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sábado, 7 de janeiro de 2017

Os Melhores e Piores Atores de 2016



Já falei das atrizes que tiveram as melhores e piores atuações, o que rolou de bom e ruim na dramaturgia e hoje comentarei sobre os atores que mais se destacaram (para o bem e para o mal) na TV em 2016.


   OS MELHORES ATORES NA TV EM 2016   



19º lugar: Lázaro Ramos — Interpretando o personagem-título da série Mister Brau, se mostra completamente solto em cena e com um lado musical muito forte. Seu personagem é extremamente cativante e já garantiu a popularidade e o carinho do público. Au, au, au, au, au, au, meu nome é Brau!

18º lugar: Felipe Simas — Após ter se destacado na Malhação Sonhos, Rosane Svartman e Paulo Halm confiaram a ele o mocinho de Totalmente Demais. O risco era altíssimo, afinal, o ator só tinha um trabalho no currículo. Mas valeu a pena a coragem dos autores. Felipe emocionou e cativou na pele do destemido Jonatas e formou um casal que caiu nas graças do público com Marina Ruy Barbosa (Joliza).

17º lugar: Selton Mello — Há quatro anos sem atuar na TV, a volta de Selton diante das câmeras na telinha foi em grande estilo, se destacando como o sedutor Augusto em Ligações Perigosas. São poucos os atores e as atrizes que passam ao largo da TV no Brasil e conseguem sobreviver com dignidade.

16º lugar: Márcio Fecher — Que Supermax foi uma tremenda decepção, isso ninguém duvida. Porém, a atuação esplendorosa de Márcio merece ser reconhecida. Em meio às atuações canastronas de grande parte do elenco, o ator se sobressaiu na pele do monstruoso Nonato/Baal, o ponto alto da série.

15º lugar: Caio Blat e Ricardo Pereira  Não poderia deixar de citá-los juntos, afinal, protagonizaram a primeira cena de sexo entre dois homens na história da teledramaturgia, que, inclusive, acabou atraindo o público e chamando mais a atenção pela sutileza com que foi feita. Blat e Ricardo merecem todos os elogios e se entregaram pra valer na cena. O primeiro fugiu do estereótipo e trouxe humanidade, sensibilidade e respeito ao André, enquanto o segundo, que viveu seu melhor momento na carreira, demonstrou a truculência e a mistura de sentimentos de Tolentino sem cair na caricatura.


14º lugar: Marcelo Serrado  Inicialmente mostrado apenas como um personagem servil, o deputado Carlos Eduardo foi ganhando outros contornos ao longo de Velho Chico a medida que ia se revelando o grande vilão da história. E o Serrado agarrou bem essa oportunidade, mostrando o que um ator competente é capaz quando tem um bom personagem em mãos. O ar asqueroso do ex-vereador, com aquele bigodinho quase imoral, deixava o personagem ainda mais crível e adoravelmente detestável.

13º lugar: Antonio Fagundes  Na troca de fases de Velho Chico, Fagundes detonou com o brilhante trabalho de Rodrigo Santoro (leia mais embaixo) dando ao Coronel Saruê uma brusca mudança tanto visual quanto psicológica, sem um motivo realmente convincente, com um tom caricato e bonachão. Porém, a medida que Afrânio foi se desfazendo da sua máscara social e repensando a vida, o personagem se tornou mais humano e Fagundes deu um show de interpretação. Antes tarde do que nunca, né?

12º lugar: Jesuíta Barbosa — O ator esteve em Ligações Perigosas e Nada Será Como Antes, mas foi em Justiça o seu grande momento de 2016. Na pele do desequilibrado Vicente, o ator deu um show na minissérie em cenas pra lá de intensas, provando que é um dos grandes nomes da nova geração.

11º lugar: Mateus Solano  O Félix pode ser o papel de maior sucesso do Solano, mas o Rubião foi o seu maior momento na carreira, até então, e já pode ser considerado um dos maiores e mais odiosos vilões da teledramaturgia. Ele exorcizou completamente a bicha má de Amor A Vida com Liberdade Liberdade.

10º lugar: José de Abreu  Depois de revelado que seu personagem era o Pai da facção, no capítulo 100 de A Regra do Jogo (que foi exibido lá no finalzinho de 2015), o ator causou medo e passou a protagonizar grandes cenas. José de Abreu foi bem adotado pela diretora Amora Mautner desde Avenida Brasil, quando interpretou o repugnante e, ao mesmo tempo, adorável Nilo, passando por Jóia Rara, como o poderoso Ernest, e comprovou isso como Gibson, uma espécie de Flora de cueca, que já é um dos melhores e mais detestáveis vilões masculinos dos últimos tempos. Vitória na guerra!


09º lugar: Lee Taylor  Com grande experiência no teatro e no cinema, foi convidado pelo diretor Luiz Fernando Carvalho para dar vida a Martim, um dos personagens mais importantes de Velho Chico. Em sua estreia na TV, Lee surpreendeu pelas cenas de confronto com Fagundes e Serrado e ganhou nossa simpatia por sua integridade e busca por justiça, além de todo charme e o jeitão meio rústico do ator.

08º lugar: Marco Nanini — Após anos no seriado A Grande Família, Nanini foi o segundo ator do seriado a brilhar em uma novela de Walcyr Carrasco. O simpático professor Pancrácio, que se transformava em vários outros para conseguir dinheiro, ganhou um intérprete à sua altura, que divertiu e emocionou em Eta Mundo Bom. Seus disfarces eram impagáveis. Multifacetado, mais tarde, o ator brilhou também como Pandolfo, irmão gêmeo de personalidade diferente, no núcleo da fazenda. Nanini foi mil em um!

07º lugar: Tobias Carrieres  O que esse menino fez em Justiça foi de causar inveja em muito ator veterano. A sua entrega como o cativante Jesus foi perceptível e impressionante e todas as suas cenas dramáticas ao lado da grande Adriana Esteves arrancaram lágrimas de quem assistia. Tem futuro!

06º lugar: Chico Diaz — Fazendo o telespectador chorar em todo capítulo em que aparecia, Belmiro, o oprimido que não se permitia oprimir, foi um fiel retrato do brasileiro que não desiste nunca; sendo construído pelo ator como uma figura de traços rudes e alma doce. A morte do retirante causou não só enorme comoção em Grotas do São Francisco,como também do público que assistiu Velho Chico.

05º lugar: Domingos Montagner  Como o Santo de Velho Chico, o ator havia atingido um patamar na carreira em que nunca chegou. Domingos compôs um protagonista incrível. Com seu estilo único de atuação (marcada pela limpeza interpretativa, sem exageros, precisa, irretocável), o ator viveu um personagem intenso, de bom coração e que se esforçava para mudar o mundo e torná-lo mais justo, mas sem se tornar chato e gerar nossa antipatia. A trágica morte de Domingos abreviou uma carreira no auge e que tinha tudo para seguir em crescimento. As artes brasileiras perdem, sem dúvida, um magnífico ator.


04º lugar: Enrique Diaz — Tipo mais complexo de Justiça, sua atuação sensacional foi um dos motivos que fizeram a história de terça ser a melhor da série. Vivendo um policial com desvios de caráter, conseguiu nos fazer oscilar a todo momento entre amor e ódio pelo personagem (terminei amando o Douglas!).

