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domingo, 21 de junho de 2015

Escala de Ódio: as filhas ingratas e mimadas das Helenas nas novelas do Manoel Carlos







Joyce de História de Amor


Joyce (Carla Marins) vivia uma relação conflituosa com a mãe, Helena (Regina Duarte). A jovem fazia um cursinho preparatório para o vestibular no intuito de cursar história, mas era uma estudante muito desinteressada. Joyce também era muito inconstante, não sabia o que queria, berrava com todo mundo e vivia brigando com o namorado, Caio (Ângelo Paes Leme), de quem engravida. Mas é só com a ajuda da mãe que ela leva adiante a gestação pra isso a mãe, serve, né?.


No final da novela, Joyce descobre que a irmã de Helena teve um romance com seu pai, o que resultou em uma gravidez. Só que a mulher morreu em um acidente quando o bebê tinha apenas três meses de vida. Esse bebê era Joyce, que Helena assumiu e cuidou como se fosse sua filha. E o que Joyce faz? Fica transtornada com a descoberta, revolta-se contra Helena, humilha ela e põe a mulher que lhe criou a vida toda pra fora de casa. Quanta ingratidão, viu...



Só no penúltimo capítulo que Joyce perdoa a mãe e as duas fazem as pazes.




Mas nem assim Joyce abaixa a crista. Ao contrário das outras filhas ingratas e mimadas da lista, Joyce se mantém insuportável, chata e arrogante do início ao fim. Aja saco, viu!



Por isso, em uma escala de vinte palmatórias que a Joyce 
merecia ter levado quando criança, quanto odiei:





Maria Eduarda de Por Amor


Maria Eduarda (Gabriela Duarte) era daquelas que queria que o mundo todo cedesse às suas vontades. As únicas pessoas que gostavam dela na novela era sua mãe Helena (Regina Duarte), seu namorado Marcelo (Fábio Assunção) e seu ex-namorado César (Marcelo Serrado), um médico que continua apaixonado por Eduarda apesar dela não querer nada com ele. Branca (a diva soberana Suzana Vieira), a mãe de Marcelo, não curte nada o romance entre ele e a moça e dá a maior força para que a psicótica Laura (Vivianne Pasmanter) reconquiste Marcelo. Apesar de todos os esforços das duas, Maria Eduarda e Marcelo acabam casando mesmo assim. Eduarda engravida na mesma época que Helena e as duas vão pra maternidade juntas. Durante o parto, o útero de Eduarda se rompe e o bebê morre. Helena, desesperada, pede pra que César troque os bebês pra que ela finja que o filho dela morra, enquanto o de Eduarda continuou vivo. César acaba concordando, porque ama Eduarda e porque ela nunca mais ia poder ter filhos. Eles trocam os bebês e a farsa demora um tempo pra ser descoberta. Enquanto isso, a vida da mocinha continua sendo infernizada por Laura, que arma planos mirabolantes para separá-la de Marcelo. A única vez que Eduarda toma alguma atitude é a vez que ela fica tão brava com Laura (que tinha engravidado de gêmeos de Marcelo) que joga ela de cadeira de rodas e tudo dentro da piscina. 



Fora essa vez, Eduarda estava sempre reclamando e com aquela cara de enfezada pra tudo que acontecia próximo a ela. Mais pro fim da novela, ela finalmente descobre a farsa da troca dos bebês ao ler o diário da mãe e, ao invés de entender que o que a mãe fez foi um ato de amor, tem uma briga ridícula com Helena e rompe relações com elaAlém desse monte de problemas, ela também tinha uma relação bem conflituosa com o pai, Orestes (Paulo José), que sofria com o alcoolismo. Eduarda morria de vergonha dele e fazia de tudo pra esconder que ele era seu pai. No fim da novela, ela faz as pazes com Helena e Orestes e termina feliz ao lado de Marcelo. O fato é que Eduarda era tão chata que criaram um site de ódio à personagem intitulado "Eu Odeio a Eduarda". Isso em 1997, uma época em que era difícil encontrar alguém que vivia na internet e nas redes sociais (já que não eram esse fenômeno todo que é hoje em dia). Por isso, em uma escala de vinte Brancas que em nada tem haver com essa matéria, mas por ter sido interpretada pela diva soberana da Suzana Vieira eu vou colocar aqui sim e ai de quem reclamar, quanto odiei:







Camila de Laços de Família


Em um belo dia, Helena (Vera Fisher) estava dirigindo calmamente pelas ruas do Leblon quando bate no carro de Edu (Reynaldo Gianecchini). Ela, que não é boba nem nada, se apaixona pelo bonitão. Por conta da questão da diferença de idade, Alma (Marieta Severo), a tia controladora de Edu, detesta o romance e não vê a hora de separar seu sobrinho querido da senhora com a qual ele está se envolvendo. Pra piorar um pouco a situação, Camila (Carolina Dieckmann), a filha de Helena, volta do Japão e dá de cara com o namorado jovem e bonito da mãe em sua casa. O inevitável acontece: Camila se apaixona por Edu, que acaba se apaixonando por ela também e Helena aceita o romance porque é burra é mãe. Camila e Edu se casam, Helena encontra um novo amor, Miguel (Tony Ramos), mas a felicidade não dura muito. Além de Camila ter que lidar com a meia-irmã da mãe, Íris (Deborah Secco), que passa a morar no Rio depois da morte de sua mãe e faz de sua vida um inferno, cheio de brigas nas quais Íris grita JUUUUUUDAS, pouco tempo depois do casamento, Camila descobre estar com leucemia e tem que começar o tratamento do câncer. Em uma das cenas mais lembradas e marcantes de toda a nossa teledramaturgia, Camila corta o cabelo ao som de Love By Grace da Lara Fabian. Na boa, como não se emocionar assistindo essa cena abaixo, não é mesmo? Já peguei até um lencinho porque não consigo parar de chorar!



No final, após muito sofrimento, tudo fica bem. Precisando urgentemente de um doador de medula, já que Camila e o meio-irmão Fred não são filhos do mesmo pai, querendo salvar a filha da doença, Helena recusa o pedido de casamento de Miguel e faz um filho com Pedro (José Mayer) para salvar Camila. Vitória, a filha de Helena, nasce e consegue curar Camila, que termina feliz com Edu. Helena ainda se acerta com Miguel e os dois se casam. O fato é que Camila só foi salva da rejeição total do público pela história que veio a seguir, na qual era diagnosticada com leucemia. Antes da doença, chegava a dar vontade de dar uma surra nela tamanha a sua prepotência. O pior de tudo é que Camila era sonsa e hipócrita. Se achava a melhor pessoa do mundo e vivia dizendo que Íris não valia nada, mas não mediu esforços para conquistar Edu usando como justificativa que "no amor, vale tudo". Não estamos falando de pegar o boy da amiga na balada, queridinha (o que já é horrível, diga-se de passagem), e sim pegar o boy da própria mãe debaixo do teto dela se insinuando para ele!!! Por isso, em uma escala de vinte meninas lindas com leucemia, quanto odiei:





Luciana de Viver A Vida


Até mesmo a Helena da Taís Araújo (a única das Helenas que não era mãe) teve uma enteada chata pra aturar. Filha mais velha de Marcos (José Mayer) e Teresa (Lília Cabral), muito mimada pelos pais, Luciana (Alinne Moraes) sonhava com o glamour e o sucesso no mundo da moda, mas não tinha o apoio da mãe, que conhecia as desilusões que a profissão podia causar. Quem também não gosta da carreira escolhida por ela é seu namorado, Jorge (Mateus Solano), que faz tudo para que ela desista da ideia. Confiante, Luciana corre atrás de todas as oportunidades para ver sua carreira decolar. Enquanto isso, Helena, uma top model de renome internacional, no auge da carreira, decide largar a profissão para se casar com o sedutor Marcos, empresário do ramo hoteleiro, por quem se apaixona perdidamente. Após se casar com ele, Helena tem de enfrentar o rancor de Teresa (que, embora tenha optado pelo divórcio por estar cansada das traições do marido, ainda o ama) e também a rivalidade de Luciana, que inveja sua posição no mundo da moda. Além disso, Luciana não a aceita como madrasta, principalmente por ciúmes do pai.


