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sábado, 22 de abril de 2017

Power Couple Brasil - Primeiras Impressões



E começamos a segunda temporada do Power Couple Brasil, um reality que tem tudo que gosto no formato: subcelebridades, barracos, votação, provas involuntariamente divertidas e coisas trash. Dessa vez, o número de casais aumentou (são 11) e o programa é exibido duas vezes na semana (terça e quinta).

Eu ainda gosto de Masterchef, é um reality mais sério. Mas o problema é que a Band resolveu transformar o programa na sua Malhação, ficando no ar infinitamente sem parar. Isso cansa e acaba virando mais do mesmo. Se o Masterchef não se reinventar ou parar de ter 902 edições por ano, ele só tende a perder mais e mais público. Fico no aguardo para a Band usar o card de subcelebridades para alavancar o programa.

Já o Power Couple não faz cerimônia em enfiar o pé na jaca, com adultos sem medo do ridículo. É o único reality que nos presenteia com um casal de ex-BBB e um casal de ex-Fazenda competindo no mesmo universo. Isso é tipo fazer um filme com os Vingadores e a Liga da Justiça duelando entre si. Assustadoramente, eu conhecia o(a) famoso(a) de quase todos os casais. E o elenco desse ano é super diversificado. Temos um casal que já passou com certo destaque pela Fazenda (Diego Cristo e Lorena Bueri), uma ex-Panicat (Carol Narizinho) preenchendo a vaga regulamentar de qualquer produção desse gênero, um rapper (Thaíde), uma ex-Globeleza (Nayara Justino), um roqueiro decadente dos anos 80 (Sylvinho Blau-Blau), casal de ex-BBBs (Andressa e Nasser), funkeira (MC Marcelly), imitador de Sérgio Mallandro e ex-Panico (Marcelo Ieié), um ator decadente (Fábio Villaverde), um casal de atores que você nem sabia que existia que se conheceu durante as gravações de Os Mutantes (Mauricio Ribeiro e Suyane Moreira) e o Rafael Ilha que dispensa comentários no que diz respeito a barracos e confinamentos.

A seguir, minhas primeiras impressões sobre a primeira semana da nova temporada do reality.

Diego e Lorena Is The New Casal Kamikaze?




O casal Kamikaze encantou o país ano passado, quando se entregou de corpo e alma para a competição do Power Couple Brasil e apostaram num jogo bem suicida. Não obstante, foram os protagonistas da edição e Laura Keller e seu marido Jorge sagraram-se campeões graças a performances maiúsculas e uma popularidade que entristeceu Simony e Gretchen. Lorena Bueri e Diego Cristo não ficaram quase famosos durante a ótima passagem pela Fazenda 7 graças ao equilíbrio ou à civilidade. Lorena ficou conhecida como Lorena Boca de Boeiro por só falar barbaridades dos outros participantes e Diego ficou conhecido pelas discussões acaloradas que sempre protagonizava usando cueca de R$ 3,99. Ou seja: garantia de bom entretenimento. Vejo neles um potencial enorme de serem o novo casal Kamikaze da edição, pelo menos, nesse estilo de jogo agressivo e bastante força nas provas.. Quem o casal fará chorar dessa vez?

Regiane Is The New Esposa do Túlio Maravilha?




A primeira reação quando você lê o nome Fábio Villa Verde provavelmente é "quem diabos é Fábio Villa Verde???". Mas depois vê o rosto e vem um estalo no cérebro. Aquele cidadão não é de todo estranho, apesar de não chegar a ser familiar. Eu sempre achei ele um dos atores com mais cara de banana do universo. E o Power Couple veio para nos comprovar que isso é mesmo verdade. Sua esposa Regiane já pulou na frente a candidata de mala da edição. Essa loira dos infernos conseguiu dar 902 broncas no marido e encher o saco do resto da casa em apenas um único dia de programa. Nem a esposa do Túlio Maravilha na primeira temporada era tão mandona assim... Já peguei ranço com todas as minhas forças!

Por que diabos Narizinho usa sutiã por cima da blusa?!




Para quem não conhece, Carol Narizinho foi a Panicat mais inútil que já passou pelo Pânico. A gente gosta mesmo é de Panicat raiz, Panicat verdade. A gente gosta é de Nicole Bahls acusando Juju Salimeni de ter feito macumba pra sua bunda cair. O resto? Nunca vi, nem comi... Ficou apenas uma temporada no programa e foi dispensada por falta de carisma. Power Couple veio para nos mostrar que ela continua a mesma. Tão inútil que já foi eliminada na primeira semana e eu nem sei o que escrever sobre ela em um parágrafo inteiro a não ser pelo estranho hábito dela em sempre usar o sutiã por cima da blusa.

Mais uma Ana Paula para ganhar nossos corações?




Com uma relação extremamente bem resolvida, onde a esposa se mostra estratégica e mais enérgica, Silvinho Blau Blau e Ana Paula já parecem incomodar alguns participantes do sexo masculino. Ana Paula carrega o estereótipo da mulher guerreira e bem resolvida, que é doce mas não foge de um embate quando necessário, e suas discussões com o marido fizeram criar logo no segundo dia de convivência a impressão de uma pessoa mandona e voluntariosa, deixando para o marido o título de "pau mandado" reforçado pela edição. Ou essa impressão sobre o casal se desfará ou ficará ainda mais forte, o que certamente gerará conflitos. Pelo temperamento explosivo e imperativo da esposa, ela tem tudo para ser a possível barraqueira da edição. Até porque Ana Paula é sinônimo de barraco e entretenimento. Olha elaaa!

Vai demorar muito para o Rafael Ilha ter um surto e pirar total?




Quem em sua sã consciência e completamente sóbrio olharia para o Rafael Ilha e diria "quero casar com esse homem"?! Sério, olhem para a cara da Aline, esposa dele, e reparem bem na pupila do olho dela. Dá pra ver que tá escrito HELP! Esse homem me dá medo. Gosto assim. Quero treta, quero confusão!

Que o Power Couple nos traga tudo aquilo que o BBB17 não trouxe: barraco e diversão. Amém!

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Elenco ruim, casal fake e parcialidade da edição fazem do BBB17 o pior da história



A décima sétima temporada do Big Brother Brasil pode ser definida em duas palavras: catastrófica e esquecível. A seguir, confira alguns motivos que mostram que esse foi o pior BBB da história.

