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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

O Melhor e o Pior da Semana (15 à 28/1)



   O MELHOR DA SEMANA   


Dois Irmãos


Apesar de o estilo de Luiz Fernando Carvalho dividir opiniões (para seus amantes, um defensor da arte; para seus detratores, exagerado e repetitivo), o diretor soube produzir uma adaptação fiel à obra original de Dois Irmãos. Diminuiu-se o tom lúdico e os figurinos excessivamente exóticos e aumentou o pé na realidade, visto na constituição da Manaus entre os anos 1920 e 1980, traduzida em belos cenários e fotografia deslumbrante. O tom barroco permaneceu, mas dialogou perfeitamente com a época e a trama em si. Com isso, não afugentou o público um tanto avesso às novidades e sem precisar abrir mão da qualidade para isso. Não há dúvidas de que Dois Irmãos foi uma verdadeira obra de arte na TV.

Dois Irmãos também teve o mérito do texto afiado. A trama, adaptação de Maria Camargo da obra de Milton Hatoum, foi intensa, inquietante, cheia de elementos capazes de fisgar o público. A saga dos gêmeos Omar e Yaqub traduziu a eterna luta do bem e do mal e a dicotomia das relações humanas. Trata-se de uma saga bíblica, desde Caim e Abel, colocando irmãos em pontos opostos, vértices de uma disputa eterna. Aqui, a distância entre Omar e Yaqub pode ter sido construída ainda na infância, com a escolha meio inexplicável da mãe entre um e outro. Zana cuidou de Omar, o protegeu e o escolheu para ficar ao seu lado quando precisou separar os irmãos, mandando Yaqub para o Líbano. O tempo e a distância, no entanto, não fizeram diminuir a rivalidade entre ambos, muito pelo contrário, gerando novos conflitos e tragédias. Ou seja, um drama familiar e humano cheio de camadas, e é impossível o público ficar indiferente.

Houve quem acusasse Dois Irmãos de ser lenta, arrastada ou enfadonha. Concordo com o lenta, mas discordo veementemente do arrastada e enfadonha. Dois Irmãos andou ao seu próprio ritmo, com pausas e sinalizações herdadas da literatura, mas que destoam do ritmo veloz da TV de hoje, daí a estranheza. No entanto, tais pausas e contemplações foram fundamentais para que o público criasse seus laços com os personagens e as situações, compreendendo seus movimentos. Neste contexto, Dois Irmãos mandou um recado claro para a audiência: não importa se o ritmo é lento ou veloz, desde que haja uma história e um motivo claro para determinar qual o melhor tom da velocidade. Precisamos ir além da atual máxima que prega que apenas obras com ritmo de YouTube ou de séries americanas fazem sucesso nos dias de hoje.

Isso sem falar no incrível trabalho dos atores, sendo impossível apontar quem foi melhor. Antonio Fagundes (Halim), Eliane Giardini (Zana), Juliana Paes (Zana), Irandhir Santos (Nael), Antonio Calonni (Halim), todos tão plenos, viscerais e entregues ao enredo e donos de grandes momentos. O jovem Matheus Abreu foi uma grata revelação. E Cauã Reymond, surpreendentemente, mesmo com uma imagem um tanto saturada depois de tantos trabalhos repetitivos seguidos, mostrou seu melhor momento na TV. Omar e Yaqub eram distintos e o trabalho do ator deixou isso bem claro ao público. Os momentos finais da minissérie foram todos de Fagundes (principalmente na excelente e emocionante sequência da morte de Halim), Cauã (se destacando no repulsivo momento em que Omar agrediu e xingou o pai morto) e Eliane (interpretando com precisão toda a decadência de Zana após a morte do marido e seu processo de agravamento da loucura). Como toda regra sempre tem uma exceção, Bárbara Evans (Lívia) já é uma forte candidata ao título de pior atriz do ano. Sua única cena revelante em toda a minissérie foi quando fez sexo com o personagem do Cauã. Também achei surreal o Irandhir Santos ser filho do Cauã Reymond. Poderiam ter envelhecido o Cauã com uma boa maquiagem ou então terem chamado um ator mais novo para viver Nael. Mas o talento do Irandhir compensou tamanho erro de escalação na passagem de tempo. De qualquer forma, Dois Irmãos encerrou sua trajetória abrindo a programação 2017 da Globo com chave de ouro.

Pesadelo na Cozinha


Nesta semana, a Band estreou Pesadelo na Cozinha, sob comando de Erick Jacquin, onde o jurado do MasterChef agora enfrenta as agruras dos donos de restaurantes que vão de mal a pior. Nesta estreia, o chef conheceu o escondidinho da Amada. Porém, o maior problema não residia no estabelecimento comercial em si, mas em Fernando, o marido de Amada. Jacquin encarna a figura de Supernanny dos restaurantes. Ele observa o movimento, percebe os pontos fracos e, em um receituário, passa sugestões para o incremento do local. Cris Poli fazia o mesmo com os pais das crianças. E, em muitas oportunidades, os filhos não eram o real problema, mas sim os pais que escreveram para o programa do SBT. E isso aconteceu no Pesadelo da Cozinha. A convivência nada pacífica de marido e esposa no ambiente de trabalho prejudicava todo o resto. E, nos momentos finais, um final feliz apareceu. Restaurante reformado. Novo menu. Amada e Fernando em clima de respeito mútuo. O programa apresentou um bom ritmo. Jacquin comanda com sobriedade sem humilhar os socorridos (ao contrário do que rola no MasterChef).

Tardes de domingo da Globo


Em sua segunda temporada, o ótimo The Voice Kids agora conta com o comando de André Marques no lugar do Tiago Leifert. André atinge o objetivo de entrelaçar o show do palco com a tensão dos bastidores. A substituição não prejudicou o ritmo do talent show. Thalita Rebouças também é outra novidade. Ela cumpre a função de assistente no programa. E muito bem, por sinal. O júri é a grande base para a competição. Ivete Sangalo, Carlinhos Brown e a dupla Victor e Leo formam uma boa bancada (apesar de já não aturar mais ver a cara do Carlinhos nos dois realities). Eles têm a preocupação de passar incentivo até para aqueles eliminados da disputa. O telespectador fica encantado com o show das crianças e jovens. The Voice Kids tem o mérito de valorizar o cancioneiro nacional. É rara a aparição de músicas em inglês ou espanhol. Menos de 20% do repertório. Os jurados claramente escolhem uma voz "kid". Eliminam de supetão os(as) candidatos(as) que cantam como adultos. E isso é certíssimo. A Globo acertou na grade de programação. A divertidíssima Nova Escolinha do Professor Raimundo e o The Voice Kids formam uma boa dupla para se assistir durante o almoço nas tardes de domingo da Globo. Ótima opção para quem procura QUALIDADE e não apelação.

