Não perca nenhum dos nossos posts

domingo, 12 de junho de 2016

O Melhor e o Pior da Semana (5 à 11/6)




  O MELHOR DA SEMANA  



Thaís Fersoza



Com apenas duas semanas de exibição, Escrava Mãe já tem em sua vilã um de seus principais acertos (dentre muitos, diga-se de passagem). A aristocrata Maria Isabel é daquelas vilãs que matam sem mover um músculo e provocam medo sem precisar berrar. A carinha de menina e a fama de boa moça não impediram que Thais Fersoza virasse uma demônia em Escrava Mãe. É verdade que ela já havia interpretado uma vilã (a Rosália de Dona Xepa), mas nada tão complexo e desafiador como a atual. Tenho medo da Maria Isabel! De resto, Escrava Mãe continua deliciosa e de tirar o fôlego. A melhor novela em exibição atualmente (na minha opinião, é claro).

Agatha Moreira



Nas primeiras cenas de Haja Coração, Camila (Agatha Moreira) estava com uma vibe muito parecida com a de Giovanna de Verdades Secretas. O tom rebelde e as roupas pretas deixaram as duas bem parecidas, quase irmãs gêmeas. A versão boazinha da personagem, no entanto, trouxe para o público uma Agatha até então desconhecida. A atriz conseguiu se desvencilhar completamente da patricinha do início e está dando um show. Aliás, já estou shippando a Camila com o Giovanni (Jayme Matarazzo). Os dois estão com uma química arrebatadora.

Martim vs Afrânio



Onde estava Lee Taylor que ainda não tinha feito novela? Ele dá a Martim toda a emoção da complexidade do personagem. Tarefa nada fácil para um estreante, mas moleza para quem tem um talento desse. Aliás, desde a sua chegada, a novela sofreu uma boa chacoalhada. Fiquei arrepiado com o reencontro de Martim com Afrânio, onde ele desafia o pai a matá-lo. Sequência tensa, muito bem realizada e brilhante interpretada por todos os atores envolvidos (em especial, Antonio Fagundes e Lee Taylor, claro). Os embates entre os dois estão dando mais dinamismo para Velho Chico. E ainda vai reascender com força total a chama do ódio entre os Saruês e os dos Anjos, já que Bento terá que disputar agora o amor de Beatriz com Martim. Promete!

Debate sobre ética no Caldeirão



Adorei a discussão sobre ética e o famoso "jeitinho brasileiro" no Caldeirão do Huck. Foi um debate amplo, que pessoas de diferentes lugares e profissões. No total, 16 pessoas participaram pela internet, entre elas, Tony Bellotto, e no estúdio onde ocorreu a gravação mais 16 cidadãos compartilharam suas opiniões e visões sobre o assunto, com a presença também do filósofo americano Michael Sandel. Foram abordados vários assuntos interessantes: trânsito, respeito, pirataria, mercado... Um ótimo serviço prestado a população que informou bastante.


  O PIOR DA SEMANA  



Estreia do JK Show


Sim, o rei dos segredos chocantes e bombásticos agora tem um programa todinho seu aos domingos a noite para deixar esse dia da semana ainda mais deprimente do que já é. O JK Show é basicamente um show de calouros, daquele tipo que Silvio Santos fazia no passado e também muito inspirado no que o Chacrinha também fez, mas num nível tão classe C, mas tão classe C que Chacrinha deve tá se revirando no túmulo de tanto desgosto. É uma coisa totalmente trash, com vários calouros muito abaixo da linha da aceitação mínima e outros que dão apenas para o gasto e aquele padrão de "qualidade" que só a Rede TV proporciona. São tantos elementos bizarros que não consigo decidir qual é o pior de todos. Vamos votar:

(  ) BANDA


Alguém entendeu o que foi aquela banda de casamento tocando Roar da Katy Perry numa versão igreja?! Não entendi a escolha da música, não entendi a banda, não entendi qual a necessidade deles no programa, não entendi nada! Era melhor o Pablo do Qual é a Música?.

(  ) OS CALOUROS

Acho que deve ser uma regra todo calouro ser tosco, mas eles vieram pós-graduado nisso no JK Show. Se tivesse que dividi-los em duas categorias, dividiria em os piores e os menos piores, porque não teve nenhum realmente bom. Será que não tem nenhum amigo ou parente para dizer "olha, você é bem ruinzinho, não vai na TV não, vai pagar micão"?! A última coisa que eu quero acompanhar em uma noite de domingo é gente amadora balbuciando "Hello from the outside".

(  ) AS HISTÓRIAS DE VIDAS DOS CALOUROS


Tem como piorar tudo? Claro que sim! Antes de cantarem, é exibido um VT de quase três minutos contando a história de vida (todas sempre tristes) de cada candidato com direito a imagem em preto e branco feat. música triste para dar aquela apelada. É como se juntassem aquelas dramatizações da Marcia Goldschmidt com o SuperStar da Globo, ou seja, MARAVILHOUUUSO! O problema é que não dá pra saber se eram histórias reais ou eram os mesmos atores do Você na TV inventando dramas pra ganhar um cachêzinho depois.

(  ) OS JURADOS


Os jurados não poderiam ser mais adequados e dignos para julgar se os outros cantam bem ou mal: Ovelha (aquele cantor dos anos 80 que só sabe cantar Ou, ou, ei, ei Sem você não viverei), Íris Stefanelli (aquela ex-BBB que pegava o Alemão), Nahim (não sei quem é e nunca ouvi falar) e Miranda (produtor musical, aquele jurado gordão do Astros do SBT). Este último é o único que entende de música ali. O restante está lá para fazer papagaiada mesmo, não que Miranda também não solte uns comentários divertidos. Ovelha, por exemplo, criticou um candidato que cantou "Love Hurts", clássico da banda Nazareth. O jurado disse que a letra estava toda errada (e estava mesmo) e começou ele próprio a cantar, também com um inglês tosco. Fantástico.

