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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

O Melhor e o Pior dos Programas de TV



E depois de muito atraso, enfim, chegamos a última retrospectiva de 2016. Já falei das melhores e piores atrizes, dos melhores e piores atores, do melhor e o pior da dramaturgia e hoje, para encerrar com chave de ouro, é sobre os pontos positivos e negativos dos programas de TV no ano passado. Confira!


            O MELHOR            



14º lugar: Ding Dong — Claramente adaptado do extinto Qual é a música?, do SBT, o quadro se revelou uma grata surpresa do Domingão do Faustão, trazendo vários nomes esquecidos atualmente do mercado musical com músicas inesquecíveis. É um quadro que uniu todas as gerações: provocou nostalgia nos mais velhos e fez os mais novos descobrirem que a música vai muito além dos MCs de hoje.

13º lugar: Dança dos Famosos — Mais uma vez, a competição de dança se mostrou o melhor quadro do Domingão do Faustão. É um entretenimento despretensioso e que conquista facilmente quem assiste. Essa temporada, em especial, achei a melhor e mais bem disputada de todas, graças às performances engrandecedoras de Sophia Abrahão e Felipe Simas. O formato segue com bastante fôlego!

12º lugar: Tamanho Família — Em meio ao sensacionalismo barato dos seus concorrentes, Domingo Show e Domingo Legal, Tamanho Família provou que é possível divertir e emocionar sem exagerar na apelação. Despretensioso, conseguiu agradar toda a família (que, tradicionalmente, se reúne aos domingos no sofá durante o almoço). O apresentador, aliás, continua afiado e muito seguro com o microfone na mão. Popular e fanfarrão, no estilo de quem não tem vergonha, Marcio Garcia, realmente, fez falta na função.

11º lugar: Zorra — Em seu primeiro ano, lá em 2015, ele já havia enveredado pela política, explorando o tema da corrupção em alguns quadros. Mas foi na estreia da segunda temporada, agora em abril do ano passado, que o humorístico mostrou a intenção de ir fundo no assunto, com referências óbvias e, às vezes, explícitas aos principais personagens de Brasília. Se aproveitando do caos da política brasileira em 2016, o programa pintou e bordou, divertindo com um texto esperto e ganhando cada vez mais relevância.

10º lugar: Programa do Jô — Jô Soares fez a última temporada de seu programa com um vigor impressionante. Talvez para fechar este ciclo com chave de ouro, sua produção não economizou nos convidados e nas atrações. Sempre em ritmo de despedida, Jô recebeu grandes personalidades e fez entrevistas antológicas, com destaque para Fausto Silva, Roberto Carlos e Ziraldo, seu último convidado, que transformou o episódio final do Programa do Jô numa grande homenagem ao multiartista. O programa saiu de cena por cima, mostrando porque ainda era o melhor talk show da TV brasileira. Fará falta!


09º lugar: Conexão Repórter — A única coisa que se salva no jornalismo do SBT. Neste ano, em especial, Roberto Cabrini, sempre competente, deitou e rolou no vasto noticiário que marcou 2016. Realizou entrevistas exclusivas e envolventes com figuras como Dilma Rousseff, Eduardo Cunha, Garotinho e aquela jovem que foi estuprada por mais de 30 homens no Rio de Janeiro; viajou para a Colômbia para cobrir o local da tragédia aérea que envolveu dezenas de jornalistas e jogadores e dirigentes da Chapecoense; entre outras reportagens interessantíssimas, como dos narcotraficantes e prostituição infantil. Sempre com muita seriedade e dando a sua marca especial para cada reportagem.

08º lugar: Amor & Sexo — A Família Tradicional Brasileira ficou em polvorosa, pois o Amor & Sexo voltou ainda mais picante em 2016. A atração deixou para trás a busca de romper tabus relacionados aos temas indicados por seu título. O amor e o sexo foram só pretextos para outro show. A guinada, positiva, foi a marca da temporada, que abraçou de vez a causa da diversidade, sabendo discutir o preconceito com muito bom humor e irreverência. Não que o programa fosse ruim antes, pelo contrário. Mas esse era um pulo do gato necessário para evitar o esgotamento. Além disso, Fernanda Lima é uma excelente apresentadora. Conquistou com muito mérito o bom lugar que tem hoje na televisão.

07º lugar: Nova Escolinha — Mais uma temporada pra lá de bem-sucedida. Em tributo a Chico Anysio, a Nova Escolinha do Professor Raimundo provou que a TV tem história e, em meio ao saudosismo, resgatou o velho humor sem perder a tradição. Os bordões, personagens caricatos, piadas de duplo sentido e politicamente incorretas e infantilidades voltaram com tudo. As piadas parecem ser as mesmas de sempre, só que acompanhado por um frescor moderno, ou seja, inovaram e renovaram o texto sem perder a essência dos personagens originais. Além de apresentar um excelente texto, o maior acerto da Escolinha está no elenco homenageando os grandes nomes que fizeram história na famosa sala de aula. Escolhido a dedo, alguns atores e humoristas parecem ter nascido para o papel, num encaixe perfeito.

06º lugar: Programa do Porchat —  A Record optou por entrar nesta onda de talk shows na madrugada e apostou no talento do jovem Fabio Porchat, escolha mais do que acertada. O formato é o mesmo dos similares, mas tem na presença de Porchat o seu diferencial. Divertido, irreverente, rápido e carismático, ele comanda seu programa com grande presença de palco e, tirando leite de pedra às vezes, seus bate-papos sempre arrancam boas risadas. A única pessoa capaz de simular um boquete em uma esquete com Roberto Justus e fazer a Xuxa voltar a ser interessante merece todo o nosso respeito.

05º lugar: MasterChef Profissionais — Sucesso de audiência e repercussão, o programa manteve as características vitoriosas da franquia, com boas provas e as presenças sempre marcantes do trio Paola Carrosella, Erick Jacquin e Henrique Fogaça, além da apresentadora Ana Paula Padrão. Mas ganhou um tômpero especial com seus participantes, todos chefs profissionais, o que dava uma dimensão ainda maior a cada erro ou falha do concorrente. Mesmo que a Band ainda use e abuse (exageradamente) da franquia, o fato é que MasterChef Profissionais garantiu uma interessante sobrevida ao programa.


04º lugar: Power Couple Brasil — A grande (e melhor) estreia da Record em 2016. Ao longo de quase três meses, acompanhamos oito casais de ex-famosos e pretensos famosos convivendo em uma mesma casa enquanto disputavam várias provas e tentavam arruinar ainda mais a vida uns dos outros. Embora, à primeira vista, a gente se pergunte "quem são?" ao ver a grande maioria desse povo desconhecido, foi o melhor elenco reunido em um reality como a tempos não se via. Todos os participantes, gostando ou não, foram interessantes (destaque para o maravilhoso casal Laura e Jorge, o surto de Gretchen e a derrota da Simony). A dinâmica do jogo foi muito boa e as provas foram todas bem feitas. Empolgou e divertiu como entretenimento descompromissado. Ansioso para a próxima temporada!

03º lugar: Tá no Ar — Mantendo o alto padrão em 2016, o programa não aliviou para ninguém e riu, com coragem, de tudo que há de exagerado, sensacionalista e ridículo na TV brasileira. Da esquete sobre os maiores spoilers das séries dos últimos tempos, passando pelo encontro de todas as Helenas do Manoel Carlos, até a participação de Carlos Alberto da Nóbrega que levou A Praça É Nossa para o plim plim, não há mais amarras em Marcelo Adnet e Márcio Melhem. Aliando inteligência, humor e ousadia, o programa se diferencia de tudo que há na televisão pela capacidade de se posicionar politicamente sem deixar de divertir a audiência com esquetes que quebram a barreira do brilhantismo. Que venha a próxima temporada!