03º lugar: Marco Ricca  O bandoleiro Mão de Luva, aos poucos, foi se mostrando um personagem carismático e divertido, ganhando um merecido espaço em Liberdade Liberdade graças ao talento e a competência de Marco Ricca, que imprimiu um excelente tom sarcástico e sedutor ao salteador. Ele adotou um sotaque mineirês bem acentuado, o que ajudou a expor ainda mais o jeito malandro do trambiqueiro. Aliás, foi um dos poucos atores do elenco que mostrou o jeito de falar do povo de Minas Gerais, ainda que de forma mais caricata. Mas foi uma ideia de gênio, pois coube perfeitamente no papel. Não à toa, seu personagem ganhou um spin-off exclusivo para a internet, intitulado A Lenda do Mão de Luva.

02º lugar: Rodrigo Santoro — Longe das produções nacionais desde Mulheres Apaixonadas, em 2003. Santoro retornou vivendo o complexo Afrânio na primeira fase de Velho Chico e brilhou do início ao fim da sua luxuosa participação. Suas cenas primavam pela poesia e drama, sendo necessário ainda destacar a sua química com Carol Castro. A aceitação foi tanta que sobraram críticas a Antônio Fagundes nos primeiros meses da segunda fase, pois em nada lembrava a composição primorosa de Santoro. Também, pudera... Santoro construiu um tipo apaixonante, contraditório em sua essência, que foi se fechando, endurecendo e perdendo a ternura pelo embrutecimento que a vida lhe causou.

01º lugar: Sergio Guizé — De fato, a novela deveria ter se chamado Candinho (como estava inicialmente previsto), pois foi a alma de Eta Mundo Bom! Poucas vezes, vi um ator honrar o protagonismo de uma novela com tanto brilhantismo como Guizé, que não ficou devendo em nada ao Mazaroppi (que imortalizou o personagem do filósofo Francês Voltaire nos cinemas e que também inspirou a trama do Walcyr), dando um jeito próprio ao caipira. Nem mesmo o fato de ter ficado sem sua grande parceira em cena, visto que a Debora Nascimento não conseguiu se firmar como protagonista e par romântico, abalou o sucesso e a credibilidade do personagem. Candinho poderia soar ridículo se mal construído e sua ingenuidade excessiva irritante, mas o domínio do ator foi tanto que a gente não apenas torceu pelo Candinho, mas também tinha vontade de cuidar dele, de orientá-lo, de tê-lo por perto como amigo.

Menções Honrosas: Bruno Ferrari e Dalton Vigh (Liberdade Liberdade), Gabriel Leone, Irandhir SantosMarcos PalmeiraLucas VelosoRodrigo LombardiBatoréSaulo Laranjeira e Renato Góes (Velho Chico), Fábio AssunçãoOrã Figueiredo e Pablo Sanábio (Totalmente Demais), João Baldasserini e Marcos Pitombo (Haja Coração), Fernando Pavão e Luiz Guilherme (Escrava Mãe) e Antonio Calloni (Justiça).


   OS PIORES ATORES NA TV EM 2016   



05º lugar: Francisco Cuoco  Ele pode ser uma lenda viva da teledramaturgia brasileira, mas já faz um bom tempo que o ator vem repetindo os mesmos trejeitos a cada personagem que interpreta. Em Sol Nascente, por exemplo, por incrível que pareça, ele conseguiu ser pior que o japonês de araque do Luís Melo e criou um tipo bem curioso de italiano: o que NÃO SABE imitar sotaque italiano!!! Incrível!

04º lugar: Eriberto Leão  A vilã Sandra (Flávia Alessandra) merecia um comparsa bem mais a sua altura em Eta Mundo Bom. O Ernesto não passou de uma figuração de luxo perto dela. Muito por culpa da atuação canastrona do seu intérprete, de expressão, entonação e trejeitos lineares, sem nuances. Quando dividia cena com a Debora Nascimento (Filó), então, aí era uma verdadeira aula de Cigano Igor 2.0.

03º lugar: Dudu Azevedo  Pior trabalho do ator em sua carreira (que nunca foi lá grande coisa... ou alguém aí lembra de algum grande trabalho dele na TV?). Com o carregado sotaque carioquês na pele de Zur em Os Dez Mandamentos - Nova Temporada, mais parecia um surfista no Antigo Reino.

02º lugar: Malvino Salvador — Outro exemplo típico de galã de pouco talento que é sobrevalorizado pela Globo. Já faz um bom tempo que o ator vem apostando no feijão com arroz, muitas vezes sem tempero, na interpretação, mas não comprometia a novela. Em Haja Coração, porém, ele viveu seu pior momento na carreira. Malvino não conseguiu passar a emoção na pele do Apolo, que, diga-se de passagem, tinha uma personalidade agressiva que irritava qualquer um. E o autor Daniel Ortiz empurrou goela abaixo do público o insuportável personagem sem torná-lo mais aceitável e fazendo com que ele ficasse com a Tancinha, contrariando a esmagadora vontade popular que queria ver a feirante ao lado de Beto. 

01º lugar: Hélio de la Peña — Em Totalmente Demais, o ex-Casseta teve a oportunidade de fazer seu primeiro papel em novelas de verdade. Claro que eu não esperava nenhum Tony Ramos ali, mas a sua atuação foi algo abaixo do péssimo. O "ator" parecia estar sempre interpretando algum personagem nas antigas paródias do humorístico. Totalmente inexpressivo! Acredito que a seriedade do Zé Pedro tenha sido um equívoco para um ator que ficou conhecido por fazer imitações. O advogado poderia ter tido mais traços de humor para que sua interpretação soasse menos falsa. Ao contrário da Samantha Schmutz, que conseguiu transitar perfeitamente entre o drama e o humor, Hélio não teve a mesma sorte. Errou rude!

Menções Nada Honrosas: Rainer CadeteKlebber ToledoFlávio Tolezani Rômulo Neto (Eta Mundo Bom), Paulo Rocha (Totalmente Demais), José Loreto (Haja Coração), Felipe Roque (Malhação), Duda Nagle (Cúmplices de Resgate), Junno Andrade (Escrava Mãe) e Kadu Moliterno (A Terra Prometida).


Obviamente, a lista é baseada unicamente na opinião desse humilde redator que vos escreve. Portanto, está sujeita a injustiças e esquecimentos. Cabe a cada um dos leitores concordar ou não, dar a sua opinião, completar a lista, me esculhambar nos comentários...


quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

O Melhor e Pior da Dramaturgia em 2016



Pensaram que tinha esquecido a retrospectiva? Nananinanão! Curada completamente a minha ressaca do ano novo, hoje vou relembrar o que rolou de bom e ruim na dramaturgia em 2016 (lembrando que Rock Story e Carinha de Anjo, que estrearam no final de 2016, entrarão só na retrospectiva do ano que vem).


   O MELHOR DA DRAMATURGIA EM 2016   



13º lugar: Malhação - Pro Dia Nascer Feliz — É infinitamente melhor que a temporada passada, Seu Lugar no Mundo, sim ou com certeza? Com certeza! Embora tenha perdido um pouco de rumo nos últimos meses, o enredo central dessa Malhação é muito melhor estruturado, apresentando desdobramentos que despertam interesse, além de ter tipos mais simpáticos e uma vilã bem construída.

12º lugar: A Terra Prometida — Escapando da evangelização e da pregação, a trama impressionou pelo caráter folhetinesco, se mostrando mais novela e menos bíblica. A ação que predomina em grande parte da história, por exemplo, segue muito mais como uma saga épica do que como um drama bíblico, apesar de beber na fonte da Bíblia. Além disso, mostra uma evolução visível da Record neste segmento em relação a antecessora, Os Dez Mandamentos: sua produção é mais esmerada, reduzindo efeitos que beirem à tosquice (embora ainda haja algumas cenas assim), um elenco mais afinado e um texto mais natural.

