Não perca nenhum dos nossos posts

sábado, 21 de outubro de 2017

Melhor novela de Glória Perez, A Força do Querer recuperou o prazer de acompanhar com afinco uma boa novela das nove



Faz anos que pedimos uma novela que unisse todas as tribos como foi Avenida Brasil. E parece que, contrariando algumas expectativas, esse momento finalmente chegou. Imensamente criticada em Salve Jorge (não sem razão, pois foi sua pior novela), a autora surpreendeu e resgatou o prazer de acompanhar uma boa novela das nove com afinco. O resultado: um imenso sucesso em todos os sentidos - audiência, público, crítica e repercussão.

Abandonando a antiga fórmula adotada em O Clone e repetida em suas novelas posteriores, Glória Perez mostrou que aprendeu com boa parte de seus erros e apresentou um enredo repleto de histórias fortes, personagens densos e condução ágil em grande parte do tempo.

O ponto de partida de A Força do Querer desta vez trouxe não uma, mas três riquíssimas protagonistas: Ritinha (Isis Valverde), Jeiza (Paolla Oliveira) e Bibi (Juliana Paes). Como é tradição na carreira de Glória, foram elas que ditaram o tom das histórias principais, através de suas vivências, trajetórias, desatinos, sonhos e experiências. Os perfis das três mulheres se complementavam. Ritinha, a sedutora sereia paraense, era uma garota inconsequente e egoísta, capaz de mentir e manipular, mas que não tinha noção do que era certo ou errado e por isso não via maldade em suas ações. Jeiza, a policial e lutadora, foi a representação da mulher dos tempos atuais, que mostra que pode fazer o que quiser e não deixa de ser feminina e sensual mesmo estando em ambientes considerados masculinos. Bibi, inspirada na história de Fabiana Escobar, foi o perfil mais atraente e controverso, ao se envolver com o malandro Rubinho (Emílio Dantas) e embarcar no mundo do crime, para desespero da mãe - um relacionamento que mais tarde se mostraria bastante abusivo.

Em paralelo às protagonistas, se desenvolveram os dramas da família Garcia. Joyce (Maria Fernanda Cândido), casada com Eugênio (Dan Stulbach), acreditava ter uma família perfeita, mas seu castelo de ilusões desmoronou aos poucos ao descobrir que o filho Ruy traiu a noiva Cibele (Bruna Linzmeyer) com a sereia Ritinha e a filha Ivana (Carol Duarte) não se identificava com seu gênero, enquanto o marido, desanimado com o casamento, se deixou seduzir pela interesseira Irene (Débora Falabella). O merchandising social, também recorrente nas obras de Glória Perez, se fez presente através da abordagem de temas como o vício em jogos de azar, através de Silvana (Lilia Cabral); identidade de gênero, protagonizada por Ivana e por Nonato (Silvero Pereira), motorista que levava uma vida dupla, se travestindo como Elis Miranda; e o combate ao crime, através de Jeiza.

Nesta novela, Glória aprendeu com grande parte dos erros cometidos nas novelas anteriores. A autora desta vez trabalhou com um grupo mais enxuto e as histórias foram bem melhor entrelaçadas, permitindo uma maior integração entre os núcleos e personagens. Os dramas das protagonistas foram abordados através de um rodízio, onde uma tem destaque por um certo período, passando para a outra e assim por diante.

A direção da equipe de Rogério Gomes foi outro ponto positivo. A chegada do novo diretor foi um upgrade e tanto, o que permitiu que o afiado texto de Glória se agigantasse na tela. Além disso, várias grandes cenas foram de tirar o fôlego, especialmente as operações policiais e os bailes funks ocorridos no Morro do Beco. E a escolha do elenco foi um grande acerto em sua maioria, com alguns nomes vivendo os melhores papeis de suas carreiras e apresentando promissoras revelações.

Isis Valverde, Paolla Oliveira e Juliana Paes, três grandes estrelas, honraram a força do trio protagonista. Isis esteve fantástica na pele da sereia Ritinha, mostrando todas as facetas do papel com competência e deu um ar misterioso e sensual que coube como luva para a garota paraense. Paolla, por sua vez, ganhou sua protagonista mais completa. Jeiza foi uma personagem cativante e irresistível: policial competente, lutadora cheia de energia e mulher decidida, linda e sexy. E Juliana Paes, maior destaque entre as três, esteve em completo estado de graça, retratando genialmente a impulsiva Bibi, que foi capaz de entrar para o mundo do crime e colaborar com bandidos da pior espécie, em nome do desejo de ser idolatrada - nas palavras dela, "amar grande e ser amada grande". Bibi irritou em muitos momentos por sua extrema cegueira em relação ao Rubinho e por não ouvir sua mãe (e Juliana foi maravilhosa em todas estas fortes sequências. Assim como Ritinha, despertou paixões e ódios.

Dan Stulbach e Maria Fernanda Cândido, atores que andavam sumidos das novelas, voltaram ao formato e se destacaram na pele do casal em crise - aliás, ela foi um dos maiores destaques da novela, mostrando sua competência ao interpretar a dondoca Joyce. Elizângela, intérprete de Aurora, mãe de Bibi, viu sua personagem crescer merecidamente com o destaque da trama de Bibi e emocionou com o desespero da mãe, tornando-se uma porta-voz do público. Zezé Polessa divertiu na pele da interesseira Edinalva, mãe de Ritinha; Emílio Dantas fez uma impecável composição do bandido Rubinho; Tonico Pereira e Luci Pereira formaram uma ótima dobradinha como Abel e Nazaré, pai e tia de Zeca; Lilia Cabral foi fantástica na pele de Silvana; Marco Pigossi e Humberto Martins mostraram versatilidade (dando ótimas nuances que distanciaram seus atuais perfis de outros personagens da carreira); Karla Karenina e Cláudia Mello fizeram de Dita e Zu ótimas confidentes; e Juliana Paiva, mesmo com um papel de orelha, finalmente se libertou dos traços de Fatinha, sua personagem em Malhação, e mostrou que é uma atriz promissora.

A novela ainda trouxe ótimas revelações, a começar por Carol Duarte. A estreante, responsável por Ivana, a garota transgênero que se transforma em homem (Ivan), mostrou uma impressionante maturidade para um primeiro trabalho e protagonizou sequências belíssimas. Silvero Pereira, intérprete do chofer Nonato, que se transforma em Elis Miranda, também esteve perfeito e formou uma excelente parceria com Carol. Dandara Mariana, como Marilda (amiga de Ritinha), fez uma divertida dupla com Isis Valverde. João Bravo, como Dedé, filho de Bibi e Rubinho, foi a grande revelação mirim do ano e emocionou em todas as cenas. Lorenzo Souza, o Ruyzinho, apesar de sua muito pouca idade, encantou pela graciosidade, fazendo todo o elenco (e o público) se apaixonar pelo filho de Ritinha.

Pouco mais tarde, foi a vez de Jonathan Azevedo cair nas graças do público. O intérprete do bandido Sabiá, com seu linguajar do morro, tornou o personagem um dos mais carismáticos da trama, apesar dos crimes nas costas (tanto que a autora desistiu de matar Sabiá e o deixou até o fim). E a novela ainda contou com o retorno de Carla Diaz, que estava atuando na Record, na pele da periguete Carine, a "protegida" de Rubinho, reeditando a parceria com Juliana Paes, agora como rivais.

