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terça-feira, 17 de novembro de 2015

A ascensão das favelas na nossa dramaturgia


Só em 2015, tivemos três novelas da Globo cujo cenário principal era uma favela. São elas: I Love Paraisópolis, cujo título se refere de forma tão amorosa a uma das maiores e mais violentas favelas de São Paulo, Babilônia, que tinha seu nome emprestado de uma favela no Leme, bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro; A Regra do Jogo, que se passa no fictício Morro da Macaca, também no Rio. As três, no entanto, mostraram uma visão diferente do subúrbio. A primeira trama não mostrou absolutamente nada a respeito de criminalidade ou tráfico de drogas, a segunda tinha muito mais cenas rodadas no "asfalto" no que no morro e esta última mostra uma favela que é point cultural, frequentada pelos moradores, pelo pessoal do "asfalto" e até mesmo pela "alta sociedade". Mas você sabe como foi que as favelas começaram a ter um destaque maior nas novelas?


Para começo de conversa, nesta matéria optei por usar o termo "favela" ao invés de um eufemismo 'politicamente correto' como "comunidade", até porque a palavra está longe de ser considerada pejorativa. Segundo o dicionário 'Houaiss', por exemplo, favela é "um conjunto de moradias precárias, situada em morros e onde vive a população de baixa renda dos centros urbanos". Curiosamente, embora sempre presente na sociedade brasileira, tal localidade quase nunca era abordada na nossa dramaturgia televisiva. O oposto acontece no cinema, onde temos até um boom de filmes com esse tipo de temática (podemos citar Cidade de Deus, Tropa de Elite e Alemão).


Citada antes esporadicamente em algumas novelas, a primeira vez em que uma favela de fato ganhou importância numa novela foi em Pátria Minha (1994). Na história, Claudia Abreu interpretava Alice, uma estudante super correta que entra em guerra contra o empresário Raul (Tarcísio Meira), que comete uns crimes impunemente e depois ainda manda desapropriar uma favela. Quase uma década se passou até uma favela voltar a ter importância em uma nova trama. Em 2004, Senhora do Destino apresentou a Comunidade da Pedra Lascada, uma região subdesenvolvida do subúrbio carioca que visava conseguir uma emancipação. A tal comunidade tinha grande destaque porque a protagonista Maria do Carmo (Susana Vieira) tinha um forte laço afetivo com o local e sempre ajudava seus moradores, de quem era amiga e respeitada por todos.

Nos últimos 12 anos, o Brasil passou por alguns processos políticos que visaram dividir melhor a renda e isso gerou a ascensão da classe C, um novíssimo público consumidor que virou a menina dos olhos de ouro do mercado publicitário e o pesadelo das emissoras acostumadas a produzir dramaturgia só pensando nos núcleos mais ricos. Nesta última década, os personagens mais pobres foram conseguindo mais destaque e as tramas passaram a se deslocar dos bairros ricos para o subúrbio. Não que isso seja inédito, já que Rainha da Sucata e outras novelas mais antigas também davam voz aos mais pobres, mas tornou-se mais comum nos últimos anos.


Podemos dizer que a primeira novela a colocar uma favela em papel de destaque foi Vidas Opostas (2006), da Record, que aproveitou a explosão do tema no cinema e produziu uma novela que misturava um núcleo rico com moradores de uma favela, com direito a muito "tiro, porrada e bomba". Muitas cenas, inclusive, foram gravadas em uma comunidade real. Na Globo, devido ao sucesso da concorrente, a trama que marcou o destaque absoluto de uma favela veio logo depois, em 2007, com Duas Caras, ambientada na fictícia Portelinha e que também mostrou a diferença social colocando uma comunidade pobre localizada ao lado de um empreendimento de luxo. 

Atualmente, muitas novelas já mostram favelas pareando em importância com bairros mais ricos, algumas vezes até superando as antigas localidades de destaque. Avenida Brasil e Cheias de Charme, por exemplo, acertaram em cheio ao mostrar um subúrbio mais alegre e divertido, enquanto Salve Jorge foi a pioneira em colocar como protagonista uma mãe solteira moradora do Complexo do Alemão, um tipo que provavelmente seria apenas coadjuvante em novelas do passado. E para mostrar que não se trata de um fenômeno pontual, podemos lembrar de um exemplo ainda mais recente: Em Família foi escrita por Manoel Carlos, autor conhecido por colocar suas histórias apenas em bairros ricos do Rio de Janeiro (Leblon), mas mesmo assim precisou se adequar às novas necessidades da emissora e até incluiu uma "favela" improvisada com um personagem, Jairo (Marcelo Melo Jr.), que conseguiu um destaque maior que o esperado.


Entretanto, parece que a fórmula exaltada até pouco tempo atrás não está dando muito certo. Desde sua estreia, A Regra do Jogo ainda não empolgou na audiência e acumula, até o momento, média de 25 pontos (a meta para o horário das nove é de 35), mesma marca de sua antecessora, Babilônia, tida como o maior fracasso do horário nobre global de todos os tempos. Curioso que as duas têm em comum a ambientação em favelas. Com isso, várias questões vem sendo levantadas: será que duas novelas simultâneas focadas em favelas não são um pouco demais? Será que não está na hora da Globo buscar novos cenários para as suas novelas, afinal, o Brasil é muito maior do que isso? O público está cansado de tramas que se passam nas favelas?


