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domingo, 10 de abril de 2016

O Melhor e o Pior da Semana (03 à 09/04)




  O MELHOR DA SEMANA  



O final da terceira temporada do Tá no Ar


Pense num programa que consegue se superar cada vez mais... Tá no Ar! Aliando inteligência, humor e ousadia, o programa se diferenciou de tudo que há na TV atualmente pela capacidade de se posicionar sobre o acontece no Brasil e no mundo (dentro e fora da telinha) sem deixar de divertir com esquetes que beiram o brilhantismo. E, para encerrar a terceira temporada com chave de ouro, o Tá no Ar nos presenteou em seu episódio final (5) com dois momentos geniais que já entraram para a história da TV brasileira. Sem dúvida nenhuma, foi o melhor episódio de todo o humorístico.

Para assistir à esquete das Helenas, basta clicar na imagem.

Na esquete Clones em Família, todas as atrizes que interpretaram uma Helena nas novelas do Maneco (Maitê Proença, Christiane Torloni, Regina Duarte, Taís Araújo, Vera Fischer e Júlia Lemmertz) apareceram para homenagear José Mayer, que lançava um livro sobre sua experiência com as personagens. O ator contracenou e foi par romântico de quase todas as atrizes que interpretaram Helenas, com exceção de Maitê e Lemmertz. Mas quem brilhou mesmo na esquete foi Lília Cabral, que, ao ser barrada na porta pela recepcionista por não ser uma Helena, revela que sempre quis ser uma Helena, mas nunca foi chamada para interpretar. A piada final ficou por conta do eterno Cigano Igor (Ricardo Macchi) em uma cena com Regina Duarte, onde ele tentava falar de seus sentimentos sobre um livro e tentou mostrar a expressão que ficou por conta do livro, tirando onda das críticas que recebeu na época de Explode Coração em que sua atuação era inexpressiva. Ainda teve as participações de outros dois personagens: Tio Ali (Stenio Garcia) e Dr. Albieri (Juca de Oliveira), ambos de O Clone (daí o título da esquete ser Clones em Família). Uma reunião pra lá de inusitada.

Para assistir à esquete com Carlos Alberto, basta clicar na imagem.

Mas o ponto alto da noite foi a homenagem hilariante a um clássico da concorrência: A Praça É Nossa, do SBT. Com participação de Carlos Alberto de Nóbrega, que apresenta o programa desde 1987, o quadro contou com uma interpretação perfeita de Marcius Melhem para a personagem da Velha Surda, criada por Roni Rios (1936-2001), que ficou famosa por confundir palavras e disparar uma metralhadora de piadas de duplo sentido. O curioso foi que o programa aproveitou a deixa para fazer piadas sobre a rivalidade entre SBT e Globo, mostrando, na verdade, o completo oposto: que a relação das duas é sim amigável e bem mais flexível do que com uma c.e.r.t.a emissora bíblica. Todas as frases de Carlos Alberto são interpretadas pela Velha Surda como referências aos canais de TV. Genial!


Outros acertos da atração exibida no episódio final também merecem ser citados. Entre elas, a interação dos personagens mais famosos do humorístico: o Jorge Bevilácqua (apresentador do Jardim Urgente), Tony Karlaquian (responsável pelo Balada Vip) e Tenente Pitombo (dono do Pitombo Game Show), que participaram da campanha "Adulto Esperança", em alusão ao Criança Esperança. O clipe final, reunindo todas as Galinhas Pretas Pintadinhas (que representaram as várias religiões alvos de deboches ao longo das temporadas) com uma paródia do clássico "We Are The World", foi hilário, ao mesmo tempo em que fez uma importante conscientização sobre a tolerância religiosa.

Um encerramento perfeito para um programa consciente, com um texto sempre afiado, um elenco incrível, que soube fazer piadas com opressores (religião, poder público, marcas) em vez de caçoar de oprimidos e que não tratou seu telespectador como um acéfalo como outros humorísticos costumam fazer. Deu gosto ligar a TV aberta e encontrar algo como o Tá No Ar. Que venha a quarta temporada!

