Não perca nenhum dos nossos posts

Mostrando postagens com marcador Nada Será como Antes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Nada Será como Antes. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

As Melhores e Piores Atrizes em 2016



Chega o final do ano e vem aquele tempo gostoso em que a gente faz uma retrospectiva de tudo o que passou e promete voltar para academia, parar de ser trouxa e tantas outras promessas que não vamos conseguir cumprir. Pensando nisso, a partir de hoje, começa aqui no blog as matérias de retrospectiva onde listarei o que amei e o que odiei no ano na nossa TV, começando pelas atuações femininas. Confira!

   AS MELHORES ATRIZES NA TV EM 2016   



20º lugar: Miriam Freeland — A Terra Prometida ousou e acertou ao trazer para o centro de uma história bíblica uma prostituta, Raabe, que roubou a cena e virou o grande destaque. A personagem é forte, tem o melhor enredo e virou a mocinha moral da história (já que Aruna/Thaís Melchior é insossa demais).

19º lugar: Marina Ruy Barbosa — A história da menina pobre que sobe na vida não é novidade alguma, mas foi exatamente nesse mote batido e, principalmente, na atuação segura de Marina (que é, sem dúvidas, uma das melhores atrizes jovens da nova geração) que Totalmente Demais teve o seu trunfo maior. Além da Elisa, a atriz ainda fez uma participação (pra lá de visceral) como Isabela na série Justiça.

18º lugar: Grace Gianoukas — Figura rara nas novelas e na própria televisão, pois sempre se dedicou mais ao teatro, e dona de uma interpretação bastante peculiar e exagerada, Grace se destacou do início ao fim em Haja Coração e protagonizou os momentos mais hilários da trama na pele da arrogante Teodora.

17º lugar: Carol Castro — Carol pareceu de um jeito surpreendente em Velho Chico. Diferente de tudo que já fez, ela não só esbanjou boa forma em cenas de nudez e interpretou com bastante emoção Iolanda na primeira fase da trama, como cantou e encantou Afrânio (Rodrigo Santoro) e todo o público.

16º lugar: Fernanda Vasconcellos — Apesar das incoerências e do fraco desenvolvimento do roteiro que envolvia o triângulo Camila-Giovanni-Bruna em Haja Coração, à medida que ia crescendo na trama, Fernanda impressionou pela versatilidade vivendo uma vilã psicopata após várias mocinhas seguidas.


15º lugar: Andreia Horta — Apesar de ter sido prejudicada pela trajetória irregular da sua personagem, a Rosa/Joaquina, Andreia honrou com maestria o protagonismo de Liberdade Liberdade, esbanjando química com Bruno Ferrari e protagonizando ótimas cenas com Lília Cabral e Mateus Solano.

14º lugar: Fabiula Nascimento — Com uma interpretação grandiosa como a forte Eulália, foi um dos maiores destaques da primeira fase de Velho Chico. Emoção pura a cada cena, a cada fala, a cada olhar.

13º lugar: Elizabeth Savala — Ela foi muito criticada inicialmente pelo excesso de exagero, mas uma atriz do quilate da Elizabeth sabe como poucas driblar críticas e se manter digna a um trabalho. Não deu nem um mês e o tom acima da Cunegundes acabou virando a marca registrada da personagem e lhe deu um charme peculiar, o que lhe transformou num dos tipos mais queridos de Eta Mundo Bom, mesmo sendo uma espécie de vilã interesseira. Hilário os momentos em que ela gritava "O meu nome é CU-ne-gun-des".

12º lugar: Camila Pitanga — A vida da atriz não foi nada fácil em 2015. Protagonista da horrenda Babilônia, a atriz foi rejeitada (com razão) por causa da Regina (que ganhou, inclusive, a categoria de "Chatonilda do Ano" na nossa premiação anual). Com Maria Tereza, de Velho Chico, porém, a atriz fez as pazes com o público e deu a volta por cima, protagonizando momentos de enorme carga dramática.

11º lugar: Bruna Marquezine — Dando vida à Beatriz, uma dançarina de boate alçada à fama como estrela de telenovela, em Nada Será Como Antes, Bruna esbanjou sensualidade, mas, principalmente, talento, mostrando uma grande evolução na carreira e maturidade ao optar pela sutileza em cena, ao invés de muitos tons acima. Assim como Marina, também é uma das melhores atrizes da nova geração.


10º lugar: Deborah Evelyn — Ela entrou em A Regra do Jogo no finalzinho de dezembro de 2015 e roubou as atenções para si por sua eficiência com uma personagem cheia de dramas e segredos. Deborah só protagonizou sequências difíceis e densas. Não houve cena alguma mais ou menos. Toda vez em que Kiki surgia, mudava os rumos da novela. Não é a toa que a própria Deborah confessou que esse era seu papel mais difícil que já interpretou na TV. E foi. Me arrisco a dizer que é o melhor da sua carreira.

09º lugar: Thaís Fersoza — Deliciosamente diabólica no papel da vilã-mor de Escrava Mãe e com um tom frio e debochado, Thaís exorcizou de vez a fama de boa moça vivendo a terrível Maria Isabel.

08º lugar: Patrícia Pillar — Patrícia é uma das melhores atrizes do país e tem um domínio cênico invejável. Isabel, sedutora e cruel mulher de Ligações Perigosas que tinha o prazer em enganar e manipular as pessoas, foi a sua quarta vilã seguida e, por mais incrível que possa parecer, ela conseguiu diferenciá-la das três anteriores que viveu (a psicopata Flora, em A Favorita, sua personagem mais marcante; seguida da arrogante Constância de Lado A Lado e da fria Angela Mahler de O Rebu). Trabalho impecável!

07º lugar: Marjorie Estiano — A autora Manuela Dias contou com o talento de Marjorie esse ano em duas ocasiões: quando lhe deu a religiosa Mariana na microssérie Ligações Perigosas e depois em Justiça, onde viveu Beatriz, uma bailarina que fica paraplégica e prefere a eutanásia. Ambas as personagens foram bem fortes e dramáticas e Marjorie impactou pelo realismo de sua interpretação nos dois momentos.

06º lugar: Leandra Leal — A atriz se apropriou da cafetina Kellen (um verdadeiro furacão em forma de mulher) de forma impressionante e, inclusive, das expressões pernambucanas, soando como uma recifense nata, sem exageros e caricatura. Leandra merecia uma Kellen faz tempo. Estigmatizada por quase sempre viver aquelas mocinhas choronas politicamente corretas, sua personagem em Justiça foi um divisor de águas na carreira de Leandra Leal, conseguindo ser má, divertida e sexy, tudo ao mesmo tempo.


05º lugar: Nathalia Dill — Nathalia brilhou absoluta como a vilã Branca, que, em meio ao clima soturno e violento de Liberdade Liberdade, foi responsável pelos momentos mais cômicos (ou tragicômicos). A atriz apostou num sotaque mineiro carregado que acabou divertindo e deu o tom perfeito para a exagerada e voluntariosa vilã, cuja loucura e impropérios foram sendo explorados gradativamente.

