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segunda-feira, 5 de junho de 2017

Bem construída e cheia de boas cartas na manga, Rock Story sai de cena vitoriosa



E Rock Story chegou ao fim nesta segunda (05). Foi um capítulo final sem grandes surpresas, pois grande parte das histórias da trama já estava praticamente resolvida. E isso não foi um problema, muito pelo contrário. É apenas um sinal que Rock Story teve uma trama redonda do início ao fim, bem construída, sem excessos e que correu sem sustos, trazendo sempre novidades que mantiveram a novela quente por todo o seu período de exibição. Maria Helena Nascimento, novelista estreante, está longe de ser uma amadora. Em sua primeira novela como titular, mostrou uma rara maturidade na condução de seu enredo.

Rock Story foi vitoriosa em todos os sentidos. Primeiro, por trazer personagens muito humanos, reconhecíveis, fáceis de identificar e torcer por eles. Gui Santiago (Vladimir Brichta) foi um herói meio anti-herói, bastante impulsivo, que costumava resolver seus assuntos na base do grito e da violência. Mas, ao mesmo tempo, era um pai amoroso e um amigo dedicado. Ao seu apaixonar por Júlia (Nathalia Dill), se envolver com o filho Zac (Nicolas Prattes) e, ainda, partir para a terapia, Gui se transformou e se tornou um homem melhor. Sem forçação de barra, nem pirotecnias. A construção de Gui foi muito vitoriosa. Além do texto, sempre muito bem escrito, e da direção acertada, o personagem ainda ganhou mais camadas graças ao seu intérprete, Vladimir Brichta. Grande ator, um galã maduro e com talento dramático, Vladimir fazia falta às novelas, e retornou em grande momento. Fez um dos melhores protagonistas de novela dos últimos anos. Vladimir não tem somente estampa: é um ator da melhor qualidade.

E teve ao seu lado uma ótima parceira. A trama envolvendo Júlia foi muito bem desenvolvida, sempre com muitas reviravoltas e emoções. A mocinha era cheia de problemas, passou boa parte da novela fugindo da polícia, mas era otimista, carismática e com muitas qualidades. Esteve longe de ser uma mocinha chata. E Nathália Dill se mostra uma atriz cada vez mais madura, fazendo uma mocinha solar e bastante interessante. Além disso, mostrou talento ao viver a irmã gêmea de Júlia, Lorena. A atriz conseguiu marcar bem as diferenças entre as duas personagens, fazendo o espectador acreditar que se tratava, realmente, de uma outra pessoa.

Outra personagem cheia de surpresas e camadas era a vilã Diana (Alinne Moraes). Era uma vilã, mas com bastante humanidade. Diana, muitas vezes, era dura com a filha, além de armar, provocar e prejudicar Gui Santiago. No entanto, mostrava-se uma mulher de carne e osso, atenta às suas qualidades e seus defeitos. Ela meteu os pés pelas mãos várias vezes, se arrependeu de muitas bobagens, pedia desculpas e assumia seus erros. Alinne Moraes não precisa provar mais nada: é uma atriz da melhor qualidade e emplacou mais uma grande personagem à sua galeria.


Além da trinca, Rock Story apresentou uma gama de personagens e atores que merecem todos os aplausos. Rafael Vitti, revelação de Malhação Sonhos, foi uma grata surpresa como Léo Regis, fenômeno da música adolescente. O ator abusou do carisma e de seu jeito meio gaiato para fazer um tipo meio deslumbrado, quase uma caricatura de um astro da música. Ao mesmo tempo, teve sensibilidade para conduzir a derrocada de Léo, que teve um rumo surpreendente. Ana Beatriz Nogueira, sua mãe Neia, já é uma ladra de cenas profissional. Fez de uma personagem, a princípio sem muito destaque, um grande acontecimento. Também merece menção Viviane Araújo que, como Edith, mostra que se tornou, de fato, uma atriz das boas. Herson Capri, o Gordo, Laila Garin, a Laila, Alexandra Richter, a Eva, também fizeram trabalhos grandiosos. E a dupla de bandidos Romildo (PauloVerlings) e William (Leandro Daniel) foi outra grata surpresa.

Rock Story foi muito feliz na abordagem do mundo da música. Criou uma dicotomia interessante entre a música de qualidade e a puramente comercial, brindando o público com uma trilha sonora das melhores. Além disso, a novela não economizou trama e conseguiu manter a atenção do público graças às "cartas na manga" que a autora guardava, fazendo uso delas sempre com cuidado.

Quando a novela começou, Júlia foi vítima de um golpe, quando o namorado metido com tráfico de drogas a usou como "mula", tentando transportar uma encomenda para os Estados Unidos. Assim, a mocinha foi obrigada a fugir da polícia e se passar por sua irmã gêmea, Lorena. Então, acompanhamos as diversas fugas de Júlia, enquanto ela procurava o vilão Alex (Caio Paduan) e tentava provar sua inocência. Esta "caçada" teve seus desdobramentos, até que Alex fingiu sua morte e saiu de cena, dando espaço para que Lorena, até então vista apenas na tela de um tablet, chegasse de vez à trama. A "gêmea má" chegou trazendo novos conflitos, agitando ainda mais a vida de Júlia. No fim, acabou morrendo e inocentando a irmã, enquanto Alex foi preso. Que novela com gêmea má e gêmea boa você já viu onde uma delas morre antes do final?! Parecia o início de uma fase calma na vida da protagonista de Rock Story, que finalmente iria viver seu amor com Gui Santiago sossegada.

Aí a autora sacou outro trunfo: Mariane (Ana Cecília Costa), a mãe de Zac, que chegou para colocar mais lenha na fogueira da vida de Gui e Júlia. Quando a moça sai de cena, chega a vez de Alex sair da cadeia e propor o conflito final. Outra personagem que entrou e saiu em momentos oportunos foi Laila. Ela entrou para virar a vida de Gordo. Depois o enganou e saiu da cidade, deixando o caminho livre para que Eva crescesse na trama e engatasse um romance com o dono da gravadora Som Discos. Surgiu aí uma enteada para ela, gerando novos conflitos. Na reta final, Laila retornou, trazendo ainda mais acontecimentos. Ou seja, com estes entrechos sendo propostos a todo o momento, Maria Helena Nascimento deixou sua história movimentada o tempo todo, evitando ao máximo as indesejáveis "barrigas".


Como se não bastassem tantas qualidades, Rock Story ainda foi feliz ao trazer ao horário das sete uma trama com uma cara mais adulta, diferente das comédias quase infantis que fizeram o horário nos últimos três anos. Além disso, diminuiu o tom de comédia romântica do horário, com uma história de contornos mais dramáticos. Por estas e outras, Rock Story sai de cena como uma das melhores novelas das sete dos últimos anos. Vai deixar saudades.


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segunda-feira, 18 de abril de 2016

Sucesso de Totalmente Demais prova que a Globo tem que parar de esnobar os jovens



Há bastante tempo, não se via uma trama do horário das sete como Totalmente Demais com níveis tão altos quanto os que estão sendo alcançados. A novela, inclusive, chega a superar Velho Chico em termos de audiência quase que diariamente. Um fenômeno. Tem se falado muito sobre como a trama constrói uma espécie de conto de fadas, fugindo de polêmicas e de histórias mais realistas, o que anda aproximando aquele telespectador que quer um momento de distração em meio ao caos do nosso país. No entanto, a trama tem outro mérito muito grande: uma aproximação com o público jovem. 