A relação de Helena e Luciana é conflituosa. Enquanto a primeira tenta se aproximar da enteada, esforçando-se por ignorar seus comentários agressivos e infantis, Luciana não perde a oportunidade de maltratá-la. É graças a Helena que Luciana é selecionada para fazer seu primeiro trabalho fora do Brasil. Em Jordânia, madrasta e enteada conhecem os aventureiros Bruno (Thiago Lacerda) e Felipe (Rodrigo Hilbert), dois amigos brasileiros que rodam o mundo em busca de novas experiências Traduzindo: são riquinhos, porque se tivessem um tanque cheio de roupa pra lavar ia acabar com a graça dos dois rapidinho. Luciana se encanta por Bruno. Ele se interessa por Helena, mas acaba trocando um beijo com Luciana, que fica encantada. As duas têm uma forte discussão no dia do retorno para o Brasil e Helena fica tão perturbada pelas duras palavras de Luciana que lhe dá um tapa na cara e recusa-se a viajar no mesmo carro que ela, obrigando a filha de Marcos a dividir o ônibus com as outras modelos. Rola um acidente com esse ônibus e, em uma cena emocionante, Luciana descobre que perdeu os movimentos dos braços e das pernas.


A veracidade das cenas foi tão impressionante que sofri junto com ela a cada dificuldade e vibrei a cada conquista. A personagem, que começou a novela mimada e egoísta, sofreu uma mudança radical após a tragédia que a deixou tetraplégica, mostrando que o sofrimento ensina muito e humaniza as pessoas. Luciana recupera os movimentos dos braços, mas termina a novela paraplégica. Ela termina feliz ao lado de Miguel (Mateus Solano) e faz as pazes com Helena, que fica com Bruno porque era o que tinha pra hoje!. Por isso, em uma escala de vinte Taís Araújos chorando por ter sido completamente ofuscada nessa novela pela Alinne Moraes, quanto odiei:






Luiza de Em Família


Helena (Bruna Marquezine) foi criada em Goiás para conquistar a audiência daquele estado brasileiro onde os índices da Globo são vergonhosos e, desde pequena, gostava de andar pelos campos floridos ao lado do primo, Laerte (Guilherme Leicam), um belo jovem com um sério problema de insegurança aliado a um descontrole emocional bem forte. Tão forte que ele foi contra todas as campanhas de saúde e fez um pacto de sangue com a amada. Helena tinha uma necessidade muito grande de se sentir desejada. E por causa desse desejo, flertava com Virgílio (Nando Rodrigues), que nutria uma paixão secreta por ela. O tempo passou, Laerte foi ficando ainda mais psicopata e conseguiu convencer a amada a se casar com ele. Porém, durante a despedida de solteiro, acidentalmente o órgão reprodutor de Laerte foi aparecer dentro do órgão reprodutor de uma prostituta contratada para a festa Olha só como são essas coisas da vida! e Virgílio viu. Resultado: os dois brigaram e Laerte enterrou o amigo vivo. E bora lá casar! Laerte foi preso, o pai de Helena sofre um infarto na igreja e morre e Helena, sentindo-se culpada, aproveitou o vestido de noiva e a vontade de juntar as escovas de dente para se casar com Virgílio. 


Vinte anos depois e muitos pontos de audiência a menos, Helena se transforma na Julia Lemmertz, Virgílio vira o Humberto Martins com uma cicatriz horrorosa em forma de varizes na cara e a filha dos dois foi estudar na Europa. Lá no velho continente, Luiza (Bruna Marquezine) conhece Laerte (Gabriel Braga Nunes) e os dois se apaixonam perdidamente. Não satisfeita em só namorar Laerte, o homem que infernizou a vida de sua mãe no passado e quase matou seu pai, Luiza dá o seu melhor como a garota mimada que é e desafiava a família com suas provocações: "Eu não tenho culpa se você gosta do mesmo homem que eu e se você tem inveja de mim", disse ela para Helena quando mãe e filha se confrontaram por causa do namoro relâmpago de Luiza e Laerte. Nossa, quem precisa de inimiga pra roubar teu boy com uma filha dessas, não é mesmo?


Iludida pelos olhos azuis e a lábia infalível de Laerte, Luiza realmente acreditou que estava vivendo um conto de fadas e fez de tudo para que todos os outros personagens pensassem o mesmo e embarcassem com ela nesse carrossel onde o mundo faz de conta e a terra é quase o céu. Prestes a se casar com o músico, ela obrigou o pai a receber o casal em seu apartamento para que ele pudesse dar a bênção à união. "Ainda tenho esperanças de que ele entre na igreja comigo", dizia ela, simplesmente ignorando o fato de que seu querido noivo enterrou seu pai vivo durante a juventude dos dois!!! Tem como torcer por uma personagem dessas? Absolutamente, não!


