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segunda-feira, 3 de abril de 2017

Os erros em Salve Jorge que Glória Perez vai ter que evitar em A Força do Querer



Se você curte acompanhar novela das nove, sabe que ultimamente a safra do horário não tá das melhores. Faz tempo que não assistimos uma novela que una todas as tribos e nos dê vontade de ficar na frente da TV esperando pelo próximo acontecimento. A Lei do Amor foi mais um fiasco para se esquecer. Com isso, só nos resta esperar que a próxima novela de Glória Perez, depois da destrambelhada Salve Jorge, seja capaz de resgatar o sucesso dos tempos de outrora. Por isso, o Eu Critico Tu Criticas analisou a apresentação especial de A Força do Querer, que estreia hoje (03), e lançou alguns pitacos. Confira!


"Após uma década e meia apresentando a cultura de outros países, Gloria Perez decidiu mostrar os costumes brasileiros em seu novo projeto. A Região norte foi escolhida como cenário. A viagem é feita de barco até o fictício vilarejo de Parazinho. É lá que, no primeiro capítulo, Zeca (Marco Pigossi) e Ruy (Fiuk) - ainda crianças - se afogam e são salvos por índio que entrega à dupla uma espécie de amuleto e lhes dá um aviso: a água que os uniu será a mesma que irá separá-los. Uma grande desilusão amorosa é capaz de revirar a vida de qualquer pessoa e pode abrir caminhos para nova paixão. É isso que vai acontecer com Zeca. É no bairro de Portugal Pequeno que ele se refugia para esquecer Rita (Isis Valverde), que o abandonou logo após o casamento. E será nesta localidade de Niterói, bem distante de Parazinho, que ele vai conhecer Jeiza (Paolla Oliveira), uma mulher diferente de todas que já conheceu na vida".

Pra começar, ideia acertadíssima a autora resolver mostrar as riquezas do nosso Brasil ao invés de falar (pela trocentégima vez) sobre algum país estrangeiro. Salve Jorge mostrou que ninguém aguenta mais as dancinhas e os bordões estrangeiros, nem ver o português como língua oficial em qualquer lugar do mundo e a facilidade como as pessoas se locomovem, por exemplo, entre Istambul e o Rio de Janeiro. A própria Glória, que é natural do Acre, já tinha falado sobre a região na sua minissérie Amazônia, em 2007. E, mais recentemente, a novela Além do Horizonte tinha boa parte de suas cenas nessa região.

Essa parte meio mística da trama pode causar desconfiança inicial em alguns telespectadores mais exigentes e gerar cobranças caso Zeca e Ruy não tenham mais conflitos no decorrer da trama. E é o que pode acontecer se Fiuk se sair muito mal na novela e tiver seu espaço reduzido, que nem Bahuan (Márcio Garcia) de Caminho das Índias. Este tipo é muito arriscado: playboy mimado que "rouba" a namorada do mocinho pobre de coração bom. Se não for feito por um ator carismático que cative o público e que seja REALMENTE um bom ator, já era. E Fiuk, bem... Alguém se lembra de alguma atuação marcante dele? É, também não. Além do mais, Ísis Valverde e Marco Pigossi já mostraram que tem química de sobra como os mocinhos de Boogie Oogie, então Zeca já sai com vantagem na frente de Ruy na torcida do público.

Percebam também que há uma vaga semelhança ao núcleo principal de Haja Coração. Temos um caminhoneiro brutamontes (Zeca/Apolo) que disputa o amor de uma mulher (Ritinha/Tancinha) com um ricaço que promete o mundo (Beto/Ruy) e se envolve com outra que é meio feminista e não se deixa intimidar pelos homens (Tamara/Jeiza). Oxente, my good! Outro Apolo eu não vou suportar!

Aliás, seria Jeiza uma nova Dona Helo? Esse reboot de Salve Jorge tá liberado!

"Bibi (Juliana Paes) é uma mulher linda e cheia de personalidade, que necessita do fogo de uma paixão arrebatadora para ver sentido em sua vida. É em função disso que ela termina um noivado estável com o colega da faculdade de direito, Caio (Rodrigo Lombardi), para se entregar de corpo e alma à adrenalina que Rubinho (Emilio Dantas), um estudante de química que faz bicos como garçom, lhe proporciona. Com coração partido, Caio se mudou para os Estados Unidos, abandonando de vez o plano de fazer parte da diretoria da empresa de seus primos, a Irmãos Garcia. Passados 15 anos, ele está de volta ao Rio e o destino tratará de fazer Bibi cruzar o seu caminho novamente. Casada com Rubinho e mãe de Dedé, Bibi precisou interromper a faculdade para trabalhar e garantir o sustento da família. A vida do casal é cheia de paixão, mas com pouco dinheiro. Aurora (Elizângela), mãe dela, não se conforma com a escolha da filha e recorre a Caio quando Bibi está para ser despejada. Surpreendentemente, ele decide ajudar e empresta um imóvel para a ex morar com família, desde que Aurora não revele à filha quem a está ajudando. Amor, vingança ou apenas uma boa ação? Nem Caio consegue entender o que o leva a tomar tal decisão. Em princípio, a vida de Bibi melhora, mas sua louca paixão por Rubinho a levará a fazer escolhas erradas. Ela vai entrar no mundo crime e ficará conhecida por todos como 'Bibi Perigosa'. A esta altura, Caio estará ocupando um alto cargo ligado à Justiça e viverá um grande conflito íntimo entre a ética e o seu grande amor".

Juliana Paes promete e muito! A Bibi Perigosa é inspirada numa personagem real, que saiu da vida do crime e escreveu um livro sobre o assunto. Mas Caio pode ser o calcanhar de aquiles desse núcleo. Motivo? Parece ser a nova versão do (Pas)Théo, também interpretado pelo Rodrigo Lombardi, de Salve Jorge.

Em determinado momento, segundo a autora, Bibi ficará cada vez mais perigosa e mobilizará vários personagens em sua perseguição, incluindo Jeiza, e a novela ganhará contornos policialescos nessa parte. E é aí que mora o grande perigo. Em Salve Jorge, diante da patrulha que cobrava lógica e apontava diariamente todas as incoerências e os furos do seu roteiro, Glória Perez sempre usava como justificativa que novela é ficção, não tem obrigação de mostrar a realidade: "É preciso voar!". Em partes, concordo. Porém, em uma trama REALISTA e POLICIAL, não há telespectador que aceite "sonhar" ou "voar" quando está acompanhando uma história do gênero. Pistas falsas, lançadas intencionalmente pelo autor, tudo bem. Mas erros, furos, incoerências, falta de nexo são inaceitáveis. Inexperiente, talvez, no gênero, a autora acreditou que teria a cumplicidade do público em seus "voos". Lógico que não teve. Ao contrário, virou motivo de chacota. Espero que Dupla Identidade, maravilhosa série que a autora escreveu depois de Salve Jorge sobre um serial killer, tenha deixado Glorinha mais por dentro do gênero thriller policial.