(  ) O PRÓPRIO JOÃO KLÉBER

Já tinha muita gente cansada dos testes de fidelidade e dos casos bizarros que ele apresentava em seus programas recentes. Agora ele mostra, digamos, um outro lado de si mesmo, faz umas imitações e continua com aqueles seus comentários sem noção e sua tradicional enrolação.

(  ) O CENÁRIO

Eu sei que trabalhar na Rede TV é ter baixo orçamento mesmo, mas o cenário é brega demais, poluído demais por tantas cores e formatos e pequeno demais para tanta gente posicionada.


(X) TODAS AS ALTERNATIVAS ANTERIORES

AINDA BEM QUE O JOÃO É REALISTA, NÉ?

Pra não dizer que não falei das flores, o único ponto positivo fica para a entrevista feita pelo João com o cantor Andrea Bocelli lá na Itália. Sem exageros, rápido e objetivo. João poderia explorar mais esse lado dele que não conhecia. Resta saber se nas próximas semanas conseguirá outro nome de peso. Começa com um Andre Bocelli e termina com funkeiros ou subcelebridades. Mas, no geral, o JK Show é um lixo total no sentido trash das coisas.

Cobertura de casamento gay no SuperPop




Nesta quarta-feira, o SuperPop dedicou todo o seu tempo numa mega e exagerada cobertura do casamento da transexual Léo Aquila (quem???) e Chico Campadello (quem???), sendo transmitida ao vivo, com direito a uma repórter perambulando entre os noivos e os convidados e dois comentaristas gays comentando ao lado da apresentadora sobre os figurinos, penteados, convidados, decoração e pratos servidos no buffet. A questão não é nem a overdose de futilidade, pois tem muita gente que gosta desse tipo de entretenimento. Mas eu queria saber desde quando essa tal de Léo Aquila é tão importante e famosa assim a ponto de seu casamento ganhar ares de marco histórico e casamento real. Depois dessa, pode-se esperar tudo do SuperPop. Tudo mesmo. Não me espantaria se cobrissem ao vivo a festa de aniversário de cinco anos da filha da cunhada da cabeleireira do irmão da mãe de um ex-BBB qualquer.

Matéria com o MC Biel na Eliana


Sabe o Biel? É aquele funkeiro que diz ser o Justin Bieber brasileiro. Não sabe?! É aquele que canta Óh tô chegando hein Óh que que isso hein Óh Coisa louca hein (só sei isso da música). Ainda não lembrou?! É aquele que tá com o rosto estampado em todos os sites sobre as notícias que mais bombaram na semana. Agora lembrou, né? Ufa! Então, esse pseudo-cantor e pseudo-homem (que tem uma necessidade absurda de provar que é macho e pegador em todas as entrevistas que dá e mostrar seu tanquinho em todas as ocasiões) arruinou com a sua carreira que mal começou a decolar e já vai pousar se envolvendo em várias polêmicas:


E quando eu digo várias polêmicas, são várias mesmo. Se você acha que teve uma semana difícil, agradeça por não ser o Biel. Vamos enumerar: 1 - foi acusado de assédio sexual por uma jornalista; 2 - negou tudo e ainda foi irônico; 3 - brigou com o youtuber Felipe Neto após este criticar as suas declarações e ainda o ameaçou; 4 - Cai na internet os áudios provando o assédio; 5 - Biel é vetado da Globo e cortado no revezamento da Tocha Olímpica (aliás, porque diabos ele foi convidado se não fez porcaria nenhuma para o esporte brasileiro?!); 6 - Se envolve em um acidente de carro e não presta socorro a vítima; 7 - Diz que não viu a vítima; 8 - Confessa que viu sim a vítima e promete pagar conserto da moto dela; 9 - Grava um vídeo super sincero, convincente e espontâneo pedindo desculpas que até me fez chorar. Ufa!


A questão é que o programa da Eliana do domingo passado (5) mostrou uma matéria toda elogiosa com o pseudo-cantor. A conversa da apresentadora com Biel aconteceu antes da acusação de assédio e foi uma chapa branca total. A apresentadora foi lá para fazer aquela média com um artista que está em alta e que tem possibilidade de dar bastante audiência. Normal, como todo programa sempre faz. Ok, Eliana não sabia o que aconteceria dias mais tarde. A questão é que a coisa toda rolou durante a semana e a entrevista seria exibida no domingo.

A reportagem é muito favorável ao cantor, mostrando só o lado "fofo" dele, ameniza bastante o que houve e foi exibida num momento inadequado. O certo mesmo seria não mostrar o material, até porque haviam provas concretas e muitas testemunhas contra o tal cantorzinho. Para tentar dar uma contornada na coisa, Eliana disse que queria que a verdade aparecesse, dando a entender que Biel podia estar envolvido num "grande engano", sendo que já tinha sido divulgado na internet antes mesmo daquele domingo os áudios de Biel assediando a tal jornalista.