Porém, mesmo numa boa novela, nem tudo funciona a contento. Também é preciso abordar onde a trama não foi feliz. O erro mais grave foi a escalação de Fiuk para o viver o Ruy. A falta de traquejo do rapaz e sua inexpressividade fizeram com que o personagem (um tipo imaturo e intragável em essência) se tornasse ainda mais insuportável, comprometendo seriamente o conjunto. Isto ficou ainda mais evidente nas cenas que exigiam mais dele, destoando muito dos demais.

Outro erro foi a vingança de Cibele. A ex-noiva de Ruy embarcou em um projeto de se vingar do rapaz que não teve resultado prático nenhum e só mostrou a falta de amor próprio da garota. Tanto que ela perdeu a função ao longo da novela e a personagem de Bruna Linzmeyer não tinha mais razão de existir. Aliás, Bruna não foi a única que ficou avulsa. Outros nomes não tiveram muito destaque, mesmo com um elenco mais enxuto e melhor aproveitado. Foram os casos de Edson Celulari (Dantas, um sócio de Eurico que era apaixonado por Silvana), Gustavo Machado (Cirilo, amigo de Caio), Michele Martins (Shirley, namorada de Dantas), Mariana Xavier (Biga, secretária de Eurico) e Lua Blanco (Anita, amiga de Cibele). A participação de Fafá de Belém como Almerinda, mãe de Zeca, também não disse a que veio.

A vilania de Irene, que prometia atingir todos os núcleos, se restringiu apenas a infernizar a vida de Joyce e Eugênio (inclusive com o surrado clichê da falsa gravidez). A psicopata, cujo nome verdadeiro era Solange Lima, não chegou a apresentar grandes maldades na novela. Ainda assim, Débora Falabella mostrou seu talento e versatilidade e a sequência da morte de Irene, com toques de filmes de terror, impactou.

Ainda se deve enfatizar a má condução do enredo de Silvana, que andou em círculos durante muito tempo e apresentou duas falsas viradas. Eurico chegou a descobrir o vício da mulher e ela foi para uma clínica psiquiátrica, mas logo ela conseguiu fugir e tudo voltou à estaca zero. A repetição cansou, bem como a eterna cumplicidade de Dita e o fato de Eurico não desconfiar de nada.

A novela também chegou a despertar críticas de setores mais conservadores, especialmente em função da história de Bibi - muitos enxergaram apologia e glamourização do crime no enredo. Neste caso, porém, a própria condução do enredo tratou de quebrar este argumento, através da presença de Aurora (a mãe desesperada pela vida criminosa da filha) e Jeiza, a policial competente, e Caio, o advogado incorruptível.

Um ponto que também desagradou foi a resolução dos principais dramas da novela apenas nos últimos capítulos (em vez de fazê-lo gradualmente ao longo do último mês). Com muitos desfechos a se resolverem, havia a chance de o final ficar corrido e as cenas não terem o impacto que mereciam. E, de fato, foi o que se viu em parte do último capítulo. Muitas soluções ficaram corridas, como o momento em que Eurico descobriu que Nonato se traveste como Elis Miranda (o empresário aceitou a situação de forma muito rápida) e o sequestro de Simone, em que Silvana finalmente admite ser viciada em jogos de azar. Também não ficou crível a repentina amizade entre Ruy e Zeca (que passaram a criar Ruyzinho juntos), após a tempestade que os dois enfrentaram novamente (como no primeiro capítulo). Alguns desfechos foram exibidos apenas no bloco final, narrados por Garcia (Othon Bastos). A novela merecia, no mínimo, mais uma semana para tudo ter sido desenvolvido com mais calma e satisfatoriamente.

De qualquer forma, com mais acertos que erros, Glória Perez conseguiu o que parecia improvável nos últimos anos: resgatar a mobilização em torno de uma novela das nove e fazê-la cair na boca do povo. Como resultado, se tornou o maior sucesso do horário desde Avenida Brasil, chegando na incrível (e dificílima de ser alcançada atualmente) casa dos 50 pontos no Ibope em seu último capítulo. Por tudo que apresentou, A Força do Querer não é apenas a melhor novela das nove dos últimos anos. É também a melhor novela de Glória Perez, superando até mesmo a aclamada O Clone. A autora mostrou uma clara reinvenção em seu estilo, criou grandes dramas e personagens ricos, escalou um time de primeira, com inúmeros talentos e poucas exceções, e apresentou uma novela forte, intensa e deliciosa de acompanhar. A Força do Querer já deixou saudades e fatalmente deverá ganhar diversos (e merecidos) prêmios no final do ano.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Novo Mundo: ótima junção de História e entretenimento



E acabou-se o que era doce... Hoje (25) chegou ao fim Novo Mundo. A trama das seis de Thereza Falcão e Alessandro Marson foi uma agradável surpresa que, ao misturar folhetim com figuras históricas, fazendo uma aventura de época inserida no início do Brasil Império, conseguiu manter o interesse do público e entregar uma trama redonda, divertida e sem barrigas.

A trama foi uma sucessão de acertos. A saga de Anna (Isabelle Drummond) seguiu a cartilha do folhetim básico, trazendo uma mocinha que tinha a sua força. Como era uma trama de época, a heroína, claro, era à frente do seu tempo, fugindo da chatice das protagonistas convencionais. Teve sua cota de dramalhão, sequestros e de cárcere, mas nada que prejudicasse o andamento da trama. Ao seu lado, outro herói idealizado, mas bem eficiente. Joaquim (Chay Suede) era quase um super-herói onipresente, mas funcionava, graças ao bom texto e ao carisma impresso pelo ator ao personagem.

Mas foi o casal que andou ao lado dos heróis que concentrou os olhares do público que curte uma boa história de amor. Os personagens históricos Dom Pedro I (Caio Castro) e sua primeira esposa, Leopoldina (Letícia Colin), caíram nas graças da audiência, sobretudo em razão do excelente trabalho da atriz, que deu humanidade à princesa. Assim, valeu a "licença poética" da trama, que aproveita do recorte da época retratada para dar um final feliz ao casal (infelizmente, na vida real, o destino da princesa foi bem melancólico), ao mesmo tempo em que conferiu ares de vilã à amante de Pedro, Domitila (Agatha Moreira).

Além do folhetim tradicional, os autores foram felizes ao usar a temática histórica para fazer um paralelo com o Brasil atual. Com muita sagacidade, Thereza Falcão e Alessandro Marson colocaram na boca de seus personagens diálogos de duplo sentido, que encaixavam perfeitamente no contexto atual do país. O resultado foi uma novela com diversas camadas, que não saía de seu objetivo principal, o entretenimento, mas que também era capaz de provocar o público e despertar a reflexão.

Além disso, Novo Mundo tinha uma galeria de personagens simpáticos, carismáticos e muitos divertidos, que sempre protagonizavam ótimas cenas e situações. Uma delas é a atriz Elvira Matamouros, sem dúvidas o melhor trabalho de Ingrid Guimarães na TV. A personagem começou como uma vilã, que fazia de tudo por amor a Joaquim, atrapalhando o romance dele com Anna. Quando cumpriu sua missão nesta trama, caminhava para a morte, mas o público tratou de "salvá-la". A solução encontrada pelos autores, então, foi armar uma falsa morte para Elvira, fazendo sua trama andar, mas colocando-a como uma carta na manga, para ser sacada num momento oportuno. E, quando voltou, Elvira assumiu de vez sua porção cômica, em novas situações. Elvira formou uma equipe e tanto com Germana (Vivianne Pasmanter) e Licurgo (Guilherme Piva), tipos impagáveis donos de uma pavorosa estalagem. Intrometidos, sem asseio e com muita cara-de-pau, o casal roubou todas as cenas com muito humor e até alguma crítica social. Elvira, Germana e Licurgo, juntos, foram os responsáveis pelos melhores momentos da trama.