11º lugar: Mister Brau — Tocando em feridas abertas como racismo, desigualdade social e preconceito, porém, de um jeito leve, inteligente, com muito humor, diálogos afiadíssimos e zero cara de merchandising. Muito mais do que o discurso social, a série tem seu mérito no entretenimento a que se propõe. Equilibrada, ela diverte e ao mesmo tempo não deixa de dar voz às diversidades brasileiras.

10º lugar: Conselho Tutelar — A série produzida pela Record mostrou casos de violência e abusos contra crianças afim de estimular denúncias a respeito com uma ótima consistência técnica e bem realista; e se destacou no cenário nacional, deixando a sensação de que merecia mais uma temporada (e vai ter).

09º lugar: Pé na Cova — Verdade seja dita, a série já estava mesmo na hora de parar. E com a morte de Marília Pêra, isso era inevitável. Com a última temporada já toda gravada, os momentos finais da trama ainda puderam contar com a presença da grandiosa atriz e, prevendo o que ocorreria, Miguel Falabella, com seu texto afiado, inteligente e poético, conduziu tudo em um tom tocante de despedida, melancolia e homenagem. Do início ao fim, o seriado caminhou muito bem nessa corda bamba entre o humor e o drama. Nesta última temporada, em especial, conseguiu extrair o nosso riso e o nosso choro, ao mesmo tempo.


08º lugar: Ligações Perigosas — Com ótima fotografia, estética luxuosa, boas atuações e erotismo sutil, a série fez 2016 começar o ano com pé direito no que diz respeito à dramaturgia. Ocorreram problemas com os ganchos antes dos comerciais e nos finais dos capítulos (sempre terminados de forma abrupta), mas acho que foi mais um problema de edição do que do roteiro. Os diálogos eram cativantes, sempre mesclando sedução, amoralidade, inocência e crueldade com extrema habilidade. A autora Manuela Dias conseguiu abrasileirar o clássico francês e, mesmo sem a nudez de corpos, a minissérie chocou mostrando o lado mais doentio do ser humano na arte de seduzir e de se deixar seduzir, despindo almas.

07º lugar: Eta Mundo Bom — Ou você embarcava na total despretensão da novela (deixando de lado os vícios do autor e de parte do elenco) e acabava se divertindo com o universo criado por Walcyr Carrasco ou fincava o pé no perfeccionismo e torcia o nariz para as inúmeras repetições e problemas que a trama apresentou. O público preferiu a primeira opção. E eu também. Walcyr pode até ter dado uma repetida na sua já tradicional fórmula de novela das seis repleta de tortada na cara, gente sendo jogada no chiqueiro, entre outros clichês seus, mas essa historinha água com açúcar alegre e otimista era a história que o Brasil precisava e queria ver em tempos de noticiário carregado de violência, tragédias e escândalos das mais variadas origens. Foi um "feijão com arroz" requentado que deliciamos como um manjar dos deuses.

06º lugar: Escrava Mãe — Gravada em 2015 e sucessivamente adiada, a história marcou a retomada da Record de produções fora do filão bíblico (aleluia!) e provou que a emissora estava muito errada em não tê-la exibido logo antes. A edição de cada capítulo é caprichadíssima e há cenas que parecem feitas para o cinema. Além disso, aposta fundo em ingredientes folhetinescos: não abre mão dos ganchos, nem tampouco de deixar bastante claro quem é bonzinho ou malvado na história. O maniqueísmo não cede espaço para nuances de caráter e ali também não há lugar para invencionices narrativas. É justamente aqui o ponto alto da história: sem fugir do feijão com arroz, Escrava Mãe mostra-se uma novela correta e uma boa referência de junção histórica e ficcional, sabendo entreter e retratar a escravidão na medida certa.

05º lugar: Liberdade Liberdade — Marcada pelo capricho estético (mostrando um Brasil imperial sem glamour, com uma realidade nua e crua em cenas pra lá de chocantes) e pela primeira cena de sexo gay entre dois homens na história da teledramaturgia, teve altos e baixos. Começou sonolenta e excessivamente didática, com uma trama que andava em círculos enquanto a história principal se desenvolvia lentamente. Só não caiu no tédio porque tinha ótimos trunfos na manga que faziam valer a pena. Quando finalmente se estabeleceu, entrou num ritmo alucinante e de tirar o fôlego, apresentando tudo aquilo que ficou devendo nos meses iniciais: uma trama ágil e coerente com ligação histórica. Terminou com um saldo positivo, mas deixou aquele gostinho de que poderia ter rendido muito mais.

04º lugar: Velho Chico — Um espetáculo em forma de novela; que já entrou para a história como uma das mais belas e inspiradas já produzidas na nossa dramaturgia. Pelo menos, tecnicamente falando. Texto sensível. Fotografia espetacular. Cenários belíssimos. Trilha instrumental fantástica. Direção esplendorosa. Atores (praticamente todos) impecáveis. Cenas (praticamente todas) memoráveis. O telespectador ficou encantado. Porém, "dramaturgicamente" falando, se mostrou irregular, vagarosa e angustiante, com um excessivo foco na política e questões sociais durante um bom momento. De qualquer forma, gostei que, mesmo com a audiência baixa, Velho Chico, ao contrário de c.e.r.t.a.s.n.o.v.e.l.a.s que estão nessa lista (leia mais embaixo), não se descaracterizou em momento algum por números no Ibope. Venceu a arte!


03º lugar: Totalmente Demais — Egressos de duas temporadas de Malhação, Rosane Svartman e Paulo Halm fizeram sua estreia novelística com a novela mais empolgante do ano. Totalmente Demais possuia uma trama das mais simples e despretensiosas, com a atualização de um conto de fadas mais do que conhecido (o da gata borralheira). Entretanto, logo foi ganhando público, se tornando um fenômeno de audiência e repercussão e o maior sucesso do horário das sete desde Cheias de CharmeA novela veio atolada na fantasia, reunindo velhos clichês do folhetim numa roupagem moderna, bonita e atraente, com a leveza e comicidade que o horário pede, repleta de personagens carismáticos e casais apaixonantes.

02º lugar: Reprise de Cheias de Charme — Está sendo um prazer rever atualmente uma das melhores novelas dos últimos tempos no Vale a Pena Ver de Novo. Marcada pelo humor, criatividade e originalidade, a trama parodia os pequenos dramas humanos através de personagens cativantes e queridos e tramas alegres intercaladas com o mais puro dramalhão. "Levo vida de empreguete, eu pego às sete"...

01º lugar: Justiça — Inovadora, ousada, inteligente, imprevisível... Me faltam palavras para descrevê-la. Do texto à direção, passando pela performance sensacional dos atores, fotografia, figurino, maquiagem, cenários e trilha sonora. Tudo esteve em seu devido lugar em Justiça, que se traduziu na melhor das melhores produções que a televisão brasileira já realizou nos últimos anos. Mostrando um jeito diferente de se ver TV ao fugir da lógica da narrativa linear, com quatro histórias fortes e diferentes sobre os limites do ser humano na busca pela justiça se interligando a todo momento, Justiça teve o raríssimo mérito de combinar audiência e repercussão com qualidade, que traz o público para dentro da tela e o faz pensar, se questionar, se colocar no lugar dos personagens, refletir sobre suas ações. É verdade que algumas histórias se perderam e outras tiveram muitos furos, mas isto não comprometeu o bom resultado.


