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terça-feira, 16 de agosto de 2016

Por quais novelas nossos autores merecem uma medalha de ouro, prata e bronze?



Todo mundo sabe como funciona o Brasil antes de um evento de grande porte. A gente reclama de tudo, desde a infraestrutura até do gasto que teremos (NÃO VAI TER COPA!!! NÃO VAI TER OLIMPÍADA!!!), mas quando começa o que acontece? TODO MUNDO AMA! Sim, estou assistindo todos os jogos (na TV, é claro, porque não tenho dinheiro pra comprar ingresso), estou torcendo para os nossos atletas e vibro a cada medalha ganhada. Mas como isso aqui é um blog de novelas, e se fizéssemos uma Olimpíada para os nossos novelistas? Por quais novelas eles merecem ganhar uma medalha de ouro, prata e bronze? Isso você confere agora:











Claro que faltaram outros grandes autores e esse texto é baseado unicamente na minha opinião, portanto, fiquem a vontade para concordar ou não e dar suas sugestões nos comentários!

segunda-feira, 27 de junho de 2016

A Favorita: o apogeu da genialidade e da ousadia de João Emanuel Carneiro


"Duas amigas que se tornaram rivais. Uma das duas cometeu um crime e está mentindo. São duas versões de uma mesma história. Quem, afinal, está dizendo a verdade? Flora ou Donatela?". Foi com essa premissa que João Emanuel Carneiro revolucionou a teledramaturgia brasileira.


Donatela (Claudia Raia) perdeu os pais num trágico acidente e acabou sendo adotada pela família de Flora (Patrícia Pillar), que era bem humilde. Quando crianças, as duas eram melhores amigas, ao ponto de, na juventude, formar uma dupla sertaneja, Faísca e Espoleta, administrada pelo caça-talentos Silveirinha (Ary Fontoura) e que chegou a fazer razoável sucesso na época. A parceria, porém, foi interrompida após as duas conhecerem os amigos Marcelo e Dodi (Murilo Benício), de quem se tornaram noivas. Donatela casou-se com Marcelo, filho do poderoso Gonçalo Fontini (Mauro Mendonça), dono de uma indústria de papel e celulose, enquanto Flora tornou-se esposa de Dodi, que era pobre e trabalhava na firma do pai do amigo.

A felicidade de Donatela e Marcelo, porém, durou pouco. O primeiro filho do casal, Mateus, foi sequestrado com seis meses de idade e nunca mais apareceu. Desde então, os dois passaram a se desentender com frequência. Flora, por sua vez, separou-se de Dodi e, depois, teve um caso com Marcelo. Engravidou dele e deu à luz uma menina, Lara (Mariana Ximenes), o que abalou ainda mais a relação entre Donatela e Marcelo e, principalmente, entre as duas amigas.

No auge da crise da ex-dupla Faísca e Espoleta, Marcelo é assassinado com três tiros disparados do revólver que estava nas mãos de Flora, pega em flagrante. Com base nos depoimentos da manicure Cilene (Elizângela), que presenciou o crime, e do Dr. Salvatore (Walmor Chagas), médico que prestou socorro a Marcelo no hospital e diz ter ouvido ele dizer o nome da mulher que o matou minutos antes de morrer, ela foi presa, condenada e separada de sua filha (na época, com três anos de idade). Donatela, que não perdoa a amiga de infância pela traição e por ter matado o marido, decide criar Lara e, tempos depois, se casa com Dodi.

A história de A Favorita, no entanto, começa bem depois de tudo isso, dezoito anos após o crime, a partir do momento em que Flora sai da prisão querendo provar a sua inocência, acusando a ex-amiga do crime pelo qual ela pagou, e se reaproximar de Lara. Donatela, por sua vez, não mede esforços para impedir que ela chegue perto de Lara, a quem diz amar como se fosse sua própria filha. No caminho das duas, surge o sedutor jornalista investigativo Zé Bob (Carmo Dalla Vecchia), que se envolve com Flora e depois com Donatela. Ele e Lara, mais do que nunca, se tornam o alvo de disputa entre essas duas mulheres que, um dia, foram amigas.


Com referências nas séries americanas e nos filmes de suspense (tanto pela condução da história, quanto pela fotografia escura e cheia de sombras), A Favorita revolucionou a teledramaturgia brasileira ao subverter o esquema folhetinesco tradicional apresentando uma história policial com uma protagonista e uma antagonista em detrimento de uma história de amor com um casal romântico central e em não revelar logo de cara quem era a vilã e quem era a mocinha da história. Durante os 55 primeiros capítulos, a novela girou em torno desse mistério e confundiu o público, que não sabia para quem torcer, pois o roteiro não deixava claro quem era a verdadeira assassina de Marcelo, quem estava mentindo, se Flora ou Donatela.

