantia de bom entretenimento. Vejo neles um potencial enorme de serem o novo casal Kamikaze da edição, pelo menos, nesse estilo de jogo agressivo e bastante força nas provas.. Quem o casal fará chorar dessa vez?

Regiane Is The New Esposa do Túlio Maravilha?




A primeira reação quando você lê o nome Fábio Villa Verde provavelmente é "quem diabos é Fábio Villa Verde???". Mas depois vê o rosto e vem um estalo no cérebro. Aquele cidadão não é de todo estranho, apesar de não chegar a ser familiar. Eu sempre achei ele um dos atores com mais cara de banana do universo. E o Power Couple veio para nos comprovar que isso é mesmo verdade. Sua esposa Regiane já pulou na frente a candidata de mala da edição. Essa loira dos infernos conseguiu dar 902 broncas no marido e encher o saco do resto da casa em apenas um único dia de programa. Nem a esposa do Túlio Maravilha na primeira temporada era tão mandona assim... Já peguei ranço com todas as minhas forças!

Por que diabos Narizinho usa sutiã por cima da blusa?!




Para quem não conhece, Carol Narizinho foi a Panicat mais inútil que já passou pelo Pânico. A gente gosta mesmo é de Panicat raiz, Panicat verdade. A gente gosta é de Nicole Bahls acusando Juju Salimeni de ter feito macumba pra sua bunda cair. O resto? Nunca vi, nem comi... Ficou apenas uma temporada no programa e foi dispensada por falta de carisma. Power Couple veio para nos mostrar que ela continua a mesma. Tão inútil que já foi eliminada na primeira semana e eu nem sei o que escrever sobre ela em um parágrafo inteiro a não ser pelo estranho hábito dela em sempre usar o sutiã por cima da blusa.

Mais uma Ana Paula para ganhar nossos corações?




Com uma relação extremamente bem resolvida, onde a esposa se mostra estratégica e mais enérgica, Silvinho Blau Blau e Ana Paula já parecem incomodar alguns participantes do sexo masculino. Ana Paula carrega o estereótipo da mulher guerreira e bem resolvida, que é doce mas não foge de um embate quando necessário, e suas discussões com o marido fizeram criar logo no segundo dia de convivência a impressão de uma pessoa mandona e voluntariosa, deixando para o marido o título de "pau mandado" reforçado pela edição. Ou essa impressão sobre o casal se desfará ou ficará ainda mais forte, o que certamente gerará conflitos. Pelo temperamento explosivo e imperativo da esposa, ela tem tudo para ser a possível barraqueira da edição. Até porque Ana Paula é sinônimo de barraco e entretenimento. Olha elaaa!

Vai demorar muito para o Rafael Ilha ter um surto e pirar total?




Quem em sua sã consciência e completamente sóbrio olharia para o Rafael Ilha e diria "quero casar com esse homem"?! Sério, olhem para a cara da Aline, esposa dele, e reparem bem na pupila do olho dela. Dá pra ver que tá escrito HELP! Esse homem me dá medo. Gosto assim. Quero treta, quero confusão!

Que o Power Couple nos traga tudo aquilo que o BBB17 não trouxe: barraco e diversão. Amém!

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Dancing Brasil, a "Dança dos Famosos" (muito) melhorada



Há algumas semanas, a Record estreou em nosso país a versão de grande sucesso das emissoras BBC da Inglaterra e da ABC dos Estados Unidos, Dancing With the Stars, aqui intitulado como Dancing Brasil. Pode parecer precipitado, mas acho que já podemos afirmar que o novo reality show de dança é uma das mais interessantes estreias deste primeiro semestre. E, de bônus, já podemos dizer também que o reality vence de sobra o reality mais famoso até então, o Dança dos Famosos, do Faustão. E se você perguntar o porquê da comparação, bem, a própria Globo chegou a pensar em processar a Record por achar que uma é cópia da outra. Então nada mais justo que colocarmos os dois realitys no mesmo texto e compará-los.