Outro destaque foi o interessante triângulo amoroso formado por Wolfgang (Jonas Bloch), Diara (Sheron Menezzes) e Ferdinando (Ricardo Pereira). Os três personagens tão simpáticos, que ficou difícil tomar partido na situação. E o núcleo ganhou um tempero e tanto com a entrada da terrível Greta, mais um trabalho brilhante de Julia Lemmertz. Outro acerto foi a presença dos piratas que, embora pontual, teve trajetória sempre marcante. Fred Sem Alma (Leopoldo Pacheco) foi um vilão e tanto. Tal como Sebastião (numa interpretação terrivelmente fantástica de Roberto Cordovani, ator premiado na Europa) e, claro, o diabo-mor Thomas (Gabriel Braga Nunes).

Tantos acertos fizeram de Novo Mundo um novelão da melhor qualidade. Agora é aguardar mais um clichezão daqueles que será Tempo de Amar, mas torcer para que nela sejam bem utilizados também.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Os Dias Eram Assim: de "super", só se foi super ruim



Os Dias Eram Assim foi a primeira novela das onze a receber a esquisita nomenclatura de "supersérie". Contudo, encerrada sua exibição nesta segunda (18), pode-se afirmar que nela não teve nada de "super", nem de "série". Foi, na verdade, uma autêntica novela, com todos os elementos do gênero. O que não seria uma crítica por si só, caso fosse um enredo bem conduzido. Não foi o que aconteceu. O texto raso, arrastado, tendencioso e maniqueísta cansou o público, apesar de sua boa audiência (por causa do sucesso de A Força do Querer, é bom deixar claro, que beneficia as atrações seguintes).

Basicamente, Os Dias Eram Assim se apresentou como uma história de amor convencional, cujos mocinhos Alice (Sophie Charlotte) e Renato (Renato Góes) viviam um amor proibido, tendo como um dos obstáculos os desdobramentos dos "anos de chumbo" brasileiros.O pano de fundo funcionava, a ambientação dos anos 1970 era extremamente bem-feita e a trilha sonora, embora não fugisse do lugar-comum, ajudava o telespectador a mergulhar no período histórico ainda recente. O tempo passou e a abertura política no Brasil ganhou força, desde a Lei da Anistia (1979) até as Diretas Já (1984). Neste momento, os mocinhos, finalmente, se reencontram. Parecia que a história finalmente ganharia um novo impulso. Ledo engano.

Alguns capítulos depois, tudo voltou à pasmaceira de sempre. A abordagem do período militar se esvaziou completamente, estando presente apenas na militância de Gustavo, o que irritou bastante. Os personagens perderam suas essências e ficaram cansativos (e isso também inclui os protagonistas, outrora cativante)s. Os núcleos paralelos (como a história envolvendo Toni e Monique; e, principalmente, os personagens que usavam as artes como protesto político, no qual se enquadravam Maria, Leon e Vera) se revelaram todos soltos, mal desenvolvidos e quase sem espaço. A morte de Arnaldo ficou esquecida por muito tempo e só foi relembrada (sem emoção) na reta final.

Para piorar, a loucura de Vitor com a rejeição de Alice chegou a níveis absurdos e surreais, resultando em cenas gratuitas, como a sequência em que o delegado Amaral abusa de Alice. Foi agonizante e desnecessário ver tamanho terror em uma cena sem a menor razão de existir, feita apenas para chocar.



Outro ponto que deixou claras as limitações do enredo da novela foi a personalidade excessivamente maniqueísta dos personagens: os opositores eram sempre os jovens românticos, enquanto os apoiadores eram os malvadões mais velhos. As autoras não conseguiram (ou fizeram isso de forma proposital) traduzir a complexidade do período que escolheram retratar. Nem todos os militares eram brucutus sanguinários que sentiam tesão em torturar alguém, assim como nem todos os "subversivos" eram anjinhos caídos do céu perseguidos inocentemente. Com um tema tão complexo quanto o que a trama retratava, aqui não cabia maniqueísmo: não estamos falando de uma luta do bem contra o mal, entre vilões e mocinhos, mas sim de revolucionários que praticavam terrorismo para implantar um regime comunista no Brasil, enquanto eram reprimidos com torturas e crimes obscuros pelo governo militar. Isto ficou evidente especialmente na personalidade de Gustavo, o tipo mais irritante da história. O rapaz prejudicou a família inteira em nome de sua militância, mas era colocado pelas autoras como um herói da resistência traumatizado pela tortura. Ficou pouco crível. E o que dizer daquelas verdadeiras aulas que a professora Natália dava para seus alunos (e para o público) para "explicar"o período histórico? Sem a menor sutileza e totalmente enfadonhas.

Resultado de imagem para os dias eram assim nanda

Ainda assim, apesar dos pesares, houve acertos, como a abordagem da AIDS através de Nanda (Julia Dalavia), irmã mais nova de Alice. Seu desempenho nos desdobramentos da revelação da AIDS de Nanda emocionou o público e foi impossível não se sentir tocado pelo desespero da garota. A entrega da atriz Julia Davila, que emagreceu bastante para o papel, se refletiu em uma impressionante maturidade cênica e a fez sair de cena ainda mais forte do que entrou, pronta para maiores desafios. Também chamou atenção a primorosa trilha sonora, repleta de clássicos dos anos 60, 70 e 80. Ainda merece destaque a inserção de imagens de arquivo dos anos 70 e 80 (embora estas, muitas vezes servissem como muletas para disfarçar a ausência de história).

Inicialmente planejada para o horário das 18h, Os Dias Eram Assim foi promovida para a faixa de maior liberdade artística da Globo após a suspensão do projeto de Jogo da Memória, da talentosa Lícia Manzo - alegou-se na época que a proposta de Lícia poderia não ter história suficiente. No entanto, a trajetória de Os Dias Eram Assim fez esta motivação cair por terra, uma vez que não teve estofo para segurar 88 capítulos (um número excessivo para uma trama das 23h).

Em resumo, a "supersérie" não passou de uma novela fraquíssima, decepcionou em muitos aspectos e se arrastou por muito tempo, deixando a sensação de que não acabava nunca. Personagens maniqueístas, enredo raso e tendencioso, clichês mal-usados e ritmo excessivamente arrastado foram as principais marcas desta que pode ser considerada facilmente a pior novela já exibida na atual faixa das onze. Um roteiro que não honrou o horário em que foi exibido e será rapidamente esquecido. E pensar que cancelaram "Jogo da Memória", da talentosa Lícia Manzo (com a alegação de que a proposta dela poderia não ter história suficiente), para exibirem essa porcaria, viu...

sábado, 24 de junho de 2017

Desgraçômetro Power Couple Brasil: os casais que mais amei e odiei na segunda temporada do reality



E chegou ao fim, nesta quinta (22), a segunta temporada do Power Couple Brasil (que não foi tão boa quanto a primeira, mas divertiu). Segue o balanço sobre todos os casais participantes do reality.

