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sábado, 4 de fevereiro de 2017

Os piores e inadequados títulos de novelas



Não sei vocês, mas todas as (poucas) vezes em que assisto A Lei do Amor me surge um questionamento na cabeça: o que tem a ver o título da trama com a história apresentada? Afinal, se houve alguma grande história de amor foi só lá nos capítulos iniciais, quando Pedro e Helô ainda eram vividos por Chay Suede e Isabelle Drummond. Desde que Claudia Abreu e Reynaldo Gianechinne assumiram os personagens, o casal protagonista virou coadjuvante dentro da sua própria história — não por culpa dos atores, que fique claro.

"Sagrada Família", o titulo original, expressava muito melhor do que "A Lei do Amor" o tema principal da novela de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari. Seria um título irônico, claro, pois não há nada de sagrado na família Leitão, em torno do qual gira toda a história — pelo contrário, é cheia de podres, segredos, traições e pra lá de conturbada. Magnólia (Vera Holtz), a grande vilã da história e matriarca dos Leitão, além de todos os seus inúmeros pecados, é hipócrita, pois tenta passar a imagem de beata e vive falando de Deus. Foi capaz de muitas monstruosidades. Tudo, segundo ela, pelo bem da sua família.

Este tipo de problema é muito mais comum do que se imagina na teledramaturgia. Confira abaixo outros títulos inadequados de novela (seja por não terem nada a ver com a trama ou por serem bizarros):

Amor à Vida — A novela expôs preconceito, vingança, dramas pesados, além de ter apresentado muitos personagens com desvio de caráter, que tinham amor a tudo — ao dinheiro, ao sexo, a vilania —, menos à vida. São peças que não se encaixavam. O nome mais apropriado para a trama seria "Em nome do pai", que chegou a ser cogitado inicialmente, mas preterido pouco depois. O título tinha consistência, afinal, Félix (Mateus Solano) foi capaz de praticar inúmeras monstruosidades por causa da rejeição de sofria de César (Antônio Fagundes). Porém, optaram por "Amor à Vida", que fez sentido apenas em relação ao momento em que Bruno (Malvino Salvador) achou Paulinha (Klara Castanho) na caçamba e salvou sua vida.

Avenida Brasil — O nome apenas fez uma referência ao atropelamento de Genésio (Tony Ramos), que morreu quando Tufão (Murilo Benício) o atingiu com seu carro na Avenida Brasil, o que desencadeou toda a história da trama. Porém, se formos analisar todo o contexto, o título não teve absolutamente nada a ver com a história de vingança de Nina (Débora Falabella) e muito menos com o Divino Futebol Clube.

Sangue Bom — A trama das sete abordava o mundo midiático e o conflito da protagonista Amora (Sophie Charlotte) entre o "ser" e o "ter". Essa situação servia para movimentar todos os núcleos e apresentava a temática de uma forma dramática e bem-humorada ao mesmo tempo. O título pouco tinha a ver com a história, a não ser pela bondade excessiva de Bento (Marco Pigossi) ou então pela real identidade de Amora, que, no fundo, bem lá no fundo, sempre teve um "sangue bom". Entretanto, partindo dessa premissa, o nome serviria para qualquer novela, uma vez que personagens bons sempre fazem parte de uma história, assim como os maus. Mas em se tratando do conjunto da obra, o nome não combinou.

Alto Astral — Alguém, em pleno 2014, ainda dizia que fulano é "mó alto astral"? Ou que achou tal festa "super alto astral"? Fora o título pra lá de ultrapassado, a novela explorava tramas envolvendo fantasmas e espíritos de forma leve e cômica — tudo a ver com "Búú", título original da trama que foi preterido.

Fina Estampa — A novela, teoricamente, faria uma discussão sobre o ser e o parecer, a partir do momento em que Griselda (Lilia Cabral) ficasse rica e adotasse uma "fina estampa", onde se questionaria se o que vale mais é a aparência ou o caráter — como bem sugeria a abertura e o título da novela. Mas isso não aconteceu. Aguinaldo Silva se perdeu em seu mote inicial e a trama descambou para o absurdo.

Salve Jorge — Glória Perez disse que o título provinha de uma saudação a São Jorge, santo que nasceu na antiga Capadócia, na Turquia — onde parte da história se passava —, e que era o padroeiro do protagonista, Théo (Rodrigo Lombardi), muito usada nas religiões afro-brasileiras — o que acabou gerando uma campanha de boicote de muitos evangélicos. Porém, São Jorge mais parecia um pano de fundo, pois não exerceu nenhuma grande importância para a história, que falava sobre o tráfico de pessoas.

Balacobaco — Desesperada com o fracasso de sua novela Máscaras, a Record chamou Gisele Joras para adiantar os trabalhos de sua nova produção, que se chamaria "Passado Próximo". Mas, desesperada como só ela, a Record decidiu mexer na sinopse da novela e resolveu colocar na nova trama tudo aquilo que não tinha em Máscaras, que era uma novela bem sombria. E foi assim que a emissora transformou o drama de Gisele Joras em uma novela de (pseudo) humor com nome cafona, o que, é claro, não deu muito certo. Se a expressão balacobaco significar samba do crioulo doido, posso afirmar que a novela teve um título certo.

Da Cor do Pecado — Longe de mim querer pagar de politicamente correto e sair problematizando tudo, mas o título da trama é uma expressão que faz a mesma associação de que negro é igual a negativo, só que de forma mais subliminar, não recorrendo a termos como negro ou preto. Ela é usada como elogio, porém, para quem é cristão, pecar não é nada positivo, ser pecador é errado e ter a sua pele associada ao pecado significa que ela é ruim. Portanto, é simplesmente uma ofensa racista mascarada de exaltação à estética, direcionada a mulheres negras — caso da protagonista da novela, Preta (Taís Araújo), literalmente.

Malhação — A novelinha já deixou de ter uma academia como cenário principal há anos.

Antonio Alves, Taxista — O ano era 1996 e o SBT, em uma atitude ousada, resolveu estrear três novelas em um só dia e uma delas era a cafona (não só no nome) Antônio Alves, Taxista, que trazia Fábio Jr. como o personagem-título. Mais cafona do que colocar o nome do personagem principal no título é acrescentar a ele a sua profissão. É como se Rock Story se chamasse "Gui Santiago, o rockeiro".