"Os Silva" e Cortez: As tradicionais (e maravilhosas) charges de Maurício Ricardo foram trocadas por uma família de fantoches, a família Os Silva. Dublada por Lúcio Mauro Filho e Heloísa Périssé, os bonecos tinham a função de tecer comentários e piadinhas sobre os participantes, mas nunca provocou um riso sequer. Pelo contrário, era constrangedor. O resultado foi o cancelamento do quadro em menos de um mês. E outro quadro sem relevância foi o comandado por Rafael Cortez, que simplesmente lia tweets de telespectadores do Twitter e tecia uma ou outra piadinha (sem graça) a respeito. Inútil. Uma besteira.

Elenco apático: O que move um bom reality show é, obviamente, o seu elenco, com a formação de alianças e ótimos embates, despertando picuinhas e rivalidades. O jogo bem disputado provoca um clima de tensão constante, ao mesmo tempo que não impede momentos de diversão. E absolutamente nada disso aconteceu na atual edição. Não houve qualquer tipo de vínculo mais forte entre os participantes e nem uma disputa que despertasse interesse. Foi uma temporada fria, sem alma. Os selecionados não criaram afetos no programa. Todos se aliavam por conveniência e os laços mudavam a cada paredão, de acordo com quem retornava da berlinda. Claro que um jogo que vale um milhão e meio de reais provoca interesses e disputas, mas nunca na história do reality houve tantas traições entre os competidores. Até mesmo a imunização do anjo era dada por interesse e não por afeto ou proteção. Se ainda movimentasse o jogo, mas não, pois todos fugiam de confrontos diretos. Não houve bons enfrentamentos e nem grandes discussões. Os populares barracos foram elementos extintos nessa edição, pois todos preferiam falar somente pelas costas e pela frente optavam pelo clássico fingimento. Um jogo baixo em vários sentidos. Foi um ano onde tínhamos que ir torcendo pelo "menos pior". Faltou se entregar ao jogo de verdade (um dos poucos focos de conflitos que despertou interesse foi Elis). Faltou entreter. Faltou lealdade. Faltou carisma.


Doutor Machista e Ninfeta má: Como nenhum participante conseguiu construir uma história própria, o relacionamento entre Marcos e Emilly segurou toda a edição do programa. O grande problema foi o rumo que esse relacionamento tomou. Já começou todo errado, lá na primeira semana, com Marcos querendo formar casal desesperadamente (tentou com Gabi Flor, mas não conseguiu) e tentando beijar Emilly à força. Tudo, porém, sendo tratado de forma bonita e romântica pela edição. Ao longo do BBB, o casal teve incontáveis DRs pelos motivos mais fúteis e não apresentaram muito em comum além do sexo (em um momento infame, Emilly perguntou o que Marcos via de positivo nela e ele respondeu "Você beija bem, transa legal"). O estopim foram as agressões físicas e psicológicas que Emilly sofreu do namorado, que, graças unicamente à pressão popular em alertar as autoridades e pedir uma averiguação, fez Marcos ser expulso (leia mais AQUI). Completamente fake e chato, o casal Mally abusou da nossa paciência.

Mr. Edição vs PPV: Nunca antes houve tanta discrepância entre o que era exibido pela edição da Globo e que o que se acompanhou no pay per view. A edição absurdamente tendenciosa serviu de base para, com a ajuda do apresentador, influenciar o público do sofá a pensar da forma como eles queriam, beneficiando claramente Emilly e Marcos, que foram os protagonistas dessa temporada em virtude da fraqueza dos concorrentes. Como os dois rendiam cenas para o programa, a equipe não se preocupou em disfarçar a preferência pelos dois, sempre os favorecendo o quanto podiam. É óbvio que em todo ano há, sim, momentos em que a atração prejudica uns e ajuda outros, montando quase um enredo de novela para o público. Isso sempre aconteceu. E muitas vezes nem há problema, pois deixa tudo mais atrativo. Porém, nessa foi tudo feito de forma explícita, sem qualquer preocupação com a credibilidade do formato, transformando Emilly e Marcos num casal perseguido e os demais em vilões. Falei mais sobre isso AQUI.


Interferências externas: Um programa arrastado e desinteressante no seu início, viu a trama se movimentar com a união amorosa de Emilly e Marcos. União esta que se concretizou após o apelo do público durante uma festa, onde tweets a favor do casal não foram poupados. Mas não era o Big Brother Brasil um programa de confinamento? Onde informações externas e qualquer tipo de contato com o "mundo" exterior era vetado? Pois muito bem, nessa 17ª edição não mudaram apenas o apresentador, como também várias regras básicas. Vimos e escutamos quase tudo nesse BBB: participantes falando de conversas com a produção, inúmeras idas e vindas ao confessionário sem explicações... Até o nome do Boninho foi jogado na fogueira esse ano! A criação do muro separando os lados, por exemplo, deixou evidente a intenção de favorecer Emilly, pois a mais votada pelo grupo seria "eliminada", mas posteriormente migraria para o lado mexicano, podendo trazer mais quatro pessoas. Era óbvio que a garota seria a escolhida, pois estava no paredão justamente por causa do voto da casa. Ou seja, ainda fizeram isso com uma votação popular em curso, deixando tudo mais escancarado, tanto é que até Emilly e Marcos chegaram a reconhecer, semanas depois, que foram beneficiados com isso. Não é a toa que a tag #BBBManipulado ficou diversas vezes entre os temas mais comentados do Twitter.

Apresentador parcial: Com a difícil missão de substituir Pedro Bial, Tiago Leifert tentou diminuir ao máximo as comparações com o seu antecessor: não fez discursos poéticos no momento das eliminações, ganhou uma mesa de controle para poder participar do jogo e tentou criar uma relação de amizade com os confinados. Errou (e errou rude!), porém, ao interferir no jogo com as sugestões que deu aos competidores, como quando a casa foi dividida em duas pelo muro e sugeriu que o lado mexicano deveria mentir sobre o líder da semana (Marcos) ao grupo rival, que acreditava que Marinalva tinha vencido a prova. Ou querendo transformar Elis na vilã da casa fixando nela o rótulo de "agente do caos". Na tentativa de mobilizar o jogo e orientar o olhar do público, Leifert só ajudou a manipular ainda mais o BBB a favor do casalzinho.

Entretenimento nada saudável: Tivemos racismo e intolerância religiosa (contra Gabi Flor), passando desde a narração de sexo explícito ("Goza na minha boca") à acusação de não pagamento de pensão alimentícia. O ápice foi a violência moral e psicológica de Marcos com Emilly, culminando na real intervenção da polícia no programa e na expulsão do participante. Esse BBB foi muito Black Mirror!