02º lugar: The Voice Kids — A versão infantil do The Voice não foi exatamente um concurso musical, como prometia, mas ofereceu um entretenimento da melhor qualidade, perfeito para quem estava diante da TV no início da tarde aos domingos. Tudo flui melhor: as crianças, talentosas e lindas, os técnicos, sensíveis e com boa empatia com os meninos e meninas (destaque para Ivete Sangalo, sempre tão espontânea, inteligente, engraçada e com ótimas tiradas), o apresentador, a edição, a montagem… Tudo no The Voice Kids apresentou uma qualidade satisfatória, emocionando e explodindo em fofura em todos os momentos.

01º lugar: Ana Paula no BBB16 — Munik foi a grande vencedora do BBB16. E quem se importa? A verdadeira protagonista e vencedora moral da edição do ano passado do reality teve nome e sobrenome: Ana Paula. Goste você dela ou não, o fato é que há muitos anos não víamos uma participante tão incrível e lacradora como Ana Paula. Ela fez história e levou o programa inteiro nas costas, tirando o BBB do tédio e deixando um legado de surtos, barracos, bom-humor, bebedeiras, bordões (Olha elaaaaaa!) e, principalmente, bom entretenimento. Falei sobre Ana em várias matérias: Ana Paula foi o maior trunfo e a maior ruína do BBB16Ana saiu da vida para entrar na históriaAna Paula: heroína vingativa ou vilã surtada?A volta daquela que foi sem nunca ter sido... Que o BBB17 nos traga outra grande protagonista.


               O PIOR                



14º lugar: Vídeo Show — O clássico programa vespertino da Globo voltou a dar dor de cabeça para os diretores da emissora. A apresentadora Monica Iozzi não refrescou tanto assim o programa em termos de audiência, mas é inegável que ela colaborou para dar uma nova cara e um novo rumo ao programa. A dupla que formava com Otaviano Costa funcionava. Mas ela saiu, o canal fez inúmeros testes para encontrar uma nova apresentadora e a escolhida, Maíra Charken, simplesmente não funcionou. Ou seja, a emissora errou ao escalar outra atriz com veia cômica para substituir Iozzi, pois ficou parecendo que Maíra imitava sua antecessora. Logo a dupla foi desfeita, o Vídeo Show virou um samba do crioulo doido num rodízio de apresentadores, até fixar Joaquim Lopes ao lado de Otaviano. Nada adiantou, Vídeo Show voltou a perder para a Record e a atração fica cada vez mais desinteressante, repetitiva e descaracterizada.

13º lugar: Daniela Mercury como jurada do Superstar — O Superstar já teve uns jurados chatos como Dinho Ouro Preto (que não falava nada com nada), Fábio Jr. (que não sabia o que estava fazendo lá) e até a Sandy, mas a Daniela ganhou disparadamente de todos esses. Primeiro, que ela sempre se complicava na hora de votar. Parecia que não entendia muito bem os botões que tinha de apertar, votava "não" quando queria o "sim"... Fora isso, a cantora queria aparecer e chamar a atenção a todo momento, o que só causou vergonha alheia em quem assistia. O programa já era chato, com ela ficou ainda pior.

12º lugar: Panico na Band — Chega a ser triste constatar que um programa que já foi a representação da renovação do humor mostra-se incapaz de se reinventar e passou mais um ano se apoiando no tripé bunda-humilhação-escatologia que parece divertir apenas os diretores do programa. Mesmo "reformulado", continua a mesma porcaria de sempre. O Pânico não tem mais graça e agora só dá constrangimento mesmo de tão tolo e grosseiro que é. E ainda perdeu terreno para o Encrenca, outro programa que também não tem muita graça, mas que está dando mais audiência que ele.

11º lugar: Programa Xuxa Meneghel — Passa ano, entra ano e ele sempre figura em matérias que versam sobre o seu fracasso ou sobre o fato da Record estar arrumando maneiras de trazê-lo de volta à vida. Xuxa confirmou na Record que é apenas uma celebridade que serve para estampar capas de revistas de celebridades e engrandecer os programas dos outros. Não traz brilho para o seu próprio programa, não envolve mais o telespectador e nem desperta interesse para acompanhá-la na semana seguinte.

10º lugar: Adnight — Quando a Globo anunciou que teria um novo talk show apresentado por Marcelo Adnet, acreditava-se que viria uma atração que seria uma resposta da emissora aos novos talk shows que surgiram nos últimos tempos, os ótimos The Noite e Programa do Porchat. No entanto, quando entrou no ar, Adnight mostrou-se sem nenhum "talk" e um "show" um tanto sem graça. Muita parafernália numa atração excessivamente roteirizada e ensaiadinha, fazendo tudo soar asséptico e sem nenhuma emoção. Um programa sem propósito e que desperdiça o talento de Adnet. Poderia não voltar mais, mas terá nova temporada em 2017. Se sua produção se convencer de que menos é mais, talvez tenha alguma solução.


09º lugar: Domingo Show — Um show de chororô na TV brasileira. Todo domingo, Geraldo Luis conta uma história "do povo que emociona o telespectador". Tragédia. Desgraça. Miséria. Pobreza. Subcelebridade afastada da mídia que enfrenta problemas financeiros. Tudo isso, em exceso, cansa.

08º lugar: Batalha dos Cozinheiros — Programa errado, no dia errado, no horário errado. O reality culinário bateu de frente com o bem-sucedido MasterChef, da Band. A emissora escalou uma atração semelhante no mesmo dia e horário do concorrente direto. Tal estratégia estapafúrdia comprometeu a Record. A nova aposta da Record também não apresentou nada de atrativo. A dublagem de Buddy Valastro foi pavorosa. A voz do dublador combinou em nada com o gringo. O chef parava de falar e a voz ainda saía da sua boca! Foi estranhíssimo acompanhar uma disputa com brasileiros e um apresentador dublado.

07º lugar: The X Factor Brasil — Tentativa da Band de entrar na seara dos reality shows musicais, a versão brasileira de The X Factor mostrou-se um grande equívoco. A repercussão negativa começou na primeira audição, marcada por muita desorganização, e a impressão seguiu por toda a trajetória da atração. Jurados fracos, apresentadora insossa, competidores sem brilho e repercussão quase zero fizeram de X Factor um programa para ser esquecido. Mas vai vir nova temporada em 2017. Vai vendo…

06º lugar: Glória Pires no Oscar — O mico do ano! Glória, definitivamente, tal como sua Beatriz na pavorosa Babilônia, não estava "disposta" a fortalecer a cobertura do Oscar 2016 na transmissão da Globo. Pouco à vontade na transmissão e totalmente monossilábica, com comentários do tipo "Curti", "Não curti""Médio", "Não sou capaz de opinar!". Disse filmes que nem concorrendo ao Oscar estavam. "Não assisti!", disparou a atriz sobre alguns concorrentes. Visivelmente, a atriz não estava bem. O telespectador ficou extremamente irritado com a displicência. Um verdadeiro desastre (involuntariamente divertido, não vou negar)! As redes sociais inundaram de críticas e tiraram sarro da performance da Glória Pires.

05º lugar: Silvia Abravanel no Bom Dia & Cia — Essa mania do Silvio Santos de colocar todas as filhas para apresentar programas no SBT já passou bem dos limites. Patrícia Abravanel virou estrela do canal à força, de tanto ser colocada nas mais diversas atrações por seu pai. Outra que foi pelo mesmo caminho é Silvia, que atualmente comanda o Bom Dia & Cia. Acontece que ela não tem o menor jeito para apresentar. É durona, apática, não é engraçada, sem aquele jeitão de "tia da criançada", carisma zero. Triste geração que não acompanhou o Yudi e a Priscila e a Maísa e é obrigada a aturar a Silvia no programa...


04º lugar: Fofocando — Criado a toque de caixa para fazer frente ao Hora da Venenosa, da Record, ainda não disse a que veio (e nem vai dizer). A atração uniu Leão Lobo e Mamma Bruschetta, que traziam notícias tiradas de sites da internet, e ainda enfiou o tosco Homem do Saco (que é o Dudu Camargo) para fazer volume por ali. Como o programa patinou, tratou de reforçá-lo com as presenças de Léo Dias, que finalmente trouxe notícias exclusivas por ali, e Mara Maravilha, que parece orientada a criar polêmicas a qualquer custo. O resultado é um programa tolo, artificial e engessado, que chega a irritar e que derrubou a boa audiência vespertina do canal. Por conta do fracasso, se tornou gravado e foi deslocado para a faixa das 8 da manhã, o que só piorou ainda mais a audiência e o coloca cada vez mais perto do fim.