Diante da repercussão do caso e da gravidade da situação, o mínimo que Eliana tinha de ter feito era não exibir a matéria. Ela e sua produção tinham de ter cancelado e colocado qualquer outra coisa no lugar, afinal, o programa é ao vivo. A apresentadora, depois de só soltar elogios ao cantor durante a entrevista, ainda agradece o rapaz, manda beijo, enfim, passa a mão na cabeça. Faça-me o favor! Nesse caso específico, o contexto era ainda mais grave. É que Eliana estava fazendo uma campanha contra o estupro e a agressão às mulheres com a hashtag #ElianaPorTodasElas. Não dá para alguém que tem uma ação como essa colocar no ar uma matéria toda elogiosa, chapa branca, como disse anteriormente, com uma pessoa justamente acusada de um assédio fortíssimo contra uma mulher. Péssimo timing, viu Eliana...

segunda-feira, 6 de junho de 2016

O Melhor e Pior da Semana (29/5 à 4/6)




 O MELHOR DA SEMANA 



Primeira semana de Escrava Mãe




Quem diria, hein... Escrava Mãe se revelou uma belíssima surpresa. Faz tempo que a Record não produz uma novela tão bem feita. Não dá para parar de assistir. A novela funciona como um prequel de A Escrava Isaura, narrando a trajetória de vida de Juliana, a escrava que é mãe da personagem título do romance de Bernardo Guimarães. Mesmo que o horário não permita um enredo carregado em profundidade que traga à tona a história dos negros comercializados no Brasil naquela época, é importante uma novela que ressalte isso, pois, infelizmente, mesmo estando em 2016, vemos diariamente diversas demonstrações de preconceito racial.

A história se inicia em 1789, no ritual de casamento entre Luena e Kamal, casal africano que pouco depois do matrimônio é capturado e vendido como mercadoria para senhores de escravos em terras brasileiras. Kamal é o personagem que age no primeiro capítulo como âncora para os enredos que se seguem. Ele é o herói tradicional, que luta com honra e justiça tanto pela felicidade da amada quanto pela sobrevivência dos seus. Toda as sequências envolvendo o personagem e situadas no Congo foram muito bem filmadas, produzidas e sonorizadas.



Numa história narrada sobre seu nascimento, Tia Joaquina conta à Juliana que ela é realmente uma escrava, jogando um balde de água fria na menina que acreditava que, por ter a pele mais clara, poderia ser filha do Coronel Custódio, seu senhor, quando na verdade ela é fruto de uma violência cometida por Osório contra sua mãe. Juliana parece ser uma personagem escrita às sombras das mocinhas das novelas mexicanas. Mesmo sendo uma escrava, vivendo uma vida de privações, mantém sonhos, inclusive os românticos, e se encanta à primeira vista por Miguel, rapaz português, bem educado, que aparece na cidade a princípio a procura de um trabalho.

Dos outros personagens que compõem Escrava Mãe, o destaque fica por conta do embate entre as filhas do Coronel Custódio: Maria Tereza, que tem bom coração e sonhos românticos, sempre imersa em seus livros, possui uma deficiência na perna e é muito amiga de Juliana, tratando-a sempre de igual para igual, e Maria Isabel, a irmã má e egoísta, que ganha o título de vilã juntamente com Fernando Almeida, um homem de caráter duvidoso e financeiramente falido que recebe a proposta de se casar com Maria Tereza em troca de um grande dote.


O primeiro capítulo foi digno de grandes clássicos. Contou toda a trajetória da mãe da Escrava Isaura em um tempo recorde sem cansar o telespectador e logo nesse capítulo ficou nítida as grandes apostas da emissora no elenco da trama. Tais Fersoza, que já havia dado um show com a vilã de Dona Xepa, volta novamente numa personagem má e promete fazer um trabalho impecável. Fernando Pavão também promete ser tão ruim quanto (ou até pior) que o icônico Leôncio Almeida de Rubens de Falco. Roberta Gualda e Gabriela Moreyra também defenderam muito bem suas mocinhas sem serem bobinhas ou chatas. Nayara Justino, Marcelo Batista e Neusa Borges emocionaram na primeira fase da novela na pele de Luene, Kamal e Mãe Quitéria. Aliás, a cena de Luena dando à luz Juliana à beira do rio ao som de Vida de Negro (o "Lerê Lerê" imortalizado pelas duas versões de Escrava Isaura) foi lindíssima. Um começo de arrepiar.

A abertura da novela é um caso a parte e já podemos colocar esta como uma das mais bonitas dos últimos tempos, porque consegue bem mostrar a escravidão no Brasil de uma forma que não romantiza as coisas. A música também casou bem. Bem simbólica e poética.



Enganou-se quem achou que o tema da escravidão iria deixar o horário das sete da Record mais sério e dramático. Pelo menos, neste início, a emissora teve o cuidado de não chocar com cenas de tortura e espancamento. Até a sequência do estupro de Luena foi adaptada ao horário. E, mesmo assim, foi dilacerante. O autor também providenciou núcleos cômicos que vão dar uma amenizada no drama. E nesses núcleos destaques absolutos para Luiza Tomé na pele da Rosalinda Pavão, a dona do cabaré da cidade, e Jussara Freire, como a falida e defensora da moral e dos bons costumes Dona Urraca. Os embates entre as duas estão divertidíssimos.

Mesmo desacreditada, Escrava Mãe mostrou ter potencial para se tornar um grande sucesso, talvez até mesmo como vingança sobre o fato da Record ter protelado tanto sua estreia. As imagens são lindas, os cenários e os figurinos são bem realistas e a história é de tirar o fôlego.

Ding Dong




Eu adoro o Ding Dong. É o melhor quadro do Faustão. Muito bom esses resgates de gente meio esquecida pela mídia, com artistas que fizeram sucesso nos anos 80, 90 e não vemos há anos.

Bate e Volta




Original e inusitada a iniciativa da Band de colocar pessoas de estilos diferentes para trocarem ideia em Bate e volta. O programa com Erick Jacquin e Gabriela Pugliesi e o com Ronnie Von e Mc Biel foram bem interessantes. Ainda vai ter a Mara Maravilha com o Mr. Catra. Promete!