Torcida fanática: A cada edição, é assustador constatar o fanatismo das torcidas, comprovando como os valores andam cada vez mais invertidos. A permanência de Marcos e a eliminação do Ilmar com quase 56% foi vexaminosa e inacreditável. Depois de ter sido humilhado covardemente pelo ex-amigo e depois de tudo o que o médico fez, intimidando e acuando todas as mulheres, a torcida fanática do "casal" mais uma vez fez diferença e o deixou na casa. Entretanto, não era o maior absurdo dessa edição porque ainda estava por vir o paredão do último domingo (09), onde Marcos ficou e Marinalva foi eliminada com 77% dos votos, mesmo depois do show de horror e machismo protagonizado por ele em cima de Emilly. Difícil uma pessoa sensata não se indignar diante de tudo isso. Aliás, esse casal ter uma torcida tão forte já demonstra que a sociedade está bem doente. Um homem agressivo, descontrolador e dono da verdade e uma menina mimada, egoísta e arrogante. Que Deus nos acuda... Aliás, acho que é hora de rever o sistema de votação do BBB, pois não representa mais a vontade popular e sim a vontade dos fã-clubes que fazem mutirão.


terça-feira, 11 de abril de 2017

BBB17 | A omissão da Globo e a distorção de valores e o fanatismo de 77% do público que apoiou o machismo de Marcos



Achei que a semana passada havia sido um divisor de águas. O caso José Mayer agitou as redes sociais e suscitou uma campanha contra o assédio liderada pelas funcionárias da Globo. O bafafá foi tão grande que a própria emissora precisou aderir ao movimento, suspendendo o ator e noticiando o episódio inteiro em seus telejornais. Os abusos cometidos pelos homens em casa, no trabalho ou em qualquer lugar não serão mais perdoados, pensei eu. A sociedade está evoluindo e mais consciente, refleti. Que tolo eu fui.

O que aconteceu no programa neste fim de semana foi gravíssimo e um verdadeiro inferno para quem tem o mínimo de discernimento sobre o certo e o errado para a vida em sociedade. Um certo participante em uma relação, até então, amorosa com uma colega de confinamento a abusou e agrediu física e verbalmente. Isso não é nem a pior parte, mas as consequências que a ação teve. Independente da trajetória da Emilly no programa (que demonstrou atitudes péssimas ao longo do jogo), o que ela sofreu nas mãos do Marcos foi algo nojento e inaceitável. Ele gritando. Cara de ódio. Dedo na cara. Aperta. Belisca. Machuca. Deixa marcas no corpo. Encurrala num canto. Agarra à força quando ela pede para ele se afastar. Força beijar quando ela não quer. Impede que ela fale. Ameaça e intimida valendo-se da maior força física. Esses foram alguns dos atos feitos pelo Marcos contra Emilly, que se encolhia, com o corpo tenso de medo. Depois, pediu perdão e chorou lágrimas de crocodilo, jurando que a amava. Idêntico ao que milhões de homens fazem com suas mulheres pelo mundo afora. E ela acreditou e nem percebeu a relação abusiva em que estava. Idêntico ao que milhões de mulheres vivem diariamente (e acabam sendo assassinadas por isso).

A internet entrou em erupção. Ao longo de todo domingo (9), a hashtag #MarcosExpulso ganhou força. Tive a sensação de que o cara seria defenestrado pelo público depois do show de machismo explícito. Ou talvez até retirado do programa pela Globo. Afinal, por muito menos, um tapinha, Ana Paula foi expulsa da edição passada. A partir daí, ser #ForaMarcos deixou de ser uma simples questão de torcida e se tornou um assunto sobre o Brasil onde nós queremos viver, dando a chance do público mostrar o que realmente não pode mais ser tolerado. Mas, dessa vez, a Globo não interferiu, deixando para Emilly a responsabilidade de se livrar de seu agressor ou não – se ela quisesse, poderia expulsá-lo. E o mais chocante aconteceu: Marinalva foi eliminada com expressivos 77% dos votos. A audiência preferiu salvar Marcos. Por fim, a última pá de cal foi ver Emilly comemorar alegremente a vitória do brutamontes e sua própria família nem tchun pra isso, defendendo, inclusive, Marcos aqui fora. Por mais mulheres sensatas como a Vivian:


Relacionamento abusivo é o que acontece entre Marcos e Emilly. E, pior, ela sofre, sabe que sofre, mas volta atrás. Dizem que quem ama perdoa, mas quem ama alguém precisa se amar primeiro e se proteger, se manter sã e segura. Emilly perdeu sua consciência ao permitir que isso continuasse. Num país onde o assunto mais comentado na última semana foi o assédio sexual cometido por um ator veterano da Globo, a própria emissora, que puniu o seu funcionário, ter ficado omissa diante de tudo isso que aconteceu dentro de suas dependências, num reality onde tudo é monitorado e acompanhado por várias pessoas em todo o país, foi uma atitude covarde e lastimável. Teve que o pessoal do Twitter pressionar e ir uma delegada da Divisão de Polícia de Atendimento a Mulher ao Projac para investigar a conduta agressiva de Marcos e realizar exame de corpo de delito na Emilly para só assim a emissora tomar alguma providencia (expulsar Marcos do programa). A Globo voltou todas aquelas casas que avançou em nome da audiência.

Não sou mulher para falar com propriedade do caso e até me sinto um pouco estranho escrevendo sobre isso, mas não ficarei calado. Eu, homem, me senti acuado e assustado com as atitudes de Marcos – que já vinha encurralando, assediando e agredindo verbalmente os outros candidatos de uns tempos pra cá, sendo entre eles uma idosa e outra deficiente física – e não desejaria ver minha mãe ou minha irmã na situação que Ieda, Vivian, Marinalva e, principalmente, Emilly passaram. Saindo do mérito da Globo e sua parcela de culpa pela total omissão, é preciso tocar num ponto ainda mais importante: a torcida votante.


Sabe quando você pensa "não tem como tal coisa acontecer"? Pois é, foi o que eu pensei... Não tem como apoiarem um cara desses depois de tamanha falta de caráter e, acima de tudo, falta de humanidade que o mesmo demonstrou ter em rede nacional. Não tem como. Por que raios apoiariam? Vai contra todos os valores que a gente aprende desde cedo. Só que, infelizmente, eu estava enganado. Erroneamente enganado. Chegamos ao ponto onde esses fã-clubes de BBB se apoia em um fanatismo inexplicável e passa por cima de tudo acima citado. Caráter. Humanidade. Compaixão. VALORES UNIVERSAIS. Tudo porque escolheram amar e idolatrar um, até então, desconhecido. Amar e idolatrar alguém a quem não devem absolutamente nada. Amar, idolatrar e ignorar qualquer coisa que o mesmo fez, faça ou venha fazer.