Babilônia foi uma trama rejeitada pela maior parte do público e boicotada por evangélicos pelas cenas polêmicas iniciais, por sua trama mal remendada e pelas mil e uma mudanças que a trama e os personagens sofreram para "agradar a Família Brasileira", deixando-a ainda mais equivocada e perdendo sua identidade. Mas em nenhum momento o fato dela ter se passado na favela foi o motivo da sua baixa audiência. E cá entre nós, até onde me lembro, nunca havia ouvido falar de alguma reclamação do público que novelas seguidas na Globo eram todas centradas em bairros ricos do Rio de Janeiro! Mas se o problema são mesmo as favelas, então porque I Love Paraisópolis teve uma boa audiência? Estranho, não!? Pelo visto, com o passar dos anos teremos cada vez menos distinção entre as áreas mais ricas e mais pobres das cidades, até porque sabemos que o primordial de uma novela não é o cenário, e sim sempre contar uma boa história.


domingo, 15 de novembro de 2015

O Melhor e o Pior da Semana (09 à 15/11)




   LEGAL: ESTREIA DE 'TOTALMENTE DEMAIS'    


A primeira semana de Totalmente Demais foi bem dinâmica, apresentando seus personagens com eficiência. Logo no primeiro capítulo, os autores traçaram muito bem os três núcleos da história: a vidinha mais ou menos da gata borralheira Eliza (Marina Ruy Barbosa), que enfrenta o padrasto abusivo (Paulo Rocha) e a mãe omissa (Leona Cavalli), sonhando com um príncipe encantado que vai tirá-la dessa realidade triste e que pode ter se materializado na figura de Arthur (Fábio Assunção); o mundo cheio de glamour de Carolina (Juliana Paes), editora de uma revista de moda, às voltas com gente rica, elegante e nada sincera; e, por fim, o dia a dia de Jonatas (Felipe Simas) como vendedor de balas na rua para poder ajudar a mãe a pagar o aluguel e sustentar seus irmãos. No decorrer da semana, esses três universos se colidem e ganharam sua forma definitiva. O elenco estava afinadíssimo e todos se saíram bem. Marina Ruy Barbosa convenceu no papel da adolescente bruta, bronca e sem vaidade. Suas cenas com Leona Cavalli e Paulo Rocha foram tensas e de bastante carga dramática. Felipe Simas ganhou o papel de protagonista da trama das sete e não deve decepcionar. O tipão de "menino do lado" caiu bem na pele do esperto Jonatas e ele brilhou nas suas primeiras cenas. Aliás, ele e Marina esbanjaram química e tem tudo para se tornarem o novo casal queridinho nas redes sociais. A dupla Carolina (Juliana Paes) e Arthur (Fábio Assunção) também funcionou muito bem. Os dois atores atuaram num tom acima de seus colegas, mas acredito que a função dos personagens seja assim mesmo, exagerada. Já Vivianne Pasmanter esteve seguríssima nas cenas de Lili. Contida na medida certa, a empresária deve protagonizar boas cenas. Sua parceria com Humberto Martins (seu marido, Germano) funcionou bem. Fernanda Motta também não comprometeu. Sua atuação como a famosa modelo Danielle foi convincente, natural e até surpreendente, ainda mais se comparado ao fiasco de Alessandra Ambrósio em Verdades SecretasSamantha Schmütz fez rir nas cenas de Dorinha com Carolina. A personagem, cheia de frases de efeito e muita ironia, tem tudo para cair no gosto popular. A família de Malu Galli (Rosângela) também deve protagonizar muitas cenas engraçadas. A atriz apareceu pouco, mas já mostrou talento de sobra ao interpretar uma dona de casa simples e batalhadora, algo completamente diferente da sofisticada Irene de Sete VidasAlém dos já citados, vale destacar as boas presenças de Marat Descartes (Pietro), Julianne Trevisol (Maria Luiza), Ailton Graça (Florisval), Sérgio Malheiros (Jacaré) e Juliana Paiva (Cassandra)Conto de fadas moderno, o que se viu foi uma trama leve, gostosa, com humor, drama e romance na dose certa. As histórias principais foram apresentadas sem correria, na medida certa para o telespectador entender as tramas e já se apegar aos seus favoritos. Assim como a música-tema da história (cantada por Anitta nessa nova versão e que já "grudou" na cabeça de tão "chiclete" que é o refrão), a novela tem tudo para ser totalmente demais. Que assim seja!


   NÃO GOSTEI: 'A REGRA DOS FUROS'   