"A empresa Irmãos Garcia é uma das maiores empresas de ramo alimentício no Brasil, comandada com pulso firme pelos irmãos Eugênio (Dan Stulbach) e Eurico (Humberto Martins). Embora parceiros, eles têm temperamentos completamente opostos. Eugênio quer sair do posto de chefia que ocupa e seguir a tão desejada carreira de advogado. No entanto, diversos infortúnios o fizeram adiar seus planos e, passados 15 anos, com Ruy já adulto, chega a hora de realizar o sonho adiado. Esta decisão vai acirrar os ânimos familiares. Assim como o irmão Eurico, a voluntariosa Joyce (Maria Fernanda Cândido), esposa de Eugênio, também não aceita o plano do marido. E este será apenas um dos dilemas familiares. O casal terá que lidar com as consequências das confusões de Ruy, que em uma viagem ao norte do país, se encanta por Rita (Isis Valverde) e coloca em risco seu noivado com Cibele (Bruna Linzmeyer). Já Ivana (Carol Duarte), a filha mais nova do casal, criada como a princesinha dos pais, entrará em conflito interno e se revelará trans homem. Ela vai querer resgatar a sua identidade: é um homem que nasceu em um corpo de mulher. Como a casal vai reagir diante desses turbilhões?"

Como o público vai reagir diante desse turbilhão, isso sim! Glorinha sempre foi uma mulher de vanguarda, levando discussões interessantíssimas e acaloradas ao público com temas difíceis através das suas novelas. A transexualidade é o grande trunfo de A Força do Querer e, antes mesmo da novela estrear, já gera polêmicas. Preparem-se para textões de ativistas LGBTUVWXYZ (uns dizendo que a autora "lacrou", outros criticando a abordagem) e telespectadores mais conservadores torcendo o nariz. A Globo vem meio que preparando o público sobre o tema com a série do Fantástico, "Quem Sou Eu?", encerrada no último domingo. Só espero que a transexualidade seja abordada de forma natural, sem ser enfiado goela abaixo.

"Em meio à crise em seu casamento, Eugênio se envolverá com a misteriosa Irene (Débora Falabella). Arquiteta e amiga de Silvana (Lília Cabral), a moça é manipuladora e é capaz de tudo para conseguir o quer. Tem um passado extremamente perigoso e desconhecido de todos".

Esse núcleo vem sendo extremamente similar ao de Caminho das Índias. Irene tem um quê de Ivone (Letícia MortadelaSabatella): seduz um ricaço (Eugênio/Raul), que vive em conflito com o irmão (Eurico/Ramiro) pela presidência da empresa (Irmãos Garcia/Irmãos Cadore) e está insatisfeito com sua vida e com o casamento com uma mulher voluntariosa (Joyce/Melissa) em crise, para dar um golpe nele. Só espero que Ivone seja uma vilãzona de raiz mesmo e não uma nova Lívia (a robótica líder da gangue em Salve Jorge).

"Do outro lado da família Garcia tem Eurico, um homem cético que quer ter o controle sobre tudo e sobre todos. Sua esposa, Silvana (Lilia Cabral), é o oposto. Viciada em jogo, vai cair de cabeça na dependência, colocando em risco o patrimônio da família. A filha do casal é Simone (Juliana Paiva), uma jovem linda e vaidosa e melhor amiga da prima Ivana".

O vício em jogo já tinha aparecido em Salve Jorge com o personagem Celso (Caco Ciocler), mas agora o tema terá uma abordagem ainda mais ampla, mostrando como o jogo pode destruir a vida das pessoas. Só espero que seja uma tema abordado de forma eficiente e não apenas para preencher tabela e depois ser esquecido (como o alzheimer da Vó Farid na trama anterior de Glorinha que desapareceu).


Outros personagens que podem bombar são Edinalva (Zezé Polessa) e Abel (Tonico Pereira), que prometem ser tipos bastante divertidos. Ela é mãe de Ritinha e ele é pai de Zeca, os dois não aprovam o relacionamento entre seus filhos e vivem implicando um com o outro. Eles provavelmente terão bordões e serão o alívio cômico da trama, já que Zezé e Tonico são experientes no humor e sempre cativam o público quando vivem esse tipo de papel (vide Ternurinha de Cordel Encantado e Ascânio de A Regra do Jogo).

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E eis que chegamos aos "voos" de Glória Perez. Segundo a sinopse, Ritinha acredita REALMENTE que seja uma sereia, porque ela tem certeza que é filha de um BOTO. Sim, na novela a personagem vai ser, supostamente, filha de uma união de Edinalva com um boto, boto cor de rosa mesmo, boto lenda da Amazônia. Quando uma amiga dela apresenta à ela o sereismo, ela fica empolgada não porque vai poder se vestir de sereia, mas sim porque acredita que JÁ É uma sereia, e aquilo seria um jeito de dar vazão a seu verdadeiro "eu". A coisa vai ser tão real que não vão faltar imagens de Isis de cauda e tudo. E ainda tem o núcleo cosplayer, com Yuri (Drico Alves), Heleninha (Totia Meirelles) e Junqueira (João Camargo), que vivem em conflito com o garoto que só se veste como personagens de animes e desenhos animados e só se comunica no celular. Teoricamente, o núcleo serve para fazer os pais entenderem melhor esse fenômeno de cosplayer no mundo jovem e a interferência da tecnologia em excesso na vida social e nos estudos dos mais jovens. Não sei vocês, mas já estou me preparando para rir muito involuntariamente disso tudo.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Os piores e inadequados títulos de novelas



Não sei vocês, mas todas as (poucas) vezes em que assisto A Lei do Amor me surge um questionamento na cabeça: o que tem a ver o título da trama com a história apresentada? Afinal, se houve alguma grande história de amor foi só lá nos capítulos iniciais, quando Pedro e Helô ainda eram vividos por Chay Suede e Isabelle Drummond. Desde que Claudia Abreu e Reynaldo Gianechinne assumiram os personagens, o casal protagonista virou coadjuvante dentro da sua própria história — não por culpa dos atores, que fique claro.

"Sagrada Família", o titulo original, expressava muito melhor do que "A Lei do Amor" o tema principal da novela de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari. Seria um título irônico, claro, pois não há nada de sagrado na família Leitão, em torno do qual gira toda a história — pelo contrário, é cheia de podres, segredos, traições e pra lá de conturbada. Magnólia (Vera Holtz), a grande vilã da história e matriarca dos Leitão, além de todos os seus inúmeros pecados, é hipócrita, pois tenta passar a imagem de beata e vive falando de Deus. Foi capaz de muitas monstruosidades. Tudo, segundo ela, pelo bem da sua família.