Felizmente, Luiza e Laerte não terminam felizes no final porque uma figurante loira mata o flautista com um tiro no dia do casamento na saída da igreja. Sorte da Luiza, porque depois do casamento ela ia ver o que é bom pra tosse. Por isso, em uma escala de vinte flautas MALDITAS, quanto odiei:




E o resultado da nossa Escala de Ódio ficou assim:


5º lugar - Luciana de Viver A Vida
4º lugar - Camila de Laços de Família
3º lugar - Luiza de Em Família
2º lugar - Maria Eduarda de Por Amor
1º lugar - Joyce de História de Amor





Parabéns, Joyce! Você é a mais insuportável de todas! Gostou do resultado?



sexta-feira, 19 de junho de 2015

As notícias mentirosas das novelas que todo mundo (ou só eu mesmo) gostaria que fossem verdade



Babilônia será encurtada e terminará amanhã mesmo



A Regra do Jogo estreia semana que vem



Jorge Fernando é proibido de colocar sua mãe nas novelas que dirige



Janete Clair volta dos mortos e é contratada pela Globo



Record abre seus horizontes e faz uma novela sobre o candomblé



Globo decide fazer uma minissérie das Empreguetes



A Família Tradicional Brasileira já não se incomoda mais com beijo gay



Todo o elenco de I Love Paraisópolis se muda para o Rio de Janeiro, fingem que são cariocas e nos poupam daquele sotaque paulista forçadíssimo



SBT finalmente exibe Soy Tu Dueña e Teresa



O "Vale A Pena Ver de Novo" pode reprisar novelas das nove antigas sem nenhum tipo de censura e sem precisar realizar cortes em cenas mais pesadas



Globo ganha na justiça e fará versão brasileira de A Usurpadora com 

a diva soberana desse país Suzana Vieira no papel principal



Adriana Esteves sai de Babilônia e consegue uma

 vaguinha em A Regra do Jogo para viver uma Carminha 2.0




quarta-feira, 17 de junho de 2015

Duelo de Novelas: A Favorita vs Avenida Brasil



João Emanuel Carneiro para os íntimos, só JEC é tido atualmente como o melhor e mais criativo novelista do país (com total razão, diga-se de passagem). Sua primeira novela como autor titular foi Da Cor do Pecado (2004), a maior audiência do horário das sete da década 2000, que lhe rendeu o premio de melhor revelação da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Dois anos depois, voltou a assinar uma novela das sete, Cobras E Lagartos (2006), a segunda maior audiência do horário da década 2000. Devido ao sucesso, logo foi promovido ao horário nobre e escreveu, respectivamente, A Favorita (2008) e Avenida Brasil (2012), dois grandes sucessos de crítica e audiência que pararam o país em frente a TV e povoam o imaginário popular do público até hoje. Mas qual das duas novelas das nove do JEC é a melhor? Hum... Pergunta difícil, não é mesmo? Pois nós vamos decidir logo isso e vai ser agora! Que o duelo comece!!!



Categoria 1: Mocinha


Donatela (Cláudia Raia) e Nina (Débora Falabela) foram mocinhas nada convencionais e tinham ares de vilãs. Perua, exagerada, de moral duvidosa e louca por dinheiro, todo mundo pensava, no início de A Favorita, que Donatela era a grande vilã da história. Mas não. Em uma das melhores cenas da história da nossa teledramaturgia, já no fundo do poço e passando a ser perseguida por todos como assassina, Donatela sequestra Flora e tem a chance de atirar na rival, mas se contêm. Nesse momento, Flora revela que ela nunca teria coragem de atirar já que a assassina da história é ela. Naquele momento, cuspi todo o meu jantar ao descobrir que fui enganado esse tempo todo por aquela carinha de anjo da Flora e que estava frente a frente com uma das melhores vilãs brasileiras de todos os tempos. A partir daí, Donatela passou a comer o pão que a Flora amassou, sendo presa injustamente e foi capaz de quase tudo para provar sua inocência e desmascarar a rival.