A partir do momento que escolhem, poucos tem a dignidade de dizer, no decorrer do programa: "Pera lá, não estou aprovando as atitudes dessa pessoa". E menos ainda são os que abrem mão dela. Surreal, não? Se obrigam a estar com um desconhecido independentemente do que ele fizer. E o que esse fez, em questão, foi algo que me fez sentir desgosto e tristeza. E não só a mim. Eu vi milhares de telespectadores que detestam a Emilly defendendo ela, enquanto a própria torcida dela defendeu o indefensável. E mesmo assim não adiantou. O fanatismo falou mais alto do que todos nós e nos deu um xeque-mate.

Não adianta culpar apenas o programa por todas as incontáveis vezes que fizeram edições tendenciosas favorecendo o casal Mally (falei disso AQUI). Mas a culpa do que aconteceu no paredão de domingo é exclusivamente desses seres humanos que se cegam, que criam motivos absurdos para apoiarem outros absurdos, que passam da linha tênue entre torcer e perder a razão. Seres humanos jovens que são o futuro do país, que viram a cena que me horrorizou e ignoraram. Ou pior: concordaram. Concordaram com um homem expondo um assunto pessoal de um ex-amigo (Ilmar) que confiou nele, que se abriu e mostrou toda a sua preocupação e dor, falando ao vivo para o Brasil inteiro que esse ex-amigo não é um bom pai, expondo, inclusive, uma criança inocente. Concordaram com atitudes absolutamente machistas, onde este mesmo homem agrediu moralmente quase todas as mulheres da casa, até a própria namorada.


Ou seja: sujeitos como Marcos e José Mayer ainda têm a simpatia de uma parcela imensa da população. O comportamento deles não só é admitido, como perdoado, relativizado e recompensado. Sei que ninguém é perfeito e muitos ali já cometeram diversos erros, mas nada nunca foi tão triste de se assistir quanto o que aconteceu neste final de semana. Como bem disse Bial na edição do ano passado, o BBB não é vitrine de vícios e virtudes, porém, apoiar Marcos é de uma distorção de valores sem fim. E a campanha "Mexeu com Uma, Mexeu com Todas" ainda não pegou. Nem no público, nem na cúpula da Globo. Lastimável!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

BBB17 | O Brasil tá vendo!



Começo esse texto com aquele papo que já está mais do que cansativo: ninguém é obrigado a assistir ao BBB. Aliás, ninguém é obrigado a assistir a nada. Sua TV provavelmente veio acompanhada de um controle remoto e seu navegador certamente tem um “X” no canto superior direito. Use-os e vá ler um livro. Mandado o recado para os chatos de plantão, vamos agora ao que interessa: falar de BBB!

São 17 edições e o povo já entrou em campo jogando. Não é para menos que a velocidade do novo Big Brother Brasil está aceleradíssima. Estamos na terceira semana do programa e já tivemos alerta de casais, choros, conchaves, rivalidades, implicâncias, discussões, os favoritos, os ex-favoritos, os odiados, provas do líder, formação de paredão e quatro eliminações. Agora sim é possível dizer que o programa começou e, a medida que os confinados percebem que não estão em uma colônia de férias, grupos estão sendo formados, as personalidades delineando-se e os favoritos e embustes trocando de pele a cada momento.

O ódio já tomou conta do meu coração com a estreia de dois novos quadros: Rafael Cortez interagindo com usuários das redes sociais e uma "família" de bonecos chamados Os Silva — bonecos que são dublados por vozes de artistas que fazem comentários sobre o programa. Apresentadas como "cômicas", só tenho uma coisa a declarar: VOLTA, MAURÍCIO RICARDO!!! Mil vezes as charges e animações feitas por ele.


A principal novidade, obviamente, foi a entrada do Tiago Leifert no lugar do Pedro Bial. E ele tem feito de tudo para não lembrar em nada o Bial e para imprimir seu próprio estilo ao programa. Ideia acertada. Até o momento, não tem decepcionado, nem sendo parcial. Mas ainda falta um "tompero", sabe?

Outra novidade foi a entrada dos gêmeos Antonio e Manoel e das gêmeas Emily e Mayla, que concorriam a duas vagas cada par e entraram na casa antes do restante do pessoal. E nós tivemos que ser resistentes para aturar 24 horas ouvindo "Tipo assim" e "Tá ligado". Tipo assim, foi muito chato, tá ligado? Antônio e Manoel são dois tipos que eu, como público, mais preteio no programa. O primeiro é o apelativo — sensualizou, cantou, deu em cima das meninas, tudo para ser o favorito da casa —, o outro é completamente apático, recluso e não diverte. Emily e Mayla se mostraram mais equilibradas, não pisaram muito fora da linha e mostraram uma maturidade com a chegada de outras pessoas ao convívio no segundo dia. A ideia de colocar duas duplas de gêmeos para confundir os demais participantes e agitar a casa só veio a engrenar quando Tiago Leifert informou que apenas um deles sobreviveria. A partir daí, tudo mudou.

 Manoel e Antonio simplesmente se esqueceram das gêmeas e foram de encontro com, respectivamente, as duas líderes Vivian e Mayara. Formaram imediatamente dois casais, passaram a noite se beijando e, nos intervalos, tratando de forçar uma história de amor como se fossem almas gêmeas e, claro, escolher uma inimiga para odiar: Gabi Flor. Mayla, vendo Antônio e Manoel beijando a dupla de narjas na festa, também aderiu à brincadeira e deu uns beijos em Luiz Felipe, que passou a forçar a barra fazendo cara de fofinho e bancando o apaixonado. Emilly, que deu o maior toco em Marcos quando este vinha querendo também formar casalzinho, comentou sobre essa tediosa tática de conquistar a permanência no reality formando casal: "Todo mundo sabe que casal é mais forte e tão todos desesperados pra formar". Perfeito! Foi assim no BBB15 quando Aline disputava uma vaga. Foi assim no BBB16 quando Matheus disputava uma vaga. E foi assim no BBB17 com os gêmeos. Nego sai fazendo casal como se fosse uma caixinha de hamsters acasalando como se não houvesse amanhã. Ninguém atura mais casalzinho de namorico no BBB.


Vivian, Mayara, Antônio e Manoel conseguiram a proeza de serem odiados por toda a internet em apenas três dias de reality graças a perseguição infundada e aos comentários desnecessários em relação a Gabi Flor. Não na frente dela, é claro. Por trás. Mas o Brasil tá vendo, afinal, a casa é vigiada 24 horas por dia. O quarteto, talvez, tenha achado que era alguma prova do líder: quem falar mal por mais tempo da Gabi ganha imunidade. Tudo bem que a garota é um pouco antipática, meio anti-social e se isolou sozinha. Com isso, seria totalmente entendível se os quatro votassem nela por questão de afinidade. Mas ela realmente não fez nada para justificar ter sido malhada como boneco de Judas em sábado de aleluia. O problema é que os quatro foram tão burros que não perceberam que, com isso, só se queimaram mais e mais. Consequentemente, Antônio, felizmente, foi eliminado (e Mayla também) no domingo (29).