Este tipo de problema é muito mais comum do que se imagina na teledramaturgia. Confira abaixo outros títulos inadequados de novela (seja por não terem nada a ver com a trama ou por serem bizarros):

Amor à Vida — A novela expôs preconceito, vingança, dramas pesados, além de ter apresentado muitos personagens com desvio de caráter, que tinham amor a tudo — ao dinheiro, ao sexo, a vilania —, menos à vida. São peças que não se encaixavam. O nome mais apropriado para a trama seria "Em nome do pai", que chegou a ser cogitado inicialmente, mas preterido pouco depois. O título tinha consistência, afinal, Félix (Mateus Solano) foi capaz de praticar inúmeras monstruosidades por causa da rejeição de sofria de César (Antônio Fagundes). Porém, optaram por "Amor à Vida", que fez sentido apenas em relação ao momento em que Bruno (Malvino Salvador) achou Paulinha (Klara Castanho) na caçamba e salvou sua vida.

Avenida Brasil — O nome apenas fez uma referência ao atropelamento de Genésio (Tony Ramos), que morreu quando Tufão (Murilo Benício) o atingiu com seu carro na Avenida Brasil, o que desencadeou toda a história da trama. Porém, se formos analisar todo o contexto, o título não teve absolutamente nada a ver com a história de vingança de Nina (Débora Falabella) e muito menos com o Divino Futebol Clube.

Sangue Bom — A trama das sete abordava o mundo midiático e o conflito da protagonista Amora (Sophie Charlotte) entre o "ser" e o "ter". Essa situação servia para movimentar todos os núcleos e apresentava a temática de uma forma dramática e bem-humorada ao mesmo tempo. O título pouco tinha a ver com a história, a não ser pela bondade excessiva de Bento (Marco Pigossi) ou então pela real identidade de Amora, que, no fundo, bem lá no fundo, sempre teve um "sangue bom". Entretanto, partindo dessa premissa, o nome serviria para qualquer novela, uma vez que personagens bons sempre fazem parte de uma história, assim como os maus. Mas em se tratando do conjunto da obra, o nome não combinou.

Alto Astral — Alguém, em pleno 2014, ainda dizia que fulano é "mó alto astral"? Ou que achou tal festa "super alto astral"? Fora o título pra lá de ultrapassado, a novela explorava tramas envolvendo fantasmas e espíritos de forma leve e cômica — tudo a ver com "Búú", título original da trama que foi preterido.

Fina Estampa — A novela, teoricamente, faria uma discussão sobre o ser e o parecer, a partir do momento em que Griselda (Lilia Cabral) ficasse rica e adotasse uma "fina estampa", onde se questionaria se o que vale mais é a aparência ou o caráter — como bem sugeria a abertura e o título da novela. Mas isso não aconteceu. Aguinaldo Silva se perdeu em seu mote inicial e a trama descambou para o absurdo.

Salve Jorge — Glória Perez disse que o título provinha de uma saudação a São Jorge, santo que nasceu na antiga Capadócia, na Turquia — onde parte da história se passava —, e que era o padroeiro do protagonista, Théo (Rodrigo Lombardi), muito usada nas religiões afro-brasileiras — o que acabou gerando uma campanha de boicote de muitos evangélicos. Porém, São Jorge mais parecia um pano de fundo, pois não exerceu nenhuma grande importância para a história, que falava sobre o tráfico de pessoas.

Balacobaco — Desesperada com o fracasso de sua novela Máscaras, a Record chamou Gisele Joras para adiantar os trabalhos de sua nova produção, que se chamaria "Passado Próximo". Mas, desesperada como só ela, a Record decidiu mexer na sinopse da novela e resolveu colocar na nova trama tudo aquilo que não tinha em Máscaras, que era uma novela bem sombria. E foi assim que a emissora transformou o drama de Gisele Joras em uma novela de (pseudo) humor com nome cafona, o que, é claro, não deu muito certo. Se a expressão balacobaco significar samba do crioulo doido, posso afirmar que a novela teve um título certo.

Da Cor do Pecado — Longe de mim querer pagar de politicamente correto e sair problematizando tudo, mas o título da trama é uma expressão que faz a mesma associação de que negro é igual a negativo, só que de forma mais subliminar, não recorrendo a termos como negro ou preto. Ela é usada como elogio, porém, para quem é cristão, pecar não é nada positivo, ser pecador é errado e ter a sua pele associada ao pecado significa que ela é ruim. Portanto, é simplesmente uma ofensa racista mascarada de exaltação à estética, direcionada a mulheres negras — caso da protagonista da novela, Preta (Taís Araújo), literalmente.

Malhação — A novelinha já deixou de ter uma academia como cenário principal há anos.

Antonio Alves, Taxista — O ano era 1996 e o SBT, em uma atitude ousada, resolveu estrear três novelas em um só dia e uma delas era a cafona (não só no nome) Antônio Alves, Taxista, que trazia Fábio Jr. como o personagem-título. Mais cafona do que colocar o nome do personagem principal no título é acrescentar a ele a sua profissão. É como se Rock Story se chamasse "Gui Santiago, o rockeiro".

Pícara Sonhadora — Título que dispensa comentários, enche o mundo de piadas (alguém aí pensou em "pica sonhadora"?) e que só mesmo o Silvio Santos para ter gostado e aprovado um nome desses.

A impressão que fica é que os autores estão cada vez mais deixando o título de suas produções de lado. Claro que a história é a principal preocupação para quem a escreve, entretanto, o nome da mesma não pode ser apenas algo decorativo. Precisa sim se encaixar com o que é mostrado ao telespectador na telinha.

E vocês? Se lembram de algum outro título ruim ou/e inadequado de novela? Comenta aí!

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Depois de Michel Temer enviar carta "mimizenta" para Dilma, personagens rebaixados das novelas imitam o vice-presidente



O assunto do dia (talvez, da semana) nas redes sociais é a carta enviada por Michel Temer para a presidente Dilma. Nela, escrita com a tinta da mágoa, que já saiu em todos os jornais e sites de notícias, o vice-presidente brasileiro enumerou reclamações sobre o comportamento da presidente em relação a ele. Chateado por acreditar que sua chefa não confia nele, Temer disse que não gostou de ser "objeto decorativo" da República. Reclamou que não foi convidado para eventos políticos importantes. Reclamou que foi deixado de lado na hora de decisões econômicas. Reclamou que Dilma não manteve no cargo ministros que foram indicação sua. Reclamou que Dilma jamais lhe mandou uma vida no Candy Crush. Reclamou que ela comeu churrasco na semana passada e não o convidou. E, por fim, reclamou que Dilma nunca disse que ele faz a melhor macarronada de Brasília. Inspirados na cartinha "mimizenta" de Michel Temer, alguns personagens decidiram criar sua própria carta e enviaram suas lamúrias aos autores por terem visto seu papel na novela rebaixado ou esquecido até perder a importância na história e se tornar um "vice decorativo". Confira:


Cora (Drica Moraes) mandou sua carta para Aguinaldo Silva


Helena (Taís Araújo) mandou sua carta para Manoel Carlos


Carlos Alberto (Marcos Pasquim) mandou sua carta para Gilberto Braga


Irina (Vera Fisher) também mandou sua carta para Glória Perez





terça-feira, 17 de novembro de 2015

A ascensão das favelas na nossa dramaturgia


Só em 2015, tivemos três novelas da Globo cujo cenário principal era uma favela. São elas: I Love Paraisópolis, cujo título se refere de forma tão amorosa a uma das maiores e mais violentas favelas de São Paulo, Babilônia, que tinha seu nome emprestado de uma favela no Leme, bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro; A Regra do Jogo, que se passa no fictício Morro da Macaca, também no Rio. As três, no entanto, mostraram uma visão diferente do subúrbio. A primeira trama não mostrou absolutamente nada a respeito de criminalidade ou tráfico de drogas, a segunda tinha muito mais cenas rodadas no "asfalto" no que no morro e esta última mostra uma favela que é point cultural, frequentada pelos moradores, pelo pessoal do "asfalto" e até mesmo pela "alta sociedade". Mas você sabe como foi que as favelas começaram a ter um destaque maior nas novelas?


Para começo de conversa, nesta matéria optei por usar o termo "favela" ao invés de um eufemismo 'politicamente correto' como "comunidade", até porque a palavra está longe de ser considerada pejorativa. Segundo o dicionário 'Houaiss', por exemplo, favela é "um conjunto de moradias precárias, situada em morros e onde vive a população de baixa renda dos centros urbanos". Curiosamente, embora sempre presente na sociedade brasileira, tal localidade quase nunca era abordada na nossa dramaturgia televisiva. O oposto acontece no cinema, onde temos até um boom de filmes com esse tipo de temática (podemos citar Cidade de Deus, Tropa de Elite e Alemão).


Citada antes esporadicamente em algumas novelas, a primeira vez em que uma favela de fato ganhou importância numa novela foi em Pátria Minha (1994). Na história, Claudia Abreu interpretava Alice, uma estudante super correta que entra em guerra contra o empresário Raul (Tarcísio Meira), que comete uns crimes impunemente e depois ainda manda desapropriar uma favela. Quase uma década se passou até uma favela voltar a ter importância em uma nova trama. Em 2004, Senhora do Destino apresentou a Comunidade da Pedra Lascada, uma região subdesenvolvida do subúrbio carioca que visava conseguir uma emancipação. A tal comunidade tinha grande destaque porque a protagonista Maria do Carmo (Susana Vieira) tinha um forte laço afetivo com o local e sempre ajudava seus moradores, de quem era amiga e respeitada por todos.

Nos últimos 12 anos, o Brasil passou por alguns processos políticos que visaram dividir melhor a renda e isso gerou a ascensão da classe C, um novíssimo público consumidor que virou a menina dos olhos de ouro do mercado publicitário e o pesadelo das emissoras acostumadas a produzir dramaturgia só pensando nos núcleos mais ricos. Nesta última década, os personagens mais pobres foram conseguindo mais destaque e as tramas passaram a se deslocar dos bairros ricos para o subúrbio. Não que isso seja inédito, já que Rainha da Sucata e outras novelas mais antigas também davam voz aos mais pobres, mas tornou-se mais comum nos últimos anos.


Podemos dizer que a primeira novela a colocar uma favela em papel de destaque foi Vidas Opostas (2006), da Record, que aproveitou a explosão do tema no cinema e produziu uma novela que misturava um núcleo rico com moradores de uma favela, com direito a muito "tiro, porrada e bomba". Muitas cenas, inclusive, foram gravadas em uma comunidade real. Na Globo, devido ao sucesso da concorrente, a trama que marcou o destaque absoluto de uma favela veio logo depois, em 2007, com Duas Caras, ambientada na fictícia Portelinha e que também mostrou a diferença social colocando uma comunidade pobre localizada ao lado de um empreendimento de luxo. 

Atualmente, muitas novelas já mostram favelas pareando em importância com bairros mais ricos, algumas vezes até superando as antigas localidades de destaque. Avenida Brasil e Cheias de Charme, por exemplo, acertaram em cheio ao mostrar um subúrbio mais alegre e divertido, enquanto Salve Jorge foi a pioneira em colocar como protagonista uma mãe solteira moradora do Complexo do Alemão, um tipo que provavelmente seria apenas coadjuvante em novelas do passado. E para mostrar que não se trata de um fenômeno pontual, podemos lembrar de um exemplo ainda mais recente: Em Família foi escrita por Manoel Carlos, autor conhecido por colocar suas histórias apenas em bairros ricos do Rio de Janeiro (Leblon), mas mesmo assim precisou se adequar às novas necessidades da emissora e até incluiu uma "favela" improvisada com um personagem, Jairo (Marcelo Melo Jr.), que conseguiu um destaque maior que o esperado.


Entretanto, parece que a fórmula exaltada até pouco tempo atrás não está dando muito certo. Desde sua estreia, A Regra do Jogo ainda não empolgou na audiência e acumula, até o momento, média de 25 pontos (a meta para o horário das nove é de 35), mesma marca de sua antecessora, Babilônia, tida como o maior fracasso do horário nobre global de todos os tempos. Curioso que as duas têm em comum a ambientação em favelas. Com isso, várias questões vem sendo levantadas: será que duas novelas simultâneas focadas em favelas não são um pouco demais? Será que não está na hora da Globo buscar novos cenários para as suas novelas, afinal, o Brasil é muito maior do que isso? O público está cansado de tramas que se passam nas favelas?


Babilônia foi uma trama rejeitada pela maior parte do público e boicotada por evangélicos pelas cenas polêmicas iniciais, por sua trama mal remendada e pelas mil e uma mudanças que a trama e os personagens sofreram para "agradar a Família Brasileira", deixando-a ainda mais equivocada e perdendo sua identidade. Mas em nenhum momento o fato dela ter se passado na favela foi o motivo da sua baixa audiência. E cá entre nós, até onde me lembro, nunca havia ouvido falar de alguma reclamação do público que novelas seguidas na Globo eram todas centradas em bairros ricos do Rio de Janeiro! Mas se o problema são mesmo as favelas, então porque I Love Paraisópolis teve uma boa audiência? Estranho, não!? Pelo visto, com o passar dos anos teremos cada vez menos distinção entre as áreas mais ricas e mais pobres das cidades, até porque sabemos que o primordial de uma novela não é o cenário, e sim sempre contar uma boa história.


sábado, 19 de setembro de 2015

Os 10 maiores furos, gafes e incoerências das novelas




10º lugar: Erro de computação gráfica

Fundo verde em 'I Love Paraisópolis'
I Love Paraisópolis se passa em São Paulo, mas tem grande parte de suas gravações feitas no Projac, no Rio de Janeiro. Por isso, a produção usa e abusa do chroma key para trocar as paredes do estúdio por fundos que reproduzem a cidade paulista. Em um capítulo, porém, a produção esqueceu de fazer a troca. Resultado: quem assistiu à novela deixou de ver os arranha-céus de São Paulo pelas janelas do escritório de Gabo (Henri Castelli) e só viu um fundo verde. Ao lado, a cena que foi exibida em determinado capítulo e a que foi disponibilizada no site da Globo, corrigida às pressas e fazendo de conta que nada aconteceu.