A Regra do Jogo tem uma pegada de série americana com ritmo policial que me agrada muito. Entretanto, a trama de João Emanuel Carneiro vem testando a paciência e a inteligência do telespectador de uns tempos para cá com alguns furos imperdoáveis. Vamos começar pelo Dante (Marco Pigossi). O policial é um verdadeiro palerma! Todo mundo consegue encontrar Zé Maria (Tony Ramos), menos ele. Sempre que Dante vai prender o bandidão, ele antes conta para o seu papaizinho tudo o que vai fazer. O plano sempre dá errado e Dante nunca desconfia de Romero (Alexandre Nero)! E isso já aconteceu umas cinco vezes, hein! Ok. Eu sei que novela exige paciência para o desenrolar dos fatos. Até porque se Dante descobrisse agora que seu pai é da facção e pegasse o Zé Maria, A Regra do Jogo não teria muita história para contar nos próximos cinco meses que lhe restam. Mas o fato do policial contar todos os detalhes de sua operação para os parentes é ridículo demais! Outro ponto que me intriga é esse mistério envolvendo as fotos que Belisa (Bruna Linzmeyer) fez de Orlando (Eduardo Moscovis) com um bandido. Por que diabos ela não entregou logo essas provas para o Dante?! É uma coisa que não dá para entender. Para culminar 'A Regra dos Furos', neste sábado (14/11), Romero foi obrigado pela facção a roubar joias de um homem que ele ajudou a salvar de um assalto durante uma festa, mas é descoberto pelas câmeras da mansão, que filmam Atena (Giovanna Antonelli) roubando as joias. E o que acontece? O milionário mostra o vídeo para todos os personagens ou manda para a polícia e desmascara Romero? Nada disso. Ele apenas pega as joias de volta e pede pro vilão numa mais dar as caras. Forçação de barra pro Romero não ser desmascarado por nada nessa vida, né? A Regra do Jogo é uma trama muito instigante. Mas assim fica difícil te defender, JEC...


   DEIXOU A DESEJAR: ABERTURA DO MAR VERMELHO   


A Record finalmente exibiu nesta terça-feira (17/11) a tão esperada sequência da abertura do Mar Vermelho em Os Dez Mandamentos. Após muita enrolação, misturando cenas de Moisés (Guilherme Winter) com os hebreus perto do mar e de Nefertari (Camila Rodrigues) chorando a morte de seu pai, Paser (Giuseppe Oristanio), lá para os momentos finais do capítulo o libertador recebeu a ordem de Deus de apontar seu cajado para as águas. O mar começou a se abrir em uma sequência bem feita, com a água se dividindo e formando um corredor impressionante. Entretanto, de tanto caprichar nessa área, a produção acabou se esquecendo de outra: o deserto nos arredores do Mar Vermelho parecia ser feito de isopor! Em alguns momentos, cheguei a pensar que era o cenário de um dos episódios do Chapolin Colorado! Vida longa aos aerólitos! No decorrer da cena, o Mar Vermelho ganhou um tom exageradamente azul. Principalmente nessa parte, o chroma key (tela verde) era nítido. Assim que o mar abriu, Moisés ordenou que seu povo, embasbacado com o que via, passasse pelo corredor. Nos momentos finais, ele mesmo seguiu os hebreus, inclusive empurrando alguns que estavam atrasando a travessia, para evitar que eles caíssem nas mãos do exército do Faraó Ramsés (Sergio Marone), que os seguiu pelo deserto. Alguns soldados começaram a passar pelo mar e, no capítulo de quarta (18/11), morreram todos afogados quando Moisés ordenou que as águas voltassem ao normal. A abertura do Mar Vermelho foi um dia histórico para a Record, afinal, a sequência conquistou vitória inédita sobre a Globo. Mas esteve longe de ter sido algo realmente primoroso. Muita caca pra pouco penico! Particularmente, achei os efeitos especiais da sétima praga do Egito (chuva de fogo e granizo) bem melhores. A abertura do Mar Vermelho valeu mais pela emoção da sequência, que é uma das mais emblemáticas da Bíblia, porque tecnicamente falando deixou muito a desejar. Confira cinco versões diferentes de filmes e minisséries do Mar Vermelho se abrindo e compare com a da novela da Record nesse vídeo abaixo:



sábado, 14 de novembro de 2015

Além do Tempo perde ritmo com "nova novela", mas continua encantadora


Num momento em que patina no horário nobre, a Globo não tem do que reclamar em outros horários. O das seis, por exemplo, vem acumulando acertos. Além do Tempo mudou de fase há três semanas e mostrou um vigor surpreendente ao deixar o século XIX para os dias atuais.

A trama de Elizabeth Jhin já estreou com a promessa dessa passagem de tempo de mais de cem anos. A proposta é uma trama de reencarnação, que começava no passado e atravessaria o tempo, como bem sugere o título, mostrando duas vidas distintas de um mesmo grupo de almas. Uma ideia ousada, tendo em vista que correria o risco do público se apaixonar pelos personagens e pelo clima do século passado e não se mostrar interessado pela grande reconfiguração da estrutura proposta a partir do salto no tempo. Será que o público se manteve interessado pelo novo contexto destas almas que agora se reencontraram numa nova vida? A resposta é... Sim!


Ao impedir a felicidade dos mocinhos Lívia (Alinne Moraes) e Rafael (Rafael Cardoso) no "último capítulo" do século XIX (dando-lhes, inclusive, um final trágico), a autora desperta a curiosidade do telespectador sobre os finais que os personagens terão nessa nova vida e propõe uma brincadeira ao público de perceber o que mudou neste reencontro e onde estão posicionados os personagens que tanto curtiu em suas vidas anteriores. Vitória (Irene Ravache) e Emília (Ana Beatriz Nogueira) seguem inimigas, mas agora são mãe e filha. A ex-Condessa segue com cara de poucos amigos, mas agora é pobre. Ao contrário de Emília, que agora é rica e usa o dinheiro para passar por cima de quem quer que seja... Tal como sua rival fazia na vida passada. É curioso notar que a essência dos personagens ainda não se perdeu. Vitória, por exemplo, segue alfinetando Zilda (Nívea Maria), que era sua empregada que tanto maltratou na vida passada; agora, são cunhadas e Zilda está numa posição superior, o que não impede Vitória de seguir destilando seu amargor.