Como burrice pouca é bobagem, Vivian, Mayara e Manoel repetiram o mesmo erro demonizando a figura de Marcos sem um motivo realmente convincente. O público adora adotar quem recebe marcação exagerada dos rivais. Aliás, esse sintoma de antipatia extrema costuma aparecer depois de meses de confinamento. Aquele ponto que você já não aguenta mais escutar a voz de alguém. Mas esses desgraçados conseguiram errar a mão na implicância em apenas uma semana. Sim, é verdade que o cirurgião estava desesperado para fazer preenchimento labial em qualquer mulher que aceitasse a sua siringa. Marcos tentou pegar Flor e Emilly e não conseguiu nenhuma das duas. Mas ele apenas tentou. Achei meio desesperado, mas sem passar de nenhum limite. No máximo, pagou algum mico. Mas daí, a gente lembra que está em 2017 e simplesmente não se pode fazer mais budega nenhuma sem os chatos do politicamente correto começarem o alarmismo. O primeiro paredão que se formou foi uma dúvida cruel para mim: por um lado, gostei da Gabi (indicada pela casa) e não fui muito com a cara do Marcos (indicada pelas líderes); por outro, ela pouco acrescentou para o jogo (vivendo em seu mundinho fechado, sem se preocupar em ser simpática nem com os outros e nem com o público e chorando todo dia com uma dor diferente), enquanto ele se mostrou inteligente, sarcástico e articulado para criar um bom conflito no jogo com Mayanarja e Vivíbora.

Para o bem da dinâmica do jogo, Marcos acabou ficando. E se saiu melhor do que a encomenda! Com a permanência do médico no reality, Vivian, Mayara, Roberta, Manoel e Luís Felipe experimentaram dias de inferno, caindo em desgraça na avaliação do público. Exagerando ou não, Marcos, junto com Ilmar, fez o monstro render agitando a casa. Ele conseguiu irritar seus inimigos, se divertir com seus aliados e promover o primeiro barraco da edição sem xingar e nem levantar a voz. Já tenho o meu favorito, sim ou claro?


Personificando o meme "Parece que o jogo virou, não é mesmo", de líderes da primeira semana, Mayara e Vivian viraram as duas emparedadas na segunda semana (a primeira, eleita por 7 votos da casa; e a segunda por indicação da líder, Emily). Em teoria, não muda muita coisa saindo Vivian ou Mayara. Na prática, é uma perda importante do único eixo de conflito do programa. A coisa fica ainda mais assustadora se pensarmos que a Tipolândia (Antonio, Manoel, Mayara, Vivian, Luís Felipe e Roberta) deva sair em sequência, num efeito dominó (tal como na edição passada, com os rivais da Ana Paula sendo eliminados um por um), o que deixará a casa sem um grande enredo. Já saiu Antonio. Agora, Mayara, que era a líder do grupinho.

Ela, que partiu pro tudo ou nada e saiu disparando ofensas, indiretas e alfinetadas para todo mundo depois que foi pro paredão, não sabia de quem tinha recebido o sétimo voto que a colocou na zona da degola. Isso só foi revelado a ela no lado de fora da casa e pelo público, que gritou em coro o nome da Roberta. Mayara não esperava por isso, uma vez que Roberta era uma grande amiga. A cara que a moça fez ao ouvir quem lhe deu o voto foi impagável. Deu a impressão de que havia recebido um míssil bem no meio da testa:


Esse mistério do sétimo voto (para eles, não para nós) estava movimentando bastante o BBB nos últimos dias e o segredo era algo bem comentado nas redes sociais. De um certo ponto de vista, foi ruim para o reality a saída de Mayara, que era uma participante que conseguiu criar uma dinâmica interna ali, com um jeitão bem kamikase de ser igual o da Ana Paula (mas sem o mesmo brilho e carisma, é claro).



Estão vendo como esse BBB tá uma coisa de louco? Comecei não gostando da Gabi Flor, passei a gostar, mas, mesmo assim, queria que ela saísse. Comecei não indo com a cara do Marcos e agora estou gostando dele. Criei toda uma expectativa na Roberta e quebrei a cara. Comecei achando Mayara e Vivian as duas grandes víboras da edição, mas agora já estou achando que Roberta e Emily é que são. A primeira cometeu o maior pecado que um participante de BBB pode cometer dentro da casa: mentir. O público gosta mesmo é do jogo às claras e ela se mostrou uma tremenda mentirosa. Roberta votou na amiga Mayara, disse que não votou e ainda botou a culpa na Elis, que foi acusada injustamente, isolada por todos os lados e tirada como mentirosa. Será que esse povo não entende que quanto mais perseguido um participante é, mais o público garra torcida? Burros! Ainda mais se for vítima de uma grande mentira... Roberta está completamente desmoralizada aqui fora e, certamente, seja com quem for, sairá da casa com alto índice de rejeição.


Já Emily se perdeu desde que apelou de forma patética chamando Rômulo de insensível por não deixar a princesinha ganhar a prova do líder. Fez todo um dramalhão apelativo e depois que botou as mãos no poder foi um festival de bizarrices saindo de sua boquinha de menina mimada. Mostrando-se bastante fria, astuta e calculista, se autointitulou "princesa", falou mal da casa toda, reclamou da Ieda estar sentindo dor (mesmo após Emily fazer mimimi na prova de resistência) e ainda se aproximou da Vivian dizendo que era para elas formarem um trio com a Roberta. Não dá pra jogar só internamente, afinal, quem dá o prêmio é o público. Emily e Roberta se esqueceram que estão na casa mais vigiada do Brasil e a gente tá vendo!

E vamos continuar assistindo. Que venha mais tiro, mais porrada e mais bomba!

sábado, 21 de maio de 2016

BBB16 | Caso de Laércio mostra que Ana Paula sempre esteve certa e que Globo tratou pedofilia como poesia


Esse BBB16 foi tão polêmico que continua dando o que falar mesmo dois meses após o seu fim. Pena que por uma repercussão tão negativa e desagradável. Se lembram do caso Laércio? A polêmica foi tanta que euzinho escrevi um post aqui no blog falando sobre o assunto (leia aqui). O Barba Azul virou assunto depois de uma briga feia com Ana Paula onde foi chamado de pedófilo. Uma acusação fortíssima para ser feita contra alguém. Ainda mais em rede nacional. Muita gente achou que ela estivesse exagerando. E exagerou mesmo, já que não tinha provas materiais (até porque não teria como reuni-las estando no programa) e disse apenas baseada no que ele falou sobre o assunto, o que é pouco. Mas não é que Ana Paula estava certíssima?