Diferentemente do famoso quadro do Faustão, o Dancing Brasil traz toda semana ritmos para embalar as danças dos competidores, exibindo performances de músicas variadas – não necessariamente pertencente ao tema, tendo em consideração um leque de variedades na dança. Também, os jurados são fixos e não variados, semanalmente, como acontece no quadro do Faustão. Sendo assim, os mesmos acompanham consideravelmente os desempenhos dos participantes (se evoluem ou decaem na competição).

E no processo de comparação, o show da Record ganha em quase todos os quesitos, a começar pela apresentação. Enquanto que na Globo temos o sempre impertinente Faustão, que gosta de monopolizar o microfone, na Record vimos uma Xuxa bem sóbria, fazendo um papel de coadjuvante. Fala o necessário, brinca o necessário e interage o necessário. E só isso. Faz o básico e não chama mais atenção que os candidatos, pois esses sim, são as estrelas do programa. E, mesmo assim, ela consegue roubar a atenção. Esbanjando carisma, fazia tempo que não víamos a eterna Rainha dos Baixinhos toda alegre, tão sorridente, brincando e dançando, apresentando um programa – acho que desde o icônico Planeta Xuxa.


Outra vitória da Record vem no quesito produção. Enquanto que o Dancing Brasil é ambientado num palco gigantesco, bem produzido, rico em detalhes passados para quem está em casa acompanhando – um show à parte –, no Dança dos Famosos vemos a estrutura ser montada no palco de um programa de televisão. Ou seja, de um lado temos um programa, de outro temos um quadro dentro de outro programa .

Por conta disso, tudo no reality da Record funciona melhor: edição, câmeras, roteiro do programa. Os candidatos aqui conseguem se mostrar de forma mais completa e o público consegue acompanhar melhor a evolução de cada um deles. Óbvio que em um ponto o reality da Rede Globo consegue vencer: escolha do elenco. Não dá para comparar o cast da Globo com o cast da Record, mesmo com todo o esforço da emissora paulista para trazer para a primeira temporada alguns de seus "grandes" nomes. A escolha do robótico Sérgio Marone como repórter de bastidores do programa também é outro ponto fraco. É tão sem sal atuando quanto apresentando. Nany People seria o nome perfeito para tal posto #FicaADica.

Ainda assim, a Globo consegue chamar mais atenção neste quesito. Mas, fora isso, a Record está de parabéns por estar exibindo um programa de entretenimento muito bem acabado, produzido, com uma estrela apresentando bem e com tudo funcionando direito. Uma pena que um programa tão grandioso como esse fique patinando entre apenas 4 ou 5 pontos no Ibope num fim de segunda-feira. Merecia muito mais!

P.S.: Achei essa abertura do programa um verdadeiro LUXO!!!


quarta-feira, 19 de abril de 2017

Para o desespero dos haters, A Força do Querer vai bem, obrigado!



Estreou bem a nova investida de Gloria Perez no horário nobre, A Força do Querer. A trama entrou no ar sem pressa, mas não desinteressante. Teve um primeiro capítulo que fugiu do didatismo já cansativo da apresentação dos personagens num ritmo acelerado e foi desenrolando sua trama principal aos poucos, revelando a conexão entre as histórias de maneira bastante harmônica. Soma-se a isso o ótimo elenco e uma direção criativa de Rogério Gomes. Tudo isso vem fazendo do início da atual novela das nove um entretenimento saboroso, com Glorinha apresentando algumas novidades em seu estilo já tão conhecido.