Rosane Svartman e Paulo Halm, os autores da novela, já haviam se destacado na ótima Malhação Sonhos, quando conseguiram tirar a novelinha teen da Globo de seu marasmo habitual e conversar de maneira mais eficiente com os jovens, trazendo temáticas e uma linguagem que aumentaram o engajamento desse público com a trama. O resultado? A temporada foi uma das de maior sucesso do formato nos últimos tempos. Um exemplo desse sucesso foi o engajamento nas redes sociais. A expressão Perina, por exemplo, foi criada para se referir ao casal queridinho do público, formado entre Pedro (Rafael Vitti) e Karina (Isabella Santoni). Séries americanas de sucesso costumam apresentar um fenômeno similar e as bases de seguidores jovens desses formatos são muito fortes.


Talvez o maior mérito dos autores seja entender a linguagem dos jovens, ou seja, entender de verdade como eles pensam e como se aproximar deles da maneira mais eficiente dentro dos limites impostos pela televisão aberta. O maior problema de Malhação é que a novela na maioria das vezes pinta a juventude com tintas que não lhe cabem, ou seja, cria um tom farsesco e distante da realidade de jovens "normais". Manter um folhetim voltado para adolescentes no horário da tarde não é uma tarefa fácil. Isso porque as restrições da classificação indicativa não dão tanta abertura para uma discussão mais clara e profunda a respeito de questões ligadas à sexualidade e às drogas, por exemplo. Talvez, por isso, as pitadas educativas sejam tão teóricas e, consequentemente, cansativas e repetitivas.

 Parece também que a emissora delega somente para ela a função de conversar com esse público e esquece as possibilidades que os outros horários possuem. Em Totalmente Demais, além de promover uma história agradável, os escritores ainda conseguem trazer o público jovem para as telas, promovendo uma maior interação com diferentes públicos. Goste ou não, o jovem de hoje será o telespectador de amanhã e se ele não for fidelizado ao formato das novelas, fica difícil manter a audiência e o futuro da dramaturgia. E claro que não basta colocar uma gíria ou duas desse universo dentro de uma trama. É preciso compreendê-lo e conversar com ele de verdade, sem maniqueísmo, algo que Totalmente Demais faz bem ao discutir temas como homofobia, relacionamentos por meio de aplicativos, preconceito, abuso sexual, entre outros, conquistando, assim, um enorme fã-clube.


Outra novela que exemplifica bem essa questão foi Verdades Secretas. A trama costurada por Walcyr Carrasco trouxe uma representação atual e próxima da realidade de jovens paulistanos, sem medo de mostrar elementos como drogas e sexo de forma incisiva. Mais uma vez, a novela foi um fenômeno tanto no Ibope, quanto nas redes sociais (o mais novo termômetro de sucesso do século XXI).

sábado, 23 de janeiro de 2016

Será que Totalmente Demais se tornará a nova Geração Brasil?


Quando o No Limite estreou no Brasil em 2000 e depois rolou a estreia da Casa dos Artistas e do Big Brother Brasil, muita gente na época disse que os folhetins estavam ameaçados pelas novelas da vida real que esses programas ofereciam. Bem, estamos em 2016 e as novelas seguem firmes e fortes, assim como os realities também. Foi questão de tempo para que esses dois formatos se misturassem.

Um dos primeiros exemplos que me lembro sobre reality show dentro da teledramaturgia foi um que tinha dentro da novela Celebridade, justamente para mostrar pessoas que queriam ser celebridades a todo custo. Sangue Bom, em seu último capítulo, criou o hilário AQPC - A Que Ponto Chegamos, com ex-famosos e subcelebridades confinados dentro de uma casa em busca de dois milhões de reais e, principalmente, de saírem do anonimato e voltarem pra mídia (qualquer coincidência com A Fazenda terá sido mera coincidência?). Ainda teve Amor à Vida, que mesclou com competência ficção e realidade com a presença da divertidíssima personagem Valdirene (Tatá Werneck) na casa do BBB14, interagindo com os brothers como se estivesse concorrendo mesmo ao prêmio. Mas a novela que inseriu um reality show com maior importância em sua trama foi Geração Brasil, com o tal reality que dava o título da novela para escolher o sucessor do poderoso Jonas Marra (Murilio Benício).


Para quem não se lembra, Jonas Marra era tipo um Steve Jobs tupiniquim e, após criar um império nos Estados Unidos, volta para o Brasil trazendo seus negócios para cá e criando o Concurso Geração Brasil, cujo grande vencedor seria o sucessor de Jonas na Marra Brasil. A seleção foi feita justamente através de um desafio, onde os hackers teriam que quebrar um sistema de segurança e invadir o site do empresário, provando que entendem tudo de computação e tecnologia. Os dez primeiros jovens, entre 14 e 23 anos, que conseguiram foram selecionados para entrar nesse tal reality, onde tiveram que passar por várias provas. Pretensiosa, Geração Brasil falhou ao mirar demasiadamente em tecnologia e no universo corporativo, desprezando os telespectadores não antenados e que não davam a mínima para o assunto. Mas disso eu deixo pra falar numa próxima matéria. O foco aqui é outro.


Os autores Filipe Miguez e Izabel de Oliveira acertaram na condução do reality fictício e as situações vividas pelos nerds no confinamento eram bem interessantes. Realmente, parecia um reality show e quem acompanha BBB podia identificar várias semelhanças nas provas, desafios e, principalmente, nos conflitos entre cada um dos participantes. Prejudicada pela transmissão dos jogos da Copa do Mundo de 2014, tinha dias em que Geração Brasil era exibida por apenas míseros cinco minutinhos. Nesse período, que durou cerca de duas semanas, os autores foram ousados e criativos ao transformarem o reality no grande protagonista temporário da novela. O problema é que, com o fim do concurso, Geração Brasil desandou completamente. A trama começou a patinar, a dar voltas e mais voltas que não levavam a lugar nenhum, ficou confusa, desinteressante e terminou como um grande trambolho. "Mas porque fazer toda essa longa introdução sobre Geração Brasil sendo que a matéria é sobre Totalmente Demais?", é que você deve estar se perguntando. Calma, leitor apressado...

Como eu disse em minha última crítica sobre Totalmente Demais (leia aqui), a novela é totalmente clichê. Uma das poucas inovações é uma espécie de reality show dentro da história, o Concurso Garota Totalmente Demais, que pretende revelar a new face do mundo da moda. E a trajetória do concurso trouxe alguns pontos positivos em relação à Geração Brasil. O primeiro deles é o fato de ser palatável para todo o público. Mesmo quem não gosta de reality ou de assuntos ligados ao mundo da moda, consegue se sentir envolvido na história porque o Garota Totalmente Demais é, acima de tudo, folhetim puro e possui os requisitos necessários de um bom melodrama para fisgar o público.


Entretanto, nem tudo são flores! A decisão de ter apenas uma modelo eliminada por etapa, além de ter todo o período de preparação para cada uma das tarefas, foi um bom aprendizado tirado de Geração Brasil, cujo concurso foi exibido rápido demais e resolvido em poucas semanas. Não foi a toa que a novela afundou após o fim dele. Mas bem que o Garota Totalmente Demais podia ser um pouquinho mais ágil, né? Lembram que cada praga do Egito demorava uma semana em Os Dez Mandamentos? Pois na novela das sete, cada etapa do concurso dura mais de uma semana! É verdade que a chegada da cativante perua Stelinha (Glória Menezes roubando a cena) deu um novo gás ao entrecho, servindo para apressar o processo de myfairladyzação de Eliza (Marina Ruy Barbosa). Mas a história do concurso, no geral, se resume unicamente na protagonista se preparando para cada uma das etapas e na Carolina (Juliana Paes) tentando sabotá-la com a ajuda de Cassandra (Juliana Paiva).