09º lugar: Esqueceram de mim

Logo nos primeiros capítulos de Babilônia, um erro chamou a atenção dos espectadores. Enquanto a vilã Inês (Adriana Esteves) e sua filha, Alice (Sophie Charlotte), conversavam no apartamento para o qual se mudariam no Leme, um operador de câmera que gravava a novela aparecia no canto direito da tela. Esse é o padrão Globo de qualidade?



08º lugar: A polícia nunca é chamada para resolver os crimes


Os personagens de Amor À Vida parecem não gostar muito de chamar a polícia para resolver os problemas. Niko (Thiago Fragoso) e Félix (Mateus Solano) saíram em busca de Amarilys (Danielle Winits), que havia sequestrado o bebê Fabrício, e não a denunciaram às autoridades, mesmo após saber que ela iria fugir do país. A tentativa de assassinato de Ciça (Neusa Maria Faro), que foi jogada por Alejandra (Maria Maya) de um penhasco, também ficou impune e a criminosa não enfrentou a Justiça antes de morrer. Mas o pior caso foi quando Ninho (Juliano Cazarré), para chamar a atenção (?) de Paloma (Paola Oliveira), resolveu sequestrar Paulinha (Klara Castanho) com a ajuda de Alejandra. Os dois fugiram com a menina para o Peru e Paloma e Bruno (Malvino Salvador) foram atrás deles para resgatar a adolescente. Paulinha foi salva e o sequestro não teve grandes consequências para os envolvidos no crime, já que nenhum deles teve de prestar conta por seus atos. E Ninho ainda conseguiu convencer Paloma a deixá-lo visitar a filha biológica depois, hein! Sem falar nos barracos memoráveis à mesa de jantar da Família Khoury, onde todos os crimes eram revelados e ficavam por ali mesmo. Félix (Mateus Solanno) nunca prestou contas com a justiça por ter jogado Paulinha numa caçamba de lixo lá no primeiro capítulo da novela. É que os Khourys não gostavam de escândalos. E a justiça brasileira agradece!



07º lugar: Cabelo bipolar da Morena

Glória Perez deve achar que a atmosfera de um país pode alterar o penteado de uma pessoa. Morena (Nanda Costa) que o diga. Enquanto nas cenas externas da Turquia a protagonista exibia madeixas onduladas, nas cenas gravadas na cidade cenográfica (Projac) no Rio de Janeiro ou em locais fechados do que seria a Turquia, os cabelos se tornavam, misteriosamente, lisos. Fica claro que as cenas externas de Salve Jorge no estrangeiro foram gravadas antes, o que é normal em uma novela, mas não precisavam ter mudado tanto o cabelo da mocinha se voltariam a usar essas imagens depois. Ficou ridículo.


Tecla SAP
06º lugar: Tecla SAP

Outra falha de Salve Jorge diz respeito à linguagem universal utilizada pelos personagens da novela. Ao longo de quase todo o folhetim, Glória Perez fez com que todos os personagens falassem português, fosse em Istambul, fosse no Brasil, e todos se entenderam sem precisar de mímica. Mas nem sempre foi assim. Quando Morena escapou do tráfico e saiu às ruas de Istambul para pedir socorro, para a infelicidade dela, ninguém entende o que ela diz, logo, ninguém a ajuda. Ainda não tinham inventado a tecla SAP. Que azar.



05º lugar: Idades loucas

Atores com idades não condizentes com seus personagens é algo até comum, mas Em Família exagerou: Ana Beatriz Nogueira, quase da mesma idade de Gabriel Braga Nunes, vivendo a mãe do personagem dele. Natália do Valle, dez anos mais velha que Júlia Lemmertz, vivendo a mãe dela. O pior caso foi a personagem Juliana, tia de Helena, interpretada pela atriz Gabriela Carneiro da Cunha nas duas primeiras fases, e Vanessa Gerbelli na terceira. Nas primeiras fases, a atriz parecia ser mais velha que Bruna Marquezine (a Helena). Mas, na terceira fase, Vanessa pareceu mais jovem que a Helena de Júlia Lemmertz.


04º lugar: Um pendrive para Nina

De todas as gafes, esta foi a de maior repercussão, afinal, estamos falando de Avenida Brasil, a novela de maior sucesso dos últimos tempos que, infelizmente, pecou do ponto de vista tecnológico em um dos momentos mais decisivos da trama. Mostrando pouca (ou nenhuma) familiaridade com tecnologia, Nina (Débora Falabella) perde todas as cópias impressas das preciosas fotos íntimas de Carminha (Adriana Esteves) com o amante, Max (Marcello Novaes), e não tem como recuperar os arquivos, afinal, não os salvou em um pendrive, no cartão de memória da câmera digital, numa cópia de segurança no e-mail, nada. Em plena era digital, foi um furo imperdoável! Até porque Nina sempre se mostrou antenada a tecnologia. Tanto que foi através da internet que ela se aproximou e ficou amiga de Ivana (Letícia Isnard) para conseguir um emprego de cozinheira na mansão Tufão e, assim, iniciar seu plano de vingança contra Carminha.


Morena parindo de short
03º lugar: Parto de short na caverna

A personagem interpretada por Nanda Costa em Salve Jorge marcou presença em outra gafe na novela. Ao dar à luz seu filho em uma caverna na Capadócia, Morena teve a proeza de parir sem tirar o short. Incrível como um recém-nascido conseguiu atravessar um tecido em seus primeiros momentos de vida.



02º lugar: O rejuvenescimento de Cora

Interpretada pela Drica Moraes (45 anos), a vilã Cora surgiu, do nada, na pele de Marjorie Estiano (32 anos), que havia vivido a personagem jovem na primeira fase de ImpérioA mudança de atrizes foi feita às pressas pelo autor Aguinaldo Silva devido a um afastamento de Drica, em tratamento contra uma faringite, em um momento chave na trama da personagem. Concordo que o autor estava em uma "sinuca de bico", mas ele deveria ter, ao mínimo, uma explicação plausível para tal troca. O que nunca aconteceu. Até hoje ninguém sabe como Cora rejuvenesceu. Véu rejuvenescedor? Xixi de jacaré? SPA milagroso? Mistério! Sem falar que todos os personagens agiam como se nada tivesse acontecido, sendo que Cristina (Leandra Leal), sobrinha de Cora, chegou a parecer ser irmã mais velha da própria tia!