   O PIOR DA DRAMATURGIA EM 2016   



12º lugar: Haja Coração — Pode ter mantido o sucesso da sua antecessora, Totalmente Demais, trazendo elementos típicos de comedia romântica que o horário das sete pede, porém, a história decepcionou devido ao péssimo desenvolvimento de tramas promissoras, à falta de função de personagens, os momentos (que não foram poucos) que extrapolaram o mantra "Vamos voar" de Glória Perez em Salve Jorge e por ter pesado a mão tanto no melodrama, quanto na comédia, atirando para todos os lados.

11º lugar: A Lei do Amor — Após três meses, a novela ainda não emplacou e já pode ser considerada mais uma decepção. Com baixa audiência, uma força tarefa foi montada para salvar o folhetim do iminente fracasso. Corta daqui, corta dali, muda aqui, muda ali, tira personagem, cria personagem, adia trama, adianta trama... E o que se tornou A Lei do Amor, novela com título que não faz jus a história que tem? Uma bomba! De um amor impossível, a trama virou policial. São tantos personagens e tantas tramas paralelas que quem assiste ficou perdido e alguns personagens mudam de personalidade como quem muda de roupa. A trama vai ao ar, provavelmente, até meados de abril e, sinceramente, não vejo mais salvação...

10º lugar: Reprise de A Usurpadora — Que fique bem claro: A Usurpadora é a minha novela mexicana favorita. Já vi inúmeras vezes, sempre dizia que não ia assistir de novo e lá estava eu vendo novamente, mas com apenas um ano e alguns meses da última reprise não dá. Paola e Paulina mereciam um bom descanso na grade do SBT. Calculo uns 5 anos. Se, pelo menos, esse prazo fosse respeitado, sempre marcariam uma audiência satisfatória. A milionésima volta de A Usurpadora é mais uma intervenção louca de Silvio Santos na grade do SBT e acabou fracassando no Ibope, além de ter desgastado um clássico.

09º lugar: Cúmplices de um Resgate — Não é só a Record que espreme um produto até a última gota. O SBT também está no mesmo caminho (ou até pior) com as suas novelinhas infantis. Além de ter tido uma duração exagerada (357 capítulos), 90% de cada capítulo era pura enrolação, com trocentos clipes musicais, intervalos a todo momento e cenas do próximo capítulo que duravam uma eternidade. Sei que ela é destinada ao público infanto-juvenil, mas prefiro preservar a saúde mental das minhas crianças.


08º lugar: Supermax — Partindo de uma premissa interessante e marcando o investimento da Globo em um novo nicho (o terror), a sua ousadia e pioneirismo, infelizmente, não foram recompensados como se esperava e se revelaram um misto de confusão com decepção na prática. Foi, sem dúvida, uma grande ideia, perdida nos equívocos gerados por uma grande euforia (entre outros equívocos, mencionados AQUI).

07º lugar: Nada Será Como Antes A série tinha como ponto de partida abordar uma visão ficcional do início da televisão no Brasil. Os bastidores da TV seriam um prato cheio para um produto de alta qualidade, porém, o que se viu nos episódios seguintes foi que a história se transformou em um drama amoroso qualquer. Os conflitos dos personagens ofuscaram completamente o contexto histórico, fazendo com que a série perdesse o sentido de existir (apesar da produção caprichada e do elenco afinado). Outro grande erro que prejudicou o seu andamento foi a exibição semanal, quebrando o ritmo da história.

06º lugar: Malhação - Seu Lugar no Mundo — Histórias afetadas pela falta de bons conflitos, personagens perdendo função, situações forçadas, temas importantes (como o assédio, a gravidez na adolescência, a AIDS e o uso de drogas) sendo abordados de forma equivocada... ZZZZZZZZ Dormi!

05º lugar: Chapa Quente — Juro que, por inúmeras vezes, tentei assistir a série. Mas a quantidade de caretas, gritaria, situações bizarras e humor batido espantaram-me a ponto da chapa esfriar e não suportar concluir um único episódio do início ao fim nessas duas sofríveis temporadas. O texto e interpretações apelaram exageradamente para o humor popular ao estilo do finado Zorra Total. Já foi tarde!


03º lugar: A Garota da Moto — Qualquer coisa que não seja mexicana, reprise ou tenha uma pirralhada protagonizando uma produção na dramaturgia do SBT, de cara, já é um imenso progresso e vale pela tentativa de sair da mesmice. Mas A Garota da Moto foi ruim demais. Pra começar, o recurso utilizado pela série com os personagens principais dialogando com o público e explicando a história, como se o pessoal de casa fosse burro a ponto de não entender, foi irritante. Soma-se a isso as atuações sofríveis (com destaque para a vilã extremamente caricata vivida pela Daniela Escobar), o roteiro raso, previsível e repleto de clichês, a direção capenga e as tramas paralelas que de cômicas não tiveram nada.

02º lugar: Os Dez Mandamentos - Nova Temporada — Se fazer uma segunda temporada do maior sucesso da teledramaturgia da Record em 2015 já tinha se mostrado um equívoco tremendo, os efeitos especiais para as cenas de impacto (como as da abertura da terra e das batalhas sangrentas sem nenhuma gota de sangue) foram, no mínimo, constrangedores. Um festival de closes nas caras e bocas dos atores, com fundo em chroma key malfeito. E o que dizer da maquiagem de envelhecimento (eleito, inclusive, pelos leitores o mico do ano na nossa premiação)? Atores e atrizes envelhecidos artificialmente. Até tentaram apostar na interpretação, mas as barbas e cabelos postiços criaram um ruído perturbador no vídeo. O cuidado e o esmero da novela do ano passado contrastaram com o ar amador desta continuidade, que perdeu sua essência bíblica e virou um verdadeiro besteirol. Triste fim para a saga de Moisés...

01º lugar: Sol Nascente — Sem dúvidas, o maior erro da dramaturgia em 2016. A novela já causou polêmica antes mesmo da estreia, ao entregar os protagonistas japoneses da obra a dois atores caucasianos, Giovanna Antonelli e Luis Melo. Alice, personagem de Giovanna, é filha adotiva, mas nada justifica Tanaka ter a cara de Melo, por melhor ator que ele seja. E, como se não bastasse tudo isso, Sol Nascente entrou no ar com um fiapo de história, trama principal fraca e batida (e paralelas piores ainda), personagens rasos que não causam nenhuma emoção ou empatia, mau uso de clichês e ritmo arrastado e lentíssimo. Além disso, reforça estereótipos de japoneses e italianos, povos que, a princípio, seriam "homenageados" no folhetim; provocando só a indiferença do público, o que às vezes é pior que uma rejeição. Nada funcionou ali. Apenas serviu como um ótimo antídoto para quem sofre de insônia.

Confira a retrospectiva das melhores e piores atuações femininas em 2016.

Obviamente, a lista é baseada unicamente na opinião desse humilde redator que vos escreve. Portanto, está sujeita a injustiças e esquecimentos. Cabe a cada um dos leitores concordar ou não, dar a sua opinião, completar a lista, me esculhambar nos comentários...


quinta-feira, 21 de julho de 2016

DUELO | Qual novela foi mais explorada: Carrossel ou Os Dez Mandamentos?