O grande barato do Concurso Geração Brasil era que ele movimentava todos os núcleos ao mesmo tempo, uma vez que cada família da história teve um integrante selecionado. Isso deixava a gente realmente curioso e na expectativa pra ver quem venceria o concurso. Já o do Garota Totalmente Demais é extremamente previsível. Das 13 garotas selecionadas, apenas duas fazem parte da trama: Eliza e Cassandra. O resto é tudo figurante, que, justamente, são sempre as eliminadas. Cassandra tinha sido a pior na primeira etapa, mas escapou por pouco da eliminação graças a uma outra garota que tinha infligido uma das regras do concurso. Na segunda etapa, Eliza foi a pior, mas escapou por pouco da eliminação graças a uma outra garota que revelou estar grávida. E assim se repetiu na terceira etapa e, certamente, nas subsequentes também. Uma repetição chata demais! Isso porque ainda estão dez garotas na disputa, logo, ainda teremos mais dez provas pela frente. Aja paciência!


Talvez, esse lengalenga sirva para mostrar a evolução de Eliza, cuja transformação pode ser percebida de forma sensível e gradativa. A atriz está ótima, assim como a Juliana Paiva, cuja Fatinha 2.0 é um delicioso alívio cômico. Para a nossa sorte, ao contrário de Geração Brasil, a novela não se restringe às várias fases do concurso e todas as histórias/conflitos dos personagens vão sendo desenvolvidas paralelamente. E é isso que faz de Totalmente Demais a novela mais agradável da atualidade, desde as paralelas até a trama principal (ouviu isso, A Regra do Jogo?). A grande questão é se Totalmente Demais conseguirá manter o ritmo após o fim do concurso ou se vai se tornar uma nova Geração Brasil. A seu favor, temos uma história mais simples e mais folhetinesca, com personagens atraentes e carismáticos e uma grande gama de novos enlaces narrativos - como a aposta de Arthur (Fábio Assunção) com Carolina (Juliana Paes), já que se Eliza não ganhar o concurso ele perderá a sua agência para ela e ela perderá sua agência para ele caso Eliza ganhe. É esperar pra ver...

sábado, 2 de janeiro de 2016

Previsões Eu Critico Tu Criticas para a dramaturgia em 2016



O que esperar das novelas, séries e minisséries de 2016? Será que teremos uma safra tão boa quanto a de 2015, que, apesar de algumas tranqueiras, muita coisa valeu a pena? As cartas do tarot, por favor! Para ter uma visão panorâmica do que vem por aí, o Eu Critico Tu Criticas baixou a Mãe Dinah que mora dentro de mim e resolveu fazer algumas previsões com as tramas neste ano. Confira:


A Regra do Jogo

Chances de ainda conseguir parar o país: 23%


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A Regra do Jogo ficará no ar até o final de março e, em uma entrevista dada ao UOL, João Emanuel Carneiro disse que vem muita coisa boa pela frente e promete reviravoltas no núcleo da família Stuart, já que Orlando (Eduardo Moscóvis) será assassinado e Kiki (Débora Evelyn) deve voltar para casa, e na vida de Romero (Alexandre Nero), principalmente depois que Dante (Marco Pigossi) e Tóia (Vanessa Giácomo) descobrirem quem ele é de verdade. Tóia, inclusive, depois de descobrir as razões da morte de seu pai biológico, vai revelar uma nova faceta (vingativa?) para o público. Estas são as expectativas. Vamos ver o que acontece. Sinceramente, desisto! Metade da novela são núcleos paralelos que não interessam. Há essa promessa da novela se tornar um novelão depois do fatídico capítulo 100 e queria muito acreditar nisso, mas o problema é que a novela já chegou ao capítulo 100 e não tá lá essa maravilha toda. O jeito é se conformar e partir pra outra. #DerrotaNaGuerra

Totalmente Demais

Chances de continuar sendo uma boa novela esse ano: 95%



A novela das sete está no ar há quase dois meses e deve terminar só em maio de 2016, mas, até o momento, tem sido extremamente agradável e a história é muito gostosa de se acompanhar. E tem tudo para manter toda a qualidade já apresentada pelos próximos meses. Só se baixar o espírito boogieoogieano ou iloveparaisopolinesco e Totalmente Demais virar um trambolho, né?

Haja Coração

Chances de flopar: 99%



Em maio será a vez da faixa das 19h receber uma novela com cheiro de fracasso instantâneo: Haja Coração. O autor é Daniel Ortiz, elogiado por Alto Astral, exibida nesse mesmo horário até maio de 2015. Trata-se de um remake de Sassaricando (1987), novela de seu mentor Silvio de Abreu, com o acréscimo de novos personagens e tramas. Os saudosistas aguardam a releitura de tipos inesquecíveis como Fedora (Cristina Pereira) e Aparício (Paulo Autran). A destrambelhada e icônica feirante Tancinha, papel marcante na carreira de Claudia Raia, foi escalada para ser da Monica Iozzi, passou para Isis Valverde, passou para a Paolla Oliveira e agora será vivida, definitivamente, por Mariana Ximenes. Essa é a personagem mais lembrada da novela, mas é equivocadamente chamada de protagonista de Sassaricando, quando, na verdade, ela é apenas uma secundária que cresceu muito e ofuscou os outros. E quando os coadjuvantes conseguem despertar mais a atenção do público que os próprios protagonistas, é porque a história da trama não é lá grande coisa, né? E, na boa, eu não consigo imaginar a Mariana Ximenes vivendo uma gostosona ignorante como a Tancinha. Sei não, mas tô achando que Haja Coração vai estragar todo o trabalho que Alto Astral fez em reerguer os índices do horário das sete e que I Love Paraisópolis e Totalmente Demais conseguiram elevar.

Êta Mundo Bom

Chances de ser um sucesso: 99%



Prevista para estrear no dia 25 de janeiro no lugar de Além do Tempo, a nova novela das seis promete juntar tudo que consagrou Walcy Carrasco numa mesma novela: título cafona, núcleo do chiqueiro, torta na cara, gente sendo jogada no chiqueiro, forte sotaque caipira, animais interagindo com pessoas, texto didático e nada sutil e muita repetição de palavra no melhor estilo Amor à Caçamba. Candinho (Sérgio Guizé) foi criado por Cunegundes (Elizabeth Savalla) e Quinzinho (Ary Fontoura), donos de uma fazenda no interior de São Paulo. Ele se apaixona por Filomena (Débora Nascimento), primogênita do casal, e é expulso de casa. Ao lado do burro Policarpo, seu amigo inseparável, Candinho segue para a capital em busca de encontrar sua mãe: a rica viúva Anastácia (Eliane Giardini), que foi obrigada a se separar do filho assim que ele nasceu. Mas ela jamais desistiu de procurá-lo. De olho na herança da tia, Sandra (Flávia Alessandra), a grande vilã da história, fará de tudo para impedir que mãe e filho se reencontrem. Além disso, Candinho terá que encarar inúmeras aventuras na cidade grande. Walcyr repetirá a fórmula que produziu êxitos de sua carreira como O Cravo e a Rosa (2000), Chocolate com Pimenta (2003) e Alma Gêmea (2005), com uma história leve e personagens carismáticos. Tem como Eta Mundo Bom não dar certo? IM-POS-SÍ-VEL! Esse é o único horário que eu aceito o humor brejeiro e infantilóide do Walcyr! Às seis, sim, ele vira Reicyr!