01º lugar: Sinal de celular no elevador

Campeã absoluta de gafes, furos e incoerências entre as novelas dos últimos anos, é com muito prazer que dou o primeiríssimo lugar dessa lista para Salve Jorge!!! O assassinato de Rachel (Ana Beatriz Nogueira) é uma das mortes mais patéticas de toda a teledramaturgia! Primeiro, que a moça descobre que Lívia (Cláudia Raia) e Wanda (Totia Meirelles) são traficantes de pessoas. E o que ela faz? Em vez de guardar o segredo e contar para a polícia, resolve encarar as mulheres que já haviam se mostrado perigosas. E ainda diz: "vou contar tudo para a polícia". Mas o lado pateta não para aí. Ela resolve entrar em um elevador para melhorar o sinal do celular (oi?) e, no momento em que consegue falar com a delegada Helô (Giovanna Antonelli), em vez de contar logo quem é a chefe do tráfico de mulheres, ela diz: "você não vai acreditar quem é a chefa" e não diz. Isso é um dos suspenses mais toscos que se pode ter numa novela ou num filme. Coisa de quem parece estar começando a escrever roteiro, o que não é o caso de Glória Perez, autora de novelas maravilhosas como O Clone e Barriga de AluguelA cena da morte é outra coisa indescritível de ruim. Lívia usa novamente a injeção fatal e dá cabo de sua nova vítima... Dentro de um elevador de hotel! Certamente, num hotel chique como este, deveria ter uma câmera dentro do elevador, né? Até hoje eu não sei. Glória Perez diz que se tudo acontecesse como na vida real, a novela não iria acontecer. Ok, novela é ficção, mas tem de haver um pouco de coerência.


segunda-feira, 10 de agosto de 2015

As 10 Piores Novelas das Nove dos Últimos Tempos


10º lugar: Império


Império tinha tudo pra ser um novelão memorável, mas pecou pela irregularidade. Repleta de apelos que despertaram a curiosidade no público, com personagens complexos, bem carismáticos, bem dirigidos e bem interpretados (a grande maioria) e com histórias que tinham tudo para render ótimos entrechos e ganchos. Alguns conseguiram, outros ficaram na promessa ou decepcionaram (Cora como grande vilã foi uma delas). Império foi uma novela bem mediana. Faltou um melhor desenvolvimento nas tramas desses personagens. Desde o início, a trama central de Império sempre foi o ponto alto da novela. Porém, na maioria das vezes, a estagnação imperava na obra de Aguinaldo Silva. A situação envolvendo a falsa morte de José Alfredo (Alexandre Nero) foi prolongada demais e cansou. Mas com o retorno do Comendador ao mundo dos vivos, o núcleo principal voltou a despertar interesse e apresentar qualidades. Entretanto, o mesmo não se pode dizer dos núcleos paralelos. Todos eles não funcionaram. Por isso chamá-la de irregular, onde quase tudo não se encaixou perfeitamente, alternando entre altos e baixos. 


09º lugar: Amor A Vida


A estreia de Amor à Vida foi super movimentada. A atração causou espanto pela direção que imprimiu agilidade na narrativa e pelas tomadas de tirar o fôlego. Mas, em menos de um mês, a novela logo entrou no ritmo normal de um tradicional folhetim. Porém, com alguns problemas. O texto de Walcyr Carrasco, que ele não permite improvisos e exige que seja declamado pelo seu elenco exatamente o que está no roteiro, foi o maior dos problemas. Em Amor à Vida, não faltou didatismo, repetições exaustivas de palavras CAÇAMBA!!! CAÇAMBA!!! CAÇAMBA!!! e frases, diálogos artificiais e primários, em um tom muitas vezes teatral. Funcionava nas comédias de época das seis horas que o autor escrevia, mas, para o horário nobre, que pede uma trama realista, subestimou demais o telespectador. E não faltou o humor carrasquiano, outra marca do autor. Combinado com o seu texto, soou infantil muitas vezes, quando não sem graça. Várias sequências e personagens resvalaram na comédia digna de esquete de programa humorístico de gosto pra lá de duvidoso. O excesso de personagens também foi outro problema, com tramas paralelas, em sua grande maioria, totalmente desnecessárias. Por fim, mesmo com muitas críticas ao seu estilo narrativo e à sua história, que pecou em várias incoerências, Amor à Vida foi bem no Ibope e teve repercussão. Com ótimos ganchos, alguns capítulos-chave e sequências de impacto, a novela conseguiu manter o interesse do público por oito meses seguidos, mesmo tendo que enrolar bastante pra espichar a novela. Não é exagero meu dizer que a bicha má do Félix (Mateus Solano) foi o grande destaque. Por alguns momentos, carregou a novela inteira sozinho nas costas!


08º lugar: Viver A Vida



Lançada com um arsenal de boas ideias, Viver a Vida foi uma novela que muito prometeu, mas pouco cumpriu. O folhetim arrastou-se em seus exatos oito meses de exibição apresentando um cotidiano lento demais com poucas histórias sendo desenvolvidas. O autor atingiu a meta de informar ao abordar a tetraplegia e anorexia alcoólica, mas ficou devendo no folhetim. A Helena de Taís Araújo foi a mais jovem e a única negra de todas as Helenas já criadas por Manoel Carlos. Entretanto, a superação da personagem cadeirante Luciana (Alinne Moraes) foi o grande fator que norteou toda a novela a ponto do autor focar mais na trama da personagem em detrimento aos dramas da então protagonista, Helena. A personagem de Taís Araújo foi perdendo espaço e acabou por se tornar a mais insossa das Helenas de Manoel Carlos. Desta forma, pode-se seguramente afirmar que a verdadeira protagonista de Viver a Vida foi Luciana, e não Helena.


07º lugar: Duas Caras


Educação, racismo, luta de classes, drogas, homossexualidade, especulação imobiliária e invasão de terras improdutivas foram temas abordados nesta trama de Aguinaldo Silva, que prometeu escrever uma novela politicamente incorreta. O autor deixou claro desde o início que centralizaria a atenção em determinados núcleos em momentos diferentes da novela. Uma trama teria destaque, enquanto outra ficaria em banho-maria até o momento de voltar a acontecer. O problema é que, com tramas paralelas fracas e uma história central chata, Duas Caras acabou ganhando mais críticas que elogios. Começando pela mocinha, interpretada pela Marjorie Estiano. A atriz foi vítima de várias críticas negativas, mais por conta pelo mau desenvolvimento de sua personagem do que pela sua performance. A novela só melhorou um pouquinho quando Silvia (Alinne Moraes) se transformou numa vilã maluca e psicopata, mas, num saldo geral, Duas Caras foi muito ruim!



