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terça-feira, 15 de março de 2016

Tem casal para todos os gostos em Totalmente Demais



Totalmente Demais é um sucesso. A novela das sete é a melhor audiência da faixa dos últimos anos graças a sua atrativa história (mesclando clichês tradicionais com boas complexidades e temas delicados), personagens cativantes e, principalmente, ótimos casais. A dupla de autores, Rosane Svartman e Paulo Halm, já haviam provado na deliciosa Malhação Sonhos uma habilidade incrível em construir pares/triângulos amorosos que caiam no gosto popular e se tornem queridos. Cobrade e Perina que o digam. Com Totalmente Demais, não é diferente, graças ao ciclo de transformações que anda norteando os principais casais da trama: Jonatas e Eliza; Arthur e Carolina; e Germano e Lili.

Jonatas (Felipe Simas) namorava a mocinha Eliza (Marina Ruy Barbosa), embora não fossem oficialmente namorados. Mas Eliza foi obrigada a encerrar seu relacionamento com o jovem como estratégia de Arthur (Fábio Assunção), seu mentor no concurso "Garota Totalmente Demais", sem poder dar grandes explicações. Neste meio-tempo, Jonatas começou a se envolver com a amiga Leila (Carla Salle), provocando o ciúme de Eliza, que não admitia que seu sapo pudesse ter outro envolvimento porque ele havia prometido esperá-la até o fim do concurso. Porém, tentando se reaproximar da ruiva, Jonatas flagrou um beijo da modelo em Arthur num ensaio para uma prova do concurso. O baque deixou o jovem triste e foi a vez dele romper relações com a ruiva e deixar de se humilhar pela garota. Jonatas se entregou de vez ao novo relacionamento, enquanto Eliza tenta negar seus sentimentos pelo jovem, ao mesmo tempo que passa a nutrir uma possível paixão por Arthur.


Por sua vez, Carolina (Juliana Paes) e Arthur formam um par pouco convencional (e o mais interessante). Seu relacionamento é marcado por perigosas apostas e trocas de ironias, que atraem um ao outro pelo gosto do perigo. Porém, Carolina começou a demonstrar suas fraquezas ocultas pela armadura de mulher poderosa também ao ver o beijo de Eliza em Arthur. Pela primeira vez, ela sente o risco real de perder o agente de modelos para outra pessoa e esta mágoa a faz levar sua aposta até as últimas consequências, para não ficar por baixo. Arthur, por sua vez, sempre teve um comportamento um tanto irresponsável, mulherengo e imaturo, em parte por influência de seu pai Maurice (Reginaldo Faria) e isto se refletiu na péssima educação dada a Jojô (Giovanna Ríspoli), sua filha rebelde. Porém, sua convivência com Eliza trouxe novas formas de ver a vida e a proximidade, devido ao concurso, despertou-lhe um novo sentimento. Assim como o mito de Pigmalião, que se apaixonou pela sua criação (a mulher perfeita), Arthur está se apaixonando pela nova Eliza que ajudou a transformar. Em consequência de seu comportamento, essa paixão pode trazer consequências graves.

Já Germano (Humberto Martins) e Lili (Vivianne Pasmanter) formavam a típica família perfeita. Até que tudo se desmontou com a morte de Sofia (Priscila Steinman), a filha-exemplo, a queridinha. Lili mergulhou no sofrimento e Germano transformou-se em um canalha, traindo a mulher com outras, em algumas vezes com Carolina. A morte de Sofia também prejudicou a relação com Fabinho (Daniel Blanco), filho mais novo, superprotegido pela mãe e subjugado pelo pai. Porém, Germano, aos poucos, foi se transformando e tornou-se um homem e pai melhor, graças a sua convivência com Jonatas, que colaborava com Fabinho em um projeto. Ainda assim, o casal se separou devido a uma armação da Fabíola Respeirt Pós-Regime Lorena Domingos (Adriana Birolli), que publicou uma matéria de Germano com Carolina, despertando a ira de Lili, que sempre foi extremamente ciumenta. Com a separação, Germano passou a morar no prédio de seu amigo Zé Pedro (Hélio de La Peña), como uma volta às origens, enquanto Lili passou a se envolver com Rafael (Daniel Rocha), namorado da filha falecida. Porém, ainda há outra situação por vir: Lili descobrirá que Germano teve um envolvimento com Gilda (Leona Cavalle), ex-empregada da casa e mãe de Eliza (que, por sua vez, é filha de Germano), pondo por terra toda a imagem de família perfeita construída ao longo dos anos por ele.


E todas estas situações estão sendo bem-desenvolvidas pelos autores e atores, que correspondem com veracidade a todas as cenas. Marina Ruy Barbosa merece elogios por sua maturidade como protagonista. Juliana Paes convence plenamente vivendo uma personagem de caráter dúbio, que usa sua armadura de poderosa para ocultar suas fraquezas. Fábio Assunção, após anos afastado, volta em grande estilo em um personagem complexo e repleto de senso de humor. Felipe Simas, revelado em Malhação Sonhos, mostra-se uma grata surpresa na pele do mocinho. E Humberto Martins e Vivianne Pasmanter repetem a boa parceria já vista em Mulheres de Areia (1993) e Uga Uga (2000).

Em relação ao quarteto Arthur/Carol/Eliza/Jonatas, há torcidas bem divididas nas redes sociais. Uma das torcidas, que se intitula Joliza, defende que a mocinha reencontre seu sapo. A outra parte, intitulada Arliza, defende que Arthur se separe de Carolina e viva um novo momento ao lado de Eliza, sua pupila. Há também a torcida Carthur, que gosta do envolvimento cheio de perigo e ironias de Carolina e Arthur. Deve-se destacar que há personagens da novela que indiretamente representam essas torcidas, o que foi uma boa sacada de Svartman e Halm. É o caso de Cida (Guida Vianna), empregada de Arthur, que conhece Jonatas desde pequeno e sempre dá uma ajuda para juntá-lo com Eliza; Stelinha (Glória Menezes), que quer que Arthur se case com Carolina e esqueça a aposta para não perder a boa-vida; Jojô, que prefere que Arthur fique com Eliza por ter se apegado à menina; e Rosângela (Malu Gali), que fez de tudo para o filho Jonatas esquecer Eliza e ser feliz com Leila.