Sim, a policia investigou Laércio e, depois de denúncias, foi descoberto que ele manteve uma espécie de relacionamento com uma adolescente de 13 anos. A garota agora tem 17 anos e confirmou tudo. "Essa vítima veio até a delegacia e confirmou o relato e as denúncias. Ela confirmou que se relacionou com ele quando ainda tinha 13 anos de idade, que ele forneceu bebida alcoólica para ela, o que caracteriza outro crime", afirmou a delegada Daniela Andrade.


Tapar a cara pra quê, moço? Todo mundo sabe quem tu é! Laércio, atualmente, está na Casa de Custódia de Curitiba, onde permanecerá na triagem entre 20 e 30 dias (período de adaptação). O curitibano foi encaminhado para uma cela, onde permanecerá por tempo indeterminado e à disposição da Lei com outros presos do mesmo perfil. Ou seja, não houve ainda uma condenação de fato. O processo ainda está correndo na justiça. Claro, Laércio vai se defender, apresentar suas razões (se é que existem), mas só o fato de ter sido detido por estupro de vulnerável reafirma o acerto de Ana Paula. As provas são cabais e incontestáveis. Confira:


Inacreditavelmente, teve gente tomando partido do moço, dizendo que se a garota "permitiu" e "tava querendo", então não tem problema. Meus amigos, 13 anos de idade!!! Um homem não consegue ter o pesamento de que isso é errado? Depois a louca é a Ana Paula, né?


E se você ficou chocado que tem gente defendendo um pedófilo, se prepara, porque você ainda não viu o twitter oficial de Laércio. Criado após a saída dele do programa, o perfil começou a ser muito atualizado ultimamente. Não por ele, claro, que está preso, mas por uma "assessoria" sabe-se lá chefiada por quem que não parece medir as palavras na tarefa de "defender" o cliente.

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Pasmém: até vaquinha para tirá-lo da cadeia a assessoria de Laércio criou!!!

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Uma vez tombado, sempre tombado!
Mas nem todo mundo foi negativo. Houve quem orasse e desejasse boas vindas...

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Será que Daniel irá na cadeia visitar e meditar com o amigo "tarado do bem"?


A questão é que, antes mesmo de entrar no programa, quando ainda estavam passando as chamadas de estreia do BBB16, começaram a chover denúncias aqui do lado de fora de pessoas que sabiam da suposta pedofilia do participante. Foi muita coisa mesmo. Quando o reality estreou, aí mesmo que as denúncias começaram a se intensificar (aliás, a própria delegada Daniela Andrade disse que a Polícia Federal passou a investigar sigilosamente o Barba Azul quando ele ainda estava no BBB). Até porque  o próprio Laércio disse dentro da casa que gostava de mulher bem "novinhas" e dava bebidas alcoólicas para elas. Some esta declaração às denúncias que pipocaram na época e você já tem um caso que mereceria uma atenção especial por parte da direção da Globo. Quem sabe ouvir o que as pessoas estavam dizendo nas redes sociais, dar uma averiguada melhor no passado do sujeito... Mas isso não aconteceu, apesar de haver motivos para ficar de olho e, quem sabe, até tirá-lo da disputa.

E não fazer isso é uma coisa bem perigosa, porque vai que é verdade, né? E os boatos contra Laércio se confirmaram. Ou seja, a Globo colocou lá um pedófilo que poderia ter ganhado um milhão e meio de reais. Inicialmente, ela poderia ter sido isentada por não saber das atividades escusas que ele poderia ter. Mas, depois dos primeiros indícios, o mínimo que se esperaria é uma averiguação, um "opa, podemos ter um problema aqui". Do contrário, a impressão que fica é que o canal colocou o cara lá justamente por seu "teor polêmico" ou sua capacidade de atrair atenção para o programa. Atitude perigosa. Mais perigoso ainda é tentar abafar tudo, como a Globo fez. Ela simplesmente ignorou tudo e seguiu adiante, colocando como apenas um "surto" da "louca" da Ana que acordou um senhor de idade aos berros por ele estar dormindo de cueca.

E aí, com a ignorada geral na coisa, temos o surgimento de um monstrengo, a criação de um fantasma que pode assombrar para sempre. E é nisso o que se transformou o discurso de Pedro Bial na eliminação de Laércio. Veja o que ele disse: "Cara de vilão, quer ser um homem bom. Você que dorme de cuecas, porque não pode dormir nu como de costume. Você e suas anitas e suas lolitas e a maioridade. Você e sua idade". A fala de Bial já entrou para a história. Só que de forma bem negativa. Claro que ele não sabia de nada sobre a vida de Laércio, mas tudo vem da ignorada da Globo nas denúncias das pessoas (até mesmo após a prisão dele).

É verdade que a Globo se especializou nos últimos anos em ignorar as principais polêmicas que acontecem dentro do BBB. O caso de Laércio não é o único e já houve, em outra temporada, acusação de um possível estupro dentro da casa. Homofobia e racismo também deram as caras no reality show e quase tudo foi abafado pelo canal, que tentou ignorar as histórias todas até onde pôde. Mas com Laércio a coisa acabou sendo um pouco pior e ainda mais grave. O que vem agora nas próximas edições? Um maníaco sexual? Um serial killer? Um terrorista?

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Paredão no Planalto: Big Brother Brasília


bbb

Sempre que chega janeiro, não podemos falar em BBB nas redes sociais que na hora aparece alguém dizendo "seu alienado", "pare de falar desse lixo", "vai ler um livro", "BBB não é cultura". Vivemos um momento parecido atualmente com a turbulenta (e vergonhosa) situação que se encontra a nossa política brasileira: se você é a favor do impeachment da presidente Dilma, é um "golpista, coxinha, fascista, reaça, odiador de pobre"; se é contra, "você não presta, é um comunista safado, alienado, que mama nas tetas do bolsa família". Para provar que é possível sim ter cultura através do BBB, vou mostrar para vocês a maneira mais simples de entender o que está acontecendo na política do país tomando como base as estratégias usadas pelos participantes do BBB. Assim, você que passou os últimos três meses só no pay per view e não quer pagar de desinformado, vai poder entender tudo.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Ana Paula foi o maior trunfo e a maior ruína do BBB16



Eu não acompanhava com prazer o Big Brother Brasil desde a edição histórica de 2010. Depois disso, o programa não teve mais graça para essa pessoa que vos escreve. De lá pra cá, me contentei apenas a dar aquela rápida espiadinha para ver o que os brothers faziam na casa, mas sem muita animação.