06º lugar: Salve Jorge



Um verdadeiro samba do crioulo doido. Assim podemos definir Salve Jorge, aquele delírio em forma de novela que a Glória Perez escreveu. A trama foi massacrada pela crítica e zombada pelo público nas redes sociais, que diariamente apontavam erros e incoerências. E, de fato, Salve Jorge ultrapassou todos os limites do nonsense e abusou da inteligencia do telespectador. Ainda mais porque a trama era realista e tratava de um assunto sério: o tráfico de mulheres, que acabou pendendo para o humor involuntário. A autora pecou pelas incoerências e furos de roteiro enquanto a direção derrapou em várias sequências, com direito a erros de continuidade (o "cabelo bipolar da Morena", por exemplo, uma hora liso, outra cacheado). Ficou a impressão de que a direção preferiu fechar os olhos a esses detalhes e dar vazão ao lema da autora de que era preciso voar. Com um dos elencos mais numerosos já reunidos (quase cem personagens), ficou difícil para Glória Perez administrar tanta gente. Algumas tramas e personagens simplesmente sumiram da novela sem maiores explicações, como Miro (André Gonçalves), Dália (Eva Todor) e Yolanda (Cristiana Oliveira). Além desses equívocos citados anteriormente, a repetição de temas e estilo da autora foi outro problema, com dancinhas e bordões estrangeiros que já não despertavam mais tanto interesse assim como na época de O Clone. A Turquia retratada em Salve Jorge pareceu uma mistura (muito mal feita, diga-se de passagem) da Marrocos de O Clone com a Índia de Caminho das Índias.


05º lugar: Fina Estampa


Um sucesso popular que alavancou o horário nobre da Globo, Fina Estampa é uma das maiores audiência das nove dos últimos tempos. Taí uma prova de que audiência e qualidade nem sempre andam lado a lado. O autor, Aguinaldo Silva, uniu tramas surreais e sem compromisso algum com a realidade com elementos populares em voga no momento (como UFC e o funk), personagens pra lá de caricatos e uma heroína maniqueísta (mulher batalhadora, de personalidade forte, mãe sofrida, boa e justa). Entretanto, Fina Estampa está longe de ser o melhor trabalho de Aguinaldo Silva: não teve uma história consistente, marcante, inovadora ou original. O autor se perdeu do mote inicial: Griselda (Lília Cabral), que, ao ficar rica, se questionaria se o que vale mais é a aparência ou o caráter, como bem sugeria a abertura e o título da novela. Isso acabou não acontecendo e a vilã tresloucada Tereza Cristina (Cristiane Torloni) passou a ganhar mais espaço dentro da história, despertando a atenção do público acerca de seu segredo. Mas esse segredo, cuja revelação foi ápice em dois momentos, acabou por frustrar o telespectador. O autor também frustrou o público com a não revelação da identidade do amante de Crô (Marcelo Serrado), no último capítulo. Falando em último capítulo, Fina Estampa possui o pior final de uma novela de todos os tempos! Apesar do espaço que Tereza Cristina ganhou na trama, pela primeira vez não foi a vilã da novela que despertou paixões no telespectador. O personagem de Fina Estampa que entrou para galeria de tipos queridos da TV foi o Crô, o grande destaque da novela, impagável nas cenas com Tereza Cristina, o chofer Baltazar (Alexandre Nero) e a empregada Marilda (Kátia Moraes).





04º lugar: Insensato Coração




A trama chegou a dar uma impressão inicial de ser uma homenagem a Vale Tudo, mas era pura repetição e falta de imaginação mesmo dos autores. Personagens mal construídos e vilões psicopatas agindo sem motivo algum deram o tom de Insensato Coração. Os autores apostaram em uma estrutura narrativa desconexa marcada por temas fortes e realistas, ou seja, não havia uma história central bem definida e sim várias. Esse monte de tramas paralelas nascendo, evoluindo e morrendo ao longo da trama, marcando a saída e a entrada de vários personagens, foi um grande mal para a novela, pois negava ao telespectador se identificar com os personagens e acompanhar sua evolução. Norma (Glória Pires) foi a única personagem que tinha uma história cujo fio se podia seguir inteiro na novela e despertou o interesse do público. Por causa disso, o casal protagonista foi deixado um pouco de lado e Norma passou a ganhar ares de protagonista-vilã.



03º lugar: Esperança



Benedito Ruy Barbosa criou a novela Esperança com o objetivo de ser uma nova Terra Nostra. Apesar de manter a temática italiana, a trama não teve o mesmo sucesso da anterior. Com uma história arrastada, a novela se tornou um fracasso de audiência. Abalado com as críticas e sofrendo com problemas pessoais, Benedito Ruy Barbosa não conseguiu dar continuidade à história e abandonou o barco à deriva. Quem assumiu o desafio de tentar salvar a novela foi Walcyr Carrasco. A novela foi uma grande sucessão de erros e crise nos bastidores. Talvez o excesso de expectativa em torno de uma Terra Nostra 2 tenha sido um dos fatores. O casal protagonista, interpretados pelos (até então, inexperientes) Reynaldo Gianecchini e Priscila Fantin, também não agradou. Foi só com a entrada de Ana Paula Arósio que a história começou a andar e melhorou um pouco mais quando Walcyr assumiu e fez várias modificações, mas ainda naquelas.


02º lugar: Em Família


Um verdadeiro sonífero. Assim podemos definir Em Família, a última novela do Manoel Carlos. Se considerarmos o último folhetim do autor, Viver a Vida, cujo ponto alto era as dificuldades de uma bela e vaidosa moça que ficou tetraplégica (Luciana de Alinne Moraes), era de se imaginar que a premissa de Em Famíla não era lá muito atraente para o horário mais visado e visto da Globo. A história de primos que se amaram no passado, mas que, no presente, ficou apenas o rancor de um amor mal resolvido, poderia ser contada à seis da tarde sem maiores percalços. A Helena da vez (Júlia Lemmertz) não passou de mera coadjuvante para o drama da filha, Luiza (Bruna Marquezine), apaixonada pelo homem que desgraçou sua família no passado, Laerte (Gabriel Braga Nunes). O bom início da novela, que apresentou as primeira e segunda fases da história, se perdeu quando caiu na terceira e definitiva parte. Foi quando nos deparamos com uma trama mais lenta e que não fazia questão de prender o público na frente da TV, com um ritmo "devagar quase parando", pouca ação, sem vilões e humor e total ausência de bons ganchos.


01º lugar: Babilônia


Babilônia ainda nem terminou, mas já pode ser considera a pior novela das nove dos últimos tempos (quiçá, de toda a história da teledramaturgia brasileira)! Não, não é por causa da sua baixíssima audiência. Babilônia ocupa o primeiro lugar dessa lista porque realmente é uma novela pavorosa! Para não dizer que fui injusto, a trama começou de forma eletrizante, com um assassinato e a explosão de intrigas entre as duas vilãs, Beatriz (Gloria Pires) e Inês (Adriana Esteves). Mas, do segundo capítulo em diante, a trama desandou. A mocinha Regina (Camila Pitanga), para quem, teoricamente, o público deveria torcer, acabou se revelando uma chata profissional; e as vilãs, que se odiavam e prometiam grandes conflitos, passaram a ser aliadas. Sem um enredo forte e poucos perfis atrativos, não deu outra: a audiência despencou. As falhas do roteiro ficaram expostas e todas as mudanças que começaram a ser feitas, para iniciar uma operação de salvamento, deixaram a produção ainda mais equivocada. Babilônia virou uma verdadeira colcha de retalhos muito mal remendada. O que estava ruim, ficou ainda pior!