Já em Avenida Brasil, Rita foi abandonada no lixão pela ex-madrasta, Carminha, que ainda deu um golpe no seu pai, causando a morte dele. Vinte anos depois, ela retorna ao Brasil com outro nome, Nina, e traça um plano de vingança contra a vilã usando de métodos bem ardilosos (chegando até a roubar o dinheiro do sequestro de Carminha para financiar sua vingança e até ir pra cama com Max, amante da vilã, só para desestabilizá-la). Sem falar também do seu inesquecível...



Nina era bem mais legal que a Donatela (que, depois que foi presa, passou a derramar um oceano de lágrimas em todo santo capítulo), mas um furo no roteiro pôs tudo a perder. Imaginem que vocês tiraram fotos comprometedoras da sua maior inimiga fazendo sexo com o amante. Eu salvaria num pen drive, num cartão de memória, num e-mail, faria backup das fotos, tiraria mil e uma cópias... E é claro que Nina fez o mesmo, certo? Errado! Em pleno século 21, no auge da era digital, Nina apenas fez cinco míseras cópias IMPRESSAS (sendo que papel qualquer um destrói) das fotos e entregou para cinco pessoas de sua confiança. É óbvio que Carminha recuperou as fotos e Nina ficou com cara de cu. Assim não tem como te defender, amiga! Até minha vózinha tem um pen drive! Será que Nina não tinha pelo menos R$15 pra comprar um pen drive qualquer? Que miserê!





Categoria 2: Mocinho


É fato que o JEC não dedica aos personagens masculinos principais o mesmo cuidado que tem com as mulheres. Enquanto Donatela e Nina dominavam a trama em seus embates com as vilãs, respectivamente, Flora e Carminha, Zé Bob (Carmo Dalla Vechia) e Tufão (Murílo Benício) eram quase sempre inertes na trama, servindo apenas como joguetes nas mãos das vilãs e das mocinhas pra lá e pra cá. Em A Favorita, Zé Bob era o típico jornalista que achava que ia mudar o mundo através de suas matérias de jornal. Idealista, certinho e ético, Zé Bob tinha como ocupação principal tentar denunciar as falcatruas dos políticos. Ele começa a trama como um verdadeiro canalha mulherengo e pegou várias mulheres da trama, mas depois acaba se cansando um pouco disso quando se apaixona por Donatela. Na verdade, o que interessava mesmo em Zé Bob é o fato dele ser gostoso dele ser a razão de cobiça entre Flora (Patrícia Pillar) e Donatela (Cláudia Raia) e tudo que faz com que o ódio entre as duas aumente mais é muito importante nessa novela!.



Pelo menos, Zé Bob era valente e tinha pulso firme, ao contrário de Tufão, um verdadeiro banana. O cara parecia até a mocinhA da novela de tão trouxa que era nas mãos da vilã Carminha; e até mesmo da Nina. Todo mundo enganava ele em Avenida BrasilO ex-jogador de futebol foi roubado, manipulado e caiu em todas as conversinhas fiadas da Carminha, que também o traía na maior cara dura com o cunhado e ainda fez Tufão criar Jorginho (Cauã Reymond) e Ágata (Ana Karolina Lannes) achando que fossem seus filhos quando, na verdade, eram filhos do Max! Tudo bem que Tufão era fofo, mas o fato dele sempre ter sido o último a saber das coisas irritava muuuuuuito!




Categoria 3: Trama Principal




Duas mulheres, duas versões de uma mesma história. Quem está falando a verdade? Foi essa a premissa de A Favorita. A novela já valeu pelo mérito de ter subvertido o esquema folhetinesco vigente apresentando, ao invés de uma história de amor com um casal-romântico central, uma história policial com uma protagonista e uma antagonista, em detrimento ao casal romântico. JEC também ousou ao apresentar uma narrativa totalmente diferenciada, que trocava o tradicional folhetim de cartas marcadas por um texto enigmático, em que o telespectador era convidado a desvendar quem era a heroína e quem era a vilã da história. Mais genial impossível, não é mesmo?