03º lugar: João Kleber Show — Após extinguir o Você na TV, João Kléber bem que tentou se reinventar e deixar de lado seu estilo pitoresco de fazer TV. Porém, o apresentador não foi bem-sucedido com o João Kleber Show, quando resolveu adotar uma postura e formato diferente do que o seu público estava acostumado a ver, apostando em shows de calouros (ainda que bem mequetrefes). De olho nos ponteiros negativos do Ibope, João retornou aos moldes de outrora e pisou fundo dessa vez na baixaria, na tosquice e na apelação. Destaque para a volta dos famosos segredos "surreais e impressionantes", como o da esposa que revelou que dá sonífero para o marido para poder sair e dançar o ritmo "Ragatanga", e das pegadinhas picantes no estilo Teste de Fidelidade. Um lixo total! Alguém tem coragem de assistir?

02º lugar: Gugu abrindo o mausoléu de Dercy — Já não bastou escandalizar o país com a farsa do PCC, lá em 2003, quando ainda estava no comando do Domingo Legal, e amenizar a culpa de psicopatas assassinos como Suzane Von Richthofen e o goleiro Bruno com entrevistas que os transformavam em celebridades bonitinhas e dóceis, Gugu resolveu abrir o túmulo de uma ícone da TV brasileira, Dercy Gonçalves, para conferir se a finada teria sido enterrada com o caixão em pé. A patifaria ganhou ar de mistério, investigação e lenda urbana. Era para ser uma "homenagem", mas não passou de uma exploração barata da imagem da Dercy. Com tamanha aberração e desrespeito girando em torno dela, Gugu conseguiu, mais uma vez, quebrar a barreira do sensacionalismo, do ridículo e mau gosto na TV. Lastimável!

01º lugar: Dudu Camargo no Primeiro Impacto — Assim como o Fofocando, o Primeiro Impacto foi outra atração criada a toque de caixa por Silvio Santos. Como o jornalístico apresentado por Joyce Ribeiro e Karyn Bravo não conseguiu fazer frente aos noticiosos de Globo e Record no horário, Silvio resolveu "causar" e tratou de substituir as veteranas jornalistas por Dudu Camargo, um rapaz de 18 anos e sem a menor experiência. Sem repertório para comentar as notícias, Dudu fez do noticioso uma grande piada, chegando a dançar (quer dizer, se retorcer como uma lagartixa com câimbra) funk no programa em vários momentos. Uma das metas foi cumprida: o apresentador levou o noticiário a repercutir muito na internet e até quem não conhecia o jornal matinal do SBT passou a conhecê-lo. Pena que a repercussão foi bastante negativa e ainda não teve efeito nenhum no Ibope, que segue em baixa. Joyce e Karyn, felizmente, acabaram voltando para a bancada, mas Dudu seguiu ali, fazendo a credibilidade da atração ir ladeira abaixo. Nesta semana, o SBT anunciou o fim do Primeiro Impacto, mas Dudu Camargo seguirá "firme e forte" no horário, participando do revezamento de apresentadores do SBT Notícias. Eu dispenso!

Obviamente, a lista é baseada unicamente na opinião desse humilde redator que vos escreve. Portanto, está sujeita a injustiças e esquecimentos. Cabe a cada um dos leitores concordar ou não, dar a sua opinião, completar a lista, me esculhambar nos comentários...


terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Escrava Mãe foi novelão na veia



A Record atirou no que viu e acertou no que não viu. Escrava Mãe foi uma novela que passou por tantos percalços antes de estrear que muitos passaram a duvidar da qualidade da história de Gustavo Reiz, que pretendia narrar a trajetória da mãe da famosa Escrava Isaura. A trama foi aprovada quando se buscava uma substituta para Vitória, novela de Christiane Fridman que não conseguiu ampliar os índices de audiência das novelas da Record. Entretanto, a novela perdeu a vaga quando a direção da emissora decidiu transformar o projeto da minissérie Os Dez Mandamentos em novela. Aí, ficou decidido que Escrava Mãe seria sua sucessora e a trama entrou em produção, realizada pela Casablanca e gravada em Paulínia, no interior de São Paulo. Depois, nova mudança: com o sucesso de Os Dez Mandamentos, a emissora decidiu dedicar a faixa das 20h30 apenas às produções bíblicas e, mais uma vez, Escrava Mãe foi deixada de lado.

Enquanto isso, as gravações da trama prosseguiam e foram tantos adiamentos e indefinições sobre sua exibição que Escrava Mãe foi totalmente concluída sem estrear, ficando engavetada por longos  e longos meses, enquanto era promovido um reprisaço de quase todas as produções bíblicas da emissora. Até que a direção da Record, finalmente, decidiu abrir a faixa das 19h30 para lançar a novela. E a surpresa foi altamente positiva: Escrava Mãe mostrou-se a melhor novela da emissora em anos. O Ibope também respondeu positivamente, revelando que a Record acertou em cheio ao reavivar a nova faixa de horário.


Escrava Mãe foi um acerto em todos os sentidos. O texto de Gustavo Reiz foi correto, redondo e trouxe os principais elementos do bom e velho folhetim clássico sem pudores, apostando fundo numa história de amor proibido, cheia de idas e vindas e reviravoltas, além da ousadia de um final trágico (que já era esperado, mas, mesmo assim, deu um nó no coração). Além disso, tratou com muita propriedade de seu pano de fundo, o período da escravidão (abordou o tema de forma bem mais interessante que Liberdade Liberdade, como disse AQUI). Primeira novela que teve sua produção terceirizada nessa nova leva, o orçamento de toda a história da mãe da Isaura não paga nem o artefato de ouro falso na cabeça do Ramsés em Os Dez Mandamentos. O custo de Escrava Mãe foi infinitamente menor que o da novela do Moisés e, mesmo assim, o que vimos na tela foi algo de outro nível. Saiu o Egito antigo que mais parecia cenário de alguma produção mexicana dos anos 60 e entrou um Brasil colonial com uma fotografia belíssima.

Com uma carpintaria bem delineada, Escrava Mãe contou ainda com tramas paralelas interessantes e que não perdiam de vista a história principal. Entre elas, destaque para a saga de Filipa, que inicialmente se disfarçava de homem para circular pela boemia da Vila de São Salvador, até que se apaixona pelo poeta Átila, partindo daí uma envolvente história de amor. Outro núcleo que rendeu boas histórias foi o da taberna de Rosalinda Pavão, que movimentou a trama com sua rixa hilária com a baronesa falida Urraca.

Aliás, a produção foi muito feliz na escalação de seu elenco, todos muito bem em cena. Gabriela Moreyra, prata da casa, não decepcionou com sua primeira protagonista e o ator português Pedro Carvalho foi uma grata revelação. Os doiz esbanjaram química com o casal Juliana e Miguel. Isso sem falar em veteranos como Jussara Freire (Urraca), Antonio Petrin (Custódio), Luiz Guilherme (Quintiliano), Bete Coelho (Beatrice), Zezé Motta (Tia Joaquina) e Jayme Periard (Osório), entre outros, que emprestaram suas credibilidades à obra. Thaís Fersoza também se mostra cada vez mais madura e roubou a cena como a vilã Isabel. Merecem ainda destaques: Leo Rosa (Átila), Adriana Lessa (Catarina), Milena Toscano (Filipa), Roberta Gualda (Teresa), Sidney Santiago (Sapião), Lidi Lisboa (Esméria) e Fernando Pavão (Almeida). Escrava Mãe também contou com uma direção segura de Ivan Zettel e uma produção impecável da Casablanca, que abusou de uma fotografia mais naturalista, dando um ar cinematográfico aos takes.