Nesses vinte e poucos capítulos que se passaram no século XXI, tudo ainda funciona como uma nova descoberta, uma espécie de reinício, mas que não é total, já que já existe certa familiaridade do público com os personagens. Eles estão em novas posições, vivendo novas situações, mas ainda são aquelas pessoas. A autora vem dando a chance do telespectador compreender os carmas do passado daquelas almas, que agora serão colocadas à prova nesta nova fase. Talvez, por isso que Além do Tempo tenha perdido ritmo e deu uma desacelerada inicial. A trama está com cara de que acabou de estrear, sabe? Além do Tempo é uma novela "duas em uma". A primeira, que se passou no século XIX, teve início, meio e fim. Em ritmo de reta final, com o desenrolar dos fatos e revelações dos segredos, culminando com a não concretização do amor entre os mocinhos, do nada, pulamos para 2015. Começa uma "nova novela". A segunda fase ainda está começando a ser formada. E novela é hábito, demanda tempo para conquistar o engajamento do público.


Lamenta-se apenas que alguns personagens tenham perdido espaço nessa nova fase, como é o caso de Zilda e Salomé (Inês Peixoto), que viraram quase figurantes. Em contrapartida, Ana Beatriz Nogueira foi uma que cresceu bastante. Sua personagem começou como uma das protagonistas para depois passar capítulos e mais capítulos escondida da Condessa. Agora, Emília ganhou força e o conflito com Vitória voltou ao centro das atenções. Quem também ampliou sua participação foi Severa (Dani Barros). Ela agora está no núcleo principal e bate de frente com Melissa (Paolla Oliveira) em grandes sequências. Na primeira fase, sua personagem resmungava, mas não tinha influência na ação. O mesmo vale para Rosa (Carolina Kasting) e Bento (Luiz Carlos Vasconcelos).

Outra questão que me incomoda um pouco foi o tom didático e "mastigadinho" que a trama ganhou a partir de agora para explicar ao telespectador o sentido da reencarnação dos personagens, principalmente nas conversas entre o Anjo Ariel (Michel Melamed), seu colega Cícero (Saulo Arcoverde) e o Mestre (Othon Bastos), que seguem observando e interferindo na vida dos personagens. Isso sem falar nos excessivos flashbacks da primeira fase intercalando todas as cenas em que ocorre um reencontro dos personagens. Nós já conhecemos os personagens e sabemos exatamente tudo o que aconteceu com eles na vida passada. Não precisava disso.


Além do Tempo reiniciou, mas continua uma história encantadora e cativante e fazendo bons usos dos principais recursos clássicos do folhetim. E deixou sua marca ao apostar numa virada narrativa ousada, dando-se ao luxo de zerar sua trama e recomeçar outra em plena metade da obra.

Que bom seria se todas as novelas pudessem ter viradas assim, né?


quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Golias x Davi: a supremacia da Globo está mesmo acabando?


10 de novembro de 2015. Um dia histórico para a Record. O capítulo 167 de Os Dez Mandamentos apresentou a tão esperada sequência da abertura do Mar Vermelho, ponto épico do livro do Êxodo, e conquistou vitória inédita sobre a Globo, que, no período, entre 20h30 e 21h58, exibia o Jornal Nacional e o início de A Regra do Jogo. Durante esses quase trinta minutos em que se enfrentaram, a produção da Record chegou a 31 pontos contra apenas 19 da Globo. Com média de 28 pontos, Os Dez Mandamentos conseguiu um feito inédito: pela primeira vez, o programa mais assistido em todo o país nesta terça-feira foi uma produção da Record! A Regra do Jogo foi só a segunda maior audiência do dia, com média de 26. Isso mesmo, Brasil... A "Toda Poderosa" foi desbancada! O excelente desempenho de Os Dez Mandamentos ontem, com recorde de Ibope e em primeiro lugar nos Trending Topics Mundiais do Twitter, marca a ressurreição definitiva da teledramaturgia da emissora após anos de resultados pífios e deixa vários mistérios no ar. Será que a Record manterá todo esse mega sucesso? A supremacia da Globo está mesmo acabando?


A Record estreou sua novela bíblica uma semana após a Globo lançar Babilônia, que acabou massacrada pela opinião pública, amargando a menor audiência da história do horário nobre global. Parte desse público que desaprovou a trama de Babilônia endossou a história bíblica da concorrente. Outra parte ficou no SBT, com suas novelas infantis, ou em outros canais. Outra parte migrou para a TV a cabo. E outra simplesmente desligou a TV para acessar a internet, assistir séries ou para fazer qualquer outra coisa. A Globo antecipou o fim de Babilônia para tentar correr atrás do prejuízo e apostou todas as fichas em sua nova novela, A Regra do Jogo, do mesmo autor do fenômeno Avenida Brasil, como fez questão de salientar nas chamadas. A Record, por sua vez, mostrou-se preparada. Com os bons números que sua trama vinha obtendo (entre 13 e 16 pontos), reservou a melhor parte de Os Dez Mandamentos, com as pragas do Egito e a abertura do Mar Vermelho, ou seja, a que mais chamaria a atenção do público, para enfrentar a novidade global. E conseguiu derrotá-la. Verdade seja dita, seja lá qual fosse a novela das nove que estreasse nesse cenário conturbado para a emissora global, Os Dez Mandamentos venceria do mesmo jeito. A trama estava em seu momento de maior sucesso, onde seus índices saltaram para a casa dos 20 pontos, já com público cativo que não iria abandoná-la no auge para assistir uma nova atração.


