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quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Brejeira e otimista, Eta Mundo Bom é a novela certa no momento certo




Você, que, assim como eu, é brasileiro e vive no país, já deve ter notado: é um verdadeiro teste psicológico de uns tempos pra cá passear pela TV aberta por cinco minutos sem ter a sensação de que o mundo está acabando e de que no Brasil tudo vai acabar especificamente em crise.

Frente a crise política e social pela qual atravessa o país, o principal motivo apontado por muitos para a rejeição de tramas como Babilônia e A Regra do Jogo foi o excesso de realidade. O telespectador foi acusado de não querer ver na novela das nove nem a realidade nua e crua dos telejornais, nem a repetição da fórmula mau-caratismo/favela carioca/degradação dos valores morais. Mal acabava o Jornal Nacional e, quando o público pensava que iria relaxar e tentar fugir dos problemas do dia a dia por alguns minutos, lá vinha outra vez na telinha derramamento de sangue, tiroteio, chantagens, corrução em todos os setores da sociedade, mortes violentas, bandidos de colarinho branco, tráfico de drogas, facção criminosa...

Neste cenário, Eta Mundo Bom é a novela certa no momento certo. A atual novela das seis cumpre bem com o seu papel de levar um pouco de diversão, respiro e otimismo para os telespectadores num momento tão conturbado. Com média (até o momento) de 27 pontos na Grande São Paulo (que tende a aumentar ainda mais agora que ela está na reta final), é a novela mais vista do horário desde O Profeta, de 2006, atingindo índices impressionantes na casa dos 30 pontos e tornando-se, quase que diariamente, o produto mais assistido da TV brasileira atualmente (posto este que deveria ser da novela das nove). Um verdadeiro fenômeno!


Afinal, "tudo que acontece de ruim na vida da gente é pra melhorar". Foi com esse discurso de esperança e fé em um futuro melhor que Candinho (Sergio Guizé) e vários outros tipos carismáticos conquistaram o público. Para ele, não tem tempo ruim. Todas as dificuldades são dribladas com bom-humor e otimismo. Afinal, todo mundo tem problema. Alguns mais, outros menos. A vida de Candinho não é fácil, mas ele é um exemplo de pessoa positiva em relação aos percalços que aparecem pelo seu caminho. Não desanima e nunca perde a esperança.

Não há novidade no enredo, nem na estrutura dramatúrgica de Eta Mundo Bom. É uma trama "mais do mesmo". O poder de atrair o telespectador está no carisma dos personagens. Eles são bem delineados dentro do maniqueísmo proposto: bom e mau, vítima e vilão, sem tipos ambíguos. O noveleiro não fica na dúvida entre amar ou odiar, torcer a favor ou contra.

Quem semeou generosidade e amor ao longo da trama, terá seu final feliz, assim como para aqueles que se redimirem e pagaram por seus erros, como Celso (Rainer Cadete), Diana (Priscila Fantin) e Araújo (Flávio Tolezani). Afinal, pelo menos na ficção, tudo acaba bem no final. Na contramão da bondade e do otimismo, personagens como Sandra (Flávia Alessandra) e Ernesto (Eriberto Leão) fizeram de tudo para conseguir uma vida de luxo e riqueza. O resultado de tantas maldades não poderia ser outro: castigo para os vilões. E para mostrar que a ambição não compensa e o que importa é ser feliz ao lado das pessoas que amamos, o sonho do poço de petróleo de Cunegundes (Elizabeth Savalla) se transformou, literalmente, em um banho de lama.

Walcyr Carrasco é craque no gênero comédia romântica caipira. Assim como a atual, O Cravo e a Rosa, Chocolate com Pimenta Alma Gêmea (as três de sua autoria) também foram fenômenos do horário das seis e batiam recordes de audiência. A azeitona no empadão é o humor brejeiro ao estilo das comédias familiares de Mazzaropi. Por mais previsíveis que sejam as situações e piadas, o riso sai espontâneo devido ao envolvimento afetivo entre a novela e seu espiador.

Afetividade esta que gera fidelização. Esse vínculo que transpõe a tela fria da TV faz o telespectador esquecer o controle remoto. Se está sendo entretido, por que mudaria de canal? Walcyr resgata o prazer de acompanhar uma novela do começo ao fim, sem pular capítulos. Hábito cada vez mais raro nos lares brasileiros. A caipirada liderada por Candinho prova que, mesmo após várias mudanças de gerações e costumes, ainda há numeroso público interessado em novela, desde que a mesma cumpra missão básica: divertir com leveza e despretensão.

E essa preferência do público por tramas mais leves e despretensiosas pôde ser comprovada também recentemente em Totalmente Demais e Os Dez Mandamentos, duas novelas escapistas que priorizaram situações tipicamente folhetinescas e sem a preocupação de inovar e foram fenômenos de audiência, respectivamente, do horário das sete da Globo e da Record.


Particularmente, "novelisticamente" falando, não acho Eta Mundo Bom esse filé mignon todo. É bonitinha, bobinha, divertidinha, fofinha... É tudo muito "inha" demais. A novela teve um período inicial pra lá de arrastado e "barrigudo", em que nada de muito interessante acontecia e situações que se repetiam demais. Só não caiu na chatice graças ao divertidíssimo núcleo caipira, o grande destaque da novela desde o início (como falei AQUI). Foi só a partir do reencontro entre Anastácia (Eliane Giadine) e Candinho que a história sofreu uma guinada e passou a empolgar. Histórias, até então, adormecidas, como a do casal Gerusa e Osório (Giovanna Grigio e Arthur Aguiar), do cadeirante Cláudio (Xande Valois) e de Diana e Severo (Priscila Fantin e Tarcísio Filho), passaram a ganhar relevância e, finalmente, disseram a que veio.