Ambas tinham versões muito bem convincentes. Donatela afirmava que Flora nutria uma inveja obsessiva por ela e sempre quis tomar tudo que é seu. Ela defende que Flora se casou com Dodi só para poder ficar perto dela e de Marcelo e atrapalhar seu casamento. Mas quando percebeu que, mesmo conseguindo engravidar dele, Marcelo nunca iria se separar, resolveu matá-lo. Segundo Donatela, Flora premeditou o assassinato, mas as coisas não saíram como o previsto. Ela conta que, no dia do crime, saiu de casa, mas voltou ao se lembrar que havia marcado hora com Cilene, sua manicure. Quando chegou, flagrou Flora atirando em Marcelo, o que foi confirmado por Cilene, única testemunha do caso. Depois de atirar em Marcelo, Flora ainda ia atirar nela. Para se defender, iniciou uma briga com a rival e quem pôs fim à luta foi Cilene, que conseguiu imobilizar Flora. Na briga, Flora e Donatela deixaram suas impressões digitais na arma, mas o depoimento de Cilene foi decisivo para condenar Flora. Assim como também o de Dr. Salvatore, que prestou socorro a Marcelo no hospital e garantiu que ouviu ele dizer que foi assassinado pela Flora minutos antes de morrer. De acordo com Donatela, ela e Dodi foram vítimas de Flora e a tragédia os aproximou. Ela ainda garante que ama Lara mais do que tudo nessa vida, que a garota lhe "salvou" no momento mais doloroso da sua vida e que, mesmo ela sendo fruto da traição do marido, decidiu criá-la como se fosse sua por ter se afeiçoada a menina e como uma forma de compensar o vazio deixado por Mateus, seu filho sequestrado.

Já na versão de Flora, Donatela é quem nutria uma inveja obsessiva por ela e sempre desejou tudo o que era seu, inclusive os rapazes com quem se envolvia. Flora alega que Donatela e Dodi sempre foram amantes e tanto ela como Marcelo foram vítimas de um golpe minuciosamente planejado. Donatela teria dado em cima de Marcelo já com o intuito de se casar com o jovem milionário, enquanto Dodi conquistaria Flora para se manter próximo à amante e ao dinheiro que ela passaria a ter. Além disso, o filho sequestrado de Donatela e Marcelo, na verdade, seria filho de Dodi. Para que Marcelo não descobrisse a verdade, o casal teria dado um jeito de sumir com a criança. Como a verdade veio à tona, Flora e Marcelo se aproximaram e redescobriram o amor. Quando Donatela descobriu que Marcelo iria se separar dela e que ela perderia todo o dinheiro que sempre quis, premeditou o assassinato, junto com Dodi. E deu um jeito para que Flora estivesse na casa de Marcelo no momento do crime e pagou para que Cilene e Dr. Salvatore testemunhassem para incriminá-la, o que acabou conseguindo. Segundo Flora, Donatela só criou Lara de olho na herança, já que a garota é a única herdeira de todo o patrimônio dos Fontinis.

Essa indefinição em saber em quem confiar também foi traduzida através dos personagens. Principalmente, pelo casal Irene (Glória Menezes) e Gonçalo, pais de Marcelo e avós de Lara. Irene se tornou a primeira aliada em defesa de Flora, acreditando em sua inocência e fazendo de tudo para reaproximá-la da neta. Ela sempre teve reservas em relação a Donatela, a quem julga ignorante e fútil. Gonçalo, por sua vez, sempre teve uma ótima relação com Donatela e não poupou esforços para afastar Flora de Lara. Um dos dois estava cometendo um erro terrível em defender a assassina do próprio filho. Pedro (Genésio de Barros), pai de Flora, também insiste em dizer que a própria filha é muito perigosa e nem um pouco confiável. A guerra declarada entre a mãe biológica e aquela que a criou deixa Lara abalada e confusa: ela, assim como Zé Bob e o público, não sabe em qual dessas diferentes versões de um mesmo assassinato acreditar.



Entretanto, embora ainda não houvesse uma vilã declarada, todas as evidências do roteiro apontavam Flora como uma mocinha injustiçada. O autor conduzia a trama justamente para que a cara de vítima da personagem conquistasse a confiança de quem assistia. Flora tinha um jeito simples, olhar sofrido, fala mansa e andar arrastado. Usava roupas discretas, sem nenhuma ostentação e até um pouco gastas. Como um anjinho, tinha os cabelos cacheados e loiros. Boa filha, amava e cuidava do pai, mesmo com Pedro a odiando e dizendo para que a filha não valia nada. Com uma história de vida sofrida, tinha uma postura de quem apenas queria se defender e tentar convencer a todos que pagou por um crime que não cometeu. Como não se sensibilizar com o drama de uma ex-presidiária, renegada pelo próprio pai, que tenta reconstruir a vida e luta para provar sua inocência e conseguir o amor da filha? Além disso, tinha como trilha sonora "É o que me interessa", de Lenine, uma música linda com um ritmo delicado e sensível.

Já Donatela era uma perua legítima. Metida e, por vezes, arrogante, vivia de nariz em pé e tinha um jeito exagerado de falar e gesticular. Usava um figurino tão espalhafatoso quanto ela: muito brilho, muita joia, muito luxo. Morena, cabelos sedosos e bem cuidados, pisa duro e parece estar pronta para passar por cima de quem atravessar seu caminho, mesmo que para isso tenha que usar de meios controversos. Dona de um gênio forte, tempestuosa, falastrona, vultosamente dramática, politicamente incorreta, de pavio curto, xinga, grita, briga, humilha. Uma dondoca fútil que se acha a dona do mundo, não faz questão nenhuma de trabalhar e adora comprar, gastar, ostentar e esbanjar dinheiro??? Não... Ela jamais poderia ser a mocinha da novela, nunca!