Volta do Tá no Ar - A TV na TV


E o Tá no Ar  voltou com tudo, mostrando que Marcelo Adnet, Marcius Melhem e companhia estão cada vez melhores na função de transformar o efeito zapping numa divertida e esperta paródia do cotidiano nacional. Seja emulando programas conhecidos, parodiando comerciais ou simplesmente exercitando o melhor do besteirol, Tá no Ar segue como o melhor programa de humor da televisão brasileira na atualidade. No atual contexto político nacional, o que não faltam são assuntos que podem ser tratados de maneira crítica, irônica e, ao mesmo tempo, engraçada. Isso pôde ser visto nesta estreia com a chamada do filme "A Dama da Delação", atração do "canal Brasília". No enredo, muita sacanagem, ou seja, esquema de corrupção, tudo sendo gravado por uma moça, digamos, saliente. Ótima sacada! Outra esquete divertida parodiava o comercial de um supermercado do Rio de Janeiro, onde um animado garoto-propaganda anunciava demissões em massa num momento de crise ("Recessão, não tem contratação!"). E a atração colocou o dedo na ferida de maneira contundente ao parodiar o comercial do Banco do Brasil, com o slogan "Branco no Brasil: há mais de 500 anos levando vantagem". Bingo!

Tá no Ar atira para todos os lados e não perdoa grupo nenhum, como foi visto na esquete "Crentes", uma brincadeira com o seriado Friends, mas formado por um grupo de evangélicos. No canal ao lado, Silvio Santos segue com seus "greatest hits" e canta sua própria versão de "Bem que se Quis", cuja letra comemorava o fato de ele ter dito Jequiti na Globo sem ser notado. Impagável! Outra qualidade do Tá no Ar é saber manter quadros fixos sem cansar. Estão de volta sucessos como o "Jardim Urgente", sempre denunciando conflitos provocados por crianças (e o indefectível "Foca em mim!", besteirol que parece não perder a validade), ou o militante esquerdista, personagem de Marcelo Adnet que repete as mais variadas teorias da conspiração contra "a réde Glóbo de televisão". Novidade da última temporada, o Te Prendi na TV, paródia de programas de João Kleber, segue no ar, desta vez tentando descobrir quem é a celebridade oculta. "Será o Celso Portiolli?", perguntou o apresentador à sua animada plateia. Ver a Sandy relembrando os velhos tempos da série Sandy e Júnior e falando um monte de palavrões não teve preço!

Se continuar tão inspirado assim, Tá no Ar terá vida longa. Sorte a nossa!


     O PIOR DA SEMANA     


Tom didático do Amor e Sexo



A maior qualidade do Amor e Sexo é justamente conseguir tocar em assuntos importantes de uma maneira leve, divertida e para desmistificar alguns temas. Porém, infelizmente, na estreia da sua décima temporada, o programa pesou a mão. O tom adotado para debater feminismo e a questão de gêneros, por exemplo, foi de um tremendo didatismo. O entretenimento ficou em segundo plano (quiçá, em terceiro). Não adianta pensar que o formato de programa de auditório é capaz de popularizar discussões mais sérias e aprofundadas. Não funciona. Os melhores momentos do programa foi, justamente, quando deixou de lado o tom pseudo-educativo e partiu para as brincadeiras e opiniões aleatórias e para a galhofa. Fica muito mais divertido. Fernanda Lima é linda, simpática, divertida e comanda muito bem o Amor e Sexo. Espero que o programa volte a equilibrar entretenimento e informação nos próximos episódios, como sempre fez tão bem.

Descaso do JN com a morte de Russo


Tudo bem que o Russo nos últimos tempos estava brigado com a Globo, mas o Jornal Nacional ignorar a sua morte na edição deste sábado (28) foi algo grotesco. Não estou falando nem de fazerem uma homenagem, mas a questão é que não houve nenhum comentário sequer a respeito, nada. O Russo é só o maior e mais famoso assistente de palco da história da TV brasileira, já tendo trabalhado com Chacrinha, Angélica, Xuxa, Faustão e Luciano Huck. Não merecia esse descaso. Atitude lamentável e desrespeitosa!

Nova temporada de Cidade dos Homens


Para quem acompanhou a série que marcou os anos 2000 na TV, foi decepcionante essa sua reeleitura. Na prática, a nova temporada de Cidade dos Homens (que mostrou que rumo tomaram as vidas de Acerola/Douglas Silva e Laranjinha/Darlan Cunha dez anos após a conclusão da série original) nada mais foi do que um prato requentado, com passagens das temporadas anteriores sendo relembradas ao longo dos três episódios iniciais, onde apenas o quarto e último teve uma história totalmente inédita. Sem falar também que deixaram de lado todo o (ótimo) tom documental em mostrar a realidade da favela, marca registrada da série, para dar lugar a uma trama pra lá de melodramática: uma enorme quantia de dinheiro do traficante do morro é encontrada, levando ao dilema de devolver ou não, já que o dinheiro salvaria a vida do filho de Laranjinha, que tem uma doença grave e precisava ser operado urgentemente. Esperava mais...

Sem Volta


A Record tentou, mas não foi desta vez. Sem Volta prometeu, entrou com fôlego em seu primeiros capítulos no roteiro e em outros aspectos, mas tropeçou e não empolgou. Com overdose de violência nos episódios, cenas de ação que pareciam terem sido criadas só para enrolar e não levavam a história para lugar nenhum, flashbacks fracos e confusos, distribuídos em um enredo parado em poucas ambientações (o que não deu ideia de movimento), Sem Volta se mostrou cansativo na maior parte dos seus 13 episódios. De modo geral, Sem Volta perdeu seu potencial, passou despercebida e deve fazer jus ao nome, talvez até para produções similares.

A Lei da Incoerência e do Dramalhão


Sabe uma velha senhora chamada coerência? Ela anda passando bem longe de A Lei do Amor, que parece ter aderido de vez ao mantra de Glória Perez em Salve Jorge: "vamos voar!". Além da eliminação sem controle de alguns personagens que mereciam ficar na trama e a chegada de outros que inexplicavelmente brotam do nada na história, um dos últimos absurdos se centraliza na volta da Isabela (Alice Weigmann), que, dada como morta depois de ser jogada de uma lancha no mar, reaparece vingativa como Marina. Até ai, ok. O problema é o fato de vários personagens que conviveram com a Isabela sequer acharem a Marina parecida com ela, com exceção de Tião (José Mayer), o único ser que mostrou ter mais de dois neurônios. Jura que bastou pintar o cabelo da menina de preto, tirarem a franjinha característica, enfiarem um óculos de grau E NINGUÉM RECONHECEU ELA?! Tá, né...