04º lugar: Débora Bloch — Protagonista da história mais pesada e impactante da série Justiça, Débora Bloch desempenhou brilhantemente bem todo o dilema moral de sua Elisa. Como pode a mãe se envolver com o assassino da filha? Essa pergunta foi proferida com um tom de indignação por qualquer telespectador; porém, a atriz é tão talentosa que conseguiu dar credibilidade a esse controverso sentimento e sua obsessão em vingar a filha, Isabela (Marina Ruy Barbosa), morta por Vicente (Jesuíta Barbosa). Toda essa história foi muito bem estruturada por Manuela Dias e Débora conseguiu aproveitar todas as oportunidades desse rico enredo para brilhar, em um grau de entrega impressionante.

03º lugar: Adriana Esteves — A saga de Fátima, a humilde empregada doméstica pernambucana que foi presa injustamente por sete anos e só queria reerguer sua vida ao lado dos filhos, comoveu os telespectadores que assistiram Justiça sem precisar necessariamente do famigerado tema "Hallelujah" e foi, sem dúvidas, a melhor história da trama. Principalmente, porque Fátima fez justiça ao talento de Adriana Esteves. Um papel digno de quem conquistou todo o público com a maldosa, porém, querida Carminha, de Avenida Brasil; e a melhor forma de fazer a atriz se desvencilhar da grande vilã com uma mocinha convincente que despertou a torcida do público, algo raro para as heroínas de hoje em dia.

02º lugar: Lucy Alves — É pouco comum ver atores estreantes em novelas com um papel de destaque, principalmente aqueles capazes de movimentar a história como um todo. Lucy Alves fugiu à regra e, mesmo com um papel difícil, driblou todas as desconfianças e conseguiu ser melhor do que muita atriz veterena em Velho Chico por sua interpretação visceral da, não menos visceral, Luzia. Ora louca, ora passional, nos acostumamos a amar a Luzia e até perdoar algumas maldadezinhas que ela fez no decorrer da novela. Dona de frases de efeito e bordões, como as expressões "catraia" e "cutruvia", que caíram na boca do povo, dispensou caras e bocas e atuou com naturalidade. Maior revelação da TV dos últimos anos, Lucy é um grande talento que a Globo descobriu, lapidou e certamente saberá usar em produções futuras.

01º lugar: Selma Egrei — Presente em todas as fases da trama, a personagem de Selma tinha tudo para virar uma espécie de caricatura, uma bruxa rancorosa de desenho animado. Entretanto, a atuação impecável da atriz e o excelente texto fizeram da centenária Encarnação uma das personagens mais interessantes, complexas e cativantes de Velho Chico. Fico imaginando o que seria da novela sem os seus tremiliques e suas frases de efeitos. Claro que a Encarnação teve toda aquela perfeita e pesada maquiagem de envelhecimento que ajudou na construção da centenária, mas sem o talento da Selma Egrei, de nada adiantaria, conseguindo imprimir em sua personagem todo o rancor e firmeza que ela precisava, ao mesmo tempo garantindo que ela esboçasse muita humanidade. É digna de Oscar! Ou de Emmy (#FicaADica)...

Menções Honrosas: Lilia Cabral (Liberdade Liberdade), Giullia Buscacio (Velho Chico), Zezita Matos (Velho Chico), Mariene de Castro (Velho Chico), Luci Pereira (Velho Chico), Julia Dalavia (Velho Chico e Justiça), Cyria Coentro (Velho Chico), Juliana Paes (Totalmente Demais), Viviane Pasmanter (Totalmente Demais), Juliana Paiva (Totalmente Demais), Giovanna Rispoli (Totalmente Demais), Sabrina Petraglia (Haja Coração), Chandelly Braz (Haja Coração), Ellen Roche (Haja Coração), Cristina Pereira (Haja Coração), Flávia Alessandra (Eta Mundo Bom), Camila Queiroz (Eta Mundo Bom), Eliane Giardini (Eta Mundo Bom), Bianca Bin (Eta Mundo Bom), Rosi Campos (Eta Mundo Bom), Amanda de Godoi Bárbara França (Malhação - Pro Dia Nascer Feliz), Larissa Manoela (Cúmplices de um Resgate), Lidi Lisboa (Escrava Mãe), Jussara Freire (Escrava Mãe), Juliana Silveira (A Terra Prometida), Camila Márdila (Justiça), Luisa Arraes (Justiça), Cássia Kis e Débora Falabella (Nada Será Como Antes), Jéssica Ellen (Justiça), Drica Moraes (Justiça) e Taís Araújo (Mister Brau).

      AS PIORES ATRIZES NA TV EM 2016      



05º lugar: Priscila Steinman — Foi muito bizarro a volta da Sofia à trama de Totalmente Demais. A novela, que tinha um estilo leve de conto de fadas moderno, acabou descaracterizada com a volta da personagem e a revelação de que ela era uma psicopata incontrolável. Se a atriz que a interpretou ainda fosse boa, seria mais fácil de digerir, mas nem isso aconteceu. Nos instantes em que a vilã dissimulava ser bondosa e desmemoriada para a família, por exemplo, Priscila atingia doses altíssimas de canastrice.

04º lugar: Daniela Escobar — A Garota da Moto, apesar da boa iniciativa do SBT em sair da mesmice e investir em novos conteúdos, foi uma série difícil de engolir. E um dos principais motivos foi a atuação de Daniela, cuja vilã Bernarda, de tão maniqueísta, parecia saída de uma novela mexicana ruim dos anos 80. Esqueci de colocá-la para votação como "Pior Atriz" na nossa premiação, então aqui fica o registro.

03º lugar: Giovanna Grigio — Saindo de Chiquititas, onde fez sucesso com a protagonista Mili, e caindo direto numa novela global em um papel relativamente importante, a jovem e inexperiente atriz não fez jus à sorte grande que teve e foi infeliz na interpretação de Gerusa, garota doente mais inexpressiva das novelas, em Eta Mundo Bom. Uma pena que o Walcyr só decidiu matá-la perto de acabar a novela.

02º lugar: Luiza Brunet — Em sua participação especial em Velho Chico como Madá, dona de um bordel, Luiza apareceu com uma peruca bem da esquisita que mirou na Marilyn Monroe, mas acertou em cheio na drag queen Salete Campari. A questão maior, porém, foi o sotaque nordestino que Luiza teve de fazer. Estava totalmente estranho, forçado e com uma entonação que, por vezes, lembrava a voz de uma criança. Bizarro. Agora entendo porque sua carreira como atriz nunca decolou: ela não nasceu para isso!

01º lugar: Débora Nascimento — Além do sotaque interiorano artificial demais (que acabou sumindo), Filomena (que já pode ser considerada uma das piores mocinhas de todos os tempos) era extremamente cansativa e insuportável. Pra piorar, não teve química alguma com Candinho, que só não foi prejudicado pela fraqueza da intérprete de Filó porque Sérgio Guinzé estava muitíssimo bem no papel. Em certos momentos, ficou esquecida e sem função alguma em Eta Mundo Bom. Não deu outra: foi ofuscada pelo brilho da Bianca Bin e a Maria acabou virando a mocinha oficial da história! Débora não aguentou o rojão de ser protagonista e ainda precisa se esforçar muito antes de protagonizar uma próxima trama.

