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sábado, 6 de maio de 2017

Vade Retro está mais para 'O Dentista Mascarado' do que para 'Os Normais'



Quem esperava encontrar um novo Os Normais deu com a cara numa reedição de O Dentista Mascarado com toques de terror a la Zé do Caixão. Vade Retro estreou há três semanas e lembra pouco dos grandes trabalhos da dupla Alexandre Young e Fernanda Machado na TV. A nova série da Globo usa do humor para retratar as ideias maniqueístas de bem e mal, mas a julgar pelos três primeiros episódios, a produção precisa investir menos no sobrenatural e focar mais na trivialidade do cotidiano — coisas que Alexandre e Fernanda faziam como ninguém com Rui (Luiz Fernando Guimarães) e Vani (Fernanda Torres).

Desta vez, os autores resolveram brincar com o sobrenatural, usando da linguagem dos filmes de terror para fazer comédia. Não faltam elementos sacros e religiosos na nova aposta, que mostra a relação entre uma advogada que foi beijada pelo Papa quando criança, a doce Celeste (Monica Iozzi), e um empresário misterioso que mais parece o próprio diabo, que carrega o singelo nome Abel Zebu (Tony Ramos).

Verdade seja dita, Monica não é tão genial atuando quanto apresentando. Mas é correta, tem bom timing para o humor e convence bem fazendo um tipo meio sem graça e que carrega certa ingenuidade. Por outro lado, Tony Ramos usa todo o seu arsenal para fazer um Abel verdadeiramente diabólico. O ator usa o carisma que lhe é peculiar para dar a Abel Zebu um charme todo especial. Juntos, a dupla funciona bem, provocando um magnetismo interessante. Mas são Cecília Homem de Mello — que vive a simpática Leda, mãe de Celeste, senhorinha dona de uma língua afiada — e Maria Luísa Mendonça — trazendo mais uma desajustada (Lucy Ferguson, mulher de Abel) deliciosa à sua já ampla galeria — que roubam a cena.

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O grande problema de Vade Retro, porém, está na construção do texto. O maior trunfo de Os Normais eram os diálogos rápidos e cheios de ironia e humor corrosivo. Por ser uma comédia de costumes sobre a vida de um casal, gerou identificação imediata e tornou Rui e Vani fenômenos. Depois deles, Alexandre e Fernanda fizeram sátiras sem tanta identificação. Eles brincaram com o mundo das celebridades em Minha Nada Mole Vida, com o cinema-catástrofe em Como Aproveitar o Fim do Mundo, com as histórias em quadrinho na péssima O Dentista Mascarado e até retornaram ao mundo dos casais (desta vez, com narrativa de documentário) em Separação!?. Ou seja, tais séries vinham propondo universos satíricos que agradavam quem estava inserido no segmento satirizado, mas não fazia muito sentido para o espectador não familiarizado com tais universos, daí Alexandre e Fernanda jamais repetirem o sucesso de Os Normais.

Com Vade Retro, não está sendo diferente. Quando adentram na trama fantástica, os autores precisam ser um tanto didáticos para explicar as situações absurdas. E isso soa forçado, às vezes. No entanto, sempre que brincam com as periculosidades sociais, os dois conseguem diálogos debochados e bem-humorados. Piada precisa de ritmo, de timing. Lentas e de conteúdo pouco inspirado, as falas passam longe da esgrima verbal que se espera de uma comédia, especialmente as de Celeste. Ainda dá tempo de corrigir!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

O Melhor e o Pior da Semana (8 à 14/01)




   O MELHOR DA SEMANA   


Vera Holtz


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E Magnólia finalmente disse a que veio e entregou o que prometeu: uma vilã sádica e ambiciosa e, ao mesmo tempo, apaixonada e passional capaz de matar com frieza e, pouco depois, fazer uma oração como se fosse a mais pura das carolas. São essas contradições que a tornam tão interessante e complexa.

Em capítulos recentes de A Lei do Amor, Vera Holtz exibiu uma performance esplendorosa e cheia de energia. Tirou a personagem do marasmo a que ficou acorrentada na maior parte dos três meses no ar. As chamadas veiculadas antes da estreia criaram a expectativa de uma nova Carminha: uma vilã sarcástica com potencial de seduzir os noveleiros e ofuscar mocinhas e heróis ao seu redor. Porém, a trama de Magnólia foi mantida estática por tempo excessivo. A personagem carecia de ação dramaturgia e perdeu espaço para Tião (José Mayer), esse sim, alçado ao posto de vilão-mor da trama (embora sem o mesmo charme e ambiguidade que ela). Problema agora corrigido! Apaixonada pelo genro e amante, Ciro (Tiago Lacerda), foi capaz de matar Beth (Regiane Alves) ao descobrir que os dois tinham um caso, em uma sequência aterrorizantemente excelente; assumindo, assim, para si a condução dos principais enredos do folhetim.

Com uma galeria de ótimos tipos na TV, Vera Holtz ganha com atraso a oportunidade de fulgurar em sua primeira grande antagonista. A injeção de atitude dada pelos autores em Magnólia é o que a atriz precisava para presentear os telespectadores com mais uma atuação irretocável. A Lei do Amor voltou a empolgar!

Homenagem ao retorno de Laura Cardoso na novela das seis


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Oxente, my good! SOL DORMENTE NO MELHOR DA SEMANA?! Sim, por incrível que pareça, pode acreditar! Esta semana, para a felicidade de todos, Laura Cardoso voltou em cena em Sol Nascente e foi aclamada e aplaudida por todo elenco já caracterizada como a Dona Sinhá, com direito a piscadinha de olho para o público. A cena nada tinha a ver com a trama, mas foi uma espécie de homenagem (bem bonita, criativa e divertida) dos autores ao retorno da grande atriz, que havia se afastado da trama por problemas de saúde e a possibilidade da sua volta antes do término de Sol Nascente já estava quase fora de cogitação. A vovó do mal é a ÚNICA personagem interessante e que gera algum tipo de empatia nessa novela e o retorno de Laura merece ser comemorado, pois só ela consegue amenizar o marasmo da história.

O falso sequestro de Néia



Perceberam que, de uns tempos pra cá, a Ana Beatriz Nogueira só anda interpretando o mesmo tipo, o de mãe possessiva e controladora? Foi a Eva de A Vida da Gente, a Emília de Além do Tempo e, agora, é a Néia de Rock Story. Dessa vez, mais puxado para o lado cômico. Em todos os casos, porém, Ana sempre consegue roubar a cena e vem se mostrando um dos maiores destaques da atual novela das sete. Hilárias as cenas de Neia no cativeiro enquanto forjava o próprio sequestro (que acabou virando de verdade).

Primeira semana de Dois Irmãos


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A minissérie Dois Irmãos, adaptação do romance de Milton Hatoum, chegou mostrando a que veio e prendendo a atenção do telespectador; não somente pela história arrebatadora e tumultuada dos dois irmãos gêmeos, pela produção da mais alta qualidade e ótima execução do elenco (onde todos se saíram bem, em especial, Juliana Paes e o estreante Matheus Abreu), mas também por conta da dificuldade no entendimento de determinados diálogos. Assim como em Velho Chico, Meu Pedacinho de Chão e Hoje é Dia de Maria, a títulos de exemplo, Luiz Fernando Carvalho imprime sua marca e estilo único, o que o torna um dos melhores diretores da teledramaturgia brasileira. Detalhista ao extremo na seleção de tomadas, trilha sonora, técnicas e produção no geral, ele também extrai o máximo da capacidade de seu elenco. Como resultado, eis um ponto negativo em Dois Irmãos: de tão visceral o desempenho dos atores, a dicção deles é afetada. Às vezes, é quase impossível entender simples palavras ou frases inteiras. É preciso aumentar o volume do aparelho de TV ou ativar as legendas para uma melhor experiência. Com alta carga dramática, os gemidos, choradeiras, gritos e sussurros, em meio ao texto e interpretações, testam a atenção do telespectador. Problemas à parte, nada que diminua o (ótimo) resultado final da minissérie.