E tudo só piorou no capítulo da última terça (24). Magnólia (Vera Holtz) foi desmascarada diante de todos, tendo seu caso de mais de 20 anos como o genro Ciro (Thiago Lacerda) exposto durante uma exposição. A vilã foi xingada, humilhada, estapeada pela filha, jogada no chão pelo Fausto (que, mesmo doente, sabe-se lá como encontrou tanta força para derrubá-la, mas tudo bem) e ainda levou um soco de Tião. Ufa! Lembra daquelas grandes sequências de revelações bombásticas em família ou em festas na fase de ouro das novelas do Manoel Carlos (como quando Clara revelou pra todo mundo que Capitu era prostituta em Laços de Família)? Então... Não chegou nem perto! Do início ao fim, o exagero deu o tom do capítulo. A fraca direção, o texto pra lá de mexicanizado e os cortes que iam acontecendo deixou tudo muito anticlímax: começou intensa e, de tanto enrolar, terminou morna e bem fraquinha. Mas o pior ainda estava por vir. No final do capítulo, Fausto teve algum tipo de ataque que atingiu todos os índices da cafonice. A cena continua com ele moribundo, deitado na cama, já próximo da morte, com toda a sua família em volta. Fraco, o personagem tem tempo de se despedir de um por um. E enquanto isso acontece, ninguém teve a brilhante ideia de chamar um médico ou uma ambulância para tentar salvar a vida do homem. Ficaram lá, esperando a Dona Morte levá-lo. Afinal, Fausto estava superbem há apenas alguns instantes e, repentinamente, sofreu um problema. Como diria uma certa pensadora contemporânea, gente velha é um perigo, morre por qualquer coisinha... E assim encerra-se a participação de Tarcísio Meira em A Lei do Amor. Ele, que passou a maior parte do tempo deitado numa cama e vinha formando uma dupla até que divertida com Grazi Massafera (Luciane), quando finalmente deu a volta por cima, morre. Enquanto isso, Chatícia, Mileide, Sansão, Padre Paulo, Edu, Olavo e aqueles frentistas seguem firmes e fortes.


Dudu Camargo fazendo strip-tease no SBT Notícias




Preciso nem comentar, né? Está cada vez mais difícil levar o jornalismo do SBT a sério...

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

O Melhor e o Pior dos Programas de TV



E depois de muito atraso, enfim, chegamos a última retrospectiva de 2016. Já falei das melhores e piores atrizes, dos melhores e piores atores, do melhor e o pior da dramaturgia e hoje, para encerrar com chave de ouro, é sobre os pontos positivos e negativos dos programas de TV no ano passado. Confira!


            O MELHOR            



14º lugar: Ding Dong — Claramente adaptado do extinto Qual é a música?, do SBT, o quadro se revelou uma grata surpresa do Domingão do Faustão, trazendo vários nomes esquecidos atualmente do mercado musical com músicas inesquecíveis. É um quadro que uniu todas as gerações: provocou nostalgia nos mais velhos e fez os mais novos descobrirem que a música vai muito além dos MCs de hoje.

13º lugar: Dança dos Famosos — Mais uma vez, a competição de dança se mostrou o melhor quadro do Domingão do Faustão. É um entretenimento despretensioso e que conquista facilmente quem assiste. Essa temporada, em especial, achei a melhor e mais bem disputada de todas, graças às performances engrandecedoras de Sophia Abrahão e Felipe Simas. O formato segue com bastante fôlego!

12º lugar: Tamanho Família — Em meio ao sensacionalismo barato dos seus concorrentes, Domingo Show e Domingo Legal, Tamanho Família provou que é possível divertir e emocionar sem exagerar na apelação. Despretensioso, conseguiu agradar toda a família (que, tradicionalmente, se reúne aos domingos no sofá durante o almoço). O apresentador, aliás, continua afiado e muito seguro com o microfone na mão. Popular e fanfarrão, no estilo de quem não tem vergonha, Marcio Garcia, realmente, fez falta na função.

11º lugar: Zorra — Em seu primeiro ano, lá em 2015, ele já havia enveredado pela política, explorando o tema da corrupção em alguns quadros. Mas foi na estreia da segunda temporada, agora em abril do ano passado, que o humorístico mostrou a intenção de ir fundo no assunto, com referências óbvias e, às vezes, explícitas aos principais personagens de Brasília. Se aproveitando do caos da política brasileira em 2016, o programa pintou e bordou, divertindo com um texto esperto e ganhando cada vez mais relevância.

10º lugar: Programa do Jô — Jô Soares fez a última temporada de seu programa com um vigor impressionante. Talvez para fechar este ciclo com chave de ouro, sua produção não economizou nos convidados e nas atrações. Sempre em ritmo de despedida, Jô recebeu grandes personalidades e fez entrevistas antológicas, com destaque para Fausto Silva, Roberto Carlos e Ziraldo, seu último convidado, que transformou o episódio final do Programa do Jô numa grande homenagem ao multiartista. O programa saiu de cena por cima, mostrando porque ainda era o melhor talk show da TV brasileira. Fará falta!


09º lugar: Conexão Repórter — A única coisa que se salva no jornalismo do SBT. Neste ano, em especial, Roberto Cabrini, sempre competente, deitou e rolou no vasto noticiário que marcou 2016. Realizou entrevistas exclusivas e envolventes com figuras como Dilma Rousseff, Eduardo Cunha, Garotinho e aquela jovem que foi estuprada por mais de 30 homens no Rio de Janeiro; viajou para a Colômbia para cobrir o local da tragédia aérea que envolveu dezenas de jornalistas e jogadores e dirigentes da Chapecoense; entre outras reportagens interessantíssimas, como dos narcotraficantes e prostituição infantil. Sempre com muita seriedade e dando a sua marca especial para cada reportagem.

08º lugar: Amor & Sexo — A Família Tradicional Brasileira ficou em polvorosa, pois o Amor & Sexo voltou ainda mais picante em 2016. A atração deixou para trás a busca de romper tabus relacionados aos temas indicados por seu título. O amor e o sexo foram só pretextos para outro show. A guinada, positiva, foi a marca da temporada, que abraçou de vez a causa da diversidade, sabendo discutir o preconceito com muito bom humor e irreverência. Não que o programa fosse ruim antes, pelo contrário. Mas esse era um pulo do gato necessário para evitar o esgotamento. Além disso, Fernanda Lima é uma excelente apresentadora. Conquistou com muito mérito o bom lugar que tem hoje na televisão.