Apesar de absurda e bem forçada a forma como Sandra conseguiu dar o golpe na titiiiiia (se Araújo precisava de dinheiro para realizar a operação de Cláudio, porque não pediu emprestado para Anastácia ao invés de roubar toda a fortuna dela?!), foi a partir de tal reviravolta que Eta Mundo Bom conseguiu entrar nos eixos e ganhou de vez a minha preferência. Esta cada vez mais envolvente, com muita ação, reviravoltas e vários ganchos, de tirar o fôlego. Acabamos nos acostumando com os vícios do autor (torta na cara, casamentos desfeitos no altar, gente arremessada no chiqueiro, o texto extremamente didático...) e de parte do elenco (como Rainer Cadete, Eriberto Leão e Flávio Tolezani, entre muitos outros, que dão um show de canastrice) e com a previsibilidade do enredo (ainda faltam duas semanas para a trama acabar, mas não precisa ser um gênio para saber com quem a Mafalda vai terminar e o final de cada personagem, né?). Nem mesmo a songamonga da Filó (Débora Nascimento), que cheguei até a pedir o impeachment dela como mocinha da novela (leia AQUI), incomoda mais tanto assim.

Isso tudo porque embarcamos na total despretensão da novela, deixando de lado o perfeccionismo e tão simplesmente nos divertindo com o universo criado pelo autor, cheio de tipos queridos e carismáticos, como Candinho, Pancrácio/Pandolfo (Marco Nanini), Anastácia, Pirulito (JP Rufino), Mafalda (Camila Queiroz), Cunegundes, Eponina (Rosi Campos), Zé dos Porcos (Anderson Di Rizzi) e Maria (Bianca Bin), que despertam a nossa torcida.

De qualquer forma, apesar de considerá-la apenas uma boa novela, Eta Mundo Bom merece todos os elogios. Afinal, conseguir chegar a quase 37 pontos em pleno horário das seis é um feito e tanto, né? Seja lá como for, em tempos de noticiário carregado de violência e escândalos das mais variadas origens, a trama virou um antídoto eficiente contra a soturna realidade.


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domingo, 7 de agosto de 2016

O Melhor e o Pior da Semana (31/7 à 6/8)




   O MELHOR DA SEMANA   



Mister Brau


Mister Brau, sem dúvida nenhuma, é uma das melhores coisas que surgiu na TV nos últimos tempos. Lázaro Ramos e Taís Araújo estão ótimos nos papéis protagonistas, assim como o outro casal formado pela Fernanda Freitas e George Sauma, que também são espetaculares. A série, como um todo, é muito boa. Tanto o texto é muito bem escrito, quanto os assuntos são tratados com um humor e uma delicadeza que deixam tudo muito gostoso de assistir.


Mister Brau, desde a primeira temporada, toca em muitas feridas como racismo, desigualdade social, preconceito, entre outros mil assuntos, de um jeito muito inteligente. O último episódio da temporada, exibido na terça (02), girou em torno de três crianças negras que entram na casa dos vizinhos da família Brau pra buscar uma bola e são confundidos com ladrões. Ao ver a confusão, Michelle e Brau resolvem socorrer as crianças dizendo que eles são "apenas crianças" e ali se cria uma amizade que passa por vários assuntos como abandono, desigualdade social e preconceito. Tudo sendo abordado de uma maneira leve e com zero cara de merchan social e tudo ainda com muito humor e diálogos afiadíssimos. Um ótimo desfecho para uma temporada que foi boa do começo ao fim. Ao contrário do Chapa Quente (que já foi tarde e não deve voltar nunca mais, amém!), espero ansiosamente que Mister Brau tenha uma terceira temporada.

Núcleo da fazenda



O núcleo da fazenda em Eta Mundo Bom já era divertidíssimo e sempre foi o ponto alto da trama. E agora ficou ainda mais interessante depois que Pandolfo não achou petróleo nenhum por lá e sim levaram foi um banho de lama. A trama do núcleo ganhou um novo gás e as cenas estão hilárias. Enquanto isso, a história lá da fortuna da Anastácia está num lengalenga sem fim.

Penúltimo capítulo de Liberdade Liberdade


Os desdobramentos do casamento de Rosa com Rubião renderam mais sequências impactantes, aumentando a adrenalina da reta final de Liberdade Liberdade. As fortes cenas realçaram ainda mais o desespero e ódio de Joaquina e o lado mais cruel e sanguinário de Rubião, que a tortura, prende e estupra. Andreia Horta e Mateus Solano deram um show nessas sequências e expressaram perfeitamente a dualidade de sentimentos. Com a descoberta de que se casou com o assassino do próprio pai, Joaquina consegue fugir das garras do vilão e se junta a Virgínia e ao bando de Mão de Luva para invadir Vila Rica e derrotar de vez o Intendente.

Joaquina e Virgínia lideram grupo que invade Vila Rica (Foto: Felipe Monteiro/Gshow) 

No penúltimo capítulo, André acaba preso mais uma vez. Agora, por ter se envolvido com outro homem, despertando o ciúme de Tolentino, que desta vez permitiu que ele fosse para a forca (juntamente a Xavier, condenado por crime de lesa-majestade por confrontar Rubião). A morte de André na forca emocionou (aquele momento em que Xavier consegue se soltar e tenta salvá-lo e o personagem dá um último suspiro foi dilacerador) e Andreia brilhou mais uma vez com a tristeza de Joaquina ao perder o irmão, enquanto a revolta liderada por ela chega a Vila Rica e impõe o caos na cidade (em cenas muito bem dirigidas), permitindo que Xavier consiga escapar.

Muita gente ficou triste com a morte de André, que era um personagem querido, mas creio que a mensagem que o autor quis passar é o fruto da violência e da intolerância. Afinal, como bem disse o próprio André, "se crime cometi, foi ter amado". Ele morreu apenas por amar e ser quem é, assim como vemos acontecer diariamente com homossexuais que são agredidos e assassinados covardemente apenas por amarem e serem quem são. André, inclusive, foi mais macho que os "machões" de Vila Rica. Assumiu um filho com uma prostituta, não teve medo da morte e não entregou quem ele amava. "Morreu como um bravo", como bem disse Xavier.

Joaquina desesperada com o irmão nos braços (Foto: Felipe Monteiro/Gshow)

Tudo estava sendo conduzido de forma perfeita, mas (...)


