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terça-feira, 28 de novembro de 2017

Enfadonha, 'O Outro Lado do Paraíso' carece de equilíbrio e sutileza


Depois de uma novela maravilhosa que vira fenômeno, como foi o caso de A Força do Querer, o desafio para que a novela sucessora consiga entrar no coração do público fica ainda maior. E é justamente nesse desafio aí que O Outro Lado do Paraíso anda falhando miseravelmente. Abaixo, listo os três principais motivos que me fizeram rejeitar a trama (e creio que represente grande parte do público também).

Excesso de clichês: As duas histórias centrais da trama das nove giram em torno de duas "muletas" já tão exploradas no horário nobre nos últimos anos. A história de Clara é a típica história da heroína vingativa, que aparece quase na frequência de "novela sim, novela não" e parece ter sido feita na base do "copiar e colar" de Chocolate com Pimenta, também escrita por Walcyr Carrasco. E a de Elizabeth, além de ter semelhanças fortíssimas com Madame X, também já foi vista inúmeras vezes: ela forjou a própria morte e mudou de identidade. Se juntar estas duas histórias centrais, já remetemos à A Lei do Amor, com a mal ajambrada saga de Isabela/Marina (Alice Wegmann). Tudo bem que, como diria Chacrinha, na TV nada se cria, tudo se copia, e novela nada mais é do que um novo jeito de contar uma mesma história; mas a sensação de "hum, já vi isso em algum lugar" é tão forte que chega a incomodar.

Primeira fase longa demais: Desde o início, sabíamos que Sophia (Marieta Severo) armaria para internar Clara (Bianca Bin) num hospício para poder explorar a mina de esmeraldas de seu avô. E que Clara, anos depois, conseguiria fugir e retornaria poderosíssima para se vingar da vilã e de todos que lhe fizeram mal. Mas este plot foi sendo adiado em razão de cenas e situações que foram se repetindo exaustivamente. Era Clara apanhando de Gael (Sérgio Guizé) capítulo sim, capítulo também (e a gente tendo que aturar esse embuste); era Elizabeth (Glória Pires) fugindo de Natanael (Juca de Oliveira); era Nádia (Eliane Giardini) e Sophia disparando barbaridades preconceituosas a cada aparição para, respectivamente, Raquel (Erika Januza) e a filha anã; era Samuel (Eriberto Leão) tentando fugir de sua homossexualidade... Enfim, várias histórias que ficaram andando em círculos e só enrolando. Bem que a direção podia ter cortado as gorduras do texto e adiantado logo a história principal. Esta primeira fase de O Outro Lado do Paraíso deveria ter sido mais curta. Uma ou duas semanas seria suficiente.

Falta de sutileza: Walcyr Carrasco sempre pecou na construção de seus textos, com diálogos fracos e excessivamente didáticos. Nas suas novelas das seis (de época e com pegada cômica), não chegava a incomodar tanto assim, mas o mesmo não acontece quando falamos de uma trama contemporânea e com os dois pés fincados no drama, como é o caso de O Outro Lado do Paraíso. Aqui, o autor não economiza nas frases feitas, no didatismo fora de hora ("Eu não entendo de leis, mas isso é homicídio culposo, não é?", disparou Elizabeth ao matar, acidentalmente, seu amante Renan/Marcello Novaes) e nas ofensas gratuitas feitas puramente para chocar e deixar claro os perfis dos personagens. Sem sutileza, o autor mostra que seus malvados adoram xingar todo mundo. É o caso de Nádia, que diz em alto e bom som: "Não quero meu filho namorando uma preta! Deus me livre de ter netos 'torradinhos'". É por aí, pra pior, o nível dos comentários da maioria dos personagens. O que incomoda é que, na vida real, o preconceito não é tão escancarado. Os diálogos de Walcyr passam longe da hipocrisia que costuma rodear esses assuntos. É tudo direto, na lata, sem rodeios. O mesmo acontece com o drama de Estela (Juliana Caldas). Sophia fala para quem quiser ouvir que tem horror à menina, a chama de "monstrengo", "aberração". Outra situação bizarra envolvendo essa questão foi o comentário de Lorena (Sandra Corveloni) ao encontrar a família da amiga. Dirigindo-se a Sophia, perguntou sobre Estela: "Essa é a sua filha de baixa estatura?". Não há sutileza ou meias palavras no texto da trama e é justamente isso que incomoda. O problema não está no clima sombrio, nos temas polêmicos, no excesso de vilões ou na falta de um núcleo cômico, mas sim no texto, que não dá um "descanso" em momento algum. As histórias de Bibi (Juliana Paes), Silvana (Lilia Cabral) e Ivana (Carol Duarte), por exemplo, em A Força do Querer foram tão espinhosas quanto e, mesmo assim, Glória Perez deu uma cara solar e agradável para a novela antecessora do horário e desenvolveu sua trama com a sutileza necessária que permitiu que o telespectador se envolvesse sem se sentir cansado ou angustiado.

Walcyr tem a sorte de contar com grandes nomes o cercando, que imprimem credibilidade à obra. A direção de Mauro Mendonça Filho é impecável, dando um acabamento maduro a uma novela que, apesar da trama forte, carrega muitas características infantis. Além disso, o autor conta com um elenco estelar, que, até aqui, vem driblando como pode as deficiências do texto. Apesar dos pesares, O Outro Lado do Paraíso demonstra potencial para deslanchar. Afinal, Carrasco é um exímio contador de histórias e sabe bem mexer com o público e, principalmente, oferecer à audiência o que ela quer. Resta aguardar.

sábado, 21 de outubro de 2017

Melhor novela de Glória Perez, A Força do Querer recuperou o prazer de acompanhar com afinco uma boa novela das nove



Faz anos que pedimos uma novela que unisse todas as tribos como foi Avenida Brasil. E parece que, contrariando algumas expectativas, esse momento finalmente chegou. Imensamente criticada em Salve Jorge (não sem razão, pois foi sua pior novela), a autora surpreendeu e resgatou o prazer de acompanhar uma boa novela das nove com afinco. O resultado: um imenso sucesso em todos os sentidos - audiência, público, crítica e repercussão.

Abandonando a antiga fórmula adotada em O Clone e repetida em suas novelas posteriores, Glória Perez mostrou que aprendeu com boa parte de seus erros e apresentou um enredo repleto de histórias fortes, personagens densos e condução ágil em grande parte do tempo.