     O PIOR DA SEMANA     


As substitutas de Ana e Fátima



Mais Você e Encontro seguem ao vivo, mesmo com as férias das titulares: Cissa Guimarães faz as vezes de Ana Maria Braga, enquanto Ana Furtado se junta ao elenco do Encontro (sem Fátima Bernardes). O problema é que as duas deveriam rever melhor as suas substitutas e escalarem outras menos chatas e falastronas. Sinceramente, não sei porque a Globo insiste tanto na Ana. Pelo menos, no vídeo, ela só transparece antipatia e carisma zero. Ah, lembrei: ela é esposa do Boninho, nome de peso dentro da Globo... Já a Cissa é muito esganiçada, grita a todo momento, tudo que dizem ela emenda com um "Adooooooro" bem falso. É irritante! PELAMORDEDEUS, VOLTA ANA, LOURO JOSÉ E FÁTIMA!!!

Drama de Nicolau


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Vocês sabem muito bem que eu amo Rock Story e considero-a a melhor novela inédita em exibição atualmente (listei até seis motivos porque acho isso, que pode ser conferido AQUI). Porém, tem uma coisinha na trama que não amo tanto assim e me parece uma afronta a inteligência do telespectador: a fantástica história do menino que esconde que tem câncer!!! Desde o início, essa história do Nicolau (Danilo Mesquita) me intriga e só veio ser descoberta essa semana. Como uma pessoa esconde um câncer da família? Como esse menino se tratou sem revelar o que estava acontecendo pros pais? Sério que ele seguiu vivendo a vida com uma doença séria, sem fazer direito o tratamento adequado e que isso só mudou depois que ele magicamente conheceu outra pessoa que tem câncer? A trama toda não faz o mínimo sentido e parece estar meio deslocada dentro da história. Qual é a real necessidade de colocar um personagem que esconde uma doença séria dos pais? Não colou! Isso sem contar que já faz coisa de dois meses que o médico falou pra ele que a doença tava avançando e ele seguiu fingindo que nada aconteceu.

domingo, 8 de janeiro de 2017

O Melhor e o Pior da Semana (1 à 7/01)




   O MELHOR DA SEMANA   


Raízes na Globo



Baseada no livro homônimo de Alex Haley, Raízes faz um retrato histórico da escravidão nos Estados Unidos através da saga de uma família que luta para sobreviver, resistir e continuar seu legado, enfrentando dificuldades abissais e muita crueldade. A história conta a vida de Kunta Kinte (Malachi Kirky), jovem guerreiro de uma tribo africana que é capturado como escravo, e acompanha também as vidas da filha, do neto e do bisneto de Kunta, a luta pela liberdade da família, e passa pelas mudanças políticas e sociais até chegar ao fim da escravidão. A história de Kunta Kinte faz eco na de milhões de norte-americanos de origem africana e revela poderosas verdades sobre a resistência universal do espírito humano. Rodada na África do Sul e New Orleans, a superprodução tem um sublime trabalho de fotografia, de edição, de montagem, de roteiro e de atuação. Trata de forma visceral todo o processo de escravidão nos Estados Unidos. Tremendo acerto da Globo em ter comprado os direitos autorais e exibido a série. Imperdível!

Sem Volta


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Mesmo sem ousar muito no início, Sem Volta, nova aposta da Record que felizmente foge do filão bíblico (aleluia!), buscou uma simbiose entre o formato das consagradas séries internacionais e o padrão de novelas sacramentado no Brasil. Seja para atrair o público de séries, seja para aguçar o paladar dos adeptos da TV, Sem Volta mergulhou num toma lá, dá cá de recursos dos dois formatos. Uma mistura que, para a nova aposta, não pegou tão mal e não se deu de forma agressiva aos nossos olhos, mas ficou evidente.

Na lista de "coincidências" de Sem Volta, estão tomadas que se aproximavam das feitas nas séries norte-americanas e aqui se uniram a trilhas sonoras eloquentes, empregadas mais na teledramaturgia. Também estão presentes flashbacks utilizados em excesso em muitas séries e pouco vistos na TV brasileira, mas que abandonaram a sutileza e precisaram entregar-se como tais, assumindo uma paleta de cores alaranjada, diferente da paleta do "tempo presente", para não confundir o público mais distraído (o que achei de uma tremenda bobagem e subestimação). Em outras palavras, Sem Volta bebeu e se fartou em Lost!


Vale ressaltar ainda que faltou capricho nos efeitos especiais, percebidos descaradamente (como nessa imagem acima, onde o chorme key é gritante). Erraram rude! Por outro lado, a trama abocanhou pontos fortes, como o roteiro e a atuação, e faturou por isso. Até aqui, a série não "inventou a roda", mas agradou e, mesmo sendo uma colcha de retalhos, tem potencial para dar certo ou abrir caminho para novas produções do gênero, com chances de se tornarem bem-sucedidas e de caírem no gosto.


     O PIOR DA SEMANA     


Sérgio Marone no comando do Hoje Em Dia



Não adianta. Seja atuando ou apresentando, Sérgio (Canastrone) Marone não consegue se livrar do encosto Cigano Igor. Ele estreou na primeira segunda (02) do ano no Hoje em Dia para cobrir as férias de César Filho, titular do matinal ao lado de Ana Hickmann, Renata Alves e Ticiane Pinheiro. A função do ator é comandar a parte jornalística do formato e ele tem demonstrado necessitar de bastante auxílio da direção. Se o programa já era engessado, piorou. Até pra dar um "Bom dia" e quebrar o gelo nas frases iniciais, Sérgio parece estar usando um texto pronto. Nervoso e robótico, ele se posiciona pior até que Dudu Camargo, aposta bizarra de Silvio Santos; copiando os trejeitos de diversos profissionais. Se a intenção do Sérgio é seguir a trilha de sucesso de Rodrigo Faro e Marcio Garcia, vai precisar melhor muuuuito!

A Cara do Pai



Apostando numa comédia simples e dois atores com grande presença cênica (Leandro Hassum e Mel Maia), A Cara do Pai não trouxe nada de novo. O enredo soou até batido: um pai separado tenta agradar a filha em seus finais de semana juntos, mas ela é uma pré-adolescente que tem vergonha do pai e suas atitudes infantis. A espinha dorsal explorou o já conhecido pai infantilizado e meio moleque, em contraposição a uma menina precocemente madura. Ou seja, A Cara do Pai seguiu religiosamente a cartilha das sitcoms familiares, sobretudo aquelas que subvertem os papéis entre pais e filhos. Porém, faltou o primordial para qualquer comédia: fazer rir! Tudo muito chato e engessado. Já chegou ao fim e não deixou saudades...

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

O Melhor e Pior da Dramaturgia em 2016



Pensaram que tinha esquecido a retrospectiva? Nananinanão! Curada completamente a minha ressaca do ano novo, hoje vou relembrar o que rolou de bom e ruim na dramaturgia em 2016 (lembrando que Rock Story e Carinha de Anjo, que estrearam no final de 2016, entrarão só na retrospectiva do ano que vem).