O emocionante final de Pé na Cova


Em clima de luto. Foi assim que Pé na Cova se despediu do público. Nas cenas finais do último episódio, ao som de Goodbye e Air Supply, a alegria deu lugar a tristeza e a melancolia. Ainda mais porque esse foi o último trabalho de Marília Pera, que faleceu em dezembro do ano passado, só reforçando o clima de luto. Triste foi ver o Ruço (Miguel Falabela), sozinho, se despedindo da série, com flashbacks de cenas recontando toda a história da série desde a primeira temporada. De partir o coração. Incrível como Pé na Cova conseguiu extrair risos e choros do público ao mesmo tempo.


Ao longo das cinco temporadas, Pé na Cova utilizou do humor negro para brincar com a morte e debochar sobre a desgraça humana. Acima de tudo, ensinou sobre a vida. Apesar dos personagens estranhos e politicamente incorretos cutucarem assuntos sérios e preconceituosos, o público, no geral, não se ofendeu. Pelo contrário. Acabaram caindo no gosto popular, que refletiu, chorou e, principalmente, riu com o pessoal do Irajá. A mesclagem do texto poético, polêmico e irreverente, somado a atuações maravilhosas e personagens inesquecíveis, vai deixar (muitas) saudades. Fui!

A estreia do Zorra



O Tá No Ar e Pé na Cova chegaram ao fim, mas ainda restará um pouco de humor inteligente, crítico e de qualidade na TV aberta. O Zorra estreou a sua nova temporada na noite deste sábado (9) fazendo piadas com o impeachment da presidente Dilma e com o seu padrinho político, o ex-presidente Lula. O programa aproveitou ainda o noticiário político turbulento do nosso país para fazer referências à liquidação de cargos oferecidos pelo governo federal. Numa das cenas (a melhor da noite), um bandido que mantém a mulher refém exige um ministério como condição para libertá-la, afinal, "com ministério não vai pegar nada pra ele". Em outra, atores simulam a busca desesperada pelo porteiro José da Silva, o novo líder da Nação brasileira, que irá substituir a presidente que sofreu o impeachment: "A presidenta sofreu um impeachment ou golpe, depende do ponto de vista, então você assumiu". Entre várias outras esquetes (ágeis e divertidas) de cunho político. E ainda houve uma brincadeira com a imagem de Deus, que ofereceu a uma moça a chance de ser a mãe do filho do "todo poderoso". Que a patrulha do politicamente correto não boicote o Zorra. Me diverti pakas!


  O PIOR DA SEMANA  



Os pais homofóbicos de Max + A volta de Sofia



É verdade que as sequências em que Max (Pablo Sanábio excelente) se finge de hétero para os pais homofóbicos foram hilárias, principalmente pela presença do impagável Jamaica, que atrapalhou todo o plano. O gancho final, com a revelação de que os pais além de homofóbicos são racistas, foi impactante. A cena em que o rapaz conta toda a verdade e depois chora foi linda, assim como o momento posterior, quando os pais voltam e tentam aceitar o filho como ele é. Além de ter sido uma sacada de mestre o fato dos pais de Max se chamarem Jayr e Mirian, numa referência clara a Jair Bolsonaro e Myrian Rios. Mas foi tudo muito surreal. Não sei qual foi o momento mais absurdo da sequência: a cena do preconceito dos pais ou eles terem mudado de opinião tão rapidamente. Entendo que a proposta era trazer o racismo e a homofobia a tona, mas foi tudo feito rápido demais. Os autores poderiam ter dedicado mais tempo ao tema e ter feito uma melhor abordagem. Mais crível.


 Outra situação absurda em Totalmente Demais essa semana foi a volta de Sofia. Apesar de ter movimentado a novela, não me convenceu essa história dela decidir fingir que morreu logo após sofrer o acidente de carro. Ficou parecendo mais uma trama avulsa criada aos 45 do segundo tempo.

Cada vez mais escrachado, o Você na TV apela para o sobrenatural


Nada mudou: João Kleber continua fazendo suspense antes de revelar segredos "graves", "fortes", "chocantes" ou "inacreditáveis" toda tarde na RedeTV! com o Você na TV. O problema é que o conteúdo do programa que apresenta nunca esteve tão escrachado e absurdo. O repertório de baixarias já está até esgotando, tanto é que o Você na TV tem investido no sobrenatural. Parece até um programa de humor (de gosto duvidoso, é claro). Veja abaixo algumas das mais recentes revelações:

Pagando bem, que mal tem?

Isso que dá assistir muito Scooby Doo...

A reação da vizinha define tudo

Um antibiótico que se guarda na cueca, só pode!

VIAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAADOOOOO!

Não consegui achar a imagem, mas o segredo era: "Namorado
revela que é um vampiro de 230 anos". Maldita geração Crepúsculo!

O namorado da moça é IN-VI-SÍ-VEL!!!

Detalhe: essa mesma mulher do segredo anterior retornou ao programa dias depois
pedindo ajuda ao João Kleber para achar seu namorado invisível. "Ele sumiu", disse ela.

Definitivamente, o Você na TV é o suprassumo da escrotidão na TV brasileira. É incrível como a RedeTV! tem coragem de colocar um programa desses no ar. Mais incrível ainda é saber que existem pessoas que dão Ibope pra isso. Quem assiste e gosta do programa deveria ser objeto de estudos.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

O Melhor e o Pior da Semana (7 à 13/02)



O MELHOR DA SEMANA


Despedida da Monica



Sabe aquela história de que a esperança é a última que morre? Pois eu tive até o último instante em relação à Monica Iozzi. Ela e Otaviano Costa passaram o programa dessa sexta (12/02) falando que tinham uma bomba e eu logo pensei: será que vão anunciar algo do tipo "Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, digam ao povo que Iozzi fica"? Infelizmente, ela realmente apresentou pela última vez o Vídeo Show. E, tem que ser falado, foi uma baita burrada da Globo não segurar a moça ali no programa. Claro, tem todo o lado de que a própria Monica quis sair para se dedicar à carreira de atriz, então ficava meio difícil para a emissora mantê-la ali contra a vontade. Mas ela deu tão certo no Vídeo Show ao lado de Otaviano e ajudou a deixar a atração mais redonda depois do estrago causado por Zeca Camargo que a Globo tinha que ter dado um jeito de segurá-la ali. Enfim, ela deve saber o que está fazendo. Resta saber agora como ficará o programa a partir de amanhã com Joaquim Lopes substituindo a Moniquinha e formando dupla com o Otaviano na bancada. De qualquer forma, a despedida foi muito bonita e emocionante, com direito a homenagem ao contrário, muitas lágrimas e um dueto: Chegadas e Partidas. A escolha da música foi perfeita. Mas fica o pedido: VOLTA MONICA!

Maria é bem mais mocinha do que a Filó



Nota dez para a Bianca Bin em Eta Mundo Bom!. Ela é uma atriz consistente e está convencendo perfeitamente bem em todas as suas cenas dramáticas como a sofrida Maria. Está ofuscando a verdadeira mocinha da trama. Bem que o Walcyr Carrasco poderia causar uma reviravolta na novela fazendo com que Candinho (Sergio Guizé) se apaixonasse por ela, transformando-a na mocinha definitiva. Filomena é chata e a Débora Nascimento não convence. Leia mais sobre isso aqui.

Encontros do passado com o presente



O que você falaria se encontrasse com o seu "eu" de 20, 30 anos atrás? Parece loucura, né? No emocionante episódio dessa quinta-feira (11/02) de Pé na Cova, os moradores do Irajá passaram por essa situação. Da noite para o dia, todos começaram a enxergar os jovens Ruço (Rafael Canedo), Darlene (Paula Frascari), Luz Divina (Karen Brustolin), Floriano (João Carlos Ferreira) e Juscelino (Rafael Schimitt) perambulando pelas ruas do bairro. O encontro dos protagonistas do presente com seus fantasmas do passado, podendo mudar o curso de suas histórias, foi melancólico e, ao mesmo tempo, extremamente divertido. Incrível como a série passa do humor para a tristeza em questão de segundos. Além do texto sempre inspirado de Miguel Falabela, é impressionante a semelhança do elenco jovem com os atores mais velhos. Todas as caracterizações deles estão absurdamente iguais. Vale mencionar que as cenas finais de Ruço e Darlene são sempre reflexivas e tocantes. Parece até uma despedida semanal da Marília Pêra. Esse lirismo do texto é maravilhoso. Genial.