Carrossel está para o SBT tal como Os Dez Mandamentos está para a Record. As duas foram os maiores sucessos de audiência e repercussão dos últimos tempos de ambas as emissoras. Silvio Santos e Edir Macedo, que não são bobos nem nada, viram nelas uma oportunidade perfeita de arrecadar mais e mais dinheiro. Mas é aquele ditado: quem nunca comeu melado, quando come se lambuza... Carrossel e Os Dez Mandamentos foram tão exploradas que se fossem laranjas diria que só sobrou o bagaço. E até o bagaço eles ainda estão comendo!

Embarque nesse carrossel... E não saia nunca mais!


A novelinha infantil do SBT estreou em maio de 2012 e só chegou ao fim em julho de 2013, totalizando 310 capítulos. Já estamos em 2016 e Carrossel continua mais viva do que nunca:

Teve CDs (Volume 1, 2, 3 e sei lá mais quantas) e DVDs com as músicas da novelinha;


Gerou TODO tipo de licenciamento: cadernos, mochilas, bonecos, brinquedos, figurinhas, uniformes iguais ao da Escola Mundial, pra decoração de festa, lápis, canetas, canecas, sapatos e VÁRIOS outros produtos que certamente as suas crianças imploraram pra você comprar;


Teve shows com os atores mirins por todo o país;


Todo o elenco fez uma verdadeira via-sacra por todos os programas do SBT (ATÉ EM JORNALÍSTICO ELES MARCARAM PRESENÇA!!!), onde os personagens ganharam vida própria: os atores, ao invés de serem chamados pelo nome próprio, eram chamados pelo nome dos seus papéis, além de terem que ir vestidos e agirem como seus personagens. QUE MICÃO!


Rendeu um sping-off: Patrulha Salvadora, onde as crianças da Escola Mundial ganharam super-poderes e formaram um grupo destinado a solucionar mistérios e salvar outras crianças, com (muita) inspiração no Scooby-Doo e efeitos especiais de gosto duvidosíssimo. Parte do elenco da novela integrou o seriado, que teve quatro temporadas e foi cancelado por baixa audiência;


Teve o Clube do Carrossel, que era a mesma coisa que o Bom Dia & Cia, só que dentro da sala de aula da Professora Helena e com o Kokimoto e a Marcelina (sim, os personagens continuaram ganhando viva própria) no comando da atração. Não durou nem um mês no ar;


Foi reprisada DEZ DIAS APÓS SEU TÉRMINO e, devido à baixa audiência, deixou de ser exibida, sendo substituída pela Neila Medeiros, "a única jornalista capaz de apresentar sozinha o programa Aqui Agora, enfrentando Datena e Marcelo Rezende" (não conseguiu e o programa também saiu do ar sem mais nem menos em pouquíssimo tempo por causa do fracasso);


Teve desenho animado;


Está sendo reprisada atualmente e, por incrível que pareça, está sendo um sucesso. Tanto é que a audiência dessa reprise está melhor do que a da inédita Cúmplices de um Resgate e melhor até do que da própria novela em sua primeira exibição. As crianças já nem mais crianças são, tá!


Teve um filme ano passado;


Acabaram de lançar o segundo recentemente (e ainda vai ter outro ano que vem, já avisaram);


E ainda há boatos de que haverá uma "segunda temporada" de Carrossel, com o mesmo elenco da novelinha, só que com uma pegada mais teen, já que as crianças de outrora são adolescentes. Do jeito que as coisas estão, daqui a pouco vão lançar um Carrossel - Faculdade, só pode...

Os 10... 20... 30... 1000 Mandamentos!!!


Enquanto isso, as coisas na Record com sua novela bíblica também segue no mesmo nível de exploração (ou até pior), ganhando cada vez mais novas versões e produtos exclusivos, certamente aprovados por Deus, Jesus Cristo e o Espirito Santo. Vamos conferir:

 Embora já exista um livro escrito a milhões e milhões de anos que vem com a história completinha chamado Bíblia, lançaram uma versão de Os Dez Lançamentos em livro;


Aliás, também teve lançamento de Bíblia com capa especial da novela;


Teve Os Dez Mandamentos - O Musical, com novos atores no lugar dos da novela;


Não sei se na época em que passava a novela tinha esmalte de unha, mas pouco importa, você pode sair de casa com Os Dez Mandamentos nas suas unhas, graças a linha de esmalte da novela. Ter cor para você, irmã, usar no culto, na pregação, no descarrego e até na evangelização;


Afinal, vai combinar o esmalte com o que? Capa da bíblia? Não, tem bijuteria pra isso também.


E pra você lembrar de todos os dez mandamentos de Deus na hora que olhar para o seu irmão casado da igreja e sentir um fogo na bacurinha, tem pulseira também. Não vá pecar, hein!


Rendeu também camisetas e muitos outros tipos de produtos licenciados;


Ganhou uma versão para os cinemas: Os Dez Mandamentos - O Filme, que foi a mesma coisa que exibida na novela (falamos sobre ele AQUI), só com algumas cenas exclusivas que não mostraram na novela. Com 11,2 milhões de ingressos vendidos, é o filme de maior bilheteria da história do cinema nacional. Pena que os pastores não avisaram aos fiéis que eles tinham que ir ao cinema na hora marcada no tíquete (relembre AQUI). Será que as cadeiras vazias nas sessões esgotadas estavam com problema de encosto? Ou seria enganação de satanás? Mistéééério...


Para "comemorar" a páscoa, ganhou uma "nova versão exclusiva e especial" do filme, só que com quatro minutos a mais de cenas que não apareceram no cinema, nem na novela.


Teve um final deprimente (relembre AQUI) só para a Record pudesse fazer uma "segunda temporada" de Os Dez Mandamentos (e que foi uma grande porcaria, confira AQUI).


Peppa (um porco que parece um pinto), Galinha Pintadinha (uma clara alusão à macumba)... Isso parece bom para o seu filho? Não! Por isso, Edir Macedo já está providenciando uma versão em desenho de Os Dez Mandamentos para toda a família assistir unida na paz do Senhor.

Ah, e também vai ter Os Dez Mandamentos: Nova Temporada - O Filme (com previsão para o final do ano), que vai levar para o cinema tudo que aconteceu na segunda temporada da novela.

Esperando ansiosamente pelo DVD explicativo de como abrir o mar!


Ainda bem que Avenida Brasil não foi da Record, nem do SBT, ufa! Já pensou?

domingo, 10 de julho de 2016

O Melhor e Pior da Semana (26/6 à 9/7)




OBS.: Como expliquei lá na nossa fan page, tive que viajar por problemas de saúde e não pude escrever a nossa seção fixa de todo santo domingo com o melhor e o pior da TV da semana passada (26/6 à 2/7). Hoje, portanto, juntarei aquela semana com essa também (3 à 9/7).


   O MELHOR DA SEMANA   



O "despertar" de Velho Chico



Após um período arrastado, com poucos acontecimentos relevantes e um foco excessivo em questões políticas, Velho Chico vem mostrando uma benéfica mudança de rumo nos capítulos mais recentes. A novela ganhou novo fôlego com a revelação de que Miguel (Gabriel Leone) é filho de Santo (Domingos Montagner) e entrou em sua melhor momento desde a estreia, resultando em capítulos primorosos e atuações fantásticas. Falei mais detalhadamente sobre isso bem AQUI. Foi uma semana decisiva. Demorou, mas valeu a pena esperar pelo grande "despertar" da novela das nove. Velho Chico empolga quando carrega no drama com tintas de tragédia grega. Que a excelência apresentada continue se mantendo até o final da novela.