Dessa forma, Flora não se encaixaria de maneira nenhuma no papel de vilã da trama, mesmo quando passou a adotar estratégias tão desonestas quanto a rival para se vingar de Donatela (como convencendo Cilene e Dr. Salvatore a mudarem suas versões do assassinato de Marcelo na base da chantagem). Existe uma linha tênue entre justiça e vingança. Nada de surpreendente, portanto, que a certa altura ela achasse razoável se tornar tão cafajeste quanto a aparente vilã da história para provar sua inocência. Mas bastou um único capítulo para JEC desconstruir de maneira gradual tudo aquilo em que o público foi induzido a acreditar desde o início da novela.


Contrariando os clichês dramatúrgicos, onde a vilã é sempre a rica mimada e a mocinha a pobre batalhadora, o autor apresentou um capítulo recheado de tensão (sua principal característica) e o telespectador viu, após muitas semanas de mistério, a mulher humilde se revelar um demônio quando ficou cara a cara com sua rival, desencadeando novos entrechos e novos mistérios para a trama. Naquele momento, a novela tomava fôlego e caía definitivamente nas graças do público (uma vez que, devido ao início inovador e ao sucesso da tosca Os Mutantes, na Record, a trama enfrentava uma certa rejeição e o Ibope deixava a desejar), virando mania nacional.

A partir do capítulo 56, A Favorita virou outra novela. Ainda mais interessante e envolvente, com a derrocada de Donatela, que passa a ser perseguida por um crime que não cometeu, enquanto a vilã declarada consegue se infiltrar no clã dos Fontinis, dando-se início a um jogo de gato e rato. A partir daí, temos a chance de repararmos uma grande injustiça e finalmente torcer para a verdadeira mocinha da história conseguir provar sua inocência e desmascarar Flora.


Flora enganou a todos direitinho. Ela é uma psicopata clássica, pois por trás de seu jeito doce, carrega uma alma sombria e é capaz das maiores atrocidades. A grande questão é que A Favorita não é uma simples trama sobre a rivalidade entre duas mulheres. Ela é bem mais complexa e foi muito mais além do que isso. Flora amava Donatela. Um amor distorcido, doentio, às avessas. Mas não é um amor lésbico, de uma mulher por outra. Donatela é o motor da vida da Flora, o objetivo dela. Prova disso é que, quando descobre que a Donatela está viva, ela volta a ter a "razão" de viver, passando a persegui-la novamente. Donatela sabe que Flora foi uma menina que tinha medo do escuro e sofreu alucinações. Ela usa, nos últimos capítulos, essa tortura psicológica para assustar a vilã e faze-la confessar seus crimes. A Favorita não é apenas uma história policial, mas sim um drama psicológico. Se Donatela não fosse uma pessoa tão importante para a Flora, a vilã não iria fazer tudo para ficar com o rancho onde ela morava e com tudo o que foi dela. Teria fugido depois de ter ficado com todo o dinheiro dos Fontinis.

Patrícia Pillar, que já brilhava desde a estreia, mostrou sua capacidade cênica e fez de Flora uma das melhores vilãs da teledramaturgia, a partir da emblemática cena em que cai a máscara da víbora. E Cláudia Raia comprovou que sabe fazer drama com a mesma competência que faz comédia. Sua Donatela, que no início estava no comando, sofreu horrores e comoveu o público.


Um grande sucesso, A Favorita cativou a audiência e tornou a personagem de Patrícia Pillar um hit. Até hoje, Flora é uma referência de vilã. E ainda trouxe de volta ao imaginário popular a música Beijinho Doce, criação de Nhô Pai, que na novela era interpretada pela antiga dupla sertaneja Faísca e Espoleta. A música fez tanto sucesso que ganhou remixes na internet, com batidas pop, dance e funk, e a inclusão de frases e bordões marcantes de Flora. Não faltaram elogios ao ritmo alucinante que a trama apresentou, com ótimos ganchos e muitos acontecimentos em cada capítulo, não deixando-a como as famosas "barrigas" nunca.

A Favorita marcou a estreia de João Emanuel Carneiro no horário nobre e carimbou sua permanência no time de autores do primeiro escalão da Globo. Contendo cenas inesquecíveis de suspense (como o macabro assassinato de Gonçalo), várias viradas e uma trama central empolgante, a novela foi um sucesso de público e crítica, tendo em seu elenco grandes nomes como Glória Menezes, Mauro Mendonça, Mariana Ximenes, Ary Fontoura, Jackson Antunes, Murilo Benício e Lilia Cabral, que protagonizaram grandiosas sequências ao longo da trama.

Como eu disse certa vez nessa matéria AQUI, as tramas paralelas é o grande "calcanhar de aquiles" do JEC. Em A Favorita, não foi diferente, tanto é que foram cortadas da nossa edição sem grandes perdas para a história central. Entretanto, não posso deixar de mencionar uma subtrama muito interessante abordada na novela: a violência doméstica contra a mulher, missão dada e cumprida brilhantemente bem por Lilia Cabral, que conseguiu discutir um assunto difícil de ser abordado pela sua fragilidade - e a provável homossexualidade entre mulheres na relação de amizade de sua Catarina com Stela (Paula Burlamaqui). Jackson Antunes vivendo o marido machista Léo foi esplendoroso. Outro destaque foi o personagem Romildo Rosa (Milton Gonçalves), que interpreta um deputado corrupto envolvido no esquema de tráfico de armas. Fora todo embate ético, foi a primeira vez que uma família negra foi vivida numa novela das nove onde a temática do preconceito racial (ou social) não foi abordado como bandeira principal. Não que o racismo tenha acabado, longe disso. Mas, mostrar para o grande público que uma família negra possui outros conflitos inerente a origem racial foi algo inédito - e bem explorado.