A virada de Zé Maria



A volta de Zé Maria como um homem íntegro após ser claro na trama que ele matou friamente as vítimas da chacina de Seropédica, mandou o filho para cadeia e tentou matar Tóia (Vanessa Giácomo) várias vezes poderia ter soado forçado ou incoerente se fosse escrito por outro autor ou interpretado por outro ator. Mas, assim como o texto de João Emanuel Carneiro consegue tornar tudo mais crível, Tony Ramos conseguiu imprimir diversas nuances em sua criação e deu uma cara nova ao vilão regenerado sem perder a sua essência: a frieza. Zé Maria não virou nenhum bonzinho, mas continua no mundo do crime por uma causa justa: libertar a esposa e a filha das mãos de Gibson (José de Abreu). Eu, pelo menos, conseguiu sentir verdade no reencontro dele com Adisabeba (Suzana Vieira) e na sua conversa de pai e filho com Juliano onde revelou querer destruir a facção. Ele, apesar dos pesares, realmente parece amar o filho, assim como também passa verdade o seu amor por Aninha e Kiki (Debora Evelyn). Fora isso, A Regra do Jogo segue imperdível e de tirar o fôlego.

O PIOR DA SEMANA


Transmissão das Escolas de Samba do RJ


Luís Roberto, Fátima Bernardes e Tiago Leifert no "Carnaval Globeleza"

A Globo começou a transmissão dos desfiles das Escolas de Samba do segundo dia do grupo Especial do Rio de Janeiro por volta das 22h45 dessa segunda (08/02), quando a Vila Isabel ainda passava pelo Sambódromo. A situação confundiu os narradores da emissora, Luis Roberto e Fátima Bernardes, já que eles se viram impedidos de descrever o final do desfile da escola de Martinho da Vila. A abertura com a Vila Isabel passou ao vivo somente pelo portal G1, mas sua apresentação acabou cerca de 20 minutos antes do fim, com ainda dois carros pra passar. Pra disfarçar, a Globo até exibiu na manhã do dia seguinte um compacto de cerca de 45 minutos do desfile da Vila Isabel, porém, encerrado abruptamente por Luis Roberto com uma imagem da atriz Aghata Moreira, sem mostrar o final da escola. Como previu Fátima Bernardes em um áudio vazado durante a transmissão, ficou estranho. Um tremendo desrespeito com o público e com as agremiações. Além disso, não sei porque a Globo ainda insiste em colocar Fátima Bernardes e Luís Roberto para serem comentaristas em uma função que eles desconhecem: escola de samba. Salvo apenas o Milton Cunha, esse sim um comentarista que entende do assunto e sempre com ótimos comentários. O resto parece até "alemão no samba". Sem falar que o Carnaval Globeleza deixa justamente o carnaval em segundo plano. A transmissão não mostra o esquenta das escolas. E não há momento mais emocionante para os foliões apaixonados do que o grito de guerra da escola, a cantoria dos sambas antigos, a bateria começando a esquentar... Enquanto isso está acontecendo, o programa fica mostrando como Deborah Secco está vivendo a maternidade (deve ser como qualquer mãe, né?) ou ouvindo a monossilábica irmã de Neymar (quem???) com cara de quem está odiando estar ali. A transmissão precisa focar mais no assunto principal, que são os desfiles. E deixar as celebridades para os programas que tratam disso.

Cissa e André no Mais Você



PELO AMOR DE DEUS, VOLTA ANA MARIA BRAGA!!! Não aguento mais ver o André Marques sempre com aquele ovo dentro da boca e a Cissa Guimarães eternamente adolescente no comando do Mais Você. Que escalassem substitutos menos chatos e falastrões. Fora as pautas desinteressantes.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

O Melhor da Dramaturgia em 2015



E os pontos positivos das novelas, séries, seriados ou minisséries de 2015 foram...


13º lugar: Cúmplices

Cúmplices De Um Resgate comprova que o SBT caminha para se tornar referência não só no Brasil, mas internacionalmente, em teledramaturgia infantil. Com qualidade ímpar em cenografia, figurino, maquiagem, iluminação e sonoplastia, o remake mexicano adaptado por Iris Abravanel é a melhor novela infantil da emissora no quesito produção. Mais adulta que Carrossel e Chiquititas, Cúmplices aborda temas como religião, sexualidade, troca de bebês e adoção, mas tudo isso de maneira leve, colorida e com bastante música. As atuações são corretas, nada surpreendente, mas coerentes com a proposta da novela. A direção de Reynaldo Boury capricha em detalhes e o texto de Iris Abravanel enriquece a versão brasileira, comparada ao original mexicano.