Grace Gianoukas




Mesmo com um time de atores/humoristas de peso como Tatá Werneck, Marisa Orth e Cláudia Gimenez, o grande destaque dessa primeira semana de Haja Coração foi a impecável Grace Gianoukas como a adoravelmente terrível Teodora. A atriz, que já havia feito participações em programas humorísticas como Rá-Tim-Bum e Escolinha do Professor Raimundo e nas novelas Bang Bang e Guerra dos Sexos, é a responsável por um dos mais importantes projetos de humor brasileiro do início dos anos 2000: a Terça – Insana, movimento teatral dedicado a formação de atores, humoristas e autores no humor. Além de atriz, Grace é autora, diretora, cronista e produtora. A Teodora caiu como uma luva para a atriz, que já conquistou o público com suas caras e bocas exageradas e, claro, com as grandes humilhações que ela faz questão de fazer o marido Aparício passar. Será uma pena caso o autor Daniel Ortiz seguir a risca a sinopse de Sassaricando, onde Teodora morria nos meses iniciais. Irei ficar órfão!

Trio Leonora-Penélope-Rebeca




Outro destaque positivo na primeira semana de Haja Coração é o núcleo formado por Leonora, Penélope e Rebeca (Ellen Roche, Carolina Ferraz e Malu Mader), curiosamente, o núcleo principal de Sassaricando. É aqui que está o texto mais esperto, cheio de referências e alguma crítica social embalada no humor. E as três atrizes estão ótimas como estas amigas sem nenhuma sorte no amor que se unem por acaso. Suas sequências divertiram pakas.


   O PIOR DA SEMANA   



Haja Coração: novela nova com cara de velha



Haja Coração não é um remake de Sassaricando. Segundo seu autor, Daniel Ortiz, sua novela é uma adaptação da obra original de Silvio de Abreu. Só que os primeiros capítulos guardaram muito do espírito da trama de 1987. Apesar do bom aproveitamento de recursos modernos, como Apolo pedir Tancinha em casamento pela câmera do celular, Fedora, literalmente, parando o trânsito para conseguir mais seguidores e curtidas nas redes sociais e a referência ao Big Brother Brasil através da Leonora, que é uma ex-BBB, Haja Coração parece reprise de uma novela antiga. Tudo foi excessivamente explicadinho para que o público assimilasse bem quem era quem. Várias cenas afirmaram e reafirmaram que Giovanni foi preso por um crime que não cometeu, que Aparício era um banana, que Teodora era uma milionária arrogante e sem coração e que a família Abdala tinha alguma coisa haver com o sumiço do marido de Francesca.

De lamentável mesmo só a ridícula invasão de Tancinha na festa de aniversário de Fedora no primeiro capítulo. Uma sequência desnecessária, sem sentido, muita gritaria e pior: sem graça. No segundo em diante, permaneceu o ritmo ágil e a insistência no didatismo na apresentação dos personagens. Mas é só o começo da trajetória de Haja Coração. A novela vai precisar também se desvencilhar desta coisa datada, herança dos anos 80. Toda a cafonice de Fedora, por exemplo, parece daquela época, mesmo a personagem se esforçando para tentar ser moderna e querer se tornar a rainha das redes sociais. Algo ali está provocando ruído. Vamos aguardar.

Abertura de Haja Coração



Vocês já perceberam que as aberturas das novelas mais recentes, de um modo geral, estão extremamente preguiçosas e zero criatividade? Nossa, é muita poluição visual, um monte de colagens e cenas amontoadas na tela onde a gente tem que ver várias vezes e notar os detalhes para entender do que se trata. É o caso de Haja Coração, que mal estreou e já está causando um grande problema para aqueles que sofrem de labirintite. Tentando ser extremamente colorida, passou do ponto na movimentação das cores e formas. Não é porque a Tancinha e a família dela são feirantes que precisa tacar um monte de fruta na telinha, né? Se chegar mundo perto, é capaz de cair uma melancia ou uma laranja na nossa cara. Que falta Hans Donner faz, viu...

Didatismo em Velho Chico



É verdade que Velho Chico propõe uma grande abordagem política, mas precisa ser tão didática? No capítulo de segunda (30), Bento apareceu do nada na escolinha de Beatriz e foi ensinar às crianças algumas coisinhas muito importantes. Depois de explicar a origem da palavra democracia (e de nem ficar surpreso com as crianças de 9 anos respondendo eloquentemente o significado de partículas em latim), Bento começou a declamar sobre as bases da democracia, a importância do voto e tal. Em tempos que os telejornais mais desinformam e confundem, acho muito bacana ver que tem novela que ainda consegue relembrar princípios básicos como o conceito de democracia. Só podiam ter feito em uma cena menos Telecurso 2000, né?

Repetição de situações em Eta Mundo Bom



Mafalda estava prestes a se casar com Romeu, mas foi impedida pela falta de vestido, que acabou se desmanchando no altar. O padre disse que noiva pelada não casava. E assim foi-se um casamento. Sandra estava prestes a se casar com Ernesto, o falso Candinho, mas Pancrácio surgiu na igreja e desmascarou o farsante. O casamento é desfeito no altar. Na sequência, Sandra e o irmão Celso travam uma guerra de bolo. Eponina estava prestes a se casar com Inácio, mas a esposa dele chega na igreja e revela que ele já era casado. O casamento é desfeito no altar. Na sequência, todo o núcleo da fazenda trava uma guerra de bolo. Nesta semana, Sandra estava prestes a se casar com o verdadeiro Candinho, mas ele descobre que é o pai do filho que Filomena está esperando e diz não. O casamento é desfeito no altar. Na sequência, Candinho, Sandra, Celso, Pancrácio e Anastácia travam uma guerra de bolos. Eu sei que o Walcyr Carrasco adora essas situações, mas já tá ficando chato em excesso. Que déjà vu!