Pícara Sonhadora — Título que dispensa comentários, enche o mundo de piadas (alguém aí pensou em "pica sonhadora"?) e que só mesmo o Silvio Santos para ter gostado e aprovado um nome desses.

A impressão que fica é que os autores estão cada vez mais deixando o título de suas produções de lado. Claro que a história é a principal preocupação para quem a escreve, entretanto, o nome da mesma não pode ser apenas algo decorativo. Precisa sim se encaixar com o que é mostrado ao telespectador na telinha.

E vocês? Se lembram de algum outro título ruim ou/e inadequado de novela? Comenta aí!

sábado, 5 de março de 2016

O "calcanhar de aquiles" do João Emanuel Carneiro



Todo folhetim precisa ter subtramas para a história central poder se sustentar por vários meses no ar. Caso contrário, não há criatividade e reviravoltas que consiga elaborar constantes conflitos para o núcleo principal se manter atraente por longos meses. Portanto, nada mais normal do que a criação dos enredos paralelos. E é fundamental que o autor desenvolva situações secundárias tão envolventes quanto a central. Porém, não é o caso de João Emanuel Carneiro. Apesar de ser um dos autores mais criativos e venerados da atualidade e ter escrito obras e personagens memoráveis e de sucesso que sempre caem na boca do povo, as tramas paralelas são o seu maior "calcanhar de aquiles".


Em Da Cor do Pecado, haviam três núcleos cômicos: a família Sardinha, liderados pela Mamuska (Rosi Campos), o casal Edu e Verinha (Ney Latorraca e Maitê Proença) e o núcleo de Pai Helinho (Matheus Nachtergaele), que, dos três, era o único que corria sem qualquer relação com o restante do enredo. Enquanto a ação principal se passava no Rio de Janeiro, o falso pai de santo aprontava todas no Maranhão. Apenas no início, quando a protagonista, Penha (Taís Araújo), amiga de Pai Helinho, morava lá no Maranhão, e no final, quando ele se mudou para o Rio, que o núcleo conversou com as outras histórias da novela. A família de Eva (Eliane Giardini) também viveu situações que pouco tinham a ver com a saga principal de Cobras e Lagartos. Se não existisse, não faria a menor falta, até porque a trama tinha um apelo cômico fortíssimo que ia desde os principais, com Foguinho e Ellen (Lázaro Ramos e Taís Araújo), até aos coadjuvantes, com a divertidíssima Milu (Marília Pera).


E até mesmo A Favorita, acusada de não ter tido núcleo cômico, ofereceu doses de surrealidade quando a ex-retirante Maria do Céu (Deborah Secco) se casa com o gay enrustido Orlandinho (Iran Malfitano), que depois vira ex-gay, e o cotidiano desse inusitado casal, totalmente dentro de um apartamento, passou a ser uma novela à parte. Com exceção do ótimo drama da Catarina (Lília Cabral), dona de casa que sofria violência doméstica do marido, Léo (Jackson Antunes), nenhuma trama paralela se salvava na novela. Gente, o que era aquele personagem maluco do José Mayer (Augusto César, ex-roqueiro que acreditava em extraterrestres)?! Surreal! E chata! Muito chata!


E nem mesmo o fenômeno Avenida Brasil escapou das críticas negativas. Nesse caso, em relação ao núcleo Cadinho (Alexandre Borges), cujo tom farsesco das cenas do malandro destoavam do restante do enredo. Enquanto a trama como um todo buscava o naturalismo, Cadinho e suas três mulheres surgiam com um proposital exagero que usava e abusava de situações pra lá de surreais e absurdas. Além disso, a história corria totalmente alheia à trama principal. Se Cadinho e suas três mulheres não existissem, a novela pouco mudaria. Até porque a história ofereceu alívios cômicos (ou tragicômicos) em personagens que orbitavam ao redor do núcleo principal e estavam bem mais integrados ao enredo, tais como, Leleco (Marcos Caruso), Muricy (Eliane Giardini), Ivana (Letícia Isnard), Adauto (Juliano Cazarré) e Zezé (Cacau Protásio), e até mesmo na grande vilã Carminha (Adriana Esteves).


 A Regra do Jogo apresenta a mesma situação. Ascânio (Tonico Pereira) e Atena (Giovanna Antonelli), por exemplo, são personagens bem ricos dramaturgicamente e vivem numa atmosfera pesada e sombria, mas possuem uma dose de humor negro, sarcástico e irônico que quebra toda a densidade nas cenas. E não é que a dupla é bem mais engraçada que os ditos núcleos cômicos da trama?


O Morro da Macaca está para A Regra do Jogo como a Turquia estava para Salve Jorge, ou seja, poucos personagens dos muitos apresentados têm importância ou ligação com a trama central. É claro que não daria para colocar no morro só personagens chaves. Os coadjuvantes fazem parte. Mas poderiam ser em menor quantidade e ter alguma graça. É o caso do núcleo do funkeiro Merlô (Juliano Cazarré) e suas confusões amorosas com as dançarinas Ninfa (Roberta Rodrigues) e Alisson (Letícia Lima). As situações quase sempre se repetem a cada sequência, assim como a obsessão de Adisabeba (Susana Vieira) pelo filho. É um suplício ver aquele monte de personagens chatos na família do Feliciano (Marcos Caruso) em tão pouco espaço físico. Um tanto de gente sem função nenhuma naquela cobertura. Apesar de Caruso, Carla Cristina Cardoso (a empregada Dinorá) e Suzana Pires (a manicure Janete) se sobressaírem, o restante pouco podem fazer com situações que não atraem.


Também merece ser mencionado o quadrilátero amoroso envolvendo Tina e Rui (Monique Alfradique e Bruno Mazzeo) e Oziel e Indira (Fabio Lago Cris Vianna), com situações repetitivas de trocas entre os casais. Uma outra trama paralela, que não é de humor, mas também é pouco atrativa, é o núcleo de Domingas (Maeve Jinkings) com César (Carmo Dalla Vecchia). Inicialmente como um novo amor para ela, que sofria com a violência do marido Juca (Osvaldo Mil) em uma trama (mal) requentada de A Favorita, César, na verdade, se chamava Rodrigo e era um homem desaparecido que se culpava pela morte dos filhos em um acidente. As cenas de César são pouco atrativas em parte devido ao fraco desempenho de Dalla Vecchia, que outra vez interpreta um homem misterioso atormentado.