12º lugar: Mister Brau

Dois atores de muito talento e carisma, um ótimo texto e uma direção bem conduzida. Eis a receita para o sucesso de Mister Brau. Lázaro Ramos, como o personagem título, e sua mulher Taís Araújo, como a dançarina Michele, formam uma dupla muito afinada. Ele, em especial, está muito solto em cena e mostrando um lado musical muito forte. O humor de Jorge Furtado, que assina o roteiro final, e sua equipe é ácido e rápido, cheia de boas tiradas. Investindo na música e no glamour para falar sobre fama e tolerância, Mister Brau consegue fazer crítica social e divertir. Já espero ansiosamente a segunda temporada!

11º lugar: Malhação Sonhos

Falar de Malhação é um caso sério. A novelinha teen já exibiu uma avalanche de temáticas e histórias por mais de vinte anos que, involuntariamente, são novamente contadas, mas de um jeito diferente. Por isso, sempre há um grande risco de cair naquela repetição cansativa e deixar o público com a falsa impressão de que é mais do mesmo. Entretanto, os autores de Malhação Sonhos, Rosane Svartman e Paulo Halm, conseguiram construir uma história repleta de bons dramas, casais cativantes, ótimo elenco e personagens carismáticos. Recuperando o prestígio dos anos gloriosos, tendo sido um enorme sucesso nas redes sociais e deixando milhares de órfãos, Malhação Sonhos foi uma das melhores temporadas da novelinha teen de todos os tempos.

10º lugar: Alto Astral

Novela despretensiosa, que começou como quem não queria nada e foi me conquistando, mesmo repleta dos mais batidos clichês do folhetim: personagens maniqueístas, vilões doentios que se deram mal no final, amores impossibilitados, vinganças, duplas identidades, segredos do passado, disfarces, mistérios, a vida além da morte... Sem novidade alguma! Nada além de tudo já visto e esperado por uma novela. Entretanto, ainda que a sua proposta tenha sido cursar pela simplicidade e a leveza, foi bem produzida e dirigida, com bom elenco, roteiro bem escrito e um humor que levemente remeteu aos áureos tempos do horário das sete da década de 1980.

09º lugar: Trama central de A Regra do Jogo

A Regra do Jogo apresenta uma trama policial sólida e próspera, de tirar o fôlego. É, por excelência, uma novela de João Emanuel Carneiro, com todas as características já vistas em A Favorita e Avenida Brasil. Entre elas, o fato da história de amor ser menos importante e estar em segundo plano. No caso de A Regra, o que vale é a história policial. Entretanto, existe um abismo gigantesco entre a trama central e as paralelas "cômicas" da novela (todas desnecessárias e massantes), que acabam comprometendo seu resultado. A Regra do Jogo é uma boa novela. Tem na receita muito mais suspense e ação do que drama e romance, deixa o público intrigado e sedento por revelações e uma dinâmica inovadora muito parecida com a de seriados americanos. Como eu já disse milhões de vezes, se fosse uma série ou uma novela das 23h só focada na facção o resultado seria bem melhor.

08º lugar: Os Dez Mandamentos

Após anos acumulando tiros n'água, a Record finalmente encontrou seu rumo na teledramaturgia ao narrar, em formato de novela, a saga de Moisés. Mesclando fatos bíblicos e tramas próprias, a autora Vivian de Oliveira soube chamar a atenção do público para a versão desta tão conhecida história da Bíblia, que teve uma bela direção e produção e efeitos especiais convincentes. O resultado: a novela fez história ao ser líder de audiência por diversas vezes e bateu de igual para igual com a Globo em seu principal horário de novelas. Não é pouca coisa! Tudo bem que o texto era ruim, o elenco irregular e teve uma "barriga" gigantesca com várias enrolações e esticamentos. Mas que Os Dez Mandamentos foi o verdadeiro "furacão" de 2015, isso ninguém pode negar.

07º lugar: Pé na Cova

Pé na Cova voltou com tudo nesta quarta temporada. O melhor do seriado é o seu texto ácido e recheado de sarcasmo proferido por inúmeros personagens nada normais. E a poesia no final é linda. O seriado caminha muito bem nessa corda bamba entre o humor e o drama. Uma tragicomédia! O texto de Miguel Falabella ficou ainda mais inspirado, afiado e inteligente.
06º lugar: Amorteamo

Fazia tempo que eu não me apegava a uma série igual aconteceu com Amorteamo. A série mais parecia um filme e uma novela ao mesmo tempo. Com a mesma delicadeza que tratava do tema morte, ela também fazia os olhinhos brilharem quando o assunto era o amor. A Globo caprichou nessa série. Mesclando drama, comédia e fantasia, ela encantou com sua trama fantástica e uma estética lúdica e primorosa. Amorteamo foi um verdadeiro show de direção, fotografia, cenografia, produção e elenco.