Estas transformações enriquecem a trama de Totalmente Demais, embora há quem reclame pelo fato de seus pares não ficarem juntos. Para quem torce, de fato, é chato, porém, é necessário que haja estes conflitos para o desenrolar da trama. E os autores estão de parabéns. Todos os casais, sem exceção, são absolutamente shippaveis. Você consegue torcer e ver graça neles. Todos possuem química e uma boa sintonia e composição cênica. Só nos resta torcer para que vença os nossos shippers favoritos.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Alerta, Mãe Dináh! Minhas Previsões para Velho Chico


Descubra quem é quem na trama de Edmara Barbosa e Bruno Luperi (Foto: Sergio Zalis e Caiuá Franco/ Globo)

Ao contrário da Glória Pires, eu sou bom em previsões e, sim, sou capaz de opinar e estou disposto a isso. Desta maneira, limpei minha bola de cristal para lhe dar todas as respostas sobre tudo que podemos esperar de Velho Chico, a nova novela das nove. Será que acertei nas previsões?

Confira cenas de #VelhoChico, uma novela rural, poética, lírica, romântica e, acima de tudo, completamente heterossexual pois os netos do Benedito Ruy Barbosa são machos pra cacete. Estão dispostos para acompanhá-la?
Publicado por Eu Critico Tu Criticas em Domingo, 13 de março de 2016

Finalmente sairemos do onipresente (e cansativo) eixo Rio-São Paulo, escolhido como cenário de quase todas as tramas do horário nobre nos últimos 15 anos, e ancoraremos no Nordeste.

A história central será a mesma que acompanhamos em quase todas as novelas
do Benedito Ruy Barbosa: fazendeiros rivais com filhos que se apaixonam.

Teremos um barzinho onde todos se encontram, muita moda de viola e música típica, longas cenas de paisagem, tuiuiús voando no horizonte, enfim, todos os clichês do Benedito.

O logotipo parece ter sido feito pela Televisa de tão tosco e precário que é.


A primeira fase da novela (que se passará no final da década de 60 e durará os 24 capítulos iniciais) será deslumbrante e empolgante, com cenários, figurinos, fotografia e uma estética lúdica bem parecida com a de Hoje É Dia de Maria e do remake de Meu Pedacinho de Chão de encherem os olhos.

Já a segunda fase (nos dias atuais) será lenta, arrastada e com uma barriga gigantesca, intercalada por todos aqueles clichês típicos do Benedito que eu disse anteriormente. Is The New Em Família!


Antonio Fagundes será um novo Rei do Gado, mas dessa vez defenderá seus interesses econômicos às margens do Rio São Francisco e terá conflitos com defensores do meio ambiente.

Camila Pitanga vivendo outra heroína das nove em tão
pouco tempo (MAS SEM GRITAR PLAYBA, PFV!)



Teremos a grande volta de Rodrigo Santoro às novelas com toda a pompa e status de uma estrela internacional (embora sabemos muito bem do passado e da origem tupiniquim dele).

Selma Egrei será o grande destaque da primeira fase na pele da amarga Encarnação.



A maior parte do elenco será composta por atores novatos/desconhecidos que
não são globais e de etnias que raramente aparecem na maioria das novelas.

O público das redes sociais vai detestar por causa da Síndrome Pós-Avenida Brasil (leia aqui).



A Família Brasileira e as "tiazonas do sofá" vão adorar, pois é a trama tradicional sem maldade e cheia de romances que tanto pediram e, acima de tudo, completamente heterossexual, pois Benedito odeia novela de bicha e os netos e bisnetos dele são machos pra cacete.

Vai ter boicote da comunidade LGBT graças as declarações dispensáveis de Benedito (leia aqui) e nessas vamos saber quem é que manda na audiência: se são os gays ou a Família Brasileira (que boicotou Babilônia por causa do beijo gay e fez a audiência da trama despencar).

Sentirei saudades de ouvir O SOOOOOOOOOOOL HÁ DE BRILHAR MAIS UMA VEZ...


E você? Está animado para Velho Chico? Quais as suas previsões para a trama?

domingo, 13 de março de 2016

O Melhor e o Pior da Semana (6 à 12/03)




  O MELHOR DA SEMANA  


O TRAUMA DO ASSÉDIO



O assédio é algo que precisa ser persistentemente combatido. E, mesmo sem qualquer obrigação de promover bandeiras, Totalmente Demais tem conseguido retratar esse assunto da melhor forma possível através do drama da mocinha da história. Marina Ruy Barbosa está impecável no papel e Eliza já pode ser considerada seu melhor papel na carreira. A atriz consegue passar muito bem todo o trauma que a sua personagem tem e o medo constante do asqueroso padrasto, Dino (Paulo Rocha). A sequência em que Dino chega ao estúdio e apavora Eliza foi empolgante. Vale elogiar ainda a ótima cena protagonizada por Marina e Leona Cavalli, quando Eliza tentar alertar de novo a mãe sobre Dino e ela ignora, o que abala a relação das duas. Infelizmente, é o que mais acontece na vida real. Muitas mães preferem acreditar no marido assediador do que na filha assediada, já que "homem tem suas necessidades", mulher não pode "ficar provocando", enfim. Os autores vêm conduzindo toda esse drama com habilidade, mostrando que é possível inserir temas sérios em um folhetim das sete que prima pela leveza e bom humor. Pena ter sido ofuscada pelo interminável/chato concurso.


P.S.: Amei a volta da maravilhosa Glória Menezes na trama. Stelinha estava fazendo falta e já voltou proferindo várias pérolas. Ela e Reginaldo Faria estão formando uma deliciosa dobradinha

  O PIOR DA SEMANA  


MARA É FELIZ COMO SUBCELEBRIDADE?



Eu adoro a Mara Maravilha. Sou fã e torci muito pra ela na Fazenda. Mas foi vergonhoso ver a Mara vestida de Xuxa no programa da Eliana. Que confusão! Mara teve sua importância quando foi apresentadora infantil nos anos 80/90, minha gente, não precisava pagar esse mico gigantesco...

FINAL DE A REGRA DO JOGO


A Regra do Jogo foi uma novela ousada, criativa e original. Essencialmente masculina, com uma narrativa em formato de série americana, priorizando a ação em detrimento ao romance, trabalhou o tempo todo com a dualidade do ser humano, discutindo a ética e o limite entre o certo e o errado, entre o que é perdoável ou não, entre o bem e o mal, não teve pena ao matar personagens que pareciam ser essenciais à trama, retratou o funcionamento de um esquema mafioso entranhado em todas as camadas da nossa sociedade, colocou um milionário elitista como o grande chefão de uma facção criminosa que visava criar uma milícia privada para erguer uma nova ordem no país, traçou um paralelo assustadoramente real com a atual situação do nosso país (confira aqui), foi repleta de segredos, mistérios, reviravoltas... Ufa! Por tudo isso, chegou a ser decepcionante a sua derradeira semana: sem muitas novidades, repleta de clichês e com situações forçadas ou mal explicadas.