Como pode-se constatar, as tramas centrais sempre foram o forte das novelas do JEC. Já as paralelas, sempre foram um problema mesmo nas novelas de grande sucesso do autor, pois, em sua grande maioria, não acrescentam em nada à história principal. De fato, a história de vingança de Nina (Debora Falabela) contra Carminha (Adriana Esteves), o embate entre Donatela (Claudia Raia) e Flora (Patrícia Pilar), a história da facção em A Regra do Jogo e todas as tramas centrais das outras novelas do autor foram tão boas que são passíveis de perdão. Então só nos resta reservar os momentos das tramas paralelas nas novelas do JEC para tomar uma água, mexer no celular ou fazer xixi!

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Os mortos das novelas que deixaram saudade


Hoje é Dia dos Mortos e, para comemorar essa data antes que me critiquem, saibam que, em alguns países, como no México, o Dia dos Mortos é um dia de festaresolvi listar alguns personagens queridos pelo público que, infelizmente, tiveram um desfecho trágico nas novelas. Já estou levando uma coroa de flores e acenderei umas velas no túmulo de cada um deles.



Henutmire (Vera Zimmermann) - Farta das intolerâncias do Faraó Ramsés (Sérgio Marone), seu irmão, a princesa resolveu fugir do palácio para viver na vila dos hebreus. Seu plano, no entanto, foi descoberto pela vilã Yunet (Adriana Garambone), que a prendeu e torturou com ameaças. Sem comer, Henutmire foi ficando cada vez mais debilitada e também sofreu com as pragas do Deus hebreu, contraindo sarna e úlceras. Salva por Moisés (Guilherme Winter) e levada para a casa de Joquebede (Denise Del Vecchio), ela não resistiu e morreu nos braços de seu filho de criação. Era uma morte anunciada, mas o impacto da despedida da personagem de Vera Zimmermann causou comoção entre os telespectadores de Os Dez Mandamentos. Ainda mais porque Henutmire sempre foi uma mulher muito boa e sofreu o pão que o diabo amassou nas mãos da Yunet.

Nanda (Fernanda Vasconcellos)Foram apenas vinte e poucos capítulos em Páginas da Vida e Fernanda Vasconcellos conseguiu emocionar todo o Brasil como a menina abandonada pelo namorado, grávida de gêmeos, rejeitada pela mãe e, mesmo assim, cheia da mais pura alegria de viver. A sua despedida na novela foi repleta de momentos dramáticos, começando com seu atropelamento, passando pelo nascimento dos seus dois filhos e terminando com a sua morte, nas mãos de Helena (Regina Duarte). Mas vocês sabiam que essa morte, prevista desde o início na sinopse, quase ficou de fora da novela? Em entrevista na época, o próprio autor, Manoel Carlos, relutou em escrevê-la, tamanho foi o gosto que tomou pela atriz e sua personagem. Tanto é que, mesmo depois de morrer, Nanda continuou na trama... Mas como espírito! Nanda reapareceu para ajudar os filhos gêmeos a ficarem juntos de novo. É que a mãe dela, a preconceituosa Marta (Lília Cabral), fez de tudo para separar os dois irmãos, porque uma tinha síndrome de down.

Dulce (Cássia Kiss)Como as apostas criativas sobre dinossauros e robôs não surtiram efeito em Morde & Assopra, Walcyr Carrasco resolveu apelar para o dramalhão rasgado. E para isto elevou uma trama paralela a trama central da novela. O drama da simplória vendedora de cocadas Dulce (Cássia Kis Magro) renegada pelo filho ingrato Guilherme (Klebber Toledo) ganhou uma dimensão jamais imaginada no início da novela. E muito se deveu ao talento de Cássia ao desenvolver sua personagem com sensibilidade – ainda que caindo na caricatura, mas segurando a personagem pela emoção. O público não resistiu e reagiu positivamente, elevando a audiência da novela. E, depois de sofrer e ser humilhada a novela inteira, quando Dulce finalmente dá a volta por cima e faz as pazes com o filho... Morre no último capítulo devido a um tumor no útero! Até hoje não perdoo o Walcyr Carrasco por isso!

Djanira (Cássia Kiss) - Depois da simplória vendedora de cocadas, Cássia Kiss, mais uma vez, conseguiu emocionar e deixar o público triste pela morte de alguma personagem sua. Misteriosamente assassinada em A Regra do Jogo, apesar de ter saído bem antes da metade da novela, é incontestável o quanto que Djanira foi importante para a história. A personagem apareceu em todos os capítulos e nunca teve cenas desimportantes. Pelo contrário. Foram muitos momentos dramáticos e Cássia protagonizou todos com extrema maestria. A sua morte representa uma nova virada no enredo, em virtude da aproximação que ocorreu entre Tóia (Vanessa Giácomo) e Romero (Alexandre Nero), além da investigação da mocinha em torno do seu pai, inventor de uma fórmula milionária. Outro ponto que esse falecimento representa é o remorso do ex-vereador, que foi ficando ainda mais frágil, proporcionando uma possível mudança de lado. Ainda que tenha sido necessária sua morte, Djanira deixou saudades.

Afonso Lambertini (Lima Duarte) - Afonso era um milionário ambicioso, rude, autoritário e até um tanto cruel que era capaz de tudo para ficar ainda mais rico e poderoso. O coração de pedra dele só foi começar a amolecer graças a um menino de onze anos. Após salvar o milionário de uma tentativa de assassinato, Raí (Sérgio Malheiros) virou a razão de viver do velho, que, mais tarde, veio a descobrir que era avo do menino, fruto do romance de seu filho Paco (Reynaldo Gianecchini) com Preta (Taís Araújo). Foi aí que o público passou a morrer de amores por Afonso, que antes só despertava a nossa antipatia. A química entre os atores era incrível e a relação do avô durão que ia se regenerando graças ao convívio do neto era linda demais. E quando o público soube que Afonso seria brutalmente assassinado pelo vilão Tony (Guilherme Weber), situação esta prevista desde o início na sinopse, João Emanuel Carneiro teve que adiar a morte do milionário diante da súplica do público, que queria que ele terminasse feliz ao lado do neto. O autor foi adiando, adiando, adiando... Até que chegou uma hora que não teve jeito e Afonso acabou sendo mesmo assassinado por Tony em Da Cor do Pecado. Vale ressaltar que a morte do personagem de Lima Duarte não foi em vão e causou uma boa virada na novela.