      O PIOR DA SEMANA      



Final de Liberdade Liberdade


(...) o último capítulo jogou um verdadeiro balde de água fria no telespectador e foi pura frustração. Incrível como as novelas recentemente vem decepcionando bem no grand finale.



O último capítulo, marcado pela rebelião geral em Vila Rica, se iniciou com as reações à morte de André, mostrando o desespero de Mimi e o sentimento de culpa de Tolentino, cuja covardia não lhe permitiu impedir a morte do homem que amava, além do sepultamento do rapaz ao lado do pai, Raposo. Ricardo Pereira perfeito. Logo depois, o militar cai nas garras de Xavier e trata de contar para Joaquina toda a verdade sobre Rubião e a morte de seus pais biológicos.

Hora do acerto de contas entre Joaquina e Rubião (Foto: Felipe Monteiro/Gshow)

A revolta da heroína e sua vingança contra o intendente era o momento mais esperado do capítulo, porém, numa sacada surpreendente e, ao mesmo tempo, decepcionante (mais decepcionante que surpreendente, diga-se de passagem), antes mesmo que a heroína pudesse ter um confronto final com o homem que desgraçou sua família, ela o encontra morto, atingido por uma facada, deixando subentendido que ele foi assassinado pela governanta Anita.


A ideia do autor foi surpreendente porque fugiu do que seria óbvio (a própria protagonista matar Rubião), porém, decepcionou pelo fato de não ter sido sequer mostrado o ato do crime, além do fato de que Joaquina não pôde consumar a vingança por todo mal que o Intendente fez à sua família, já que o homicídio foi cometido por outra pessoa. Isso acabou enfraquecendo ainda mais a figura de heroína de Joaquina, afinal, ela não conseguiu salvar André da forca, não conseguiu se vingar de Rubião, nem ao menos teve o direito de vomitar toda a verdade na cara dele. Se teve algo de bom nisso tudo, é que Joana Solnado pôde mostrar todo o seu talento nas cenas em que Anita se mostra surtada após matar Rubião, a quem tinha grande devoção.

Também soou pouco crível o fato de Joaquina ter sido presa devido à morte cometida por Anita. Devido à prisão, a heroína é condenada à forca, mas, por conta da rebelião, consegue escapar e fugir da cidade. A cena final mostrou Joaquina e Xavier num navio, rumo a Lisboa, fazendo declarações de amor e muitos ideais de liberdade que soaram um tanto cafonas e bem bobinhas.

Joaquina e Xavier continuam a luta pela independência do Brasil (Foto: TV Globo)

Como de costume, durante todo o capítulo, as sequências foram muito picotadas e os desfechos resolvidos em cenas que não duravam nem dois minutos. Por muitas vezes, parecia que eu estava assistindo o antigo Zorra Total, com esquetes começando e terminando toda hora. O que não faltou foram furos, omissões e esquecimentos no último capítulo da novela.

Afinal de contas, o que aconteceu com a mãe de Xavier? Ele simplesmente deixou a mãe viúva, sozinha e totalmente desamparada (quando havia prometido que iria protegê-la) e foi se embora com Joaquina rumo a Lisboa ser "feliz para sempre"? E o filho da Mimi? Se nasceu ou não, nunca saberemos. E o pequeno Caju, ficou ao cuidados de quem? Como diria Glória Perez, tivemos que "saber voar" para aceitar algumas situações, no mínimo, inverossímeis. Xavier toma um tiro no braço que o derruba e o impede de salvar André da forca, mas logo em seguida sai lutando como se nada tivesse acontecido. No meio de um tiroteio, Xavier e Joaquina param, trocam declarações e dão um longo beijo. Os dragões encontraram Rubião morto, prenderam Joaquina e, logo em seguida, já mandaram ela para a forca, mas deixaram o corpo do Intendente do jeitinho como estava, não retiraram dali, nem enterraram?! Que fim levou Anita? Ela ficou com o corpo do Rubião até o fim da vida? Difícil de engolir, viu... Aliás, estou até agora sem entender o que foi a Ascensão maquiada que nem uma louca com uma águia na mão.


Sabe quando uma escola de samba começa a "correr" na avenida com o desfile de carnaval para não estourar o tempo? Foi essa a sensação que eu tive assistindo o final da trama das onze. Uma pena. De qualquer forma, de um modo geral, Liberdade Liberdade foi sim uma boa novela (vem dar sua nota para a novela e conferir os pontos positivos e negativos dela BEM AQUI).

Fofocando



Nesta segunda-feira (01), o SBT estreou (sem mais, nem menos) o Fofocando. Leão Lobo, Mamma Bruschetta e o Homem do Saco (isso mesmo que você leu) comandam a nova aposta de Silvio Santos, cuja proposta é falar sobre o universo das celebridades. O SBT tinha mesmo que encontrar uma solução para a atual overdose de produções da Televisa. Quatro novelas mexicanas sucediam na programação. O ideal seria, no máximo, duas (deviam colocar uma brasileira da própria emissora, talvez). O problema é que o Fofocando é muito, mas muito chato. 

Primeiro que fica ali uma leitura de notícias que todo mundo já deu. Não tem nada de muito original, não tem um grande furo, uma reportagem, enfim, nada do tipo. A impressão que dá é que o SBT queria abocanhar uma fatia da audiência do horário (que tem o Balanço Geral e as notícias da venenosa Fabíola Reipert) como líder, mas com um investimento mínimo. Assim, o canal tirou Mama Bruschetta da Gazeta, montou um cenário, colocou Leão Lobo (que já era do SBT) e pronto. A audiência viria como que por mágica. É, só que não veio e o Fofocando vem amargando baixos índices, o que coloca o programa em risco total. Silvio Santos é conhecido por não ter muita paciência com atrações que não tragam público e costuma tirar algo do ar na mesma velocidade em que os coloca. Já trocaram o diretor. Quem será a próxima vítima?

Sim, o Fofocando tem esperanças. Creio que matérias ao estilo TV Fama não deveriam entrar na atração. Reportagens externas em shows, por exemplo, travam o desenvolvimento da atração. As fofocas também precisam de ritmo e devem ser passadas de forma natural, como a Sonia Abrão faz na sua Roda de Fofoca no A Tarde É Sua. Nada ensaiado. Um bate-papo informal. Leão e Mamma parecem engessados e travados. Resta saber se Silvio Santos terá paciência.