O confronto que abriu o último capítulo, com o embate mortal entre Zé Maria, Juliano, Romero e Atena, foi muito bem desenvolvido e impactante. Ficamos por quase dez minutos sem respirar. Poucos autores conseguem fazer isso com o telespectador e, justiça seja feita, João Emanuel Carneiro sabe fazer isso como ninguém. Como já era de se esperar, Romero não teve coragem de seguir a ordem de Zé Maria para matar Juliano. O lutador ficou lá, fazendo uma espécie de "terapia de grupo" com os dois vilões, convencendo Romero de que ele era bom, não devia puxar o gatilho. No meio disso tudo, foi revelado um dos grandes mistérios da trama que havia caído no esquecimento: quem matou Djanira foi Zé Maria. Os minutos foram passando, até que deu tempo do capanga da facção Noé chegar. Zé Maria se irritou e ordenou que ele matasse o próprio filho. Romero atirou no capanga para salvar o lutador. Atena tomou um susto e atirou no Zé, que, por sua vez, atirou em Romero.

Romero dançando (Foto: Gshow)

Matar o protagonista não é mais novidade na televisão. Ainda mais se ele for interpretado pelo Alexandre Nero (na próxima, já pode pedir música no Fantástico!). Mas a cena da morte de Romero (muito bem dirigida, ágil e com uma atuação esplendorosa do Alexandre Nero) foi memorável e teve seus momentos de surpresa, como quando ele dança ao som de Trouble do Elvis Presley antes de cair duro no chão. Genial! Já se tornou uma das mortes mais icônicas da teledramaturgia. Tony Ramos, Cauã Reymond, Giovanna Antonelli e Tonico Pereira também brilharam na mais impactante sequência da noite e nos desdobramentos que culminaram nesse embate mortal. Lindo e emocionante o casamento simbólico celebrado por Ascânio entre Atena e Romero, assim como o momento em que Atena chora copiosamente sobre o corpo do amado e lhe dá um último beijo. O enfrentamento entre Zé Maria e Juliano e a prisão do bandidão foram arrepiantes. Aliás, Tony ocupou o posto de grande vilão da trama nos instantes finais e esteve sublime, comprovando porque é o maior ator desse país.

resumao-morte-pai-10

Entretanto, o repetitivo e batido "quem matou?" fez com que toda a inventividade do JEC com a trama da facção rolasse escada a baixo. É verdade que toda a sequencia dos instantes finais de Gibson, no qual ele aterroriza a própria família mantendo-a refém e acaba sendo misteriosamente assassinado, foi sensacional. José de Abreu saiu de cena em grande estilo. Mas esperava-se mais criatividade de Carneiro. Até porque o recurso nem sequer prendeu a curiosidade do público como deveria de tão avulso e desnecessário que foi. Só serviu para encher linguiça. Um dos piores "quem matou?" da história da teledramaturgia. Ao menos, a revelação do assassinato foi menos frustrante: Kiki matou Gibson. Coerente e compreensível, depois de tudo que ela passou nas mãos do vilão. Um prêmio ao trabalho da Deborah Evelyn, que entrou na metade e não saiu do tom em momento algum.


Vanessa Giácomo ficou completamente esquecida no final. Tóia passou a última semana inteira na cadeia e só foi libertada no último capítulo, aparecendo pouquíssimo. Mas poderia nem ter dado o ar de sua graça. Ficou sem função no fim. No restante do grand finale, um blá-blá-blá sem graça e sem importância, comprovando tudo aquilo que foi A Regra do Jogo: um sanduíche intragável de tramas paralelas. Aliás, todo o núcleo do Morro da Macaca foi resolvido em uma única cena. Destaque para Juca, que nem sequer apareceu e foi apenas mencionado. Estou reclamando? Claro que não! Quero que se explodam! O ritmo frenético só voltou a dar o ar de sua graça quando Atena e Ascânio apareceram na Itália continuando dando golpes. Quando a estelionatária chamou por Romerito, cheguei a levar um susto, mas era apenas o filhinho do casal. A imagem dela segurando a criança emocionada, ao som de Photopraph (Ed Sheeran), foi lindinha, encerrando a história dignamente.


Um final com poucas surpresas e previsível demais para uma trama que se desenvolveu de forma tão ousada, como bem disse no início da matéria. Isso sem falar em alguns furos e esquecimentos. Se Romero sempre amou verdadeiramente e incondicionalmente a Atena, como pareceu ser nos dois últimos capítulos, porque passou a trama inteira dando um "chute na bunda" dela e correndo atrás da Tóia? Por que Belisa demorou três anos para colocar Nelita, Kiki e Nora contra a parede para esclarecer o assassinato de Gibson? Como o filho de Atena com Romero (que nasceu beeeem depois) é bem mais novo que a filha de Tóia com Romero? Zé Maria resolveu tomar o lugar de Gibson na fação porque ele tinha ordenado a morte de Juliano... E, depois que toma, resolve que o filho irá morrer na sua frente?! Tóia não sofreu nenhum processo por tentativa de homicídio a Romero? Só porque ele estava vivo, ela não deixou de ter tentado matá-lo. Aliás, porque ela homenageou o homem que tanto odiou e destruiu sua vida colocando o nome do hospital de Romero Rômulo? Em depoimento, Kiki disse que descobriu que Gibson era o Pai da facção após escutar uma conversa dele com Romero. Mas com isso é possível se Romero só foi descobrir que Gibson era bandido dez anos depois? Problema de memória? Que fim levou a facção? Foi desbaratada? Se reorganizou? Da mesma forma que a morte de Gibson não foi suficiente para acabar com a facção (eles elegeram um novo Pai e continuaram com os trabalhos), a prisão de Zé também não deve ter sido. Para uma novela que veio mostrando o tempo inteiro que o crime está entranhado em todas as camadas da nossa sociedade, o desfecho da facção acabou ficando em segundo planoo. Não foi o pior final de novela que já vi, mas deixou a desejar. 


P.S.: Vocês já perceberam que os finais das novelas do JEC são sempre os mesmos? Todo gancho final para o último capítulo é alguém apontando a arma para alguém. São sempre três variações: 1 - o vilão fazendo os mocinhos de refém com uma arma (A Favorita); 2 - o vilão fazendo os mocinhos de refém com uma arma e obrigando um outro vilão a matá-los, mas ele não mata e salva os mocinhos (Da Cor do Pecado, Avenida Brasil, A Regra do Jogo); 3 - o vilão coagindo o filho a matá-lo com um tiro, mas ele se recusa e o vilão é preso (A Favorita e A Regra do Jogo). Muita criatividade, não é mesmo?


sábado, 12 de março de 2016

A Regra do Jogo: uma "novelérie" que não deu certo



Uma novela em forma de série. Ou uma série em forma de novela. A Regra do Jogo foi um produto híbrido, misturando duas formas de narrativa televisiva completamente diferentes. Uma dominante entre nós, no Brasil, e a outra dominante nos Estados Unidos e boa parte do mundo. Uma série é muito mais focada em termos de personagens e tramas. Todas as histórias se tocam, mas não há necessariamente lógica ou entrosamento entre os núcleos, como nos folhetins. O número de personagens é muito menor. Todo episódio tem uma sequência, que deve ser seguida, onde cada episódio interliga o anterior. É necessário assistir todos ou, pelo menos, a maior parte dos episódios, na sequência correta para poder entendê-la, tendo sua conclusão apenas no ultimo episódio.