Comendador José Alfredo de Medeiros (Alexandre Nero)A morte do Comendador já havia sido anunciada há mais de um mês antes do último capítulo de Império ir pro ar. Todo mundo sabia que isso ia acontecer, mas, ainda assim, conquistados pela magia, pelo carisma e o poder de sedução de José Alfredo de Medeiros, continuamos acreditando que ele conseguiria escapar de mais uma tragédia. Entretanto, para a infelicidade de todos nós, o Homem de Preto morreu... E morreu assassinado pelo próprio filho com um tiro nas costas. Até hoje essa morte dói no coração de milhares de brasileiros que queriam que o Comendador terminasse a novela feliz ao lado da Maria Marta (Lília Cabral). Como esse blog é de família, não vou escrever aqui os meus sentimentos em relação ao Aguinaldo Silva por ter matado o Comendador. Fiquem apenas com esse gif:



Tem algum personagem querido seu que você não queria que tivesse "batido as botas" em alguma novela, mas acabou morrendo? Diz aí nos comentários!



segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Uma novela perfeita precisa mesmo de um núcleo cômico?


Há três anos atrás, a crítica rasgava-se em elogios com relação à Avenida Brasil. Elogios merecidos, afinal, trata-se da novela mais interessante dos últimos tempos. O mesmo acontece atualmente com A Regra do Jogo, que, apesar de estar passando por problemas de audiência, vem colhendo muitos elogios (merecidos também, diga-se de passagem) da maior parte dos críticos. No entanto, esses mesmos críticos tratam as partes cômicas do enredo como o ponto fraco de ambas as tramas. Mas quem tem boa memória deve se lembrar que a crítica também rasgou seda para A Favorita, do mesmo autor, mas apontou que um núcleo cômico fez falta para quebrar o clima denso da trama principal. Com isso, fica a pergunta: uma "novela perfeita" precisa mesmo de um núcleo cômico?


Um segmento voltado à comédia dentro de um drama é um recurso dentro de um folhetim no intuito de oferecer um certo "alívio" diante da tensão da trama principal. Serve aos telespectadores como um momento de descanso que preparará seu espírito para o que virá a seguir. Em suma, arrancar algumas risadas e fazer do hábito de acompanhar uma novela um momento de diversão. Mas por que imaginar que um drama folhetinesco não pode surgir calcado unicamente em histórias mais sérias?

No caso de Avenida Brasil, as críticas negativas eram em relação ao núcleo Cadinho (Alexandre Borges), cujo tom farsesco das cenas do malandro destoavam do restante do enredo. Enquanto a trama como um todo buscava o naturalismo, Cadinho e suas três mulheres surgiam com um proposital exagero que usava e abusava de situações pra lá de surreais e absurdas. Além disso, a história corria totalmente alheia à trama principal, como se fosse uma novela dentro da novela. O que não é nenhuma novidade nas obras de João Emanuel Carneiro, né? Em Da Cor do Pecado, o núcleo de Pai Helinho (Matheus Nachtergaele) corria sem qualquer relação com o restante do enredo. Enquanto a ação principal se passava no Rio de Janeiro, o falso pai de santo aprontava todas no Maranhão. Apenas no início, quando a protagonista, Penha (Taís Araújo), amiga de Pai Helinho, morava lá no Maranhão, e no final, quando ele se mudou para o Rio, que o núcleo conversou com as outras histórias da novela. Já em Cobras e Lagartos, a família de Eva (Eliane Giardini) também viveu situações que pouco tinham a ver com a saga principal. E até mesmo A Favorita, acusada de não ter núcleo cômico, ofereceu doses de surrealidade quando a ex-retirante Maria do Céu (Deborah Secco) se casa com o gay enrustido Orlandinho (Iran Malfitano), que depois vira ex-gay, e o cotidiano desse inusitado casal, totalmente dentro de um apartamento, passou a ser uma novela à parte.


No caso de Avenida Brasil, caso Cadinho e suas três mulheres não existissem, a novela pouco mudaria. Até porque a história ofereceu alívios cômicos (ou tragicômicos) em personagens que orbitavam ao redor do núcleo principal e estavam bem mais integrados ao enredo, tais como, Leleco (Marcos Caruso), Muricy (Eliane Giardini), Ivana (Letícia Isnard), Adauto (Juliano Cazarré) e Zezé (Cacau Protásio), e até mesmo na grande vilã Carminha (Adriana Esteves). A Regra do Jogo apresenta a mesma situação. Romero (Alexandre Nero), Ascânio (Tonico Pereira) e Atena (Giovanna Antonelli), por exemplo, são personagens bem ricos dramaturgicamente e vivem numa atmosfera pesada e sombria, mas possuem uma dose de humor negro e irônico que quebra toda a densidade nas cenas. E não é que o trio é bem mais engraçado que os ditos núcleos cômicos da trama?


A família do Feliciano (Marcos Caruso) não chega a ser ruim, mas também não empolga. A história não parece ter andado muito: começamos com Vavá (Marcello Novaes) casado com Janete (Suzana Pires) e a traindo com Mel (Fernanda Souza); agora temos Vavá "casado" com Mel e a traindo com Janete. Isso é tão sem graça e tão clichê que dá até vontade de mudar de canal quando eles entram em cena. Ainda não entendi direito porque Janete continuou morando na cobertura, de baixo do mesmo teto que a amante do ex-marido. Muita falta de amor próprio, não? No Morro da Macaca, o único núcleo que funciona, embora ainda esteja longe de ser considerado algo excelente, é o de Merlô (Juliano Cazarré) com a mãe, Adisabeba (Suzana Vieira), e suas Merlozetes (Roberta Rodrigues e Letícia Lima). Mas é quando chega nos casais Oziel (Fábio Lago) e Indira (Cris Vianna) e Rui (Bruno Mazzeo) e Tina (Monique Alfradique) que a coisa desanda de vez. Alguém aí se importa com a história da patricinha que se muda pro morro e tem que se adaptar a nova realidade? E com o fato de Tina ter virado "favelada" e caído nos braços de Oziel, melhor amigo do marido, Rui? Eu não! A impressão que eu tenho é que eles só existem para poder cumprir os sete meses de duração da novela.