   O MELHOR DA DRAMATURGIA EM 2016   



13º lugar: Malhação - Pro Dia Nascer Feliz — É infinitamente melhor que a temporada passada, Seu Lugar no Mundo, sim ou com certeza? Com certeza! Embora tenha perdido um pouco de rumo nos últimos meses, o enredo central dessa Malhação é muito melhor estruturado, apresentando desdobramentos que despertam interesse, além de ter tipos mais simpáticos e uma vilã bem construída.

12º lugar: A Terra Prometida — Escapando da evangelização e da pregação, a trama impressionou pelo caráter folhetinesco, se mostrando mais novela e menos bíblica. A ação que predomina em grande parte da história, por exemplo, segue muito mais como uma saga épica do que como um drama bíblico, apesar de beber na fonte da Bíblia. Além disso, mostra uma evolução visível da Record neste segmento em relação a antecessora, Os Dez Mandamentos: sua produção é mais esmerada, reduzindo efeitos que beirem à tosquice (embora ainda haja algumas cenas assim), um elenco mais afinado e um texto mais natural.

11º lugar: Mister Brau — Tocando em feridas abertas como racismo, desigualdade social e preconceito, porém, de um jeito leve, inteligente, com muito humor, diálogos afiadíssimos e zero cara de merchandising. Muito mais do que o discurso social, a série tem seu mérito no entretenimento a que se propõe. Equilibrada, ela diverte e ao mesmo tempo não deixa de dar voz às diversidades brasileiras.

10º lugar: Conselho Tutelar — A série produzida pela Record mostrou casos de violência e abusos contra crianças afim de estimular denúncias a respeito com uma ótima consistência técnica e bem realista; e se destacou no cenário nacional, deixando a sensação de que merecia mais uma temporada (e vai ter).

09º lugar: Pé na Cova — Verdade seja dita, a série já estava mesmo na hora de parar. E com a morte de Marília Pêra, isso era inevitável. Com a última temporada já toda gravada, os momentos finais da trama ainda puderam contar com a presença da grandiosa atriz e, prevendo o que ocorreria, Miguel Falabella, com seu texto afiado, inteligente e poético, conduziu tudo em um tom tocante de despedida, melancolia e homenagem. Do início ao fim, o seriado caminhou muito bem nessa corda bamba entre o humor e o drama. Nesta última temporada, em especial, conseguiu extrair o nosso riso e o nosso choro, ao mesmo tempo.


08º lugar: Ligações Perigosas — Com ótima fotografia, estética luxuosa, boas atuações e erotismo sutil, a série fez 2016 começar o ano com pé direito no que diz respeito à dramaturgia. Ocorreram problemas com os ganchos antes dos comerciais e nos finais dos capítulos (sempre terminados de forma abrupta), mas acho que foi mais um problema de edição do que do roteiro. Os diálogos eram cativantes, sempre mesclando sedução, amoralidade, inocência e crueldade com extrema habilidade. A autora Manuela Dias conseguiu abrasileirar o clássico francês e, mesmo sem a nudez de corpos, a minissérie chocou mostrando o lado mais doentio do ser humano na arte de seduzir e de se deixar seduzir, despindo almas.

07º lugar: Eta Mundo Bom — Ou você embarcava na total despretensão da novela (deixando de lado os vícios do autor e de parte do elenco) e acabava se divertindo com o universo criado por Walcyr Carrasco ou fincava o pé no perfeccionismo e torcia o nariz para as inúmeras repetições e problemas que a trama apresentou. O público preferiu a primeira opção. E eu também. Walcyr pode até ter dado uma repetida na sua já tradicional fórmula de novela das seis repleta de tortada na cara, gente sendo jogada no chiqueiro, entre outros clichês seus, mas essa historinha água com açúcar alegre e otimista era a história que o Brasil precisava e queria ver em tempos de noticiário carregado de violência, tragédias e escândalos das mais variadas origens. Foi um "feijão com arroz" requentado que deliciamos como um manjar dos deuses.

06º lugar: Escrava Mãe — Gravada em 2015 e sucessivamente adiada, a história marcou a retomada da Record de produções fora do filão bíblico (aleluia!) e provou que a emissora estava muito errada em não tê-la exibido logo antes. A edição de cada capítulo é caprichadíssima e há cenas que parecem feitas para o cinema. Além disso, aposta fundo em ingredientes folhetinescos: não abre mão dos ganchos, nem tampouco de deixar bastante claro quem é bonzinho ou malvado na história. O maniqueísmo não cede espaço para nuances de caráter e ali também não há lugar para invencionices narrativas. É justamente aqui o ponto alto da história: sem fugir do feijão com arroz, Escrava Mãe mostra-se uma novela correta e uma boa referência de junção histórica e ficcional, sabendo entreter e retratar a escravidão na medida certa.

05º lugar: Liberdade Liberdade — Marcada pelo capricho estético (mostrando um Brasil imperial sem glamour, com uma realidade nua e crua em cenas pra lá de chocantes) e pela primeira cena de sexo gay entre dois homens na história da teledramaturgia, teve altos e baixos. Começou sonolenta e excessivamente didática, com uma trama que andava em círculos enquanto a história principal se desenvolvia lentamente. Só não caiu no tédio porque tinha ótimos trunfos na manga que faziam valer a pena. Quando finalmente se estabeleceu, entrou num ritmo alucinante e de tirar o fôlego, apresentando tudo aquilo que ficou devendo nos meses iniciais: uma trama ágil e coerente com ligação histórica. Terminou com um saldo positivo, mas deixou aquele gostinho de que poderia ter rendido muito mais.

04º lugar: Velho Chico — Um espetáculo em forma de novela; que já entrou para a história como uma das mais belas e inspiradas já produzidas na nossa dramaturgia. Pelo menos, tecnicamente falando. Texto sensível. Fotografia espetacular. Cenários belíssimos. Trilha instrumental fantástica. Direção esplendorosa. Atores (praticamente todos) impecáveis. Cenas (praticamente todas) memoráveis. O telespectador ficou encantado. Porém, "dramaturgicamente" falando, se mostrou irregular, vagarosa e angustiante, com um excessivo foco na política e questões sociais durante um bom momento. De qualquer forma, gostei que, mesmo com a audiência baixa, Velho Chico, ao contrário de c.e.r.t.a.s.n.o.v.e.l.a.s que estão nessa lista (leia mais embaixo), não se descaracterizou em momento algum por números no Ibope. Venceu a arte!


03º lugar: Totalmente Demais — Egressos de duas temporadas de Malhação, Rosane Svartman e Paulo Halm fizeram sua estreia novelística com a novela mais empolgante do ano. Totalmente Demais possuia uma trama das mais simples e despretensiosas, com a atualização de um conto de fadas mais do que conhecido (o da gata borralheira). Entretanto, logo foi ganhando público, se tornando um fenômeno de audiência e repercussão e o maior sucesso do horário das sete desde Cheias de CharmeA novela veio atolada na fantasia, reunindo velhos clichês do folhetim numa roupagem moderna, bonita e atraente, com a leveza e comicidade que o horário pede, repleta de personagens carismáticos e casais apaixonantes.

02º lugar: Reprise de Cheias de Charme — Está sendo um prazer rever atualmente uma das melhores novelas dos últimos tempos no Vale a Pena Ver de Novo. Marcada pelo humor, criatividade e originalidade, a trama parodia os pequenos dramas humanos através de personagens cativantes e queridos e tramas alegres intercaladas com o mais puro dramalhão. "Levo vida de empreguete, eu pego às sete"...