Essencialmente masculina, com personagens centrais homens (Gibson, Romero, Zé Maria, Dante e Juliano) e uma trama principal de narrativa seriada que priorizava a ação e o drama em detrimento ao melodrama folhetinesco e romântico, A Regra do Jogo deixou de lado o tom folhetinesco, próprio do gênero. Prova disso são os seus capítulos, que emulavam os episódios de séries americanas com títulos diferentes a cada dia. Entretanto, para atender a demanda novelística, João Emanuel Carneiro teve a necessidade de criar tramas paralelas com alívios cômicos e românticos, ausentes na história central. Servindo para atender o público que está acostumado a consumir novela neste horário, não série, e para encher linguiça, já que cada capítulo tem mais de uma hora de duração e a novela precisa ficar, ao menos, seis meses no ar. A trama central sozinha não renderia uma novela longa.



E foi justamente nesta mistura, sendo duas em uma, que A Regra do Jogo se perdeu. De um lado, a série: os núcleos que cercam os personagens Romero, Tóia e Juliano, mais a família de Gibson e a facção criminosa. Do outro, a novela: a família de Feliciano e os personagens coadjuvantes do Morro da Macaca. Eu fico com a série. Ou seja, enxugaria todas as tramas secundárias e focaria apenas na história da facção, que, por mais inverosímel que fosse, por mais furos que teve, é uma trama envolvente, bem delineada, que prende a atenção com ótimos personagens e um elenco de primeira.

É verdade que as tramas paralelas sempre foram o "calcanhar de aquiles" do JEC até mesmo nas suas produções de maior sucesso (veja aqui). Mas o autor pesou a mão dessa vez. A Favorita era uma novela toda "cinza", sem alívio cômico. Avenida Brasil, por sua vez, era uma novela "colorida". Mesmo com todo o clima de tensão na trama central, o humor estava presente em todo canto. Já A Regra do Jogo tem um núcleo central todo "cinza", mas "colorida" nos núcleos paralelos, que são completamente alheios à história central. Se ainda fossem divertidos, mas não. E isso quebra o ritmo de série de A Regra do Jogo, prejudicando o seu clímax e jogando um balde de água fria no telespectador.


Basicamente, os capítulos do folhetim tem apenas o primeiro e o último bloco dedicados à trama principal, ao passo que a parte do meio fica restrito às paralelas e núcleos cômicos. Dessa maneira, as histórias secundárias ficam ainda mais avulsas dentro da novela e ocupam quase a integralidade do capítulo, tornando-o enfadonho e massante. É quase um abismo quando pula da facção para o Morro da Macaca. Por isso que é bom acompanhar A Regra do Jogo pelo Globo Play ou pelo site da novela após a exibição do capítulo na televisão, com a possibilidade de pular o que não interessa.

Fosse um seriado, seria possível dizer que assistimos a quatro temporadas de A Regra do Jogo. A primeira (a melhor e mais empolgante) durou os 43 capítulos iniciais. Tal como numa série, era necessário acompanhá-la diariamente para não perder o fio da meada. JEC foi entregando sua história aos poucos. Complexa, exigia paciência e atenção. Mas fazia a gente ficar intrigado, curioso e sedento por novas revelações a respeito dos mistérios da trama e do caráter e do passado dos personagens. Entretanto, ao contrário do que se esperava, isso afugentou o público. A novela já começou de pé esquerdo ao herdar a péssima audiência de sua antecessora, Babilônia, e demorou a engatar no Ibope. Ainda mais pela concorrência de Os Dez Mandamentos, que chegou a derrotá-la na audiência por várias vezes. Precisou Moisés abrir o Mar Vermelho e sair de cena para grande parte do público lembrar que A Regra do Jogo existia e a audiência da Globo, finalmente, voltar aos eixos.


A segunda temporada (a mais chata) se arrastou por cerca de 60 capítulos e deu-se início após a morte de Djanira. Ao contrário do esperado, tal acontecimento acabou atrasando ainda mais o andamento do núcleo principal. Como prejuízo, a mocinha Tóia tornou-se frágil e manipulável, Romero teve seu caminho aberto e muitos mistérios envolvendo a origem dos personagens ficaram sem explicação. Afinal, quem era o pai do Romero? Quem é a mãe de Juliano? Por que Adisabeba odiava tanto o Romero? Até o assassinato misterioso de Djanira caiu no desinteresse. A história começou a dar voltas, a patinar, a enrolar o público. Por diversas vezes, quase todos os personagens se viram às voltas com situações parecidas em um ciclo vicioso. Quando o público achava que aconteceria alguma coisa nova, voltava a estaca zero. A Regra do Jogo necessitava urgentemente de uma grande virada.

E essa grande virada só aconteceu na terceira temporada, por volta do centésimo capítulo. A chegada de Kiki e a revelação de que Gibson era o Pai da facção criminosa da história trouxeram luz ao jogo maniqueísta e repleto de camadas proposto pelo autor. Foi a partir desse momento, que a novela finalmente caiu nas graças do público e viu sua audiência crescer gradativamente. O problema é que a coerência é o mínimo que se espera de uma trama policial. E A Regra do Jogo começou a subestimar a inteligência do público com pontos mal explicados. Crimes esquecidos, situações forçadas e mal explicadas, uma polícia totalmente ineficiente que nunca enxergava nada a sua frente, uma facção frouxa demais, com bandidos bem pangarés, enfim... Tendo à disposição tantas séries policiais de qualidade na TV, foi difícil para o telespectador engolir uma trama tão mal costurada.