Uma pena que uma novela com tantos êxitos como Escrava Mãe seja substituída pela enésima reprise de A Escrava Isaura. Por melhor que seja a novela de 2004, protagonizada por Bianca Rinaldi, sua produção é muito mais modesta que a de Escrava Mãe e as comparações serão inevitáveis. Aliás, é preciso mencionar que o autor não fez direitinho o dever de casa antes de bolar essa história "prequela" e a Record nem se preocupou, pois há incoerências vergonhosas e muitos erros de continuidade entre as duas histórias (falei sobre isso detalhadamente AQUI). De qualquer forma, a faixa das 19h30 da Record, recém-inaugurada, merecia ser continuada por uma produção inédita, até para consolidar seu público. Que Belaventura, também escrita pelo Gustavo Reiz e que deve substituir A Escrava Isaura, não demore muito a estrear.

domingo, 8 de janeiro de 2017

O Melhor e o Pior da Semana (1 à 7/01)




   O MELHOR DA SEMANA   


Raízes na Globo



Baseada no livro homônimo de Alex Haley, Raízes faz um retrato histórico da escravidão nos Estados Unidos através da saga de uma família que luta para sobreviver, resistir e continuar seu legado, enfrentando dificuldades abissais e muita crueldade. A história conta a vida de Kunta Kinte (Malachi Kirky), jovem guerreiro de uma tribo africana que é capturado como escravo, e acompanha também as vidas da filha, do neto e do bisneto de Kunta, a luta pela liberdade da família, e passa pelas mudanças políticas e sociais até chegar ao fim da escravidão. A história de Kunta Kinte faz eco na de milhões de norte-americanos de origem africana e revela poderosas verdades sobre a resistência universal do espírito humano. Rodada na África do Sul e New Orleans, a superprodução tem um sublime trabalho de fotografia, de edição, de montagem, de roteiro e de atuação. Trata de forma visceral todo o processo de escravidão nos Estados Unidos. Tremendo acerto da Globo em ter comprado os direitos autorais e exibido a série. Imperdível!

Sem Volta


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Mesmo sem ousar muito no início, Sem Volta, nova aposta da Record que felizmente foge do filão bíblico (aleluia!), buscou uma simbiose entre o formato das consagradas séries internacionais e o padrão de novelas sacramentado no Brasil. Seja para atrair o público de séries, seja para aguçar o paladar dos adeptos da TV, Sem Volta mergulhou num toma lá, dá cá de recursos dos dois formatos. Uma mistura que, para a nova aposta, não pegou tão mal e não se deu de forma agressiva aos nossos olhos, mas ficou evidente.

Na lista de "coincidências" de Sem Volta, estão tomadas que se aproximavam das feitas nas séries norte-americanas e aqui se uniram a trilhas sonoras eloquentes, empregadas mais na teledramaturgia. Também estão presentes flashbacks utilizados em excesso em muitas séries e pouco vistos na TV brasileira, mas que abandonaram a sutileza e precisaram entregar-se como tais, assumindo uma paleta de cores alaranjada, diferente da paleta do "tempo presente", para não confundir o público mais distraído (o que achei de uma tremenda bobagem e subestimação). Em outras palavras, Sem Volta bebeu e se fartou em Lost!


Vale ressaltar ainda que faltou capricho nos efeitos especiais, percebidos descaradamente (como nessa imagem acima, onde o chorme key é gritante). Erraram rude! Por outro lado, a trama abocanhou pontos fortes, como o roteiro e a atuação, e faturou por isso. Até aqui, a série não "inventou a roda", mas agradou e, mesmo sendo uma colcha de retalhos, tem potencial para dar certo ou abrir caminho para novas produções do gênero, com chances de se tornarem bem-sucedidas e de caírem no gosto.


     O PIOR DA SEMANA     


Sérgio Marone no comando do Hoje Em Dia



Não adianta. Seja atuando ou apresentando, Sérgio (Canastrone) Marone não consegue se livrar do encosto Cigano Igor. Ele estreou na primeira segunda (02) do ano no Hoje em Dia para cobrir as férias de César Filho, titular do matinal ao lado de Ana Hickmann, Renata Alves e Ticiane Pinheiro. A função do ator é comandar a parte jornalística do formato e ele tem demonstrado necessitar de bastante auxílio da direção. Se o programa já era engessado, piorou. Até pra dar um "Bom dia" e quebrar o gelo nas frases iniciais, Sérgio parece estar usando um texto pronto. Nervoso e robótico, ele se posiciona pior até que Dudu Camargo, aposta bizarra de Silvio Santos; copiando os trejeitos de diversos profissionais. Se a intenção do Sérgio é seguir a trilha de sucesso de Rodrigo Faro e Marcio Garcia, vai precisar melhor muuuuito!

A Cara do Pai



Apostando numa comédia simples e dois atores com grande presença cênica (Leandro Hassum e Mel Maia), A Cara do Pai não trouxe nada de novo. O enredo soou até batido: um pai separado tenta agradar a filha em seus finais de semana juntos, mas ela é uma pré-adolescente que tem vergonha do pai e suas atitudes infantis. A espinha dorsal explorou o já conhecido pai infantilizado e meio moleque, em contraposição a uma menina precocemente madura. Ou seja, A Cara do Pai seguiu religiosamente a cartilha das sitcoms familiares, sobretudo aquelas que subvertem os papéis entre pais e filhos. Porém, faltou o primordial para qualquer comédia: fazer rir! Tudo muito chato e engessado. Já chegou ao fim e não deixou saudades...

sábado, 7 de janeiro de 2017

Os Melhores e Piores Atores de 2016



Já falei das atrizes que tiveram as melhores e piores atuações, o que rolou de bom e ruim na dramaturgia e hoje comentarei sobre os atores que mais se destacaram (para o bem e para o mal) na TV em 2016.


   OS MELHORES ATORES NA TV EM 2016   



19º lugar: Lázaro Ramos — Interpretando o personagem-título da série Mister Brau, se mostra completamente solto em cena e com um lado musical muito forte. Seu personagem é extremamente cativante e já garantiu a popularidade e o carinho do público. Au, au, au, au, au, au, meu nome é Brau!

18º lugar: Felipe Simas — Após ter se destacado na Malhação Sonhos, Rosane Svartman e Paulo Halm confiaram a ele o mocinho de Totalmente Demais. O risco era altíssimo, afinal, o ator só tinha um trabalho no currículo. Mas valeu a pena a coragem dos autores. Felipe emocionou e cativou na pele do destemido Jonatas e formou um casal que caiu nas graças do público com Marina Ruy Barbosa (Joliza).

17º lugar: Selton Mello — Há quatro anos sem atuar na TV, a volta de Selton diante das câmeras na telinha foi em grande estilo, se destacando como o sedutor Augusto em Ligações Perigosas. São poucos os atores e as atrizes que passam ao largo da TV no Brasil e conseguem sobreviver com dignidade.

16º lugar: Márcio Fecher — Que Supermax foi uma tremenda decepção, isso ninguém duvida. Porém, a atuação esplendorosa de Márcio merece ser reconhecida. Em meio às atuações canastronas de grande parte do elenco, o ator se sobressaiu na pele do monstruoso Nonato/Baal, o ponto alto da série.

15º lugar: Caio Blat e Ricardo Pereira  Não poderia deixar de citá-los juntos, afinal, protagonizaram a primeira cena de sexo entre dois homens na história da teledramaturgia, que, inclusive, acabou atraindo o público e chamando mais a atenção pela sutileza com que foi feita. Blat e Ricardo merecem todos os elogios e se entregaram pra valer na cena. O primeiro fugiu do estereótipo e trouxe humanidade, sensibilidade e respeito ao André, enquanto o segundo, que viveu seu melhor momento na carreira, demonstrou a truculência e a mistura de sentimentos de Tolentino sem cair na caricatura.


14º lugar: Marcelo Serrado  Inicialmente mostrado apenas como um personagem servil, o deputado Carlos Eduardo foi ganhando outros contornos ao longo de Velho Chico a medida que ia se revelando o grande vilão da história. E o Serrado agarrou bem essa oportunidade, mostrando o que um ator competente é capaz quando tem um bom personagem em mãos. O ar asqueroso do ex-vereador, com aquele bigodinho quase imoral, deixava o personagem ainda mais crível e adoravelmente detestável.