É inegável também a existência de ruidosa torcida contra a Globo. Ou melhor, contra tudo o que ela representa: poder, liderança, status teoricamente inatingível, superioridade. Como quase tudo o que chega ao primeiro lugar, a emissora coleciona uma legião de desafetos anônimos que a atacam pelo simples fato de ela estar lá no topo. Outros críticos do canal a desaprovam por razões concretas: a posição política (assumida ou não) de seu telejornalismo, o liberalismo nos costumes em sua teledramaturgia, o poder de influência sobre significativa parcela da população e por aí segue. Essa animosidade contra a Toda Poderosa Rede Globo faz com que, mesmo quem não seja tão fã da Record, compartilhe notícias favoráveis à vice-líder, assim como dê eco às manchetes negativas e, em sua maioria, até sensacionalistas sobre a (ex?) Vênus Platinada.


Na prática, a Globo ainda mantém uma posição confortável e inabalável no ranking de audiência. A média diária de Ibope do canal é de 14 pontos. A Record registra apenas 8. E o SBT, 7. O excelente desempenho de Os Dez Mandamentos ressuscitou a força da teledramaturgia da Record, que não provocava tanto barulho assim desde a trama de ficção científica e efeitos toscos Os Mutantes, que chegou a marcar 24 pontos de média. Empatar ou até pontuar acima do novelão das 21h era algo improvável para a emissora dos bispos até meses atrás. Hoje, a Record é um concorrente forte da Globo na principal faixa do horário nobre, a vitrine preferida dos maiores anunciantes. A supremacia da Globo pode parecer que está sendo abalada. Mas não está. Dados inéditos de audiência obtidos pela coluna de Ricardo Feltrin mostraram o tamanho da hegemonia da Globo não em pontos de Ibope, nem em participação no universo de TVs ligadas (share), mas sim em minutos de liderança isolada. Entre 1º de janeiro e 31 de agosto desse ano, passaram-se exatos 349.920 minutos. Acontece que, desses 349.920 minutos, a Globo foi líder isolada, sozinha, inconteste em meros 333.750 minutos. Ou seja, a TV Globo em 2015 ficou isolada em primeiro lugar em audiência por nada menos que 95,37% do tempo. Surpreendentemente, a despeito do sucesso atual da novela bíblica da Record, a segunda emissora que mais tempo ficou como líder isolada foi o SBT, com 9.093 minutos em 1º lugar (2,59% do ano). Nota: a maior parte desses milhares de minutos se deve a uma atração com nome e sobrenome: Programa Silvio SantosA Record vem apenas em terceiro lugar, com 7.010 minutos (2,02%) em primeiro lugar. E muitos desses minutos são obtidos não em horário nobre, mas às tardes, com o Balanço Geral e o Cidade Alerta, por exemplo.


É claro que, após anos instáveis duelando décimo a décimo contra o SBT pela vice-liderança no ranking de audiência, ter consolidado o segundo lugar e roubado por alguns minutos a liderança no horário de principal faixa de audiência, faturamento e repercussão midiática já é motivo de muita comemoração. Mas a Record ainda vai ter que comer "muito arroz e feijão" se quiser roubar a supremacia da Globo, que continua sim sendo a Toda Poderosa. Não vai ser só com uma novela que a Record vai se tornar líder. Até porque, quando Os Dez Mandamentos acaba, há uma fuga de quase 60% de toda a sua audiência, onde cerca de 37% desses pontos vão para A Regra do Jogo. É como se estivéssemos assistindo a um duelo entre Davi e Golias. Qual será o próximo round?


segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Será que a nova novela das sete será totalmente demais?




Chegou a hora de darmos adeus para os moradores da comunidade de Paraisópolis e conhecermos os bastidores da revista Totalmente Demais, que dá o péssimo título da nova novela das sete. Com estreia para essa segunda (09/11), a trama, felizmente, não vem com pressão em relação à audiência, já que herdará o horário com índices bastante satisfatórios. Entretanto, deixando os números de lado, até porque audiência não implica em qualidade, o público está ávido por uma história boa e envolvente. I Love Paraisópolis pode ter elevado o horário das sete em dois pontos, mas passou longe de ser considerada uma grande novela e chegou ao fim com gostinho de "já deu o que tinha que dar". Confira alguns pontos importantes sobre a nova novela das sete:


1 - Uma Gata Borralheira contemporânea


Uma história sobre transformação. Essa é a premissa de Totalmente Demais, que contará a história de uma Gata Borralheira contemporânea, que sai do interior em busca dos seus sonhos na cidade grande. Eliza (Marina Ruy Barbosa) é uma jovem que vive no interior do Rio de Janeiro com a família. Depois de ser assediada pela padrasto Dino (Paulo Rocha), decide fugir para a capital e passa a viver pelas ruas da cidade. Apesar da aparência descuidada, Eliza chama atenção por sua beleza. Ela corre riscos nas ruas e quem percebe o perigo e se propõe a protegê-la é Jonatas (Felipe Simas), um rapaz que se intitula "empresário das ruas". Eliza é desconfiada e de início não aceita a ajuda de Jonatas. Mas percebe que não conseguirá se virar sozinha e assim começa uma grande amizade com ele, que depois evolui para uma história de amor. Os dois vivem em um cinema abandonado e ele a ensina também a ganhar dinheiro nas ruas vendendo flores.