07º lugar: Nova Escolinha — Mais uma temporada pra lá de bem-sucedida. Em tributo a Chico Anysio, a Nova Escolinha do Professor Raimundo provou que a TV tem história e, em meio ao saudosismo, resgatou o velho humor sem perder a tradição. Os bordões, personagens caricatos, piadas de duplo sentido e politicamente incorretas e infantilidades voltaram com tudo. As piadas parecem ser as mesmas de sempre, só que acompanhado por um frescor moderno, ou seja, inovaram e renovaram o texto sem perder a essência dos personagens originais. Além de apresentar um excelente texto, o maior acerto da Escolinha está no elenco homenageando os grandes nomes que fizeram história na famosa sala de aula. Escolhido a dedo, alguns atores e humoristas parecem ter nascido para o papel, num encaixe perfeito.

06º lugar: Programa do Porchat —  A Record optou por entrar nesta onda de talk shows na madrugada e apostou no talento do jovem Fabio Porchat, escolha mais do que acertada. O formato é o mesmo dos similares, mas tem na presença de Porchat o seu diferencial. Divertido, irreverente, rápido e carismático, ele comanda seu programa com grande presença de palco e, tirando leite de pedra às vezes, seus bate-papos sempre arrancam boas risadas. A única pessoa capaz de simular um boquete em uma esquete com Roberto Justus e fazer a Xuxa voltar a ser interessante merece todo o nosso respeito.

05º lugar: MasterChef Profissionais — Sucesso de audiência e repercussão, o programa manteve as características vitoriosas da franquia, com boas provas e as presenças sempre marcantes do trio Paola Carrosella, Erick Jacquin e Henrique Fogaça, além da apresentadora Ana Paula Padrão. Mas ganhou um tômpero especial com seus participantes, todos chefs profissionais, o que dava uma dimensão ainda maior a cada erro ou falha do concorrente. Mesmo que a Band ainda use e abuse (exageradamente) da franquia, o fato é que MasterChef Profissionais garantiu uma interessante sobrevida ao programa.


04º lugar: Power Couple Brasil — A grande (e melhor) estreia da Record em 2016. Ao longo de quase três meses, acompanhamos oito casais de ex-famosos e pretensos famosos convivendo em uma mesma casa enquanto disputavam várias provas e tentavam arruinar ainda mais a vida uns dos outros. Embora, à primeira vista, a gente se pergunte "quem são?" ao ver a grande maioria desse povo desconhecido, foi o melhor elenco reunido em um reality como a tempos não se via. Todos os participantes, gostando ou não, foram interessantes (destaque para o maravilhoso casal Laura e Jorge, o surto de Gretchen e a derrota da Simony). A dinâmica do jogo foi muito boa e as provas foram todas bem feitas. Empolgou e divertiu como entretenimento descompromissado. Ansioso para a próxima temporada!

03º lugar: Tá no Ar — Mantendo o alto padrão em 2016, o programa não aliviou para ninguém e riu, com coragem, de tudo que há de exagerado, sensacionalista e ridículo na TV brasileira. Da esquete sobre os maiores spoilers das séries dos últimos tempos, passando pelo encontro de todas as Helenas do Manoel Carlos, até a participação de Carlos Alberto da Nóbrega que levou A Praça É Nossa para o plim plim, não há mais amarras em Marcelo Adnet e Márcio Melhem. Aliando inteligência, humor e ousadia, o programa se diferencia de tudo que há na televisão pela capacidade de se posicionar politicamente sem deixar de divertir a audiência com esquetes que quebram a barreira do brilhantismo. Que venha a próxima temporada!

02º lugar: The Voice Kids — A versão infantil do The Voice não foi exatamente um concurso musical, como prometia, mas ofereceu um entretenimento da melhor qualidade, perfeito para quem estava diante da TV no início da tarde aos domingos. Tudo flui melhor: as crianças, talentosas e lindas, os técnicos, sensíveis e com boa empatia com os meninos e meninas (destaque para Ivete Sangalo, sempre tão espontânea, inteligente, engraçada e com ótimas tiradas), o apresentador, a edição, a montagem… Tudo no The Voice Kids apresentou uma qualidade satisfatória, emocionando e explodindo em fofura em todos os momentos.

01º lugar: Ana Paula no BBB16 — Munik foi a grande vencedora do BBB16. E quem se importa? A verdadeira protagonista e vencedora moral da edição do ano passado do reality teve nome e sobrenome: Ana Paula. Goste você dela ou não, o fato é que há muitos anos não víamos uma participante tão incrível e lacradora como Ana Paula. Ela fez história e levou o programa inteiro nas costas, tirando o BBB do tédio e deixando um legado de surtos, barracos, bom-humor, bebedeiras, bordões (Olha elaaaaaa!) e, principalmente, bom entretenimento. Falei sobre Ana em várias matérias: Ana Paula foi o maior trunfo e a maior ruína do BBB16Ana saiu da vida para entrar na históriaAna Paula: heroína vingativa ou vilã surtada?A volta daquela que foi sem nunca ter sido... Que o BBB17 nos traga outra grande protagonista.


               O PIOR                



14º lugar: Vídeo Show — O clássico programa vespertino da Globo voltou a dar dor de cabeça para os diretores da emissora. A apresentadora Monica Iozzi não refrescou tanto assim o programa em termos de audiência, mas é inegável que ela colaborou para dar uma nova cara e um novo rumo ao programa. A dupla que formava com Otaviano Costa funcionava. Mas ela saiu, o canal fez inúmeros testes para encontrar uma nova apresentadora e a escolhida, Maíra Charken, simplesmente não funcionou. Ou seja, a emissora errou ao escalar outra atriz com veia cômica para substituir Iozzi, pois ficou parecendo que Maíra imitava sua antecessora. Logo a dupla foi desfeita, o Vídeo Show virou um samba do crioulo doido num rodízio de apresentadores, até fixar Joaquim Lopes ao lado de Otaviano. Nada adiantou, Vídeo Show voltou a perder para a Record e a atração fica cada vez mais desinteressante, repetitiva e descaracterizada.

13º lugar: Daniela Mercury como jurada do Superstar — O Superstar já teve uns jurados chatos como Dinho Ouro Preto (que não falava nada com nada), Fábio Jr. (que não sabia o que estava fazendo lá) e até a Sandy, mas a Daniela ganhou disparadamente de todos esses. Primeiro, que ela sempre se complicava na hora de votar. Parecia que não entendia muito bem os botões que tinha de apertar, votava "não" quando queria o "sim"... Fora isso, a cantora queria aparecer e chamar a atenção a todo momento, o que só causou vergonha alheia em quem assistia. O programa já era chato, com ela ficou ainda pior.