A quarta, e última, foi a mais curta e mais maluca de todas. Curiosamente, a de maior sucesso. Nas últimas três semanas, apesar do ritmo intenso, A Regra do Jogo virou um novelão mexicano, repleto de golpes baixos do autor, se permitindo cair no clichê da mocinha que é sequestrada pelo vilão que possui uma paixão obsessiva por ela ou do vilão que consegue fugir de um comboio policial de uma forma simples e típica de novelas e até um batido e desnecessário "quem matou?". Virou uma montanha russa de emoções que atropelou demais o caráter de cada personagem. Três, em especial: Romero, Zé Maria e Gibson. Romero era louco por Tóia porque ela despertava o seu lado bom. Mas que lado bom, se virou sequestrador da própria e deixou que ela fosse para a cadeia pelo seu falso assassinato que ele próprio armou? Do nada, Romero passou a amar incondicionalmente a Atena. Mas se amava tanto a golpista, porque passou a trama inteira correndo atrás da Tóia? Zé Maria era bonzinho, virou vilão, voltou a ser bonzinho e, no final, virou vilão de novo. Gibson, um psicopata frio, calculista e meticuloso, surtou do nada e passou a agir como um bandidinho pé de chinelo.

Espero uma quinta temporada onde descobriremos que fim levou a facção e a esclerose múltipla de Romero, entre muitos outros pontos soltos que foram esquecidos ou deixados de lado.


Com um elenco estelar, as peças desse grande tabuleiro de jogo de xadrez foram o ponto alto da produção. Destaque absoluto para Alexandre Nero (Romero), Tony Ramos (Zé Maria), Cassia Kis (Djanira), Deborah Evelyn (Kiki), Tonico Pereira (Ascânio) e José de Abreu (Gibson), que, sem dúvida nenhuma, dominaram a novela com atuações marcantes e memoráveis. Marco Pigossi (Dante, o policial mais burro da história das telenovelas) e Vanessa Giácomo (Tóia, a Chatóia que virou Idiotóia) também deram um show, mas foram prejudicados pela ingenuidade excessiva dos seus personagens. Renata Sorrah (Nora), Cauã Reymond (Juliano) e Barbara Paz (Nelita) também merecem menção.

Suzana Vieira e Giovanna Antonelli defenderam bem seus personagens, mas Adisabeba e Atena decepcionaram. Adisabeba foi anunciada como a Rainha do Morro da Macaca, mas viveu situações patéticas que não combinam com uma dona do morro e dignas de uma coadjuvante qualquer não de uma senhora que não tem paciência pra quem tá começando. E Atena, apesar de ter sido muito carismática e a queridinha nas redes sociais, não chegou nem a 1% de ser uma nova Carminha. De promessa de grande vilã, virou uma boboca apaixonada pelo Romero. A sua sorte (e a nossa também) é que Antonelli e Nero, mais uma vez, mostraram uma química fora do normal e roubaram a cena com o casal Romena, assim como Atena e Ascânio formaram uma dupla tragicômica genial.

O problema é quando se tem muita estrela e elas não brilham como deveriam. Volta e meia, certos personagens sumiam, enquanto outros núcleos eram explorados a exaustão até a última gota, assim como o número de papéis que não fariam falta nenhuma se não existissem e de grandes atores desperdiçados. O que foi a grande maioria. Quem não era do núcleo central, ficou "apagado".



A Regra do Jogo encerra sua trajetória em alta, elevando a audiência em três pontos em sua média geral (28 contra 25 da antecessora, embora esta média seja a segunda pior da história da faixa). A história prometeu uma instigante e forte trama central, norteada pela dubiedade e pelos dilemas morais do bem e do mal. Porém, embora tenha ganhado força com a revelação de peças-chave em sua segunda metade, foi prejudicada por situações forçadas e mal-explicadas, furos e pelo excesso de núcleos paralelos desinteressantes, além de desperdiçar talentosos atores em personagens que prometiam, mas ficaram só na promessa e histórias que pouco ou nada acrescentavam.


João Emanuel Carneiro é um dos mais talentosos novelistas do Brasil, porém, a atual trama pode ser considerada o seu primeiro deslize. No saldo geral, não é tão desastrosa como suas cinco antecessoras. Sim, eu considero sim A Regra do Jogo a melhor novela (ou a menos pior, depende do ponto de vista) desde Avenida Brasil. Não possui os erros crassos de roteiro e direção de Salve Jorge, não possuiu o texto pobre de Amor A Vida, é infinitamente superior à Em Família e Babilônia e possui uma trama central mais forte e envolvente que a de Império. Porém, fica a sensação de que poderia ter sido bem mais do que foi. Que o autor tenha melhor sorte na próxima trama. Vitória na guerra, JEC!


MINHA NOTA: 7. E VOCÊ? QUE NOTA DÁ PARA A REGRA DO JOGO?


quinta-feira, 10 de março de 2016

Os 20 Melhores Vilões da Teledramaturgia



A dramaturgia nacional não é lá muito favorável às figuras masculinas como dotadas de grande maldade. Pare e pense: você se lembra em quantas novelas o vilão central era um homem? São raros os exemplos. Durante anos, a telenovela carregou o ranço de ser uma atração exclusivamente feminina, estigma que só foi perdendo a partir dos anos 70, com Irmãos Coragem, de Janete Clair, que trouxe, pela primeira vez, os homens para a frente da TV por causa de sua trama masculina que misturava faroeste e futebol. Embora já não seja mais exclusividade há décadas, ainda sim, as mulheres são, na maioria absoluta das vezes, o papel mais fundamental de toda trama. As histórias, claro, independem do gênero, mas são elas o centro da história. Principalmente, no quesito vilania. Carminha (Adriana Esteves), Flora (Patrícia Pillar), Nazaré (Renata Sorrah) e Odete Roitman (Beatriz Segall) que o digam. Por isso, quando surge um ator encarnando um vilão, ele tem uma chance única e enorme de brilhar. Vem comigo e acompanhe os 20 melhores vilões da dramaturgia nacional.

20º lugar: Conde Vlad de Vamp



De figura diabólica que faz um pacto com Natasha (Cláudia Ohana) a transformando em estrela do rock, o Conde Vladimir Polanski (Ney Latorraca) foi, aos poucos, ganhando traços cômicos seguindo o estilo de chanchada que foi tomando conta de Vamp. Sucesso entre o público infanto-juvenil, o vampiro-chefe da novela nutria um amor obsessivo de vidas passadas com Natasha. Acabou derrotado por Jonas (Reginaldo Faria), após invadir a Baía dos Anjos. Um dos personagens mais carismáticos dos anos 90, Vlad prometeu que um dia voltaria. Continuamos esperando…

19º lugar: Delegado Nogueira de Vidas Opostas



Antes de ser possuído pelo espírito do Crô, Marcelo Serrado já fazia sucesso muito antes de ir para a Globo como o perverso delegado Dênis Nogueira, perigoso psicopata que se escondia atrás de uma máscara de homem de bem e culto. Cruel com a esposa, a corrupção no trabalho era seu forte.