01º lugar: Justiça — Inovadora, ousada, inteligente, imprevisível... Me faltam palavras para descrevê-la. Do texto à direção, passando pela performance sensacional dos atores, fotografia, figurino, maquiagem, cenários e trilha sonora. Tudo esteve em seu devido lugar em Justiça, que se traduziu na melhor das melhores produções que a televisão brasileira já realizou nos últimos anos. Mostrando um jeito diferente de se ver TV ao fugir da lógica da narrativa linear, com quatro histórias fortes e diferentes sobre os limites do ser humano na busca pela justiça se interligando a todo momento, Justiça teve o raríssimo mérito de combinar audiência e repercussão com qualidade, que traz o público para dentro da tela e o faz pensar, se questionar, se colocar no lugar dos personagens, refletir sobre suas ações. É verdade que algumas histórias se perderam e outras tiveram muitos furos, mas isto não comprometeu o bom resultado.


   O PIOR DA DRAMATURGIA EM 2016   



12º lugar: Haja Coração — Pode ter mantido o sucesso da sua antecessora, Totalmente Demais, trazendo elementos típicos de comedia romântica que o horário das sete pede, porém, a história decepcionou devido ao péssimo desenvolvimento de tramas promissoras, à falta de função de personagens, os momentos (que não foram poucos) que extrapolaram o mantra "Vamos voar" de Glória Perez em Salve Jorge e por ter pesado a mão tanto no melodrama, quanto na comédia, atirando para todos os lados.

11º lugar: A Lei do Amor — Após três meses, a novela ainda não emplacou e já pode ser considerada mais uma decepção. Com baixa audiência, uma força tarefa foi montada para salvar o folhetim do iminente fracasso. Corta daqui, corta dali, muda aqui, muda ali, tira personagem, cria personagem, adia trama, adianta trama... E o que se tornou A Lei do Amor, novela com título que não faz jus a história que tem? Uma bomba! De um amor impossível, a trama virou policial. São tantos personagens e tantas tramas paralelas que quem assiste ficou perdido e alguns personagens mudam de personalidade como quem muda de roupa. A trama vai ao ar, provavelmente, até meados de abril e, sinceramente, não vejo mais salvação...

10º lugar: Reprise de A Usurpadora — Que fique bem claro: A Usurpadora é a minha novela mexicana favorita. Já vi inúmeras vezes, sempre dizia que não ia assistir de novo e lá estava eu vendo novamente, mas com apenas um ano e alguns meses da última reprise não dá. Paola e Paulina mereciam um bom descanso na grade do SBT. Calculo uns 5 anos. Se, pelo menos, esse prazo fosse respeitado, sempre marcariam uma audiência satisfatória. A milionésima volta de A Usurpadora é mais uma intervenção louca de Silvio Santos na grade do SBT e acabou fracassando no Ibope, além de ter desgastado um clássico.

09º lugar: Cúmplices de um Resgate — Não é só a Record que espreme um produto até a última gota. O SBT também está no mesmo caminho (ou até pior) com as suas novelinhas infantis. Além de ter tido uma duração exagerada (357 capítulos), 90% de cada capítulo era pura enrolação, com trocentos clipes musicais, intervalos a todo momento e cenas do próximo capítulo que duravam uma eternidade. Sei que ela é destinada ao público infanto-juvenil, mas prefiro preservar a saúde mental das minhas crianças.


08º lugar: Supermax — Partindo de uma premissa interessante e marcando o investimento da Globo em um novo nicho (o terror), a sua ousadia e pioneirismo, infelizmente, não foram recompensados como se esperava e se revelaram um misto de confusão com decepção na prática. Foi, sem dúvida, uma grande ideia, perdida nos equívocos gerados por uma grande euforia (entre outros equívocos, mencionados AQUI).

07º lugar: Nada Será Como Antes A série tinha como ponto de partida abordar uma visão ficcional do início da televisão no Brasil. Os bastidores da TV seriam um prato cheio para um produto de alta qualidade, porém, o que se viu nos episódios seguintes foi que a história se transformou em um drama amoroso qualquer. Os conflitos dos personagens ofuscaram completamente o contexto histórico, fazendo com que a série perdesse o sentido de existir (apesar da produção caprichada e do elenco afinado). Outro grande erro que prejudicou o seu andamento foi a exibição semanal, quebrando o ritmo da história.

06º lugar: Malhação - Seu Lugar no Mundo — Histórias afetadas pela falta de bons conflitos, personagens perdendo função, situações forçadas, temas importantes (como o assédio, a gravidez na adolescência, a AIDS e o uso de drogas) sendo abordados de forma equivocada... ZZZZZZZZ Dormi!

05º lugar: Chapa Quente — Juro que, por inúmeras vezes, tentei assistir a série. Mas a quantidade de caretas, gritaria, situações bizarras e humor batido espantaram-me a ponto da chapa esfriar e não suportar concluir um único episódio do início ao fim nessas duas sofríveis temporadas. O texto e interpretações apelaram exageradamente para o humor popular ao estilo do finado Zorra Total. Já foi tarde!


03º lugar: A Garota da Moto — Qualquer coisa que não seja mexicana, reprise ou tenha uma pirralhada protagonizando uma produção na dramaturgia do SBT, de cara, já é um imenso progresso e vale pela tentativa de sair da mesmice. Mas A Garota da Moto foi ruim demais. Pra começar, o recurso utilizado pela série com os personagens principais dialogando com o público e explicando a história, como se o pessoal de casa fosse burro a ponto de não entender, foi irritante. Soma-se a isso as atuações sofríveis (com destaque para a vilã extremamente caricata vivida pela Daniela Escobar), o roteiro raso, previsível e repleto de clichês, a direção capenga e as tramas paralelas que de cômicas não tiveram nada.

02º lugar: Os Dez Mandamentos - Nova Temporada — Se fazer uma segunda temporada do maior sucesso da teledramaturgia da Record em 2015 já tinha se mostrado um equívoco tremendo, os efeitos especiais para as cenas de impacto (como as da abertura da terra e das batalhas sangrentas sem nenhuma gota de sangue) foram, no mínimo, constrangedores. Um festival de closes nas caras e bocas dos atores, com fundo em chroma key malfeito. E o que dizer da maquiagem de envelhecimento (eleito, inclusive, pelos leitores o mico do ano na nossa premiação)? Atores e atrizes envelhecidos artificialmente. Até tentaram apostar na interpretação, mas as barbas e cabelos postiços criaram um ruído perturbador no vídeo. O cuidado e o esmero da novela do ano passado contrastaram com o ar amador desta continuidade, que perdeu sua essência bíblica e virou um verdadeiro besteirol. Triste fim para a saga de Moisés...

01º lugar: Sol Nascente — Sem dúvidas, o maior erro da dramaturgia em 2016. A novela já causou polêmica antes mesmo da estreia, ao entregar os protagonistas japoneses da obra a dois atores caucasianos, Giovanna Antonelli e Luis Melo. Alice, personagem de Giovanna, é filha adotiva, mas nada justifica Tanaka ter a cara de Melo, por melhor ator que ele seja. E, como se não bastasse tudo isso, Sol Nascente entrou no ar com um fiapo de história, trama principal fraca e batida (e paralelas piores ainda), personagens rasos que não causam nenhuma emoção ou empatia, mau uso de clichês e ritmo arrastado e lentíssimo. Além disso, reforça estereótipos de japoneses e italianos, povos que, a princípio, seriam "homenageados" no folhetim; provocando só a indiferença do público, o que às vezes é pior que uma rejeição. Nada funcionou ali. Apenas serviu como um ótimo antídoto para quem sofre de insônia.

Confira a retrospectiva das melhores e piores atuações femininas em 2016.