O ponto de partida de A Força do Querer desta vez trouxe não uma, mas três riquíssimas protagonistas: Ritinha (Isis Valverde), Jeiza (Paolla Oliveira) e Bibi (Juliana Paes). Como é tradição na carreira de Glória, foram elas que ditaram o tom das histórias principais, através de suas vivências, trajetórias, desatinos, sonhos e experiências. Os perfis das três mulheres se complementavam. Ritinha, a sedutora sereia paraense, era uma garota inconsequente e egoísta, capaz de mentir e manipular, mas que não tinha noção do que era certo ou errado e por isso não via maldade em suas ações. Jeiza, a policial e lutadora, foi a representação da mulher dos tempos atuais, que mostra que pode fazer o que quiser e não deixa de ser feminina e sensual mesmo estando em ambientes considerados masculinos. Bibi, inspirada na história de Fabiana Escobar, foi o perfil mais atraente e controverso, ao se envolver com o malandro Rubinho (Emílio Dantas) e embarcar no mundo do crime, para desespero da mãe - um relacionamento que mais tarde se mostraria bastante abusivo.

Em paralelo às protagonistas, se desenvolveram os dramas da família Garcia. Joyce (Maria Fernanda Cândido), casada com Eugênio (Dan Stulbach), acreditava ter uma família perfeita, mas seu castelo de ilusões desmoronou aos poucos ao descobrir que o filho Ruy traiu a noiva Cibele (Bruna Linzmeyer) com a sereia Ritinha e a filha Ivana (Carol Duarte) não se identificava com seu gênero, enquanto o marido, desanimado com o casamento, se deixou seduzir pela interesseira Irene (Débora Falabella). O merchandising social, também recorrente nas obras de Glória Perez, se fez presente através da abordagem de temas como o vício em jogos de azar, através de Silvana (Lilia Cabral); identidade de gênero, protagonizada por Ivana e por Nonato (Silvero Pereira), motorista que levava uma vida dupla, se travestindo como Elis Miranda; e o combate ao crime, através de Jeiza.

Nesta novela, Glória aprendeu com grande parte dos erros cometidos nas novelas anteriores. A autora desta vez trabalhou com um grupo mais enxuto e as histórias foram bem melhor entrelaçadas, permitindo uma maior integração entre os núcleos e personagens. Os dramas das protagonistas foram abordados através de um rodízio, onde uma tem destaque por um certo período, passando para a outra e assim por diante.

A direção da equipe de Rogério Gomes foi outro ponto positivo. A chegada do novo diretor foi um upgrade e tanto, o que permitiu que o afiado texto de Glória se agigantasse na tela. Além disso, várias grandes cenas foram de tirar o fôlego, especialmente as operações policiais e os bailes funks ocorridos no Morro do Beco. E a escolha do elenco foi um grande acerto em sua maioria, com alguns nomes vivendo os melhores papeis de suas carreiras e apresentando promissoras revelações.

Isis Valverde, Paolla Oliveira e Juliana Paes, três grandes estrelas, honraram a força do trio protagonista. Isis esteve fantástica na pele da sereia Ritinha, mostrando todas as facetas do papel com competência e deu um ar misterioso e sensual que coube como luva para a garota paraense. Paolla, por sua vez, ganhou sua protagonista mais completa. Jeiza foi uma personagem cativante e irresistível: policial competente, lutadora cheia de energia e mulher decidida, linda e sexy. E Juliana Paes, maior destaque entre as três, esteve em completo estado de graça, retratando genialmente a impulsiva Bibi, que foi capaz de entrar para o mundo do crime e colaborar com bandidos da pior espécie, em nome do desejo de ser idolatrada - nas palavras dela, "amar grande e ser amada grande". Bibi irritou em muitos momentos por sua extrema cegueira em relação ao Rubinho e por não ouvir sua mãe (e Juliana foi maravilhosa em todas estas fortes sequências. Assim como Ritinha, despertou paixões e ódios.

Dan Stulbach e Maria Fernanda Cândido, atores que andavam sumidos das novelas, voltaram ao formato e se destacaram na pele do casal em crise - aliás, ela foi um dos maiores destaques da novela, mostrando sua competência ao interpretar a dondoca Joyce. Elizângela, intérprete de Aurora, mãe de Bibi, viu sua personagem crescer merecidamente com o destaque da trama de Bibi e emocionou com o desespero da mãe, tornando-se uma porta-voz do público. Zezé Polessa divertiu na pele da interesseira Edinalva, mãe de Ritinha; Emílio Dantas fez uma impecável composição do bandido Rubinho; Tonico Pereira e Luci Pereira formaram uma ótima dobradinha como Abel e Nazaré, pai e tia de Zeca; Lilia Cabral foi fantástica na pele de Silvana; Marco Pigossi e Humberto Martins mostraram versatilidade (dando ótimas nuances que distanciaram seus atuais perfis de outros personagens da carreira); Karla Karenina e Cláudia Mello fizeram de Dita e Zu ótimas confidentes; e Juliana Paiva, mesmo com um papel de orelha, finalmente se libertou dos traços de Fatinha, sua personagem em Malhação, e mostrou que é uma atriz promissora.

A novela ainda trouxe ótimas revelações, a começar por Carol Duarte. A estreante, responsável por Ivana, a garota transgênero que se transforma em homem (Ivan), mostrou uma impressionante maturidade para um primeiro trabalho e protagonizou sequências belíssimas. Silvero Pereira, intérprete do chofer Nonato, que se transforma em Elis Miranda, também esteve perfeito e formou uma excelente parceria com Carol. Dandara Mariana, como Marilda (amiga de Ritinha), fez uma divertida dupla com Isis Valverde. João Bravo, como Dedé, filho de Bibi e Rubinho, foi a grande revelação mirim do ano e emocionou em todas as cenas. Lorenzo Souza, o Ruyzinho, apesar de sua muito pouca idade, encantou pela graciosidade, fazendo todo o elenco (e o público) se apaixonar pelo filho de Ritinha.

Pouco mais tarde, foi a vez de Jonathan Azevedo cair nas graças do público. O intérprete do bandido Sabiá, com seu linguajar do morro, tornou o personagem um dos mais carismáticos da trama, apesar dos crimes nas costas (tanto que a autora desistiu de matar Sabiá e o deixou até o fim). E a novela ainda contou com o retorno de Carla Diaz, que estava atuando na Record, na pele da periguete Carine, a "protegida" de Rubinho, reeditando a parceria com Juliana Paes, agora como rivais.