Em contrapartida, enquanto A Regra do Jogo apresenta uma trama principal excelente, mas com tramas paralelas fraquíssimas, é a novela das seis quem apresenta um conjunto bem mais harmônico entre drama e comédia. O núcleo da família Pasqualino começou sem empolgar muito. Não por conta dos atores, mas pela trama batida da mãe que queria emplacar a filha no círculo social dos ricos. Mas não é que ele cresceu na trama e realmente conseguiu divertir? Me arrisco a dizer que o paizão Massimo (Luís Mello), a deslumbrada Salomé (Inês Peixoto), a desengonçada Bianca (Flora Diegues) e a espevitada Felícia (Mel Maia) é o melhor núcleo cômico das novelas nos últimos tempos! Estou curioso para saber como ficará a família Pasqualino na segunda fase de Além do Tempo...


Mas falando de novela de uma maneira geral, a necessidade de um núcleo cômico é questionável. Um dos motivos apontados pelo fracasso de tramas como Em Família e Máscaras foi justamente a falta de humor. Em contrapartida, sucessos como A Vida da Gente, Sete Vidas e Poder Paralelo foram muito bem construídas sem a necessidade de um quadro a la Zorra Total entre uma cena e outra. Núcleo cômico não deveria ser uma obrigação, e sim uma necessidade dramática. Um bom exemplo disso é Escrito nas Estrelas, que trazia uma trama espiritualista séria e interessante em seu centro, mas partia para cenas constrangedoras com os personagens ditos cômicos, aborrecendo, assim, o público. Caso o enredo não peça ou se não for para verdadeiramente divertir, melhor não ter!



domingo, 23 de agosto de 2015

João Emanuel Carneiro, o salvador da pátria?




"Vem aí, do mesmo autor de Avenida Brasil, João Emanuel Carneiro, A Regra do Jogo, seu novo dilema das nove". É assim que as chamadas da próxima trama do autor estão sendo apresentadas, mostrando para o público que o dono da história é o mesmo que escreveu a novela mais badalada dos últimos anos. João Emanuel Carneiro tem a missão de fazer o telespectador voltar a gostar de uma novela das nove. Falta quase uma semana para A Regra do Jogo estrear e o autor terá que enfrentar muitos desafios pela frente, tanto internos quanto externos. Confira:


1 - Audiência

Babilônia só termina no dia 28 de agosto, mas os seus prejuízos tendem a afetar, ao menos, o começo de A Regra do Jogo. Pra começar, se Em Família, considerada, até então, o maior fracasso da história das novelas das nove, entregou o horário em baixa para Império com apenas 30 pontos, Babilônia roubou o título de maior fracasso do horário nobre de todos os tempos de Em Família e vai se despedir com média geral de 25 pontos! É comum que novelas que sucedem grandes fiascos demorem mais tempo para emplacar. Será necessário trazer o telespectador de volta ao horário e tal missão não é das mais fáceis. Apesar da Globo criar uma mega divulgação da trama, anunciando-a diariamente ao longo da sua programação e em outros programas da casa, são baixas as chances de A Regra do Jogo começar se mantendo com mais de 35 pontos (meta do horário). Se a trama estrear com, pelo menos, 30 pontos, será um grande alívio para a Globo!



2 - Concorrência

Se para a Globo (e para o público também) Babilônia não deixará saudades, tal sentimento é completamente oposto para a Record e o SBT. Com Os Dez Mandamentos, que já chegou a vencer Babilônia inúmeras vezes em alguns estados e acumula uma ótima audiência entre os 15 e 18 pontos, a Record reergueu sua dramaturgia, que não via um produto de sucesso na área das novelas desde o fim de Vidas em Jogo, em 2012. E é óbvio que a emissora planejará esticar sua produção bíblica, o que vai prejudicar (e muito) a Globo. O prejuízo pode ser ainda maior caso a emissora avance o horário da trama, permitindo um embate direto com a novela das nove (e vindo da Record, pode-se esperar tudo nessa guerra pela audiência). Enquanto isso, o SBT atravessa uma situação de maior insegurança. A reprise de Carrossel tem altos índices de audiência (patinando entre os 11 e 15 pontos) e não seria tão difícil assim tirar o público adulto de um folhetim cuja história é recente. No entanto, caso A Regra do Jogo não consiga cumprir tal missão, todo seu desempenho será prejudicado. Carrossel tem 15 meses de duração e terá, praticamente, 10 pela frente quando A Regra do Jogo estrear. Essas duas sim se enfrentarão diretamente no horário!



3 - Correria

O sonho da maioria dos autores, atores, diretores e da própria cúpula da Globo seria que as novelas fossem ao ar apenas quando estivessem totalmente finalizadas. Até o ano passado, a ideia era que A Regra do Jogo fosse produzida de forma mais próxima a este desejo. Esperava-se que as gravações começassem no primeiro trimestre do ano, o que acabou não sendo possível. A baixíssima audiência de Babilônia fez com que a Globo tivesse que antecipar em praticamente dois meses a estreia de A Regra do Jogo. Amora Mautner, diretora de núcleo, assim como toda sua equipe, correm contra o tempo para agilizar a produção. É por isso que não se sabe muito sobre a história da novela em suas chamadas. As primeiras gravações começaram mês passado, mas é extremamente raro e preocupante que uma novela das nove comece a ser produzida apenas três meses antes de ir ao ar. Babilônia, por exemplo, estreou em março desse ano, mas já em novembro de 2014 as gravações em Dubai e na França estavam acontecendo a pleno vapor.