Menções Nada Honrosas: Adriana Birolli (Totalmente Demais), Guilhermina Guinle (Eta Mundo Bom), Yara Charry (Velho Chico), Maria Pinna (Cúmplices de Resgate) e Carol Nakamura (Sol Nascente).


Obviamente, a lista é baseada unicamente na opinião desse humilde redator que vos escreve. Portanto, está sujeita a injustiças e esquecimentos. Cabe a cada um dos leitores concordar ou não, dar a sua opinião, completar a lista, me esculhambar nos comentários...


quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

"Nada Será Como Antes" e "Supermax": duas promessas, duas decepções



Deve ser a primeira vez que isso aconteceu: não há comédias dentre as produções de séries em exibição na Globo. Até semana passada, haviam dois produtos do gênero em cartaz, todos nas noites de terça-feira: Nada Será Como Antes, um drama, e Supermax, de terror/suspense. Duas boas experimentações na grade da emissora para sair da mesmice que estrearam repletas de expectativa. A primeira, porque iria suceder a ótima minissérie Justiça, sucesso de público e de crítica; e a segunda porque seria a primeira empreitada da Globo no universo do terror. Porém, infelizmente, ambas se revelaram duas grandes decepções.

Nada Será Como Antes tinha como ponto de partida abordar uma visão ficcional do início da televisão no Brasil. Os bastidores da TV seriam um prato cheio para um produto de alta qualidade. E foi isso que se viu nos episódios iniciais. Ao mostrar o início da televisão no Brasil por meio da fictícia TV Guanabara, a série mostrou também a telenovela como um produto que arrebata o público e se torna uma paixão nacional. Neste contexto, o drama água-com-açúcar vivido por Saulo e Verônica se confundiu com o mais básico folhetim e a série assumiu-se como uma grande homenagem ao seu próprio veículo; além de ter brincado com os estereótipos típicos do gênero (a atriz veterana que tem ataques de estrelismo, a gostosona que faz teste do sofá e só consegue um papel na novela porque namora o patrocinador, o galã gay enrustido que cria namoro de mentirinha com mulher só para disfarçar, a pressão por audiência nos bastidores, etc).

Resultado de imagem para otaviano beatriz julia

Porém, relegando toda a história do início da televisão no Brasil como mero pano de fundo, a série acabou se transformando em um drama amoroso qualquer. Os conflitos dos personagens ofuscaram o contexto histórico, fazendo com que Nada Será Como Antes perdesse o sentido de existir. Apesar da produção caprichada, ótima direção e do elenco afinado, com destaque para Murilo Benício, Daniel de Oliveira, Bruna Marquezine, Letícia Colin, Cássia Kiss, Osmar Prado, Jesuíta Barbosa e especialmente Debora Falabella, a história se mostrou cansativa e desinteressante. A série só conseguiu alguma repercussão com a exibição de duas cenas de sexo da personagem de Bruna. Mas nem isso foi suficiente para atrair o público. Outro erro que prejudicou o andamento da série foi a exibição semanal, quebrando consideravelmente o ritmo da história. Funcionaria melhor se ela tivesse sido apresentada diariamente, como uma minissérie.

Supermax partiu com uma premissa das mais interessantes: confinados num presídio de segurança máxima para participarem de um reality show, 12 pessoas acabam abandonadas no local, onde coisas estranhas e sobrenaturais começam a acontecer. Misturando as mais variadas referências em seriados e filmes internacionais, Supermax atirou em todas as direções... E acabou não acertando ninguém!

Resultado de imagem para supermax final

De cara, a linguagem do reality e a presença de Pedro Bial jogaram sobre a trama um inconveniente ar de paródia do BBB. Já na segunda semana, porém, todos que viram em Supermax um programa interessante sobre um reality show macabro, são frustrados quando as já poucas características de um programa do tipo são abandonas para darem lugar ao terror e ao horror (gêneros que se mantém mais presentes durante o curso da temporada). A direção tomou a decisão de dar informações gradativamente sobre os personagens em doses extremamente homeopáticas. O texto duvidoso (que apelou para todos os maiores clichês textuais do gênero), a falta de aprofundamento nos personagens (cujas histórias foram tão mal exploradas que não dava para se gerar empatia por eles), o excesso de referências mal situadas, o abandono de premissas e a canastrice de grande parte do elenco foram fundamentais para o desinteresse do público.

Além disso, a distribuição da ação e da divagação geraram uma sensação de tédio. A grande virada que a trama sofreu foi somente no episódio 10 (explodindo nos dois últimos com toda a história do Baal), o que acabou salvando a série de muitos dos problemas que ela apresentou no decorrer de sua trajetória. Mas já era tarde demais. A ousadia e pioneirismo de Supermax, infelizmente, não foram recompensados como se esperava. Foi, sem dúvida, uma grande ideia, perdida nos equívocos gerados por uma grande euforia.

domingo, 18 de dezembro de 2016

O Melhor e o Pior da Semana (11 à 17/12)




   O MELHOR DA SEMANA   



Despedida de Jô


A entrevista de Roberto Carlos no Programa do Jô foi uma daquelas para ficar guardada na memória. Amigos desde a época da Jovem Guarda, o cantor e o apresentador trocaram confidências, rememoraram episódios históricos e falaram até sobre manias, hábitos alimentares e a predileção pela madrugada. Mas, marcante mesmo, foi o momento em que o Rei cantou um dos seus grandes sucessos, "Amigo", levando Jô (e o público) às lágrimas. seu último episódio foi mesmo de arrancar lágrimas. O último, então, foi uma mistura de melancolia com emoção. Diante de uma plateia cheia de VIPs, como Nizan Guanaes, Serginho Groisman e o próprio diretor-geral da Globo, Carlos Henrique Schroder, Jô surgiu reluzente num terno branco com listinhas e gravata cor de rosa. Já estava com os olhos vermelhos, e se engasgou diversas vezes durante as diversas homenagens que fez em seu monólogo de abertura. Ziraldo, o último convidado, foi simbólico por ter ido ao programa em cada um de seus 28 anos de existência e também por ter profetizado o fracasso de cada projeto bem-sucedido de Jô. Sua derradeira entrevista conseguiu até mesmo a proeza de falar mais que seu anfitrião. Mas os momentos de cumplicidade entre os dois foram de emoção genuína. É neste quesito, aliás, que Jô vai fazer mais falta: nenhum de seus jovens sucessores têm tanta quilometragem, histórias em comum com os convidados, traquejo e capacidade de se tornar íntimo de quem acabou de conhecer. Durante quase três décadas, o talk show de Jô foi um oásis na TV brasileira. Um erro tirá-lo do ar.


Xuxa imitando Eliana e Angélica


A Xuxa zueira precisa dar uma força para a Xuxa apresentadora. São a mesma pessoa, mas há um descompasso entre as duas. Nas redes sociais, Xuxa tem audiência garantida. Lá, Xuxa se expõe sem pudor (às vezes, corajosamente de cara limpa). Posta fotos e vídeos que a mostram nos bastidores da Record e na vida privada, rebate comentários maldosos... É uma Xuxa despachada, desarmada, livre, feliz. Como a que vimos no Programa do Porchat. Foi divertido à beça. Nunca imaginamos ver a Xuxa cantando "Vou de Táxi" da Angélica e fazendo a "Dança dos Dedinhos" da Eliana (com um gesto nos dedos médios que deu o que falar). Momento histórico! Já a Xuxa da TV é engessada e atravessa uma fase tensa. Mais divertida na internet e na casa dos outros do que como anfitriã, Xuxa precisa levar este espírito para o seu programa.