Obviamente, a lista é baseada unicamente na opinião desse humilde redator que vos escreve. Portanto, está sujeita a injustiças e esquecimentos. Cabe a cada um dos leitores concordar ou não, dar a sua opinião, completar a lista, me esculhambar nos comentários...


domingo, 18 de dezembro de 2016

O Melhor e o Pior da Semana (11 à 17/12)




   O MELHOR DA SEMANA   



Despedida de Jô


A entrevista de Roberto Carlos no Programa do Jô foi uma daquelas para ficar guardada na memória. Amigos desde a época da Jovem Guarda, o cantor e o apresentador trocaram confidências, rememoraram episódios históricos e falaram até sobre manias, hábitos alimentares e a predileção pela madrugada. Mas, marcante mesmo, foi o momento em que o Rei cantou um dos seus grandes sucessos, "Amigo", levando Jô (e o público) às lágrimas. seu último episódio foi mesmo de arrancar lágrimas. O último, então, foi uma mistura de melancolia com emoção. Diante de uma plateia cheia de VIPs, como Nizan Guanaes, Serginho Groisman e o próprio diretor-geral da Globo, Carlos Henrique Schroder, Jô surgiu reluzente num terno branco com listinhas e gravata cor de rosa. Já estava com os olhos vermelhos, e se engasgou diversas vezes durante as diversas homenagens que fez em seu monólogo de abertura. Ziraldo, o último convidado, foi simbólico por ter ido ao programa em cada um de seus 28 anos de existência e também por ter profetizado o fracasso de cada projeto bem-sucedido de Jô. Sua derradeira entrevista conseguiu até mesmo a proeza de falar mais que seu anfitrião. Mas os momentos de cumplicidade entre os dois foram de emoção genuína. É neste quesito, aliás, que Jô vai fazer mais falta: nenhum de seus jovens sucessores têm tanta quilometragem, histórias em comum com os convidados, traquejo e capacidade de se tornar íntimo de quem acabou de conhecer. Durante quase três décadas, o talk show de Jô foi um oásis na TV brasileira. Um erro tirá-lo do ar.


Xuxa imitando Eliana e Angélica


A Xuxa zueira precisa dar uma força para a Xuxa apresentadora. São a mesma pessoa, mas há um descompasso entre as duas. Nas redes sociais, Xuxa tem audiência garantida. Lá, Xuxa se expõe sem pudor (às vezes, corajosamente de cara limpa). Posta fotos e vídeos que a mostram nos bastidores da Record e na vida privada, rebate comentários maldosos... É uma Xuxa despachada, desarmada, livre, feliz. Como a que vimos no Programa do Porchat. Foi divertido à beça. Nunca imaginamos ver a Xuxa cantando "Vou de Táxi" da Angélica e fazendo a "Dança dos Dedinhos" da Eliana (com um gesto nos dedos médios que deu o que falar). Momento histórico! Já a Xuxa da TV é engessada e atravessa uma fase tensa. Mais divertida na internet e na casa dos outros do que como anfitriã, Xuxa precisa levar este espírito para o seu programa.


      O PIOR DA SEMANA      



Desfecho de Beatriz


Ridículo o desfecho da Beatriz (Bruna Marquezine), uma personagem tão importante, em Nada Será Como Antes. Ela foi morta sem concluir a vingança contra Pompeu (Osmar Prado), responsável pela morte de sua mãe, e por um personagem avulso que entrou aos 45 do segundo tempo (Davi/Jesuíta Barbosa) e nada acrescentou na série. Aliás, Jesuíta Barbosa vivendo mais um desequilibrado ciumento que mata a namorada em dois trabalhos consecutivos, depois de Justiça, mostra que a Globo anda sendo muito frouxa em relação à repetição de elenco e histórias em suas produções. Criatividade mandou lembranças...

Final de Supermax


O grande mal das produções brasileiras é deixar toda a ação para o final e enrolar no meio. Infelizmente, com Supermax, que chegou ao seu ponto final nesta terça (13/12), não é diferente. O penúltimo episódio (6/12) acabou com um bom gancho, com todos os participantes presos em uma cela, enquanto o vilão Baal (Márcio Fecher) os aguardava cheio de armas do lado de fora. Eis que o derradeiro capítulo começa e toda a tensão se dissipa em uma conversa sonsa entre o inimigo (com sua voz alterada sem razão por computadores, já que ele não era nenhuma entidade) e os mocinhos. O lenga-lenga continua.

Tudo desandou no segundo bloco, que parecia completamente desconectado do anterior. A impressão que ficou era de que a Globo quis encurtar ao máximo a série e se livrar daquele peso da programação. Os personagens foram morrendo um a um, em um desfecho que se tornava cada vez mais previsível. A chacina foi até que divertida, ainda mais pela crueza que as mortes aconteciam (com tiros na cabeça e sangue para todo lado), mas poderia ter sido iniciada em episódios passados. Ficou tudo muito acelerado neste episódio. Foi quase um "gente, esquecemos de matar o povo, começa a dar tiro em todo mundo aí". E isso foi bem frustrante, pois desejava ver sangue bem antes, e não somente agora.

Duas mortes, porém, me chamaram a atenção. A primeira foi a da transexual Janete (que eu admito que minha torcida era para ela sair viva), que me pareceu uma crítica contra a homofobia no diálogo em que Baal a chama de aberração e pergunta o que ela é e ela responde: "Eu sou ser humano". A outra morte foi a de Artur, pois simplesmente aconteceu e eu fiquei "ué, cadê?". Sério, se alguém viu essa morte, me avisa, pois para mim só apareceu o cara morto sem mais nem menos. E neste momento fiquei me sentindo um bobo por tudo que estava acontecendo, já que não tiveram cuidado neste ponto.

O final se tornou mais cômico ao trazer o corpo de Pedro Bial assassinado com um tiro na cabeça e a revelação de uma grande conspiração do governo brasileiro e mundial para deixar os participantes morrerem no presídio, para que o vírus continuasse desconhecido e restrito à região. No fim, o programa deixa em aberto o destino dos únicos dois confinados sobreviventes (já que Sérgio continuou preso na Supermax e Nonato se transformou no novo Baal). Falando no Baal, achei o fim de Nonato bem aquém da grandiosidade da sua participação na série. Fazendo jus à série, foi um final decepcionante.

Hora da "Farsa"


Que triste a trajetória do Rodrigo Faro na Record, hein... Ele, que é um apresentador carismático (e canta, dança e atua muito bem também), fazia um sábado alegre, animado, sempre pra cima, se fantasiando e dançando no finado O Melhor do Brasil. Na mudança para o domingo, porém, Rodrigo mudou completamente. Agora, sob o comando do Hora do Faro, entrou na onda do excesso de pieguice, com assistencialismo e choro o tempo todo. Caiu no mais do mesmo. Parece até uma nova (e piorada) versão do Gugu! Atualmente, rodeado de prestígio na emissora, Rodrigo representa uma das maiores audiências na Record, inclusive alcança a liderança com frequência, às vezes batendo o Faustão. Neste último domingo (11), por exemplo, o Hora do Faro bateu recorde histórico de audiência: 14 pontos de média contra apenas 7 do SBT, no Ibope da Grande São Paulo. Além disso, ficou na liderança durante 1 hora e 17 minutos e venceu por 22 minutos a final da Dança dos Famosos, do Faustão. Isso me remente àquele período de trevas que o Faustão enfrentou quando Gugu estava em seu auge no SBT. Mas não pense que o Faro tem a cara do Gugu só por conta do assistencialismo e audiência. No mesmo dia em que seu programa bateu recordes, o bom moço deixou escapar um podre fatal. Um podre que me lembra a derrocada do Gugu no SBT. O Hora do Faro montou uma farsa usando um garoto de apenas cinco anos: "Felipe sabe tudo sobre o Leonardo. Hoje ele vai realizar o sonho de conhecer o ídolo pela primeira vez!". No momento em que Leonardo entrou no palco e Felipe reconheceu o ídolo, os dois se abraçaram longamente. O cantor chorou. Faro também. E ainda gritou: "Meu Deus do Céu!!! Ele conheceu o ídolo dele!!!!". Oh, que lindo... Porém, logo depois, foi descoberta a armação: o menino já conhecia o Leonardo (eles se encontraram no camarim do cantor depois de um show em Barretos, em agosto; fato documentado em uma reportagem da afiliada da Globo na região). Em entrevista à Sonia Abrão, a assessora de Leonardo disse que Faro sabia sim que o menino já havia se encontrado com o cantor, mas que preferiu não citar tal fato durante a atração. Que vergonha, Faro... Por audiência, não poupa nem uma criancinha... Este episódio de má fé não tem a mesma amplitude do escândalo do PCC, promovida por Gugu em 2003, mas é assim que se começa quando a sede por audiência e pelo primeiro lugar no Ibope fala mais alto.