Final de Seu Lugar no Mundo



Após longos meses de enrolação em torno de todo o contexto tenso que os cercava, o último capítulo de Malhação foi voltado para o desfecho de Samurai e Ciça. O cenário escolhido, por sinal, foi um velho conhecido do público: a mesma pedreira que serviu de locação para os momentos finais das ótimas Além do Tempo e Totalmente Demais. É a crise, Rede Globo?!

O vilão sequestrou Luciana e Rodrigo tentou salvá-la escalando o despenhadeiro, mas toda a situação ficou forçada e mal dirigida. Até mesmo porque o mocinho nem se preocupou em surpreender o bandido, simplesmente aparecendo na sua frente e sem nada para se defender. Acabou apanhando (bem feito!) e quem se comportou como heroína foi a Ciça, que empurrou o vilão no penhasco. A aguardada cena não durou nem dois minutos, deixando qualquer tipo de emoção de lado. E com direito a um chorme key bem mequetrefe da queda, confira:


Um final ruim para uma temporada ruim (confira a crítica final da Seu Lugar no Mundo AQUI). E olha que esse último capítulo deu a maior audiência da novelinha em cinco anos. Inacreditável!

Grosseria de William Waack com Anitta



Olha, a Anitta merece todos os parabéns. Primeiro, pela sua ótima performance na abertura das Olimpíadas (que foi perfeita, diga-se de passagem); e segundo, por ter sambado lindamente no William Waack. Quem viu a entrevista da cantora com o jornalista no Jornal da Globo de sexta (5) após a abertura das Olimpíadas viu uma das coisas mais interessantes. A primeira foi que Waack parecia conhecer muito pouco de Anitta e, mesmo assim, resolveu ir lá dar uma de espertalhão. Depois que ele meio que quis, como se diz, "desconstruir" a cantora. E, por fim, quem assistiu também teve a chance de ver Anitta desbancando Waack em grande estilo. William foi extremamente grosseiro e impertinente com ela. Deve ter visto uns dois clipes da cantora, se tanto. Qualquer um que vê de leve Anitta sabe que ela não é apenas aquela funkeira do comecinho da carreira. Aliás, ela apresenta no Multishow (o Música Boa) um programa de música em que canta de tudo. Deu pra ver nitidamente que Waack ficou sem graça. Bem feito!


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sábado, 6 de agosto de 2016

Malhação - Seu Lugar no Mundo: Como uma temporada tão ruim pode ter dado tanta audiência?



Audiência nem sempre é sinônimo de qualidade. Novelas maravilhosas como Lado A Lado e Pecado Mortal tiveram índices abaixo do esperado, enquanto porcarias como Os Mutantes e Fina Estampa foram grandes sucessos. E qual não é a minha surpresa ao saber que a Seu Lugar no Mundo acaba de se tornar a MAIOR AUDIÊNCIA DA MALHAÇÃO EM CINCO ANOS?!


É isso mesmo que você leu. Essa temporada chumbreguenta cravou impressionantes 26 pontos de média em seu último capítulo e sambou inclusive na cara da temporada Sonhos, cujo último capítulo marcou 18 pontos (ou seja, oito pontos a menos que o desfecho da atual, pra você que é de humanas) e que é a temporada de maior sucesso entre as temporadas atuais da novelinha teen. Aliás, a Seu Lugar no Mundo sai de cena com média geral de 16.69 pontos, tombando a maravilhosa temporada Sonhos (15.88), a chatérrima Casa Cheia (14.13), aquela da inesquecível Fatinha (14.82) e a esquisita Conectados (15.98). MEU DEUS, PARA O MUNDO QUE EU QUERO DESCER!!! Como uma temporada tão ruim pode ter dado tanta audiência assim?!


Nos primeiros capítulos, a trama principal até parecia promissora, porém, não demorou para que o conflito estagnasse. O autor, Emanuel Jacobina, não conseguiu conduzir a situação de forma satisfatória, tornando o entrecho bastante desinteressante. E, ao longo da história, as histórias paralelas também foram afetadas pela falta de bons conflitos. Personagens perderam função, situações forçadas prejudicaram os núcleos e até mesmo bons entrechos  (como o sumiço de Ciça, que girou a trama durante bastante tempo) foram prejudicados. Um bom exemplo foi a desnecessária morte de Filipe por Samurai, ao descobrir o paradeiro de Ciça. Uma situação que não acrescentou em nada ao drama da personagem, uma das mais complexas da trama.

Temas como a rivalidade entre colégios públicos de diferentes estruturas e condições, o vazamento de fotos íntimas (através de Nanda, vítima deste tipo de exposição), o assédio (através da questão dos uniformes femininos), a gravidez na adolescência, a AIDS, o uso de drogas e, mais recentemente, a doação de órgãos foram abordados de forma equivocada e até mesmo superficial. Simplesmente, não dá para acreditar e achar crível uma garota de 16 anos hiper feliz por estar grávida de gêmeos ainda estando no colegial ou um casal recém-saído do ensino médio e sem emprego resolverem se casar e serem felizes para sempre, como se tudo fossem flores. Inclusive, a abordagem da AIDS (que na novelinha era transmitido por testada (?), relembre AQUI), chegou a despertar críticas de Lucinha Araújo, mãe do cantor Cazuza, que faleceu em 1990 em decorrência da doença, obrigando o autor a escrever novas cenas.