Enquanto alguns moram nas ruas e usam a criatividade para conseguir se sustentar, outros vivem em um mundo completamente diferente. É o caso da poderosa diretora da revista Totalmente Demais, Carolina (Juliana Paes), e do bon vivant e dono da agência de modelos Excalibur, Arthur (Fábio Assunção). Amigos de longa data e amantes nas horas vagas, a combinação da dupla não poderia ser mais explosiva: ela capaz de tudo para conseguir o que quer e ele que só quer se divertir sem medir as consequências de seus atos. Com a criação do concurso "Garota Totalmente Demais", eles estabelecem mais uma disputa que acaba levando Arthur até Eliza. Ele é responsável por trazê-la das ruas para o mundo fashionista e não tem dúvidas: fará de tudo para que ela seja campeã desse concurso. Mas a proximidade entre eles se torna uma obsessão para Arthur. De moradora de rua e vendedora de flores para um dos nomes mais cotados ao título de "Garota Totalmente Demais", Eliza chega a um patamar que nunca imaginou. A nova vida lhe distancia de Jonatas, que não desiste da amada e sempre dá um jeito de encontrá-la. O sentimento de Eliza por Jonatas é genuíno, mas Arthur é como um príncipe e ela vai se envolvendo. Mas no meio do caminho há Carolina, que tem um grande sonho e vê em Arthur a pessoa ideal pra ajudá-la a realizá-lo. Ela quer ser mãe. Só que a aparição de Eliza atrapalha seus objetivos e ela fará de tudo para sabotá-la.


2 - É dos mesmos autores de Malhação Sonhos


Nove entre dez telespectadores concordam que essa Seu Lugar No Mundo é uma das temporadas mais chatas e insuportáveis da novelinha teen. A trama não empolga, os personagens não são carismáticos e a cada dia que passa nos faz sentir mais e mais saudades da antecessora, a Sonhos, uma das melhores temporadas de todos os tempos. E você sabe quem foram os responsáveis pelos casais Cobrade, Perina e cia? Rosane Svartman e Paulo Halm... Os mesmos autores de Totalmente Demais! Os dois conciliaram drama e comédia na Malhação Sonhos. E, pelas chamadas, tudo indica que, mesmo sendo uma comédia romântica, Totalmente Demais terá uma carga dramática maior do que o que se viu nas últimas novelas das sete. A mocinha, por exemplo, vai fugir de casa logo no início da trama depois de sofrer uma tentativa de estupro do padrasto. Não enfatizam essa história devido ao horário, mas é o que acontecerá. Na bagagem da dupla de autores, também há outra temporada de sucesso da Malhação: a Intensa, de 2012.


3 - Fatinha Is The New Back




Juliana Paiva viverá Cassandra, uma deslumbrada que busca incessantemente a fama. Não sei vocês, mas só de ver essa chamada estou sentindo o cheirinho da Fatinha, personagem de sucesso da atriz na Malhação Intensa. Estou reclamando disso? Claro que não! Vem, Fatinha 2.0!


4 - Tramas paralelas


|| Alheio à trama principal, entre as aventuras do passado do poderoso Arthur destaca-se o seu casamento com a modelo Natasha (Lavínia Vlasak), da qual nasceu Jojô (Giovana Rispoli), uma adolescente bastante rebelde. Na época, com uma família construída e com o sucesso de sua agência, o playboy acabou viajando o mundo e se envolvendo com várias mulheres. Como consequência, seu casamento não durou muito tempo e eles logo se divorciaram. Anos depois, ele tentará se aproximar mais de Jojô, mas essa relação entre pai e filha será bastante complicada.


|| Carolina é irmã de Dorinha (Samantha Schmütz), que optou por levar uma vida bem diferente da irmã. Dorinha é casada com Zé Pedro (Hélio De La Peña), com quem teve dois filhos, João e Maria. A parceria em cena de Samantha Schmutz e Hélio de La Penã já deixa a gente ansioso para que os autores escrevam muitas cenas engraçadas para eles, que são mestres no timing cômico.


|| Um dos principais rivais do mocinho Jonatas por vários espaços nas ruas é o maldoso Jacaré (Sérgio Malheiros). O rapaz passa bastante tempo atormentando a vida dele, que, para proteger seus clientes, já precisou se meter em brigas e conflitos com Jacaré e seus comparsas.

|| Jonatas tem três irmãos: Bola (Cauê Campos), Jennifer (Lellezinha) e Wesley (Juan Paiva). Eles são filhos de Rosângela (Malu Galli), uma mulher que trabalha como doceira para sustentar os filhos, que são frutos de diferentes relacionamentos. Além de todas as dificuldades financeiras, um trauma abalará a família de Jonatas. Seu irmão Wesley sempre teve o sonho de ser jogador de futebol. Nos últimos anos, deixou os gramados de lado para tentar a sorte treinando com o técnico Montanha (Toni Garrido). Mas um acidente interrompe o sonho do garoto. Mas o espírito olímpico será mais forte e Wesley transformará o drama em uma grande promessa do para-atletismo.