Resultado de imagem para power couple nayara

Nayara e Cairo: a vitória de Nayara é raríssima entre todas as edições de realities exibidas desde 2001 no Brasil. Em pouquíssimas oportunidades, uma mulher negra conquista a vitória pelo voto popular. Ok, ninguém apostaria em Nayara e Cairo até a metade do programa. Mas o casal conseguiu ir se achando e encaixando seu espaço, de forma discreta e coerente. Foi a vitória do bom senso em meio a tantos realities pesados que acompanhamos ultimamente. Não teve a insanidade de guerras de torcidas. Não teve baixarias. Não teve jogo sujo. Nayara e Cairo foram coerentes, educados e simples do início ao fim. Eles tinham cumplicidade como casal, sem precisar apelar pra esteriótipos manjados que vemos a cada reality. Cairo foi por todo confinamento um cara pacato sem ser banana. Nem quando confrontado por Diego Cristo, Cairo levantou o tom de voz ou puxou alguma briga. Ele apresentou sua posição e ponto, não deu brechas para um bate boca. Calmo e racional, Cairo matinha uma boa relação com todos os casais, sem cair no clichê de ser o amigão de toda casa. Mereceram a vitória diante dos outros casais finalistas.

Resultado de imagem para marcelly frank

MC Marcelly e Frank: um dos casais protagonistas da edição. Marcelly demonstrou toda a sua doçura no reality. A menina é linda, leve, engraçada e parecia realmente estar sempre se divertindo nas provas e nas edições. Porém, expôs fragilidade demasiada com o seu marido. Frank personificou a figura de vilão-mor na competição. Extremamente machista, grosseiro e deselegante. Ficou muitos tons acima. Impunha as suas verdades para a companheira de forma radical. Chegava a humilhar. Quase uma tortura psicológica. Manchou a imagem de forma indelével. Se não fosse pelo marido brucutu, minha torcida seria da Marcelly.

Resultado de imagem para mauricio suyane power couple

Mauricio e Suyane: oh, pai! O casal mais querido desta temporada... Até a metade! De fato, passaram o ar de casal entrosado. Eram os meus francos favoritos. Mas o tempo foi passando e o casal de ex-mutantes foram mostrando um lado sonso e ensaboados que me desagradou. Um pouco do que li sobre o casal na vida real, parece que eles andam numa situação financeira ruim. O que justifica a aflição do casal na hora da DR. Índia Tainá chorava desesperada e Mauricio parecia bem abatido. Não era só por competitividade de jogo. Eles pareciam precisar muito do prêmio. Porém, se revelaram muito insossos no vídeo.

Resultado de imagem para fabio regiane power couple

Fabio Villa Verde e Regiane: o ator confirmou a sua boa imagem que sempre o marcou no decorrer de sua carreira. Porém, Regiane decepcionou. Completamente neurótica na gana de vencer, ela demonstrou irritação absurda com o marido, sendo completamente grosseira. Além disso, dedurou Marcelly para Frank na história do doce na van meio que "sem querer querendo". Arrumou uma confusão completamente desnecessária. Manchou ainda mais sua imagem perante os telespectadores. Fábio tem um jeitão banana zen, mas gostei do temperamento dele, além de ter mostrado ser uma boa surpresa nas provas, vencendo a maioria, e apresentando um jeito descontraído e com bom humor nos seus depoimentos nos VTs. Tal como Marcelly, se disputasse sozinho, sem a esposa pé no saco, teria minha torcida para vencer.


Rafael Ilha e Aline: sem dúvidas nenhuma, Rafael foi o maior destaque desta edição. Para o bem ou para o mal. O problema é que ele confundiu Power Couple Brasil com A Fazenda. Não plantou flores, como pretendeu passar em sua defesa. Na realidade, colheu foi é furacão. Foi humilhado por Diego e Lorena na grande final. Os dois ex-fazendeiros falaram as suas verdades na cara do rapaz. Diego ficou desapontado e indignado com a postura de Rafael. Por isso mesmo, no "barraco" exibido ao vivo, a plateia berrou o nome de Diego ao invés de Ilha. Além disso, o ex-polegar (talvez, por estar envergonhado) abandonou o programa na grande final e foi embora. Triste. Rafael adotou um tom acima do ideal. Evidentemente, é uma pessoa que enfrentou sérios obstáculos na vida e isso contribui para o seu comportamento. Imaginem se Ilha e Mara Maravilha tivessem, de fato, encarado juntos a sétima edição de A Fazenda? Sai de baixo...

Resultado de imagem para ana sylvinho power couple

Ana Paula e Sylvinho: casal que mais me causou vergonha alheia na edição. Ana Paula apresentou um comportamento grosseiro e nada amigável com o seu companheiro. Nesse ponto, seu inimigo no jogo, Rafael, tinha razão: Ana era mesmo uma "jararaca". Bem falsiane, dissimulou, praticamente, o reality inteiro com a maioria dos casais. Além disso, Sylvinho resolveu bancar o “esperto” ao tentar infringir as regras do jogo. Ficou feio. Isso, agora, marcará a sua imagem. Sylvinho não merecia isso, após décadas de trabalho.

Resultado de imagem para diego lorena power couple

Diego Cristo e Lorena Bueri: o público dos realities da Record já acompanhava o casal desde os tempos de A Fazenda. Tinham tal vantagem. Inicialmente, Diego e Lorena foram naturais. Não exploraram polêmica. Entenderam que o Power Couple Brasil tinha outro perfil em comparação ao confinamento rural. Apesar disso, Rafael Ilha resolveu cutucá-los com vara curta. A partir daí a instabilidade emocional, que já tinha aparecido em A Fazenda, voltou à tona. Tentaram adotar a mesma estratégia dos vencedores Laura e Jorge e se deram mal. Diego, principalmente, perdeu-se com a fragilidade emocional. Ouvindo histórias que não existiam. E isso respingou no desempenho das provas. Uma pena, pois até que curtia os dois.

Resultado de imagem para marcelo ie ie power couple

Marcelo Ié Ié e Julia: o humorista saiu do reality após problemas de saúde. Passou frieza ao tirar a amiga (ou ex-colega de trabalho) Narizinho do jogo. Julia forçava uma situação bem "melosa" de amor. Apesar disso, não saíram com imagem arranhada. Até poderiam ter vencido a competição.

Resultado de imagem para andressa nasser power couple

Andressa e Nasser: Alcançaram um bom desempenho na atração. Passaram naturalidade, entrosamento e não forçaram situações. Surgiram como um casal de verdade. Superaram as expectativas.

Resultado de imagem para ana p thaide power couple

Thaide e Ana P: Ana P demonstrou ser uma mulher de personalidade forte. Acertou ao desconstruir o discurso de Regiane. Porém, errou ao não transmitir compreensão com Thaíde, sempre tão rude com ele.

Resultado de imagem para carol narizinho power

Carol Narizinho e Mateus: não deixaram impressão, já que foram os primeiros eliminados.



segunda-feira, 5 de junho de 2017

Bem construída e cheia de boas cartas na manga, Rock Story sai de cena vitoriosa



E Rock Story chegou ao fim nesta segunda (05). Foi um capítulo final sem grandes surpresas, pois grande parte das histórias da trama já estava praticamente resolvida. E isso não foi um problema, muito pelo contrário. É apenas um sinal que Rock Story teve uma trama redonda do início ao fim, bem construída, sem excessos e que correu sem sustos, trazendo sempre novidades que mantiveram a novela quente por todo o seu período de exibição. Maria Helena Nascimento, novelista estreante, está longe de ser uma amadora. Em sua primeira novela como titular, mostrou uma rara maturidade na condução de seu enredo.