Participação de Luiza Brunet em Velho Chico



Um monte de gente gosta muito da Luiza Brunet, acha ela diva e todas aquelas coisas que as ex-supermodelos trazem consigo. E tem também aquela ala que torce para que ela volte a tentar a ser atriz. Isso aconteceu em Velho Chico, numa participação especial nesta segunda (30), quando ela apareceu como a dona de um bordel que Afrânio visitou com seu neto. Luiza apareceu com uma peruca bem da esquisita que mirou na Marilyn Monroe, mas acertou em cheio na drag queen Salete Campari. Mas isso nem foi o maior problema. A questão maior foi o sotaque nordestino que Luiza teve de fazer. Estava totalmente estranho, forçado e com uma entonação que, por vezes, lembrava a voz de uma criança. Totalmente bizarro. Fora isso, Luiza até que se esforça, mas dá para entender porque sua carreira como atriz nunca decolou: é porque ela não nasceu para isso. Quem está acompanhando atualmente a reprise de Anjo Mau no Vale A Pena Ver de Novo, sabe do que eu tô falando. 19 anos separam a fútil Tereza da cafetina Madá, mas a canastrice da intérprete continua a mesma. Cada macaco no seu galho!

Final morno e cheio de falhas de TD+


O grand finale de Totalmente Demais foi como o esperado. As emoções finais da trama tinham sido distribuídas entre os três últimos episódios e, no último, ficou basicamente a decisão de quem ficaria com Eliza. Ela terminou nos braços de Jonatas. O que não foi surpresa nenhuma, né? Os autores chutaram o balde para a coerência na reta final apelando com um golpe baixíssimo (o do melodrama do transplante de fígado) para favorecer uma das pontas desse triangulo amoroso (no caso, Jonatas). Acabou estragando a surpresa final. Arthur acabou ganhando o super prêmio de consolação: Carol. Vocês sabem muito bem que eu sou Arliza de carteirinha (CONFIRA AQUI), mas também gostava do Arthur com a Carolina. Os dois tinham muito sex appeal. O problema é que faltou uma desenvolvimento melhor para o casal Carthur. Achei super incoerente o Arthur, depois de ter passado a trama inteira chutando a Carolina e dizendo que a única mulher que amou de verdade era a Eliza, descobrir, assim, do nada, aos 45 do segundo tempo, que a Carolina é que sempre foi a mulher da vida dele. Aham... Sei...



Aliás, incoerência foi o que não faltou no último capítulo da novela. Arthur tirou seu time de campo e deu a Jonatas a chance de ir a Paris com Eliza. O carrapato, então, simplesmente chama um táxi, diz que está indo para Paris para a mãe e, mesmo depois de ter passado por uma cirurgia complicadíssima no fígado onde ficou entre a vida e a morte, enfrenta um voo de doze horas, porque, afinal de contas, isso aqui é ficção e precisamos voar. E para provar que é ficção mesmo, Jonatas, que nunca tinha viajado na vida, conseguiu um passaporte e um visto para Paris de última hora como num passe de mágica e nem mala levou pra viajar. TÁ SERTU!

Porém, nada foi mais deprimente do que as sequências de Eliza e Jonatas em Paris. Foram de uma pobreza vergonhosa. Um fundo mais falso do que nota de três reais que só causou constrangimento. Só por ter sido a maior audiência do horário das sete desde 2012, acho que Totalmente Demais merecia um pouquinho mais de capricho da produção, né? Para piorar, a cantora Gabrielle Aplin (intérprete de Home, tema do casal Joliza), surgiu do nada cantando a música e tocando violão do lado deles. Parecia até cena do extinto Casseta & Planeta!

Mas não será esses tristes deslizes que irão tirar brilho dessa novela que foi mesmo totalmente demais e que já ganhou um lugar especial no meu coração. Já estou com saudades!

Pra não dizer que não falei das flores, adorei o desfecho da trama de Max. Ele conseguiu arrumar um pretendente, Fernando. E o casal deu um tapa na cara da sociedade passeando de mãos dadas pelo mesmo lugar onde Max havia sido agredido por homofóbicos. Melhor do que mil beijos na boca. E foi bacana também o inédito (que eu lembre) crossover da trama com sua sucessora, Haja Coração. Muita irreverencia e diversão com Fedora abordando Carol, Arthur e Pietro no meio da rua e pedindo para ser a próxima capa da revista Totalmente Demais.

sábado, 4 de junho de 2016

Os melhores shippers das novelas que não terminaram juntos (na MINHA opinião)



Sabe aquele casal de novela que a gente shippa com paixão e, no final, eles não terminam juntos? É, meus queridos, eu já sofri muito com isso. Por isso, listo aqui os meus casais favoritos da teledramaturgia que não tiveram um final feliz. Que fique bem claro: é a MINHA opinião. Quem gostou, gostou; quem não gostou, vai ter que segurar a marimba. Confira:

Julipe (Sete Vidas)



E não é que a Júlia preferiu o indeciso, chato, insuportável, vacilão, egoísta, turrão e bobo do Pedro ao argentino pintoso e gente boa do Felipe?! NÃO FOI A GENTE QUE PEDIU!!!

Dunat (Malhação Sonhos)



O casal Duanca pode ter sido o protagonista, mas foi Dunat quem roubou a cena. Fim.

Arliza (Totalmente Demais)



Não satisfeitos em terem destruídos Dunat, Rosane Svartman e Paulo Halm foram lá e destruíram Arliza também. Euzinho fiz uma matéria todinha dando 5 motivos que a Eliza deveria ter terminado com o Arthur e não com o carrapato do Jonatas. É só clicar BEM AQUI.

Heledu (Laços de Família)



Não foi a toa que o público odiou a Camila. Todo mundo gostava da Helena com o Edu. Ela não tinha nada que se meter ali no meio roubando o boy da mãe. Como diria Íris, JUUUUUUUDAS!!!

Fredel (Mulheres Apaixonadas)



Tinha um marido que a batia com raquetes de tênis, se apaixonou por um aluno que é bem mais novo que ela, os pais do garoto são contra e, no final, o marido dela se mata com o garoto. Meu Deus, a vida da Raquel era um verdadeiro dramalhão mexicano, coitada... Nessa época, nem existia o termo shippar, mas eu já shippava mesmo assim a Raquel com o Fred.