12º lugar: Panico na Band — Chega a ser triste constatar que um programa que já foi a representação da renovação do humor mostra-se incapaz de se reinventar e passou mais um ano se apoiando no tripé bunda-humilhação-escatologia que parece divertir apenas os diretores do programa. Mesmo "reformulado", continua a mesma porcaria de sempre. O Pânico não tem mais graça e agora só dá constrangimento mesmo de tão tolo e grosseiro que é. E ainda perdeu terreno para o Encrenca, outro programa que também não tem muita graça, mas que está dando mais audiência que ele.

11º lugar: Programa Xuxa Meneghel — Passa ano, entra ano e ele sempre figura em matérias que versam sobre o seu fracasso ou sobre o fato da Record estar arrumando maneiras de trazê-lo de volta à vida. Xuxa confirmou na Record que é apenas uma celebridade que serve para estampar capas de revistas de celebridades e engrandecer os programas dos outros. Não traz brilho para o seu próprio programa, não envolve mais o telespectador e nem desperta interesse para acompanhá-la na semana seguinte.

10º lugar: Adnight — Quando a Globo anunciou que teria um novo talk show apresentado por Marcelo Adnet, acreditava-se que viria uma atração que seria uma resposta da emissora aos novos talk shows que surgiram nos últimos tempos, os ótimos The Noite e Programa do Porchat. No entanto, quando entrou no ar, Adnight mostrou-se sem nenhum "talk" e um "show" um tanto sem graça. Muita parafernália numa atração excessivamente roteirizada e ensaiadinha, fazendo tudo soar asséptico e sem nenhuma emoção. Um programa sem propósito e que desperdiça o talento de Adnet. Poderia não voltar mais, mas terá nova temporada em 2017. Se sua produção se convencer de que menos é mais, talvez tenha alguma solução.


09º lugar: Domingo Show — Um show de chororô na TV brasileira. Todo domingo, Geraldo Luis conta uma história "do povo que emociona o telespectador". Tragédia. Desgraça. Miséria. Pobreza. Subcelebridade afastada da mídia que enfrenta problemas financeiros. Tudo isso, em exceso, cansa.

08º lugar: Batalha dos Cozinheiros — Programa errado, no dia errado, no horário errado. O reality culinário bateu de frente com o bem-sucedido MasterChef, da Band. A emissora escalou uma atração semelhante no mesmo dia e horário do concorrente direto. Tal estratégia estapafúrdia comprometeu a Record. A nova aposta da Record também não apresentou nada de atrativo. A dublagem de Buddy Valastro foi pavorosa. A voz do dublador combinou em nada com o gringo. O chef parava de falar e a voz ainda saía da sua boca! Foi estranhíssimo acompanhar uma disputa com brasileiros e um apresentador dublado.

07º lugar: The X Factor Brasil — Tentativa da Band de entrar na seara dos reality shows musicais, a versão brasileira de The X Factor mostrou-se um grande equívoco. A repercussão negativa começou na primeira audição, marcada por muita desorganização, e a impressão seguiu por toda a trajetória da atração. Jurados fracos, apresentadora insossa, competidores sem brilho e repercussão quase zero fizeram de X Factor um programa para ser esquecido. Mas vai vir nova temporada em 2017. Vai vendo…

06º lugar: Glória Pires no Oscar — O mico do ano! Glória, definitivamente, tal como sua Beatriz na pavorosa Babilônia, não estava "disposta" a fortalecer a cobertura do Oscar 2016 na transmissão da Globo. Pouco à vontade na transmissão e totalmente monossilábica, com comentários do tipo "Curti", "Não curti""Médio", "Não sou capaz de opinar!". Disse filmes que nem concorrendo ao Oscar estavam. "Não assisti!", disparou a atriz sobre alguns concorrentes. Visivelmente, a atriz não estava bem. O telespectador ficou extremamente irritado com a displicência. Um verdadeiro desastre (involuntariamente divertido, não vou negar)! As redes sociais inundaram de críticas e tiraram sarro da performance da Glória Pires.

05º lugar: Silvia Abravanel no Bom Dia & Cia — Essa mania do Silvio Santos de colocar todas as filhas para apresentar programas no SBT já passou bem dos limites. Patrícia Abravanel virou estrela do canal à força, de tanto ser colocada nas mais diversas atrações por seu pai. Outra que foi pelo mesmo caminho é Silvia, que atualmente comanda o Bom Dia & Cia. Acontece que ela não tem o menor jeito para apresentar. É durona, apática, não é engraçada, sem aquele jeitão de "tia da criançada", carisma zero. Triste geração que não acompanhou o Yudi e a Priscila e a Maísa e é obrigada a aturar a Silvia no programa...


04º lugar: Fofocando — Criado a toque de caixa para fazer frente ao Hora da Venenosa, da Record, ainda não disse a que veio (e nem vai dizer). A atração uniu Leão Lobo e Mamma Bruschetta, que traziam notícias tiradas de sites da internet, e ainda enfiou o tosco Homem do Saco (que é o Dudu Camargo) para fazer volume por ali. Como o programa patinou, tratou de reforçá-lo com as presenças de Léo Dias, que finalmente trouxe notícias exclusivas por ali, e Mara Maravilha, que parece orientada a criar polêmicas a qualquer custo. O resultado é um programa tolo, artificial e engessado, que chega a irritar e que derrubou a boa audiência vespertina do canal. Por conta do fracasso, se tornou gravado e foi deslocado para a faixa das 8 da manhã, o que só piorou ainda mais a audiência e o coloca cada vez mais perto do fim.

03º lugar: João Kleber Show — Após extinguir o Você na TV, João Kléber bem que tentou se reinventar e deixar de lado seu estilo pitoresco de fazer TV. Porém, o apresentador não foi bem-sucedido com o João Kleber Show, quando resolveu adotar uma postura e formato diferente do que o seu público estava acostumado a ver, apostando em shows de calouros (ainda que bem mequetrefes). De olho nos ponteiros negativos do Ibope, João retornou aos moldes de outrora e pisou fundo dessa vez na baixaria, na tosquice e na apelação. Destaque para a volta dos famosos segredos "surreais e impressionantes", como o da esposa que revelou que dá sonífero para o marido para poder sair e dançar o ritmo "Ragatanga", e das pegadinhas picantes no estilo Teste de Fidelidade. Um lixo total! Alguém tem coragem de assistir?

02º lugar: Gugu abrindo o mausoléu de Dercy — Já não bastou escandalizar o país com a farsa do PCC, lá em 2003, quando ainda estava no comando do Domingo Legal, e amenizar a culpa de psicopatas assassinos como Suzane Von Richthofen e o goleiro Bruno com entrevistas que os transformavam em celebridades bonitinhas e dóceis, Gugu resolveu abrir o túmulo de uma ícone da TV brasileira, Dercy Gonçalves, para conferir se a finada teria sido enterrada com o caixão em pé. A patifaria ganhou ar de mistério, investigação e lenda urbana. Era para ser uma "homenagem", mas não passou de uma exploração barata da imagem da Dercy. Com tamanha aberração e desrespeito girando em torno dela, Gugu conseguiu, mais uma vez, quebrar a barreira do sensacionalismo, do ridículo e mau gosto na TV. Lastimável!