      O PIOR DA SEMANA      



Desfecho de Beatriz


Ridículo o desfecho da Beatriz (Bruna Marquezine), uma personagem tão importante, em Nada Será Como Antes. Ela foi morta sem concluir a vingança contra Pompeu (Osmar Prado), responsável pela morte de sua mãe, e por um personagem avulso que entrou aos 45 do segundo tempo (Davi/Jesuíta Barbosa) e nada acrescentou na série. Aliás, Jesuíta Barbosa vivendo mais um desequilibrado ciumento que mata a namorada em dois trabalhos consecutivos, depois de Justiça, mostra que a Globo anda sendo muito frouxa em relação à repetição de elenco e histórias em suas produções. Criatividade mandou lembranças...

Final de Supermax


O grande mal das produções brasileiras é deixar toda a ação para o final e enrolar no meio. Infelizmente, com Supermax, que chegou ao seu ponto final nesta terça (13/12), não é diferente. O penúltimo episódio (6/12) acabou com um bom gancho, com todos os participantes presos em uma cela, enquanto o vilão Baal (Márcio Fecher) os aguardava cheio de armas do lado de fora. Eis que o derradeiro capítulo começa e toda a tensão se dissipa em uma conversa sonsa entre o inimigo (com sua voz alterada sem razão por computadores, já que ele não era nenhuma entidade) e os mocinhos. O lenga-lenga continua.

Tudo desandou no segundo bloco, que parecia completamente desconectado do anterior. A impressão que ficou era de que a Globo quis encurtar ao máximo a série e se livrar daquele peso da programação. Os personagens foram morrendo um a um, em um desfecho que se tornava cada vez mais previsível. A chacina foi até que divertida, ainda mais pela crueza que as mortes aconteciam (com tiros na cabeça e sangue para todo lado), mas poderia ter sido iniciada em episódios passados. Ficou tudo muito acelerado neste episódio. Foi quase um "gente, esquecemos de matar o povo, começa a dar tiro em todo mundo aí". E isso foi bem frustrante, pois desejava ver sangue bem antes, e não somente agora.

Duas mortes, porém, me chamaram a atenção. A primeira foi a da transexual Janete (que eu admito que minha torcida era para ela sair viva), que me pareceu uma crítica contra a homofobia no diálogo em que Baal a chama de aberração e pergunta o que ela é e ela responde: "Eu sou ser humano". A outra morte foi a de Artur, pois simplesmente aconteceu e eu fiquei "ué, cadê?". Sério, se alguém viu essa morte, me avisa, pois para mim só apareceu o cara morto sem mais nem menos. E neste momento fiquei me sentindo um bobo por tudo que estava acontecendo, já que não tiveram cuidado neste ponto.

O final se tornou mais cômico ao trazer o corpo de Pedro Bial assassinado com um tiro na cabeça e a revelação de uma grande conspiração do governo brasileiro e mundial para deixar os participantes morrerem no presídio, para que o vírus continuasse desconhecido e restrito à região. No fim, o programa deixa em aberto o destino dos únicos dois confinados sobreviventes (já que Sérgio continuou preso na Supermax e Nonato se transformou no novo Baal). Falando no Baal, achei o fim de Nonato bem aquém da grandiosidade da sua participação na série. Fazendo jus à série, foi um final decepcionante.

Hora da "Farsa"


Que triste a trajetória do Rodrigo Faro na Record, hein... Ele, que é um apresentador carismático (e canta, dança e atua muito bem também), fazia um sábado alegre, animado, sempre pra cima, se fantasiando e dançando no finado O Melhor do Brasil. Na mudança para o domingo, porém, Rodrigo mudou completamente. Agora, sob o comando do Hora do Faro, entrou na onda do excesso de pieguice, com assistencialismo e choro o tempo todo. Caiu no mais do mesmo. Parece até uma nova (e piorada) versão do Gugu! Atualmente, rodeado de prestígio na emissora, Rodrigo representa uma das maiores audiências na Record, inclusive alcança a liderança com frequência, às vezes batendo o Faustão. Neste último domingo (11), por exemplo, o Hora do Faro bateu recorde histórico de audiência: 14 pontos de média contra apenas 7 do SBT, no Ibope da Grande São Paulo. Além disso, ficou na liderança durante 1 hora e 17 minutos e venceu por 22 minutos a final da Dança dos Famosos, do Faustão. Isso me remente àquele período de trevas que o Faustão enfrentou quando Gugu estava em seu auge no SBT. Mas não pense que o Faro tem a cara do Gugu só por conta do assistencialismo e audiência. No mesmo dia em que seu programa bateu recordes, o bom moço deixou escapar um podre fatal. Um podre que me lembra a derrocada do Gugu no SBT. O Hora do Faro montou uma farsa usando um garoto de apenas cinco anos: "Felipe sabe tudo sobre o Leonardo. Hoje ele vai realizar o sonho de conhecer o ídolo pela primeira vez!". No momento em que Leonardo entrou no palco e Felipe reconheceu o ídolo, os dois se abraçaram longamente. O cantor chorou. Faro também. E ainda gritou: "Meu Deus do Céu!!! Ele conheceu o ídolo dele!!!!". Oh, que lindo... Porém, logo depois, foi descoberta a armação: o menino já conhecia o Leonardo (eles se encontraram no camarim do cantor depois de um show em Barretos, em agosto; fato documentado em uma reportagem da afiliada da Globo na região). Em entrevista à Sonia Abrão, a assessora de Leonardo disse que Faro sabia sim que o menino já havia se encontrado com o cantor, mas que preferiu não citar tal fato durante a atração. Que vergonha, Faro... Por audiência, não poupa nem uma criancinha... Este episódio de má fé não tem a mesma amplitude do escândalo do PCC, promovida por Gugu em 2003, mas é assim que se começa quando a sede por audiência e pelo primeiro lugar no Ibope fala mais alto.

domingo, 4 de dezembro de 2016

O Melhor e Pior da Semana (27/11 à 3/12)




   O MELHOR DA SEMANA   


Décimo episódio de Supermax


Desde o início, sempre tiverem alguns comentários alertando que o episódio 10 seria o melhor de todos de Supermax. E não é que é verdade (pelo menos, até agora, já que ainda faltam o penúltimo e o último)?