Por tudo isso, considero A Favorita a melhor novela do JEC e, sim, bem melhor que Avenida Brasil (que também foi muito boa, é bom deixar claro isso). Desculpaê, Carminha!!!


A Favorita está sendo exibida (num compacto em 54 capítulos) atualmente na nossa página do facebook desde o início de maio e acaba de entrar em sua última semana. Você não pode perder! Clique bem AQUI para acompanhar.


quinta-feira, 12 de maio de 2016

As piores coisas que aconteceram na TV durante o governo Dilma



Lembram do nosso Paredão no Planalto - Big Brother Brasília, onde a gente contou toda a história do impeachment da presidente Dilma numa linguagem bigbrotheriana (leia aqui)? De lá pra cá, aconteceu tanta reviravolta na nossa política de causar inveja na série americana House Of Cards. Prometo fazer um resumão em breve de todo esse rebuceteio. Eduardo Cunha foi afastado, aí o Maranhão assumiu a presidência da Câmara e anulou o impeachment da Dilma.

 

A esperança, porém, durou pouco para Dilma. Maranhão voltou atrás na sua decisão e, por 55 a 22, o Senado votou e decidiu pelo afastamento da presidente. A partir de agora, ela está afastada até 180 dias e quem assume oficialmente o governo não é o Aécio, mas sim o vice Michel Temer, cuja esposa bela, recatada e do lar se tornará a mais nova primeira-dama do país.


Sim, Dilma só foi afastada temporariamente. Ainda faltam longos meses para ela ser finalmente condenada pelo Senado. Mas por mais zona que esteja sendo o Brasil, nenhuma reviravolta política ou paredão fake conseguirá salvá-la mais de ser impichada. Dilma já está eliminada antes mesmo da grande final. Não tem mais jeito... Acabou... Boa sorte... Tchau, querida! Até logo! Até mais ver! Bon voyage! Arrivederci! Até mais! Adeus! Boa viagem! Vá em paz! Que a porta bata onde o sol não bate! Não volte mais aqui! Hasta la vista, baby! Escafeda-se! Saia logo daqui!


Até a crise política parar o Brasil, de 2013 pra cá (culminando em manifestações gigantescas contra a Dilma por todo o país), os supostos malfeitos do seu governo eram intangíveis para o cidadão comum. Mas já naquele período, era possível entender que alguma coisa não estava funcionando bem. Contra o aumento das passagens do transporte público? Contra os gastos da Copa do Mundo? Contra a corrupção? Por causa das pedaladas fiscais? Não. Não foi nada disso que levou ao seu impeachment. Confira a seguir alguns dos maiores reveses deste país durante o governo Dilma, em mais uma reportagem exclusiva do Eu Critico Tu Criticas.

Babilônia



A novela que fez questionar o gosto do brasileiro por novela. A novela que conseguiu arruinar o horário nobre da Globo para todo o sempre. A novela que aposentou Gilberto Braga. A novela que manchou a carreira da Camila Pitanga irreversivelmente. De fato, Babilônia foi um verdadeiro marco da dramaturgia nacional (ainda que por motivos tão negativos e eloquentes).

O cancelamento do Você na TV



Onde nesse mundo encontraremos um programa onde o namorado revela para namorada que gosta de chulé e quer que ela fique sem lavar os pés, onde uma filha é viciada em comer maquiagem para ficar bonita por dentro, onde uma mulher descobre que está grávida de um ET, onde acompanhamos o drama de uma mulher cujo namorado invisível sumiu? Nós brasileiros precisamos da dose extra de escapismo dos casos surreais, sem pé nem cabeça, que João Kleber apresentava com toda a empolgação para suportar continuar vivendo nesse mundo cão.

A decadência de Manoel Carlos



Se em governos anteriores, Manoel Carlos vinha numa sequência de novelas maravilhosas (Felicidade, História de Amor, Por Amor, Laços de Família, Mulheres Apaixonadas), o autor chegou ao fim de sua carreira novelística com chave de ouro falso e aquele gostinho de "já foi tarde" com a sonífera Em Família. Em 2014. Durante o governo Dilma. Hum... Coincidência?

A morte do Comendador



Virilidade, autoconfiança, senso de justiça, afetuosidade e capacidade de superação estão entre os principais atributos que fizeram de José Alfredo de Medeiros um personagem inesquecível, amado e querido em todo o país (e de Alexandre Nero, um divisor de águas na carreira), arrancando gritos e suspiros de fãs como se fosse um líder de boy band. E o que o Aguinaldo Silva faz? Mata o Homem de Preto com um tiro nas costas dado pelo próprio filho mesmo diante do apelo de milhões de brasileiros. Cadê o respeito pela democracia? Isso sim é golpe! Até hoje essa morte dói nos corações de quem shippava loucamente o casal Malfred...

O fim do mito JEC, aquele que nunca flopa e só faz novelão


Entre 2011 e 2014, a presidente Dilma tinha grande popularidade e cumpriu o desafio de manter o Brasil no rumo do desenvolvimento econômico e da redução da desigualdade. Um grande feito nesse período: o fenômeno Avenida Brasil, cujo último capítulo fez a Dilminha adiar até um comício. Em seu segundo mandato, porém, a coisa degringolou. A popularidade de Dilma foi caindo na mesma proporção que a de João Emanuel Carneiro. Dilma prometeu mundos e fundos e não cumpriu. A Regra do Jogo prometeu ser melhor que Avenida Brasil e, ehr, bem...