01º lugar: Dudu Camargo no Primeiro Impacto — Assim como o Fofocando, o Primeiro Impacto foi outra atração criada a toque de caixa por Silvio Santos. Como o jornalístico apresentado por Joyce Ribeiro e Karyn Bravo não conseguiu fazer frente aos noticiosos de Globo e Record no horário, Silvio resolveu "causar" e tratou de substituir as veteranas jornalistas por Dudu Camargo, um rapaz de 18 anos e sem a menor experiência. Sem repertório para comentar as notícias, Dudu fez do noticioso uma grande piada, chegando a dançar (quer dizer, se retorcer como uma lagartixa com câimbra) funk no programa em vários momentos. Uma das metas foi cumprida: o apresentador levou o noticiário a repercutir muito na internet e até quem não conhecia o jornal matinal do SBT passou a conhecê-lo. Pena que a repercussão foi bastante negativa e ainda não teve efeito nenhum no Ibope, que segue em baixa. Joyce e Karyn, felizmente, acabaram voltando para a bancada, mas Dudu seguiu ali, fazendo a credibilidade da atração ir ladeira abaixo. Nesta semana, o SBT anunciou o fim do Primeiro Impacto, mas Dudu Camargo seguirá "firme e forte" no horário, participando do revezamento de apresentadores do SBT Notícias. Eu dispenso!

Obviamente, a lista é baseada unicamente na opinião desse humilde redator que vos escreve. Portanto, está sujeita a injustiças e esquecimentos. Cabe a cada um dos leitores concordar ou não, dar a sua opinião, completar a lista, me esculhambar nos comentários...


domingo, 10 de abril de 2016

O Melhor e o Pior da Semana (03 à 09/04)




  O MELHOR DA SEMANA  



O final da terceira temporada do Tá no Ar


Pense num programa que consegue se superar cada vez mais... Tá no Ar! Aliando inteligência, humor e ousadia, o programa se diferenciou de tudo que há na TV atualmente pela capacidade de se posicionar sobre o acontece no Brasil e no mundo (dentro e fora da telinha) sem deixar de divertir com esquetes que beiram o brilhantismo. E, para encerrar a terceira temporada com chave de ouro, o Tá no Ar nos presenteou em seu episódio final (5) com dois momentos geniais que já entraram para a história da TV brasileira. Sem dúvida nenhuma, foi o melhor episódio de todo o humorístico.

Para assistir à esquete das Helenas, basta clicar na imagem.

Na esquete Clones em Família, todas as atrizes que interpretaram uma Helena nas novelas do Maneco (Maitê Proença, Christiane Torloni, Regina Duarte, Taís Araújo, Vera Fischer e Júlia Lemmertz) apareceram para homenagear José Mayer, que lançava um livro sobre sua experiência com as personagens. O ator contracenou e foi par romântico de quase todas as atrizes que interpretaram Helenas, com exceção de Maitê e Lemmertz. Mas quem brilhou mesmo na esquete foi Lília Cabral, que, ao ser barrada na porta pela recepcionista por não ser uma Helena, revela que sempre quis ser uma Helena, mas nunca foi chamada para interpretar. A piada final ficou por conta do eterno Cigano Igor (Ricardo Macchi) em uma cena com Regina Duarte, onde ele tentava falar de seus sentimentos sobre um livro e tentou mostrar a expressão que ficou por conta do livro, tirando onda das críticas que recebeu na época de Explode Coração em que sua atuação era inexpressiva. Ainda teve as participações de outros dois personagens: Tio Ali (Stenio Garcia) e Dr. Albieri (Juca de Oliveira), ambos de O Clone (daí o título da esquete ser Clones em Família). Uma reunião pra lá de inusitada.

Para assistir à esquete com Carlos Alberto, basta clicar na imagem.

Mas o ponto alto da noite foi a homenagem hilariante a um clássico da concorrência: A Praça É Nossa, do SBT. Com participação de Carlos Alberto de Nóbrega, que apresenta o programa desde 1987, o quadro contou com uma interpretação perfeita de Marcius Melhem para a personagem da Velha Surda, criada por Roni Rios (1936-2001), que ficou famosa por confundir palavras e disparar uma metralhadora de piadas de duplo sentido. O curioso foi que o programa aproveitou a deixa para fazer piadas sobre a rivalidade entre SBT e Globo, mostrando, na verdade, o completo oposto: que a relação das duas é sim amigável e bem mais flexível do que com uma c.e.r.t.a emissora bíblica. Todas as frases de Carlos Alberto são interpretadas pela Velha Surda como referências aos canais de TV. Genial!


Outros acertos da atração exibida no episódio final também merecem ser citados. Entre elas, a interação dos personagens mais famosos do humorístico: o Jorge Bevilácqua (apresentador do Jardim Urgente), Tony Karlaquian (responsável pelo Balada Vip) e Tenente Pitombo (dono do Pitombo Game Show), que participaram da campanha "Adulto Esperança", em alusão ao Criança Esperança. O clipe final, reunindo todas as Galinhas Pretas Pintadinhas (que representaram as várias religiões alvos de deboches ao longo das temporadas) com uma paródia do clássico "We Are The World", foi hilário, ao mesmo tempo em que fez uma importante conscientização sobre a tolerância religiosa.

Um encerramento perfeito para um programa consciente, com um texto sempre afiado, um elenco incrível, que soube fazer piadas com opressores (religião, poder público, marcas) em vez de caçoar de oprimidos e que não tratou seu telespectador como um acéfalo como outros humorísticos costumam fazer. Deu gosto ligar a TV aberta e encontrar algo como o Tá No Ar. Que venha a quarta temporada!

O emocionante final de Pé na Cova


Em clima de luto. Foi assim que Pé na Cova se despediu do público. Nas cenas finais do último episódio, ao som de Goodbye e Air Supply, a alegria deu lugar a tristeza e a melancolia. Ainda mais porque esse foi o último trabalho de Marília Pera, que faleceu em dezembro do ano passado, só reforçando o clima de luto. Triste foi ver o Ruço (Miguel Falabela), sozinho, se despedindo da série, com flashbacks de cenas recontando toda a história da série desde a primeira temporada. De partir o coração. Incrível como Pé na Cova conseguiu extrair risos e choros do público ao mesmo tempo.