O elenco, por sua vez, sofreu com a inconstância. Atores talentosos como Juliana Knust (Ciça), Inez Viana (Sueli), Eduardo Galvão (Jorge), Marcello Airoldi (Miguel), Vanessa Gerbelli (Ana) e Solange Couto (Vanda) tiveram pouco espaço para brilhar e infelizmente ganharam personagens que não estiveram à altura. Apesar dos pesares, Solange fez uma boa dobradinha com Lucas Lucco (Uódson, seu filho na trama), que surpreendeu a todo mundo e, por incrível que pareça, roubou a cena. A irregularidade também se comprova com as atuações constrangedoras de nomes como Felipe Titto (Samurai), Guilherme Leicam (Tito), Brenno Leone (Roger) e do cantor Nego do Borel (Cleiton). Nicolas Prattes, por sua vez, também não convenceu como o protagonista Rodrigo. E Giulia Costa (filha da Flávia Alessandra) e Lívian Aragão (filha do eterno Didi Mocó) não tiveram boa presença. Num modo geral, poucos foram os atores iniciantes que se destacaram positivamente, bem longe de ser considerado algo realmente bom.


Ainda assim, a temporada conseguiu revelar jovens promissores, como é uma das tradições de Malhação (embora sem a mesma força da temporada anterior). É o caso de Amanda de Godoi, que viveu a sensual Nanda, e de Francisco Vitti, como o nerd Filipe. Os dois esbanjaram química e formaram uma divertida dupla, que mostrou ser o melhor casal desta temporada, inclusive, ofuscando o par protagonista (mesmo feito alcançado pelo irmão dele, o Rafael Vitti, que roubou a cena na temporada anterior e fez do casal Perina a grande sensação da Malhação Sonhos). Nos últimos capítulos, Amanda se destacou e emocionou com o desespero da personagem ao saber da morte de Filipe e nos desdobramentos que vieram depois. Marina Moschen, que viveu a mocinha Luciana, embora com menos presença, também merece atenção e, apesar dos pesares, defendeu bem sua protagonista e mostrou química com Nicolas Prattes.

Voltando para a pergunta que dá título essa matéria, a única explicação aceitável é que essa temporada entrega o ibope para Eta Mundo Bom, maior fenômeno de audiência do horário das seis em muito tempo. Além de ter muita audiência, a novela das seis está na reta final, o que faz com que mais gente fique ligadinha na TV um tempinho antes da novela começar pra não perder nada, funcionando como uma espécie de "sala de espera". Afinal, como diria Candinho:


Após as Olimpíadas, uma nova temporada, intitulada Pro Dia Nascer Feliz e também assinada por Jacobina, entrará no ar, com novos personagens e a inclusão de cinco que fazem parte da atual, entre eles, Nanda. Esta nova fase terá uma duração mais curta, uma vez que dará lugar, em janeiro de 2017, a uma nova Malhação, assinada pelo cineasta Cao Hamburger. Espero profundamente que Jacobina, desta vez, esteja mais inspirado e consiga conduzir melhor os núcleos da nova história, o que lamentavelmente não aconteceu nesta. Malhação - Seu Lugar no Mundo, infelizmente, já pode ser considerada uma das piores temporadas da novelinha teen.


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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

O Melhor e o Pior de Liberdade Liberdade



Liberdade Liberdade começou sonolenta e excessivamente didática que aparentava ser um prólogo e levou um tempo até se estabelecer. Enquanto se desenrolava lentamente a história principal, a trama andava em círculos, dando destaques temporários a personagens e núcleos isolados (como o rapto de Bertoleza, a volta do marido violento de Dionísia, o sumiço de Alexandra, o drama do cego Ventura, etc). Talvez, por isso, apesar da boa audiência, Liberdade Liberdade não tenha gerado comentários, burburinho, nada (como havia falado AQUI).

A novela tinha a seu favor alguns trunfos que a tornaram atraente e faziam valer a pena, como o elenco enxuto com ótimos personagens (muito bem construídos), a reconstituição de época primorosa e ótimos ganchos. A trama só veio engrenar e caiu de vez na boca do povo em sua reta final, com a chegada do interventor Duque de Ega, o ápice da tensão sexual entre André e Tolentino com a primeira cena de sexo gay da história da teledramaturgia, os desdobramentos do casamento de Rosa com Rubião e o acirramento da luta dos rebeldes contra os mandos e desmandos da Coroa Portuguesa na colônia para livrar o Brasil das garras de Portugal. A partir daí, Liberdade Liberdade entrou num ritmo alucinante e de tirar o fôlego e apresentou tudo aquilo que ficou devendo nos meses iniciais: uma trama ágil e coerente com ligação histórica.

Confira os pontos positivos e negativos de Liberdade Liberdade.

O MELHOR: Retrato atual do Brasil


"Se algum crime eu cometi, foi ter amado". Foram essas as últimas palavras ditas por André antes de ser enforcado apenas por ter amado outro homem numa época onde isso era inadmissível e que, infelizmente, vem ganhando força no Brasil nos últimos anos. Liberdade Liberdade, apesar da trama de época, conseguiu fazer uma crítica bem atual com temas contemporâneos como a intolerância, a violência contra a mulher, a corrupção (pelos excessivos impostos cobrados pela Coroa) e, em especial, o preconceito e o conservadorismo, retratados em várias camadas de personagens da trama, como Dionísia (que se dizia "cristã", mas matava e usava um de seus escravos como objeto sexual), Branca (a vilã extremamente "religiosa" que chegou a transar com o noivo na igreja) e Rubião (cujo discurso lembrava muito o de deputados e pastores evangélicos que posam de "defensores dos valores da família brasileira"), enquanto a prostituta Virgínia e a "bruxa" Ascensão tinham condutas mais corretas do que a grande maioria do povo de Vila Rica. Questões latentes que existiam no Brasil da época e que ainda persistem até hoje.

Um bom exemplo foi a cena de sexo envolvendo Tolentino e André, a primeira entre dois homens na história da teledramaturgia brasileira, que, assim que foi anunciada, provocou revolta em setores religiosos e conservadores, mas atraiu o público e acabou chamando mais a atenção pela sutileza com que foi feita (relembre AQUI). Também achei bem interessante a abordagem que a novela fez mostrando que os preconceitos vigentes no país acabam se enraizando até mesmo nas próprias minorias, que algumas vezes também agem como seus agressores (vimos isso na trama através da prostituta que odeia homossexuais, do próprio homossexual que não admite sua sexualidade, da negra escrava que é racista com a negra alforriada, etc).