Xuxa na Record




Quando na vida que a gente poderia imaginar que um dia a nossa eterna Rainha dos Baixinhos mandaria "Beijinho, beijinho, tchau, tchau" para a Globo e se mudaria para a prima pobre da Globo? Nunca, né? Mas aconteceu. Xuxa na Record, estoque de vento, saudação à mandioca, cachorros ocultos atrás de crianças, mulheres sapiens... Isso só acontece no governo Dilma!

BBB pós-Ana Paula



Ana, A Louca. Veja em que situação me colocou. Após a sua expulsão, percebi que fiquei lendo com raro afã sobre a Lava-Jato, muito mais por conta da ausência de boas manchetes a respeito do BBB16 do que por qualquer convicção política. E a culpa é toda dela. Por que fez isso, Ana Paula? Depois de passar semanas acostumando o Brasil aos benefícios do entretenimento de alta octanagem, você simplesmente nos deixou sozinhos. Aqueles tapas não fizeram nem cócegas no Renan. Mas ainda dói demais no povo. Uma pena que tenha saído pela porta do confessionário e não em uma gloriosa noite de terça-feira em 5 de abril.


Isso posto, fica difícil defender um governo que não conseguiu barrar nenhuma dessas tragédias que machucaram de maneira catastrófica e irreversível o ego do povo brasileiro. P.S.: Esse post é todo trabalhado na zuera e qualquer tentativa de levá-lo a sério não será uma boa ideia.


sábado, 5 de março de 2016

O "calcanhar de aquiles" do João Emanuel Carneiro



Todo folhetim precisa ter subtramas para a história central poder se sustentar por vários meses no ar. Caso contrário, não há criatividade e reviravoltas que consiga elaborar constantes conflitos para o núcleo principal se manter atraente por longos meses. Portanto, nada mais normal do que a criação dos enredos paralelos. E é fundamental que o autor desenvolva situações secundárias tão envolventes quanto a central. Porém, não é o caso de João Emanuel Carneiro. Apesar de ser um dos autores mais criativos e venerados da atualidade e ter escrito obras e personagens memoráveis e de sucesso que sempre caem na boca do povo, as tramas paralelas são o seu maior "calcanhar de aquiles".


Em Da Cor do Pecado, haviam três núcleos cômicos: a família Sardinha, liderados pela Mamuska (Rosi Campos), o casal Edu e Verinha (Ney Latorraca e Maitê Proença) e o núcleo de Pai Helinho (Matheus Nachtergaele), que, dos três, era o único que corria sem qualquer relação com o restante do enredo. Enquanto a ação principal se passava no Rio de Janeiro, o falso pai de santo aprontava todas no Maranhão. Apenas no início, quando a protagonista, Penha (Taís Araújo), amiga de Pai Helinho, morava lá no Maranhão, e no final, quando ele se mudou para o Rio, que o núcleo conversou com as outras histórias da novela. A família de Eva (Eliane Giardini) também viveu situações que pouco tinham a ver com a saga principal de Cobras e Lagartos. Se não existisse, não faria a menor falta, até porque a trama tinha um apelo cômico fortíssimo que ia desde os principais, com Foguinho e Ellen (Lázaro Ramos e Taís Araújo), até aos coadjuvantes, com a divertidíssima Milu (Marília Pera).


E até mesmo A Favorita, acusada de não ter tido núcleo cômico, ofereceu doses de surrealidade quando a ex-retirante Maria do Céu (Deborah Secco) se casa com o gay enrustido Orlandinho (Iran Malfitano), que depois vira ex-gay, e o cotidiano desse inusitado casal, totalmente dentro de um apartamento, passou a ser uma novela à parte. Com exceção do ótimo drama da Catarina (Lília Cabral), dona de casa que sofria violência doméstica do marido, Léo (Jackson Antunes), nenhuma trama paralela se salvava na novela. Gente, o que era aquele personagem maluco do José Mayer (Augusto César, ex-roqueiro que acreditava em extraterrestres)?! Surreal! E chata! Muito chata!


E nem mesmo o fenômeno Avenida Brasil escapou das críticas negativas. Nesse caso, em relação ao núcleo Cadinho (Alexandre Borges), cujo tom farsesco das cenas do malandro destoavam do restante do enredo. Enquanto a trama como um todo buscava o naturalismo, Cadinho e suas três mulheres surgiam com um proposital exagero que usava e abusava de situações pra lá de surreais e absurdas. Além disso, a história corria totalmente alheia à trama principal. Se Cadinho e suas três mulheres não existissem, a novela pouco mudaria. Até porque a história ofereceu alívios cômicos (ou tragicômicos) em personagens que orbitavam ao redor do núcleo principal e estavam bem mais integrados ao enredo, tais como, Leleco (Marcos Caruso), Muricy (Eliane Giardini), Ivana (Letícia Isnard), Adauto (Juliano Cazarré) e Zezé (Cacau Protásio), e até mesmo na grande vilã Carminha (Adriana Esteves).


 A Regra do Jogo apresenta a mesma situação. Ascânio (Tonico Pereira) e Atena (Giovanna Antonelli), por exemplo, são personagens bem ricos dramaturgicamente e vivem numa atmosfera pesada e sombria, mas possuem uma dose de humor negro, sarcástico e irônico que quebra toda a densidade nas cenas. E não é que a dupla é bem mais engraçada que os ditos núcleos cômicos da trama?