|| O jovem Rafael (Daniel Rocha), assim como Carolina, se destacará no universo do jornalismo de moda. O rapaz, que passou dois anos na Europa estudando fotografia com os mais renomados nomes da área, voltará ao Brasil e ganhará uma oportunidade em pouco tempo. Ele será contratado para ser o fotógrafo do concurso Garota Totalmente DemaisCom um visual atlético, o fotógrafo despertará a atenção da mulherada. No entanto, se esquiva de um relacionamento sério e duradouro. No passado, o jovem namorou sério com Sofia (Priscila Steinman), filha de Germano (Humberto Martins) e Lili (Vivianne Pasmanter), proprietários da Bastille. Mas o relacionamento foi interrompido drasticamente após Sofia falecer em um acidente de carro. A Bastille é a principal patrocinadora do concurso promovido pela revista. A empresa se tornou líder no setor de cosméticos no Brasil nas mãos do casal Lili e Germano. No entanto, a morte da primogênita Sofia levou Lili a se afastar da empresa. Apesar de ser a principal líder do setor, a empresa enfrenta problemas dentro da própria família, já que o outro filho do casal, Fabinho (Daniel Blanco), um estudante de Ciências Sociais, já se envolveu em várias confusões por se manifestar sempre contra os interesses da empresa dos pais. Após anos afastada da empresa, Lili voltará ao trabalho ao resolver lançar uma linha de cosméticos à prova d’água para homenagear sua falecida filha, que foi a idealizadora do projeto. Para lançar a linha, a empresa, em parceria com a revista Totalmente Demais, resolve procurar uma nova modelo para estampar as peças publicitárias da marca. Acontece que, durante uma viagem para a Austrália, Germano terá um caso com Carolina. Lili descobrirá tudo e, revoltada, se voltará contra o marido pelo poder da empresa.



5 - Mundo da moda



Com um quê do filme O Diabo Veste Prata, os bastidores da redação da revista feminina Totalmente Demais servirão de pano de fundo para a trama. Ou seja: vem muitos looks incríveis por aí. Além disso, assim como em Verdades Secretas, que também retratou o mundo da moda, a trama terá a participação de algumas modelos famosas interpretando modelos, como Fernanda Motta. E é isso que me deixa com um pouco de receio. Quem aí não se lembra da atuação desastrosa da Alessandra Ambrósio e de alguns outros modelos na novela das onze, hein? Cada macaco no seu galho! Falando nisso, muita gente, inclusive, tem dito por aí que Totalmente Demais será uma versão mais leve pro horário das sete de Verdades Secretas, que explorou o submundo da moda e a prostituição de forma primorosa. Embora este encantamento de Arthur por Eliza, a de um empresário experiente que se apaixona por uma interiorana ingênua, lembre o de Alex (Rodrigo Lombardi) por Angel (Camila Queiroz), os contextos são completamente distintos.


6 - Capítulo zero


Uma novidade da novela é o chamado 'capítulo zero', um capítulo especial divulgado na internet antes mesmo do primeiro estrear. Assim, o telespectador pode conhecer um pouco da trama antes da mesma começar a ser exibida na TV. Na prática, a suposta inovação foi apenas um jogo de publicidade mesmo. O 'capítulo zero' nada mais é do um clipe, mas sem um compacto de cenas e sim com um desenvolvimento normal, só que com menor duração. Mas valeu pela intenção!



E aí? Ficou ansioso com a nova novela das sete? Diz aí nos comentários!




domingo, 8 de novembro de 2015

O Melhor e o Pior da Semana (02 à 08/11)





   ARREBATADOR: EMBATE ENTRE EMILIA E VITORIA   


Com a segunda fase de Além do Tempo, houve mais destaque para aqueles que tiveram pouco espaço no século passado. Esse é o caso de Ana Beatriz Nogueira. Sua personagem começou como uma das protagonistas para depois passar capítulos e mais capítulos escondida da Vitória (Irene Ravache). Foi uma pena. Agora, Emília ganhou força que merecia, voltou a aparecer bastante e o conflito com Vitória voltou ao centro das atenções, proporcionando grandes cenas. Com o agravante de que agora elas são mãe e filha, com muitas contas pendentes dessa e da outra vida. Emília foi abandonada pela mãe quando tinha apenas sete anos, por isso, cresceu cheia de ódio no coração. Ao descobrir que a situação financeira de Vitória é caótica, a empresária viu a chance de se vingar. Depois de prometer que venderia a casa de Vitória para Luís (Carlos Vereza), Emília resolve mudar de ideia. Afinal, o prefeito deixaria a velha amiga continuar morando de favor no local. Emília não só desiste do negócio, como aciona a Justiça para tomar posse da propriedade. Surpresa, Vitória recebe uma ordem de despejo e fica desesperada. Ela tenta falar com a empresária, mas Emília ignora todos os telefonemas da mãe. Sem imaginar que está diante da própria filha, Vitória procura Emília e fala poucas e boas. Esse primeiro embate entre as duas foi arrebatador. Emília gargalhou com o sofrimento da mãe e ficou cheia de deboche e ironias na frente dela para depois chorar copiosamente lembrando de todo seu sofrimento. Ana Beatriz Nogueira só com o olhar lacrimejado conseguiu expor toda a mágoa, amargura e angústia da personagem. Irene Ravache, sempre esplendorosa, conseguiu nos fazer sentir pena da Vitória, mesmo sabendo que ela foi capaz de abandonar a própria filha ainda pequena para fugir com outro homem. Destaque para Carlos Vereza também. Esse acerto de contas entre as duas ainda vai longe...