05º lugar: Além do Tempo

A aposta da autora Elizabeth Jhin era ambiciosa: para falar sobre reencarnação, trabalha com duas fases distintas, separadas por um salto de mais de 100 anos no tempo. Uma ideia que daria muito certo ou muito errado. No caso, deu certo. A primeira fase de Além do Tempo, que se passava no século XIX, foi impecável e encantadora. Fora o cuidado, o capricho e a beleza do material com toda a bela produção que se via no ar, a novela foi capaz de prender o telespectador apesar da narrativa um pouco mais lenta. Era o chamado novelão! Na segunda fase, que se passa nos dias atuais, a novela deu uma caidinha, perdeu um pouco do ritmo e do encanto, embora ainda há muitos conflitos e mistérios e eles acabam gerando bons ganchos. De qualquer forma, Além do Tempo já entrou para a história da teledramaturgia por sua ousada passagem de tempo em que virou "duas novelas em uma".

04º lugar: Os Experientes

Com quatro histórias independentes ligadas pelo tema do envelhecimento, a série abriu espaço para um timaço de atores veteranos brilharem. Os Experientes conseguiu fazer uma boa combinação de direção, edição, texto, trilha sonora e elenco, tudo funcionando muito bem para contar histórias emocionantes, sem ser piegas, tratando de pequenos dramas com pitadas de humor e auto-ironia. Merecia mais episódios!

03º lugar: Felizes para Sempre?

As minisséries de janeiro da Globo são sempre esplendorosas. Taí Felizes Para Sempre? que não me deixa mentir. Sua principal marca foi a ousadia. E não me refiro só pelas cenas calientes, a recorrente nudez de Paolla Oliveira ou do sexo lésbico na cama de trampolim, mas pelos diálogos adultos e inteligentes, a direção ágil e a trilha sonora que misturava ritmos diversos. Existia audácia em cada sequência, algo que envolvia, absorvia o telespectador, o fazia se importar e se sentir imerso naquela realidade. A história também era pra lá de interessante. Retratar diferentes fases da união foi realmente um trunfo da produção, pois tornou o enredo dinâmico e não tendencioso. Inevitavelmente, o telespectador acabou se identificando com algum dos personagens, todos construídos de forma bem realista e coerente. Realmente, uma belíssima produção nacional.

02º lugar: Verdades Secretas

Sem dúvida nenhuma, Verdades Secretas foi o produto que mais gerou repercussão em 2015. Temas polêmicos, uma abordagem ousada, personagens carismáticos e infames e uma trama recheada de reviravoltas, que alcançou êxito em inovar e ao mesmo tempo criar um apelo popular. Uma novela que começou cheia de clichês e assim que o público foi fisgado, mostrou a que veio e, assim como os personagens, revelou suas verdades secretas. Sem firulas, a trama tocou fundo em temas como a prostituição no mundo da moda (o famoso "book rosa") e drogas, abusando de cenas fortes, impactantes e sensualidade, incluindo muitos nudes... E põe nudes nisso! O texto didático do autor não tirou o brilho de Verdades Secretas, uma trama forte e memorável que deu o que falar do início ao fim.

01º lugar: Sete Vidas


Uma poesia diária, uma aula de dramaturgia da mais altíssima qualidade. Essa foi Sete Vidas, a melhor novela do ano. Partindo de uma premissa das mais modernas (novas configurações familiares formadas com o encontro de meios-irmãos gerados a partir de um doador anônimo), Lícia Manzo trouxe a tona uma discussão muito pertinente nos dias atuais, mas pouco discutida. Seu grande mérito foi o texto delicado e sutil ao abordar um tema que poderia ser de difícil entendimento para o tradicional público do horário das seis. Também foi discutido o preconceito contra famílias formadas por casais do mesmo sexo, mas sem ser didático e levantar bandeiras, nem chocar a Família Brasileira. Sete Vidas emulava a realidade com abordagens verossímeis, mas, acima de tudo, era folhetim puro. Só que sem vilões e mocinhos, sem gente sendo morta, sem baixarias e sem mocinha sofrendo porque o grande amor da sua vida lhe abandonou. Tinha sim gente que errava e acertava, que amava e perdoava, gente um pouco boa e um pouco má, homens que botam os pés pelas mãos, mulheres que seguravam a barra da própria vida, assim como vemos na nossa família, nos nossos amigos, em todo lugar. Os personagens tinham alma, tinham vida e eram movidos pela emoção. Não é a toa que o público criou empatia, se envolveu e se identificou. As situações, conversas e discussões foram sempre exibidas de forma emocionante. #LíciaManzoNoHorárioDasNoveJá