O PIOR: Falta de História


Uma boa referência de junção histórica e ficcional para novela é a minissérie Anos Rebeldes (1992), que deu conta de retratar a Ditadura Militar (1964-1985) sem perder as rédeas do romance central. Infelizmente, Liberdade Liberdade não deu conta de unir essas duas coisas. Apesar das alusões a vultos históricos (como Tiradentes, sua filha Joaquina e os inconfidentes, a Família Real Portuguesa e o lendário Mão de Luva), a novela não passava de um melodrama que poderia ser ambientado em qualquer época. Muitos assuntos importantes foram abordados de forma rasa, como o caso da escravidão (falei sobre isso AQUI). O sofrimento dos escravos, por exemplo, foi tratado como se fosse uma espécie de cenário, uma tela sem vida, sempre em segundo plano. A própria trajetória da "heroína" Joaquina deixou a desejar (leia mais embaixo). Ficou a imagem de que se investiu mais na história pessoal da protagonista em vez de sua relação com o pai biológico e os desdobramentos que culminariam na proclamação da Independência do Brasil. Não que a história da protagonista tenha deixado a desejar no todo, mas o contexto histórico poderia ser um pouco mais enriquecido neste ponto. Só nos dois primeiros capítulos (que abordou a Inconfidência Mineira e o enforcamento de Tiradentes) e na reta final (com a chegada do Duque de Ega e seus interesses escusos com Alexandra em matar Dom João VI e usarem os rebeldes numa conspiração para que a Espanha dominasse o Brasil) que vimos História mesmo.

O MELHOR: Elenco enxuto


Esse, talvez, tenha sido o ponto alto da produção. Um elenco enxuto em ótimos personagens, todos ricamente construídos. Com a prostituta Virgínia, Lília Cabral mostrou mais uma vez que tem o dom inexplicável de alcançar como ninguém a emoção do telespectador, repetindo a boa sintonia com Andreia Horta (que foi sua filha em Império), protagonizando cenas tensas e difíceis com Mateus Solano e mostrando bastante química com Dalton Vigh (química esta que não existiu em Fina Estampa, na época, em virtude dos péssimos personagens e da péssima história que receberam). Aliás, o sumiço de Raposo e a condução para a sua morte foi o maior equívoco dessa produção (leia mais AQUI e AQUI). Ok, a trama engrenou a partir daí, mas Raposo era um personagem muito querido e podia ter rendido mais. Desde O Clone, Danton não demonstrava tanta segurança em um trabalho na TV. Andreia honrou com maestria o protagonismo da novela e esbanjou química com Bruno Ferrari (muito bem também com seu Xavier), mas acabou sendo prejudicada pela trajetória irregular da sua personagem (leia mais abaixo). O Félix pode ser o papel de maior sucesso do Solano, mas o Rubião foi o seu maior momento na carreira, até então, e já pode ser considerado um dos maiores e mais odiosos vilões da teledramaturgia. Ele exorcizou completamente a bicha má de Amor A Vida. Caio Blat e Ricardo Pereira também merecem todos os elogios e se entregaram pra valer na cena de sexo que envolveu, respectivamente, André e Tolentino. O primeiro fugiu do estereótipo e trouxe humanidade, sensibilidade e respeito ao personagem, enquanto o segundo demonstrou a truculência e a mistura de sentimentos do personagem sem cair na caricatura. A homossexualidade foi bem abordada e entrou no contexto da novela. Destaque também para Maitê Proença (que despertou ódio e pena do público por sua amarga e cruel Dionísia), Zezé Polessa (que mesmo em um papel pequeno, conseguiu se destacar como a "bruxa" Ascensão), Chris Couto (Luzia), Yanna Lavigne (Mimi, que foi crescendo bastante na trama), Juliana Carneiro da Cunha (que liderou a trama paralela mais histórica da novela com sua Alexandra, defensora de um Brasil ligado ao reino espanhol travestida de rebelde pela independência; além de sempre ser bom sair da mesmice das escalações) e as participações pra lá de especiais de Thiago Lacerda (Tiradentes), Mel Maia (Joaquina pequena) e Letícia Sabatella (Antônia). 

O MELHOR: Branca e Mão de Luva


Sem dúvida nenhuma, foram os dois melhores personagens da novela e as melhores atuações de ambos seus intérpretes que merecem um parágrafo a parte. Nathalia Dill brilhou absoluta como a vilã Branca, que, em meio ao clima soturno e violento da novela, foi responsável pelos momentos mais cômicos (ou tragicômicos). A atriz apostou num sotaque mineiro carregado que acabou divertindo e deu o tom perfeito para a exagerada e voluntariosa vilã, cuja loucura e impropérios foram sendo explorados gradativamente. Mão de Luva, um bandoleiro que vive à margem da Coroa e faz sua própria lei, aos poucos, foi se mostrando também um personagem carismático e divertido, ganhando um merecido espaço, graças ao talento e à competência de Marco Ricca, que imprimiu um excelente tom sarcástico e sedutor ao salteador. Não à toa, seu personagem ganhará um spin-off (série derivada) exclusivo para a internet, intitulado A Lenda do Mão de Luva, em oito episódios a serem exibidos no portal Gshow/GloboPlay.

O PIOR: Trajetória de Rosa


Como eu disse anteriormente, Andreia Horta honrou com maestria o protagonismo da novela. O problema é que ela acabou sendo prejudicada pela trajetória irregular da sua personagem. Joaquina, a filha de Tiradentes, o mártir da Inconfidência Mineira, foi vendida como uma grande heroína revolucionária. Porém, na maior parte do tempo, Joaquina foi mostrada mais como uma mocinha frágil e romântica apaixonada por Xavier e que acabou caindo (burramente) nas investidas do vilão Rubião do que como uma heroína revolucionária. Sua luta para livrar o Brasil das garras de Portugal e seu desejo de vingança contra Rubião só veio a ser desenvolvido e intensificado bem na reta final, o que acabou sendo decepcionante. O último capítulo, aliás, serviu para enfraquecer ainda mais a figura de heroína destemida da mocinha, afinal, ela não fez absolutamente nada contra o sujeito que lhe violentou, entregou a cabeça de Tiradentes e matou seu pai de criação, sua mãe e (indiretamente) seu irmão de criação (falarei mais detalhadamente sobre o último capítulo da trama no domingo, no Melhor e Pior da Semana), uma vez que Rubião morreu foi pelas mãos da governanta Anita e Joaquina nem sequer teve um acerto de contas com ele. Aliás, o senso de justiça da jovem, em alguns momentos, soou pedante e panfletário.