   GOSTEI: O 'NOVO' JULIANO   


Juliano (Cauã Reymond) promoveu uma reviravolta na novela das nove e, finalmente, deixou o ar Jorginho de Avenida Brasil para trás. Não é fácil ser mocinho. Ainda mais no caso do Cauã, que vive um mocinho atrás do outro e acaba tendo que redobrar o cuidado para não cair na mesmice. Mas seu Juliano saiu da posição de "mocinha", está movimentando a história e passou a ganhar excelentes cenas e diálogos. A sequência em que o personagem descobre que o pai que sempre defendeu e venerou a vida toda é mesmo um bandido foi sensacional. Elogiar o Tony Ramos é "chover no molhado", né? O ator é fantástico sempre. Ponto. Mas foi Cauã quem me surpreendeu, dando um show de sensibilidade e talento. A Regra do Jogo fecha sua décima semana garantindo evolução de quase todos os personagens, trazendo ameaças aos negócios da facção e inserindo um ponto de impacto na vida do protagonista, Romero (Alexandre Nero). A novela continua fazendo bem o seu papel de apresentar um trama rápida, com capítulos bem construídos, garantindo reconhecimento por parte do seu público fiel.



   EMOCIONANTE: DECIMA PRAGA   


A Record esticou ao máximo as pragas do Egito para que Os Dez Mandamentos, o maior sucesso da emissora desde 2007, ficasse mais tempo no ar. A autora havia planejado só umas duas semanas com todas as pragas, mas o negócio saiu do controle e começou a dar picos enormes de audiência mesmo com uma barriga maior que a da grávida de Taubaté. Para se ter uma ideia, a primeira praga foi exibida no final de agosto e só vimos o término no começo de novembro. Haja enrolação, né? Mas, apesar dos pesares, foi belíssima e emocionante a chegada da décima praga: a morte de todos os primogênitos. Os efeitos de luz da chegada do vulto da morte ficaram ótimos. O Egito é tomado por um silêncio assustador, até que as mães começam a notar a morte de seus filhos primogênitos. Gritos de sofrimento e pavor tomam conta da cidade. Mulheres do harém choram agarradas aos seus filhos mortos. Hebreus aliviados ao notarem que a vida de seus filhos foram poupadas, mas angustiados com o sofrimentos das mães e pais egípcios. Karoma feliz por ter o filho Pepy vivo ao seu lado. Hur, Leila e Bezalel choram desesperados, pois tem certeza da morte de Uri. Moisés (Guilherme Winter) pede a Deus que dê conforto às famílias que choram a morte de seus filhos. Nefertari (Camila Rodrigues) segura Amenhotep (José Victor Pires) em seus braços e chora a dor da perda. Ramsés (Sérgio Marone) fica desnorteado. Moisés e Arão vão até o palácio. O libertador e o faraó se encaram em silêncio. Ramsés então quebra o silêncio e diz que o povo hebreu está livre, mas antes de partir pede a benção para Moisés, que o atende. Foi difícil não conter as lágrimas com todas essas sequências emocionantes. Destaque para Sérgio Marone, que deixou a canastrice um pouco de lado e segurou bem a peteca, e Camila Rodrigues, uma das poucas atuações que se salvam em meio a um elenco, em sua maioria, tão limitado. A décima e última praga do Egito foi a mais impactante de todas, pois dilacerou a alma!


   DEIXOU A DESEJAR: FINAL DE 'I LOVE'   



Com gostinho de "já deu o que tinha que dar", I Love Paraisópolis entrou em sua derradeira semana em ritmo de morte lenta e cada vez mais absurda. Começamos com o desnecessário sonho medieval que Mari (Bruna Marquezine) teve com Grego (Caio Castro) e Ben (Maurício Destri) duelando. Passamos pela sequência completamente tosca envolvendo o fantasma de Omara (Priscila Marinho), que voltou do mundo dos mortos com pedaços de escamas de peixe no rosto e querendo comida. Para culminar o festival nonsense, Gabo (Henri Castelli) é jogado pelos capangas de Dom Pepino (Lima Duarte) da janela da empresa em cima de um andaime, não morre, não sofre nenhum arranhão e aparece do nada para matar Dom Pepino, que havia sido picado por uma cobra. E tudo isso foi só um aperitivo para o final que estava por vir. O último capítulo de I Love começou com uma péssima sequência envolvendo Gabo e Benjamin. A cena longa e densa deixou clara a fragilidade dos dois atores. Se durante a novela eles não tiveram bons momentos, mas também não comprometeram, nesse desfecho os dois foram canastrões ao extremo. O desfecho do vilão e de Dom Peppino foi um péssimo momento da direção também. A queda dos dois do prédio, que era previsível desde o começo da cena, em um chorma key de gosto duvidoso, foi tão patética e mal feita que me fez sentir saudades dos efeitos toscos de Os Mutantes. Como deixaram isso ir pro ar!? O último capítulo serviu apenas para confirmar o carisma e o talento de Caio Castro. Na pele do bandido Grego, o ator dominou a novela e seu personagem jogou o mocinho Ben para escanteio. Sua química com Maria Casadevall transformou Grego e Margot no casal sensação da história. Os dois não só caíram no gosto do público como ganharam ótimas cenas durante a novela toda. No fim, Grego e Paulucha (Fabíula Nascimento) protagonizaram uma linda cena quando ela foi visitar o sobrinho na cadeia. E salvaram a sequência de micos do último capítulo da novela das sete. E que venha Totalmente Demais!

Leia: The Oscars I Love Paraisópolis



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