O Morro da Macaca está para A Regra do Jogo como a Turquia estava para Salve Jorge, ou seja, poucos personagens dos muitos apresentados têm importância ou ligação com a trama central. É claro que não daria para colocar no morro só personagens chaves. Os coadjuvantes fazem parte. Mas poderiam ser em menor quantidade e ter alguma graça. É o caso do núcleo do funkeiro Merlô (Juliano Cazarré) e suas confusões amorosas com as dançarinas Ninfa (Roberta Rodrigues) e Alisson (Letícia Lima). As situações quase sempre se repetem a cada sequência, assim como a obsessão de Adisabeba (Susana Vieira) pelo filho. É um suplício ver aquele monte de personagens chatos na família do Feliciano (Marcos Caruso) em tão pouco espaço físico. Um tanto de gente sem função nenhuma naquela cobertura. Apesar de Caruso, Carla Cristina Cardoso (a empregada Dinorá) e Suzana Pires (a manicure Janete) se sobressaírem, o restante pouco podem fazer com situações que não atraem.


Também merece ser mencionado o quadrilátero amoroso envolvendo Tina e Rui (Monique Alfradique e Bruno Mazzeo) e Oziel e Indira (Fabio Lago Cris Vianna), com situações repetitivas de trocas entre os casais. Uma outra trama paralela, que não é de humor, mas também é pouco atrativa, é o núcleo de Domingas (Maeve Jinkings) com César (Carmo Dalla Vecchia). Inicialmente como um novo amor para ela, que sofria com a violência do marido Juca (Osvaldo Mil) em uma trama (mal) requentada de A Favorita, César, na verdade, se chamava Rodrigo e era um homem desaparecido que se culpava pela morte dos filhos em um acidente. As cenas de César são pouco atrativas em parte devido ao fraco desempenho de Dalla Vecchia, que outra vez interpreta um homem misterioso atormentado.


Como pode-se constatar, as tramas centrais sempre foram o forte das novelas do JEC. Já as paralelas, sempre foram um problema mesmo nas novelas de grande sucesso do autor, pois, em sua grande maioria, não acrescentam em nada à história principal. De fato, a história de vingança de Nina (Debora Falabela) contra Carminha (Adriana Esteves), o embate entre Donatela (Claudia Raia) e Flora (Patrícia Pilar), a história da facção em A Regra do Jogo e todas as tramas centrais das outras novelas do autor foram tão boas que são passíveis de perdão. Então só nos resta reservar os momentos das tramas paralelas nas novelas do JEC para tomar uma água, mexer no celular ou fazer xixi!

quinta-feira, 3 de março de 2016

A Síndrome pós-Avenida Brasil nas redes sociais



Recebi da leitora Andrea Marques pelo facebook um texto bastante interessante e coeso sobre Velho Chico e essa "síndrome" do público em querer uma "nova" Avenida Brasil. Confira-o na íntegra:

sábado, 30 de janeiro de 2016

A Regra do Jogo é a cara do Brasil

Assaltar um banco é perdoável? E roubar o local onde trabalha para pagar o tratamento de saúde da sua mãe? E furar uma fila? E comprar produtos sem pagar impostos? E matar para sobreviver? Qual o limite entre o certo e o errado? Até que ponto um crime pode ser perdoável? Existe um livre arbítrio? Podemos mudar o destino que está reservado para gente? Antes de responder todas essas perguntas, é importante refletir sobre o que define o caráter de uma pessoa. Em A Regra do Jogo, os personagens criam as suas próprias regras no jogo de acordo com o que acham certo ou não e colocam à prova questões que envolvem a ética, os valores e os limites de cada ser humano na nossa sociedade.

Se eu pudesse descrever A Regra do Jogo em uma só palavra, ela seria ambiguidade. Nesta história, o improvável conduz o desenrolar da trama e nem tudo é o que parece ser. Há os personagens que não são aquilo que dizem ser e outros que se comportam e tomam atitudes inesperadas, cujas explicações estão em um passado cercado de mistérios. É normal que os personagens mudem de lado, trilhem caminhos bem diferentes a cada situação ou, até mesmo, enganem o público por vários capítulos. A regra desse jogo é a sobrevivência, por isso, é difícil saber quem são os mocinhos e vilões dessa história e a todo momento as posições podem se inverter, o que já virou uma marca registrada do autor, João Emanuel Carneiro.

Zé Maria (Tony Ramos) é um desses personagens que enganou muita gente lá no início da trama, inclusive o próprio filho, Juliano (Cauã Reymond). Quem o considerava uma vítima da facção levou um susto ao descobrir que ele era um dos piores bandidos da quadrilha, responsável pelo famoso "Massacre da Seropédica". Entretanto, apesar de ser um assassino frio, Zé Maria tinha um ponto fraco: a família. O amor verdadeiro pelo filho, por Kiki (Deborah Evely) e pela pequena Aninha fizeram com que o bandido virasse uma espécie de herói vingador e se voltasse contra a facção com o objetivo de destruí-la. Para tanto, simulou a própria morte, mudou de aparência e assumiu uma nova identidade, Pedro Vargas. Mas será que um homem que já sequestrou tanta gente, matou dezenas de inocentes, colocou o próprio filho Juliano na cadeia, entre outras atrocidades, é mesmo capaz de mudar?