Obviamente, a lista é baseada unicamente na opinião desse que vos escreve. Portanto, está sujeita a injustiças e esquecimentos. Cabe a cada um dos leitores concordar ou não, dar a sua opinião, completar a lista, me esculhambar nos comentários...


quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Os Melhores Papéis na TV de Marília Pêra



Ela é uma das maiores e mais respeitadas atrizes brasileiras e tem um currículo grandioso no cinema, TV e teatro. A morte de Marília Pêra, que, infelizmente, nos deixou nesse último sábado (05/12), aos 72 anos, encerra uma galeria de personagens inesquecíveis que marcaram o público de várias gerações e uma vida de múltiplos talentos. Ela é uma das artistas mais completas do Brasil: além de atuar, é cantora, bailarina, diretora, produtora e coreógrafa. Da comédia ao drama, heroína ou vilã, rica ou pobre, Marília agigantava as personagens e oferecia ao telespectador momentos de alegria, tensão e reflexão. Por isso, resolvi listar os seus 10 melhores papéis na teledramaturgia brasileira. Obviamente, é uma seleção sob o meu ponto de vista e cabe ao leitor concordar ou não.

10º lugar: Genuína Miranda

Remake da novela Dona Xepa (1977), Lua Cheia de Amor (1991) tem como personagem central Genuína Miranda, uma mulher batalhadora, humilde, sem vaidade, sem estudo e maltratada pela vida que trabalhava como ambulante para sustentar a família. Dona Genú, como era conhecida, fazia qualquer sacrifício pelos filhos e, apesar da dedicação da mãe, eles sentiam vergonha por ela ser pobre e simples.

09º lugar: Serafina Rosa Petrone

Serafina era uma moça solitária, desastrada e aparentemente sem grandes atrativos físicos que alimentava uma paixão secreta por seu chefe, o industrial Claude Antoine Geraldi (Paulo Goulart). Estrangeiro em situação ilegal no Brasil, ele precisava de uma esposa para concretizar negócios ilícitos da empresa e, em troca da mão de Serafina, oferece-lhe parte de sua fortuna. Diante da perspectiva de ver a família e os amigos desamparados por causa da demolição do cortiço onde moram, Serafina aceita encenar o falso casamento, sabendo que ele seria desfeito após um determinado período. Depois de casados, Claude e Serafina passam a morar juntos para reforçar as aparências, mas o relacionamento dos dois é tenso e cheio de brigas de gato e rato, responsáveis por alguns dos momentos mais divertidos de Uma Rosa Com Amor (1972). Com o tempo, claro, os dois acabam se apaixonando.

08º lugar: Noeli

A rivalidade pelo controle do jogo do bicho no subúrbio carioca de Ramos era o tema principal de Bandeira 2 (1972). Na história, o amor de Noeli era disputado por dois bicheiros rivais: Artur do Amor Divino, o Tucão (Paulo Gracindo), e Jovelino Sabonete (Felipe Carone). Além de taxista, a personagem de Marília Pêra na trama era porta-bandeira da escola de samba do bairro. Com ideias feministas, Noeli enfrentava muito preconceito por ser desquitada.