A Favorita levou à tela a intensa relação de ódio e rivalidade entre duas mulheres completamente diferentes, mas unidas por um passado em comum. Flora e Donatela, criadas juntas e antigas parceiras de dupla musical, com o tempo, tomaram rumos diferentes e tornaram-se inimigas. Uma delas assassinou um homem, sendo que, em razão disso, Flora foi condenada a 18 anos de prisão. Mas ela jura inocência e afirma ter pagado por um crime que não cometeu, atribuindo a sua autoria à Donatela, que teria forjado provas contra ela. Diante das mútuas acusações e das duas versões para o mesmo crime, coube ao telespectador, na primeira fase da novela, o papel de juiz. Durante os primeiros 55 capítulos se desenvolveu a fase nebulosa (e a melhor parte, na minha opinião) de A Favorita, em que Flora e Donatela acusavam-se mutuamente pelo assassinato de Marcelo (Flavio Tolezani), herdeiro da poderosa família Fontini e, à época, marido de Donatela e amante de Flora. Enquanto Donatela fazia de tudo para difamar e destruir a rival, que tentava retomar a sua vida após cumprida a pena, Flora jurava sua inocência, tentando, ainda reconquistar o amor da sua filha, Lara (Mariana Ximenes), que acabou sendo criada por Donatela enquanto a inimiga esteve presa.



Avenida Brasil reuniu vários estilos folhetinescos em um só produto, transgredindo a fórmula do folhetim clássico ao apresentar uma história de vingança em detrimento a uma história de amor. Apresentou uma heroína torta, de personalidade dúbia: Nina foi capaz de roubar e enganar para atingir seus objetivos. A estética da novela a aproximou do cinema. A linguagem narrativa fez lembrar os seriados americanos. O ritmo alucinante da história e os ganchos bombásticos cativaram e mantiveram o telespectador preso à novela. Lamenta-se apenas que a trama tenha perdido o fôlego na segunda metade para o final. Não houve barriga (aquele parte da novela em que nada acontece), mas a história começou a dar voltas, a patinar e enrolar o público. Foi quando se deflagrou o maior problema da novela: algumas atitudes incoerentes de Nina para realizar sua vingança. A história de Avenida Brasil terminou já na penúltima semana, quando Nina foi vingada (através de Max) e Carminha foi expulsa da mansão de Tufão. Pelo menos a história apresentada desde o início da novela, a da vingança de Nina contra Carminha. A última semana serviu apenas como epílogo da novela. Com uma semana para terminar, novos entrechos vieram à tona. Um novo vilão apareceu: Santiago (Juca de Oliveira), o pai de Carminha. O mistério do assassinato de Max explicou a origem dos personagens do lixão e os elos que os ligavam. O batido clichê do assassinato incomodou. Mas, na realidade, saber quem matou Max foi apenas o pano de fundo para explicar a origem da "Família Lixão". Enfim... Seja lá como for, mesmo recontando uma clássica história de vingança, mas de uma maneira totalmente diferente (aos moldes dos seriados americanos), a trama principal de Avenida Brasil se mostrou igualmente forte a de A Favorita.



Categoria 4: Tramas Paralelas


Avenida Brasil foi um tipo (raro) de novela em que não só o elenco principal se destacou, mas sim TODO o elenco, repleta de personagens coadjuvantes carismáticos e de forte apelo popular que caíram nas graças do público. Como, por exemplo, Zezé (Cacau Protásio). A empregada não teve uma história própria, estava ali apenas para dar um alívio cômico, mas é difícil imaginar a família Tufão sem a presença dela e o seu inesquecível "Eu quero ver tu me chamar de amendoim".


Letícia Isnard também teve seu talento reconhecido ao viver Ivana, personagem tão humana que lembra uma prima, uma vizinha ou amiga de colégio. Juliano Cazarré conquistou fãs com seu Adauto, um tipo ignorante e encantador. Também Fabíula Nascimento, que deu vida a uma Olenka despachada e divertida, no modo de falar e vestir. José Loreto, uma das revelações do elenco jovem, dividiu ótimas cenas de Darkson com o veterano Marcos Caruso. Ísis Valverde lacrou como a periguete Suelen, ora amoral ora imoral. E Cláudia Missura, atriz tarimbada que transformou uma empregada coadjuvante numa mulher tão rica e real que nos faz lembrar alguém conhecido. Vale destacar também Luana Martau (a Beverly), que teve menos participação, mas sempre com tiradas ótimas e inspiradas. E as meninas Mel Maia (a Rita do início da história) e Ana Karolina Lannes (a Ágata), tão novinhas e já esbanjando talento e carisma. Foi também o melhor papel de Marcello Novaes, como Max. José de Abreu esteve irrepreensível como o monstruoso e divertido Nilo, bem como Vera Holtz, que esbanjou emoção como a misteriosa Mãe Lucinda. Destaque também para Marcos Caruso (Leleco, típico coroa que se acha garotão) e Eliane Giardini (Muricy), que esbanjaram química com um casal pra lá de divertido. Débora Bloch também divou como a grã-fina Verônica. Da sua língua ferina, ouviu-se todo o discurso preconceituoso contra os mais pobres.