13º lugar: Antonio Fagundes  Na troca de fases de Velho Chico, Fagundes detonou com o brilhante trabalho de Rodrigo Santoro (leia mais embaixo) dando ao Coronel Saruê uma brusca mudança tanto visual quanto psicológica, sem um motivo realmente convincente, com um tom caricato e bonachão. Porém, a medida que Afrânio foi se desfazendo da sua máscara social e repensando a vida, o personagem se tornou mais humano e Fagundes deu um show de interpretação. Antes tarde do que nunca, né?

12º lugar: Jesuíta Barbosa — O ator esteve em Ligações Perigosas e Nada Será Como Antes, mas foi em Justiça o seu grande momento de 2016. Na pele do desequilibrado Vicente, o ator deu um show na minissérie em cenas pra lá de intensas, provando que é um dos grandes nomes da nova geração.

11º lugar: Mateus Solano  O Félix pode ser o papel de maior sucesso do Solano, mas o Rubião foi o seu maior momento na carreira, até então, e já pode ser considerado um dos maiores e mais odiosos vilões da teledramaturgia. Ele exorcizou completamente a bicha má de Amor A Vida com Liberdade Liberdade.

10º lugar: José de Abreu  Depois de revelado que seu personagem era o Pai da facção, no capítulo 100 de A Regra do Jogo (que foi exibido lá no finalzinho de 2015), o ator causou medo e passou a protagonizar grandes cenas. José de Abreu foi bem adotado pela diretora Amora Mautner desde Avenida Brasil, quando interpretou o repugnante e, ao mesmo tempo, adorável Nilo, passando por Jóia Rara, como o poderoso Ernest, e comprovou isso como Gibson, uma espécie de Flora de cueca, que já é um dos melhores e mais detestáveis vilões masculinos dos últimos tempos. Vitória na guerra!


09º lugar: Lee Taylor  Com grande experiência no teatro e no cinema, foi convidado pelo diretor Luiz Fernando Carvalho para dar vida a Martim, um dos personagens mais importantes de Velho Chico. Em sua estreia na TV, Lee surpreendeu pelas cenas de confronto com Fagundes e Serrado e ganhou nossa simpatia por sua integridade e busca por justiça, além de todo charme e o jeitão meio rústico do ator.

08º lugar: Marco Nanini — Após anos no seriado A Grande Família, Nanini foi o segundo ator do seriado a brilhar em uma novela de Walcyr Carrasco. O simpático professor Pancrácio, que se transformava em vários outros para conseguir dinheiro, ganhou um intérprete à sua altura, que divertiu e emocionou em Eta Mundo Bom. Seus disfarces eram impagáveis. Multifacetado, mais tarde, o ator brilhou também como Pandolfo, irmão gêmeo de personalidade diferente, no núcleo da fazenda. Nanini foi mil em um!

07º lugar: Tobias Carrieres  O que esse menino fez em Justiça foi de causar inveja em muito ator veterano. A sua entrega como o cativante Jesus foi perceptível e impressionante e todas as suas cenas dramáticas ao lado da grande Adriana Esteves arrancaram lágrimas de quem assistia. Tem futuro!

06º lugar: Chico Diaz — Fazendo o telespectador chorar em todo capítulo em que aparecia, Belmiro, o oprimido que não se permitia oprimir, foi um fiel retrato do brasileiro que não desiste nunca; sendo construído pelo ator como uma figura de traços rudes e alma doce. A morte do retirante causou não só enorme comoção em Grotas do São Francisco,como também do público que assistiu Velho Chico.

05º lugar: Domingos Montagner  Como o Santo de Velho Chico, o ator havia atingido um patamar na carreira em que nunca chegou. Domingos compôs um protagonista incrível. Com seu estilo único de atuação (marcada pela limpeza interpretativa, sem exageros, precisa, irretocável), o ator viveu um personagem intenso, de bom coração e que se esforçava para mudar o mundo e torná-lo mais justo, mas sem se tornar chato e gerar nossa antipatia. A trágica morte de Domingos abreviou uma carreira no auge e que tinha tudo para seguir em crescimento. As artes brasileiras perdem, sem dúvida, um magnífico ator.


04º lugar: Enrique Diaz — Tipo mais complexo de Justiça, sua atuação sensacional foi um dos motivos que fizeram a história de terça ser a melhor da série. Vivendo um policial com desvios de caráter, conseguiu nos fazer oscilar a todo momento entre amor e ódio pelo personagem (terminei amando o Douglas!).

03º lugar: Marco Ricca  O bandoleiro Mão de Luva, aos poucos, foi se mostrando um personagem carismático e divertido, ganhando um merecido espaço em Liberdade Liberdade graças ao talento e a competência de Marco Ricca, que imprimiu um excelente tom sarcástico e sedutor ao salteador. Ele adotou um sotaque mineirês bem acentuado, o que ajudou a expor ainda mais o jeito malandro do trambiqueiro. Aliás, foi um dos poucos atores do elenco que mostrou o jeito de falar do povo de Minas Gerais, ainda que de forma mais caricata. Mas foi uma ideia de gênio, pois coube perfeitamente no papel. Não à toa, seu personagem ganhou um spin-off exclusivo para a internet, intitulado A Lenda do Mão de Luva.

02º lugar: Rodrigo Santoro — Longe das produções nacionais desde Mulheres Apaixonadas, em 2003. Santoro retornou vivendo o complexo Afrânio na primeira fase de Velho Chico e brilhou do início ao fim da sua luxuosa participação. Suas cenas primavam pela poesia e drama, sendo necessário ainda destacar a sua química com Carol Castro. A aceitação foi tanta que sobraram críticas a Antônio Fagundes nos primeiros meses da segunda fase, pois em nada lembrava a composição primorosa de Santoro. Também, pudera... Santoro construiu um tipo apaixonante, contraditório em sua essência, que foi se fechando, endurecendo e perdendo a ternura pelo embrutecimento que a vida lhe causou.

01º lugar: Sergio Guizé — De fato, a novela deveria ter se chamado Candinho (como estava inicialmente previsto), pois foi a alma de Eta Mundo Bom! Poucas vezes, vi um ator honrar o protagonismo de uma novela com tanto brilhantismo como Guizé, que não ficou devendo em nada ao Mazaroppi (que imortalizou o personagem do filósofo Francês Voltaire nos cinemas e que também inspirou a trama do Walcyr), dando um jeito próprio ao caipira. Nem mesmo o fato de ter ficado sem sua grande parceira em cena, visto que a Debora Nascimento não conseguiu se firmar como protagonista e par romântico, abalou o sucesso e a credibilidade do personagem. Candinho poderia soar ridículo se mal construído e sua ingenuidade excessiva irritante, mas o domínio do ator foi tanto que a gente não apenas torceu pelo Candinho, mas também tinha vontade de cuidar dele, de orientá-lo, de tê-lo por perto como amigo.

Menções Honrosas: Bruno Ferrari e Dalton Vigh (Liberdade Liberdade), Gabriel Leone, Irandhir SantosMarcos PalmeiraLucas VelosoRodrigo LombardiBatoréSaulo Laranjeira e Renato Góes (Velho Chico), Fábio AssunçãoOrã Figueiredo e Pablo Sanábio (Totalmente Demais), João Baldasserini e Marcos Pitombo (Haja Coração), Fernando Pavão e Luiz Guilherme (Escrava Mãe) e Antonio Calloni (Justiça).


   OS PIORES ATORES NA TV EM 2016   



05º lugar: Francisco Cuoco  Ele pode ser uma lenda viva da teledramaturgia brasileira, mas já faz um bom tempo que o ator vem repetindo os mesmos trejeitos a cada personagem que interpreta. Em Sol Nascente, por exemplo, por incrível que pareça, ele conseguiu ser pior que o japonês de araque do Luís Melo e criou um tipo bem curioso de italiano: o que NÃO SABE imitar sotaque italiano!!! Incrível!