E o que dizer de Romero Rômulo (Alexandre Nero), o protagonista mais complexo e ambíguo da história das telenovelas brasileiras? JEC conseguiu apresentar com maestria o caráter dúbio do ex-vereador. Até hoje não sei quem ele é e o que ele quer de verdade. Confesso que não sei dizer se ele ama a Tóia (Vanessa Giácommo) ou a Atena (Giovanna Antonelli). Afinal de contas, em que time o Romero joga? Seria um lobo em pele de cordeiro ou um cordeiro em pele de lobo? Mesmo que ele tenha feito algumas coisas boas na vida e tenha salvado a vida de muita gente, não podemos esquecer que o ongueiro foi responsável indiretamente pelo "Massacre da Seropédica", foi capaz de simular vários assaltos e engana todas as pessoas que mais lhe amam. Os ongueiros de morro na vida real e os defensores dos direitos humanos podem ficar meio puto com as ações do moço. Acontece. Tem ONG séria, mas todos nós sabemos que existem sim muitas ONGs de fachada e existem sim defensores que usam dos direitos humanos para protegerem bandidos. Romero até tentou se regenerar, mas vários fatores o empurraram de volta para o mau caminho: a tentação de ganhar muito dinheiro, a pressão de Atena e as ameaças da facção. Será que ainda resta uma esperança para a alma do pilantra?


Que Dante (Marco Pigosi) é o policial mais incompetente da história da teledramaturgia brasileira, disso eu já estou cansado de falar (relembre aqui). Mas será que JEC não quis representar na figura do ingênuo policial a inoperância da polícia brasileira devido aos altos índices de violência registrados em todo o país e uma crítica a violência policial na relação entre ele e Juliano (Cauã Reymond), vítima do abuso de autoridade do policial lá no início da trama, quando eram rivais? A Regra do Jogo apresentou uma série de situações criadas e deixadas pelo caminho, sem muita explicação (relembre aqui), como os assassinatos de Djanira (Cassia Kiss), do delegado Faustini (Ricardo Pereira), do jornalista Dário (Alcemar Vieira), entre outros, que foram totalmente esquecidos. Pode ser um furo no roteiro do autor, mas não deixa de revelar uma realidade do Brasil: a do "ninguém sabe, ninguém viu". Diariamente, ocorrem vários crimes e que demoram anos para serem descobertos (quando são descobertos!) e os culpados serem punidos (quando são punidos!).

E nem as tramas paralelas da novela escapam. A família do Feliciano (Marcos Caruso), por exemplo, tem um pé muito forte na realidade que o povo brasileiro enfrenta todos os dias no sentido dos personagens envolvidos estarem sempre vivendo em crise. O Breno (Otávio Müller) perdeu o emprego e tenta se virar como pode, o Vavá (Marcelo Novaes) não consegue ser um personal com muitos clientes, a manicure Janete (Suzana Pires) idem, a empregada Dinorah (Carla Cristina) não recebe salário... É a personificação do famoso "jeitinho brasileiro". Para o bem ou para o mal.


Atena e Ascânio (Tonico Pereira) protagonizam algumas das melhores cenas cômicas da novela, ainda que esse não seja o propósito principal da dupla. Entretanto, não podemos esquecer que ambos fazem parte da facção e não valem nada. Atena é uma estelionatária que já enganou meio mundo e trambiqueira de mão cheia e Ascânio trazia menores de idade para a facção (inclusive, foi ele que levou Romero para o mundo do crime) e chegou até a matar uma personagem a mando da facção, a Sueli (Paula Burlamaqui), amiga de Atena. Ou ele matava ou a facção matava ele. Podemos dizer que Ascânio matou para sobreviver, então foi perdoável a sua atitude, né? Ou não?

Até o centésimo capítulo, Gibson (José de Abreu) não fazia a menor diferença na trama. Mas JEC estava preparando uma surpresa para os telespectadores. Revelado como o Pai da facção, Gibson cresceu e tornou-se um malvadão digno de entrar para a galeria dos grandes vilões do horário nobre, pois já mostrou que é capaz de qualquer crueldade, inclusive contra a própria família. Tudo, segundo ele, em nome de uma "causa" maior que ele julga certa, como se os fins justificassem os meios. E justificam? As falas reacionárias de Gibson em cena podem ser um choque para o público, mas são como a que ouvimos na vida real de muitos outros elitistas. Além disso, Gibson ser o Pai da facção toca em uma ferida aberta da sociedade: a justiça com as próprias mãos. Isso porque o "coxinha" resolveu criar a facção depois de sofrer um grande trauma no passado, durante um assalto, quando sua casa foi invadida por marginais, que torturaram sua família. Após presenciar o momento de terror, ele resolveu sentenciar os bandidos e contratou Zé Maria para assassiná-los. Ele, por sua vez, arrumou mais capangas, nascendo, assim, a facção. Gibson possui sonhos elitistas de grandeza, como se quisesse dominar todo o país, e criou esse "exército" para tirar toda a "corja" que está no poder. Em um momento de crise política e de puro desencanto da população com o governo corrupto do nosso país, A Regra do Jogo se tornou a cara do Brasil atual.