Porém, mesmo numa boa novela, nem tudo funciona a contento. Também é preciso abordar onde a trama não foi feliz. O erro mais grave foi a escalação de Fiuk para o viver o Ruy. A falta de traquejo do rapaz e sua inexpressividade fizeram com que o personagem (um tipo imaturo e intragável em essência) se tornasse ainda mais insuportável, comprometendo seriamente o conjunto. Isto ficou ainda mais evidente nas cenas que exigiam mais dele, destoando muito dos demais.

Outro erro foi a vingança de Cibele. A ex-noiva de Ruy embarcou em um projeto de se vingar do rapaz que não teve resultado prático nenhum e só mostrou a falta de amor próprio da garota. Tanto que ela perdeu a função ao longo da novela e a personagem de Bruna Linzmeyer não tinha mais razão de existir. Aliás, Bruna não foi a única que ficou avulsa. Outros nomes não tiveram muito destaque, mesmo com um elenco mais enxuto e melhor aproveitado. Foram os casos de Edson Celulari (Dantas, um sócio de Eurico que era apaixonado por Silvana), Gustavo Machado (Cirilo, amigo de Caio), Michele Martins (Shirley, namorada de Dantas), Mariana Xavier (Biga, secretária de Eurico) e Lua Blanco (Anita, amiga de Cibele). A participação de Fafá de Belém como Almerinda, mãe de Zeca, também não disse a que veio.

A vilania de Irene, que prometia atingir todos os núcleos, se restringiu apenas a infernizar a vida de Joyce e Eugênio (inclusive com o surrado clichê da falsa gravidez). A psicopata, cujo nome verdadeiro era Solange Lima, não chegou a apresentar grandes maldades na novela. Ainda assim, Débora Falabella mostrou seu talento e versatilidade e a sequência da morte de Irene, com toques de filmes de terror, impactou.

Ainda se deve enfatizar a má condução do enredo de Silvana, que andou em círculos durante muito tempo e apresentou duas falsas viradas. Eurico chegou a descobrir o vício da mulher e ela foi para uma clínica psiquiátrica, mas logo ela conseguiu fugir e tudo voltou à estaca zero. A repetição cansou, bem como a eterna cumplicidade de Dita e o fato de Eurico não desconfiar de nada.

A novela também chegou a despertar críticas de setores mais conservadores, especialmente em função da história de Bibi - muitos enxergaram apologia e glamourização do crime no enredo. Neste caso, porém, a própria condução do enredo tratou de quebrar este argumento, através da presença de Aurora (a mãe desesperada pela vida criminosa da filha) e Jeiza, a policial competente, e Caio, o advogado incorruptível.

Um ponto que também desagradou foi a resolução dos principais dramas da novela apenas nos últimos capítulos (em vez de fazê-lo gradualmente ao longo do último mês). Com muitos desfechos a se resolverem, havia a chance de o final ficar corrido e as cenas não terem o impacto que mereciam. E, de fato, foi o que se viu em parte do último capítulo. Muitas soluções ficaram corridas, como o momento em que Eurico descobriu que Nonato se traveste como Elis Miranda (o empresário aceitou a situação de forma muito rápida) e o sequestro de Simone, em que Silvana finalmente admite ser viciada em jogos de azar. Também não ficou crível a repentina amizade entre Ruy e Zeca (que passaram a criar Ruyzinho juntos), após a tempestade que os dois enfrentaram novamente (como no primeiro capítulo). Alguns desfechos foram exibidos apenas no bloco final, narrados por Garcia (Othon Bastos). A novela merecia, no mínimo, mais uma semana para tudo ter sido desenvolvido com mais calma e satisfatoriamente.

De qualquer forma, com mais acertos que erros, Glória Perez conseguiu o que parecia improvável nos últimos anos: resgatar a mobilização em torno de uma novela das nove e fazê-la cair na boca do povo. Como resultado, se tornou o maior sucesso do horário desde Avenida Brasil, chegando na incrível (e dificílima de ser alcançada atualmente) casa dos 50 pontos no Ibope em seu último capítulo. Por tudo que apresentou, A Força do Querer não é apenas a melhor novela das nove dos últimos anos. É também a melhor novela de Glória Perez, superando até mesmo a aclamada O Clone. A autora mostrou uma clara reinvenção em seu estilo, criou grandes dramas e personagens ricos, escalou um time de primeira, com inúmeros talentos e poucas exceções, e apresentou uma novela forte, intensa e deliciosa de acompanhar. A Força do Querer já deixou saudades e fatalmente deverá ganhar diversos (e merecidos) prêmios no final do ano.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

A Regra do Jogo, o seu novo novelão das nove?




Qual é a regra do jogo? Qual o limite entre o certo e o errado? Qual o limite entre o bem e o mal? Estes serão os temas que darão rumo à nova novela das nove, A Regra do Jogo. Os noveleiros de plantão não estão conseguindo conter a ansiedade. Finalmente, a tortura em forma de novela chamada Babilônia chegou ao seu fim e vai dar lugar a novela mais esperada do ano. A Regra do Jogo é escrita por João Emanuel Carneiro, o mesmo do master blaster hit Avenida Brasil, a novela mais badalada dos últimos tempos, e dirigida pela talentosíssima Amora Mautner. O elenco é para lá de estrelado e a cada teaser que a Globo lança, mais parece que a trama irá conquistar o povo brasileiro e recuperar a nossa vontade de assistir a faixa das nove. Como bem falei em meu último texto sobre A Regra do Jogo, ela terá muitos desafios pela frente: a alta expectativa de milhões de brasileiros por uma novela tão fascinante e envolvente quanto Avenida Brasil (a última novela das nove que parou, literalmente, o país), estrear em um horário com os índices lá na chón, ter a dura missão de recuperar o público que fugiu por causa da flopada Babilônia, pressão interna da Globo em aumentar a baixa audiência da faixa, a forte concorrência do SBT e da Record, entre outros.