domingo, 4 de dezembro de 2016

O Melhor e Pior da Semana (27/11 à 3/12)




   O MELHOR DA SEMANA   


Décimo episódio de Supermax


Desde o início, sempre tiverem alguns comentários alertando que o episódio 10 seria o melhor de todos de Supermax. E não é que é verdade (pelo menos, até agora, já que ainda faltam o penúltimo e o último)?

A volta no tempo mostrou que tudo aconteceu, relativamente, a pouco tempo (2008), sem ter toda uma mitologia muito mais antiga, que eu acreditava que seria o norte de tudo. O foco sendo em Mauro e Nonato foi muito interessante, pois temos um que quer descobrir o que está acontecendo de errado na obra de construção da Supermax e o outro que acredita que a peste é causada pelas prostitutas, que, por sinal, foram outras personagens muito boas no episódio 10. Finalmente, tivemos algumas respostas, como a questão do vírus que era transmitido através da mosca, e que esse vírus causa agressividade e que seu hospedeiro não sente medo ou dor. E neste ínterim tivemos a questão de a empresa realizar uma completa queima de arquivo, eliminando tudo referente ao vírus, isso incluindo até a equipe de filmagem de Mauro que fazia o documentário sobre a cidade. Com uma revelação também relevante para a história: o renascimento de Baal, um antigo "deus" da Bíblia que estava de volta a terra para levantar o seu exército.

Filho. Supermax – Capítulo 10.  2016-11-29-2

O fato de Nonato ter sido o receptáculo de Baal foi algo completamente coerente, pois ele era um homem que prezava pela fé e pelos bons costumes e que Deus iria cuidar dele e de sua família a todo custo e, de uma hora para outra, toda sua família é destruída pelo vírus e ele consegue ser o único sobrevivente. Nonato abandonando a Deus e abraçando com toda força as trevas se mostrou algo que poderia acontecer a qualquer um. Baal se aproveitou de todo sofrimento e desespero de Nonato e usou isso a seu favor. E tenho que admitir que foi extremamente triste ver Nonato sacrificando seu filho e perguntando para Deus porque ele salvou Isaque, mas não salvou seu filho. Cena dilaceradora. Simplesmente não tinha como não compadecer da dor dele e concordar com todo seu discurso. Atuação estupenda de Márcio Fecher.

Se formos analisar pela história da demonologia e das teorias pagãs, podemos concluir que Baal espalhou o vírus para recrutar soldados para o seu lado por ter a cura para o vírus e assim conseguir criar seu exército de 450 profetas, que, neste caso, ele precisa das mulheres para procriarem, o que podemos ver na questão das prostitutas irem para o lado dele e serem aquelas que estão em constante trabalho de parto (e também por terem raptado Bruna). De qualquer forma, agora indo para a parte técnica, posso dizer que este episódio foi disparado o melhor que foi apresentado até o presente momento. A ambientação usada, com trabalhadores e prostitutas, em um ambiente que de certa forma era degradante e que facilitava bastante a proliferação do vírus, foi muito agradável de ver, principalmente por sair daqueles corredores fechados e escuros. As atuações foram bem superiores a todas que fomos apresentados até o presente momento, de forma que eu fiquei muito mais interessado em acompanhar a saga de Nonato/Baal do que termos que voltar para o presídio de novamente com as atuações, no geral, canastronas de parte do elenco.

Baal. Supermax – Capítulo 10.

Acredito que a série não precisava ter feito vários episódios para chegar até aqui, pois tivemos muitos episódios que praticamente só enrolou e este, que tinha uma grande história, ficou renegado a praticamente ao final, tendo apenas mais dois episódios para se ver todo o desdobramento do que Baal pode fazer com o pessoal que ainda está no presídio da Supermax. O episódio foi excelente, mas senti que veio um pouco tarde demais, já que poderia ter vindo mais cedo para desconfundir a cabeça dos telespectadores e dar um ritmo mais frenético a trama, pois, tirando o sexto episódio, esse foi o mais tenso até o presente momento; o que é uma pena, pois a série tinha potencial para explorar ainda mais, já que ela não tinha amarras para tratar vários temas de forma nua e crua. Fica um gostinho de decepção.

Virada de Nada Será Como Antes


Verônica flagra Saulo com outra mulher (Foto: TV Globo)

Nada Será Como Antes ganhou muito quando deixou de lado as longas cenas de sexo e nudez para investir nas boas histórias que tem para contar. Débora Falabella e Murilo Benício ganharam ótimas cenas com os novos dilemas entre Verônica e Saulo na disputa pela guarda do filho da atriz. Difícil não se emocionar. Eu sou #TeamVeronica e #OdeioSaulo! Também é preciso elogiar Cássia Kiss, que mostra, mais uma vez, que faz qualquer tipo de personagem, por mais pequeno que seja. A interpretação dela como a simplória Odete chega a ser comovente. Sem falar na boa sintonia que tem com Bruna Marquezine, sua filha na série.

Senador Venturi


Venturini denuncia Mág (Foto: TV Globo)

Mesmo que toda a história de corrupção e política na novela venha sendo tratada de forma caricata e superficial, Otávio Augusto está mandando super bem como o senador César Venturi. Um tipo bufão, de comédia, ao mesmo tempo, detestável e risível. Uma sacada de gênio dos autores na cena desse sábado (3), em que Venturi se recusa a ir preso e dá o maior chilique, se atracando com os policiais e gritando que é cardíaco. Qualquer referência com o Garotinho será mera coincidência? Seja lá como for, adorando também a dobradinha de Otávio com Grazi Massafera (outro destaque de A Lei do Amor, como falei bem AQUI).

Homenagem do JN às vítimas da queda do avião da Chapecoense



Em uma tragédia, a linha que separa jornalismo e sensacionalismo é muito tênue. Nessa semana, o Brasil e o mundo esportivo entrou em choque e de luto com a tragédia do voo que vitimou mais de 70 pessoas no acidente com o time da Chapecoense na madrugada de terça (29), na cidade de La Unión, próximo a Medellín, na Colômbia. Com duração longa, o Jornal Nacional (principal telejornal da Globo e do país) fez naquela noite a maior e melhor cobertura da tragédia, onde os apresentadores Heraldo Pereira e Giuliana Morrone desceram da bancada e encerraram o telejornal na redação, ao lado de Galvão Bueno, que fez o encerramento pedindo aplausos de toda a equipe, que bateu palmas durante 1 minuto e 20 segundos enquanto o telão do estúdio exibia fotos de jogadores e jornalistas que morreram na tragédia.