A volta no tempo mostrou que tudo aconteceu, relativamente, a pouco tempo (2008), sem ter toda uma mitologia muito mais antiga, que eu acreditava que seria o norte de tudo. O foco sendo em Mauro e Nonato foi muito interessante, pois temos um que quer descobrir o que está acontecendo de errado na obra de construção da Supermax e o outro que acredita que a peste é causada pelas prostitutas, que, por sinal, foram outras personagens muito boas no episódio 10. Finalmente, tivemos algumas respostas, como a questão do vírus que era transmitido através da mosca, e que esse vírus causa agressividade e que seu hospedeiro não sente medo ou dor. E neste ínterim tivemos a questão de a empresa realizar uma completa queima de arquivo, eliminando tudo referente ao vírus, isso incluindo até a equipe de filmagem de Mauro que fazia o documentário sobre a cidade. Com uma revelação também relevante para a história: o renascimento de Baal, um antigo "deus" da Bíblia que estava de volta a terra para levantar o seu exército.

Filho. Supermax – Capítulo 10.  2016-11-29-2

O fato de Nonato ter sido o receptáculo de Baal foi algo completamente coerente, pois ele era um homem que prezava pela fé e pelos bons costumes e que Deus iria cuidar dele e de sua família a todo custo e, de uma hora para outra, toda sua família é destruída pelo vírus e ele consegue ser o único sobrevivente. Nonato abandonando a Deus e abraçando com toda força as trevas se mostrou algo que poderia acontecer a qualquer um. Baal se aproveitou de todo sofrimento e desespero de Nonato e usou isso a seu favor. E tenho que admitir que foi extremamente triste ver Nonato sacrificando seu filho e perguntando para Deus porque ele salvou Isaque, mas não salvou seu filho. Cena dilaceradora. Simplesmente não tinha como não compadecer da dor dele e concordar com todo seu discurso. Atuação estupenda de Márcio Fecher.

Se formos analisar pela história da demonologia e das teorias pagãs, podemos concluir que Baal espalhou o vírus para recrutar soldados para o seu lado por ter a cura para o vírus e assim conseguir criar seu exército de 450 profetas, que, neste caso, ele precisa das mulheres para procriarem, o que podemos ver na questão das prostitutas irem para o lado dele e serem aquelas que estão em constante trabalho de parto (e também por terem raptado Bruna). De qualquer forma, agora indo para a parte técnica, posso dizer que este episódio foi disparado o melhor que foi apresentado até o presente momento. A ambientação usada, com trabalhadores e prostitutas, em um ambiente que de certa forma era degradante e que facilitava bastante a proliferação do vírus, foi muito agradável de ver, principalmente por sair daqueles corredores fechados e escuros. As atuações foram bem superiores a todas que fomos apresentados até o presente momento, de forma que eu fiquei muito mais interessado em acompanhar a saga de Nonato/Baal do que termos que voltar para o presídio de novamente com as atuações, no geral, canastronas de parte do elenco.

Baal. Supermax – Capítulo 10.

Acredito que a série não precisava ter feito vários episódios para chegar até aqui, pois tivemos muitos episódios que praticamente só enrolou e este, que tinha uma grande história, ficou renegado a praticamente ao final, tendo apenas mais dois episódios para se ver todo o desdobramento do que Baal pode fazer com o pessoal que ainda está no presídio da Supermax. O episódio foi excelente, mas senti que veio um pouco tarde demais, já que poderia ter vindo mais cedo para desconfundir a cabeça dos telespectadores e dar um ritmo mais frenético a trama, pois, tirando o sexto episódio, esse foi o mais tenso até o presente momento; o que é uma pena, pois a série tinha potencial para explorar ainda mais, já que ela não tinha amarras para tratar vários temas de forma nua e crua. Fica um gostinho de decepção.

Virada de Nada Será Como Antes


Verônica flagra Saulo com outra mulher (Foto: TV Globo)

Nada Será Como Antes ganhou muito quando deixou de lado as longas cenas de sexo e nudez para investir nas boas histórias que tem para contar. Débora Falabella e Murilo Benício ganharam ótimas cenas com os novos dilemas entre Verônica e Saulo na disputa pela guarda do filho da atriz. Difícil não se emocionar. Eu sou #TeamVeronica e #OdeioSaulo! Também é preciso elogiar Cássia Kiss, que mostra, mais uma vez, que faz qualquer tipo de personagem, por mais pequeno que seja. A interpretação dela como a simplória Odete chega a ser comovente. Sem falar na boa sintonia que tem com Bruna Marquezine, sua filha na série.

Senador Venturi


Venturini denuncia Mág (Foto: TV Globo)

Mesmo que toda a história de corrupção e política na novela venha sendo tratada de forma caricata e superficial, Otávio Augusto está mandando super bem como o senador César Venturi. Um tipo bufão, de comédia, ao mesmo tempo, detestável e risível. Uma sacada de gênio dos autores na cena desse sábado (3), em que Venturi se recusa a ir preso e dá o maior chilique, se atracando com os policiais e gritando que é cardíaco. Qualquer referência com o Garotinho será mera coincidência? Seja lá como for, adorando também a dobradinha de Otávio com Grazi Massafera (outro destaque de A Lei do Amor, como falei bem AQUI).

Homenagem do JN às vítimas da queda do avião da Chapecoense



Em uma tragédia, a linha que separa jornalismo e sensacionalismo é muito tênue. Nessa semana, o Brasil e o mundo esportivo entrou em choque e de luto com a tragédia do voo que vitimou mais de 70 pessoas no acidente com o time da Chapecoense na madrugada de terça (29), na cidade de La Unión, próximo a Medellín, na Colômbia. Com duração longa, o Jornal Nacional (principal telejornal da Globo e do país) fez naquela noite a maior e melhor cobertura da tragédia, onde os apresentadores Heraldo Pereira e Giuliana Morrone desceram da bancada e encerraram o telejornal na redação, ao lado de Galvão Bueno, que fez o encerramento pedindo aplausos de toda a equipe, que bateu palmas durante 1 minuto e 20 segundos enquanto o telão do estúdio exibia fotos de jogadores e jornalistas que morreram na tragédia.

Foi uma edição arrepiante, digna, honrosa e comovente que já entrou para a história do telejornalismo brasileiro! Antes, inclusive, nas idas para o intervalo, foram sendo exibidos os nomes dos mais de 70 mortos no desastre. Bacana! Muitos repórteres da Globo com experiência em relatar tragédias, como Ari Peixoto, Helter Duarte, Alberto Gaspar e Ricardo Von Dorf, choraram no ar; e não precisariam fazer diferente, já que a emoção não compromete o bom jornalismo, ainda mais em situações extremas como essa, quando a empatia e a sensibilidade prevalecem. Mas é preciso elogiar o Galvão, principalmente ao narrar o velório coletivo da Chapecoense. Ele anulou os exageros típicos de seu estilo e fez a narração de maneira discreta e respeitosa. Em alguns momentos, emocionou-se a ponto de ficar com a voz embargada e soube respeitar o silêncio necessário em alguns trechos do cortejo e do funeral no estádio. (...)

     O PIOR DA SEMANA     


Sensacionalismo com a tragédia


Reprodução/TV Globo  Jornalista usa celular em velório - Foto/Reprodução: Globo

(...) Infelizmente, é de se lamentar que o mesmo JN, que vinha fazendo uma boa, extensa e respeitosa cobertura, tenha brindado o telespectador na edição desse sábado (03/12) com um momento de exploração grosseira do drama das famílias em luto. Achei bastante desnecessária as imagens da parte privada dos familiares (no interior do ônibus que levou parentes ao aeroporto de Chapecó e na tenda onde velaram os corpos, dentro do estádio) feitas pela repórter Kiria Meurer com a câmera do próprio celular. Se o cinegrafista não foi autorizado a filmar, era óbvio que não queriam câmeras filmando por lá. Por acaso, a repórter achou que estava visitando algum ponto turístico? Só faltou filmar os corpos dentro do caixão!