Crozar (Fina Estampa)



Como eu queria que o Baltazar se revelasse gay e terminasse com o Crô. Adorava!

Penhotto (Cheias de Charme)



Não me conformo e não engulo até hoje a Penha ter dispensado um homem bacana e maravilhoso como o Otto pra ficar com o ex-marido Sandro, que sempre enrolou ela a vida inteira.

Ursulano (Cordel Encantado)



Ainda bem que, em Sete Vidas, Domingos Montagner e Débora Bloch puderam repetir essa química arrebatadora que foi o cangaceiro Herculano com a vilã Úrsula.

Olavel (Paraíso Tropical)



Esse foi outro casal de vilões que não valia nada, mas a gente gostava do mesmo jeito porque tinha muita catiguria e muito tesão. E põe tesão nisso. Muito mexxxxxxxxxxmo.

Anigo (A Vida da Gente)



Sempre achei que o Rodrigo ficou com a Manu mais por gratidão e pena do que por amor.

Vanderlina (A Favorita)



Catarina era uma das personagens mais legais de A Favorita. Só dela ter se livrado do ogro do Léo, já foi de bom tamanho. Mas meu coração sempre foi do Vanderlei. Aquela Estela nunca me desceu.

Malfred (Império)



E mais uma vez, Lília Cabral e Alexandre Nero transbordam química em cena. E mais uma vez, seus personagens não terminam juntos. Na próxima, já pode pedir música no Fantástico!

Concorda com a minha lista? Fique a vontade para discordar ou até selecionar outros casais de novelas que você amou e que não terminou junto.





Visite a nossa fan page para assistir A Favorita, que está sendo exibida de segunda à sábado, sempre ao meio dia. Clique na foto para ver os capítulos:


quarta-feira, 1 de junho de 2016

O Melhor e o Pior de Totalmente Demais



Não existe uma fórmula de sucesso para uma novela. Uma junção de fatores, internos e externos, podem colaborar para isso. Em suma, novela nada mais é do que a arte de contar uma mesma história, mas de forma diferente, mudando uma coisa aqui, outra ali para sempre trazer uma novidade ao público. O que importa mesmo é a maneira como essa história será contada.

Totalmente Demais é a prova viva disso. É uma trama das mais simples e despretensiosas, com a atualização de um conto de fadas mais do que conhecido (o da gata borralheira). Entretanto, logo foi ganhando público, se tornando um fenômeno de audiência e repercussão e o maior sucesso do horário das sete desde Cheias de Charme (2012). O estouro foi tanto que se tornou o programa mais assistido da Globo em todas as praças quase que diariamente, vencendo inúmeras vezes a novela das nove (principal produto da Globo), e fez até a emissora mexer na sua tradicional grade de programação e exibir o último capítulo da trama em uma segunda-feira e reprisá-lo no dia seguinte no Vale A Pena Ver de Novo, além de um spin-off na internet (a websérie Totalmente Sem Noção Demais). Bixa, a senhora é destruidora mesmo!


Logo no primeiro capítulo, os autores traçaram muito bem os três núcleos principais da história: a vidinha mais ou menos da gata borralheira Eliza, que sofre com o padrasto abusador, sonhando com um príncipe encantado que vai tirá-la dessa triste realidade e que pode ter se materializado na figura de Arthur; o mundo cheio de glamour de Carolina, editora de uma revista de moda, às voltas com gente rica, elegante e nada sincera; e o dia a dia de Jonatas como vendedor de balas na rua para poder ajudar a mãe a pagar o aluguel e sustentar seus irmãos. Ao longo da primeira semana, esses três universos se colidem e ganharam sua forma definitiva.

Para escapar das garras do padrasto, Eliza foge para o Rio de Janeiro, onde se envolve numa confusão e acaba passando a morar nas ruas. No meio da saga da gata borralheira, dois pretendentes de peso surgem em sua vida e arrebatam seu coração. É o sapo Jonatas quem resgata a jovem dos perigos das ruas no melhor estilo conto de fadas, enfrentando os dragões bravamente e conseguindo um castelo seguro para o rapaz e sua amada viverem. Mas o romance do casal é interrompido pelo príncipe Arthur que, mesmo por motivos nada nobres, surge disposto em transformar a gata borralheira em uma verdadeira princesa, como ela sempre sonhou. Só que o príncipe dessa história está mais para sapo. Arthur apenas usou a garota como ferramenta de uma aposta feita com Carolina garantindo que conseguiria transformar aquela mendiga em uma modelo refinada e ganhadora do concurso Garota Totalmente Demais.


Em paralelo, segue a trama do casal Germano e Lili, donos da Bastille e organizadores do tal concurso, que enfrentam graves problemas familiares. Os dois nunca superaram a perda da filha Sofia e a galinhagem de Germano, que sempre dava em cima de Carolina, deixou a relação ainda mais frágil. Eram muitas feridas abertas e outras que demoravam para cicatrizar.

É interessante observar a estrutura de Totalmente Demais. Ela tem um esquema de rodízio na distribuição das tramas, onde um núcleo se destaca por vez, enquanto os outros assumem posições de espera até voltarem ao centro da história, dando espaço para todos os núcleos. Foi uma trama de fases, em estilo seriado, onde cada fase ficava focada em uma determinada história. O Garota Totalmente Demais que o diga. O longo concurso foi o mote central que permeou boa parte da história, mas acabou cansando pela enrolação e previsibilidade. Lembram que cada praga do Egito demorava uma semana em Os Dez Mandamentos? Pois na novela das sete, cada etapa do concurso durava mais de uma semana. A história do concurso, no geral, se resumiu unicamente na protagonista se preparando para cada uma das etapas e na Carolina armando para sabotá-la com a ajuda de Cassandra (sempre inutilmente, é claro).