Relembre as 10 melhores novelas das nove dos últimos tempos clicando bem aqui.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Escala de Ódio: casal protagonista de novela das nove




Pedrina de Insensato Coração

Pedro (Eriberto Leão) e Marina (Paolla Oliveira) se conhecem durante um sequestro de avião e Maktub, estava escrito! os dois se apaixonam perdidamentZZZZzzzzzzzz... Ai, que sono! Nunca um casal protagonista me deu tanta preguiça quanto esses dois. Não havia química alguma entre eles e ambos os protagonistas eram songamongas insuportáveis. Faltava tudo para eles: química, dinamismo, uma história legal, tudo! Um casal tão sonolento que mal comecei a escrever essa matéria e já estou quase dormindo. Por isso, em uma escala de vinte soníferos, quanto odiei:




Renelda de Fina Estampa

René era um verdadeiro picolé de chuchu. Inicialmente, a história do chef de cozinha requintado que se apaixonava pela humilde Griselda (Lilia Cabral) me conquistou tanto que até cheguei a torcer por um final feliz para o casal. Porém, com a separação dos dois, René perdeu a função na novela. Se morresse ou sumisse sem deixar pistas, não faria a menor falta, tamanha a inutilidade do personagem na reta final. Aos poucos, René passou a ser o maior babaca da trama. Tanto é que Griselda terminou feliz com o fofo do Guaraci (Paulo Rocha) e René ficou com uma coadjuvante lá. Por isso, em uma escala de vinte mulheres bigodudas, tal como Griselda, quanto odiei:




Jorgina de Avenida Brasil

Jorginho (Cauã Reymond) era o grande amor de Nina (Débora Falabela). O amor de infância dos dois conquistou o público, mas na fase adulta pouca gente se importa com as cenas do casal. Além do foco absoluto da história ser o embate entre Nina e Carminha (Adriana Esteves), contribuia também para a depreciação do Jorginho a sua trajetória morna e meio desconexa. Não tinha uma cena em que ele não ficava pensando em Nina, correndo atrás de seu passado ou chorando. Um verdadeiro chato. Por isso, em uma escala de vinte batatas, apelido de Jorginho quando criança, quanto odiei:




Theorena de Salve Jorge

Pra começar, ouvir "Esse cara sou eu" como trilha sonora em todos os momentos de intimidade do casal foi uma dose quase intragável de se aguentar. O problema, nesse caso, nem era de Morena (Nanda Costa), que era até legal, mas sim de Théo (Rodrigo Lombardi), um verdadeiro mala sem alça. Mulherengo, dizia amar apenas Morena, mas traiu a amada várias vezes e vivia num vai-e-volta constante com a corna da Érika (Flávia Alessandra). Para salvar sua amada do tráfico internacional de pessoas, teve uma ideia super jenial: ir pra cama com a vilã traficante da trama!!! Assim não tinha nem como defende-lo? Por isso, em uma escala de vinte Salves Jorges, quanto odiei:




Bruloma de Amor A Vida

Bruno (Malvino Salvador) e Paloma (Paolla Oliveira) eram chatos ao extremo. O que dizer de um pai e uma mãe que permitem que a filha adolescente conviva com um sujeito como Ninho (Juliano Cazarré), ainda mais depois que o cara sequestrou a menina??? Paloma é recordista em patetice, já que nunca percebeu as más intenções de Félix (Mateus Solano). Bruno também não fica atrás no que dizia respeito às investidas de Aline (Vanessa Giácomo), que, literalmente, esfregava os peitos na cara dele e o panaca continuava fazendo visitinhas profissionais sem nunca perceber nada. Não é a toa que Felix e Niko (Thiago Fragoso) se destacaram na reta final e roubaram o posto de casal protagonista. Por isso, em uma escala de vinte caçambas de lixo, quanto odiei:




Luerte de Em Família

Luiza (Bruna Marquezine) namorava o gostoso do Bruno Gissoni, mas deixou tudo e enfrentou a família inteira para se casar com Laerte (Gabriel Braga Nunes), o ex-namorado psicopata de sua mãe que infernizou sua mãe no passado e quase matou seu pai enterrando-o vivo na juventude. Tem como torcer por um casal desses? Como se não bastasse, iludida pelos olhos azuis e a lábia infalível do flautista, Luiza parecia acreditar que estava vivendo em um conto de fadas e queria porque queria que todos pensassem o mesmo como se fosse uma coisa normal. Por isso, em uma escala de vinte flautas que Laerte tocava para nos matar de tédio e sono embora a trama inteira já fizesse isso, quanto odiei:




Criscente de Império

Cristina (Leandra Leal) era tão mala que a maior parte do público torcia para que Vicente (Rafael Cardoso) terminasse feliz com a Maria Clara (Andreia Horta). E o que Aguinaldo Silva fez? Transformou Clara numa chatonilda insuportável ainda pior que a Cristina e, só a partir daí, o público passou a torcer pela mocinha, que se casou com Vicente. Quer dizer, Vicente só se casou com ela porque Clara resolveu trocar de lugar com a irmã bem em cima da hora no casamento, porque senão ele teria se casado era com a Clara. Ou seja, trocou seis por meia dúzia! Por isso, em uma escala de vinte beija-flores da música-tema do casal "Ai que saudade d'ocê", quanto odiei:




Reginícius de Babilônia

Toda vez que assisto a novela, fico me perguntando: por que causa, motivo, razão ou circunstancia um advogado educado e gente fina como o Vinícius (Thiago Fragoso) vai se apaixonar e ficar correndo atrás feito um cachorrinho, mesmo depois de só levar patada atrás de patada, de uma carne de pescoço feito a Regina (Camila Pitanga)??? Ninguém nem se importa com eles porque os dois são tão corretinhos que não há química. Imagino que devem ser do tipo que tiram a roupa pra transar, dobram tudo bonitinho e aí sim vão pra cama. Por isso, em uma escala de vinte protetores auditivos que o Vinícius tinha que usar para aguentar os berros de Regina, quanto odiei:







E o resultado da nossa escala de ódio ficou assim:


8º lugar - Criscente de Império

7º lugar - Jorgina de Avenida Brasil

6º lugar - Renelda de Fina Estampa

5º lugar - Reginícius de Babilônia

4º lugar - Theorena de Salve Jorge

3º lugar - Pedrina de Insensato Coração

2º lugar - Bruloma de Amor A Vida

1º lugar - Luerte de Em Família





Parabéns, Laerte! Você e a Luiza ganharam a nossa escala de ódio e são 
o casal mais insuportável das novelas das nove dos últimos tempos!!!



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