O personagem central dessa história é Romero Rômulo, um ex-vereador que tem uma vida menos óbvia do que parece – isso porque ele sabe como ninguém camuflar quem é de verdade. O que a maioria das pessoas vê é um homem altruísta e corajoso, disposto a ajudar ex-detentos em busca de reintegração. Mas será que existe outra camada escondida por debaixo? Interpretado por Alexandre Nero, muita gente torceu o nariz para a volta do ator à TV em tão pouco tempo após um personagem tão marcante como o Comendador José Alfredo, em Império (2014). Adriana Esteves e Mateus Solanno, por exemplo, passaram um bom tempo longe da TV (ele ainda está) após tipos recentes e tão queridos pelo grande público como a vilã Carminha (Avenida Brasil) e a bicha má do Félix (Amor A Vida). Talento o ator tem. Resta saber se Romero Rômulo conseguirá enterrar de uma vez por todas da nossa mente o inesquecível Homem de Preto. Ao que parece, vai conseguir.


Como já é de praxe nas novelas de João Emanuel Carneiro, A Regra do Jogo terá uma vilã loira e diabólica. Depois de Bárbara (Da Cor do Pecado), Leona (Cobras & Lagartos), Flora (A Favorita) e Carminha, essa será a vez de Atena. E Giovanna Antonelli, que interpretou a primeira malvada da série, volta ao posto. Atena, que na verdade se chama Francineide dos Santos, é uma estelionatária que gasta na medida em que rouba e não deixa passar nenhuma oportunidade sem tirar proveito. Por causa disso, se aproximará de Romero, repetindo assim a elogiada parceria entre Antonelli e Nero em Salve Jorge (o que já deixa a mocinha de A Regra do Jogo em posição de desvantagem pela torcida do público, pois, inevitavelmente, todo mundo lembrará do inesquecível casal Helô e Stênio ao ver os dois atores juntos em cena). Giovanna Antonelli ainda nem estreou e já está lançando novas tendências de esmalte e roupas! Sente só o poder dessa mulher!


Um dos maiores desafetos de Romero Rômulo é Zé Maria (Tony Ramos), homem misterioso que está foragido. Ele é pai de Juliano (Cauã Reymond) e companheiro de Djanira (Cassia Kis), moradora do Morro da Macaca e quem mais conhece Romero – talvez a única que saiba do que a sua essência é feita. Desde que Zé foi obrigado a fugir por causa de um crime que ele jura não ter cometido, Djanira, que dedica ao amado uma confiança incondicional, ficou encarregada da criação de Juliano. Já vou logo avisando: não se deixem levar pela cara de bom moço do Tony Ramos. Não se esqueçam que Flora (Patrícia Pillar) e Otto (Juca de Oliveira) começaram como os mocinhos injustiçados da história, mas depois se revelaram criaturas monstruosas em, respectivamente, A Favorita e na série A Cura. João Emanuel Carneiro adora trollar o público criando personagens dúbios que a gente pensa que é bonzinho, mas na verdade é vilão (ou vice-versa).



Djanira tem ainda outro amor em sua vida: sua segunda filha adotiva, Maria Vitória, a Tóia (Vanessa Giácomo), jovem que sempre correu atrás dos seus sonhos, nunca recebeu nada na vida de bandeja e cujo caráter não levanta suspeitas. Ela cresceu ao lado de Juliano na casa de Djanira e os dois começaram a namorar desde cedo. O desejo deles e da mãe de criação é de se casarem e viverem felizes para sempre. Mas os planos de vingança de Juliano podem acabar atrapalhando esse destino. Juliano decidiu abrir mão da sua carreira como lutador de MMA para se tornar professor de artes marciais. Tudo seguia na mais perfeita ordem até ele ser vítima de uma armação e acabar atrás das grades, acusado injustamente por tráfico de drogas. A prisão foi muito nociva para o rapaz e muita gente passou a olhar para ele com desconfiança, principalmente no Morro da Macaca. Agora, o jovem está livre, mas só tem uma coisa na cabeça: vingança. Quem não gosta nada dessa história é a sua amada Tóia. Vingança! Vingança! Vingança! Hum... Será que vem aí uma nova Nina (Débora Falabella)? Só não vai esquecer o pen drive dessa vez, hein Juliano?!


Outro personagem que também nutre um desejo vingativo é Dante (Marco Pigossi), policial e filho adotivo de Romero Rômulo. E o seu alvo é justamente Zé Maria, quem ele acredita ter matado seu pai biológico, e isso o torna inimigo também de Juliano, filho do foragido. Sobre seu pai de criação, o policial acredita que ele é um homem corajoso e que vive para ajudar o próximo, ou seja, um verdadeiro herói. Mal sabe Dante que Romero Rômulo está envolvido na morte de seus pais.


Djanira (Cássia Kis Magro) é inimiga de Adisabeba (Diva Soberana Susana Vieira), mulher do passado de Zé Maria (Tony Ramos). A rixa, porém, é discreta, até porque Tóia é sua gerente de confiança na Caverna da Macaca, uma boate que faz com que a galera do asfalto suba o Morro da Macaca para ter experiências incríveis. Adisabeba manda e todos obedecem. É como se ela fosse a chefona do morro. Nem preciso dizer que Suzaninha vai ser a dona da história, né? Só a título de curiosidade, quem gosta de uma fofoca acompanha o mundo dos famosos sabe que Cássia Kiss desistiu de fazer a novela Amor à Vida porque achou seu papel pequeno demais. Mas, além disso, descobriu-se que houve também outro motivo por trás dessa história que motivou a atriz a abandonar o barco: Susana Vieira. Dizem as más línguas que Cássia não vai com a cara da colega desde a novela Por Amor, em 1997. Na época, as duas já batiam de frente. Ao perceber que a participação da rival em Amor A Vida seria maior que o dela, Cássia surtou. E, mais uma vez, ficou com fama de chata na Globo, sendo substituída pela Eliane Giardine. E agora as duas vão ser inimigas em A Regra Do Jogo!!! Vem tiro, porrada e bomba (literalmente) pela frente, hein!


Além de administrar outras confusões da comunidade, Adisabeba mantém uma relação com Abner (Douglas Tavares), seu funcionário, um novinho que faz de tudo para agradar sua "Bebinha".

CHAMA O BOMBEEEEEIRO!!!