Racismo em Velho Chico



Vale ressaltar que a novela das nove também prestou um belo serviço com uma abordagem corajosa contra o racismo. No capítulo de quinta da semana passada (30/06), assim que Sophie (Yara Charry), namorada francesa de Miguel (Gabriel Leone), botou os pés na fazenda, Afrânio (Antonio Fagundes) ficou de queixo caído e disparou sem dó nem piedade: "Mas é uma negrinha! Precisava atravessar o Atlântico pra isso? Com o tanto que temos aqui". Que horror!

Quem ficou surpreso com a atitude e achou que Afrânio não podia ser racista porque tem uma filha negra, não entende nada sobre como o racismo funciona. Como o próprio disse, a filha dele é mais "clarinha". Na visão de Afrânio, um clássico coronel nordestino arcaico, aos negros só devem ser reservados em sua fazenda o espaço da roça e da cozinha. É o famoso "Não sou preconceituoso, mas (...)". Um pensamento que, infelizmente, vemos diariamente em todo lugar. O tremendo diálogo (entre muitos outros) que se seguiu e que permeou, praticamente, o capítulo inteiro discutiu o racismo de forma contundente e muito inteligente, amparado num texto bem escrito e inspirado e nas ótimas atuações de Antonio Fagundes, Gabriel Leone, Marcelo Serrado (Carlos), Lee Taylor (Miguel), Selma Egrei (Encarnação), Camila Pitanga (Isabel) e Cristiane Torloni (Iolanda). Uma pena que a aposta Yara Charry tenha deixado a desejar.

Núcleo de Giovanni, Camila e Bruna



O triângulo amoroso entre Giovanni, Camila e Bruna vem se tornando um dos pontos positivos principais de Haja Coração. Embora o par não seja exatamente um casal arrebatador, Agatha Moreira e Jayme Matarazzo têm boa sintonia em cena. A atriz tem feito boas cenas tanto nos momentos em que Camila se mostra grosseira, quanto nas sequências em que ela evita ao máximo lembrar-se de seu passado, ainda que se depare com lapsos que retomem estas memórias. Jayme, por sua vez, também convence em cena, apesar de interpretar mais um jovem revoltado e inseguro, o que é uma constante em sua carreira. Mas o destaque especial vai para Fernanda Vasconcellos. A talentosa atriz, com uma carreira marcada por papéis de mocinhas choronas, tem nas mãos a primeira vilã de sua carreira e, assim que Bruna descobre o romance de Giovanni e Camila, ganhou um merecido destaque, protagonizando ótimas cenas com os dois. A personagem vem se mostrando capaz de manipular friamente o casal um contra o outro, em virtude da rejeição que aos poucos vai se transformando em ódio. Estas sequências valorizaram ainda mais o talento de Fernanda, que já de algum tempo merecia um papel diferenciado como este. Mais situações vêm por aí, conforme Camila vai retomando a memória e Bruna vai agindo para separar o casal. E estas situações irão render mais boas cenas.

A nova loira do Trust




Desde que o Zorra se reinventou e deixou para trás o "Total" (com aquelas piadas prontas e previsíveis naquelas enquetes sem graça), o programa não só ganhou status, como também virou outro programa. Debochado, dinâmico, criativo. As sátiras políticas, então, viraram o ponto alto da atração. Na última semana, rolou o quadro A Nova Loira do Trust, parodiando a música "A nova loira do Tchan" e satirizando a mulher do Eduardo Cunha. A imitação impagável da Dani Calabresa, a caracterização perfeita dos personagens, o elenco bem afinado, a coreografia bem ensaidada, a ironia certeira para fazer rir e pensar, enfim. Foi simplesmente fantástico!

Bate e Volta com Mara e Catra



Já falei que acho original e inusitada a iniciativa da Band de colocar pessoas de estilos diferentes para trocarem ideia no Bate e Volta. O programa é bem interessante e agradável. A participação da Mara Maravilha com o Mr. Catra essa semana foi, sem dúvida, o melhor episódio. Os dois debateram e discordaram sobre assuntos como homossexualismo e drogas.

Urraca




Não é só a Thaís Fersoza que está dando um show como a terrível Maria Isabel em Escrava Mãe. Jussara Freire também está incrível na pele da Urraca. Embora esta seja mais puxada para a comédia, é daquelas vilãs que, por mais megera que seja, dá prazer de assistir. Adorando sua dobradinha com o filho Almeida (Fernando Pavão) e com a rival Rosalinda Pavão (Luiza Tomé). Depois da Donana em Pecado Mortal, mais uma vilã deliciosamente terrível para a sua carreira.

Criança Esperança


Com o sucesso do Teleton e os constantes boatos de que grande parte das doações sejam desviadas, de que a Globo usa as doações para reduzir impostos e mimimi, a emissora se viu obrigada a reformular o Criança Esperança para convencer o telespectador a participar da campanha promovida por uma emissora cujo lucro anual é de quase 3 bilhões de reais. Renato Aragão e cantores cederam espaço a outras atrações da própria TV Globo. Enquanto Silvio Santos é a marca máxima do SBT, a teledramaturgia caracteriza a imagem do canal platinado.


Por isso mesmo, achei louvável a ideia de trazer personagens históricos das novelas no chamado "mesão". Tieta (Betty Faria), Visconde de Sabugosa, Dona Benta (Nicette Bruno), Tia Nastácia (Dhu Moraes), Sassá Mutema (Lima Duarte), professora Clotilde (Maitê Proença), os vampiros Natasha (Claudia Ohana) e Matoso (Otávio Augusto), o galã Fabian (Ricardo Tozzi), Mamuschka (Rosi Campos) e Carretel (Nelson Freitas) pediram doações aos telespectadores. Foi uma oportunidade do público rever ícones da teledramaturgia brasileira. Nostalgia pura.

Caracterizados com seus respectivos personagens da Nova Escolinha do Professor Raimundo, Mateus Solano, Evandro Mesquita, Marcelo Adnet, Otaviano Costa, Fabiana Karla, Betty Gofman e Lúcio Mauro Filho também deram o ar de sua graça. Eles cantaram a música "Pelados em Santos" do saudoso grupo Mamonas Assassinas. Mais uma vez, a nostalgia se fez presente.

Mais de cem atores passaram pela bancada. O elenco platinado foi mobilizado. A Globo também acertou na escolha do quarteto que comanda o espetáculo. Dira Paes, Flávio Canto, Lázaro Ramos e Leandra Leal são personalidades que sempre defenderam a responsabilidade social.


O formato do Criança Esperança ficou bem mais interessante. O programa soube se atualizar e apresentou um harmonioso conjunto misturando entretenimento, projetos sociais e matérias emocionantes (destaque absoluto para a apresentação arrepiante de Alcione cantando o hino do funk "Rap da Alegria", numa versão mais lenta, ao lado de mães que perderam seus filhos para a violência), deixando aqueles shows frios e pirotécnicos de lado e trazendo um clima mais agradável e gostoso de se ver para um formato tão importante para as crianças do país.

A Terra Prometida




Com uma cronologia ousada, A Terra Prometida, nova trama bíblica da Record que vai dar continuidade a saga dos hebreus do Egito, quase pegou o telespectador de surpresa mostrando logo em suas primeiras cenas a quase queda das muralhas de Jericó, outra passagem emblemática da Bíblia que vai ser mostrada na trama. Não foi inovador, mas achei bem interessante mostrar o final da trama logo na estreia e, tal qual os seriados americanos, dar um retrocesso de seis meses, mostrando tudo que aconteceu até chegar aquele momento. 