04º lugar: Eriberto Leão  A vilã Sandra (Flávia Alessandra) merecia um comparsa bem mais a sua altura em Eta Mundo Bom. O Ernesto não passou de uma figuração de luxo perto dela. Muito por culpa da atuação canastrona do seu intérprete, de expressão, entonação e trejeitos lineares, sem nuances. Quando dividia cena com a Debora Nascimento (Filó), então, aí era uma verdadeira aula de Cigano Igor 2.0.

03º lugar: Dudu Azevedo  Pior trabalho do ator em sua carreira (que nunca foi lá grande coisa... ou alguém aí lembra de algum grande trabalho dele na TV?). Com o carregado sotaque carioquês na pele de Zur em Os Dez Mandamentos - Nova Temporada, mais parecia um surfista no Antigo Reino.

02º lugar: Malvino Salvador — Outro exemplo típico de galã de pouco talento que é sobrevalorizado pela Globo. Já faz um bom tempo que o ator vem apostando no feijão com arroz, muitas vezes sem tempero, na interpretação, mas não comprometia a novela. Em Haja Coração, porém, ele viveu seu pior momento na carreira. Malvino não conseguiu passar a emoção na pele do Apolo, que, diga-se de passagem, tinha uma personalidade agressiva que irritava qualquer um. E o autor Daniel Ortiz empurrou goela abaixo do público o insuportável personagem sem torná-lo mais aceitável e fazendo com que ele ficasse com a Tancinha, contrariando a esmagadora vontade popular que queria ver a feirante ao lado de Beto. 

01º lugar: Hélio de la Peña — Em Totalmente Demais, o ex-Casseta teve a oportunidade de fazer seu primeiro papel em novelas de verdade. Claro que eu não esperava nenhum Tony Ramos ali, mas a sua atuação foi algo abaixo do péssimo. O "ator" parecia estar sempre interpretando algum personagem nas antigas paródias do humorístico. Totalmente inexpressivo! Acredito que a seriedade do Zé Pedro tenha sido um equívoco para um ator que ficou conhecido por fazer imitações. O advogado poderia ter tido mais traços de humor para que sua interpretação soasse menos falsa. Ao contrário da Samantha Schmutz, que conseguiu transitar perfeitamente entre o drama e o humor, Hélio não teve a mesma sorte. Errou rude!

Menções Nada Honrosas: Rainer CadeteKlebber ToledoFlávio Tolezani Rômulo Neto (Eta Mundo Bom), Paulo Rocha (Totalmente Demais), José Loreto (Haja Coração), Felipe Roque (Malhação), Duda Nagle (Cúmplices de Resgate), Junno Andrade (Escrava Mãe) e Kadu Moliterno (A Terra Prometida).


Obviamente, a lista é baseada unicamente na opinião desse humilde redator que vos escreve. Portanto, está sujeita a injustiças e esquecimentos. Cabe a cada um dos leitores concordar ou não, dar a sua opinião, completar a lista, me esculhambar nos comentários...


quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

O Melhor e Pior da Dramaturgia em 2016



Pensaram que tinha esquecido a retrospectiva? Nananinanão! Curada completamente a minha ressaca do ano novo, hoje vou relembrar o que rolou de bom e ruim na dramaturgia em 2016 (lembrando que Rock Story e Carinha de Anjo, que estrearam no final de 2016, entrarão só na retrospectiva do ano que vem).


   O MELHOR DA DRAMATURGIA EM 2016   



13º lugar: Malhação - Pro Dia Nascer Feliz — É infinitamente melhor que a temporada passada, Seu Lugar no Mundo, sim ou com certeza? Com certeza! Embora tenha perdido um pouco de rumo nos últimos meses, o enredo central dessa Malhação é muito melhor estruturado, apresentando desdobramentos que despertam interesse, além de ter tipos mais simpáticos e uma vilã bem construída.

12º lugar: A Terra Prometida — Escapando da evangelização e da pregação, a trama impressionou pelo caráter folhetinesco, se mostrando mais novela e menos bíblica. A ação que predomina em grande parte da história, por exemplo, segue muito mais como uma saga épica do que como um drama bíblico, apesar de beber na fonte da Bíblia. Além disso, mostra uma evolução visível da Record neste segmento em relação a antecessora, Os Dez Mandamentos: sua produção é mais esmerada, reduzindo efeitos que beirem à tosquice (embora ainda haja algumas cenas assim), um elenco mais afinado e um texto mais natural.

11º lugar: Mister Brau — Tocando em feridas abertas como racismo, desigualdade social e preconceito, porém, de um jeito leve, inteligente, com muito humor, diálogos afiadíssimos e zero cara de merchandising. Muito mais do que o discurso social, a série tem seu mérito no entretenimento a que se propõe. Equilibrada, ela diverte e ao mesmo tempo não deixa de dar voz às diversidades brasileiras.

10º lugar: Conselho Tutelar — A série produzida pela Record mostrou casos de violência e abusos contra crianças afim de estimular denúncias a respeito com uma ótima consistência técnica e bem realista; e se destacou no cenário nacional, deixando a sensação de que merecia mais uma temporada (e vai ter).

09º lugar: Pé na Cova — Verdade seja dita, a série já estava mesmo na hora de parar. E com a morte de Marília Pêra, isso era inevitável. Com a última temporada já toda gravada, os momentos finais da trama ainda puderam contar com a presença da grandiosa atriz e, prevendo o que ocorreria, Miguel Falabella, com seu texto afiado, inteligente e poético, conduziu tudo em um tom tocante de despedida, melancolia e homenagem. Do início ao fim, o seriado caminhou muito bem nessa corda bamba entre o humor e o drama. Nesta última temporada, em especial, conseguiu extrair o nosso riso e o nosso choro, ao mesmo tempo.


08º lugar: Ligações Perigosas — Com ótima fotografia, estética luxuosa, boas atuações e erotismo sutil, a série fez 2016 começar o ano com pé direito no que diz respeito à dramaturgia. Ocorreram problemas com os ganchos antes dos comerciais e nos finais dos capítulos (sempre terminados de forma abrupta), mas acho que foi mais um problema de edição do que do roteiro. Os diálogos eram cativantes, sempre mesclando sedução, amoralidade, inocência e crueldade com extrema habilidade. A autora Manuela Dias conseguiu abrasileirar o clássico francês e, mesmo sem a nudez de corpos, a minissérie chocou mostrando o lado mais doentio do ser humano na arte de seduzir e de se deixar seduzir, despindo almas.

07º lugar: Eta Mundo Bom — Ou você embarcava na total despretensão da novela (deixando de lado os vícios do autor e de parte do elenco) e acabava se divertindo com o universo criado por Walcyr Carrasco ou fincava o pé no perfeccionismo e torcia o nariz para as inúmeras repetições e problemas que a trama apresentou. O público preferiu a primeira opção. E eu também. Walcyr pode até ter dado uma repetida na sua já tradicional fórmula de novela das seis repleta de tortada na cara, gente sendo jogada no chiqueiro, entre outros clichês seus, mas essa historinha água com açúcar alegre e otimista era a história que o Brasil precisava e queria ver em tempos de noticiário carregado de violência, tragédias e escândalos das mais variadas origens. Foi um "feijão com arroz" requentado que deliciamos como um manjar dos deuses.

06º lugar: Escrava Mãe — Gravada em 2015 e sucessivamente adiada, a história marcou a retomada da Record de produções fora do filão bíblico (aleluia!) e provou que a emissora estava muito errada em não tê-la exibido logo antes. A edição de cada capítulo é caprichadíssima e há cenas que parecem feitas para o cinema. Além disso, aposta fundo em ingredientes folhetinescos: não abre mão dos ganchos, nem tampouco de deixar bastante claro quem é bonzinho ou malvado na história. O maniqueísmo não cede espaço para nuances de caráter e ali também não há lugar para invencionices narrativas. É justamente aqui o ponto alto da história: sem fugir do feijão com arroz, Escrava Mãe mostra-se uma novela correta e uma boa referência de junção histórica e ficcional, sabendo entreter e retratar a escravidão na medida certa.