"É só uma novela", é o que muitos devem estar dizendo. Eu sei. Mas é inevitável traçar um paralelo com o Brasil atual. Até porque novela não é só entretenimento, mas também uma faísca para despertar reflexão no público. O que não chega a ser nenhuma novidade nas obras de JEC. Avenida Brasil, por exemplo, aproveitou bem a situação socioeconômica do Brasil de 2012 para refletir na tela um retrato pitoresco de nossa realidade contemporânea. O fictício bairro do Divino era, na verdade, um microcosmo do Brasil e foi responsável por todo o mega sucesso da novela, que levou diariamente milhões de brasileiros à frente da TV e que repercutiu nas ruas e na Internet. Como em poucos exemplos em nossa teledramaturgia, o brasileiro se viu refletido na trama.

A chamada "nova classe C" retratada na trama fisgou todas as classes. Como em um jogo de certo ou errado, o autor brincou com as nuances simbólicas de ricos e pobres, elaborando uma crítica social muito pertinente, seja através da grã-fina da Zona Sul que fazia pouco caso da figura do suburbano ou no velho-pobre novo-rico que zombava do velho elitismo. Avenida Brasil, além de ter tido uma ótimo história, é claro, retratou a classe média brasileira de forma eficiente e refletiu mudanças na sociedade, afastando-se dos personagens e bairros ricos que geralmente estão no centro das tramas, diferente do novo rico do passado, que queria parecer quem não era e tinha vergonha de falar de onde vinha. Prova disso era a Família Tufão (Murilo Benício), que enriqueceu, mas continuava com o jeito suburbano de ser e construiu uma mansão no Divino só para não se mudarem da zona norte.

Dessa vez, JEC vem retratando o funcionamento de um esquema mafioso entranhado nas camadas da nossa sociedade com a sensibilidade que o jornalismo não alcança ou se recusa a encarar. A similaridade com a realidade atual do nosso país assusta muito. Muitos se sentem instigados em acompanhar, outros ficam incomodados. Estamos vivendo um momento de insegurança, decepção e desesperança com o Brasil. Por isso, talvez seja custoso para a maioria ver o mal se sobrepor tão acintosamente na hora que a mente pede distração. Invariavelmente, A Regra do Jogo só mostra um único final: a cidade literalmente se transformar em uma Gotham City, onde somente um super-herói poderá salvá-la, já que 99% dos personagens não possuem qualquer tipo de princípio.




quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

As Melhores e Piores Vidas dos Atores em 2015



O ano de 2015 foi bem legal para alguns atores, que tiveram suas carreiras marcadas por grandes papéis ou foram recompensados após péssimas vidas em anos anteriores nas novelas.

Júlia Lemmertz teve o azar de ser escalada para a pior e mais insossa das Helenas do Maneco, mas conseguiu se redimir como a maravilhosa e divertidíssima Dorotéia (Dorô, para os íntimos).


Drica Moraes tinha promessas de ser vilã maravilhosa e acabou como Cora cheiradora de cuecas e soltadora de puns e depois até rejuvenesceu na Marjorie Estiano. Felizmente, deu a volta por cima em Verdades Secretas. Quem mandou largar o Walcyr Carrasco para trabalhar com o inimigo dele, né?


Lázaro Ramos fez um personagem extremamente insuportável em Geração Brasil, mas nesse ano viveu um personagem extremamente divertido em Mister Brau.


Paolla Oliveira só despertava o ódio do público por suas mocinhas chatonildas, mas conseguiu ganhar a nossa torcida e deixar todos os homens ba-ban-do. O que uma bunda não faz, hein...


Guilherme Winter deixou de ser coadjuvante figurante na Globo e foi abrir o Mar na Record.


Sérgio Marone também deixou de ser coadjuvante figurante na
Globo para fazer história na Record (mas continua o mesmo canastrão)


Desprezada por crítica e público, que viam nela tão somente uma mulher de sorte que foi alçada ao sucesso unicamente pela beleza após sair do BBB, Grazi Massafera mandou os desafetos para o paredão e os fuzilou com beijinhos no ombro por sua memorável atuação em Verdades Secretas.


Entretanto, alguns atores que já tiveram várias vidas legais em outros momentos sofreram esse ano. Outros até pegaram papéis bem ruins e encarnaram vidas que ninguém gostaria de relembrar.

Camila Pitanga tinha catiguria em Paraíso Tropical, mas terminou falando pleiba em Flopilônia.


Fernandona e Nathálião são uma das melhores atrizes do Brasil,
mas tiveram que enfrentar a rejeição da Família Brasileira.


Glória Pires e Adriana Esteves eram para travar o duelo histórico de vilãs Maria de Fátima vs Carminha, mas pareciam mais duas criancinhas birrentas e mimadas trollando uma a outra.


Juliano Cazarré arrancava risos da gente como o chupetinha de Avenida Brasil e hoje a gente tem vontade de mandar ele ir suave dar uma volta na nave lá na casa do cacete como o MC Merlô.


Marcelo Novaes era importante em Avenida Brasil e hoje parece até um figurante em A Regra do Jogo.


Roberta Rodrigues tinha sido funkeira divertida e anti-recalque que descia até o chão em Salve Jorge. Em A Regra do Jogo, interpreta o mesmo tipo... Só que sem o mesmo carisma... E chata!


Vanessa Giácommo está pagando todos os pecados da incrível secrepiranha Aline como a Tontóia.


JEC era o Grande Monstro Sagrado da Teledramaturgia Brasileira até meses atrás e olha aí A Regra do Jogo dando um xeque-mate na fama do autor de que só escreve novelões que param o país.

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