Desta vez, a veterana novelista não centrou toda a sua história numa única heroína, como fez com Morena (Nanda Costa), Maya (Juliana Paes), Sol (Deborah Secco), Jade (Giovanna Antonnelli) e Dara (Tereza Seiblitz). Ao invés disso, trouxe diferentes tramas entrelaçadas por três personagens centrais, Ritinha (Isis Valverde), Bibi (Juliana Paes) e Jeiza (Paolla Oliveira). E até mesmo para apresentar seu trio central, a autora não teve pressa, já que o primeiro capítulo focou num prólogo envolvendo dois dos mocinhos, Zeca (Marco Pigossi) e Ruy (Fiuk). A partir deles nasce a relação entre duas grandes famílias, encabeçadas por Eugênio (Dan Stulbach) e Eurico (Humberto Martins), de onde se ramificam as tramas principais e paralelas. Ligado a eles está Caio (Rodrigo Lombardi), que tem uma história de amor com Bibi (Juliana Paes), uma das donas do primeiro capítulo. No final do primeiro episódio surge Ritinha, namorada de Zeca, mas que se envolverá com Ruy. A policial Jeiza surgiu apenas capítulos depois, ao abordar o caminhão de Zeca na estrada. Com a fuga de Ritinha para o Rio de Janeiro com Ruy, a aproximação entre Zeca e Jeiza e, mais pra frente, a entrada de Bibi no mundo do crime, as três protagonistas, finalmente, baterão de frente.

Além de não centrar sua trama numa única grande heroína, Gloria Perez também imprimiu outra novidade no enredo. Ao contrário de suas últimas novelas, que tinham o elenco tão inchado que vários personagens sumiam e apareciam ao sabor do vento, desta vez, em A Força do Querer, são poucos núcleos e personagens. Toda a trama está bastante concentrada nas duas famílias centrais e é a partir das personagens que as compõem que a autora propõem os temas que pretende discutir, como o vício em jogo de Silvana (Lilia Cabral) e a transexualidade de Ivana (Caroline Duarte), que se "descobrirá" homem.

A terceira novidade no enredo de Gloria Perez é a falta da "ponte aérea" entre o Rio de Janeiro e qualquer outra parte do mundo, como a Turquia, Marrocos, Índia ou Estados Unidos. Desta vez, o núcleo "quase estrangeiro" da história está no estado do Pará, no Brasil mesmo, dando a chance de o público “viajar” com as personagens além do eixo Rio-São Paulo, explorando uma cultura tipicamente nacional, mas não tão conhecida aqui pelos lados do Sudeste. Assim, A Força do Querer tem o ritmo e o colorido do Carimbó, do artesanato de inspiração indígena e das lendas da região amazônica, como a do Boto cor de rosa. A locação proporciona um espetáculo visual para quem assiste que dá à A Força do Querer um charme especial.

E mesmo trazendo algumas novidades, Gloria Perez continua ainda sendo Gloria Perez e carrega muito do seu DNA. Assim, A Força do Querer não esconde que pretende ser um novelão, com muitas reviravoltas e amores impossíveis. Ou seja, é um folhetim rasgado, do qual a autora é especialista. Além disso, pode-se observar alguns enredos que remetem a outras de suas histórias, como a relação entre Eurico e Eugênio, que parece um remake dos irmãos Cadore de Caminho das Índias (incluindo aí a presença de Humberto Martins nas duas histórias). À Eugênio caberá se envolver com uma vilã interesseira, neste caso Irene (Débora Falabella), tal e qual Raul Cadore (Alexandre Borges) e a psicopata Yvone (Letícia Sabatella). Já Eurico e Silvana também remetem a Glauco (Edson Celulari) e Haydée (Christiane Torloni), de América. Duas mulheres elegantes que sofrem em segredo diante de uma dificuldade: Haydée era cleptomaníaca, enquanto Silvana, como já foi dito, é viciada em jogo. Sem falar no jeito sempre caricato e estereotipado de Glorinha em retratar temas, digamos, inusitados. Do gótico Reginaldo (Eri Johnson) de De Corpo e Alma, que só andava vestido de preto, para o cosplayer Yuri (Drico Alves), que só se veste de Goku e só se comunica com a mãe através do celular, nada mudou. É tão bizarro que chega a ser divertido!

Ou seja, Gloria Perez retornou ao horário nobre inspirada e A Força do Querer, ao menos nestas primeiras semanas, parece oferecer bastante vigor à faixa. Há bons personagens, situações interessantes e belos cenários prontos para fazer o horário das nove da Globo retornar às boas diante do público. A audiência também está acima das expectativas, com médias sempre acima dos 30 pontos (é a melhor audiência para um início de novela das nove desde Império). Pelo visto, os que esperavam uma nova Salve Jorge para poderem apontar furos, erros e defeitos na nova trama de Glória Perez (como esse redator que vos fala, não vou negar) se deram mal. Se bem que ainda tem muita coisa pra acontecer na trama, então...