05º lugar: Liberdade Liberdade — Marcada pelo capricho estético (mostrando um Brasil imperial sem glamour, com uma realidade nua e crua em cenas pra lá de chocantes) e pela primeira cena de sexo gay entre dois homens na história da teledramaturgia, teve altos e baixos. Começou sonolenta e excessivamente didática, com uma trama que andava em círculos enquanto a história principal se desenvolvia lentamente. Só não caiu no tédio porque tinha ótimos trunfos na manga que faziam valer a pena. Quando finalmente se estabeleceu, entrou num ritmo alucinante e de tirar o fôlego, apresentando tudo aquilo que ficou devendo nos meses iniciais: uma trama ágil e coerente com ligação histórica. Terminou com um saldo positivo, mas deixou aquele gostinho de que poderia ter rendido muito mais.

04º lugar: Velho Chico — Um espetáculo em forma de novela; que já entrou para a história como uma das mais belas e inspiradas já produzidas na nossa dramaturgia. Pelo menos, tecnicamente falando. Texto sensível. Fotografia espetacular. Cenários belíssimos. Trilha instrumental fantástica. Direção esplendorosa. Atores (praticamente todos) impecáveis. Cenas (praticamente todas) memoráveis. O telespectador ficou encantado. Porém, "dramaturgicamente" falando, se mostrou irregular, vagarosa e angustiante, com um excessivo foco na política e questões sociais durante um bom momento. De qualquer forma, gostei que, mesmo com a audiência baixa, Velho Chico, ao contrário de c.e.r.t.a.s.n.o.v.e.l.a.s que estão nessa lista (leia mais embaixo), não se descaracterizou em momento algum por números no Ibope. Venceu a arte!


03º lugar: Totalmente Demais — Egressos de duas temporadas de Malhação, Rosane Svartman e Paulo Halm fizeram sua estreia novelística com a novela mais empolgante do ano. Totalmente Demais possuia uma trama das mais simples e despretensiosas, com a atualização de um conto de fadas mais do que conhecido (o da gata borralheira). Entretanto, logo foi ganhando público, se tornando um fenômeno de audiência e repercussão e o maior sucesso do horário das sete desde Cheias de CharmeA novela veio atolada na fantasia, reunindo velhos clichês do folhetim numa roupagem moderna, bonita e atraente, com a leveza e comicidade que o horário pede, repleta de personagens carismáticos e casais apaixonantes.

02º lugar: Reprise de Cheias de Charme — Está sendo um prazer rever atualmente uma das melhores novelas dos últimos tempos no Vale a Pena Ver de Novo. Marcada pelo humor, criatividade e originalidade, a trama parodia os pequenos dramas humanos através de personagens cativantes e queridos e tramas alegres intercaladas com o mais puro dramalhão. "Levo vida de empreguete, eu pego às sete"...

01º lugar: Justiça — Inovadora, ousada, inteligente, imprevisível... Me faltam palavras para descrevê-la. Do texto à direção, passando pela performance sensacional dos atores, fotografia, figurino, maquiagem, cenários e trilha sonora. Tudo esteve em seu devido lugar em Justiça, que se traduziu na melhor das melhores produções que a televisão brasileira já realizou nos últimos anos. Mostrando um jeito diferente de se ver TV ao fugir da lógica da narrativa linear, com quatro histórias fortes e diferentes sobre os limites do ser humano na busca pela justiça se interligando a todo momento, Justiça teve o raríssimo mérito de combinar audiência e repercussão com qualidade, que traz o público para dentro da tela e o faz pensar, se questionar, se colocar no lugar dos personagens, refletir sobre suas ações. É verdade que algumas histórias se perderam e outras tiveram muitos furos, mas isto não comprometeu o bom resultado.


   O PIOR DA DRAMATURGIA EM 2016   



12º lugar: Haja Coração — Pode ter mantido o sucesso da sua antecessora, Totalmente Demais, trazendo elementos típicos de comedia romântica que o horário das sete pede, porém, a história decepcionou devido ao péssimo desenvolvimento de tramas promissoras, à falta de função de personagens, os momentos (que não foram poucos) que extrapolaram o mantra "Vamos voar" de Glória Perez em Salve Jorge e por ter pesado a mão tanto no melodrama, quanto na comédia, atirando para todos os lados.

11º lugar: A Lei do Amor — Após três meses, a novela ainda não emplacou e já pode ser considerada mais uma decepção. Com baixa audiência, uma força tarefa foi montada para salvar o folhetim do iminente fracasso. Corta daqui, corta dali, muda aqui, muda ali, tira personagem, cria personagem, adia trama, adianta trama... E o que se tornou A Lei do Amor, novela com título que não faz jus a história que tem? Uma bomba! De um amor impossível, a trama virou policial. São tantos personagens e tantas tramas paralelas que quem assiste ficou perdido e alguns personagens mudam de personalidade como quem muda de roupa. A trama vai ao ar, provavelmente, até meados de abril e, sinceramente, não vejo mais salvação...

10º lugar: Reprise de A Usurpadora — Que fique bem claro: A Usurpadora é a minha novela mexicana favorita. Já vi inúmeras vezes, sempre dizia que não ia assistir de novo e lá estava eu vendo novamente, mas com apenas um ano e alguns meses da última reprise não dá. Paola e Paulina mereciam um bom descanso na grade do SBT. Calculo uns 5 anos. Se, pelo menos, esse prazo fosse respeitado, sempre marcariam uma audiência satisfatória. A milionésima volta de A Usurpadora é mais uma intervenção louca de Silvio Santos na grade do SBT e acabou fracassando no Ibope, além de ter desgastado um clássico.

09º lugar: Cúmplices de um Resgate — Não é só a Record que espreme um produto até a última gota. O SBT também está no mesmo caminho (ou até pior) com as suas novelinhas infantis. Além de ter tido uma duração exagerada (357 capítulos), 90% de cada capítulo era pura enrolação, com trocentos clipes musicais, intervalos a todo momento e cenas do próximo capítulo que duravam uma eternidade. Sei que ela é destinada ao público infanto-juvenil, mas prefiro preservar a saúde mental das minhas crianças.


08º lugar: Supermax — Partindo de uma premissa interessante e marcando o investimento da Globo em um novo nicho (o terror), a sua ousadia e pioneirismo, infelizmente, não foram recompensados como se esperava e se revelaram um misto de confusão com decepção na prática. Foi, sem dúvida, uma grande ideia, perdida nos equívocos gerados por uma grande euforia (entre outros equívocos, mencionados AQUI).

07º lugar: Nada Será Como Antes A série tinha como ponto de partida abordar uma visão ficcional do início da televisão no Brasil. Os bastidores da TV seriam um prato cheio para um produto de alta qualidade, porém, o que se viu nos episódios seguintes foi que a história se transformou em um drama amoroso qualquer. Os conflitos dos personagens ofuscaram completamente o contexto histórico, fazendo com que a série perdesse o sentido de existir (apesar da produção caprichada e do elenco afinado). Outro grande erro que prejudicou o seu andamento foi a exibição semanal, quebrando o ritmo da história.

06º lugar: Malhação - Seu Lugar no Mundo — Histórias afetadas pela falta de bons conflitos, personagens perdendo função, situações forçadas, temas importantes (como o assédio, a gravidez na adolescência, a AIDS e o uso de drogas) sendo abordados de forma equivocada... ZZZZZZZZ Dormi!

05º lugar: Chapa Quente — Juro que, por inúmeras vezes, tentei assistir a série. Mas a quantidade de caretas, gritaria, situações bizarras e humor batido espantaram-me a ponto da chapa esfriar e não suportar concluir um único episódio do início ao fim nessas duas sofríveis temporadas. O texto e interpretações apelaram exageradamente para o humor popular ao estilo do finado Zorra Total. Já foi tarde!