De qualquer forma, o lengalenga do concurso foi necessário para que acompanhássemos a mudança na vida do trio principal. De garota pobre, selvagem e maltrapilha a top model de sucesso, Eliza amadureceu, superou seus medos e inseguranças e virou mulher aos olhos do público e de seus dois pretendentes. Arthur, por sua vez, sempre teve um comportamento um tanto irresponsável, mulherengo e imaturo; em parte, por influência de seu pai Maurice e isto se refletiu na péssima educação dada a Jojô. Porém, sua convivência com Eliza trouxe novas formas de ver a vida e a proximidade, devido ao concurso, despertou-lhe um novo sentimento. Assim como o clássico Pigmalião, que se apaixonou pela sua criação (a mulher perfeita), Arthur se apaixonou pela nova Eliza que ajudou a transformar. Com ela, descobriu o amor verdadeiro e, de quebra, ainda ganhou uma nova relação com a filha. Já Jonatas saiu das ruas, virou um executivo de sucesso e namorou Leila, com quem tinha um romance completamente diferente do vivido com Eliza. Todas as mudanças, no entanto, foram naturais e graduais, sem pieguice.


Os autores Rosane Svartman e Paulo Halm prometeram novos entrechos e desdobramentos para a trajetória da heroína após o concurso. E, a princípio, cumpriram à altura. Ainda na reta final do concurso, Dino, o padrasto de Eliza, assumiu feições monstruosas e reapareceu na vida dela com o objetivo de roubar o dinheiro que a menina conquistou ao ser eleita a modelo Totalmente Demais. Ele faz agora as vezes da madrasta má, em substituição a Carolina. Mas ele é pior: é o padrasto que tentou abusar Eliza e persegue a enteada com sede de vingança pela rejeição. É o Lobo Mau querendo comer a Chapeuzinho. Além disso, trouxe a revelação de que Eliza é resultado de um caso que sua mãe, Gilda, teve com o patrão, Germano, quando trabalhava como babá na casa dele. Foi a gota d'água para Lili, que se separou do marido e acabou se envolvendo com o ex-genro, Rafael, provocando a indignação do ex.

Superada esta trama, com a fuga de Dino (que viria a retornar apenas nas últimas semanas para o seu embate final com Eliza), muita coisa mudou na trama. Os coadjuvantes já haviam desenvolvido suas histórias e ganharam outras: Cassandra e a irmã Débora passaram a formar uma espécie de triângulo amoroso com Fabinho e o núcleo de humor de Curicica ganhou ares dramáticos com o atropelamento de Wesley que culminou nele ficando paraplégico.


E eis que Sofia, a filha de Germano e Lili, que julgava-se morta, reaparece mais viva do que nunca. E louca também. A partir daí, aquele conto de fadas leve e divertido passou a ser um filme de terror. Como se diz no futebol, em time que está ganhando não se mexe. Rosane Svartman e Paulo Halm, porém, mexeram e apostaram, na reta final, em histórias que desviaram Totalmente Demais do caminho que vinha seguindo. Houve uma mudança radical e a novela acabou descaracterizada com a volta da personagem e a revelação de que ela era uma psicopata incontrolável que queria se vingar de tudo e de todos. Na ausência de um grande vilão para atazanar a vida de Eliza, já que Dino tinha tomado um chá de sumiço e Carolina, apesar de usar métodos nada ortodoxos para conseguir o que quer, nunca foi uma vilãzona, os autores deram para Sofia essa função afim de não deixar que a trama caísse no esgotamento. O problema é que nada ali fez sentido. Somando o fato de que, além de ter dado um ar sombrio a uma história tão solar e alegre, Priscila Steinman decepcionou nas cenas em que foi mais exigida.

Aliás, a maioria dos vilões de Totalmente Demais foram bem canastrões. É o caso também de Paulo Rocha, cuja interpretação do vilão Dino se mostrou muito caricata e inexpressiva. Sérgio Malheiros ganhou um bom papel como o bandido Jacaré, mas também deixou muito a desejar. Outro erro de escalação foi Adriana Birolli, que viveu a antipática jornalista Lorena Domingos, que simboliza o sensacionalismo no jornalismo de celebridades. Adriana esteve péssima e sua atuação parecia mais uma cópia de papeis anteriores, como a Isabel de Viver a Vida.

O desfecho da trama de Sofia foi mais pesado e exagerado ainda: ela morreu (agora pra valer) baleada pelo cúmplice Jacaré com um tiro a queima roupa na frente dos pais. Se serviu para alguma coisa, apenas para unir novamente Germano e Lili, que tiveram que superar pela segunda vez a morte da filha. Apesar da audiência ter se mantido nas alturas, o esticamento da trama só a prejudicou. Vimos historinhas que começaram e terminaram de uma hora para outra, numa clara demonstração de que a trama estava enchendo linguiça. Exemplos: durou quase uma semana a viagem de Carolina, Eliza e Rafael ao Uruguai só para Carolina forjar um flagrante (dos mais bestas) entre Eliza e Rafael, fazendo com que Arthur e a ruivinha se separassem; a volta de Sueli, a mãe interesseira de Cassandra e Débora que abandonou as filhas e retorna de olho no dinheiro; o transplante de fígado de Jonatas após ser esfaqueado por Dino ao tentar salvar Eliza das garras do padrasto... Os autores pesaram a mão no melodrama potencializado.


Com todos os vilões devidamente punidos e todas as histórias já finalizadas, não restou nada demais para o último capítulo além de sabermos com quem Elisa ficaria no final. Segurar um final de novela apenas com o destino do principal triângulo amoroso pode ser arriscado, mas os autores desde o começo da trama sabiam o que estavam fazendo e escreveram a novela milimetricamente com tramas paralelas que "seguravam" esse romance. Puxando da memória, lembro-me apenas de uma trama que teve a decisão desse triângulo amoroso como trunfo em sua reta final: o clássico final de Roque Santeiro (1985), em que Viúva Porcina decidia na última hora com que ficaria, se com Roque ou Senhorzinho Malta (ela ficou com o Senhorzinho).