Ligações Perigosas

Chances de flopar: 55%



Adaptação do clássico francês escrito no século XVIII por Choderlos de Laclos, a minissérie de dez capítulos, de autoria de Manuela Dias, é ambientada nos anos 1920 e estreia nessa segunda-feira (04/01) após A Regra do Jogo. Patrícia Pillar e Selton Mello interpretam os protagonistas Isabel d’Ávila de Alencar e Augusto de Valmont, aristocratas amorais que compartilham o gosto por jogos perversos de sedução. Uma das vítimas da dupla é Mariana, uma mulher casada e virtuosa, interpretada por Marjorie Estiano. O elenco ainda inclui nomes como Alice Wegmann, Jesuíta Barbosa, Leopoldo Pacheco e Aracy Balabanian. Pelas chamadas, deu pra ver que a minissérie será de imensa qualidade: fotografia de cinema, trilha sonora caprichada, produção perfeita, atuações esplendorosas... Mesmo levando em conta que as minisséries de início do ano da Globo vem sendo um sucesso atrás do outro (O Canto da SereiaAmores RoubadosFelizes Para Sempre?), algo me diz que essa Ligações Perigosas vai ser que nem Os Maias: elogiada pela crítica e um fracasso de audiência.

Malhação - Seu Lugar no Mundo

Chances de melhorar: 1%



Nas redes sociais, nas rodas de amigos, nas conversas de whatsApp, é unanimidade: FORA DILMA NINGUÉM SUPORTA MAIS A 'SEU LUGAR NO MUNDO'!!! A atual temporada da Malhação é uma das piores de todos os tempos. Para o nosso azar, devido as Olimpíadas de 2016, a temporada será estendida até 2017. Haja paciência! Mas haverá um intervalo durante o período das Olimpíadas. O autor Emanuel Jacobina trabalha em uma nova sinopse de Seu lugar no mundo. A temporada ficará no ar até dia 5 de agosto de 2016, mas voltará após as Olimpíadas com outras tramas e personagens, uma espécie de segunda temporada. Alguns personagens, porém, permanecerão na nova fase. São os casos de Rodrigo (Nicolas Prattes), Luciana (Marina Moschen), Filipe (Francisco Vitti), Nanda (Amanda de Godoi), Dona Vanda (Solange Couto) e Uodson (Lucas Lucco). Este último, porém, ainda não é certeza. É que o cantor tem uma agenda de shows agitada e não sabe se conseguirá atuar na TV e mandar esse arrocha é pra você que achou que eu tava aqui sofrendo pelos palcos ao mesmo tempo. A esperança é que role uma grande reestruturação nessa segunda fase da temporada e que se torne pelo menos um pouco assistível. Mas, por via das dúvidas, tenho uma opção melhor: IMPEACHMENT DA SEU LUGAR NO MUNDO JÁ!!! E quem assume é a Malhação Sonhos. Quem apoia?

Supermax

Chances de ser um sucesso: 90%



Supermax é a série que a Globo prepara, com previsão de estreia para outubro, aos domingos, após o Fantástico. A trama se passa em um presídio de segurança máxima no meio da Amazônia, onde um grupo de 12 pessoas integra um reality show, nunca antes visto na TV. Todos os participantes guardam um segredo em comum: já cometeram um crime obscuro. Para vencer o jogo e conquistar o prêmio de dois milhões de reais, eles precisam esconder o delito pregresso uns dos outro. Mas o que nenhum deles imaginam é que apenas um sairá de lá vivo!!! Jesus, Maria, José, que reality é esse, meu povo?! O projeto, criado e dirigido por José Alvarenga Jr., conta no elenco com nomes conhecidos do grande público (como Mariana Ximenes, Cléo Pires e Erom Cordeiro) misturados a outros não tão populares, em um elenco selecionado rigorosamente durante seis meses por todo o Brasil. A série terá 12 episódios e, numa mistura de ficção científica com suspense, thriller, terror e drama, Supermax bebe na fonte (e já admite isso!) de séries como The Walking Dead e True Detective e do filme Jogos Mortais e tem tudo para ser um dos principais acertos da TV aberta esse ano. Sinto cheiro de lacre!

Liberdade, Liberdade

Chances de flopar: 91%



Desde o remake de O Astro, primeira novela da Globo a ir ao ar às 23h, em 2011, apenas uma produção vai ao ar no horário por ano. Mas nesse ano as coisas vão mudar. Devido ao sucesso estrondoso de Verdades Secretas, em 2016 teremos duas novelas das onze. A primeira é Liberdade, Liberdade, prevista para abril, que contará a história de Joaquina, a filha do Tiradentes. Depois, no segundo semestre, a Globo deve lançar Justiça, da qual não se sabe muito ainda, mas será inspirada numa obra de Shakespeare. A mocinha de Liberdade, Liberdade será interpretada por Andrea Horta. Mateus Solano fará sua primeira novela desde o Félix de Amor à Vida (2013). Ao lado de Nathália Dill, os dois serão os vilões da trama. Liberdade, Liberdade ainda nem começou a ser gravada, mas já agita os bastidores do Projac. Segundo o site Notícias da TV, a direção de Dramaturgia diária da emissora decidiu afastar da supervisão de texto da novela o autor Euclydes Marinho porque seu trabalho foi considerado insatisfatório. O roteiro não atendeu as exigências da emissora e foi necessária uma reforma total na trama, tendo que reescrever todos os capítulos já escritos. Quem entrou no lugar de Euclydes Marinho foi Mário Teixeira, que escreveu a péssima I Love Paraisópolis. Nessas, fica a dúvida: a Globo viu que a novela ia ser ruim e resolveu correr atrás do prejuízo antes de ir pro ar e virar uma "bomba" ou as novas adaptações estragarão o roteiro inicial? Nunca vamos saber... Já dizia minha mãe: tudo que começa errado, acaba muito pior! Sei não, viu...

Velho Chico

Chances de ser uma nova Em Família: 100%



Finalmente, Benedito Ruy Barbosa ganhou o direito de escrever uma novela das nove. O veterano é uma grife de novelões bem-sucedidos ambientados nos confins do Brasil. São dele Renascer (1993), O Rei do Gado (1996), Terra Nostra (1999) e também Pantanal (1990), na TV Manchete — a trama abalou a, até então, insuperável audiência da Globo na época. Escalada inicialmente para a faixa das 18h, Velho Chico ganhou up grade e ocupará o horário mais nobre do canal no início de abril como resposta à baixa receptividade de recentes novelas urbanas e violentas como A Regra do Jogo e Babilônia, devido ao sucesso da reprise de O Rei do Gado no 'Vale A Pena Ver de Novo' e para combater a segunda temporada de Os Dez Mandamentos. Investir em uma história interiorana ancorada no nordeste é uma tentativa da Globo de resgatar o interesse do noveleiro tradicional e sair do onipresente (e cansativo) eixo Rio-São Paulo, escolhido como cenário de quase todas as tramas nos últimos 15 anos. Em Velho Chico, Fagundes será uma espécie de coronel dos tempos atuais, que defenderá seus interesses econômicos às margens do Rio São Francisco e terá conflitos com defensores do meio ambiente. Temática interessante e atualíssima, vide a tragédia ecológica e humana de Mariana e das cidades ao longo do Rio Doce. Por um lado é muito bom que vamos ter de novo uma novela fora do eixo urbano, ainda mais com o excelente texto do Benedito. Mas será que ele segura uma novela das nove atualmente? A minha avó, certamente, deve adorar, mas será que o público mais novo das redes sociais vai se interessar por longas cenas de paisagem, música típica e tuiuiús voando no horizonte? Estou pagando pra ver! Essas histórias arrastadas funcionavam muito antigamente, mas hoje em dia o público atual quer dinamismo. E essa Velho Chico tá numa vibe tão Em Família, viu... É a trama sem maldade e cheia de romances que todo mundo tanto pediu, mas depois vocês vão se arrepender quando ver que pode ser um marasmo sem fim.