Rock Story foi vitoriosa em todos os sentidos. Primeiro, por trazer personagens muito humanos, reconhecíveis, fáceis de identificar e torcer por eles. Gui Santiago (Vladimir Brichta) foi um herói meio anti-herói, bastante impulsivo, que costumava resolver seus assuntos na base do grito e da violência. Mas, ao mesmo tempo, era um pai amoroso e um amigo dedicado. Ao seu apaixonar por Júlia (Nathalia Dill), se envolver com o filho Zac (Nicolas Prattes) e, ainda, partir para a terapia, Gui se transformou e se tornou um homem melhor. Sem forçação de barra, nem pirotecnias. A construção de Gui foi muito vitoriosa. Além do texto, sempre muito bem escrito, e da direção acertada, o personagem ainda ganhou mais camadas graças ao seu intérprete, Vladimir Brichta. Grande ator, um galã maduro e com talento dramático, Vladimir fazia falta às novelas, e retornou em grande momento. Fez um dos melhores protagonistas de novela dos últimos anos. Vladimir não tem somente estampa: é um ator da melhor qualidade.

E teve ao seu lado uma ótima parceira. A trama envolvendo Júlia foi muito bem desenvolvida, sempre com muitas reviravoltas e emoções. A mocinha era cheia de problemas, passou boa parte da novela fugindo da polícia, mas era otimista, carismática e com muitas qualidades. Esteve longe de ser uma mocinha chata. E Nathália Dill se mostra uma atriz cada vez mais madura, fazendo uma mocinha solar e bastante interessante. Além disso, mostrou talento ao viver a irmã gêmea de Júlia, Lorena. A atriz conseguiu marcar bem as diferenças entre as duas personagens, fazendo o espectador acreditar que se tratava, realmente, de uma outra pessoa.

Outra personagem cheia de surpresas e camadas era a vilã Diana (Alinne Moraes). Era uma vilã, mas com bastante humanidade. Diana, muitas vezes, era dura com a filha, além de armar, provocar e prejudicar Gui Santiago. No entanto, mostrava-se uma mulher de carne e osso, atenta às suas qualidades e seus defeitos. Ela meteu os pés pelas mãos várias vezes, se arrependeu de muitas bobagens, pedia desculpas e assumia seus erros. Alinne Moraes não precisa provar mais nada: é uma atriz da melhor qualidade e emplacou mais uma grande personagem à sua galeria.


Além da trinca, Rock Story apresentou uma gama de personagens e atores que merecem todos os aplausos. Rafael Vitti, revelação de Malhação Sonhos, foi uma grata surpresa como Léo Regis, fenômeno da música adolescente. O ator abusou do carisma e de seu jeito meio gaiato para fazer um tipo meio deslumbrado, quase uma caricatura de um astro da música. Ao mesmo tempo, teve sensibilidade para conduzir a derrocada de Léo, que teve um rumo surpreendente. Ana Beatriz Nogueira, sua mãe Neia, já é uma ladra de cenas profissional. Fez de uma personagem, a princípio sem muito destaque, um grande acontecimento. Também merece menção Viviane Araújo que, como Edith, mostra que se tornou, de fato, uma atriz das boas. Herson Capri, o Gordo, Laila Garin, a Laila, Alexandra Richter, a Eva, também fizeram trabalhos grandiosos. E a dupla de bandidos Romildo (PauloVerlings) e William (Leandro Daniel) foi outra grata surpresa.

Rock Story foi muito feliz na abordagem do mundo da música. Criou uma dicotomia interessante entre a música de qualidade e a puramente comercial, brindando o público com uma trilha sonora das melhores. Além disso, a novela não economizou trama e conseguiu manter a atenção do público graças às "cartas na manga" que a autora guardava, fazendo uso delas sempre com cuidado.

Quando a novela começou, Júlia foi vítima de um golpe, quando o namorado metido com tráfico de drogas a usou como "mula", tentando transportar uma encomenda para os Estados Unidos. Assim, a mocinha foi obrigada a fugir da polícia e se passar por sua irmã gêmea, Lorena. Então, acompanhamos as diversas fugas de Júlia, enquanto ela procurava o vilão Alex (Caio Paduan) e tentava provar sua inocência. Esta "caçada" teve seus desdobramentos, até que Alex fingiu sua morte e saiu de cena, dando espaço para que Lorena, até então vista apenas na tela de um tablet, chegasse de vez à trama. A "gêmea má" chegou trazendo novos conflitos, agitando ainda mais a vida de Júlia. No fim, acabou morrendo e inocentando a irmã, enquanto Alex foi preso. Que novela com gêmea má e gêmea boa você já viu onde uma delas morre antes do final?! Parecia o início de uma fase calma na vida da protagonista de Rock Story, que finalmente iria viver seu amor com Gui Santiago sossegada.

Aí a autora sacou outro trunfo: Mariane (Ana Cecília Costa), a mãe de Zac, que chegou para colocar mais lenha na fogueira da vida de Gui e Júlia. Quando a moça sai de cena, chega a vez de Alex sair da cadeia e propor o conflito final. Outra personagem que entrou e saiu em momentos oportunos foi Laila. Ela entrou para virar a vida de Gordo. Depois o enganou e saiu da cidade, deixando o caminho livre para que Eva crescesse na trama e engatasse um romance com o dono da gravadora Som Discos. Surgiu aí uma enteada para ela, gerando novos conflitos. Na reta final, Laila retornou, trazendo ainda mais acontecimentos. Ou seja, com estes entrechos sendo propostos a todo o momento, Maria Helena Nascimento deixou sua história movimentada o tempo todo, evitando ao máximo as indesejáveis "barrigas".


Como se não bastassem tantas qualidades, Rock Story ainda foi feliz ao trazer ao horário das sete uma trama com uma cara mais adulta, diferente das comédias quase infantis que fizeram o horário nos últimos três anos. Além disso, diminuiu o tom de comédia romântica do horário, com uma história de contornos mais dramáticos. Por estas e outras, Rock Story sai de cena como uma das melhores novelas das sete dos últimos anos. Vai deixar saudades.


ACABEI DE ATUALIZAR O MEU DESGRAÇÔMETRO DAS NOVELAS DAS 7 DA DÉCADA ATUAL (DE 2010 PARA CÁ). CONFIRA CLICANDO AQUI OU NA FOTO ACIMA.


sábado, 6 de maio de 2017

Vade Retro está mais para 'O Dentista Mascarado' do que para 'Os Normais'



Quem esperava encontrar um novo Os Normais deu com a cara numa reedição de O Dentista Mascarado com toques de terror a la Zé do Caixão. Vade Retro estreou há três semanas e lembra pouco dos grandes trabalhos da dupla Alexandre Young e Fernanda Machado na TV. A nova série da Globo usa do humor para retratar as ideias maniqueístas de bem e mal, mas a julgar pelos três primeiros episódios, a produção precisa investir menos no sobrenatural e focar mais na trivialidade do cotidiano — coisas que Alexandre e Fernanda faziam como ninguém com Rui (Luiz Fernando Guimarães) e Vani (Fernanda Torres).