Com isso, ficou mais do que provado que o grande trunfo de Totalmente Demais foi esse romance. E foi mesmo. Os autores construíram muito bem duas belíssimas histórias de amor para a mocinha. Com Jonatas (cuja história era baseada no filme Luzes da Cidade), Eliza descobriu o que é o amor verdadeiro, o primeiro amor, o primeiro beijo, a primeira vez, o primeiro tudo. O amor incondicional do garoto por ela foi lindo e fofo de se ver. Já Arthur descobriu o que é o amor com a Eliza, que, por sua vez, amadureceu, desabrochou, aprendeu a superar seus medos e traumas e deixou de ser menina para virar mulher com ele. Não foi a toa que as torcidas Joliza e Arliza travaram ferrenhas rivalidades nas redes sociais. O público ficou bem dividido. Todos os entrechos foram muito bem explorados pelos autores e renderam ótimas cenas, que exploraram o talento e a química avassaladora entre os atores. Marina Ruy Barbosa impressionou com um amadurecimento incrível, Fábio Assunção retornou ao posto de galã com competência e Felipe Simas mostrou que terá um futuro brilhante pela frente na TV.

Lamenta-se, apenas, que os autores tenham chutado o balde para a coerência bem na reta final apelando com um golpe baixíssimo (o do melodrama do transplante de fígado) para favorecer uma das pontas desse triangulo amoroso (no caso, Jonatas). Acabou estragando a surpresa final, pois deixou bem óbvio que daria Eliza e Jonatas no final (e deu). Fábio Assunção e Juliana Paes também esbanjaram química, porém, faltou uma desenvolvimento melhor para o casal Carthur (que acabou terminando junto mais como um prêmio de consolação para Arthur).


Aliás, Juliana Paes merece um parágrafo só dela. Ela teve em Carolina a melhor personagem de sua carreira. O perfil mais complexo da história, extremamente dúbio, cheia de boas nuances, que passeou pela vilania e fragilidade o tempo todo. Ela fez muitas armações para prejudicar Eliza no concurso com o intuito de ganhar a aposta feita com Arthur. Porém, como ele se apaixonou pela mocinha, a personagem não interrompeu suas maldades, mesmo com o fim do concurso. A sua atitude mais condenável foi o plano elaborado com Rafael, onde os dois doparam a menina para simular que a mesma havia dormido com o fotógrafo, culminando no rompimento de Arliza. Entre muitas outras péssimas atitudes. Entretanto, no fundo, não passava de uma mulher frágil e frustrada que só queria ser feliz profissionalmente e no amor, além de conseguir ser mãe. A regeneração de Carolina foi muito bem desenvolvida e Juliana Paes brilhou divinamente.

São tantos nomes do elenco que se destacaram, mas vale citar: Pablo Sanábio, genial como Max, o destaque entre os coadjuvantes; Marat Descartes (Pietro), sempre competente; Carla Salle (Leila), que cresce a cada papel; Julianne Trevilson, no ponto como Lu, e Giovanna Rispoli, que acertou mais uma vez como a rebelde Jojo. Humberto Martins (Germano) e Vivianne Pasmanter (Lili) provaram que têm realmente uma química espetacular. Juliana Paiva estava ótima como Cassandra, mas a atriz precisa urgentemente interpretar uma personagem completamente diferente das que vem fazendo na TV, para não correr o risco de ficar eternamente estereotipada como a "maluquinha". Malu Galli (Rosângela) tem, literalmente, emendado uma novela na outra e é impressionante como ela se transforma a cada novo trabalho, fazendo com que a gente esqueça completamente o papel que ela acabou de fazer. Uma pena que Lavínia Vlasak (Natasha) não tenha sido valorizada como realmente merecia. Por fim, é impossível não celebrar as divertidas participações de Glória Menezes (Stelinha) e Reginaldo Faria (Maurice), dois auxílios luxuosos nessa constelação de tantos talentos.

Os autores também acertaram na abordagem de importantes temas, de forma precisa e muito superior a muitas novelas recentes das 21h. Uma delas é a questão do machismo e da violência contra a mulher, através do drama sofrido por Eliza com os assédios do padrasto e também com Gilda, que representou muitas mulheres que sofrem na mão de maridos agressores, mas sentem medo de denunciá-los para não perderem o sustento da família ou sofrerem represálias. Em alguns momentos, até mesmo Gilda usou de atitudes machistas, provocando conflitos com a filha Eliza. Outro bom tema retratado foi a homofobia, através de Max, agredido por pitboys na rua por ser gay. As Olimpíadas e Paraolimpíadas do Rio em 2016 também foram inseridas no contexto através de Montanha, professor de educação física em Curicica, e Wesley, irmão de Jonatas, que sofre um grave acidente, fica paraplégico e aos poucos volta a treinar.


Num modo geral, Totalmente Demais sai de cena com muito mais acertos do que erros. A novela veio atolada na fantasia, reunindo velhos clichês do folhetim numa roupagem moderna, bonita e atraente, com a leveza e comicidade que o horário pede, repleta de personagens carismáticos e casais apaixonantes. Uma clássica comédia romântica que trouxe histórias de superação e transformação, mostrando que todos podem, caso persistam, ser e conseguir o que querem.


Minha nota para Totalmente Demais: 8. Qual é a sua?



Visite a nossa fan page para assistir A Favorita, que está sendo exibida de segunda à sábado, sempre ao meio dia. Clique na foto para ver os capítulos:



Poderá gostar também de

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...