Sagrada Família

Chances de dar um choque de monstro na Família Brasileira: 89%



Em outubro, Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari repetirão a parceria bem-sucedida de Sangue Bom e estrearão no horário nobre com Sagrada Família (título provisório). Ela estava cotada para substituir A Regra do Jogo, mas agora só vai ao ar depois de Velho Chico. Para você que bebeu demais nesse Ano Novo e esqueceu de todo rebuceteio que rolou entre Sagrada Família e Velho Chico, Silvio de Abreu (atual Todo Poderoso da dramaturgia da Globo) resolveu adiar a novela da Maria Adelaide Amaral porque tinha uma trama política muito forte e temos uma legislação desnecessariamente rígida nesse assunto que impede o tema ser abordado em período eleitoral (esse ano tem eleições para prefeito e vereador). Até onde sei, a história do folhetim gira em torno da política, da justiça e de um segredo familiar que colocará em risco a vida dos personagens. Além destes três enredos, haverão ainda homenagens à diferentes novelas icônicas da Rede Globo e críticas à temas corriqueiros da sociedade brasileira, o que já é marca registrada dos autores. Algo me diz que será um novelão!

Carinha de Anjo

Chances de continuar o sucesso na faixa infantil do SBT: 100%



Graças aos bons resultados conquistados pelas tramas infantis, o SBT planeja abrir um segundo horário de novelas destinado a produções adultas. Até o momento, o projeto está sendo discutido, mas pode sair do papel ainda nesse primeiro semestre. Antes de qualquer decisão, a emissora já prepara outro remake mexicano para substituir Cúmplices de um Resgate por volta de outubro: Carinha de Anjo. A saga da pequena Dulce Maria já teve sua versão original exibida pelo SBT em 2001 e foi um enorme sucesso. Sem dúvidas, é uma das melhores novelas infantis da Televisa. A trama ainda está em pré-produção e ainda não se sabe quem viverá a protagonista brasileira. Quero só ver quem vai interpretar a icônica Tia Peruca, aquela que sempre usava uma peruca da mesma cor que a roupa.

Escrava Mãe

Chances de flopar: 99%



Cotada inicialmente para substituir Os Dez Mandamentos, o "pecado" de não ser uma novela bíblica fez a Record adiar o lançamento de Escrava Mãe, um prequel de Escrava Isaura. Ela não será uma continuação da clássica trama protagonizada por Lucélia Santos e sim uma história baseada no passado da mãe da Escrava Isaura. A trama está praticamente toda gravada e está na gaveta e deve ficar por lá durante um bom tempo até a emissora decidir o que fazer com essa novela. Dizem que deve ir para um novo segundo horário de novelas (o mais provável é as 19h), mas a maior complicação pra isso é que aí a Record teria que se ver obrigada a manter a nova faixa e duplicar a dramaturgia que já vem fazendo. E esse ano ano será um desafio imenso para a emissora por causa da terceirização da teledramaturgia. Agora, a produtora Casablanca é a responsável pelo trabalho desenvolvido no Recnov, estúdios da Record no Rio de Janeiro. Flop na certa, sim ou com certeza?

Os Dez Mandamentos - Parte 2

Chances da Record enrolar a novela mais uma vez: 100%



O sucesso arrebatador de Os Dez Mandamentos surpreendeu a própria direção da Record. A primeira novela bíblica do canal prejudicou a audiência do Jornal Nacional e de A Regra do Jogo e entrou para a história ao dar um choque de monstro na audiência da Globo e fazê-la alterar a própria programação para tentar manter o público. Os Dez Mandamentos era uma boa novela, mas criou uma barriga enoooooooorme após dar altos picos de audiência com a fase das pragas e depois terminou em aberto pra que a Record pudesse fazer uma continuação e um filme. A partir de março de 2016, a emissora irá exibir a segunda temporada da história de Moisés (Guilherme Winter), que focará na luta do povo hebreu pelo deserto até chegar à Terra Prometida. Estão previstos 60 capítulos, mas se a segunda temporada bombar (e vai bombar!) a Record transformará isso em 80, 90, 100 capítulos...

A Terra Prometida

Chances da Globo voltar a ter dor de cabeça com a concorrência: 76%



Produzir novela bíblica as 20h30. Essa é a regra do jogo (com o perdão do trocadilho) para a Record a partir de agora. Depois da segunda temporada de Os Dez Mandamentos, vem na sequência (provavelmente, em junho) A Terra Prometida, que, antes mesmo de estrear, já virou a terra prometida de vários ex-medalhões globais (perdão pelo trocadilho mais uma vez), como Kadu Moliterno, Cristiana Oliveira e Paloma Bernardes. A novela será uma continuação da história de Os Dez Mandamentos e começará após a morte de Moisés, que avista a cidade de Jericó de longe antes de ser castigado por Deus por haver ferido uma rocha com um cajado ao invés de tocá-la. Com autoria de Renato Modesto, a produção terá 150 capítulos gravados em tecnologia 4k, sob a direção de Alexandre Avancini, e um elenco composto por cerca de 99 atores. O protagonista, Josué, será vivido pelo Sidney Sampaio, que vive o mesmo personagem em Os Dez Mandamentos como Oséias (nome que ele tinha antes de ser mudado por Moisés). Ele aparecerá em cena 40 anos mais velho, assim como fizeram com Guilherme Winter. Sidney e Rodrigo Vidigal, que interpreta Calebe, serão os únicos atores que vão fazer a segunda novela. Isso porque os dois personagens são os únicos que cumprem a missão de entrar em Israel sem desobedecer os comandos de Deus, acompanhados das gerações mais novas dos escravos hebreus, que morrerão no deserto. Josué e Calebe são definidos como os sucessores de Moisés. Ao chegarem em Jericó, eles não são bem aceitos pelo povo que tomou conta daquela parte de Israel e acabam sendo obrigados a travar uma guerra contra eles, com o intuito de levar os hebreus para Canaã. A Terra Prometida não fará o mesmo sucesso que Os Dez Mandamentos, nem vai abalar a soberania da Globo da mesma forma, mas, certamente, dará bons índices de audiência.