4 - Exportação

O fiasco retumbante de Babilônia já é notícia em todas as páginas internacionais, sendo comparada com a igualmente fracassada Lo Imperdonable. Apesar do autor Gilberto Braga ter culpado os paulistas pelo fraco desempenho de sua história, Babilônia também vai muito mal em Portugal, onde é veiculada pela SIC desde abril. Chegando a ocupar o quarto lugar lá, a produção perdeu desde o início mais da metade de seu público, caindo de 9% para 2% de média. O site Novela Lounge, por exemplo, destacou que a trama brasileira marcaria a grande volta de Adriana Esteves às telas fazendo novamente papel de vilã, mas que ao invés de uma Carminha 2.0 como se esperava, a personagem decepcionou ao não passar de uma puxa-saco submissa. A exportação de novelas da Globo é algo bastante comum, principalmente quando se trata de tramas já concluídas. Mas, desta vez, a emissora mudou de tática e se antecipou. A próxima novela das nove já tem sido oferecida para emissoras de outros países, como Portugal, Argentina e Venezuela. Essa nova tática foi motivada pela venda recorde de Avenida Brasil, que foi exportada para 130 países. Será que João Emanuel Carneiro conseguirá fazer de A Regra do Jogo um sucesso mundial também?


5 - Avenida Brasil

A novela que parou o Brasil. A novela que parou a Argentina. A novela que parou o mundo. A mais exportada da Globo. A primeira novela a viralizar e se tornar queridinha nas redes sociais. A novela mais assistida e querida dos últimos tempos. Essa é Avenida Brasil, um fenômeno popular que causou verdadeira comoção entre público e crítica. E a maior inimiga de A Regra do Jogo! De um lado, a pressão da Globo para que a nova novela de João Emanuel Carneiro faça o mesmo sucesso que a anterior (afinal, de lá pra cá, a audiência do horário nobre global só despencou). Do outro, a expectativa do público para que A Regra do Jogo seja tão boa e envolvente quanto a trama de Carminha (Adriana Esteves) e cia. As comparações entre as duas tramas serão inevitáveis!




Mas também há alguns fatores que levam a crer que A Regra do Jogo será um sucesso. Confira:


1 - João Emanuel Carneiro

João Emanuel Carneiro é um dos melhores novelistas da atualidade e tido, pela grande maioria, como o mais criativo de todos. E olhando o currículo do autor, todas as suas novelas foram ótimas! Ele escreveu Cobras E Lagartos, que veio a ser a segunda maior audiência do horário das sete do século XXI, perdendo apenas para Da Cor do Pecado, também do mesmo autor, a sua primeira novela. Com esses dois grandes sucessos, João foi promovido ao tão cobiçado horário nobre, conseguindo, mais uma vez, cativar o público com A Favorita (particularmente, é a melhor novela dele). Por fim, se tornou consagrado mundialmente com Avenida Brasil, que, como bem disse anteriormente, foi um fenômeno popular que causou verdadeira comoção entre público e crítica. Isso sem falar na excelente série A Cura que João Emanuel Carneiro escreveu e também deixou saudades. Sendo assim, se formos analisar pelas obras do autor, vem novela boa por aí!



2 - A Favorita

Pouca gente se lembra, mas A Favorita penou muito no início para engrenar na audiência. Em 2008, a Record exibiu o último capítulo de Caminhos do Coração (que fazia o maior sucesso) às nove da noite (seu horário normal era lá pras dez e pouca) só para bater a estreia de A Favorita. E conseguiu. A Favorita estreou com a pior audiência de um primeiro capítulo do horário das nove, até então. O primeiro mês foi sofrível, com uma audiência abaixo do esperado, devido a Os Mutantes (continuação de Caminhos do Coração que fazia bastante sucesso). A trama de João Emanuel Carneiro também inovou em não revelar logo de cara quem era mocinha e quem era vilã. Mas o que era pra causar aquele suspense confundiu a maioria dos telespectadores O autor planejava levar esse mistério até o final, mas, devido a baixa audiência, antecipou para o capítulo 56 a grande revelação: Flora (Patrícia Pillar) é que era a grande vilã e assassina da história. A partir daí, com novos mistérios e reviravoltas, a novela finalmente cativou o público. Enquanto Os Mutantes esfriava e derrocava cada vez mais na audiência, A Favorita se consagrou como um grande sucesso. Tudo leva a crer que A Regra do Jogo também vai penar muito no início graças a dura concorrência de Os Dez Mandamentos e a baixa audiência que herdará de Babilônia. Agora, se vai conseguir se reerguer tal como A Favorita conseguiu, aí são outros quinhentos!



3 - Cobras E Lagartos

No início dessa matéria, eu havia dito que é comum novelas que sucedem grandes fiascos demorarem mais tempo para emplacar. Entretanto, Cobras e Lagartos foi exceção. Em 2006, o horário das sete penava em audiência graças ao fracasso Bang Bang, uma das piores novelas de todos os tempos. Para levantar os baixíssimos índices do horário e frear o sucesso estrondoso de Prova de Amor (na Record), sua concorrente direta no horário, a Globo escalou João Emanuel Carneiro para essa difícil missão. E não é que o autor conseguiu salvar o horário!? Cobras e Lagartos veio a ser a segunda maior audiência das novelas das sete do século XXI! Sendo assim, mesmo que suceda a flopada Babilônia, vai que A Regra do Jogo surpreende todo mundo e já começa com a audiência lá no alto (como aconteceu com Cobras e Lagartos)? Nunca se sabe, né...




quinta-feira, 30 de julho de 2015

As 10 melhores novelas das sete dos últimos tempos


10º lugar: A Lua Me Disse


A dupla Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa retornou com uma comédia às sete da noite depois de Salsa e Merengue (1996). Muita cor, confusões, intrigas, ritmo frenético e dramas exagerados que provocam risos marcaram A Lua Me DisseCom uma pegada "neochanchada pop", a novela agradou crítica e público. Sua maior qualidade foi a trama bem amarrada e seu texto caprichado. A novela lembrou muito a fase de ouro de Silvio de Abreu e Jorge Fernando no mesmo horário nos anos 80. Com ingredientes parecidos com o de Abreu em Guerra dos Sexos (1983), Falabella recheou sua novela com um humor ao mesmo tempo inteligente e escrachado.