Uma das atrações mais disputadas da Caverna da Macaca é o MC Merlô (Juliano Cazarré), filho de Adisabeba. Super protetora com o rapagão, ela é aquela mãe que tenta expulsar todas as mulheres que ele quer. Como Ninfa (Roberta Rodrigues) e Alisson (Letícia Lima), com quem ele sobe ao palco como o trio de funk "MC Merlô e suas Merlozetes". Não sei vocês, mas acho que essa parte da novela vai ser a hora da gente levantar do sofá e ir fazer xixi, beber água, lavar uma louça...


Apesar de Atena ser a loira má, quem tem tudo pra se tornar o grande vilão da história é Orlando (Eduardo Moscovis), que não vê nada nem ninguém a sua frente quando tem um objetivo a alcançar. Frio e calculista, ele passa por cima de qualquer um, de qualquer coisa. O cara já é rico, mas isso não o impede de querer sempre mais. Da noite para o dia, Orlando passou de cientista medíocre a referência no mercado farmacêutico. Fato muito mal explicado, cujas respostas se escondem em seu passado obscuro. Ele trabalha na empresa do riquíssimo Gibson Stewart (José de Abreu), mas parece que isso ainda é muito pouco. Com uma precisão quase milimétrica, Orlando vai se aproximar cada vez mais da família Stewart e usará o seu ponto mais frágil, Nelita (Bárbara Paz), para conseguir, de fato, se tornar um membro do clã. Nelita é bipolar e terá problemas com a filha, Belisa (Bruna Linzmeyer), uma rebelde cheia de causas, mas vai ter uma boa relação com o filho Cesário (Johnny Massaro) e com a mãe, a calma e centrada Nora (Renata Sorrah). Mas é em um apartamento do subúrbio que Orlando revela a sua verdadeira intimidade: ele é homossexual e mantém um caso com um jovem miche! Um vilão gay enrustido e assassino?! João Emanuel, o senhor gosta de uma polemica, hein... Félix que se cuide. Uma nova bixa má está a caminho. Aliás, Orlando será o grande rival de Romero e disputará com ele o comando de uma facção criminosa.


A vida já foi muito generosa com Feliciano Stewart (Marcos Caruso), primo de Gibson. Mas, como ele não é muito chegado ao trabalho e nunca soube administrar suas posses, a única coisa que tem hoje em dia é seu apartamento, uma cobertura decadente na zona sul do Rio de Janeiro. Mas isso nunca lhe roubou o bom humor e a leveza na forma como leva a vida. Se tem uma coisa que ele adora é ter a família reunida. Feliciano é pai de Vavá (Marcello Novaes), Dalila (Alexandra Richter) e Úrsula (Julia Rabelo). Por enquanto, somente Dalila lhe deu netos: Luana (Giovanna Lancelotti) e Kim (Felipe Roque). Ele é um pai e avô carinhoso, mas o clima na casa não é tranquilo, principalmente quando Mel (Fernanda Souza) aparece. Ela é amante de Vavá e faz o personal trainer rebolar para que sua esposa, a manicure Janete (Suzana Pires), não descubra esse caso.


Também há espaço na história para os amigos Oziel (Fábio Lago) e Rui (Bruno Mazzeo), que são vizinhos no fictício Morro da Macaca. Casado com Indira (Cris Vianna), Oziel vai acabar tendo um caso com Tina (Monique Alfradique), mulher do amigo. Ao saber do romance do marido com a vizinha, Indira vai esquecer até a sua religião para dar o troco: a evangélica seduzirá Rui e iniciará um caso com o melhor amigo do marido. O quarteto será o núcleo de humor da história e eu já estou com um pé atrás em relação a esse núcleo. Verdade seja dita, as tramas paralelas do João Emanuel Carneiro são quase sempre bobas e fracas demais e avulsas à história principal.


Embora não esteja sendo anunciada nas chamadas, Débora Evelyn também estará na novela. E fazendo uma personagem de grande importância: Kiki Stewart, ex-esposa de Romero Rômulo e mãe adotiva de Dante que foi sequestrada a muito tempo e dada como morta. Mas o que ninguém sabe é que a vilã planejou seu próprio sequestro para dar um golpe nos pais, Gibson e Nora, e receber uma grana pelo resgate. Não satisfeita com o que recebe, ela retorna anos depois à mansão disposta a fazer coisas ainda piores, como destruir todos os seus familiares. Seu objetivo é ficar com toda a fortuna dos Stewarts e, para isso, será capaz de tudo. Até mesmo de tentar matar os próprios pais. Atena que se cuide! Kiki tem tudo pra roubar a cena e ser a grande vilã da história.



Parte do sucesso de Avenida Brasil deveu-se à direção primorosa e cinematográfica de Amora Mautner. As cenas, tomadas e fotografia, aliados ao ritmo alucinante e com ganchos bombásticos da história, se aproximaram muito do estilo dos filmes de ação e suspense de Hollywood. Outro grande trunfo de Avenida Brasil era a naturalidade. Amora incentivou a espontaneidade e improviso nas cenas da família Tufão (Murílo Benício). A diretora pediu permissão ao autor para indicar aos atores que eles pudessem colocar cacos que tivessem a ver com essa família suburbana e a deixassem mais real diante das câmeras. E sabe de uma coisa? Deu super certo! O riso era garantido com a comodidade nas atuações deste núcleo. E Amora já preparou uma grande novidade para A Regra do Jogo que pretende revolucionar o modo de se fazer novelas na Globo. Ao invés de se posicionarem para as câmeras, os atores atuarão no cenário como se estivessem em um reality show. Serão usadas oito câmeras em cena, sendo duas robôs, espalhadas pelo cenário. Algumas são acomodadas de forma que os atores não saibam onde estão. É como se eles atuassem sem atuar, como se estivessem sendo realmente os seus respectivos personagens. Assim, a novela visa dar mais realismo capitando todos os ângulos da cena. Genial, né?