Desta vez, os autores resolveram brincar com o sobrenatural, usando da linguagem dos filmes de terror para fazer comédia. Não faltam elementos sacros e religiosos na nova aposta, que mostra a relação entre uma advogada que foi beijada pelo Papa quando criança, a doce Celeste (Monica Iozzi), e um empresário misterioso que mais parece o próprio diabo, que carrega o singelo nome Abel Zebu (Tony Ramos).

Verdade seja dita, Monica não é tão genial atuando quanto apresentando. Mas é correta, tem bom timing para o humor e convence bem fazendo um tipo meio sem graça e que carrega certa ingenuidade. Por outro lado, Tony Ramos usa todo o seu arsenal para fazer um Abel verdadeiramente diabólico. O ator usa o carisma que lhe é peculiar para dar a Abel Zebu um charme todo especial. Juntos, a dupla funciona bem, provocando um magnetismo interessante. Mas são Cecília Homem de Mello — que vive a simpática Leda, mãe de Celeste, senhorinha dona de uma língua afiada — e Maria Luísa Mendonça — trazendo mais uma desajustada (Lucy Ferguson, mulher de Abel) deliciosa à sua já ampla galeria — que roubam a cena.

Resultado de imagem para os normais gif

O grande problema de Vade Retro, porém, está na construção do texto. O maior trunfo de Os Normais eram os diálogos rápidos e cheios de ironia e humor corrosivo. Por ser uma comédia de costumes sobre a vida de um casal, gerou identificação imediata e tornou Rui e Vani fenômenos. Depois deles, Alexandre e Fernanda fizeram sátiras sem tanta identificação. Eles brincaram com o mundo das celebridades em Minha Nada Mole Vida, com o cinema-catástrofe em Como Aproveitar o Fim do Mundo, com as histórias em quadrinho na péssima O Dentista Mascarado e até retornaram ao mundo dos casais (desta vez, com narrativa de documentário) em Separação!?. Ou seja, tais séries vinham propondo universos satíricos que agradavam quem estava inserido no segmento satirizado, mas não fazia muito sentido para o espectador não familiarizado com tais universos, daí Alexandre e Fernanda jamais repetirem o sucesso de Os Normais.

Com Vade Retro, não está sendo diferente. Quando adentram na trama fantástica, os autores precisam ser um tanto didáticos para explicar as situações absurdas. E isso soa forçado, às vezes. No entanto, sempre que brincam com as periculosidades sociais, os dois conseguem diálogos debochados e bem-humorados. Piada precisa de ritmo, de timing. Lentas e de conteúdo pouco inspirado, as falas passam longe da esgrima verbal que se espera de uma comédia, especialmente as de Celeste. Ainda dá tempo de corrigir!

sábado, 29 de abril de 2017

Fraca, Os Dias Eram Assim decepciona em não traduzir a real complexidade do que retrata



De um lado da história, temos Arnaldo (Antonio Calloni), um vilão com tintas carregadas. Um empresário arrogante, que maltrata a mulher Kiki (Natália do Vale) e tenta controlar a filha Alice (Sophie Charlotte). Mas vai além: não só apoia financeiramente o aparato repressor do regime militar, como sente um prazer sádico em acompanhar as sessões de tortura. Do outro lado, o idealista Túlio (Caio Blat), que adere à luta armada. Sim, idealista, pois na minissérie (ou supersérie ou qualquer outro nome que a Globo queira dar para suas novelas mais curtas) não existem as palavras comunistas e terroristas. Logo no primeiro capítulo, ele comete um atentado "light": solta uma bomba na entrada da fictícia Construtora Amianto, que pertence a Arnaldo. Sem vítimas, só uns poucos danos materiais, que é para manter a simpatia do público. Imediatamente capturado pela polícia, morre ao som de Walter Franco – um requinte a mais de crueldade.

Entre os dois extremos, há uma dezena de personagens que não está nem aí para a política. Como o protagonista Renato (Renato Góes), que se apaixona por Alice à primeiríssima vista numa passeata onde ambos estavam por acaso. Renato é irmão de Gustavo (Gabriel Leone), que é amigo de Túlio. Só por causa disso, o pai da mocinha irá infernizar sua vida, acusando-o de envolvimento com a subversão. Afastado através de mentiras de seu grande amor, o jovem médico será obrigado a se exilar do país. Esta é, em linha gerais, a trama central de Os Dias Eram Assim. Um romance proibido que começa em 1970 e vai até 1984.


As autoras Angela Chaves e Alessandra Poggi, pela primeira vez como titulares de uma obra, já colaboraram em inúmeras novelas e séries alheias. Aprenderam todos os clichês da nossa teledramaturgia, embora ainda não tenham conseguido traduzir a complexidade do período que escolheram retratar aqui. Nem todos os militares eram brucutus sanguinários que sentiam tesão em torturar alguém, assim como nem todos os "subversivos" eram anjinhos caídos do céu perseguidos inocentemente. Naquele momento, vários grupos que se diziam revolucionários estavam praticando atos contra o governo, desde sequestros de diplomatas estrangeiros a assaltos a bancos, passando por crimes contra figuras que apoiavam o regime. A maioria deles, inclusive, não lutavam pela democracia coisa nenhuma e sim para implantar o comunismo no Brasil.

Não estou querendo defender a ditadura militar. Longe disso. Porém, é como dizem: "o lobo sempre será mau se você ouvir apenas a versão da chapéuzinho vermelho". Os atos terroristas dos comunistas na série são amenizados e retratados como se fossem pura molecagem, sem vínculo com nenhuma organização de esquerda. Com um tema tão complexo quanto o que a série retrata, aqui não cabe maniqueísmo: não estamos falando de uma luta do bem contra o mal, entre vilões (os militares) e mocinhos (os comunistas), mas sim de revolucionários que praticavam terrorismo para implantar um regime comunista no Brasil, enquanto eram reprimidos com torturas e crimes obscuros pelo governo militar. Não havia inocentes. Não é à toa que a série vem fracassando na audiência (chegando a míseros 12 pontos) e repercute na web mais por conta dos telespectadores mais conservadores que resgatam imagens e vídeos daquela época para confrontar com a atualidade (através da hashtag #OsDiasNãoEramAssim) do que pela trama em si.

Pelo menos, nessas suas duas primeiras semanas, a supersérie carregou nas tintas do romance, distorcendo a real história e não se preocupando em examinar as contradições de um tempo ainda pouco explorado pela nossa teledramaturgia. Perdeu uma oportunidade de ouro. Não fosse pelas poucas cenas de violência, a série poderia ser facilmente uma novela das seis (como estava inicialmente prevista).

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Mudanças sem sentido fazem de 'Pro Dia Nascer Feliz' mais uma decepção



Emanuel Jacobina retornou à Malhação após a elogiada temporada Sonhos, desenvolvida por Rosane Svartman e Paulo Halm. Intitulada Seu Lugar no Mundo, a história desenvolvida por Jacobina parecia interessante no começo, mas foi se perdendo em meio a conduções inverossímeis, personagens perdendo suas funções e abordagens equivocadas. Ainda assim, parecia que a chance de se redimir viria com a temporada seguinte, intitulada Pro Dia Nascer Feliz, que chega ao fim semana que vem. Ledo engano.