18º lugar: Filinto Guerra de Amor e Revolução



Não é só de remakes de novelas infantis baseadas em roteiros mexicanos que vive o SBT. Quer dizer, não há alguns anos atrás, quando produziu uma novela adulta 100% original: Amor e Revolução, que, apesar de ter sido um fracasso, abordou o nebuloso período da ditadura militar do nosso país de forma primorosa. E o grande destaque da novela foi o vilão Filinto Guerra (Nico Puig). Sociopata, sádico, abusivo e de péssimo caráter, ele era um dos representantes principais das trocentas cenas de tortura na novela. Uma das suas maldades marcantes foi quando ele supostamente matou sua própria mulher, Olívia (Patricia de Sabrit), que não morreu e voltou como Violeta para se vingar.

17º lugar: Ravengar de Que Rei Sou Eu?



O sinistro Ravengar (Antonio Abujamra) era o feiticeiro da corte da Rainha Valentine (Tereza Rachel). Era ele o idealizador dos planos nefastos para destruir Jean Piérre (Edson Celulari), o verdadeiro herdeiro da coroa, e impedir que o mesmo assumisse o trono. Obcecado por Madeleine (Marieta Severo), foi capaz de hipnotizá-la e a possuir sem sua vontade. Com o falso Rei Pichot (Tatu Gabus) morto e Jean Piérre coroado, no último capítulo, retornou a Avilan com nova identidade para destruir os rebeldes. Ravengar fez parte dos pesadelos de muita gente que cresceu nos anos 90.

16º lugar: Dom Jerônimo Taveira de A Muralha



Fanático religioso hipócrita na vila de São Paulo do século XVII, Dom Jerônimo Taveira era a personificação de sadismo e crueldade. Entre as vítimas do seu abuso, estavam Ana (Letícia Sabatella), uma jovem obrigada a se casar com o vilão, e a índia Motira (Maria Maya), que sofria nas mãos também do braço direto do tirano, Leonor (Ada Cheovov). Tomado pela loucura crescente, Jerônimo perseguia e condenava a morte na fogueira qualquer um que fosse contra suas ordens. Acabou por se suicidar ao se jogar em uma fogueira, após ser esfaqueado por Dom Guilherme (Alexandre Borges). Graças a excelente atuação de Tarcísio Meira, é um dos vilões mais asquerosos de todos os tempos.

15º lugar: Zé Maria de A Regra do Jogo



Tal qual a Flora (Patrícia Pillar) de A Favorita, Zé Maria enganou o público com sua cara de bom moço e seu discurso de inocente injustiçado, revelando-se um bandido impiedoso, capaz de sequestrar e matar friamente pessoas inocentes. Definido pelo próprio ator como um psicopata, Zé Maria é do tipo que não precisa berrar para botar medo. Tony Ramos, finalmente, deixou de lado a fama de bom moço que sempre o acompanhou em sua carreira durante anos e emplacou como um vilão de marca maior. Atena (Giovanna Antonelli) pode ter sido uma decepção, mas os homens não deixaram a desejar em A Regra do Jogo no quesito vilania e marcaram presença na nossa lista.

14º lugar: Donato Menezes de As Noivas de Copacabana



Com uma sexualidade controversa, o bem-sucedido Donato Menezes usava sua fachada de bom moço para seduzir mulheres e matá-las estranguladas na hora do ato sexual seguindo sempre um meticuloso ritual: vestidas de noiva. Ato em decorrência de um trauma do passado, por ter sido abandonado pela noiva. A minissérie fora baseada no caso real de Heraldo Madureira. Em ótima atuação, Miguel Falabella compôs com frieza Donato, o seu melhor momento como ator na televisão. Após ser preso e fugir do manicômio judiciário, Donato termina a série caçando uma nova vítima.

13º lugar: Edu de Dupla Identidade



O serial killer costuma ser o tipo de personagem dos sonhos de qualquer ator: rico em composição, imprevisível e, com sorte, sedutor o suficiente para assustar e conquistar a plateia ao mesmo tempo. Não é uma figura frequente na nossa teledramaturgia, mas com seu Eduardo Borges, Bruno Gagliasso, ator dos mais dedicados de sua geração, conseguiu inscrever na TV brasileira o tipo que mata por matar a granel, fazendo dos seus encantadores olhos azuis dois espelhos embaçados pela maldade. Entre assustador e sexy, Edu causava arrepios. E Bruno, novamente, deu um show como vilão.

12º lugar: Jackson de Vidas Opostas



Olha o Rei do Torto aí, geeeente! Heitor Martinez viveu seu melhor momento na carreira como Jackson, um bandidão temido que sai da prisão e volta ao morro onde morava liderando uma quadrilha de traficantes e toma numa batalha a boca de fumo do local, transformando-se o novo todo poderoso do Morro do Torto. Jackson mandava e desmandava e quem não obedecia suas ordens, "ia conversar com o capeta". Ele também queria ter Joana de qualquer jeito, para que ela more com ele e seja a Rainha do Torto. Mas, obviamente, Joana não quer essa vida, pois é a mocinha da novela. Um tipo tragicômico, Martinez assustava só com o olhar em sua atuação como o chefe do tráfico. M-E-D-A!

11º lugar: Félix de Amor À Vida



Um dos vilões mais cômicos da nossa lista, Félix ganhou o público com suas tiradas sarcásticas, frases de efeito e um bordão que foi ganhando inúmeras variações ao longo da trama. Além de "salgar a santa ceia", Félix (Matheus Solanno) jogou a sobrinha no lixo e fez de tudo para alcançar a presidência do hospital da família, tendo chegado até a conseguir a internação de Paloma (Paolla Oliveira), sua irmã, num manicômio, com direito a eletrochoque. Gay enrustido, ele começou a novela com um casamento de fachada, mas depois de ser desmascarado, perder tudo e se tornar vendedor de hot dog, assume a homossexualidade e engata um romance com Niko (Thiago Fragoso). Alcança a redenção no final da história e junto com Niko protagonizou o primeiro beijo gay da TV Globo, no último capítulo. Irônico, carismático e manipulador, Félix não podia ficar de fora dessa lista. Não é, meu doce?

10º lugar: Marco Aurélio de Vale Tudo



Canalha simpático, um tipo irresistível em novelas, ambicioso e corrupto, Marco Aurélio administrava o grupo empresarial de Odete Roitman (Beatriz Segall). Por conta de negociatas, reuniu uma grande fortuna guardada fora do Brasil. Criado por Gilberto Braga, o vilão muito bem defendido por Reginaldo Faria terminou numa boa, fugindo e mandando uma "banana" para o país.