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Elenco ruim, casal fake e parcialidade da edição fazem do BBB17 o pior da história



A décima sétima temporada do Big Brother Brasil pode ser definida em duas palavras: catastrófica e esquecível. A seguir, confira alguns motivos que mostram que esse foi o pior BBB da história.

"Os Silva" e Cortez: As tradicionais (e maravilhosas) charges de Maurício Ricardo foram trocadas por uma família de fantoches, a família Os Silva. Dublada por Lúcio Mauro Filho e Heloísa Périssé, os bonecos tinham a função de tecer comentários e piadinhas sobre os participantes, mas nunca provocou um riso sequer. Pelo contrário, era constrangedor. O resultado foi o cancelamento do quadro em menos de um mês. E outro quadro sem relevância foi o comandado por Rafael Cortez, que simplesmente lia tweets de telespectadores do Twitter e tecia uma ou outra piadinha (sem graça) a respeito. Inútil. Uma besteira.

Elenco apático: O que move um bom reality show é, obviamente, o seu elenco, com a formação de alianças e ótimos embates, despertando picuinhas e rivalidades. O jogo bem disputado provoca um clima de tensão constante, ao mesmo tempo que não impede momentos de diversão. E absolutamente nada disso aconteceu na atual edição. Não houve qualquer tipo de vínculo mais forte entre os participantes e nem uma disputa que despertasse interesse. Foi uma temporada fria, sem alma. Os selecionados não criaram afetos no programa. Todos se aliavam por conveniência e os laços mudavam a cada paredão, de acordo com quem retornava da berlinda. Claro que um jogo que vale um milhão e meio de reais provoca interesses e disputas, mas nunca na história do reality houve tantas traições entre os competidores. Até mesmo a imunização do anjo era dada por interesse e não por afeto ou proteção. Se ainda movimentasse o jogo, mas não, pois todos fugiam de confrontos diretos. Não houve bons enfrentamentos e nem grandes discussões. Os populares barracos foram elementos extintos nessa edição, pois todos preferiam falar somente pelas costas e pela frente optavam pelo clássico fingimento. Um jogo baixo em vários sentidos. Foi um ano onde tínhamos que ir torcendo pelo "menos pior". Faltou se entregar ao jogo de verdade (um dos poucos focos de conflitos que despertou interesse foi Elis). Faltou entreter. Faltou lealdade. Faltou carisma.


Doutor Machista e Ninfeta má: Como nenhum participante conseguiu construir uma história própria, o relacionamento entre Marcos e Emilly segurou toda a edição do programa. O grande problema foi o rumo que esse relacionamento tomou. Já começou todo errado, lá na primeira semana, com Marcos querendo formar casal desesperadamente (tentou com Gabi Flor, mas não conseguiu) e tentando beijar Emilly à força. Tudo, porém, sendo tratado de forma bonita e romântica pela edição. Ao longo do BBB, o casal teve incontáveis DRs pelos motivos mais fúteis e não apresentaram muito em comum além do sexo (em um momento infame, Emilly perguntou o que Marcos via de positivo nela e ele respondeu "Você beija bem, transa legal"). O estopim foram as agressões físicas e psicológicas que Emilly sofreu do namorado, que, graças unicamente à pressão popular em alertar as autoridades e pedir uma averiguação, fez Marcos ser expulso (leia mais AQUI). Completamente fake e chato, o casal Mally abusou da nossa paciência.