A atual edição conseguiu repetir os mesmos erros da anterior, apesar de apresentar um elenco um pouco melhor. Foram aproveitados poucos personagens para o novo enredo, entre eles Jéssica (Laryssa Ayres), Nanda (Amanda de Godoi), Krica (Cynthia Senek) e Cleiton (Nego do Borel). Enquanto isso, como exemplo, Marina Moschen e Nicolas Prattes, que viveram o casal Luciana e Rodrigo (malconduzido pelo autor), estão repetindo o par em Rock Story, atual novela das sete, desta vez de forma bem mais rica e realmente convincente, interpretando respectivamente a patricinha Yasmin e o cantor Zac, líder da banda 4.4.

Um dos erros é a personalidade da mocinha Joana (Aline Dias). De início uma protagonista de atitude e pulso firme, ao longo do tempo, a personagem se tornou muito intrometida e chata. A falta de química com Felipe Roque (que vive o mocinho Gabriel e também mostrou altas doses de canastrice) também foi evidente, a ponto de Joana passar a se envolver com o irmão dele, Giovane (Ricardo Vianna).

A rival de Joana, Bárbara (Bárbara França), também sofreu com as mudanças estapafúrdias. A filha mais velha de Ricardo (Marcos Pasquim) sempre foi uma vilã voluntariosa, a ponto de fazer ofensas racistas e xenofóbicas contra a rival. Até aí, sem problemas. Porém, a personagem guardava um lado humano interessante em função da convivência com suas irmãs Juliana (Giulia Gayoso) e Manuela (Milena Melo). Essa complexidade foi esquecida sem qualquer motivo aparente. As brigas entre as personagens, que deveriam ser usadas como um bom recurso para a relação conflituosa entre elas, tornaram-se constantes a ponto de cansar. Dia sim e dia também Bárbara e Joana tinham longas cenas de discussão, brigando sempre pelos mesmos motivos: ora pelo Gabriel, ora pelo pai Ricardo, ora pela academia... Ai, que soninho...


Juliana, por sua vez, tinha uma interessante relação de gato e rato com Lucas (Bruno Guedes). As provocações entre os dois faziam do par o mais promissor da temporada. Até que ela se apaixonou por Jabá (Fábio Scalon) e houve uma inversão de personalidades entre eles: o primeiro, arrogante, virou uma boa pessoa, enquanto Lucas virou um babaca irresponsável. Este chegou a se envolver com Martinha (Malu Pizzatto) sem nunca ter sido amigo dela e, para piorar, ela ficou grávida. A abordagem da gestação foi erroneamente desenvolvida, parecendo algo engraçadinho e super legal na vida de um adolescente - e não uma coisa séria, como deveria ser - e repetindo o erro cometido com Krica e Cleiton na temporada anterior.

Nanda, por sua vez, chegou a se envolver com Rômulo (Juliano Laham) para tentar esquecer Filipe (Francisco Vitti), todavia, as constantes desconfianças e a indecisão amorosa dela a transformaram em um tipo irritante e cansativo, desvalorizando o talento de Amanda de Godoi (a mais promissora revelação de Seu Lugar no Mundo). Para piorar, entrou na história o professor Renato (Jayme Matarazzo), para quem supostamente o coração do ex foi doado. O triângulo nada acrescentou e o autor resolveu recorrer a cenas de Filipe como fantasma (bem cafonas, diga-se de passagem) e aproximar Rômulo de Sula (Malu Falangola), amiga cearense de Joana, para fazer ciúmes em Nanda. Nada disso funcionou. Inclusive, fez o efeito contrário, já que Rômulo e Sula formaram, inesperadamente, um casal até que bonitinho.

Agora, foi a vez de Caio (Thiago Fragoso) também sofrer com a mudança de personalidade. O cunhado de Ricardo, irmão da esposa falecida deste, era uma boa pessoa, embora guardasse mágoa do dono da academia Forma em função do acidente. Entretanto, foi transformado em um psicopata perverso, a ponto de se disfarçar de enfermeiro para matar o próprio irmão, assassinar a ex-namorada de Ricardo e sequestrar Tita. Tudo com a maior frieza do mundo. Algo que em nada condiz com seu perfil inicial.

Apesar dos problemas, o elenco consegue tirar proveito do fraco roteiro e aproveita todas as oportunidades. Bárbara França é o maior destaque da temporada e uma das maiores revelações da Malhação dos últimos tempos. Sua entrega total a personagem foi fantástica! Aline Dias, Malu Falangola, Giulia Gayoso, Amanda de Godoi, Laryssa Ayres e Milena Melo são outros bons nomes da turma jovem. Entre os adultos, Deborah Secco também está muito bem como Tânia e Thiago Fragoso, bom ator que é, consegue convencer em todas as nuances de Caio (apesar dos pesares). A grandiosa Joana Fomm, em participação especial, emociona como a avó de Gabriel e Giovane, dona Cleo. Como pontos negativos, as fracas atuações de Felipe Roque (Gabriel), Nego do Borel (Cleiton) e Juliano Laham (Rômulo).

Apesar da boa audiência, Malhação - Pro Dia Nascer Feliz sai de cena nada feliz, repetindo a fraca trajetória de sua antecessora e novamente se perdeu em meio a uma condução pífia e ao desperdício de personagens e enredos, por parte do autor Emanuel Jacobina. Com isto, só resta torcer pela próxima temporada, intitulada Viva a Diferença e assinada pelo cineasta Cao Hamburger, responsável por produções como Castelo Rá-Tim-Bum, Pedro e Bianca e Que Monstro Te Mordeu?, exibidas na TV Cultura.

sábado, 22 de abril de 2017

Power Couple Brasil - Primeiras Impressões



E começamos a segunda temporada do Power Couple Brasil, um reality que tem tudo que gosto no formato: subcelebridades, barracos, votação, provas involuntariamente divertidas e coisas trash. Dessa vez, o número de casais aumentou (são 11) e o programa é exibido duas vezes na semana (terça e quinta).

Eu ainda gosto de Masterchef, é um reality mais sério. Mas o problema é que a Band resolveu transformar o programa na sua Malhação, ficando no ar infinitamente sem parar. Isso cansa e acaba virando mais do mesmo. Se o Masterchef não se reinventar ou parar de ter 902 edições por ano, ele só tende a perder mais e mais público. Fico no aguardo para a Band usar o card de subcelebridades para alavancar o programa.

Já o Power Couple não faz cerimônia em enfiar o pé na jaca, com adultos sem medo do ridículo. É o único reality que nos presenteia com um casal de ex-BBB e um casal de ex-Fazenda competindo no mesmo universo. Isso é tipo fazer um filme com os Vingadores e a Liga da Justiça duelando entre si. Assustadoramente, eu conhecia o(a) famoso(a) de quase todos os casais. E o elenco desse ano é super diversificado. Temos um casal que já passou com certo destaque pela Fazenda (Diego Cristo e Lorena Bueri), uma ex-Panicat (Carol Narizinho) preenchendo a vaga regulamentar de qualquer produção desse gênero, um rapper (Thaíde), uma ex-Globeleza (Nayara Justino), um roqueiro decadente dos anos 80 (Sylvinho Blau-Blau), casal de ex-BBBs (Andressa e Nasser), funkeira (MC Marcelly), imitador de Sérgio Mallandro e ex-Panico (Marcelo Ieié), um ator decadente (Fábio Villaverde), um casal de atores que você nem sabia que existia que se conheceu durante as gravações de Os Mutantes (Mauricio Ribeiro e Suyane Moreira) e o Rafael Ilha que dispensa comentários no que diz respeito a barracos e confinamentos.

A seguir, minhas primeiras impressões sobre a primeira semana da nova temporada do reality.

Diego e Lorena Is The New Casal Kamikaze?