Ao longo das cinco temporadas, Pé na Cova utilizou do humor negro para brincar com a morte e debochar sobre a desgraça humana. Acima de tudo, ensinou sobre a vida. Apesar dos personagens estranhos e politicamente incorretos cutucarem assuntos sérios e preconceituosos, o público, no geral, não se ofendeu. Pelo contrário. Acabaram caindo no gosto popular, que refletiu, chorou e, principalmente, riu com o pessoal do Irajá. A mesclagem do texto poético, polêmico e irreverente, somado a atuações maravilhosas e personagens inesquecíveis, vai deixar (muitas) saudades. Fui!

A estreia do Zorra



O Tá No Ar e Pé na Cova chegaram ao fim, mas ainda restará um pouco de humor inteligente, crítico e de qualidade na TV aberta. O Zorra estreou a sua nova temporada na noite deste sábado (9) fazendo piadas com o impeachment da presidente Dilma e com o seu padrinho político, o ex-presidente Lula. O programa aproveitou ainda o noticiário político turbulento do nosso país para fazer referências à liquidação de cargos oferecidos pelo governo federal. Numa das cenas (a melhor da noite), um bandido que mantém a mulher refém exige um ministério como condição para libertá-la, afinal, "com ministério não vai pegar nada pra ele". Em outra, atores simulam a busca desesperada pelo porteiro José da Silva, o novo líder da Nação brasileira, que irá substituir a presidente que sofreu o impeachment: "A presidenta sofreu um impeachment ou golpe, depende do ponto de vista, então você assumiu". Entre várias outras esquetes (ágeis e divertidas) de cunho político. E ainda houve uma brincadeira com a imagem de Deus, que ofereceu a uma moça a chance de ser a mãe do filho do "todo poderoso". Que a patrulha do politicamente correto não boicote o Zorra. Me diverti pakas!


  O PIOR DA SEMANA  



Os pais homofóbicos de Max + A volta de Sofia



É verdade que as sequências em que Max (Pablo Sanábio excelente) se finge de hétero para os pais homofóbicos foram hilárias, principalmente pela presença do impagável Jamaica, que atrapalhou todo o plano. O gancho final, com a revelação de que os pais além de homofóbicos são racistas, foi impactante. A cena em que o rapaz conta toda a verdade e depois chora foi linda, assim como o momento posterior, quando os pais voltam e tentam aceitar o filho como ele é. Além de ter sido uma sacada de mestre o fato dos pais de Max se chamarem Jayr e Mirian, numa referência clara a Jair Bolsonaro e Myrian Rios. Mas foi tudo muito surreal. Não sei qual foi o momento mais absurdo da sequência: a cena do preconceito dos pais ou eles terem mudado de opinião tão rapidamente. Entendo que a proposta era trazer o racismo e a homofobia a tona, mas foi tudo feito rápido demais. Os autores poderiam ter dedicado mais tempo ao tema e ter feito uma melhor abordagem. Mais crível.


 Outra situação absurda em Totalmente Demais essa semana foi a volta de Sofia. Apesar de ter movimentado a novela, não me convenceu essa história dela decidir fingir que morreu logo após sofrer o acidente de carro. Ficou parecendo mais uma trama avulsa criada aos 45 do segundo tempo.

Cada vez mais escrachado, o Você na TV apela para o sobrenatural


Nada mudou: João Kleber continua fazendo suspense antes de revelar segredos "graves", "fortes", "chocantes" ou "inacreditáveis" toda tarde na RedeTV! com o Você na TV. O problema é que o conteúdo do programa que apresenta nunca esteve tão escrachado e absurdo. O repertório de baixarias já está até esgotando, tanto é que o Você na TV tem investido no sobrenatural. Parece até um programa de humor (de gosto duvidoso, é claro). Veja abaixo algumas das mais recentes revelações:

Pagando bem, que mal tem?

Isso que dá assistir muito Scooby Doo...

A reação da vizinha define tudo

Um antibiótico que se guarda na cueca, só pode!

VIAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAADOOOOO!

Não consegui achar a imagem, mas o segredo era: "Namorado
revela que é um vampiro de 230 anos". Maldita geração Crepúsculo!

O namorado da moça é IN-VI-SÍ-VEL!!!

Detalhe: essa mesma mulher do segredo anterior retornou ao programa dias depois
pedindo ajuda ao João Kleber para achar seu namorado invisível. "Ele sumiu", disse ela.

Definitivamente, o Você na TV é o suprassumo da escrotidão na TV brasileira. É incrível como a RedeTV! tem coragem de colocar um programa desses no ar. Mais incrível ainda é saber que existem pessoas que dão Ibope pra isso. Quem assiste e gosta do programa deveria ser objeto de estudos.

segunda-feira, 28 de março de 2016

O Melhor e o Pior da Semana (20 à 26/03)




   O MELHOR DA SEMANA   


O assassinato do Capitão Rosa



Emoção à flor da pele em Velho Chico. O capítulo de terça-feira (22) arrancou lágrimas, emocionou e mostrou uma união perfeita entre atores, texto e direção como poucas vezes já se viu na TV brasileira. Foi uma noite de virada. Uma noite de surgimento de um novo coronel, tradições populares, colocar Encarnação (Selma Egrei) em seu lugar, morte do capitão e de casamento. Algumas sequências merecem destaque. A primeira delas é a que termina com a Roda de Dança para São Gonçalo, marcada por diálogos fortes que contaram um pouco da história de Dona Encarnação e do que virá pela frente na relação entre mãe e filho. Depois, os quase cinco minutos de uma linda vida de Eulália e Capitão Rosa. Os dois pressentem a chegada da morte e deixam o amor conduzir a conversa, a caminhada e a dança. O último de tudo. E. para encerrar o capítulo, o contraste entre o casamento de Leonor e Afrânio com a morte encomendada do Capitão, que se rende diante do inevitável.



Difícil apontar quem brilhou mais num capítulo como o de terça-feira, mas impossível não aplaudir Fabiula Nascimento, que achou o tom certo e a postura correta para cada cena exibida na tal noite: de mulher apaixonada, a que admira seu marido, a que deseja o homem de sua vida e a que se desespera com a morte de seu amor. A forma como a atriz brilha e se reinventa a cada papel é fascinante.

O "cegonho" de Romeu


Cunegundes não acredita em Romeu (Foto: Pedro Carrilho/Gshow)

Enquanto a história de Candinho (Sérgio Guizé) chega a ser meio sonolenta, a agitação fica por conta do povo da fazenda Dom Pedro II. As confusões da família de Cunegundes (Elizabeth Savalla) são diversão garantida em Eta Mundo Bom, como já havia falado várias vezes atrás (relembre aqui).