Como bem disse no início desse texto, a nova novela das nove está cercada de muitas expectativas por ser do mesmo autor de Avenida Brasil. Porém, que fique bem claro que João Emanuel Carneiro não tem a menor obrigação de criar uma "Avenida Brasil 2", até porque cada novela é de um jeito. O autor, na verdade, terá que evitar ao máximo repetir situações do seu último trabalho de sucesso para evitar comparações desnecessárias e porque todos os autores que tentaram fazer isso até agora fracassaram (Geração Brasil tentou repetir a mesma fórmula de Cheias de Charme e se deu mal). E, analisando as chamadas da novela, me arrisco a dizer que A Regra do Jogo tá mais para A Favorita do que para Avenida Brasil (começando pela trilha sonora instrumental e os personagens que a gente não sabe se é mocinho ou vilão)! O único problema é que eu ainda não consegui pegar o conflito principal da novela. Aliás, parece não ter um fio condutor. As chamadas (bem fraquinhas, diga-se de passagem, depois de um teaser bafônico) deixaram a história confusa. Mas acho que isso é apenas uma estratégia para preservar o enredo. Enfim... Só nos resta aguardar a estreia e conferir o que este conjunto reserva para o público.


segunda-feira, 10 de agosto de 2015

As 10 Piores Novelas das Nove dos Últimos Tempos


10º lugar: Império


Império tinha tudo pra ser um novelão memorável, mas pecou pela irregularidade. Repleta de apelos que despertaram a curiosidade no público, com personagens complexos, bem carismáticos, bem dirigidos e bem interpretados (a grande maioria) e com histórias que tinham tudo para render ótimos entrechos e ganchos. Alguns conseguiram, outros ficaram na promessa ou decepcionaram (Cora como grande vilã foi uma delas). Império foi uma novela bem mediana. Faltou um melhor desenvolvimento nas tramas desses personagens. Desde o início, a trama central de Império sempre foi o ponto alto da novela. Porém, na maioria das vezes, a estagnação imperava na obra de Aguinaldo Silva. A situação envolvendo a falsa morte de José Alfredo (Alexandre Nero) foi prolongada demais e cansou. Mas com o retorno do Comendador ao mundo dos vivos, o núcleo principal voltou a despertar interesse e apresentar qualidades. Entretanto, o mesmo não se pode dizer dos núcleos paralelos. Todos eles não funcionaram. Por isso chamá-la de irregular, onde quase tudo não se encaixou perfeitamente, alternando entre altos e baixos. 


09º lugar: Amor A Vida


A estreia de Amor à Vida foi super movimentada. A atração causou espanto pela direção que imprimiu agilidade na narrativa e pelas tomadas de tirar o fôlego. Mas, em menos de um mês, a novela logo entrou no ritmo normal de um tradicional folhetim. Porém, com alguns problemas. O texto de Walcyr Carrasco, que ele não permite improvisos e exige que seja declamado pelo seu elenco exatamente o que está no roteiro, foi o maior dos problemas. Em Amor à Vida, não faltou didatismo, repetições exaustivas de palavras CAÇAMBA!!! CAÇAMBA!!! CAÇAMBA!!! e frases, diálogos artificiais e primários, em um tom muitas vezes teatral. Funcionava nas comédias de época das seis horas que o autor escrevia, mas, para o horário nobre, que pede uma trama realista, subestimou demais o telespectador. E não faltou o humor carrasquiano, outra marca do autor. Combinado com o seu texto, soou infantil muitas vezes, quando não sem graça. Várias sequências e personagens resvalaram na comédia digna de esquete de programa humorístico de gosto pra lá de duvidoso. O excesso de personagens também foi outro problema, com tramas paralelas, em sua grande maioria, totalmente desnecessárias. Por fim, mesmo com muitas críticas ao seu estilo narrativo e à sua história, que pecou em várias incoerências, Amor à Vida foi bem no Ibope e teve repercussão. Com ótimos ganchos, alguns capítulos-chave e sequências de impacto, a novela conseguiu manter o interesse do público por oito meses seguidos, mesmo tendo que enrolar bastante pra espichar a novela. Não é exagero meu dizer que a bicha má do Félix (Mateus Solano) foi o grande destaque. Por alguns momentos, carregou a novela inteira sozinho nas costas!


08º lugar: Viver A Vida



Lançada com um arsenal de boas ideias, Viver a Vida foi uma novela que muito prometeu, mas pouco cumpriu. O folhetim arrastou-se em seus exatos oito meses de exibição apresentando um cotidiano lento demais com poucas histórias sendo desenvolvidas. O autor atingiu a meta de informar ao abordar a tetraplegia e anorexia alcoólica, mas ficou devendo no folhetim. A Helena de Taís Araújo foi a mais jovem e a única negra de todas as Helenas já criadas por Manoel Carlos. Entretanto, a superação da personagem cadeirante Luciana (Alinne Moraes) foi o grande fator que norteou toda a novela a ponto do autor focar mais na trama da personagem em detrimento aos dramas da então protagonista, Helena. A personagem de Taís Araújo foi perdendo espaço e acabou por se tornar a mais insossa das Helenas de Manoel Carlos. Desta forma, pode-se seguramente afirmar que a verdadeira protagonista de Viver a Vida foi Luciana, e não Helena.


07º lugar: Duas Caras


Educação, racismo, luta de classes, drogas, homossexualidade, especulação imobiliária e invasão de terras improdutivas foram temas abordados nesta trama de Aguinaldo Silva, que prometeu escrever uma novela politicamente incorreta. O autor deixou claro desde o início que centralizaria a atenção em determinados núcleos em momentos diferentes da novela. Uma trama teria destaque, enquanto outra ficaria em banho-maria até o momento de voltar a acontecer. O problema é que, com tramas paralelas fracas e uma história central chata, Duas Caras acabou ganhando mais críticas que elogios. Começando pela mocinha, interpretada pela Marjorie Estiano. A atriz foi vítima de várias críticas negativas, mais por conta pelo mau desenvolvimento de sua personagem do que pela sua performance. A novela só melhorou um pouquinho quando Silvia (Alinne Moraes) se transformou numa vilã maluca e psicopata, mas, num saldo geral, Duas Caras foi muito ruim!