09º lugar: Mario Liberato de Roda de Fogo



Intérprete de vilões memoráveis como Alex Kundera (de Top Model) e Adalberto Vasconcellos (de A Próxima Vítima), foi com Mário Liberato que Cecil Thiré conquistou seu espaço na galeria de grandes vilões da televisão. Advogado com meios pouco ortodoxos, sádico e corrupto, Mário servia aos interesses de Renato Villar (Tarcísio Meira). Sempre acompanhado por seu mordomo e amante Jacinto (Cláudio Curi), Liberato não media esforços para conseguir o poder, incluindo bater de frente com Villar, que era um protagonista "torto". Criado por Lauro Cesar Muniz, Mário Liberato foi o primeiro vilão homossexual da dramaturgia brasileira. O que causou grande polêmica na época.

08º lugar: Alexandre de A Viagem



Mesmo depois de morto e no além, Alexandre foi muito mais vilão do que muitos vivos. A Viagem tinha como tema central a vida após a morte. O personagem que conduzia as tramas era Alexandre (Guilherme Fontes, um delinquente que se mata na cadeia após ser condenado por roubo seguido de homicídio e, no Vale dos Suicidas, passa a infernizar a vida de todos que julgava responsáveis por seu trágico destino. No final, Alexandre se arrepende de todo mal que fez e passa para o lado branco da força, tornando-se um espírito de luz. Guilherme Fontes é lembrado até hoje por esse trabalho.

07º lugar: Renato Mendes de Celebridade



Curiosamente, os maiores vilões das novelas foram criados por Gilberto Braga, o único autor a investir em homens como protagonistas e antagonistas. Em Celebridade, não foi diferente. Egocêntrico editor da revista de fofocas Fama, o jornalista Renato Mendes (Fábio Assunção) não poupava esforços para assumir o comando do poderoso Grupo Vasconcelos, de seu tio Lineu (Hugo Carvana). Renato aprontou tanto que acabou caindo nas garras da cachorrona Laura (Cláudia Abreu) e, principalmente, no carinho do público. Acabou preso após matar a vilã e o michê dela, Marcos (Márcio Garcia).

06º lugar: Gibson Stewart de A Regra do Jogo



Ele só foi revelado vilão no capítulo 100 da trama. Mas se Gibson já causava náuseas no público por ser extremamente reacionário, "coxinha", conservador e militarista, dizendo em alto e bom som não gostar de pobres, negros e gays, depois que foi revelado que ele era o Pai da facção, aí mesmo que nossa antipatia pelo milionário só aumentou. O personagem de José de Abreu já é um dos melhores e mais detestáveis vilões masculinos dos últimos tempos, sendo capaz de qualquer tipo de crueldade para manter sua organização criminosa e para que seus crimes não fossem descobertos, inclusive contra a própria família, chegando a internar a filha Nelita (Barbara Paz) num hospício e faze-la parecer louca e manter a outra filha Kiki (Deborah Evelyn) presa num cativeiro durante anos. Tudo, segundo ele, em nome de uma "causa" maior que julgava certa. Acabou assassinado misteriosamente com um tiro no peito após surtar e manter toda a família em refém. Derrota na guerra, Pai!

05º lugar: Marcos de Mulheres Apaixonadas



De todos da lista, Marcos é o que mais foge da linha clássica de um vilão e, talvez por isso, o torne absurdamente assustador. Marcos não elaborava planos maquiavélicos para conquistar seus objetivos ambiciosos. Ao contrário, ele era gente como a gente, aparentemente tranquilo, pacato, como muitos que se vê por aí. No entanto, sua esposa Raquel (Helena Ranaldi) sentia na pele o que os olhos dos outros não viam. Ciumento, possessivo e levemente psicótico, Marcos conseguiu lembrança devido a uma irrepreensível atuação de Dan Stulbach, o Tom Hanks brasileiro. Em uma das mais marcantes e chocantes cenas da novela, Marcos agredia a esposa com uma raquete de tênis. As fortes cenas de agressão da novela fizeram a sociedade discutir o problema da violência doméstica, principalmente contra a mulher. Saudades da época de grande momento de inspiração criativa do Maneco...

04º lugar: Felipe Barreto de O Dono do Mundo



Arrogante, mesquinho, debochado, egoísta, sexista e inescrupuloso, são algumas das "qualidades" do cirurgião plástico Felipe Barreto, cuja falta de ética, na época, irritou diversos cirurgiões, que chegaram a protestar junto a Globo. No entanto, o carisma de seu intérprete, Antonio Fagundes, fez com que o público não acreditasse que a mocinha Márcia, de Malu Mader, iria se vingar dele. As maldades de Felipe foram inúmeras: apostou que tiraria a virgindade de Márcia, noiva de um de seus funcionários, antes da lua-de-mel; conseguiu a proeza e causou o suicídio do marido traído. Durante boa parte da novela, se fez de santo para conquistar de vez a jovem. Ao menos nisso, não teve sucesso. No final da trama, tentou seduzir uma moça mais nova ainda e, claro, debochando da cara do público que tinha acreditado em sua regeneração ressaltando que a esposa era virgem. Ou seja, um canalha.

03º lugar: Olavo de Paraíso Tropical



Wagner Moura é um dos atores mais proeminentes da geração atual e encontrou no ótimo texto de Gilberto Braga a chance ideal para brilhar ainda mais. Sua atuação histriônica conquistou o público e a crítica, fazendo do vilão Olavo um dos mais amados pelos telespectadores. Entre suas maldades, tentou de todas as formas manchar a reputação do bom-moço Daniel (Fábio Assunção) para conquistar seu cargo no Grupo Cavalcanti. Além das tramoias contra o mocinho da trama, Olavo é lembrado pelo tórrido romance com Bebel (Camila Pitanga), uma prostituta cheia de "catiguria". A química entre os dois era tanta que o casal se destacou mais que os insossos protagonistas.

02º lugar: Barão de Montserrat de Direito de Amar



Poderoso banqueiro no Rio de Janeiro do início do século 20, o Barão de Montserrat controlava tudo e todos por conta de seu poder. Entre as maldades do vilão, estão manter a esposa trancada num quarto de sua mansão para fingir ser viúvo e exigir a jovem Rosália (Gloria Pires) como pagamento de uma dívida. Montserrat é, sem dúvida, o maior papel da carreira de Carlos Vereza e o mais importante dos vilões do autor Walter Negrão, que teve como base a radionovela de Janete Clair, A Noiva das Trevas.