Continuando na Globo, também achei bem desnecessária e uma tremenda forçação de barra de Tiago Leifert ao citar a tragédia na abertura do The Voice Brasil, nesta quinta (1). Ele abriu o programa dizendo que, naquela noite, não era o The Voice, mas sim o "The Voice Chapecó". E que "nossos quatro times são, sem dúvida nenhuma, chapecoenses". Tudo bem que Tiago fazia parte do jornalismo esportivo da Globo, todos os demais profissionais se emocionaram e tal, mas achei deslocado e gratuito. Até porque ele estava num reality show musical, que nada tem a ver com o assunto. "The Voice Chapecó"?! Menos, né...

  Resultado de imagem para SONIA ABRAO CHAPECOENSE

Nas concorrentes, pra variar, o pior do sensacionalismo deu as caras. Foi o caso da Rede TV. Durante a manhã, o Você Na TV convocou um sensitivo ao estúdio e um vidente por telefone. O sensitivo Rodrigo, que diz ter previsto o 11 de setembro, afirmou que até o fim deste "ano carregado" haveria mais tragédias. O programa também exibiu um vídeo no qual o vidente Carlinhos previu o acidente com o avião da Chape. Pasme! Os dois espíritas se vangloriavam por terem "acertado" em cheio nas tragédias. Os apresentadores Celso Zucatelli e Mariana Leão ainda fomentavam a macabra patifaria. Quanto mau gosto, desrespeito e falta de sensibilidade num momento desses... E não parou por aí! Durante o A Tarde É Sua, a (coveira) jornalista Sônia Abrão, como era de se esperar, deu amplo destaque a tragédia e também ao vidente que "previu" a queda. O mais "engraçado" dessa história é que Sonia está lá, sentada, fazendo cara de tristeza, dizendo que era lamentável o que tinha acontecido com o time, aí do nada levanta, vai pro merchandising e já arreganha os dentes: "Vamos falar de coisa boa? Vamos falar da calça modeladora Lejeans"! Ridículo!

Um fato que chamou minha atenção foi a apresentadora Adriana Araújo ter encerrado a transmissão do velório, na Record, antes do término. Achei estranho, já que a emissora cobre até o fim esse tipo de acontecimento. Zapeei para a Globo e, nesta parte não exibida pelo canal, entrou Cid Moreira e um bispo da Igreja Católica com a mensagem do papa Francisco. A questão religiosa e da concorrente platinada entraram neste embate. Lamentável. Triste fato. Nem vou perder tempo falando da incompetência e desinformação do SBT porque o desprezo da emissora pelo jornalismo já é notório. Morreram mais de 70 brasileiros no maior acidente do país envolvendo o esporte, mas o canal preferiu enviar um repórter para a porta do Fórum de Justiça de SP para cobrir em tempo real as últimas notícias do divórcio da Luiza Brunet, no Fofocando. Jornalismo para cobrir fofoca e futilidades o SBT tem a disposição 24h, incrível...

Morte de Zelito



É de se lamentar que, em meio a um elenco numerosíssimo e repleto de personagens sem função e desinteressantes, os autores de A Lei do Amor resolveram eliminar justamente o personagem gay, negro e, aparentemente, promissor: Zelito (Danilo Ferreira). Wesley, frentista do posto de gasolina e pai solteiro, se declarou para ele; o que deu sinal de que uma história ousada na novela estaria por vir. Ledo engano.

Zelito soube por Jessica que o maior vilão da novela, Tião (José Mayer), está envolvido no desaparecimento de sua amiga Isabela (que "morreu" em uma cena mequetrefe, como disse AQUI). E o que ele faz? Fica caladinho e investiga melhor até encontrar provas concretas? Denuncia na polícia? Não... Invade a sala do vilão, acusa ele de ter matado a garota e ainda lhe dá um soco! J-E-N-I-O! E, no capítulo desta segunda (28), ainda assistimos Tião também deixar o bom senso de lado e encomendar a morte imediata de Zelito, que morreu vítima de overdose após um capanga do vilã colocar um veneno na bebida do rapaz na balada.

Segundo a Globo, a morte de Zelito já estava prevista desde antes de A Lei do Amor ir ao ar. Duvido muito, mas, ainda sim, é uma pena que justamente ele tenha sido eliminado com tantos outros mais dispensáveis. De qualquer forma, Zelito saiu de cena em grande estilo (Danilo Ferreira brilhou na cena aterrorizante em que seu personagem morre); e Tião é um personagem difícil de engolir. José Mayer tem se esforçado para fazê-lo verossímil, mas não dá para acreditar nele. Ele é mau o tempo todo e só vive para destruir quem cruza seu caminho. É um vilão gratuito e exagerado, com intenções confusas e não muito lógicas.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Deliciosa mistura de ficção e História, Nada Será Como Antes não deveria ser semanal



Deve ser a primeira vez que isso acontece: não há comédias dentre as produções de séries em exibição na Globo. Atualmente, são dois produtos do gênero em cartaz, todos nas noites de terça: Nada Será Como Antes, um drama, e Supermax, de terror/suspense. Duas boas experimentações na grade da emissora.

Apesar de vir numa embalagem bem diferente do que normalmente aparece nas produções de séries da Globo, Nada Será Como Antes conta com um enredo simples e à prova de erros. Sua espinha dorsal trata das idas e vindas de um casal, formado por Saulo (Murilo Benício) e Verônica (Débora Falabella). Ele é um empresário visionário que aposta fundo no lançamento da televisão no Brasil; e ela uma atriz de radionovelas que desponta como uma das primeiras estrelas da telinha. Casados, eles se separam quando Saulo descobre ser estéril, num momento em que Verônica sonha em ser mãe. O casal vai e volta, sendo impedido sempre de permanecer unido por percalços que vão surgindo no desenrolar do enredo.

Resultado de imagem para nada será como antes beatriz veronica

O plot é quase um folhetim água-com-açúcar, mas ganha um tempero especial graças ao seu pano de fundo. Ao mostrar o início da televisão no Brasil por meio da fictícia TV Guanabara, Nada Será Como Antes mostra, também, a telenovela como um produto feito para vender sabonetes, mas que arrebata o público e se torna uma paixão nacional. Neste contexto, o drama vivido por Saulo e Verônica se confunde com o mais básico folhetim e a série assume-se como uma grande homenagem ao seu próprio veículo; além de brincar com os estereótipos típicos do "mundinho pantanoso" dos famosos, como diria uma certa cobríola.