07º lugar: Darlene

A maquiadora de defuntos Darlene, ex-mulher de Ruço (Miguel Falabella) e que não larga seu cigarro e seu copo de gim, é uma personagem que diverte e emociona, oscilando entre a felicidade gratuita e a tristeza existencial, ambígua como a própria vida. Esse foi o último trabalho de Marília na TV. Felizmente, a próxima temporada da série Pé na Cova está toda gravada. Portanto, continuaremos tendo o prazer de assistir Marília na TV até 2016.
06º lugar: Shirley Sexy

Um dos primeiros sucessos da atriz na Globo foi em O Cafona (1971), na qual sua personagem era barraqueira e sem papas na língua, moradora de uma república hippie e secretária de Gilberto Athayde (Francisco Cuoco), por quem era apaixonada e lutava para conquistá-lo. Na época, Shirley Sexy caiu tanto no gosto do público que rendeu à Marília repercussão nacional!
05º lugar: Milu

A trambiqueira e dissimulada Milu foi uma das melhores personagens de Cobras e Lagartos (2006), onde Marília mostrou toda a sua veia cômica com maestria. Apesar de ter sido uma vilã, a perua falida que não abria mão do luxo e do conforto caiu no gosto popular e protagonizou uma sucessão de cenas hilárias, repletas de sarcasmo. Foram muitos momentos ótimos ao lado da saudosa Mara Manzan, que interpretava sua empregada na trama, entre outros colegas talentosos.

04º lugar: Maria Monforte

Marília participou da minissérie Os Maias (2001), adaptação de Maria Adelaide Amaral do romance de Eça de Queiroz, como a angustiada Maria Monforte na fase velha, personagem que não existia na obra original. No livro, a personagem não voltava (ela morria e mandava uma carta) e era apenas citada, mas que surgiu na minissérie de maneira retumbante, marcando uma das interpretações mais memoráveis de Marília Pêra na TV.

03º lugar: Alice

Narrada em flashback, a minissérie Quem Ama Não Mata (1982) foi inspirada em crimes passionais que mobilizaram a opinião pública na época. Os protagonistas, a dona de casa Alice (Marília Pêra) e o dentista Jorge (Cláudio Marzo), casados há oito anos, pareciam um casal perfeito. No entanto, a união estava em crise por não conseguirem ter um filho. Devido à falta de diálogo, eles chegam a ser violentos um com o outro, culminando em uma tragédia. Trabalho primoroso de Marília, em que ela dividiu cenas fortes com Cláudio Marzo.

02º lugar: Rafaela Alvaray

Depois de 13 anos afastadas das novelas, a atriz retornou em Brega & Chique (1987) como a inesquecível Rafaela Alvaray, uma socialite afetada e falida que precisa se adaptar ao mundo da classe média baixa. Foram muitas cenas hilárias ao lado de Raul Cortez, Jorge Dória, Glória Menezes e Marco Nanini, que proporcionaram momentos memoráveis que fizeram da novela um grande sucesso de audiência no horário das 19h. É, sem dúvida nenhuma, a personagem mais lembrada de Marília.

01º lugar: Juliana

A mais emblemática personagem de toda a carreira de Marília Pêra: a sinistra e terrível Juliana, da minissérie O Primo Basílio (1988). A conhecida figura da obra de Eça de Queiroz, adaptada por Gilberto Braga para a TV, foi uma das vilãs mais marcantes da teledramaturgia. Marília deu um verdadeiro show na pele daquela diaba que transformou a vida da patroa Luísa (Giula Gam) em um verdadeiro inferno, obrigando-a a fazer todas as tarefas domésticas por meio de uma chantagem. Todas as sequências exigiram muito da intérprete e o momento em que a víbora morre impressionou com sua total entrega. E para comprovar que a Juliana merece o primeiro lugar da nossa lista, confira a cena da morte da personagem, uma das mais impactantes de toda a teledramaturgia:


Outros papéis de Marília Pêra na TV: Rosinha do Sobrado (1965), A Moreninha (1965), Padre Tião (1965), Um Rosto de Mulher (1966), Beto Rockfeller (1968), O Campeão (1996), Mandacaru (1997), Supermanoela (1974), Top Model (1989), Rainha da Sucata (1990, em uma participação como ela mesma), Meu Bem Querer (1998), Celebridade (2003, em uma participação cantando músicas de Ary Barroso), Começar de Novo (2004), Cobras & Lagartos (2006), Duas Caras (2007), Ti-Ti-Ti (remake, 2010), Aquele Beijo (2011), Incidente em Antares (1994), JK (2006), A Vida Alheia (2010), Viva Marília (1972) e Show da Girafa (1972)


As cortinas da vida se fecharam para Marília Pêra, mas o seu show está eternizado na memória do povo brasileiro. Qual a sua personagem favorita na TV dessa grande atriz?






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