A Terra Prometida não poderia ter estreado melhor. Ficou nítido que a trama teve um tratamento muito maior que o de Os Dez Mandamentos em todos os sentidos e, mesmo sendo uma continuação, vai traçar seu próprio caminho. Ao que parece, o grande trunfo de A Terra Prometida certamente será seu elenco. Nomes de peso como Beth Goulart e ex-globais contratados especialmente para a trama (como Igor Ricky, Cristina Oliveira, Elizangela, Kadu Moliterno e Paloma Bernardi) dão a credibilidade que faltou em Os Dez Mandamentos. Juliana Silveira (vilã Kalesi) e Miriam Freeland (prostituta Raabe) foram as donas da novela nessa semana inicial e mostraram que suas personagens serão os destaques femininos da trama.

Assim como em Escrava Mãe, a Record investiu (o que normalmente não acontecia) e apresentou uma animação com o resumo da luta de Josué (Sidney Sampaio) rumo à Terra Prometida, dando uma embalagem digna e bem criativa para a nova trama.


A Terra Prometida tem todas as ferramentas para agradar. Sem o ineditismo da fórmula da trama de Moisés, a novela vai ter que prender o telespectador por sua pura e simples boa trama.


   O PIOR DA SEMANA   



A morte de Raposo



Claro que sei que a morte de Raposo (Dalton Vigh) em Liberdade, Liberdade deve ter algum propósito para o andamento da (boa) história da trama. O autor não ousaria matar um personagem tão importante sem um propósito digno para o desenrolar dos acontecimentos. Quer dizer, assim espero, afinal, João Emanuel Carneiro matou a Djanira (Cássia Kis numa atuação magistral) em A Regra do Jogo e vocês lembram como ficou a novela, né? O personagem saiu de cena em grande estilo e o clima de luto rendeu cenas emocionantes. Mas o fato é que a novela das onze vai ficar muito mais pobre sem Dalton Vigh em um dos seus melhores momentos na TV. Dom Raposo era um personagem querido, merecia mais tempo na trama e poderia ter rendido muito mais (como seu romance mal resolvido com Virgínia/Lília Cabral, a relação com a filha Rosa/Andrei Horta e o pequeno Caju/Gabriel Palhares e, principalmente, a reação quando o filho André/Caio Blat se descobrisse gay). Uma pena.

Dublagem pavorosa do Batalha de Cozinheiros



Muito ruim essa dublagem do Buddy Valastro. A voz do dublador não combina em nada com o gringo. O chef para de falar e a voz ainda sai na sua boca. Mistééééério! Estranhíssimo acompanhar uma disputa com brasileiros e um apresentador dublado. E o ritmo deve ser truncado na gravação. Valastro fala em inglês e os competidores (usando um ponto eletrônico) respondem em português. Imaginem só o trabalho árduo na tradução simultânea que é cortada na edição... De resto, o programa não apresentou nada de atrativo. Ainda mais se formos compará-lo com outro reality concorrente no horário, MasterChef. Péssima estratégia da Record em colocar sua atração no mesmo dia e horário que o sucesso culinário da Band. São duas atrações bem parecidas. Com a diferença de que o programa de Fogaça, Paola e Jacquin já está consolidado na audiência e na preferência do público e é realmente atrativo.

Mega Senha Sidney Oliveira



O Mega Senha, game show (muito bom, por sinal) da Rede TV!, foi rebatizado. A partir de agora, ele passa a ser chamado de... Mega Senha Sidney Oliveira!!! Oi?! Sim, é isso mesmo. Que título mais ridículo, viu... Para quem não sabe, Sidney Oliveira é o nome daquele dono da rede de farmácias Ultrafarma. Homenagem? Nada disso. Trata-se de uma mega ação de marketing, envolvendo um valor que gira em torno de 1,5 milhão de reais POR MÊS para a Rede TV! de patrocínio da Ultrafarma. Mas que título mais esdrúxulo, né? Ah, se isso vira moda no canal... O A Tarde é Sua ia virar A Tarde é Sua, da Top Therm e do Ômega 3! Bem cafona!

Final de Os Dez Mandamentos




Os Dez Mandamentos chegou ao fim proporcionando surpresas nada agradáveis ao telespectador e com um ar totalmente amador e tosco, sem o mínimo de cuidado e esmero. A produção, como um todo, dessa segunda temporada foi desastrosa e decepcionante, mas os capítulos finais foram de uma precariedade total, com caracterizações a base de talco para envelhecer atores jovens e uma batalha sangrenta sem nenhuma gota de sangue. Falei mais detalhadamente sobre isso AQUI. A cena final mostrou a morte de Moisés (Guilherme Winter). Ele sobe no Monte, já perto de Jericó, para ali morrer e ser enterrado pelo próprio Deus, até que o Arcanjo Miguel trava um duelo contra o diabo pelo corpo de Moisés. A sequência tinha tudo para ser antológica e encerrar essa temporada com dignidade, mas o que se viu, mais uma vez, foi de total amadorismo. A batalha do bem e do mal se resumiu a uma lutinha pobre de desarrumados ninjas titãs de causar vergonha alheia em Power Ranger e Karatê Kids. Até a Sonia Abrão (defensora incansável da trama) detonou a cena. Triste fim para a saga de Moisés!

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Os Dez Mandamentos - Nova Temporada: o nosso 7x1 da teledramaturgia em 2016




Há exatos 2 anos, o Brasil inteiro parava perplexo na frente da TV ao assistir a mais inesperada e vergonhosa goleada da história do futebol brasileiro. Em plena Copa do Mundo de 2014, perdemos dentro da nossa própria casa para a Alemanha por 7 gols a 1. Dói até hoje na nossa alma. Mas o 7x1 foi pouco. E ele não está só no futebol. Está na teledramaturgia também.

Nesta segunda-feira (04), Os Dez Mandamentos – Nova Temporada chegou ao fim. Aleluia, irmãos! A novela até alcançou um bom patamar nos índices de audiência, entre 15 e 17 pontos. Porém, o resultado artístico ficou muito aquém de um resultado satisfatório. Sem dúvida nenhuma, foi a pior produção desde o início da aposta da Record em histórias baseadas na Bíblia. Durante três meses, a novela desfilou pela tela uma enrolação sem fim, numa trama mal elaborada, com personagens pessimamente desenvolvidos, atores nitidamente desmotivados, sem um pingo de emoção e vitalidade da sua temporada anterior. É o nosso 7x1 do ano na teledramaturgia! Confira os 7 pontos negativos e o único positivo dessa tosqueira.

1x0: Título equivocado


A novela já começou toda errada. Disposta a continuar espremendo o sucesso da saga de Moisés até o bagaço, a Record ludibriou os telespectadores ao não exibir a conclusão do momento em que Deus entrega a Moisés as duas tábuas da Lei, deixando-o para o primeiro capítulo desta nova fase. Só que esta nova fase não teve nada de "os dez mandamentos" e sim relatou o longo êxodo no deserto, que durou 40 anos segundo a Bíblia. Portanto, chamar esta história de Os Dez Mandamentos é um equívoco tremendo. Teria sido bem melhor se a novela tivesse terminado com a abertura do Mar Vermelho. Assim, ela fecharia o ciclo no Egito e teria iniciado outro nessa nova fase com a luta dos hebreus no deserto para chegarem à Terra Prometida. As leis, em si, por exemplo, foram abordadas superficialmente, tratadas quase sempre em segundo plano. Mas esperar coerência da Record é pedir muito, né?