09º lugar: O Beijo do Vampiro


A ousadia de Antônio Calmon lhe rendeu um estrondoso sucesso em 1991 com a novela Vamp. A trama que falava de vampiros marcou a teledramaturgia e até hoje é lembrada. Em 2002, o autor resolveu reviver esta temática e escreveu O Beijo do Vampiro, que fez uma legião de fãs, conquistados com a nova geração vampiresca. A trama virou uma febre e teve até álbum de figurinhas. As crianças e os adolescentes da época foram os principais fãs do folhetim, que teve um grandioso elenco, personagens cativantes e uma história bem construída, repleta de ótimos efeitos especiais. Um enredo de amor, entremeado por elementos sobrenaturais, drama, humor e a clássica luta do bem contra o mal foram as principais marcas deste folhetim tão bem feito.


08º lugar: Uga Uga



Um estrondoso sucesso que revitalizou o horário das sete. Muita ação, correrias, tramas pra lá de inusitadas (um índio loiro, um ex-militar metido a super-herói, uma mocinha masculinizada) e o humor característico de Carlos Lombardi garantiram a sua alta audiência. Vale ainda mencionar o apelo sexual da novela, com corpos masculinos à mostra, moças com decotes avantajados e cenas pra lá de calientes que fizeram sucesso, principalmente entre os jovens. A bunda de Claúdio Heinrich ficou famosa na época e os personagens de Marcos Pasquim e Humberto Martins apareceram em 90% de suas cenas sem camisa. Tanta ousadia provocou polêmica com o Ministério Público, que chegou a classificar algumas cenas de impróprias para o horário.


07º lugar: Sangue Bom


Através de um texto irônico e divertido, Sangue Bom abordou de forma inteligente a busca pela fama e a necessidade de manter-se em evidência a qualquer custo, sem mérito e com o mínimo esforço, como crítica ao mundo das sub-celebridades. A novela apostou em seis jovens promissores atores como protagonistas, o que revelou-se uma escolha acertada. O texto bem amarrado, a direção firme, uma trilha sonora bacana, a citação a outras novelas, um time de coadjuvantes de peso que garantiu o suporte para os jovens atores e o entrosamento desse elenco fez com que tudo fluísse muito bem (apesar de não ter sido um grande sucesso).


06º lugar: Alto Astral



Novela despretensiosa, que começou como não quer nada e foi conquistando o público, repleta dos mais batidos clichês do folhetim: personagens maniqueístas, vilões doentios que se deram mal no final, amores impossibilitados, vinganças, duplas identidades, segredos do passado, disfarces, mistérios, a luta do bem contra o mal, vida além da morte... Sem novidade alguma! Nada além de tudo já visto e esperado por uma novela. Entretanto, bem produzida e dirigida, com bom elenco, roteiro bem escrito e com um humor que levemente remeteu aos áureos tempos do horário das sete na década de 1980, ainda que a sua proposta tenha sido cursar pela simplicidade e a leveza.


05º lugar: Ti Ti Ti


Um grande sucesso que cativou o público usando e abusando do humor que o horário das sete permite, dosado eficazmente com o drama em tramas que se complementavam. Maria Adelaide Amaral, então chamada para escrever uma novela, afirmou que não faria uma trama original, mas sim mais uma adaptação da obra de Cassiano Gabus Mendes, seu mestre, de quem já havia adaptado Anjo Mau em 1997. Desta vez, a autora escolheu Ti Ti Ti, sucesso de 1985, que na adaptação teve entrechos de outra trama de Cassiano: Plumas e Paetês, de 1980. Em comum, as duas novela tinham o mundo da moda como pano de fundo. Na nova versão de Ti Ti Ti, a autora misturou as novelas, criando novos núcleos e personagens e retirando outros das versões originais, tendo sido muito bem sucedida e parabenizada por essa sua mistureba.


04º lugar: Caras & Bocas



Walcyr Carrasco e Jorge Fernando repetiram mais uma dobradinha. Desta vez, com uma novela mais leve e divertida, ao contrário da pretensiosa experiência anterior da dupla no horário, Sete Pecados, que deixou muito a desejar. A novela trouxe algumas inovações importantes, como a crítica ao mercado de arte – através da presença de um macaco como gênio da pintura – e a questão da inclusão social, através de uma personagem cega. Caras & Bocas foi a primeira novela que teve um animal como personagem central, com uma trama exclusiva em torno dele. Com seu personagem irracional, Walcyr quis (e conseguiu) debochar da irracionalidade de certas avaliações no mundo das artes plásticas. E teve bastante êxito, tornando-se um sucesso de audiência.


03º lugar: Cheias de Charme



Um grande sucesso de audiência, marcado pelo humor, criatividade e originalidade. Em tempos em que personagens ricos já não protagonizam mais novelas sozinhos, a trajetória de sucesso das três empregadas domésticas virou um verdadeiro fenômeno de repercussão. Cheias de Charme teve o mérito de tirar proveito da internet, até pouco tempo considerada uma concorrente da TV aberta, transformando-a numa poderosa aliada. A novela foi pioneira na ação de transmedia com o lançamento do clipe das Empreguetes primeiro na internet, depois na novela. O hit Vida de Empreguete se tornou febre na época, ganhando milhões de visualizações na internet e estourando nas rádios de todo o país. Em breve, a história das Empreguetes vai virar filme!!! A indústria do entretenimento real misturou-se ao entretenimento da ficção. O colorido dos shows de tecnobrega e as músicas criadas especialmente para a novela deram o tom que o roteiro exigia.


02º lugar: Cobras e Lagartos


Um grande sucesso popular que causou uma verdadeira comoção entre o público. João Emanuel Carneiro vinha do estrondoso sucesso Da Cor do Pecado e recebeu a ingrata missão de reerguer o horário das sete, que estava em baixa com a antecessora, Bang Bang, um fiasco total. Cobras E Lagartos não só salvou o horário como também se tornou a segunda maior audiência das sete dos últimos tempos, perdendo apenas para Da Cor do Pecado (sente só o poder do JEC!).