Até que veio a décima sexta edição do reality. Se nas edições anteriores priorizava-se peitos, bundas, músculos e a beleza dos participantes (o que acabou gerando certo cansaço), desta vez, o padrão foi quebrado por completo. Claro que teve os sarados e as belas, como ocorre sempre, mas desta vez havia um time bem mais heterogêneo, com idades diversas e um bom potencial para barracos.

O principal objetivo do programa (o confronto de gerações), porém, não aconteceu, haja vista que a casa findou dividida na rivalidade entre dois grupos: inicialmente, homens vs mulheres; nas semanas seguintes, passou a ser o Esquadrão da Meditação (Daniel, Laércio, Tamiel, Juliana, Adélia e Renan) contra a Quadrilha Suicida (Ana Paula, Ronan, Munik e Geralda), com a Facção Sabonete (Matheus e Cacau) escorregando para os dois grupos a todo momento. Vale destacar que a rivalidade entre os grupos ocorreu de forma espontânea, sem a necessidade da produção interferir com provas e situações para provocar brigas. As inimizades e alianças surgiram rapidamente e deixaram a competição bem mais interessante, tensa e movimentada, proporcionando bons momentos.

Pronto. Ganhamos uma das melhores edições de todos os tempos. Certo? Errado. O que ganhamos foi uma das melhores participantes de todos os tempos. Daqui a alguns anos, quando a gente olhar para trás e fizer uma análise do BBB16, veremos que ele se resumiu a uma única participante: Ana Paula. Na verdade, nem precisa de tanto tempo pra isso. Agora mesmo já dá para chegar a essa conclusão.


O BBB16 foi mesmo dividido em antes e depois da Ana, que conseguiu mexer com o programa e, principalmente, com o público de uma maneira tão fascinante que há muito tempo não se via um participante fazer no reality. Tanto é que ela continuou a dar as cartas no jogo mesmo aqui do lado de fora após ser expulsa. E a conclusão disso é que Ana Paula estragou o programa. Deixou os telespectadores mal-acostumados, achando que estavam vendo uma temporada sensacional, mas que se resumiu apenas à presença magnânima de Ana. Assim, quando ela saiu, acabou o interesse das pessoas, a casa virou um marasmo e a audiência caiu significativamente. Tudo isso foi positivo para Ana, mas ruim para o programa, que chegou ao fim agonizando após a "morte" da sua protagonista.

A busca por uma "nova" Ana Paula pode ser perigosa para o BBB. A chance de forçar a barra para ter alguém como ela é grande, o que pode gerar situações até um pouco arquitetadas pela produção do reality. Ana deixou uma marca no programa e será difícil de apagá-la ou superá-la. É um problema.

De qualquer forma, considero o BBB16 o melhor (ou o menos pior) desde o BBB10. Não conseguiu superá-lo justamente por ter sido refém de uma única personagem, enquanto no BBB10 tivemos vários perfis polêmicos e interessantes. É verdade que Dourado foi o grande protagonista da décima edição. Todas as principais tramas giravam ao seu redor e, assim como Ana Paula, ele não tinha um antagonista à altura. Mas os coadjuvantes (Lia, Dicesar, Eliéser, Anamara, Elenita, entre outros) tinham brilho e destaque próprio, ajudando a tocar a história e não deixá-la monótona nunca.


Uma das grandes reclamações que li a respeito do BBB16 foi que o programa foi cheio de maus exemplos para a sociedade. Seres humanos lamentáveis! Atitudes deploráveis! Artimanhas! Intrigas! Picuinhas! Pois onde alguns enxergaram problemas, eu vi um excelente entretenimento para se assistir no conforto do nosso lar. O fato de não termos tido um "campeão moral", um "salvador da pátria", foi o ponto alto da edição e só fez bem para quem assistiu torcendo pelo espetáculo. Tivemos personagens com atitudes tão questionáveis quanto divertidas. E é sempre melhor assim.

A questão foi a distorção ou a mudança de percepção de bem e mal que realizou o público desta última edição, onde mocinhos e vilões se confundiram em seus papéis clássicos. Ana Paula foi a heroína torta que teve seus desequilíbrios emocionais serem coroados por seu carisma esfuziante. Os pretensos heróis da moral e dos bons costumes não enganam mais. Quem formou casalzinho não convenceu. Os clichês caíram por terra. O que vimos foram pessoas comuns, que erram, acertam, mentem, amam, fofocam, perdoam... Que nas próximas edições, o programa continue fugindo dessa disputa entre o bem e o mal, sem ser um mosaico de vícios e virtudes. Para o bem do entretenimento.

MINHA NOTA: 8. QUE NOTA VOCÊ DÁ PARA O BBB16?



sexta-feira, 1 de abril de 2016

Big Barraco Brasil: e se fizessem uma edição só com a Ana Paula e outros ex-BBBs mais amados e odiados do reality?



Fale bem ou fale mal, goste você dela ou não, o fato é que há muitos anos não víamos uma participante tão incrível e lacradora como Ana Paula, a protagonista do BBB16. Ela fez história e levou o programa inteiro nas costas. Depois da sua saída, o jogo esfriou e a audiência despencou. Primeira participante a ser expulsa por agressão, Ana A Louca deixou um legado de surtos, barracos, entretenimento, incoerências, bom-humor, bebedeiras, bordões e momentos de companheirismo. 

Mas antes do famoso Olha Elaaaaaaa!, muita gente barraqueira passou pela casa e foram amados e odiados pelo público na mesma medida (eu amei todos da lista, que fique bem claro!). Por isso, resolvi exercitar a imaginação e bolar uma edição do Big Brother Brasil em que Ana Paula tivesse de passar três meses dividindo o teto com gente que, como ela, não engole desaforo. Assim, reuni dez conhecidos nossos de anos anteriores do programa para um BBB Treta Edition. Chamem a Cristina Rocha para substituir o Pedro Bial na apresentação desse Jogos Vorazes Brasileiro! Confira:

Lia (BBB10)



Lia foi uma das participantes mais brigonas que a casa do Projac já viu passar. Lia fez panelinha, combinou voto, brigou com a casa inteira, discutiu, chorou e gritou Mentira! ao vivo para o Bial. E ai daquele que desafiasse a moça ou seus dois aliados no jogo, Dourado e Kadu. Aliás, foi ela quem disse pela primeira vez a frase O Brasil tá vendo. Bem, como Ana Paula disse uma vez para Juliana que adoraria alfinetá-la "na bola do olho" e o inesquecível bordão que Lia usava em todas as discussões era Olha no meu olho, algo me diz que as duas iriam se dar suuuuuuuper bem. Olha elaaaaaas!