O PIOR: Sexualidade exacerbada


Na primeira parte da novela, a trama contou com a sexualidade exacerbada demais. Muitas sequências de nudez das meninas do bordel de Virgínia foram completamente desnecessárias e não apresentaram contexto algum com a obra, nem acrescentou nada a história. Pareciam acontecer só para cumprir a cota de nu e sexo de novela das onze. Com o tempo, felizmente, a produção foi acertando o tom.

O MELHOR: Direção artística


Durante anos, a Globo se especializou em criar tramas de épocas com uma produção esmerada, criando um glamour inexistente à época imperial do Brasil. Quem conhece a história do país, sabe que a higiene e o saneamento básico era algo inexistente naquela época. O Brasil, por anos, foi um lugar perdido no planeta, sendo explorado, até o último momento, por Portugal, país que nunca se preocupou com a socialização e educação de seus colonos. E foi esta realidade que Liberdade Liberdade resolveu abordar (primorosamente). Basta compará-la com Escrava Mãe (que também se passa nesse mesmo período histórico). Talvez, para não chocar o público, a novela da Record mostra o Brasil como se fosse um país europeu, limpo e belo, o que sempre gerou críticas por parte dos historiadores. Já Liberdade Liberdade é uma novela suja, não tem glamour, as personagens femininas, por exemplo, têm pelos nas axilas, as roupas são, absurdamente, sujas e rasgadas, e as ruas de Vila Rica não são limpas, são cheias de ratos, com escravos perambulados e o calor infernal demonstrado através do suor dos personagens, com uma fotografia soturna. Uma proposta estética que combinou perfeitamente com a novela, que mostrou a realidade nua e crua, com cenas pra lá de chocantes e nada sutis.

O PIOR: Edição picotada


Esse, na minha opinião, foi o ponto mais sofrível da novela. Eu sei que a duração dos capítulos de uma novela das 23h sempre foi curta (cerca de 20 a 40 minutos), mas as cenas da novela foram excessivamente curtas. A trama ganhou ritmo meio que de curta-metragem. Mal você se interessava por um diálogo, ele era cortado abruptamente e a trama passava para outra história. As histórias paralelas, de tão picotadas que ficaram, não prenderam a atenção. Foi tanta coisa acontecendo em menos de um minuto que não dava nem tempo de comentar. Uma piscada e quando chegava ao final do capítulo ficava difícil saber o que mais marcou. Parecia que a novela tinha pressa em acabar. E isso acabou jogando um balde de água fria no telespectador em momentos de grande tensão.

Com média de 18 pontos, Liberdade Liberdade sai de cena sem ter tido o mesmo impacto e audiência de tramas da faixa das onze como Verdades Secretas e O Astro, mas teve um saldo geral positivo e agradou. Ainda assim, ficou com gostinho de que poderia ter rendido muito mais se tivesse tido o ritmo alucinante e de tirar o fôlego das últimas semanas desde o seu início.


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domingo, 31 de julho de 2016

Haja Coração é muito instável



Após um início promissor, Haja Coração entrou em um período instável, sofrendo com uma fraca distribuição de destaque dos núcleos e pela falta de acontecimentos relevantes.

Um deles é a trama principal, que envolve a protagonista Tancinha (Mariana Ximenes) e seus pretendentes Apolo (Malvino Salvador) e Beto (João Baldasserini). A feirante vinha protagonizando cenas divertidas ao lado do publicitário, que de início é um conquistador barato que apenas a deseja como um troféu, mas acaba alimentando um sentimento verdadeiro.

Porém, Tancinha perde força quando está ao lado do caminhoneiro, um grosseirão que volta e meia apela para a violência para resolver seus problemas. As constantes brigas entre os dois cansam e tornam o casal entediante, uma vez que ambos apresentam um excessivo ciúme um do outro. Outro problema é a diferença entre as atuações: Mariana Ximenes tira leite de pedra e esbanja talento e carisma (embora a Tancinha seja um tipo difícil de engolir); João Baldasserini mostra-se uma ótima surpresa em um papel cômico após alguns papeis densos, além de esbanjar química nas cenas com Mariana; já Malvino Salvador interpreta o mesmo tipo de papel e se mostra limitado em cenas que exigem mais. E o fato da trama praticamente se resumir às desventuras amorosas da protagonista mostra falta de fôlego para encabeçar uma novela, uma vez que este núcleo era apenas coadjuvante na novela que o baseou, Sassaricando (1987).


Um entrecho que poderia render bons conflitos para o mesmo seria a busca de Tancinha por seu pai, Guido (que será vivido por Werner Schunemann) e uma movimentação chegou a ocorrer com a entrada de Paulo Tiefenthaler como Rodrigo, um homem misterioso que tem informações valiosas sobre o patriarca dos Di Marino. Contudo, não há um maior desenvolvimento do tema, ficando solto na história. E, surpreendentemente, Apolo foi aprovado no grupo de discussão promovido junto aos telespectadores, algo até pouco crível, uma vez que ele é insuportável.

No núcleo dos Abdalas, o problema envolve a morte de Teodora (Grace Gianoukas). Teoricamente, esta morte é falsa e ela voltará para assombrar o marido. No entanto, até agora nada de relevante ocorreu, deixando grande parte dos personagens sem função. As situações envolvendo Fedora (Tatá Werneck) e Leozinho (Gabriel Godoy), que deveriam divertir (e até divertiam no começo), também cansaram. Enquanto isso, Aparício (Alexandre Borges) tem se encontrado cada vez mais com a amada Rebeca (Malu Mader) e vive tentando reconquistá-la, todavia, a postura do personagem (que deu um golpe do baú e se faz de vítima) é irritante. E Lucrécia (Claudia Jimenez) e Agilson (Marcelo Médici) parecem irrelevantes para a história.