Mr. Edição vs PPV: Nunca antes houve tanta discrepância entre o que era exibido pela edição da Globo e que o que se acompanhou no pay per view. A edição absurdamente tendenciosa serviu de base para, com a ajuda do apresentador, influenciar o público do sofá a pensar da forma como eles queriam, beneficiando claramente Emilly e Marcos, que foram os protagonistas dessa temporada em virtude da fraqueza dos concorrentes. Como os dois rendiam cenas para o programa, a equipe não se preocupou em disfarçar a preferência pelos dois, sempre os favorecendo o quanto podiam. É óbvio que em todo ano há, sim, momentos em que a atração prejudica uns e ajuda outros, montando quase um enredo de novela para o público. Isso sempre aconteceu. E muitas vezes nem há problema, pois deixa tudo mais atrativo. Porém, nessa foi tudo feito de forma explícita, sem qualquer preocupação com a credibilidade do formato, transformando Emilly e Marcos num casal perseguido e os demais em vilões. Falei mais sobre isso AQUI.


Interferências externas: Um programa arrastado e desinteressante no seu início, viu a trama se movimentar com a união amorosa de Emilly e Marcos. União esta que se concretizou após o apelo do público durante uma festa, onde tweets a favor do casal não foram poupados. Mas não era o Big Brother Brasil um programa de confinamento? Onde informações externas e qualquer tipo de contato com o "mundo" exterior era vetado? Pois muito bem, nessa 17ª edição não mudaram apenas o apresentador, como também várias regras básicas. Vimos e escutamos quase tudo nesse BBB: participantes falando de conversas com a produção, inúmeras idas e vindas ao confessionário sem explicações... Até o nome do Boninho foi jogado na fogueira esse ano! A criação do muro separando os lados, por exemplo, deixou evidente a intenção de favorecer Emilly, pois a mais votada pelo grupo seria "eliminada", mas posteriormente migraria para o lado mexicano, podendo trazer mais quatro pessoas. Era óbvio que a garota seria a escolhida, pois estava no paredão justamente por causa do voto da casa. Ou seja, ainda fizeram isso com uma votação popular em curso, deixando tudo mais escancarado, tanto é que até Emilly e Marcos chegaram a reconhecer, semanas depois, que foram beneficiados com isso. Não é a toa que a tag #BBBManipulado ficou diversas vezes entre os temas mais comentados do Twitter.

Apresentador parcial: Com a difícil missão de substituir Pedro Bial, Tiago Leifert tentou diminuir ao máximo as comparações com o seu antecessor: não fez discursos poéticos no momento das eliminações, ganhou uma mesa de controle para poder participar do jogo e tentou criar uma relação de amizade com os confinados. Errou (e errou rude!), porém, ao interferir no jogo com as sugestões que deu aos competidores, como quando a casa foi dividida em duas pelo muro e sugeriu que o lado mexicano deveria mentir sobre o líder da semana (Marcos) ao grupo rival, que acreditava que Marinalva tinha vencido a prova. Ou querendo transformar Elis na vilã da casa fixando nela o rótulo de "agente do caos". Na tentativa de mobilizar o jogo e orientar o olhar do público, Leifert só ajudou a manipular ainda mais o BBB a favor do casalzinho.

Entretenimento nada saudável: Tivemos racismo e intolerância religiosa (contra Gabi Flor), passando desde a narração de sexo explícito ("Goza na minha boca") à acusação de não pagamento de pensão alimentícia. O ápice foi a violência moral e psicológica de Marcos com Emilly, culminando na real intervenção da polícia no programa e na expulsão do participante. Esse BBB foi muito Black Mirror!


Torcida fanática: A cada edição, é assustador constatar o fanatismo das torcidas, comprovando como os valores andam cada vez mais invertidos. A permanência de Marcos e a eliminação do Ilmar com quase 56% foi vexaminosa e inacreditável. Depois de ter sido humilhado covardemente pelo ex-amigo e depois de tudo o que o médico fez, intimidando e acuando todas as mulheres, a torcida fanática do "casal" mais uma vez fez diferença e o deixou na casa. Entretanto, não era o maior absurdo dessa edição porque ainda estava por vir o paredão do último domingo (09), onde Marcos ficou e Marinalva foi eliminada com 77% dos votos, mesmo depois do show de horror e machismo protagonizado por ele em cima de Emilly. Difícil uma pessoa sensata não se indignar diante de tudo isso. Aliás, esse casal ter uma torcida tão forte já demonstra que a sociedade está bem doente. Um homem agressivo, descontrolador e dono da verdade e uma menina mimada, egoísta e arrogante. Que Deus nos acuda... Aliás, acho que é hora de rever o sistema de votação do BBB, pois não representa mais a vontade popular e sim a vontade dos fã-clubes que fazem mutirão.