Pena que o mesmo não se pode dizer de A Favorita. Enquanto JEC focava exclusivamente na trama principal, as paralelas foram ficando cada vez mais insignificantes e foram mal aproveitadas. Com exceção do drama da dona de casa Catarina (Lília Cabral), que sofria nas mãos do marido machista, Léo (Jackson Antunes), todas os outros personagens secundários pareciam até figurantes e, as vezes, nem apareciam. Tanto é que no DVD de A Favorita nem precisou cortar muito a trama. Apenas colocaram as cenas do núcleo principal e não fez diferença nenhuma.




Categoria 5: Audiência


A Favorita começou como um verdadeiro fracasso e penou muito no início para engrenar na audiência. Prejudicada pela Record, que antecipou o último capítulo de Caminhos do Coração (Os Mutantes) para coincidir com a novela das nove, registrou a pior audiência de um primeiro capítulo do horário de todos os tempos. A audiência começou a subir só duas semanas depois, mas, mesmo assim, fechou com o pior mês de estreia de uma novela das nove de todos os tempos (calma que essa marca negativa já foi superada pelas novelas seguintes e Babilônia é que detém atualmente esses dois títulos indesejados). Só foi a partir do capítulo 55, quando finalmente foi revelado que Flora é que era a grande vilã, é que a trama engrenou de vez, caiu no gosto popular e virou febre em todo país. Que baita evolução, hein? De fracasso à mega sucesso! Entretanto...








...Avenida Brasil foi um verdadeiro FENÔMENO MUNDIAL que causou uma verdadeira comoção no mundo inteiro - o último capítulo parou o país, como há tempos não se via. É a novela mais assistida dos últimos tempos. Sucesso de audiência e também de repercussão, foi a primeira novela coqueluche nas redes sociais, provando que as novelas podem sim se aliar à internet e não encará-la como uma concorrente. Que o digam os memes referenciando a trama, a "cascata" diária de "oioiois" no twitter (aos primeiros acordes do tema de abertura), as inúmeras charges engraçadinhas no facebook, os bordões "é tudo culpa da Rita!", "me serve vadia!", "eu quero ver você me chamar de amendoim" e "hi hi hi" (a risadinha de Nilo (José de Abreu)), os GIFs animados com as caretas de Carminha e suas frases de efeito, e os avatares "congelados" ao estilo das fotos dos personagens sobre o fundo com bolinhas coloridas ao final de cada capítulo. No twitter, a novela reuniu todas as noites milhões de brasileiros, ávidos em compartilhar opiniões, em um mesmo sofá, virtual. E não foi só no Brasil não! A novela virou febre em todos os países que foi exibida (México, Portugal, Rússia, Colômbia, Argentina, entre outros) e é a novela mais exportada da Globo, rendendo a emissora mais de 10 bilhões de reais!!! Preciso dizer mais alguma coisa? 





Categoria 6: Abertura




A abertura de A Favorita é uma das mais geniais que eu já vi em toda a minha vida. Além da música tema "Pa' Baillar" casar perfeitamente com as imagens, percebam que a vinheta resumiu toda a trajetória de Flora e Donatela e já revelava desde o primeiro capítulo o grande mistério da trama. Começa com a tela dividida ao meio: o lado de Flora fica em preto e o de Donatela em branco (cores que costumam simbolizar, respectivamente, o mal e o bem). Ambas começam brincando, depois formando uma dupla sertaneja, até que largam o violão e se separam. As duas vão para a cidade grande, onde um homem aparece dividido, cada metade no lado de cada uma das personagens. Elas voltam a ficar frente a frente, pois vão brigar pelo amor desse homem (que é o Marcelo). Em seguida, Flora ganha a tela inteira sentada, segurando o bebê que teve com esse homem. Novamente a imagem é dividida, com o homem no meio e as duas brigando. De repente, a arma é empunhada e um tiro é disparado do lado preto da tela - que é o de Flora. O homem cai. Flora é separada da filha, Lara, e levada para a cadeia. Enquanto Donatela brinca com a criança, Flora está cabisbaixa na prisão. A animação volta para as passagens do início. Lara aparece dividida entre os lados e, mais uma vez, Flora e Donatela estão frente a frente. Viram? A resposta para o famigerado segredo sobre quem matou Marcelo já estava no ar desde o primeiro dia que a trama foi exibida e ninguém nunca, na época, percebeu!!! Já a abertura de Avenida Brasil, ehr...