01º lugar: Leôncio de A Escrava Isaura



Os novinhos que acompanharam a versão da Record para o clássico escrito por Bernardo Guimarães podem achar o Leôncio de Leopoldo Pacheco um cara mau. Isso porque muitos não presenciaram a força imagética produzida pela presença de Rubens de Falco em cena. Para ter uma ideia, o simples nome de Falco em uma novela se esperava um personagem carrasco. Rubens de Falco era sinônimo de horror puro. E tudo isso se deve a Leôncio Almeida, na versão escrita por Gilberto Braga. Inescrupuloso e cruel, o fazendeiro era completamente apaixonado pela escrava branca Isaura (Lucélia Santos). Antes de morrer, a mãe de Isaura deixou pra filha uma carta de alforria, mas o vilão escondeu o documento para manter a jovem consigo. Inconformado com a rejeição da doce Isaura, Leôncio atormentou a moça, a obrigando a trabalhar na fazenda e chegou a amarrá-la no tronco. Depois de tantas maldades, ele teve um triste fim: falido e sem o amor de Isaura, se matou. Saiu da vida e entrou para a história como o maior vilão da nossa teledramaturgia de todos os tempos.

Qual o seu vilão masculino favorito? Esqueci de mais algum? Diz aí!


quarta-feira, 9 de março de 2016

BBB16 | Ana Paula saiu da vida para entrar na história



Serenamente, dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História. Foi com essa célebre frase, deixada por Getúlio Vargas em sua carta-testamento, que o então presidente da república tirou a própria vida e, de fato, entrou para a história desse país e para a memória do povo brasileiro. Desde que ouviu de Boninho "a senhora está eliminada'", Ana Paula também saiu da vida para entrar na história. Ela, que se "suicidou" no jogo após dar dois tapas em Renan, foi expulsa do BBB16, mas seu "espírito" ainda se mantém "vivo" dentro e fora do jogo.


Ana Paula pode até não concorrer mais ao prêmio final e não aparecer todos os dias ali no horário do programa, mas a impressão que dá é a de que ela continua ali e não para de mexer seus pauzinhos. Desde segunda-feira, quando foi ao programa da Ana Maria Braga, a ex-BBB começou a fazer uma campanha forte nas redes sociais para eliminar Adélia. Fez post no Twitter, Facebook, soltou vídeo e detonou a advogada também durante a conversa com Ana Maria. E a loira tinha razão quando afirmou que Adélia seria escorraçada no paredão triplo contra Ronan e Munik. Dito e feito. A versão madura da Ludmilla foi destroçada em todas as regiões do país. Ela recebeu 75,14% dos votos na região Norte, 73,23% no Nordeste, 76,55% no Centro-Oeste, 70,67% no Sudeste e 67,69% no Sul. A advogada ainda obteve 63,02% dos votos enviados por telefone e SMS, o que rendeu mais um ponto para ela. Ao todo, foram computados 73.352.639 votos. Para um paredão triplo foi um massacre.


Em sua trajetória no BBB 16, Adélia mostrou o que melhor sabe fazer: babyliss e fofoca. Me lembro que assim que ela surgiu na casa, eu a achei maravilhosa. Com seu estilo fashion e extravagante, tinha certeza que seria a barraqueira da edição e cheia de frases de efeito. Ledo engano. Apesar de carismática e divertida, durante as primeiras semanas, Adélia passou longe dos holofotes de qualquer trama principal da casa. Seu grande highlight foi a relação com melancias e a periquita (relembre aqui). No entanto, não demorou muito para ela entrar no olho do furacão. Já considerada falsa por alguns colegas da casa, a situação só piorou depois que Ana Paula voltou daquele paredão falso. Apesar de odiá-la, evitava se comprometer e só reclamava pelos cantos, além de constantemente dormir cedo e evitar excessos nas festas. Fez o possível para não ser notada e parecia torcer para ser esquecida, contrastando bastante com seu visual espalhafatoso de quem não quer passar despercebida. Uma contradição em termos que me fez começar a lamentar sua postura.


Adélia virou uma Cobrélia. Com fama de leva e traz, vivia de fofoquinha plantando caraminholas na cabeça de quase todos os confinados. Era a primeira a fazer jogo, mas não aceitava que os outros assumissem a mesma postura. Aos poucos, ela viu seus aliados irem embora um por um. Desesperada para se livrar de Ana Paula de qualquer jeito, a sister chegou a orientar Renan a provocar a jornalista até que ela batesse nele e fosse eliminada por agressão. O que, de fato, acabou acontecendo. Mas a vingança veio a galope. Vingança da Ana Paula e do babyliss, amigo inseparável da Adélia.


Agora é o seguinte: o que é que virou o BBB depois da saída de Ana Paula, hein?! Que chatice sem tamanho! Não acontece mais nada. Logo no primeiro dia sem a Ana, o destaque da edição foi um esconde-esconde de garrafas de leite. E a coisa só piorou nos dias seguintes. Rola uma discussãozinha aqui, um outro come uma maçã ali, alguém vai dormir ou chorar debaixo do cobertor, o insosso casal Catheus fazem sexo, uma folha cai no jardim... Fora isso, zero, nada, nadinha. Era absolutamente claro que isso iria acontecer caso Ana Paula fosse eliminada. Ela movimentava aquilo tudo.


Essa semana, por exemplo, Matheus e Renan acharam legal pegar o dinheiro que tinha sobrado de todos da casa para comprarem um churrasco só para os dois comerem sem avisar a ninguém antes. Não apenas satisfeito em comer se amostrando na frente de todos, Matheus ainda debochou de Geralda: "Obrigado pelo churrasco". Isso porque a patricinha egoísta da história é a Ana, né?


Ronan reclamou. Munik reclamou. Geralda reclamou. Até mesmo Cacau e Adélia, amigas dele, reclamaram. Mas, claro, tudo pelas costas e sem grandes exaltações. Sabe quando que Matheus e Renan iam comprar churrasco com o dinheiro de todos apenas para os dois com a Ana Paula na casa? N-U-N-C-A! Ia rolar barraco e treta, sim ou com certeza? Na boa, a Globo deveria ter dado uma saída pela direita para mante-la na casa. Inventasse uma desculpa qualquer. Poderia dizer que para eliminar Ana também teria que mandar junto Renan e Adélia (que provocaram Ana) e que isso inviabilizaria a temporada. Sei lá, qualquer coisa. Tudo para não perder a moça. Até porque, vamos combinar, aquele tapinha ali não é agressão nenhuma e Renan valorizou horrores a coisa.


Enfim, o fato é que Ana mostra bem sua influência e a força que tinha (e ainda tem) dentro do BBB. Após a sua saída, ela já esteve presente em quatro programas da Globo: no Mais Você, no Fantástico, como tema de uma debate no Encontro com Fátima Bernardes e em duas matérias em dias diferentes no Vídeo Show. Ah, e também apareceu no Pânico da Band. Ou seja, o BBB perdeu sua protagonista, mas faz de tudo para mantê-la "viva" de todas as maneiras. E Ana vai continuar mandando bala em seus desafetos na casa. A vingança da nossa Emily Thorne dos reality shows ainda não terminou. Ou alguém duvida que, mesmo depois de "morta", Ana vai derrubar todos que quiser ali? Olha ela!



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