terça-feira, 11 de abril de 2017

BBB17 | A omissão da Globo e a distorção de valores e o fanatismo de 77% do público que apoiou o machismo de Marcos



Achei que a semana passada havia sido um divisor de águas. O caso José Mayer agitou as redes sociais e suscitou uma campanha contra o assédio liderada pelas funcionárias da Globo. O bafafá foi tão grande que a própria emissora precisou aderir ao movimento, suspendendo o ator e noticiando o episódio inteiro em seus telejornais. Os abusos cometidos pelos homens em casa, no trabalho ou em qualquer lugar não serão mais perdoados, pensei eu. A sociedade está evoluindo e mais consciente, refleti. Que tolo eu fui.

O que aconteceu no programa neste fim de semana foi gravíssimo e um verdadeiro inferno para quem tem o mínimo de discernimento sobre o certo e o errado para a vida em sociedade. Um certo participante em uma relação, até então, amorosa com uma colega de confinamento a abusou e agrediu física e verbalmente. Isso não é nem a pior parte, mas as consequências que a ação teve. Independente da trajetória da Emilly no programa (que demonstrou atitudes péssimas ao longo do jogo), o que ela sofreu nas mãos do Marcos foi algo nojento e inaceitável. Ele gritando. Cara de ódio. Dedo na cara. Aperta. Belisca. Machuca. Deixa marcas no corpo. Encurrala num canto. Agarra à força quando ela pede para ele se afastar. Força beijar quando ela não quer. Impede que ela fale. Ameaça e intimida valendo-se da maior força física. Esses foram alguns dos atos feitos pelo Marcos contra Emilly, que se encolhia, com o corpo tenso de medo. Depois, pediu perdão e chorou lágrimas de crocodilo, jurando que a amava. Idêntico ao que milhões de homens fazem com suas mulheres pelo mundo afora. E ela acreditou e nem percebeu a relação abusiva em que estava. Idêntico ao que milhões de mulheres vivem diariamente (e acabam sendo assassinadas por isso).

A internet entrou em erupção. Ao longo de todo domingo (9), a hashtag #MarcosExpulso ganhou força. Tive a sensação de que o cara seria defenestrado pelo público depois do show de machismo explícito. Ou talvez até retirado do programa pela Globo. Afinal, por muito menos, um tapinha, Ana Paula foi expulsa da edição passada. A partir daí, ser #ForaMarcos deixou de ser uma simples questão de torcida e se tornou um assunto sobre o Brasil onde nós queremos viver, dando a chance do público mostrar o que realmente não pode mais ser tolerado. Mas, dessa vez, a Globo não interferiu, deixando para Emilly a responsabilidade de se livrar de seu agressor ou não – se ela quisesse, poderia expulsá-lo. E o mais chocante aconteceu: Marinalva foi eliminada com expressivos 77% dos votos. A audiência preferiu salvar Marcos. Por fim, a última pá de cal foi ver Emilly comemorar alegremente a vitória do brutamontes e sua própria família nem tchun pra isso, defendendo, inclusive, Marcos aqui fora. Por mais mulheres sensatas como a Vivian:


Relacionamento abusivo é o que acontece entre Marcos e Emilly. E, pior, ela sofre, sabe que sofre, mas volta atrás. Dizem que quem ama perdoa, mas quem ama alguém precisa se amar primeiro e se proteger, se manter sã e segura. Emilly perdeu sua consciência ao permitir que isso continuasse. Num país onde o assunto mais comentado na última semana foi o assédio sexual cometido por um ator veterano da Globo, a própria emissora, que puniu o seu funcionário, ter ficado omissa diante de tudo isso que aconteceu dentro de suas dependências, num reality onde tudo é monitorado e acompanhado por várias pessoas em todo o país, foi uma atitude covarde e lastimável. Teve que o pessoal do Twitter pressionar e ir uma delegada da Divisão de Polícia de Atendimento a Mulher ao Projac para investigar a conduta agressiva de Marcos e realizar exame de corpo de delito na Emilly para só assim a emissora tomar alguma providencia (expulsar Marcos do programa). A Globo voltou todas aquelas casas que avançou em nome da audiência.