01º lugar: Da Cor do Pecado


Primeira novela da Globo a ter um romance inter-racial como tema principal e uma protagonista negra. Com esses elementos, poderia se esperar que a trama fosse levantar polêmicas e discussões sobre o preconceito social e racial no país, mas isso não aconteceu. Da Cor do Pecado é a novela das sete mais assistida do século XXI e a segunda novela brasileira mais exportada da Globo, perdendo apenas para Avenida Brasil, também do mesmo autor, João Emanuel Carneiro.


sexta-feira, 26 de junho de 2015

10 personagens que podem tentar salvar Babilônia



Já que a novela anda mal das pernas, reuni alguns personagens que poderiam tentar ajudar!



Carminha (Avenida Brasil)


Diva! A Rainha do Divino! Claro que minha primeira aposta (e súplica) é ter a Carminha de volta. O povo quer é rever a vilã sendo má, se fingindo de boazinha, se dando mal, brigando eternamente com a Rita e enganando todo mundo. Inês (Adriana Esteves), ao sair da cadeia, podia pegar um ônibus, dar um pulo no Divino, parar no bar do Silas (Ailton Graça), tomar uma cervejinha, conhecer o Tufão (Murilo Benício), enganar o idiota, se casar com ele e voltar ainda mais poderosa para destruir a Beatriz. Se a Carminha não voltar, já sabem de quem é a culpa, né?




Raquel (Mulheres de Areia)


Se Inês voltaria a ser Carminha, Beatriz (Glória Pires) teria que estar a altura para enfrentar a Rainha do Divino. Por isso, ela bem que podia descobrir que tem uma irmã gêmea do mal ainda mais maligna que ela: a Raquel. Enquanto Beatriz ia curtir umas férias em Paris, Raquel usurparia seu lugar e ia tocar o terror! Carminha vs Raquel! Isso sim é um duelo de vilãs inesquecível!!!



Bebel (Paraíso Tropical)


Que Regina (Camila Pitanga) é chata pra cacete e uma das mocinhas mais insuportáveis de todos os tempos, disso todo mundo já sabe. Me dá até pena da Camila Pitanga, que é uma ótima atriz e está sendo odiada por 10 entre 10 telespectadores de Babilônia. Só mesmo uma personagem de catiguria como a Bebel faria a atriz voltar a ser amada pelo povão brasileiro. Regina, faz o seguinte: já que a Alice (Sophie Charlotte) não virou prostituta temendo a ira e a rejeição da Tradicional Família Brasileira, pede pro Gilberto Braga transferir a trama dela pra você. Quem sabe fazendo programa no calçadão de Copacabana ela não conhece o Olavo (Wagner Moura)?



Danny Bond (Felizes Para Sempre)


O bumbum de Paola Oliveira quebrou a internet e esse foi o assunto que dominou as redes sociais e até as conversas casuais do dia a dia por várias semanas, ofuscando até a própria minissérie. É disso que Babilônia precisa. Quebrar a internet e ser comentada por todos e em todos os lugares. Mas já que não está conseguindo, quem sabe a própria Danny Bond não seria uma boa ajuda? Já que Regina volta a ser Bebel, Danny bem que podia ser sua colega de ponto no calçadão.



Félix (Amor À Vida)

beijo

Félix (Mateus Solano) era a nossa bixa má favorita. Pena que ficou bonzinho, mas, mesmo assim, todo mundo continuou amando o personagem. Suas tiradas eram incríveis e seu romance com o Carneirinho (Thiago Fragoso) era tão fofo que ofuscou completamente o casal protagonista!




Vinícius (Thiago Fragoso), ouça o que digo: largue a insuportável da Regina e aquela chatonilda 
da Cris (Tainá Muller) também, deixa a sua carreira de advogado pra lá, abra um restaurante 
de comida japonesa, volte a ser gay e volte a ser o Carneirinho do Félix!




Edu (Dupla Identidade)


Murilo (Bruno Gagliasso) tá tão apagado nessa novela que, se eu assumisse Babilônia, faria o ex-cafetão voltar a ser serial-killer e, de quebra, ia matar todos os personagens malas da trama que não são do núcleo principal, tipo o morro da Babilônia inteiro recheado de coadjuvantes e figurantes malas, o núcleo Laerte (Gabriel Braga Nunes) e aquele triângulo amoroso pra lá de divertido SÓ QUE NUNCA!, que o Gilberto Braga acha legal coitado!, Valeska-Clóvis-Norberto.


Bia Falcão (Belíssima)


Impossível se esquecer do famoso bordão de Bia Falcão (Fernanda Montenegro) que virou hit e povoa o imaginário popular até hoje: "Pobreza pega"! Aproveitando que já temos essa grande dama da televisão brasileira na novela, podíamos reviver mais essa frase de efeito e quem sabe até emendar com um "eu sou ryyycaaaaa" da Norma (Carolina Ferraz) de Beleza Pura.


Dona do "Vem cá, te conheço?" (Zorra Total)


Que saudades daquela época em que o Zorra Total era realmente um programa de humor que me fazia sair correndo para assistir nas noites de sábado e não esse lixo que foi se tornando.nos últimos anos... E uma das minhas personagens favoritas era aquela dona do bordão "Vem cá, te conheço?". Maria Clara Gueiros podia voltar a ser a personagem, porque essa Karen da novela das nove, que era pra ser engraçada, é um verdadeiro chute no esôfago de tão chata que é!


Mamuska (Da Cor do Pecado)



Coitada da Rosi Campos. Além de ter que aturar o Laerte (Gabriel Braga Nunes), a Karen e duas criancinhas duzinfernos, ela está tão insignificante na novela das nove que nem ao menos sei o nome da sua personagem! Rosi, larga esse núcleo chato e volta para os seus filhusckos!




Copélia (Toma Lá, Dá Cá)


Consuelo (Arlete Sales) é um dos pouquíssimos pontos positivos dessa novela, mas imaginem que divertido seria se, no final de Babilônia, descobrirmos que a Consuelo é na verdade a Copélia, que leva uma vida dupla? Ia ser MAAAARA! E sabem como ela ajudou o filho dela a se tornar prefeito?




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