Quem roubou a cena essa semana foi o corpão do Klebber Toledo. Na ânsia de reconquistar Mafalda, Romeu apareceu até pelado em cena. E o público adorou os nudes do bonitão, tanto que o assunto repercutiu bastante nas redes sociais. O melhor de tudo foi a reação de Mafalda, que ficou até com uma "quentura" depois de ver o "cegonho" do amado. Camila Queiroz divertidíssima. A espertinha deu uma conferida no rapaz enquanto ele tomava banho no rio e depois roubou as roupas do ex-noivo e o fez andar pelado pela fazenda diante de todos. Hilário! Outros dois momentos impagáveis: Romeu jogando dinheiro para a família de Cunegundes e ela apanhando de Eponina (Rosi Campos).

Boca de Fogo parte para cima do filho (Foto: TV Globo)

Jeniffer Nascimento e Dhu Moraes, que já estavam arrasando, cresceram ainda mais na trama essa semana com o anúncio de que Dita está "prenha" de Quincas (Miguel Rômulo). Manuela exigiu que os dois se casassem, para o desespero da Dona Boca de Fogo, que não quer ter um neto "torradinho". Ver Dita batendo de frente com Cunegundes e empurrando a futura sogra no chiqueiro não teve preço. Um presente para as duas atrizes e para nós, telespectadores, que continuaremos nos divertindo.

Até quem faz rir, sabe fazer chorar em TD+



Totalmente Demais é um exemplo claro de novela onde tudo funciona, com drama e humor na medida certa. Os núcleos cômicos fazem rir e os núcleos sérios passam emoção. E até mesmo quem é do núcleo cômico consegue passar emoção. Malu Galli, Ailton Graça e Aline Fanju estão se saindo muito bem nas cenas de drama. Se Rosângela, Florisval e Maristela já faziam rir, nesta nova fase, devido ao grave acidente que deixou Wesley em coma, emocionam o telespectador.

Tudo começa quando Débora explode com a irmã (Foto: TV Globo)

O mesmo vale para a maluquete e impagável Cassandra. Juliana Paiva brilhou ao lado de Olívia Torres na emocionante cena em que Débora abre o jogo com Cassandra e vomita tudo o que estava engasgado contra a irmã; e brilhou também ao lado de Daniel Blanco, na linda e divertida cena em que Cassandra termina tudo com Fabinho, deixando o rapaz livre para Débora e ainda mais acirrada a disputa entre os fãs dos shippers Debinho vs Cassinho nas redes sociais. Como eu já havia dito (leia aqui), Totalmente Demais é eficaz na construção de casais/triângulos amorosos. Shippamos todos e ficamos dividido. E um mesmo personagem chega a fazer dois ou mais triângulos amorosos. O bom disso é que, independente de quem fique com quem no final, vamos amar do mesmo jeito, porque todos eles tem química e uma história bem desenvolvida. Que novela totalmente demais!

Chico Buarque de Orlando




Na edição desta semana do Tá no Ar, Marcelo Adnet protagonizou um dos melhores momentos desta temporada num clipe com os "sucessos de Chico Buarque de Orlando", representantes da música popular de direita. Ao ritmo de "A Banda", ele cantou "Fui protestar na Paulista e alguém interveio e falou". A versão de "Calice" foi cantada como "pai, parcela pra mim esse Nike, parcela pra mim essa Calvin Klein". O ator fez o que sempre faz brilhantemente. Ele conseguiu criticar através do humor, foi leve e contundente, pegou a batida exata para cada letra e brincou com um fato que está tão em evidência, afinal, domingo que vem será de passeatas para protestar contra o governo Dilma Roussef. Muitos "coxinhas" das manifestações devem ter se sentido homenageados com a paródia...


   O PIOR DA SEMANA   



Globo devia salvar o Bem Estar e torná-lo semanal




O Bem Estar, diário, já deu o que tinha que dar. O formato é excelente, os apresentadores e consultores são ótimos, mas o programa está repetitivo demais. Algumas pautas já foram abordadas duas, três... quatro vezes! Já não sei em quantas ocasiões ouvi a doutora Márcia falando que basta apenas um banho por dia e insistindo para não usarmos esponjas. Só nessa semana houve várias abordagens diariamente sobre o mesmo assunto: dietas. E, nesse quesito, já estão até revisitando a do Fernando Rocha em razão da falta de assunto. Diante deste cenário, somado ainda ao fato da atração ser a pior audiência matinal da Globo, o melhor caminho seria torná-lo semanal. #FicaADica

O que tem de especial nas atrações da Record aos sábados?



Faz tempo que queria fazer essa pergunta. Oh, dúvida cruel! Fala Brasil Especial, Cidade Alerta Especial, Jornal da Record... Especial, é claro! Se nos dois primeiros casos ainda existissem reportagens diferenciadas, como as séries que os jornalísticos sempre fazem, daí sim poderiam serem chamadas de especiais, mas não. É o mesmo do restante da semana. Pior ainda é pensar no que existe de especial aos sábados no Cidade Alerta. Luiz Bacci? Fabiola Gadelha? É cada uma que aparece...

Barriga de Leonor sai do lugar em Velho Chico



Eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, a direção primorosa de Luiz Fernando Carvalho iria cometer algum furo ou um deslize qualquer. Tava tudo perfeito demais. E aconteceu no capítulo de sexta (25). Geeente, olha só onde foi parar a barriga da Leonor. Agora tá explicado porque ela morreu na hora do parto: o bebê nasceu entre os seios! Será que a Falsa Grávida de Taubaté emprestou a bola do Kiko pra Globo usar na cena? Muito mal feito! Foi um errinho bobo, mas mostra que ninguém é 100% perfeito.

Mico?! Bruno de Luca paga King Kong no Faustão!



Até agora não entendi direito qual foi a função do Bruno de Luca no Domingão do Faustão retrasado (20). Ele pagou um mico atrás do outro. Primeiro, parecia que Bruno era animador de auditório. Ficou no palco fazendo gracinhas ao lado do apresentador e das bailarinas, mas quase ninguém ria. Depois, veio o grande vexame da noite: ele apareceu... cheirando... axilas!!! Essa tarefa agradável fez parte de uma reportagem de Bruno com um homem que fabrica desodorantes, em Recife. Para finalizar o mico do dia, Bruno de Luca ajudou Faustão a comentar as videocassetadas. E ficou pior do que a Gloria Pires comentando o Oscar... Sem saber o que dizer, Luca se limitou a brincar com as cenas e rir de todas as piadas manjadas de Faustão. Constrangedor. Se o programa em si já é uma tortura, a participação do Bruno só confirmou porque o domingo é o pior dia da semana na TV aberta.


P.S.: Perdoem pelo atraso do Melhor e Pior da Semana. Motivos de

força maior não me permitiram postar a nossa seção semanal ontem.




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