03º lugar: A Garota da Moto — Qualquer coisa que não seja mexicana, reprise ou tenha uma pirralhada protagonizando uma produção na dramaturgia do SBT, de cara, já é um imenso progresso e vale pela tentativa de sair da mesmice. Mas A Garota da Moto foi ruim demais. Pra começar, o recurso utilizado pela série com os personagens principais dialogando com o público e explicando a história, como se o pessoal de casa fosse burro a ponto de não entender, foi irritante. Soma-se a isso as atuações sofríveis (com destaque para a vilã extremamente caricata vivida pela Daniela Escobar), o roteiro raso, previsível e repleto de clichês, a direção capenga e as tramas paralelas que de cômicas não tiveram nada.

02º lugar: Os Dez Mandamentos - Nova Temporada — Se fazer uma segunda temporada do maior sucesso da teledramaturgia da Record em 2015 já tinha se mostrado um equívoco tremendo, os efeitos especiais para as cenas de impacto (como as da abertura da terra e das batalhas sangrentas sem nenhuma gota de sangue) foram, no mínimo, constrangedores. Um festival de closes nas caras e bocas dos atores, com fundo em chroma key malfeito. E o que dizer da maquiagem de envelhecimento (eleito, inclusive, pelos leitores o mico do ano na nossa premiação)? Atores e atrizes envelhecidos artificialmente. Até tentaram apostar na interpretação, mas as barbas e cabelos postiços criaram um ruído perturbador no vídeo. O cuidado e o esmero da novela do ano passado contrastaram com o ar amador desta continuidade, que perdeu sua essência bíblica e virou um verdadeiro besteirol. Triste fim para a saga de Moisés...

01º lugar: Sol Nascente — Sem dúvidas, o maior erro da dramaturgia em 2016. A novela já causou polêmica antes mesmo da estreia, ao entregar os protagonistas japoneses da obra a dois atores caucasianos, Giovanna Antonelli e Luis Melo. Alice, personagem de Giovanna, é filha adotiva, mas nada justifica Tanaka ter a cara de Melo, por melhor ator que ele seja. E, como se não bastasse tudo isso, Sol Nascente entrou no ar com um fiapo de história, trama principal fraca e batida (e paralelas piores ainda), personagens rasos que não causam nenhuma emoção ou empatia, mau uso de clichês e ritmo arrastado e lentíssimo. Além disso, reforça estereótipos de japoneses e italianos, povos que, a princípio, seriam "homenageados" no folhetim; provocando só a indiferença do público, o que às vezes é pior que uma rejeição. Nada funcionou ali. Apenas serviu como um ótimo antídoto para quem sofre de insônia.

Confira a retrospectiva das melhores e piores atuações femininas em 2016.

Obviamente, a lista é baseada unicamente na opinião desse humilde redator que vos escreve. Portanto, está sujeita a injustiças e esquecimentos. Cabe a cada um dos leitores concordar ou não, dar a sua opinião, completar a lista, me esculhambar nos comentários...


terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Rock Story é a melhor novela no ar atualmente que você, respeita!



Com quase um mês passando na faixa das 19h da Globo, Rock Story vem se destacando no atual cardápio de novelas inéditas do canal. Enquanto no horário das 18h temos a sem sal Sol Nascente e às 21h a boa, porém, destrambelhada A Lei do Amor, a história do roqueiro decadente chama a atenção de forma pra lá de positiva. Listei seis motivos pelos quais Rock Story é a novela mais legal que está no ar. São eles...

1. Trama interessante e focada em poucos personagens: Ao contrário da novela das 21h que tem trocentos personagens e trocentas tramas paralelas, Rock Story tem sua atenção basicamente voltada para os quatro protagonistas: Gui, Júlia, Diana e Léo. Os coadjuvantes estão lá, mas estão todos conectados a esses quatro de alguma maneira e suas histórias ganham pouco destaque, sem se sobressair e ofuscar a principal ou sendo desenvolvidas de maneiras sutis. Caso de Nicolau, que entrou para a boy band de Gui, mas antes disso passou por um tratamento de câncer, mas sem pesarem a mão na sua história.

2. Personagens carismáticos e bem reais: O que falta em Sol Nascente têm de sobra em Rock Story: personagens que fazem a gente se importar ou despertam alguma reação no telespectador. Gui é o mocinho... Só que não, pois de mocinho não tem nada. É da pá virada, cachaceiro, mal humorado e vive fazendo burradas, mas também é muito gente boa e tem um coração enorme. Difícil não gostar do cara. Júlia também é a mocinha, mas não é chata. É ativa, se esconde da polícia pra se proteger, sofre, mas não fica fazendo drama. Diana não é vilã, mas é capaz de atitudes controversas. Traumatiza a filha pra comer pouco pra não engordar e dormir cedo pra ter a pele boa, mas ajuda o pai a reerguer a empresa. As cenas de Diana com Júlia são ótimas. Elas não se gostam, mas não se odeiam e nem vivem uma em função da outra.

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3. Elenco muito bem escalado: Dando vida a esses personagens muito bem construídos estão atores talentosos e muito bem escalados. Rafael Vitti está ótimo na pele do deslumbrado, narcisista, mas com (no fundo) bom coração Léo Régis. Ele deu o tom certo do personagem sem o transformar em uma caricatura. E o que dizer de Vladimir Brichta? Perfeito na pele do complexo Gui Santiago, dosando muito bem seus momentos "gente boa" dos momentos "porra louca". Na escalação, Rock Story dá aula para Sol Nascente, que tem um casal protagonista talentoso, mas sem química, sem mencionar o fato de personagens japoneses serem interpretados por atores sem nenhum tipo de descendência. Um enorme tiro no pé.

4. Abordagem leve, mas forte e para várias idades: Ao contrário de Haja Coração, que era boba, maniqueísta e chatinha, Rock Story tem o peso de ser uma novela leve pelo horário que é exibida, mas não tem um texto preguiçoso. A bebedeira de Gui, por exemplo, é tratada sutilmente, mas está lá e é um fator predominante na personalidade do protagonista. A Lei do Amor tem uma história tensa e seu tom sombrio prejudica a trama a deixando muito carregada, sem mencionar o fato de ter vários personagens e histórias variadas. Mesmo com as mudanças já perceptíveis no ar, ainda não mostrou, de fato, a que veio.

5. Ótimos ganchos no final de cada capítulo: Rock Story tem uma trama ágil e movimentada com direção competente. Seus ganchos nos finais dos capítulos são sempre interessante, deixando o desejado efeito de "quero mais". Como exemplo dá pra citar ganchos de finais de capítulos recentes: Lorena é revelada a trambiqueira por trás da história que levou Júlia presa, Léo flagrou Diana beijando Gui e Júlia foi atropelada. Ufa! Bastante coisa. E com um ótimo efeito de congelamento em capa de disco de vinil.


6. Tentando subverter o óbvio: Outro ponto interessante de Rock Story são os acontecimentos que, em outras novelas, são clássicos e se desenrolam por longos capítulos, mas aqui são rapidamente resolvidos ou tomam outra dimensão. A mãe de Léo armou para que um de seus shows fosse um fiasco, o plano dela deu errado, ele abriu o show pra quem quisesse entrar e fez enorme sucesso. Logo depois, Lázaro arma pra Diana flagrar Léo com uma fã no camarim, mas a coisa não acaba do jeito que ele esperava. Lembrando que esse mesmo Lázaro é o grande vilão da história, mas já foi desmascarado pelo mocinho, Gui. O que poderia durar capítulos com Diana chateadérrima com Léo se resolveu ali na hora. Outra coisa que também se prolongaria por capítulos seria o fato de Júlia ficar sabendo de Gui e Diana se beijando. Dá até pra imaginar a mocinha chorando na cama por capítulos, né? Não em Rock Story. Aqui, o mocinho foi lá, contou pra ela o que aconteceu e tudo se resolveu. Como duas pessoas adultas e maduras normais.

Para os próximos capítulos, torço que a trama siga envolvente e com o mesmo ritmo. A formação definitiva da boy band de Gui e mais espaço para a gêmea má Lorena são motivos de expectativa.

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