Não sou mulher para falar com propriedade do caso e até me sinto um pouco estranho escrevendo sobre isso, mas não ficarei calado. Eu, homem, me senti acuado e assustado com as atitudes de Marcos – que já vinha encurralando, assediando e agredindo verbalmente os outros candidatos de uns tempos pra cá, sendo entre eles uma idosa e outra deficiente física – e não desejaria ver minha mãe ou minha irmã na situação que Ieda, Vivian, Marinalva e, principalmente, Emilly passaram. Saindo do mérito da Globo e sua parcela de culpa pela total omissão, é preciso tocar num ponto ainda mais importante: a torcida votante.


Sabe quando você pensa "não tem como tal coisa acontecer"? Pois é, foi o que eu pensei... Não tem como apoiarem um cara desses depois de tamanha falta de caráter e, acima de tudo, falta de humanidade que o mesmo demonstrou ter em rede nacional. Não tem como. Por que raios apoiariam? Vai contra todos os valores que a gente aprende desde cedo. Só que, infelizmente, eu estava enganado. Erroneamente enganado. Chegamos ao ponto onde esses fã-clubes de BBB se apoia em um fanatismo inexplicável e passa por cima de tudo acima citado. Caráter. Humanidade. Compaixão. VALORES UNIVERSAIS. Tudo porque escolheram amar e idolatrar um, até então, desconhecido. Amar e idolatrar alguém a quem não devem absolutamente nada. Amar, idolatrar e ignorar qualquer coisa que o mesmo fez, faça ou venha fazer.

A partir do momento que escolhem, poucos tem a dignidade de dizer, no decorrer do programa: "Pera lá, não estou aprovando as atitudes dessa pessoa". E menos ainda são os que abrem mão dela. Surreal, não? Se obrigam a estar com um desconhecido independentemente do que ele fizer. E o que esse fez, em questão, foi algo que me fez sentir desgosto e tristeza. E não só a mim. Eu vi milhares de telespectadores que detestam a Emilly defendendo ela, enquanto a própria torcida dela defendeu o indefensável. E mesmo assim não adiantou. O fanatismo falou mais alto do que todos nós e nos deu um xeque-mate.

Não adianta culpar apenas o programa por todas as incontáveis vezes que fizeram edições tendenciosas favorecendo o casal Mally (falei disso AQUI). Mas a culpa do que aconteceu no paredão de domingo é exclusivamente desses seres humanos que se cegam, que criam motivos absurdos para apoiarem outros absurdos, que passam da linha tênue entre torcer e perder a razão. Seres humanos jovens que são o futuro do país, que viram a cena que me horrorizou e ignoraram. Ou pior: concordaram. Concordaram com um homem expondo um assunto pessoal de um ex-amigo (Ilmar) que confiou nele, que se abriu e mostrou toda a sua preocupação e dor, falando ao vivo para o Brasil inteiro que esse ex-amigo não é um bom pai, expondo, inclusive, uma criança inocente. Concordaram com atitudes absolutamente machistas, onde este mesmo homem agrediu moralmente quase todas as mulheres da casa, até a própria namorada.


Ou seja: sujeitos como Marcos e José Mayer ainda têm a simpatia de uma parcela imensa da população. O comportamento deles não só é admitido, como perdoado, relativizado e recompensado. Sei que ninguém é perfeito e muitos ali já cometeram diversos erros, mas nada nunca foi tão triste de se assistir quanto o que aconteceu neste final de semana. Como bem disse Bial na edição do ano passado, o BBB não é vitrine de vícios e virtudes, porém, apoiar Marcos é de uma distorção de valores sem fim. E a campanha "Mexeu com Uma, Mexeu com Todas" ainda não pegou. Nem no público, nem na cúpula da Globo. Lastimável!

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