Na trama, a TV Guanabara produz e exibe, ao vivo, sua primeira novela, uma adaptação do romance Anna Karenina. Verônica Maia, estrela das radionovelas e rosto da TV Guanabara, vive o papel-título, enquanto Beatriz de Souza (Bruna Marquezine), uma ex-dançarina de boate transformada em atriz pelo namorado, o patrocinador da obra, é sua antagonista. Rodolfo do Vale (Alejandro Claveaux) é o galã da obra e vértice do triângulo amoroso. A trama torna-se um grande sucesso, para a alegria do magnata Pompeu (Osmar Padro), mas é Beatriz quem cai nas graças do público apaixonado pela história. Verônica não aceita ser ofuscada por uma dançarina e dá seus chiliques típicos de estrela. A solução encontrada é transformar sua personagem na grande vilã da trama, invertendo os papéis. Assim, a trama fala sobre a paixão do público das novelas por grandes vilãs, além de deixar claro que a vontade da audiência influi nos rumos da obra.

Resultado de imagem para nada será como antes beijo

Nada Será Como Antes também enfoca o universo da televisão nos anos 50 reforçando ideias que ficam no imaginário do público e não necessariamente são verdades absolutas. Um exemplo é a glamorização vista nos bastidores da TV Guanabara, com cenários e figurino impecáveis. Sabe-se que o início da televisão foi de uma precariedade absoluta, mas, aos olhos do público, o mundo dos famosos é praticamente um universo particular e é isso que a série reforça. E há também personas típicas deste universo, como o patrocinador que coloca a namorada como protagonista ou o galã que esconde sua homossexualidade para garantir seu lugar na mídia e não decepcionar suas fãs apaixonadas. A “pimenta” da história fica por conta também de Beatriz, que, ao mesmo tempo em que namora Otaviano (Daniel de Oliveira), também se envolve com a irmã dele, Júlia (Letícia Colin). O que me incomoda é esse artifício de tentar criar uma relação incestuosa entre os irmãos. Podem me chamar de careta, mas acho desnecessário. Só serve para querer chocar. Tudo isso sob a direção firme e arrojada de José Luiz Villamarim, cujo nome já se tornou uma grife, e com um elenco competente e homogêneo, sem destaques negativos.

Ou seja, Nada Será Como Antes mostra os anos 50 com uma lente de aumento, quase idealista, mas encanta pela sua temática, que traz a TV falando da própria TV. O canal, porém, perdeu a chance de ousar mais, colocando a história da TV, de fato, como protagonista, menos glamourizada, e ido fundo em questões políticas e sociais que permeiam a implantação da TV no Brasil. Neste ponto, a série acaba ficando na superfície. O fato de ser semanal também quebra o ritmo, bem como o tempo de arte reduzido dos episódios, que compromete o ritmo da narrativa, deixando-a em certos momentos lenta e morna demais. Poderia ter seguido o exemplo de Justiça, que tinha uma estrutura de série, porém, era diária (exibida às segundas, terças, quintas e sextas). Mas, ainda assim, Nada Será Como Antes é uma deliciosa opção e abre novos caminhos para a narrativa seriada nacional dentro da programação da Globo.

domingo, 30 de outubro de 2016

O Melhor e Pior da Semana (23 à 29/10)




   O MELHOR DA SEMANA   


Lenittorio



O tempo passa, mas a química é a mesma. Letícia Spiller e Marcelo Novaes estão confirmando em Sol Nascente que a imensa química de Babalu e Raí em Quatro por Quatro segue firme até hoje. O ex-casal é um dos poucos atrativos da fraquíssima e sonolenta novela das seis. A trama de Lenita e Vittório é bem mais interessante e shippável que do (insosso) casal protagonista.

Drama em Haja Coração


 Fedora descobre que Leozinho queria matá-la e fica arrasada (Foto: TV Globo)

A cena em que Carmela confessa que foi responsável pela deficiência da irmã primou pela total entrega das três atrizes. As irmãs tiveram uma briga feia e tudo acabou vindo à tona, para o desespero de Francesca. Carmela amava imensamente a irmã e nunca se perdoou por te-la deixado manca. A sua saída foi transformar o amor em ódio e ficou invejosa. Foi uma sequência grandiosa, onde o talento da Sabrina Petraglia (a mocinha oficial da novela) pôde ser observado mais uma vez, assim como o de Chandelly Braz (que vive o perfil mais complexo da trama na pele de Carmela) e Marisa Orth. Esta última, inclusive, pela primeira vez, ganhou uma personagem não puramente dosada no humor e sem os resquícios da Magda do Sai de Baixo, como a maioria das personagens que ela viveu depois do término do humorístico.

Outra atriz voltada para a comédia que saiu de sua zona de conforto e deu um show no drama essa semana em Haja Coração foi Tatá Werneck. Sim, ela mesmo! Eu sempre achei todo o contexto do casal Fedora e Leozinho tosco e infantil demais. Mas devo confessar que foi muito bonitinho e emocionante a cena em que Fedora confronta Leozinho na cadeia e ele lhe revela toda a verdade. Ela, chorando de decepção; ele, arrependido e apaixonado de verdade.

Cassia Kis


Resultado de imagem para cassia kis nada sera como antes

É impressionante a capacidade única da Cassia Kis em pegar um papel pequeno e o agigantar diante das câmeras sem precisar de peripécias de interpretação, nem caracterização especial. Quase de cara limpa, com rugas assumidas, Cassia ressalta o significado de arte dramática. E isso pode ser comprovado em Nada Será como Antes. Na série, ela interpreta a sofrida empregada doméstica Odete, mãe da jovem estrela da TV Beatriz (Bruna Marquezine). Cassia não precisou de muitas palavras para exprimir a intensidade da emoção de sua personagem ao reencontrar a filha e vê-la brilhando na tela preto e branco dos primórdios da TV no Brasil. Foram cenas bem singelas, mas que certamente comoveram a muitos telespectadores também.

     O PIOR DA SEMANA     


Duelo de Mães


Resultado de imagem para duelo de maes

No sábado da semana passada (22), o SBT estreou o Duelo de Mães. Ticiana Villas Boas comanda a nova atração que aposta em disputas gastronômicas entre mães de "famosos" como das cantoras Tays Reis (aquela do "Pega a metralhadora e trá trá trá trá trá") e Vanessa Jackson e da youtuber Maju Trindade (???). Vai vendo o nível. Portanto, nenhuma grande famosa. Ticiana poderia ter convocado mães de contratados do SBT. Teria sido muito mais interessante.

A nova aposta da emissora de Silvio Santos entrou na faixa das 19h15, anteriormente ocupada pelo Corre e Costura. O programa se divide em duas partes. Na primeira, as mães apresentam a sua própria receita. Já na parte final, elas recebem uma receita do chef Rodolfo de Santis. O problema é que o programa não passa simpatia no vídeo, totalmente "sem sal e sem tompero" (como diria o mestre Jacquin, do MasterChef). As mães, não acostumadas a como agir num programa de TV, parecem desconfortáveis na tela. O programa, em si, não rende e poderia ser somente um quadro dentro de algum outro programa maior como Eliana ou Domingo Legal.

Na realidade, a TV (em especial, Band e SBT) se empanturra com competições gastronômicas. É a moda do momento. Então, as emissoras apostam no mesmo segmento para faturar e conquistar audiência. Vai chegar uma hora que o modelo estará exaurido. Se já não está, né?