Anamara (BBB10 e BBB13)


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Não bastasse todos os barracos que ela protagonizou no BBB 10, Maroca foi escolhida para voltar no BBB 13. Sorte nossa, que vimos a sister surtar no quarto branco enquanto assistia em segredo tudo o que rolava na casa. Azar dos outros participantes, que tiveram que aguentar a fúria quando ela voltou linda e triunfante após ser "eliminada" com sangue nos olhos e desafiando todos os seus desafetos para irem pro paredão junto com ela. História parecidíssima com a da Ana Paula, por sinal…


Doutor Marcelo (BBB8)



E quem melhor para cuidar de Ana A Louca do que um psiquiatra, não é mesmo? Só que não! Completamente surtado e desequilibrado, Marcelo nem parecia que era psiquiatra. O brother irritava quase todos os participantes com suas discussões por causa dos votos e com muita ironia: Você tem apenas dois minutos para falar comigo. Além das brigas, ele também fazia questão de analisar todos os confinados, causando ainda mais confusão. O pessoal sairia da casa usando camisa-de-força!


Solange (BBB4)



"Ser rica é defeito?", já ouvimos Ana perguntar para a Renanzinha no programa. Ela se orgulha de não trabalhar e não vê problema em curtir a vida com o dinheiro que o pai oferece. Por outro lado, a frentista Solange, protagonista de um barraco histórico na festa mexicana, encabeçava o grupo dos "super pobrinhos" do BBB4 e, mais do que cantar IARNUOOOUUUU (versão equivocada da letra de "We Are The World") a noite inteira em uma prova do líder com a intenção de irritar e desestabilizar os outros participantes, sambava (no sentido literal mesmo) para as inimigas no meio da discussão.



Elenita (BBB10)



Definitivamente, o BBB10 foi a melhor edição do reality de todos os tempos. Elenita foi mais um de muitos outros participantes notáveis, polêmicos e barraqueiros da edição. Com um perfil físico distante do modelo apreciado pelas revistas masculinas, não teve a menor vergonha de desfilar pela casa inteira usando apenas fio dental e salto alto. A Dona Encrenca era viciada em discussão, ia até o fim para provar seu ponto de vista, comprava brigas e confusões sem medo de se expor, chorou muito, fez poucas amizades e saiu com 52% dos votos que disputou contra Lia (41%) e Anamara (7%), outras duas barraqueiras e suas grandes rivais na casa. Duvido que se Ana Paula gritasse pra ela Fala baixo comigo, como fazia com Juliana, e Elenita ficaria quietinha. Alguém ia dar na cara de alguém.


Angélica (BBB15)



O BBB15 foi uma das piores edições de todos os tempos. Em contrapartida, tivemos a autêntica Angélica, que chegou mostrando pra todo mundo como é que se briga num reality show. Praticamente todos os dias ela se envolvia em alguma treta e se intitulou feminista desde o seu vídeo de inscrição, diferente de Ana Paula, que disse ser machista e achar que homens e mulheres possuem papéis pré-definidos. Já imaginou as duas numa discussão sobre a causa feminina? Sabe aquela mistura explosiva de vulcão de feira de ciências? Então. É assim que eu imagino um confronto entre as duas.


Tatiana (BBB4)


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A boxeadora da quarta edição do reality tentou unir as mulheres em um complô já no saguão do hotel. Ou seja, antes mesmo de o programa ir ao ar. Juliana Lopes denunciou as intenções da colega de confinamento, coisa que Ana Paula também não deixaria barato (aria um barraco dos bons), o que fez Tatiana se voltar contra ela e as outras mulheres da edição e surtar. Para a nooooossa alegria! 


Aline (BBB13)



Aline ficou só uma semana no programa, mas entrou para a história como uma de nossas barraqueiras favoritas. Sem filtro, sem noção e sem papas na língua, nem ex-campeão intimidou ela no programa, pense na avalanche de memes e frases memoráveis que seriam Aline e Ana Paula brigando? Infelizmente, o corpo blindado da moça não agradou ao público e sua eliminação foi uma das mais controversas de todas as edições, movimentando as redes sociais na época. Até hoje não superei a eliminação dela logo no primeiro paredão contra aquela planta do Ivan (quem??? quem???).



Dourado (BBB10)



A participação do "ogro" no BBB10 foi repleta de polêmicas do início ao fim. A Globo, inclusive, teve que divulgar, a pedido da Justiça, um comunicado explicando as formas de transmissão do vírus HIV após ter levado ao ar frases incorretas do lutador, como "Heterossexual não pega aids", "isso é doença de gay". Independentemente das suas declarações controversas, Dourado foi o protagonista do BBB10. Tal como com a Ana Paula, o público que assistiu a décima edição do reality se dividiu em dois grupos: os fãs e os haters do Dourado. O primeiro grupo foi mais ruidoso, tanto é que ele foi salvo dos cinco paredões em que disputou, ganhou o Poder Supremo, derrubou todos os seus inimigos declarados (como Dicésar) e se sagrou campeão. Seu bordão Força e honra fez tanto sucesso na época como o Olha Elaaaa. Viram como Dourado e Ana Paula tem muito em comum? Só que com ele a Ana não iria se criar como fez com a Renanzinha. Dourado ia pra cima com qualquer um, seja homem, mulher...


Tina (BBB2)


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Quando falamos em uma loira que enlouqueceu a casa, atrapalhou uma noite de sono e brigou com tudo mundo, você pensa primeiro na Ana Paula ou na Tina? Ai, ai, ai, em cima, embaixo, puxa e vai! Precursora do panelaço, Tina fez de tudo para enlouquecer todo mundo. Brava com a casa toda, já que ninguém aturava mais suas loucuras, quando estavam todos dormindo, ela foi até a cozinha e saiu batendo panela pela casa toda só porque tinha sido escolhida para o paredão. A loira ainda protagonizou um dos maiores momentos do BBB quando, por conta de um boné perdido, ela resolveu bagunçar as gavetas de todos da casa, jogando as roupas para cima e deixando tudo uma zona. Foi aí que os outros participantes perderam a cabeça e jogaram as roupas da moça na piscina.


Minha sugestão é colocar todo esse pessoal numa mesma edição para a gente poder analisar todas juntas e definir assim o ranking de barraqueirice. Ou, no mínimo, para mantê-las afastadas da sociedade. Tenho certeza que a audiencia ia bombar! Eu pagaria o pay per view com todo o prazer.

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