Será que acertamos com as nossas previsões? Podem cobrar a gente depois, pessoal! E vocês? Quais as suas expectativas pelas futuras produções de 2016?



segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Cambalacho, o auge da comédia rasgada dos anos 80



Se você acha que a Regina Casé paga mico demais no Esquenta com seus looks excêntricos (leia-se: cafona), isso porque você não lembra da época que ela era atriz, magrinha e vivia com uma peruca da Tina Turner. Estou falando da personagem dela, Tina Pepper, na novela Cambalacho, de Silvio de Abreu, clássico dos anos 80 que volta ao Canal Viva hoje, às 14h30. A personagem é uma das mais icônicas da galeria de tipos que a nossa teledramaturgia já apresentou! Tina Pepper, ou melhor, Albertina Pimenta, era uma suburbana metida a gostosa que sonhava em ser uma cantora famosa. Achava que cantava e era fã de Tina Turner, que fazia muito, mas muito sucesso mesmo lá pelos meados da década de 80. Depois de muita artimanha, Tina Pepper alcança o estrelato com o hit "Você Me Incendeia" (que fez estrondoso sucesso na vida real tal como o "Vida de Empreguete" foi para os mais novos) e chegou até a se apresentar no Cassino do Chacrinha.


Dois trambiqueiros encabeçavam a trama, cujo sucesso popularizou a expressão "cambalacho" em todo o país: Naná e Gegê (Fernanda Montenegro e Gianfrancesco Guarnieri), que aplicavam pequenos golpes para sobreviver. Para aliviar a culpa que sentia por ser trapaceira, Naná levava para sua casa crianças que recolhia nas ruas de São Paulo. Entretanto, apesar de viverem de trambiques, Naná e Gegê são boas pessoas. Só não conseguiam ganhar a vida de outra maneira.


Natália do Valle também fez muito sucesso na época como a pérfida vilã Andréia, cujo tema musical era repetido à exaustão: "Perigoooooosaaaaaaaaaa!". Casada com Antero Souza e Silva (Mário Lago), para herdar a fortuna do milionário ela foi capaz de qualquer coisa, até mesmo planejar a morte do próprio marido. Ainda nos capítulos iniciais da história, o iate de Antero sofre um grave acidente em alto-mar e o corpo do milionário desaparece. Com a morte de Antero, seu testamento é aberto e, para desespero de Andréia, ele designou como herdeira Naná, sua filha desaparecida.


Determinada a reaver a fortuna do marido, Andréia contrata o advogado Rogério (Cláudio Marzo) para cuidar do caso e ele usa de todos os meios ilícitos para satisfazer sua cliente. Rogério é a paixão de Andréia, apesar de ser seu cunhado, casado com Amanda (Susana Vieira). Ele é um machão, que vive tendo relacionamentos passageiros fora do casamento por achar que jamais será descoberto pela mulher. Quando Amanda, também advogada, percebe que está sendo traída, decide defender Naná na disputa pela herança de Antero. Casada com Rogério há muitos anos, Amanda acreditava ter uma relação sólida com o marido. Ela é uma mulher inteligente, porém, um pouco ingênua, e sofre muito ao descobrir a traição do companheiro de tantos anos.


A novela dá uma reviravolta com a chegada de Daniela (Louise Cardoso, intérprete da Daniela impostora), a suposta filha de Naná. Ao saber que receberia a herança de Antero, Naná liga imediatamente para a filha para contar a novidade. Em poucos dias, Daniela chega ao Brasil acompanhada do noivo, Jean Pierre (Luiz Fernando Guimarães), e do sogro, Armand (Oswaldo Loureiro). Aos poucos, nota-se que Daniela é uma jovem aproveitadora, que está interessada em tirar proveito da fortuna que a mãe receberá. Jean Pierre e Armand, na realidade, chamam-se João Pedro e Armandinho e são dois trapaceiros também que estão de olho na grana de Naná.


No final da novela, descobre-se que a Daniela que se dizia filha de Naná é uma impostora. Para a felicidade completa de Naná, a verdadeira Daniela (Cristina Pereira) aparece no último capítulo, no meio do casamento da mãe com Gegê. Naná, então, ganha definitivamente a herança de Antero. Amanda e Rogério reatam após ele perceber o canalha que sempre foi e ter lutado para reconquistar o amor da ex-esposa. Já a vilã Andréia é presa e condenada a muitos anos de prisão. 


Um dos casais de maior sucesso da trama era Tiago (Edson Celulari), filho de Antero, e Ana Machadão (Débora Bloch), filha de Gegê. Com os dois, o autor Silvio de Abreu levou ao debate os preconceitos em relação aos papéis sociais e inverteu profissões tradicionalmente masculinas e femininas para tentar quebrar estereótipos. O rapaz era bailarino e, ao decidir assumir a profissão, sofre com a não aceitação do pai, que o deserda. Tiago era apaixonado por Ana Machadão, uma jovem bonita, que já carregava no nome sua personalidade forte. Ela tinha um jeitão grosseiro devido à profissão de mecânica, mas nem por isso deixava de ser romântica e feminina. O romance fica estremecido após a chegada de Daniela (Louise Cardoso), a suposta filha de Naná. É que o rapaz namorava a moça quando esteve na Europa e, de volta ao Brasil, ela não mede esforços para reconquistá-lo. Mas no fim tudo dá certo e Ana e Tiago terminam juntos e felizes para sempre!


Outra trama bem-humorada era do casal Cecília (Rosamaria Murtinho) e Wanderley (Roberto Bonfim). Ela, insegura e paranoica, desconfiava de todos os passos do marido, enquanto ele era o mais fiel dos homens. Havia também espaço na trama para Lili Bolero (Consuelo Leandro). Ela e a filha, Tina Pepper, protagonizaram as cenas mais hilariantes de Cambalacho. Lili era uma cantora frustrada que vivia reclamando que a cantora Ângela Maria prejudicou sua carreira. Em determinado momento da história, Tina encontra um livro de feitiços e decide fazê-los para conquistar seus pretendentes. Ela é apaixonada por Aramis (Paulo César Grande), mas ele a rejeita. Com o feitiço da Salamandra (uma das partes mais engraçadas da trama), Tina consegue conquistá-lo. Mas o feitiço passa e ela decide preparar outro, mas acaba enfeitiçando o irmão de Aramis, Porthos (Maurício Mattar), que fica apaixonado por ela. Quando Jean Pierre (Luiz Fernando Guimarães) conhece Tina, eles se apaixonam e passam a viver um romance divertidíssimo.


Exibida em 1986 (com uma reprise no Vale a Pena Ver de Novo em 1991), Cambalacho foi um daqueles momentos felizes de nossa televisão, onde tudo atingiu a tônica certa: uma mistura certeira de dramalhão folhetinesco com a comédia mais rasgada que Silvio Abreu fazia tão bem no horário das sete naqueles tempos. O autor também pôde discutir a moral do país e criticou o comportamento condescendente frente a falcatruas e à corrupção, uma maneira de combater a ideia de que se pode levar vantagem em tudo. Agora, para quem quer rever ou não viu Cambalacho pela primeira vez, chegou a oportunidade perfeita para conhecer esse grande novelão. Basta ligar sua TV no Viva hoje às 14h30. Se você não tem TV Paga, chora queridinho...


quinta-feira, 30 de julho de 2015

As 10 melhores novelas das sete dos últimos tempos


10º lugar: A Lua Me Disse


A dupla Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa retornou com uma comédia às sete da noite depois de Salsa e Merengue (1996). Muita cor, confusões, intrigas, ritmo frenético e dramas exagerados que provocam risos marcaram A Lua Me DisseCom uma pegada "neochanchada pop", a novela agradou crítica e público. Sua maior qualidade foi a trama bem amarrada e seu texto caprichado. A novela lembrou muito a fase de ouro de Silvio de Abreu e Jorge Fernando no mesmo horário nos anos 80. Com ingredientes parecidos com o de Abreu em Guerra dos Sexos (1983), Falabella recheou sua novela com um humor ao mesmo tempo inteligente e escrachado.