O casal Kamikaze encantou o país ano passado, quando se entregou de corpo e alma para a competição do Power Couple Brasil e apostaram num jogo bem suicida. Não obstante, foram os protagonistas da edição e Laura Keller e seu marido Jorge sagraram-se campeões graças a performances maiúsculas e uma popularidade que entristeceu Simony e Gretchen. Lorena Bueri e Diego Cristo não ficaram quase famosos durante a ótima passagem pela Fazenda 7 graças ao equilíbrio ou à civilidade. Lorena ficou conhecida como Lorena Boca de Boeiro por só falar barbaridades dos outros participantes e Diego ficou conhecido pelas discussões acaloradas que sempre protagonizava usando cueca de R$ 3,99. Ou seja: garantia de bom entretenimento. Vejo neles um potencial enorme de serem o novo casal Kamikaze da edição, pelo menos, nesse estilo de jogo agressivo e bastante força nas provas.. Quem o casal fará chorar dessa vez?

Regiane Is The New Esposa do Túlio Maravilha?




A primeira reação quando você lê o nome Fábio Villa Verde provavelmente é "quem diabos é Fábio Villa Verde???". Mas depois vê o rosto e vem um estalo no cérebro. Aquele cidadão não é de todo estranho, apesar de não chegar a ser familiar. Eu sempre achei ele um dos atores com mais cara de banana do universo. E o Power Couple veio para nos comprovar que isso é mesmo verdade. Sua esposa Regiane já pulou na frente a candidata de mala da edição. Essa loira dos infernos conseguiu dar 902 broncas no marido e encher o saco do resto da casa em apenas um único dia de programa. Nem a esposa do Túlio Maravilha na primeira temporada era tão mandona assim... Já peguei ranço com todas as minhas forças!

Por que diabos Narizinho usa sutiã por cima da blusa?!




Para quem não conhece, Carol Narizinho foi a Panicat mais inútil que já passou pelo Pânico. A gente gosta mesmo é de Panicat raiz, Panicat verdade. A gente gosta é de Nicole Bahls acusando Juju Salimeni de ter feito macumba pra sua bunda cair. O resto? Nunca vi, nem comi... Ficou apenas uma temporada no programa e foi dispensada por falta de carisma. Power Couple veio para nos mostrar que ela continua a mesma. Tão inútil que já foi eliminada na primeira semana e eu nem sei o que escrever sobre ela em um parágrafo inteiro a não ser pelo estranho hábito dela em sempre usar o sutiã por cima da blusa.

Mais uma Ana Paula para ganhar nossos corações?




Com uma relação extremamente bem resolvida, onde a esposa se mostra estratégica e mais enérgica, Silvinho Blau Blau e Ana Paula já parecem incomodar alguns participantes do sexo masculino. Ana Paula carrega o estereótipo da mulher guerreira e bem resolvida, que é doce mas não foge de um embate quando necessário, e suas discussões com o marido fizeram criar logo no segundo dia de convivência a impressão de uma pessoa mandona e voluntariosa, deixando para o marido o título de "pau mandado" reforçado pela edição. Ou essa impressão sobre o casal se desfará ou ficará ainda mais forte, o que certamente gerará conflitos. Pelo temperamento explosivo e imperativo da esposa, ela tem tudo para ser a possível barraqueira da edição. Até porque Ana Paula é sinônimo de barraco e entretenimento. Olha elaaa!

Vai demorar muito para o Rafael Ilha ter um surto e pirar total?




Quem em sua sã consciência e completamente sóbrio olharia para o Rafael Ilha e diria "quero casar com esse homem"?! Sério, olhem para a cara da Aline, esposa dele, e reparem bem na pupila do olho dela. Dá pra ver que tá escrito HELP! Esse homem me dá medo. Gosto assim. Quero treta, quero confusão!

Que o Power Couple nos traga tudo aquilo que o BBB17 não trouxe: barraco e diversão. Amém!

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Dancing Brasil, a "Dança dos Famosos" (muito) melhorada



Há algumas semanas, a Record estreou em nosso país a versão de grande sucesso das emissoras BBC da Inglaterra e da ABC dos Estados Unidos, Dancing With the Stars, aqui intitulado como Dancing Brasil. Pode parecer precipitado, mas acho que já podemos afirmar que o novo reality show de dança é uma das mais interessantes estreias deste primeiro semestre. E, de bônus, já podemos dizer também que o reality vence de sobra o reality mais famoso até então, o Dança dos Famosos, do Faustão. E se você perguntar o porquê da comparação, bem, a própria Globo chegou a pensar em processar a Record por achar que uma é cópia da outra. Então nada mais justo que colocarmos os dois realitys no mesmo texto e compará-los.

Diferentemente do famoso quadro do Faustão, o Dancing Brasil traz toda semana ritmos para embalar as danças dos competidores, exibindo performances de músicas variadas – não necessariamente pertencente ao tema, tendo em consideração um leque de variedades na dança. Também, os jurados são fixos e não variados, semanalmente, como acontece no quadro do Faustão. Sendo assim, os mesmos acompanham consideravelmente os desempenhos dos participantes (se evoluem ou decaem na competição).

E no processo de comparação, o show da Record ganha em quase todos os quesitos, a começar pela apresentação. Enquanto que na Globo temos o sempre impertinente Faustão, que gosta de monopolizar o microfone, na Record vimos uma Xuxa bem sóbria, fazendo um papel de coadjuvante. Fala o necessário, brinca o necessário e interage o necessário. E só isso. Faz o básico e não chama mais atenção que os candidatos, pois esses sim, são as estrelas do programa. E, mesmo assim, ela consegue roubar a atenção. Esbanjando carisma, fazia tempo que não víamos a eterna Rainha dos Baixinhos toda alegre, tão sorridente, brincando e dançando, apresentando um programa – acho que desde o icônico Planeta Xuxa.


Outra vitória da Record vem no quesito produção. Enquanto que o Dancing Brasil é ambientado num palco gigantesco, bem produzido, rico em detalhes passados para quem está em casa acompanhando – um show à parte –, no Dança dos Famosos vemos a estrutura ser montada no palco de um programa de televisão. Ou seja, de um lado temos um programa, de outro temos um quadro dentro de outro programa .

Por conta disso, tudo no reality da Record funciona melhor: edição, câmeras, roteiro do programa. Os candidatos aqui conseguem se mostrar de forma mais completa e o público consegue acompanhar melhor a evolução de cada um deles. Óbvio que em um ponto o reality da Rede Globo consegue vencer: escolha do elenco. Não dá para comparar o cast da Globo com o cast da Record, mesmo com todo o esforço da emissora paulista para trazer para a primeira temporada alguns de seus "grandes" nomes. A escolha do robótico Sérgio Marone como repórter de bastidores do programa também é outro ponto fraco. É tão sem sal atuando quanto apresentando. Nany People seria o nome perfeito para tal posto #FicaADica.

Ainda assim, a Globo consegue chamar mais atenção neste quesito. Mas, fora isso, a Record está de parabéns por estar exibindo um programa de entretenimento muito bem acabado, produzido, com uma estrela apresentando bem e com tudo funcionando direito. Uma pena que um programa tão grandioso como esse fique patinando entre apenas 4 ou 5 pontos no Ibope num fim de segunda-feira. Merecia muito mais!

P.S.: Achei essa abertura do programa um verdadeiro LUXO!!!


Poderá gostar também de

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...