2x0: Efeitos especiais toscos



Faltou apuro técnico para disfarçar os efeitos de chroma key, utilizados à exaustão nas cenas dos hebreus caminhando pelo deserto. Lembraram os toscos efeitos especiais da trilogia Os Mutantes, que, ao menos, era engraçada de tão tosca que era. A esperada cena da terra se abrindo e engolindo Corá que o diga (falei mais detalhadamente sobre isso AQUI).

3x0: Catequização excessiva


Ok, é baseado na Bíblia, mas poderia ter tido uma veia menos panfletária, né? A Record já é um canal que aposta no público religioso. Explicitar isso é complicado quando se tem pessoas que não são tão religiosas assim assistindo à trama. Uma novela bíblica precisa conseguir ser respeitosa à Bíblia e ao mesmo tempo fazer uma obra de ficção. Tem que ser entretenimento puro antes de tudo. Era como se a gente estivesse sendo catequizado a cada capítulo.

4x0: Besteirol



Nunca uma produção bíblica afrontou tanto as Escrituras. Quanta blasfêmia, Record! Uma história considerada sagrada deu lugar a tramas desinteressantes e sem noção. Que fique bem claro: adaptar uma história bíblica para novela criando novas histórias e personagens (como aconteceu na primeira temporada, que cativou com o puro e simples folhetim, porém, regado a muita história da Bíblia) é uma coisa; agora, fazer perder seu contexto bíblico, é outra coisa totalmente inadmissível. A autora Vivian de Oliveira pesou a mão no melodrama açucarado. Enquanto cozinhava em banho-maria o final da saga dos hebreus rumo à terra prometida, a novela se limitou a mostrar namoricos, rejeições, dúvidas sobre intenções amorosas, adultério, virgindade, casamentos, beijos, paqueras e disputas amorosas. Esse tipo de assunto tratado numa trama bíblica acabou descaracterizando-a. Virou um tremendo besteirol. Se ainda fossem boas histórias, eu até daria um desconto. Mas não. Essas historinhas de amor me deram sono.

5x0: Erros grotescos na escalação do elenco


NÃO PARECE, MAS É MÃE E FILHO!

Leila (Juliana Didone) e Bezalel (Igor Cosso), que interpretaram mãe e filho, poderiam facilmente interpretar um casal em outra novela. Ela, 31 anos (mas com rostinho de vinte e pouco), sendo mãe de um galalau de 25. No mínimo, surreal! E os exemplos não param por aqui. Rayana Carvalho, no papel de Adira, sendo mãe de Raya, cuja intérprete parece ser mais velha do que ela. Marcela Barrozo (Betânia) sendo mãe da atriz Ray Erlich (Talita), sendo que as duas tem (e aparentavam) a mesma idade. Erros crasos de escalação. O ator que fazia Calebe, Rodrigo Vidigal, foi substituído na passagem de tempo por outro, Milhem Cortaz, que, por sua vez, já havia participado da novela, como um vilão egípcio, Bomani. É a crise? Tá faltando ator?

6x0: Texto demasiadamente didático


Formal demais, reverencial demais, teatral demais, sofrível demais...

7x0: Produção amadora


A Record enche a boca para dizer que Os Dez Mandamentos é uma "super" produção, mas o que se viu na tela foi uma produção extremamente amadora. Isso porque cada capítulo custa cerca de R$700 mil, hein... A queda da qualidade da produção da primeira temporada para a segunda foi brusca. Os cenários do palácio do Rei Balaque (Daniel Alvim), com um ambiente escuro e artificial, comprovam tal assertiva. Os figurinos, adereços e objetos de cena pareciam recém-saídos da embalagem. Só faltava aparecer a etiqueta com o preço. Ficou super fake.


Aliás, tenho uma dúvida: já existia tinta para cabelo em pleno Egito Antigo antes de Cristo?!


Provavelmente, a Record deve ter gastado toda a verba dessa segunda temporada na abertura da terra e acabou faltando dinheiro para investirem em figurantes e maquiagem, porque só isso explica essa caracterização capenga e mal feita ao envelhecerem os atores. Para começar, basta observarmos o baixo número de figurantes. Não tem deixado de contar a história de Moisés com os poucos atores e atrizes, principalmente, quando é preciso mostrar a multidão peregrinando pelo deserto e nas batalhas contra os reinos inimigos. A impressão que deu é que os hebreus se resumiam em algumas dezenas de pessoas, quando, na verdade, eram milhares.

A falta de infra-estrutura ficou clara no penúltimo capítulo, com a dura batalha entre o exército israelita contra os soldados do Reino de Moabe. O campo de batalha foi uma vergonha. Primeiro, por causa do baixo número de atores envolvidos na luta. Era para ser um imenso campo de batalha com muitos soldados contra os homens hebreus, mas o que vimos foi um número baixíssimo de profissionais tentando dar emoção à cena. Segundo, porque faltou criatividade da parte do diretor Alexandre Avancini. Praticamente, todas as batalhas foram sequências bem longas em câmera lenta, marcadas por uma trilha sonora bastante pontuada e coreografia preguiçosa (os golpes eram quase sempre todos idênticos). E para piorar, uma batalha sangrenta não teve sequer uma gota de sangue. Mesmo quando alguém era ferido pela espada, mesmo quando ela entrava e saía da barriga dos soldados, mesmo quando algum hebreu caia no chão ferido pela lâmina, nenhum sangue foi visto. E não foi a primeira vez.


Mas o envelhecimento dos atores foi, sem dúvida nenhuma, o ápice do amadorismo e do constrangimento nessa nova temporada. Após a morte do vilão Corá e de meio elenco, engolidos pela terra após se rebelarem contra as ordens de Deus, a novela avançou no tempo em 38 anos. Obviamente, as crianças e os jovens cresceram e viraram adultos e os adultos de outrora se tornaram idosos. A produção, porém, achou que bastariam colocar perucas e barbas grisalhas nos homens, mechas brancas por toda a cabeleira das mulheres e os personagens idosos andarem curvados e recitarem o texto sussurrando para fazer jus à idade avançada e pronto, seria o suficiente para convencer o público da passagem de tempo. Só que não!

As hebreias podem ter envelhecido os fios, mas continuaram com a mesma cara de novinhas. Cadê as rugas? Cadê os traços faciais envelhecidos? Cade o pescoço, as mãos, os pés, enrugados? Os hebreus envelheceram, mas continuaram com o mesmo vigor físico de antes. Aarão, por exemplo, no auge dos seus 123 anos, teve forças para escalar um monte inteiro. Será que ele tomou a sopa mágica da Mamuska de Da Cor do Pecado? E o que dizer de Josué, o único do elenco que não envelheceu na trama? Incrível! Haja formol! E haja talco para tacarem na cara dos atores na tentativa (fracassada) de deixá-los parecendo anciões. Ficou medonho.

7x1: As exceções do elenco irregular



Denise Del Vecchio (emocionante como Joquebede do início ao fim, até na hora da sua morte), Petrônio Gontijo (Arão), Leonardo Vieira (Balaão), Larissa Maciel (Miriã), Marcela Barrozo (Betânia) e Victor Hugo (perfeito como o vilão-mor Corá) foram os únicos atores que se destacaram em meio a um elenco irregular e tiveram uma atuação acima da média. Quanto ao resto, alguns foram apenas medianos; outros, péssimos (como o canastríssimo Dudu Azevedo).


Que A Terra Prometida recupere o esmero perdido com o início da jornada dos hebreus à Canaã.

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