09º lugar: O Beijo do Vampiro


A ousadia de Antônio Calmon lhe rendeu um estrondoso sucesso em 1991 com a novela Vamp. A trama que falava de vampiros marcou a teledramaturgia e até hoje é lembrada. Em 2002, o autor resolveu reviver esta temática e escreveu O Beijo do Vampiro, que fez uma legião de fãs, conquistados com a nova geração vampiresca. A trama virou uma febre e teve até álbum de figurinhas. As crianças e os adolescentes da época foram os principais fãs do folhetim, que teve um grandioso elenco, personagens cativantes e uma história bem construída, repleta de ótimos efeitos especiais. Um enredo de amor, entremeado por elementos sobrenaturais, drama, humor e a clássica luta do bem contra o mal foram as principais marcas deste folhetim tão bem feito.


08º lugar: Uga Uga



Um estrondoso sucesso que revitalizou o horário das sete. Muita ação, correrias, tramas pra lá de inusitadas (um índio loiro, um ex-militar metido a super-herói, uma mocinha masculinizada) e o humor característico de Carlos Lombardi garantiram a sua alta audiência. Vale ainda mencionar o apelo sexual da novela, com corpos masculinos à mostra, moças com decotes avantajados e cenas pra lá de calientes que fizeram sucesso, principalmente entre os jovens. A bunda de Claúdio Heinrich ficou famosa na época e os personagens de Marcos Pasquim e Humberto Martins apareceram em 90% de suas cenas sem camisa. Tanta ousadia provocou polêmica com o Ministério Público, que chegou a classificar algumas cenas de impróprias para o horário.


07º lugar: Sangue Bom


Através de um texto irônico e divertido, Sangue Bom abordou de forma inteligente a busca pela fama e a necessidade de manter-se em evidência a qualquer custo, sem mérito e com o mínimo esforço, como crítica ao mundo das sub-celebridades. A novela apostou em seis jovens promissores atores como protagonistas, o que revelou-se uma escolha acertada. O texto bem amarrado, a direção firme, uma trilha sonora bacana, a citação a outras novelas, um time de coadjuvantes de peso que garantiu o suporte para os jovens atores e o entrosamento desse elenco fez com que tudo fluísse muito bem (apesar de não ter sido um grande sucesso).


06º lugar: Alto Astral



Novela despretensiosa, que começou como não quer nada e foi conquistando o público, repleta dos mais batidos clichês do folhetim: personagens maniqueístas, vilões doentios que se deram mal no final, amores impossibilitados, vinganças, duplas identidades, segredos do passado, disfarces, mistérios, a luta do bem contra o mal, vida além da morte... Sem novidade alguma! Nada além de tudo já visto e esperado por uma novela. Entretanto, bem produzida e dirigida, com bom elenco, roteiro bem escrito e com um humor que levemente remeteu aos áureos tempos do horário das sete na década de 1980, ainda que a sua proposta tenha sido cursar pela simplicidade e a leveza.


05º lugar: Ti Ti Ti


Um grande sucesso que cativou o público usando e abusando do humor que o horário das sete permite, dosado eficazmente com o drama em tramas que se complementavam. Maria Adelaide Amaral, então chamada para escrever uma novela, afirmou que não faria uma trama original, mas sim mais uma adaptação da obra de Cassiano Gabus Mendes, seu mestre, de quem já havia adaptado Anjo Mau em 1997. Desta vez, a autora escolheu Ti Ti Ti, sucesso de 1985, que na adaptação teve entrechos de outra trama de Cassiano: Plumas e Paetês, de 1980. Em comum, as duas novela tinham o mundo da moda como pano de fundo. Na nova versão de Ti Ti Ti, a autora misturou as novelas, criando novos núcleos e personagens e retirando outros das versões originais, tendo sido muito bem sucedida e parabenizada por essa sua mistureba.


04º lugar: Caras & Bocas



Walcyr Carrasco e Jorge Fernando repetiram mais uma dobradinha. Desta vez, com uma novela mais leve e divertida, ao contrário da pretensiosa experiência anterior da dupla no horário, Sete Pecados, que deixou muito a desejar. A novela trouxe algumas inovações importantes, como a crítica ao mercado de arte – através da presença de um macaco como gênio da pintura – e a questão da inclusão social, através de uma personagem cega. Caras & Bocas foi a primeira novela que teve um animal como personagem central, com uma trama exclusiva em torno dele. Com seu personagem irracional, Walcyr quis (e conseguiu) debochar da irracionalidade de certas avaliações no mundo das artes plásticas. E teve bastante êxito, tornando-se um sucesso de audiência.


03º lugar: Cheias de Charme



Um grande sucesso de audiência, marcado pelo humor, criatividade e originalidade. Em tempos em que personagens ricos já não protagonizam mais novelas sozinhos, a trajetória de sucesso das três empregadas domésticas virou um verdadeiro fenômeno de repercussão. Cheias de Charme teve o mérito de tirar proveito da internet, até pouco tempo considerada uma concorrente da TV aberta, transformando-a numa poderosa aliada. A novela foi pioneira na ação de transmedia com o lançamento do clipe das Empreguetes primeiro na internet, depois na novela. O hit Vida de Empreguete se tornou febre na época, ganhando milhões de visualizações na internet e estourando nas rádios de todo o país. Em breve, a história das Empreguetes vai virar filme!!! A indústria do entretenimento real misturou-se ao entretenimento da ficção. O colorido dos shows de tecnobrega e as músicas criadas especialmente para a novela deram o tom que o roteiro exigia.


02º lugar: Cobras e Lagartos


Um grande sucesso popular que causou uma verdadeira comoção entre o público. João Emanuel Carneiro vinha do estrondoso sucesso Da Cor do Pecado e recebeu a ingrata missão de reerguer o horário das sete, que estava em baixa com a antecessora, Bang Bang, um fiasco total. Cobras E Lagartos não só salvou o horário como também se tornou a segunda maior audiência das sete dos últimos tempos, perdendo apenas para Da Cor do Pecado (sente só o poder do JEC!).


01º lugar: Da Cor do Pecado


Primeira novela da Globo a ter um romance inter-racial como tema principal e uma protagonista negra. Com esses elementos, poderia se esperar que a trama fosse levantar polêmicas e discussões sobre o preconceito social e racial no país, mas isso não aconteceu. Da Cor do Pecado é a novela das sete mais assistida do século XXI e a segunda novela brasileira mais exportada da Globo, perdendo apenas para Avenida Brasil, também do mesmo autor, João Emanuel Carneiro.


terça-feira, 28 de julho de 2015

As 10 piores novelas das sete dos últimos tempos


10º lugar: Guerra dos Sexos


Remake da famosa novela de Silvio de Abreu que revolucionou o horário das sete na década de 1980. A fim de modernizar sua trama, o autor prometeu mudanças na história, mas poucas foram vistas. Na primeira versão, por exemplo, a luta da mulher por espaço no mercado de trabalho era questão pertinente. Mas, após todas as conquistas das mulheres, o feminismo do início dos anos 1980 não tinha mais essa pertinência em 2012. Silvio de Abreu até tirou o foco da disputa entre machistas e feministas, mas a direção optou por uma linha de humor mais ingênuo – talvez este tenha sido o maior problema da novela. O autor propunha uma mistura de estilos de comédia, que vinha desde o humor infantil de desenho animado até o humor sofisticado do cinema clássico americano. Mas o resultado na tela passou batido. A direção não soube compilar essa sofisticação na hora de tirar do papel e passar para a tela. Faltou fazer rir – o grande trunfo da novela em 1983.