06º lugar: Salve Jorge



Um verdadeiro samba do crioulo doido. Assim podemos definir Salve Jorge, aquele delírio em forma de novela que a Glória Perez escreveu. A trama foi massacrada pela crítica e zombada pelo público nas redes sociais, que diariamente apontavam erros e incoerências. E, de fato, Salve Jorge ultrapassou todos os limites do nonsense e abusou da inteligencia do telespectador. Ainda mais porque a trama era realista e tratava de um assunto sério: o tráfico de mulheres, que acabou pendendo para o humor involuntário. A autora pecou pelas incoerências e furos de roteiro enquanto a direção derrapou em várias sequências, com direito a erros de continuidade (o "cabelo bipolar da Morena", por exemplo, uma hora liso, outra cacheado). Ficou a impressão de que a direção preferiu fechar os olhos a esses detalhes e dar vazão ao lema da autora de que era preciso voar. Com um dos elencos mais numerosos já reunidos (quase cem personagens), ficou difícil para Glória Perez administrar tanta gente. Algumas tramas e personagens simplesmente sumiram da novela sem maiores explicações, como Miro (André Gonçalves), Dália (Eva Todor) e Yolanda (Cristiana Oliveira). Além desses equívocos citados anteriormente, a repetição de temas e estilo da autora foi outro problema, com dancinhas e bordões estrangeiros que já não despertavam mais tanto interesse assim como na época de O Clone. A Turquia retratada em Salve Jorge pareceu uma mistura (muito mal feita, diga-se de passagem) da Marrocos de O Clone com a Índia de Caminho das Índias.


05º lugar: Fina Estampa


Um sucesso popular que alavancou o horário nobre da Globo, Fina Estampa é uma das maiores audiência das nove dos últimos tempos. Taí uma prova de que audiência e qualidade nem sempre andam lado a lado. O autor, Aguinaldo Silva, uniu tramas surreais e sem compromisso algum com a realidade com elementos populares em voga no momento (como UFC e o funk), personagens pra lá de caricatos e uma heroína maniqueísta (mulher batalhadora, de personalidade forte, mãe sofrida, boa e justa). Entretanto, Fina Estampa está longe de ser o melhor trabalho de Aguinaldo Silva: não teve uma história consistente, marcante, inovadora ou original. O autor se perdeu do mote inicial: Griselda (Lília Cabral), que, ao ficar rica, se questionaria se o que vale mais é a aparência ou o caráter, como bem sugeria a abertura e o título da novela. Isso acabou não acontecendo e a vilã tresloucada Tereza Cristina (Cristiane Torloni) passou a ganhar mais espaço dentro da história, despertando a atenção do público acerca de seu segredo. Mas esse segredo, cuja revelação foi ápice em dois momentos, acabou por frustrar o telespectador. O autor também frustrou o público com a não revelação da identidade do amante de Crô (Marcelo Serrado), no último capítulo. Falando em último capítulo, Fina Estampa possui o pior final de uma novela de todos os tempos! Apesar do espaço que Tereza Cristina ganhou na trama, pela primeira vez não foi a vilã da novela que despertou paixões no telespectador. O personagem de Fina Estampa que entrou para galeria de tipos queridos da TV foi o Crô, o grande destaque da novela, impagável nas cenas com Tereza Cristina, o chofer Baltazar (Alexandre Nero) e a empregada Marilda (Kátia Moraes).





04º lugar: Insensato Coração




A trama chegou a dar uma impressão inicial de ser uma homenagem a Vale Tudo, mas era pura repetição e falta de imaginação mesmo dos autores. Personagens mal construídos e vilões psicopatas agindo sem motivo algum deram o tom de Insensato Coração. Os autores apostaram em uma estrutura narrativa desconexa marcada por temas fortes e realistas, ou seja, não havia uma história central bem definida e sim várias. Esse monte de tramas paralelas nascendo, evoluindo e morrendo ao longo da trama, marcando a saída e a entrada de vários personagens, foi um grande mal para a novela, pois negava ao telespectador se identificar com os personagens e acompanhar sua evolução. Norma (Glória Pires) foi a única personagem que tinha uma história cujo fio se podia seguir inteiro na novela e despertou o interesse do público. Por causa disso, o casal protagonista foi deixado um pouco de lado e Norma passou a ganhar ares de protagonista-vilã.



03º lugar: Esperança



Benedito Ruy Barbosa criou a novela Esperança com o objetivo de ser uma nova Terra Nostra. Apesar de manter a temática italiana, a trama não teve o mesmo sucesso da anterior. Com uma história arrastada, a novela se tornou um fracasso de audiência. Abalado com as críticas e sofrendo com problemas pessoais, Benedito Ruy Barbosa não conseguiu dar continuidade à história e abandonou o barco à deriva. Quem assumiu o desafio de tentar salvar a novela foi Walcyr Carrasco. A novela foi uma grande sucessão de erros e crise nos bastidores. Talvez o excesso de expectativa em torno de uma Terra Nostra 2 tenha sido um dos fatores. O casal protagonista, interpretados pelos (até então, inexperientes) Reynaldo Gianecchini e Priscila Fantin, também não agradou. Foi só com a entrada de Ana Paula Arósio que a história começou a andar e melhorou um pouco mais quando Walcyr assumiu e fez várias modificações, mas ainda naquelas.


02º lugar: Em Família


Um verdadeiro sonífero. Assim podemos definir Em Família, a última novela do Manoel Carlos. Se considerarmos o último folhetim do autor, Viver a Vida, cujo ponto alto era as dificuldades de uma bela e vaidosa moça que ficou tetraplégica (Luciana de Alinne Moraes), era de se imaginar que a premissa de Em Famíla não era lá muito atraente para o horário mais visado e visto da Globo. A história de primos que se amaram no passado, mas que, no presente, ficou apenas o rancor de um amor mal resolvido, poderia ser contada à seis da tarde sem maiores percalços. A Helena da vez (Júlia Lemmertz) não passou de mera coadjuvante para o drama da filha, Luiza (Bruna Marquezine), apaixonada pelo homem que desgraçou sua família no passado, Laerte (Gabriel Braga Nunes). O bom início da novela, que apresentou as primeira e segunda fases da história, se perdeu quando caiu na terceira e definitiva parte. Foi quando nos deparamos com uma trama mais lenta e que não fazia questão de prender o público na frente da TV, com um ritmo "devagar quase parando", pouca ação, sem vilões e humor e total ausência de bons ganchos.


01º lugar: Babilônia


Babilônia ainda nem terminou, mas já pode ser considera a pior novela das nove dos últimos tempos (quiçá, de toda a história da teledramaturgia brasileira)! Não, não é por causa da sua baixíssima audiência. Babilônia ocupa o primeiro lugar dessa lista porque realmente é uma novela pavorosa! Para não dizer que fui injusto, a trama começou de forma eletrizante, com um assassinato e a explosão de intrigas entre as duas vilãs, Beatriz (Gloria Pires) e Inês (Adriana Esteves). Mas, do segundo capítulo em diante, a trama desandou. A mocinha Regina (Camila Pitanga), para quem, teoricamente, o público deveria torcer, acabou se revelando uma chata profissional; e as vilãs, que se odiavam e prometiam grandes conflitos, passaram a ser aliadas. Sem um enredo forte e poucos perfis atrativos, não deu outra: a audiência despencou. As falhas do roteiro ficaram expostas e todas as mudanças que começaram a ser feitas, para iniciar uma operação de salvamento, deixaram a produção ainda mais equivocada. Babilônia virou uma verdadeira colcha de retalhos muito mal remendada. O que estava ruim, ficou ainda pior!