O triângulo entre Giovanni (Jayme Matarazzo), Camila (Agatha Moreira) e Bruna (Fernanda Vasconcellos) alterna altos e baixos. Uma virada interessante resultou na retomada do relacionamento entre o irmão de Tancinha e a fotógrafa, quando ele conseguiu um emprego na agência da namorada para ficar mais perto dela. A história chegou até Bruna, que, inconformada por ter sido trocada pela patricinha, juntou-se a Enéas (Johnnas Oliva) em uma armação que revelou que Giovanni teria sido o autor da explosão do Grand Bazzar (crime pelo qual ele foi acusado injustamente pela própria Camila, antes que esta perdesse a memória). O núcleo rende bons entrechos e destaca as boas atuações de Agatha Moreira e Fernanda Vasconcellos, contudo, nem sempre rende o que poderia em função do pouco destaque em alguns capítulos. Em alguns deles, Bruna simplesmente não aparece, o que impede o papel de crescer mais.

O trio de amigas Rebeca (Malu Mader), Penélope (Carolina Ferraz) e Leonora (Ellen Rocche) é outra história que anda a passos lentos, embora ainda divirta em função do talento das três atrizes (em especial, Ellen Rocche, conhecida por interpretar mulheres sensuais, que está hilária como a ex-BBB fracassada e desta vez o papel não faz muitas referências à forma física da atriz). Quem também contribui para o bom resultado é Renata Augusto, que vive a divertida empregada Dinalda. Outro ponto positivo do núcleo é o romance entre Penélope e Henrique (Nando Rodrigues), um ótimo casal, que tem como maior conflito o fato de ela ser mãe de Beto, melhor amigo dele. Os dois atores esbanjam química em cada cena. Em breve, o núcleo contará com participações de três ex-BBBs da última edição: Daniel, Munik e Ana Paula (Olha ela!!!).

No núcleo de Apolo, a situação é ainda pior. A talentosa Ana Carbatti, que vive Nair, mãe do caminhoneiro, está interpretando um personagem muito semelhante ao que viveu em Alto Astral, do mesmo autor (Daniel Ortiz): a mãe batalhadora que é humilhada constantemente pelo(a) filho(a) mau-caráter ( um clichê já conhecido e explorado em obras como Dona Xepa, Morde e Assopra e Fina Estampa). Naquela novela, Ana interpretava Aurélia e sua filha era a ambiciosa Sueli (Débora Nascimento). Agora, quem interpreta o filho ingrato, ironicamente, é José Loreto, marido de Débora. O personagem de Loreto, Adônis, é irmão de Apolo e gasta com baladas e mulheres o dinheiro que a mãe dá para financiar os estudos, além de ser altamente arrogante. A fraca atuação de Loreto torna o personagem ainda mais insuportável do que já se mostra. Por sua vez, a irmã mais nova de Apolo e Adônis, Larissa (Marcela Valente), até agora não disse a que veio. Sabe-se apenas que é namorada de Renan (Conrado Caputto), um atleta de esportes radicais extremos. E este personagem também não tem qualquer função na trama, o que é uma pena, uma vez que Conrado se destacou em Alto Astral ao lado de Cláudia Raia, com a dupla cômica Samantha Paranormal (Raia) e Pepito (Caputto), que viraram os donos da novela.

A história de Tamara (Cleo Pires), uma mulher que vive perigosamente e apresenta sintomas de transtorno de personalidade, é outra subtrama promissora que não é explorada a contento. Filha de Penélope e irmã de Beto, Tamara é piloto de Fórmula Picape e, em decorrência do transtorno, causou um grave acidente com um colega de sua equipe. Recentemente, ela se desentendeu com a amiga Adriana (Bel Wilker), chefe da equipe, devido ao investimento em Apolo como o novo piloto. Estas situações renderiam conflitos interessantes, mas o pouco espaço dedicado às mesmas faz com que este núcleo também fique solto na história, tanto que a personagem já ficou sem aparecer por vários capítulos. E até agora nada dela se envolver com Apolo, já que Tamara (que, ironicamente, é irmã de Beto) disputará com Tancinha o amor do caminhoneiro


Mas nem tudo está perdido. Uma trama promissora que vem ganhando um merecido espaço é a história envolvendo Shirlei (Sabrina Petraglia), irmã caçula de Tancinha, e Felipe (Marcos Pitombo). O estopim do romance entre os dois é uma bota ortopédica perdida após ela ser quase atropelada pelo mesmo, pois a mocinha sofre de um problema na perna que a faz mancar. Algum tempo depois, Shirlei vai trabalhar na casa dele como faxineira e ambos se encantam ainda mais um pelo outro, provocando a ira de Jéssica (Karen Junqueira), namorada patricinha do rapaz, que aproveita para humilhar a rival da pior forma possível através do emprego. Não bastasse isso, Shirlei ainda é vítima da inveja da irmã Carmela (Chandelly Braz), que sempre acusa a mãe, Francesca (Marisa Orth), de dar menos atenção para ela e mais para a irmã, devido à lesão. O estilo conto de fadas desta trama também é um clichê conhecido, mas está sendo bem retratado pelo autor e os bons desempenhos de Sabrina Petraglia, Marcos Pitombo, Karen Junqueira e Chandelly Braz também ajudam. A química entre Sabrina e Pitombo é outro destaque, fazendo com que o casal se torne um dos preferidos da trama nas redes sociais.

É preciso que haja um melhor desenho da trama e uma melhor distribuição dos núcleos mais promissores, como as histórias de Tancinha e Beto, o retorno de Teodora, a doença de Tamara, as armações de Bruna e os lapsos de memória de Camila, os romances entre Shirlei e Felipe e Penélope e Henrique e o triângulo de amigas, em vez de perder tempo com situações que não agregam. A novela começou promissora, porém, a instabilidade que apresenta impede que se torne ainda melhor (e fica a torcida para que o autor corrija estas falhas a tempo).


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