09º lugar: Aquele Beijo



Miguel Falabella apresentou a novela como uma trama de humor espirituoso e inteligente, típica de seu universo, mas faltou à novela uma história central empolgante. As idas e vindas do quadrilátero amoroso principal não empolgouEm meio ao texto fraco e, por diversas vezes, tosco e infantil, foram as tramas paralelas, recheadas de bons personagens secundários, que fizeram a novela acontecer, mas ainda naquelas. Definitivamente, Miguel Falabella não sabe fazer boa novela
(em compensação, escreve séries maravilhosas: Pé na Cova, Toma Lá Dá Cá, Sai de Baixo)!


08º lugar: As Filhas da Mãe


Como bem sugere o título, era uma comédia rasgada ao estilo de novelas escritas por Silvio de Abreu e dirigidas por Jorge Fernando para o horário das sete. É com esse espírito que mistura farsa e chanchada a uma narrativa folhetinesca onde a representação sincera do drama e do romance dão credibilidade ao humor pretendido. Diferente de outras novelas, essa foi escrita para um elenco pré-escalado e já aprovado pela direção. Todos os personagens foram criados levando-se em conta as características particulares de cada intérprete, as facilidades na composição dos tipos e o tipo físico de cada um deles. Entretanto, apesar das inovações, do elenco estelar e do humor sofisticado (ou por causa disso!), a produção mais confundiu do que divertiu o público, que, como bem mostravam as pesquisas de opinião da época, não entendia nada na trama.


07º lugar: Além do Horizonte


A novela começou com ares de inovação. Entretanto, sua trama cheia de mistérios (que lembrava muito os seriados americanos do gênero) e subjetiva demais (a busca da felicidade) acabou confundindo e afastando o público, não acostumado com esse tipo de abordagem às sete horas. Para diminuir o impacto, os autores fizeram grandes mudanças na trama. Os mistérios nebulosos foram abandonados e ficou claro para o público do que a história se tratava. Carregou-se no romance (inclusive rearranjando casais românticos), no humor e a novela foi transformada de uma trama de suspense em uma trama policial. Outro estranhamento do público foi o elenco, cuja estrutura em muito lembrava a Malhação: protagonistas jovens e desconhecidos apoiados em atores veteranos que ficavam em segundo plano, e a ausência de "atores medalhões".


06º lugar: Kubanacan



Um verdadeiro samba do crioulo doido! Por mais que você assistisse regularmente, não se conseguia entender absolutamente nada do que se passava na trama de tantas histórias e reviravoltas absurdas que iam acontecendo (como de um homem que vinha do futuro). Kubanacan é a prova viva de que audiência e qualidade não andam juntos (a novela foi um sucesso)!


05º lugar: Geração Brasil


A novela marcou o retorno da dupla de autores Filipe Miguez e Izabel de Oliveira, responsáveis pela maravilhosa Cheias de CharmeEntretanto, decepcionou-se quem esperava um novo mega sucesso ao estilo da trama das Empreguetes. Um dos grandes vilões de Geração Brasil pode ter sido a expectativa do público e a responsabilidade dos autores de repetirem um novo sucesso ante essa expectativa. A novela estreou com promessa de muitas ações de transmídia, interatividade com o público e repercussão nas redes sociais. Pretensiosa, ao tentar dialogar com o tradicional e variado espectador do horário, Geração Brasil falhou ao mirar demasiadamente em tecnologia: arregimentou os mais jovens e antenados, mas desprezou aqueles que não ligam para o assunto. Prometia agradar a todos, mas acabou revelando-se uma novela nonsense, centrada demais na tecnologia e no universo corporativo. A língua falada pelos personagens americanos misturava inglês e português, sem traduções na sequência, o que acabou incomodando também.


04º lugar: Bang Bang



Com uma proposta diferente e inovadora, baseada nos clássicos do western norte-americano, Bang Bang não conseguiu cativar o público. Vários foram os problemas apontados pelo fato da trama não ter emplacado: a obra não era um folhetim dos mais tradicionais (com vilãs muito más, mocinhas muito boas e romances melados), o ritmo lento da história, as piadas com referências dos anos 60 não tinham mais graça como antes, os nomes difíceis dos personagens atrapalhavam, entre outros. Com uma história que misturou trama cult, passada no faroeste, com homenagem aos Beatles e animações japonesas, a novela testou uma nova linguagem, porém, com enredo confuso.


03º lugar: Desejos de Mulher



A novela começou com o pé esquerdo: o assassinato do prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel, que fez o público preferir aos programas policiais; e o repentino apagão que ocorreu em alguns estados brasileiros, o que levou a Globo a apresentar um compacto do primeiro capítulo no segundo dia de exibição da novela. Mas os transtornos não foram só no primeiro capítulo e sim na semana e no mês inteiro. A produção então pediu para que Euclydes Marinho, autor da trama, providenciasse uma virada na novela para depois do carnaval. Com isso, a novela acabou virando uma trama policial confusa, sem nexo e cheia de idas e vindas difíceis de engolir. Até mesmo o próprio elenco da novela (Regina Duarte, principalmente) chegou a reclamar. Um verdadeiro caos!


02º lugar: Três Irmãs


Juventude, surf e o cotidiano litorâneo serviram como base para Três Irmãs, que também abordou assuntos como especulação imobiliária, descaracterização de uma cidade histórica e a ecologia. Apesar de ter estreado bem no Ibope para os então atuais moldes de audiência, a novela foi perdendo telespectadores a cada semana de exibição. Também, já era de se esperar, devido a trama fraca, repetitiva e pouco atrativa. Eram imagens e mais imagens de tirar o folego com vários banhos de praia, surfes e belas paisagens naturais. Mas história que é bom, xiiiiiiiiiiiiiii...



01º lugar: Tempos Modernos



A novela começou com promessas de modernidade (como bem sugere o título) e ares de inovação em estrutura teledramatúrgica, vistos em sequencias e diálogos ágeis e em tons irônicos. O autor propunha uma mistura de futurismo (o edifício Titã, o robô Frank e a figura fria e mecanizada da vilã Deodora, de Grazzi Massafera) com tons farsescos e quase caricatos (como os personagens do núcleo da Galeria do Rock, mais precisamente na relação conturbada entre um quarentão roqueiro convicto mas amargurado e uma cantora lírica de sucesso). Mas a audiência não conseguiu acompanhar (e com razão). Em pouco tempo, ajustes foram feitos pelo autor e mudaram Tempos Modernos radicalmente. Personagens saíram de cena e outros tiveram características bastante alteradas. O vilão Albano (Guilherme Weber), por exemplo, teve seu fim precipitado, enquanto sua comparsa Deodora deixou de ser uma figura robótica para ganhar ares mais humanos, chegando até a apaixonar-se. O robô Frank também foi desligado, deixando de ser o elo entre o mundo atual e o futurista que a novela propunha. O autor também passou a carregar mais no melodrama, visando chamar audiência. Mas apesar de todas as mudanças, a novela só piorou e foi uma vergonha alheia total. Um exemplo de novela que merece ser esquecida para sempre!


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