Foi uma edição arrepiante, digna, honrosa e comovente que já entrou para a história do telejornalismo brasileiro! Antes, inclusive, nas idas para o intervalo, foram sendo exibidos os nomes dos mais de 70 mortos no desastre. Bacana! Muitos repórteres da Globo com experiência em relatar tragédias, como Ari Peixoto, Helter Duarte, Alberto Gaspar e Ricardo Von Dorf, choraram no ar; e não precisariam fazer diferente, já que a emoção não compromete o bom jornalismo, ainda mais em situações extremas como essa, quando a empatia e a sensibilidade prevalecem. Mas é preciso elogiar o Galvão, principalmente ao narrar o velório coletivo da Chapecoense. Ele anulou os exageros típicos de seu estilo e fez a narração de maneira discreta e respeitosa. Em alguns momentos, emocionou-se a ponto de ficar com a voz embargada e soube respeitar o silêncio necessário em alguns trechos do cortejo e do funeral no estádio. (...)

     O PIOR DA SEMANA     


Sensacionalismo com a tragédia


Reprodução/TV Globo  Jornalista usa celular em velório - Foto/Reprodução: Globo

(...) Infelizmente, é de se lamentar que o mesmo JN, que vinha fazendo uma boa, extensa e respeitosa cobertura, tenha brindado o telespectador na edição desse sábado (03/12) com um momento de exploração grosseira do drama das famílias em luto. Achei bastante desnecessária as imagens da parte privada dos familiares (no interior do ônibus que levou parentes ao aeroporto de Chapecó e na tenda onde velaram os corpos, dentro do estádio) feitas pela repórter Kiria Meurer com a câmera do próprio celular. Se o cinegrafista não foi autorizado a filmar, era óbvio que não queriam câmeras filmando por lá. Por acaso, a repórter achou que estava visitando algum ponto turístico? Só faltou filmar os corpos dentro do caixão!

Continuando na Globo, também achei bem desnecessária e uma tremenda forçação de barra de Tiago Leifert ao citar a tragédia na abertura do The Voice Brasil, nesta quinta (1). Ele abriu o programa dizendo que, naquela noite, não era o The Voice, mas sim o "The Voice Chapecó". E que "nossos quatro times são, sem dúvida nenhuma, chapecoenses". Tudo bem que Tiago fazia parte do jornalismo esportivo da Globo, todos os demais profissionais se emocionaram e tal, mas achei deslocado e gratuito. Até porque ele estava num reality show musical, que nada tem a ver com o assunto. "The Voice Chapecó"?! Menos, né...

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Nas concorrentes, pra variar, o pior do sensacionalismo deu as caras. Foi o caso da Rede TV. Durante a manhã, o Você Na TV convocou um sensitivo ao estúdio e um vidente por telefone. O sensitivo Rodrigo, que diz ter previsto o 11 de setembro, afirmou que até o fim deste "ano carregado" haveria mais tragédias. O programa também exibiu um vídeo no qual o vidente Carlinhos previu o acidente com o avião da Chape. Pasme! Os dois espíritas se vangloriavam por terem "acertado" em cheio nas tragédias. Os apresentadores Celso Zucatelli e Mariana Leão ainda fomentavam a macabra patifaria. Quanto mau gosto, desrespeito e falta de sensibilidade num momento desses... E não parou por aí! Durante o A Tarde É Sua, a (coveira) jornalista Sônia Abrão, como era de se esperar, deu amplo destaque a tragédia e também ao vidente que "previu" a queda. O mais "engraçado" dessa história é que Sonia está lá, sentada, fazendo cara de tristeza, dizendo que era lamentável o que tinha acontecido com o time, aí do nada levanta, vai pro merchandising e já arreganha os dentes: "Vamos falar de coisa boa? Vamos falar da calça modeladora Lejeans"! Ridículo!

Um fato que chamou minha atenção foi a apresentadora Adriana Araújo ter encerrado a transmissão do velório, na Record, antes do término. Achei estranho, já que a emissora cobre até o fim esse tipo de acontecimento. Zapeei para a Globo e, nesta parte não exibida pelo canal, entrou Cid Moreira e um bispo da Igreja Católica com a mensagem do papa Francisco. A questão religiosa e da concorrente platinada entraram neste embate. Lamentável. Triste fato. Nem vou perder tempo falando da incompetência e desinformação do SBT porque o desprezo da emissora pelo jornalismo já é notório. Morreram mais de 70 brasileiros no maior acidente do país envolvendo o esporte, mas o canal preferiu enviar um repórter para a porta do Fórum de Justiça de SP para cobrir em tempo real as últimas notícias do divórcio da Luiza Brunet, no Fofocando. Jornalismo para cobrir fofoca e futilidades o SBT tem a disposição 24h, incrível...

Morte de Zelito



É de se lamentar que, em meio a um elenco numerosíssimo e repleto de personagens sem função e desinteressantes, os autores de A Lei do Amor resolveram eliminar justamente o personagem gay, negro e, aparentemente, promissor: Zelito (Danilo Ferreira). Wesley, frentista do posto de gasolina e pai solteiro, se declarou para ele; o que deu sinal de que uma história ousada na novela estaria por vir. Ledo engano.

Zelito soube por Jessica que o maior vilão da novela, Tião (José Mayer), está envolvido no desaparecimento de sua amiga Isabela (que "morreu" em uma cena mequetrefe, como disse AQUI). E o que ele faz? Fica caladinho e investiga melhor até encontrar provas concretas? Denuncia na polícia? Não... Invade a sala do vilão, acusa ele de ter matado a garota e ainda lhe dá um soco! J-E-N-I-O! E, no capítulo desta segunda (28), ainda assistimos Tião também deixar o bom senso de lado e encomendar a morte imediata de Zelito, que morreu vítima de overdose após um capanga do vilã colocar um veneno na bebida do rapaz na balada.

Segundo a Globo, a morte de Zelito já estava prevista desde antes de A Lei do Amor ir ao ar. Duvido muito, mas, ainda sim, é uma pena que justamente ele tenha sido eliminado com tantos outros mais dispensáveis. De qualquer forma, Zelito saiu de cena em grande estilo (Danilo Ferreira brilhou na cena aterrorizante em que seu personagem morre); e Tião é um personagem difícil de engolir. José Mayer tem se esforçado para fazê-lo verossímil, mas não dá para acreditar nele. Ele é mau o tempo todo e só vive para destruir quem cruza seu caminho. É um vilão gratuito e exagerado, com intenções confusas e não muito lógicas.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Supermax tornou-se refém de si mesma



Como trazer um público que se afastou da TV de volta? Criar novelas para atrair telespectadores jovens e antenados como a ficção científica Além do Horizonte e a tecnológica Geração Brasil, ambas às 19h? Trazer uma aura de seriado à novela, como Avenida Brasil e A Regra do Jogo? Apostar em formatos seriados consagrados internacionalmente, como Dupla Identidade e Justiça? Lançar (tardiamente) um aplicativo (Globo Play) com vídeo sob demanda tal qual Netflix? Todas essas perguntas devem ter sido feitas ao longo dos últimos cinco anos na Globo. Todas, evidentemente, respondidas com atraso.