Oi, oi, oi! Oi, oi, oi! Vem pra quebrar, kuduro! Vamos dançar, kuduro! Oi, oi, oi! Oi, oi, oi! Seja morena ou loira, vem balançar, kudur... Ah, me desculpa, é que eu me empolguei um pouquinho! Assim que soou os acordes iniciais da abertura no primeiro capítulo, logo pensei: Meu Deus do céu, que mal eu fiz pra ter que aguentar esse maldito kuduro toda noite pelos próximos meses??? Entretanto, com o tempo, a música foi me contagiando tanto que tinha vezes que eu ficava aguardando ansiosamente a abertura só pra poder dançar que nem um maluco na sala. E quando não passava a abertura, me dava vontade de ir até a sede da Globo e tacar fogo em tudo! Mas, sejamos justos: essa abertura não tem nada haver com a novela! O que um bando de gente dançando kuduro num baile charme tem haver com uma trama que fala sobre VINGANÇA??? Absolutamente nada!



Última Categoria: Vilã


Agora chegamos na categoria mais aguardada desse duelo. Flora (Patrícia Pillar) ou Carminha (Adriana Esteves)? Qual a melhor vilã? Bom, antes de mais nada, devemos parabenizar a belíssima atuação das duas. Tanto a Patrícia quanto Adriana deram um show e lacraram do início ao fim, ganhando vários prêmios e se consagrando entre as melhores vilãs da teledramaturgia brasileira de todos os tempos. Mas vamos analisá-las cuidadosamente. Carminha foi uma ótima vilã. Maluca, amoral, divertida, debochada, carismática, ambiciosa, falsa, dissimulada, barraqueira...



Mas chega a dar pena no quesito vilania, ainda mais se comparada à Flora, que deixou um rastro de sangue atrás de si em A Favorita. Matou o amante, Marcelo (Deco Mansilha), crime que deu início à história, o Doutor Salvatore (Walmor Chagas) e a jornalista Maíra (Juliana Paes) em queima de arquivo, Dodi, seu comparsa, e muitos outros que se eu fosse listar aqui ia dar pra fazer uma matéria inteira toda dedicada a ela. Forjou seu sequestro com a filha, Lara (Mariana Ximenes), para se fazer de vítima e sair da história como heroína. E isso foi só o começo das suas maldades. Flora era essencialmente fria e má, movida por um misto de inveja e patologia que nutria de Donatela. 



Carminha, na verdade, nada mais é do que uma carola louca movida por alguns trocados e dançava conforme a música tocada por Nina (Débora Falabella). Se a enteada que ela abandonou há vinte anos atrás no lixão não estivesse executando um plano de vingança, o que seria da Carminha? Provavelmente, estaria mantendo o casamento com Tufão (Murilo Benício), que lhe dava vida boa, e o caso com Max (Marcello Novaes). Ou seja, viveria normalmente como uma perua qualquer e, quem sabe, chegaria até a se tornar uma vereadora e desviar uma verba aqui, outra acolá. Sem falar que, na última semana da novela, Santiago (Juca de Oliveira), pai da vilã, um senhor aparentemente bonzinho, se revela o grande vilão da trama. Carminha, na verdade, foi uma grande vítima nas mãos do pai, que lhe abusava sexualmente, matou a mãe dela na sua frente e ainda lhe abandonou no lixão quando era criança (tal como Carminha fez com Nina também).




E a grande vencedora do nosso duelo de novelas é...




Desculpa aê, Carminha. Mas A Favorita é bem melhor que Avenida Brasil!!!


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