Posto de Salete



Já tenho um núcleo para odiar com todas as minhas forças em A Lei do Amor: o posto de gasolina de Salete (Claudia Raia). A personagem, em si, até que é bem interessante (principalmente essa sua relação conturbada com a filha). Já as dancinhas dos frentistas do posto dela são ridículas. Aquilo não é dança. É um festival de cenas explorando apenas o corpo dos atores, que tentam ser sensuais se remexendo como lagartixas. Nesta segunda (24), o núcleo bateu todos os índices da vergonha alheia. Na cena, Salete mostra um novo empregado que começa a trabalhar no local. É um tipo franzino e freio, bem diferente dos outros modelos que trabalham por lá. Daí, os fortões resolvem zoar o rapaz, dando um banho no lava-rápido do posto. A ideia era que o telespectador risse e tivesse um pouco de humor, mas foi apenas constrangedor mesmo. Tá ficando difícil defender a novela das nove (falarei mais em breve).

domingo, 23 de outubro de 2016

O Melhor e Pior da Semana (16 à 22/10)




   O MELHOR DA SEMANA   


Grazi Massafera


Resultado de imagem para luciane a lei do amor mag

Depois do marco que foi a sua atuação como a viciada Larissa em Verdades Secretas (pela qual está até concorrendo ao Emmy de Melhor Atriz), Grazi vem roubando a cena em A Lei do Amor. A personagem é uma ex-garota de programa casada com Hércules e que sonha em se tornar a primeira-dama de São Dimas. Para isso, ela faz de tudo, inclusive trair o marido. Com Luciane, Grazi consegue ser um bom alívio cômico na trama. Ao mesmo tempo em que tem de fazer humor, sua personagem também tem um lado obscuro e denso bem forte. A dobradinha com Danilo Granghéia e Vera Holtz (sua sogra, Mag, com quem vive em pé de guerra) é ótima.

Bruna Marquezine


Resultado de imagem para bruna marquezine nada sera como antes

Finalmente, a tão alardeada nudez da Bruna Marquezine foi apresentada em Nada Será Como Antes. Porém, mais do que essa nudez, a cena valeu pela dose milimétrica de sensualidade. Beatriz deu uma aula de sexo ao já experiente Otaviano (Daniel de Oliveira). Em seguida, foi a vez de Júlia (Letícia Collin), a irmã do rapaz. Foram cenas fortes, ousadas e polêmicas que deram uma vida nova ao seriado (que estava bem morninho, diga-se de passagem). O que mais chamou minha atenção neste fato é que, mesmo correndo o risco, como correu, os autores seguraram os grandes momentos do seriado para o terceiro episódio, com a nudez e a sensualidade dentro de um contexto, não apenas um puro chamariz de audiência. Aliás, Bruna vem apresentando na pele dessa dançarina de boate alçada à fama como estrela de telenovela sua evolução na carreira, demonstrando maturidade ao optar pela sutileza em cena, ao invés de muitos tons acima do necessário. Uma pena que o povo só queira saber dos nudes e se voltou ou não pro Neymar...

     O PIOR DA SEMANA     


Falta de estratégia da Rede TV


A Rede TV nadou contra a maré neste ano e lançou algumas atrações. Mas de que adiantou? Estreou programas, os colocou em meio a atrações religiosas e logo cancelou metade do que botou no ar. Nos últimos meses, rodaram Olha a Hora, Sem Rodeios e Plantão Animal. Agora, mais uma vez, a Rede TV está jogando dinheiro fora com a contratação de Boris Casoy. Tenho o pé atrás com ele por conta do seu preconceito latente (lembram da vergonhosa declaração sobre os garis?), mas é um dos principais nomes do jornalismo brasileiro. Porém, de que adianta contratá-lo e colocá-lo para apresentar o RedeTV News entre um programa caça-níquel e um programa religioso que traçam no Ibope? Conclusão: o programa sofre para dar 1 ponto de audiência! Esses programas religiosos atrapalham, praticamente, toda a grade da Rede TV. A única que opera milagres é Sônia Abrão com seu A Tarde É Sua (a maior audiência do canal). Investimento é necessário, mas é preciso estratégia. As atrações próprias pagam caro por isso.

A chatice de Letícia



Lembram quando eu disse lá na nossa fan page que a Letícia de A Lei do Amor parecia uma Camila 2? Estava errado... A Letícia é mil vezes mais irritante que a chatonilda interpretada por Carolina Dieckmann em Laços de Família! Totalmente dependente dos pais e do namorado depois que superou um câncer, a personagem abusa do direito de se sentir frágil e desprotegida, obrigando a mãe Helô (Claudia Abreu) a ficar e fingir um casamento feliz ao lado de Tião (José Mayer), além de criar uma situação para Tiago (Humberto Carrão) se sentir obrigado a casar-se como ela mesmo estando em dúvidas sobre a relação. Ela usa a doença para garantir somente a sua "felicidade", mesmo que, para isso, todos que estão a sua volta estejam infelizes.

Além disso, Letícia tem a arrogância típica de quem se acredita superior aos demais e com o direito de julgar as atitudes e os sentimentos alheios. Tudo isso escondido atrás da máscara de filha amorosa, irmã parceira, namorada perfeita e doente indefesa. Tal como bem fazia a Camila em Laços de Família. Só falta a Letícia se apaixonar pelo Giannechinne e querer roubá-lo da mãe também. Já quero uma Íris 2 em A Lei do Amor para gritar JUUUUUUUUDAAAAAS!!!

A diferença entre as duas é que Camila, apesar dos pesares, tinha motivo para ser uma pessoa insegura: seu namorado, Edu (Reynaldo Gianecchini), tinha tido um romance com sua mãe, a Helena gata e poderosa vivida por Vera Fischer. Já Letícia ainda não tem razão para demonstrar tamanha insegurança, já que ela nem imagina que Tiago esteja apaixonado por outra. Um namoro bem morno e nada shippável, diga-se de passagem. A sua intromissão no casamento dos pais é algo bem difícil de engolir. A menina tem cerca de 19 anos e age como se tivesse 10!

A atitude imatura dela em relação a uma possível separação dos dois, além de ser de uma tremenda chatice, mais parece uma total falta de criatividade da autora da novela em criar outros empecilhos menos preguiçosos e cansativos para a história de amor do casal de mocinhos. Até porque, falando sério, nada impede Helô e Pedro de reviverem logo esse amor. Fora isso, Isabella Santoni não encontrou o tom da personagem. Sua atuação é fria, sem expressão, apática. Uma jovem atriz que roubou todas as cenas como a esquentadinha Karina em Malhação tem talento para reverter a situação com o tempo. Amenizar a chatice da Letícia já ajudaria bastante.

Exageros na novela das sete


Resultado de imagem para fedora haja coração dreads Nair se ajoelha para se desculpar com Adônis (Foto: TV Globo)

Haja Coração é uma novela que atira para todos os lados. Só essa semana, ela foi do humor quase infantil e beirando o ridículo buscando o riso fácil (como essa história da Teodora e do Tarzan e a fuga de Leozinho e Fedora) ao dramalhão mexicano barato buscando o choro fácil (como a revelação do segredo de Nair e o término de #Shirlipe). Nos dois casos, pesou a mão!

Poderá gostar também de

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...