Hoje, as novelas viram que não tem como atrair esse público que afastou-se da TV aberta, abriu seus HDs para downloads ilegais de seriados internacionais e passou a assinar produtos da Netflix e TV paga. São, portanto, obsoletas (ainda que com qualidade extrema, como Velho Chico, Verdades Secretas, Sete Vidas, Além do Tempo e tantas outras mais recentes) e estão distante de quem é conectado. As séries, entre uma ou outra experiência bem sucedida, ainda tentam encontrar um caminho. O Globo Play, que oferece todo o cardápio da emissora, incluindo capítulos diários de novelas, tem relativo sucesso. Mas faltava mais.

Em 2015, iniciava-se o processo de criação de uma série original, diferente de tudo que já havia sido mostrado na TV aberta. Uma prisão, um reality show, acontecimentos sobrenaturais, terror, suspense. Estava criado o hype em torno de Supermax. Depois de todo o frisson criado (com direito a painel na Comic Con, referência para os jovens que devoram séries e tudo o mais do mundo dos quadrinhos em todo o planeta) e do adiamento (seria exibida no primeiro semestre, ficou para o segundo), a série estreou em uma iniciativa inédita. Pela primeira vez, a Globo disponibilizou toda a série no Globo Play. Diante do crescente da Netflix, que usa da estratégia ao liberar todos os episódios de uma só vez, a Globo viu nesse tipo de estratégia uma forma de manter o hype e mostrar: "Vejam, nós também estamos nesse jogo!".

Na verdade, quase todos os episódios. Exibida semanalmente às terças-feiras, na segunda linha de shows após a novela das nove, Supermax terá o seu último episódio exibido para todos, telespectadores da TV aberta e assinantes da Globo Play, em dezembro. Dos 12 episódios, 11 já estão disponíveis. E é aí que a história desandou. Pra que perder tempo assistindo pela TV, tendo que esperar semanalmente por cada episódio, quando se pode ver tudo logo de uma vez pela internet (e sem intervalo comercial)?

A tentativa de criar ainda mais hype com o lançamento de todos os episódios de uma só vez provavelmente não causou o que a emissora desejava. Haja vista que a série vem acumulando recorde negativo atrás de recorde negativo e acumula os números de audiência mais baixos já registrados por uma série da Globo na faixa horária de exibição, normalmente dedicada... A séries cômicas (como Tapas e Beijos e Louco por Elas) ou à novela das 23h. Outra tremenda bola fora da Globo: Supermax deveria ser exibida numa sexta-feira, após o Globo Repórter, um horário que a própria emissora costuma apresentar produtos, digamos, mais pesados (como foi o caso de Dupla Identidade, que também tinha elementos de terror e suspense).

Supermax é um produto de alta complexidade técnica. Por outro lado, derrapa em uma história com uma premissa interessante, mas que se mostra rocambolesca ao desenrolar da trama. A primeira (má) impressão começou ainda nas chamadas de estreia. Se antes havia um interesse por conta do formato aparentemente ousado que criou a expectativa de que Supermax seria um fenômeno ou, ao menos, criaria um novo padrão de produto seriado na TV aberta, ao lançar a série como “reality show”, a Globo cometeu outro grande erro.



As chamadas mostravam Pedro Bial, (ex-)apresentador do (famigerado para alguns, viciante para outros) BBB, no comando do reality show que dá nome à série. Os personagens, apresentados como participantes. A série, como um programa tal qual o BBB. O telespectador comum ficou confuso. Reality show? Série? O que é, afinal, esse novo programa? Caso pessoal: um familiar perguntou se nós, telespectadores, poderíamos votar para eliminar os participantes. Esse familiar não vê TV aberta com frequência, um ou outro produto. Não é nenhum desatento ou desinformado. Caiu na falsa armadilha, assim como milhares (ou milhões) de outros telespectadores completamente alheios. Supermax tornou-se refém de si mesma.

O telespectador que comprou a ideia de reality show desistiu. O jovem (quando digo jovem, não digo de faixa etária, e sim de comportamento) desistiu ao ver Pedro Bial como apresentador (ainda mais canhestro). Supermax, enfim, ficou presa à armadilha que ela própria criou. Tentou atirar em todos os lados: o telespectador que ama BBB e derivados, o assinante da Netflix que quer abocanhar todos os episódios de uma só vez, o jovem que ama séries e nem sai de casa para acompanhar. Atirou também em todos os formatos e gêneros: reality show, suspense, terror, sobrenatural, série. Errou todos. Errou feio. Errou rude.

Errou ao acreditar que o telespectador de reality show acompanharia. Não comprou a ideia por ver que aquilo é uma série e não poderia interferir nos rumos. Desistiu porque talvez não esteja acostumado a ver terror (é medroso e pudico). Quem faz binge watching (assistir vários episódios de uma só vez) achou um disparate não ver o último episódio. O jovem que devora séries viu as atuações, diálogos e situações canhestras e repetiu o mantra preconceituoso: “Ah, tinha que ser série brasileira, nada presta”.

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É uma pena que Supermax não tenha engrenado (em números e repercurssão). A sua premissa é das mais interessantes. A impressão que tenho é que os criadores juntaram todas as ideias possíveis para criar algo teoricamente “ousado” e gastaram todas as balas na concepção de Supermax . A mistura não deu liga.

Supermax repete a estratégia: personagens com histórias clichês (o assessor parlamentar corrupto, a ricaça perua, o jogador de futebol problemático, o policial bem intencionado, o padre com traços psicológicos problemáticos) e atuações (mais por conta do roteiro do que pelos atores) pra lá de forçadas. Além disso, premissa natural em qualquer série, não há sequer um personagem que cause empatia. Essa empatia não é necessariamente pelo personagem justo, vide Walter White de Breaking Bad e Frank Underwood de House of Cards (ou, num exemplo bem brasileiro, vilãs de novela como Carminha, Nazaré e Odete Roitman).

Apesar de ser uma produção de apuro estético, novamente é mais um produto que aposta na embalagem em detrimento da história. Pese ainda o fato da série se passar em uma prisão no meio da selva amazônica, que poderia render lendas e sobrenatural “coisa nossa”. O caminho adotado, aparentemente, é o de exportar a série para outros países. Um erro. O que há de melhor em produto seriado (incluindo séries e minisséries) é o brasileiro. Exemplos não faltam: O Canto da Sereia, Amores Roubados, A Teia, Doce de MãeDupla Identidade (mesmo com um pé em um conceito de serial-killeramericanizado), Os Experientes, Felizes Para Sempre?, AmorteamoLigações Perigosas (uma releitura do clássico francês, mas que poderia se passar no Rio de Janeiro daquela época facilmente), Justiça... Até mesmo fora da Globo, como A Lei e o Crime, Fora de Controle, Conselho Tutelar e Plano Alto, na Record, e Magnífica 70, na HBO (TV paga).

Ainda que preconceituosos afirmem que a TV brasileira não sabe fazer séries ou minisséries, os exemplos acima (entre uma falha e outra, encontradas também naquilo que é considerado o “padrão americano”), o melhor ainda é falar do Brasil, com formato do Brasil. O único caminho para o produto seriado brasileiro é falar de sua gente. Supermax, enfim, emula um formato feito para atrair um público que, certamente, dispensou o produto. Até mesmo os criadores e a Globo, apesar da pretensão, não apostaram tão alto quanto parece: não tem esteio e não pensaram em uma segunda temporada. Também, pudera: com tanta bala disparada, a arma ficou sem munição. A história, esse item primordial, tem que ser coisa nossa. E Supermax falha ao tentar criar uma mitologia (falarei sobre o fantástico 10º episódio no melhor e pior dessa semana, esperem!) que começa interessantíssima (os primórdios da prisão de segurança máxima), mas desemboca para um ritualístico sem sentido, quando poderia apostar em algo mais “brasuca”.

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