Relembre as 10 melhores novelas das nove dos últimos tempos clicando bem aqui.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

As 10 melhores novelas das nove dos últimos tempos



10º lugar: Paraíso Tropical

Apesar de um início conturbado em relação à audiência, aos poucos, foi conquistando os telespectadores. Não foi um grande sucesso, mas também não deixou a desejar.


09º lugar: Caminho das Índias

Seu maior atrativo foi retratar a cultura indiana, fazendo um apanhado de temas relacionados a seus costumes e tradições, tais como, sistema de castas, a questão dos intocáveis, além de danças e festas tradicionais e festivais folclóricos, entre outros. A inserção de palavras e expressões indianas nas falas dos personagens caíram na boca do povo e se tornaram bordões populares.


08º lugar: Laços de Família

Um grande sucesso que mostrou mais uma vez o potencial do autor Manoel Carlos em desenvolver tramas folhetinescas com boa dose de realismo, o que garantiu a audiência da novela.



07º lugar: Celebridade

Mega sucesso popular com uma vasta galeria de vilões memoráveis e personagens carismáticos.




06º lugar: Mulheres Apaixonadas

Com uma estrutura similar à dos seriados e das comédias de situação, a novela garantiu seu clímax com as tramas paralelas - dando muito certo. Todas as histórias, em determinado momento, assumiam pesos semelhantes ou até superiores aos dos conflitos da protagonista.


05º lugar: O Clone

O ineditismo de temas bastante complexos abordados na trama (como clonagem, islamismo, cultura árabe e drogas) foram os principais responsáveis pelo seu sucesso, que veio a ser um fenômeno de audiência e repercussão não só no Brasil, mas no mundo todo.


04º lugar: Belíssima

Uma novela belíssima (ah, vá!), sucesso de público e crítica, que prendeu os telespectadores 
do início ao fim com vários mistérios e segredos, o que garantiu sua ótima audiência.


03º lugar: Avenida Brasil

Um fenômeno popular que causou uma verdadeira comoção entre o público. Focada na nova classe C, parou não só o país, mas o mundo inteiro, pois fez o maior sucesso em todos os países em que foi exibida. É a novela mais exportada da Globo e a primeira novela a viralizar e se tornar queridinha nas redes sociais, provando que a internet e a TV podem ser aliadas e não inimigas.


02º lugar: A Favorita

A novela já valeu pelo mérito de ter revolucionado completamente toda a teledramaturgia ao subverter o esquema folhetinesco vigente apresentando, ao invés de uma história de amor com um casal-romântico central, uma história policial com duas mulheres protagonistas rivais. Uma era a mocinha. A outra era a vilã. Mas o público não sabia quem era quem até a metade da história.




01º lugar: Senhora do Destino


Um mega sucesso popular que bateu todos os recordes de audiência do horário das nove,
sendo a novela mais assistida do século XXI (e o último grande novelão do Aguinaldo Silva).



segunda-feira, 6 de julho de 2015

Os twitters de Camila ~~Falsiane~~ Pitanga


Camila Pitanga, que está no ar em Babilônia como a insuportável mocinha Regina, sempre fica no twitter quando a novela começa e, diferentemente da personagem, é super carismática. E ela está completamente obcecada pela expressão "falsiane" e já chama até seus seguidores assim! Tudo começou aparentemente nesta conversa abaixo na qual ela participou na última terça-feira (30/06).


Ela recebeu como resposta "me seguir que é bom nada né falsiane" e, sem entender a expressão, perguntou "o que é falsiane? Coisa boa não parece ser kkkks". Em seguida, Camila recebeu a resposta: "quando uma pessoa se faz de boa, mas na verdade é uma falsa".


Como Camila descobriu, a expressão "falsiane" serve para definir certos 
tipos de pessoas não muito confiáveis. E é muito útil para ocasiões como esta:


Ou essa aqui:


E se pra bom entendedor meia palavra basta, Camila já está usando a expressão para
definir a relação com Cris (Tainá Muller), a rival da sua personagem na novela:



Camila é o único ser que gosta do núcleo da família do Laerte (Gabriel Braga Nunes):

Acha o figurino da Beatriz (Glória Pires) lindo ao contrário do da sua personagem.

Gosta de ouvir Melanina Carioca:

Camila é gente como a gente:

Além de tentar salvar Babilônia, tenta salvar também outra porcaria da Globo:

É entrona:

Camila também adora os gays:

Olha a Rainha dos Falsianes chegando, minha gente!

Usa o plural corretamente, já que kkkkk com s significa vários sorrisos:

Fala dos programas das emissoras concorrentes numa boa:

2015-07-03 18.49.10

Está se tornando a Rainha do Twitter:

Se você acha que a sua vida tá difícil, olha só como é a da Camila:

Eu shippo, tu shippas, ele shippa...


Camila está viciada no twitter:

Camila responde todo mundo, independentemente do que for:

2015-07-03 17.42.24

E ai de quem contar spoilers pra ela de Orange Is The New Black:

2015-07-03 18.33.26

Alguém avisa pra Camila Pitanga que ela pode ser 
demitida se ficar chamando todo mundo de falsiane?

Camila explicando para os amigos do Instagran antes que desse problema:

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Um beijo para todas as Falsianes de plantão:

Camila é trollada pelos seus falsianes:


E trolla até a sua própria personagem:

2015-07-03 18.46.49

Se na novela as duas se odeiam, na vida real, Camila e Glorinha vão é pra night:

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Bom dia, ressaca!

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Tem certeza que as suas olheiras são piores que a da Amanda do BBB15, Camila?



Quem aí acha que a Camila Pitanga no twitter tá melhor que Babilônia levanta a mão!



16 coisas que você precisa reparar melhor na vinheta de fim de ano da Globo
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Camila Rainha!

Rainha né mores

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