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segunda-feira, 10 de abril de 2017

Sem credibilidade, Troféu Imprensa precisa rever urgentemente seu sistema de votação



Ontem (9) rolou o Troféu Imprensa e a credibilidade passou longe da premiação de novo. O esquema de votação seguiu da mesma forma equivocada (selecionando apenas cinco jurados por categoria) e a escolha dos finalistas se mostra a cada ano mais absurda por conta do método utilizado (votos pela internet).

Ano após ano, fica claro o quanto que a premiação perdeu a sua relevância ao longo do tempo, não conseguindo evoluir e ficando estagnada. Até porque uma das poucas mudanças feitas durante os últimos dez anos, por exemplo, foi justamente a seleção dos finalistas por escolha popular, conseguindo deixar o conjunto ainda pior e mais injusto. Afinal, é natural que o produto ou o artista que tenha o maior fã-clube ou fãs mais dedicados que virem noites votando no seu ídolo seja beneficiado com larga vantagem. E é exatamente isso que acontece com as Anittas, Safadões, Luans Santanas e atores teens da vida.

Embora costume ser considerado mais justo por abranger todas as emissoras, o Troféu Imprensa insiste em manter falhas nas votações que já deveriam ter sido corrigidas há tempos. Outro fato que comprova a obsolescência da premiação é a categoria Melhor Programa Infantil. Todas as emissoras abertas já extinguiram seus eventos infantis e a única que ainda mantém é justamente o SBT. Não por acaso, o Bom Dia e Cia sempre ganha. Qual a necessidade de se manter uma categoria como essa nos dias de hoje?

A questão não é nem se os indicados são merecedores ou não de estarem ali, mas sim que existem outros melhores na frente que nem sequer foram indicados. Larissa Manoela, por exemplo, se saiu muito bem como a gêmeas de Cúmplices de um Resgate, mas na frente dela tiveram outras atrizes disparadamente superiores no ano passado que mereciam indicação: Adriana Esteves, Débora Bloch, Selma Egrei, Camila Pitanga, Andreia Horta, Nathália Dill, Thaís Fersoza... Só para enumerar alguns outros absurdos: uma garota de cinco anos (Lorena Queiroz) disputando com uma cantora (Marília Mendonça) e uma dupla sertaneja (Maiara e Maraísa) como Revelação do Ano, Malvino Salvador e Bruno Gagliasso serem indicados por suas atuações pífias como os mocinhos de, respectivamente, Haja Coração e Sol Nascente em detrimento a Marcos Nanini, Domingos Montagner, Irandhir Santos, Rodrigo Santoro, Marco Ricca, Lee Taylor ou Matheus Solanno, o Panico concorrer como Melhor Programa Humorístico e o Tá no Ar não, Eta Mundo Bom, maior sucesso do ano passado, esquecida como Melhor Novela, entre muitos outros.

Parece tão óbvio e simples afirmar isso, mas deveria ser assim: Troféu Imprensa, quem decide SÃO OS JURADOS "especializados" em TV. Troféu Internet, quem decide É A INTERNET. Não pode deixar nas mãos do público a escolha dos finalistas. Será que é tão difícil assim reformular a premiação?!

sexta-feira, 7 de abril de 2017

BBB17 | Casal Mally vs Mr. Edição: a criatura se voltou contra o criador



Existe um conceito básico de estrutura de um enredo que se aprende nas primeiras aulas de qualquer escolinha de roteiro, chamada de jornada do herói. É um molde, uma receita de bolo, que se usa pra escrever a maioria das histórias que você já leu em algum livro ou viu em algum filme, novela ou série. O trabalho de um autor/roteirista é fazer o público torcer pelo protagonista — seja ele um mocinho de coração bom como o Candinho (Sérgio Guizé) de Eta Mundo Bom ou um bandido controverso como o Romero Rômulo (Alexandre Nero) de A Regra do Jogo — e se envolver emocionalmente com seus problemas enfrentados. E foi exatamente essa a tática adotada pela edição do BBB17 em relação a Emilly.

Assim como nas novelas, o BBB, apesar de ser um reality show, tem seus personagens. Não existe história sem protagonistas e quem carrega o enredo todo são eles. Goste você deles ou não (EU ABOMINO!), Emilly e Marcos são os nomes dessa edição. Principalmente, a gêmea, que é chave para romance, intriga, combinação de votos, amizades e discussões dentro e fora da casa, sendo a mais comentada da edição e ganhando fãs e haters. Serpemilly está longe (bota longe disso) de ser uma das melhores participantes do BBB, de produzir um entretenimento divertido de assistir e de ser merecedora do prêmio, mas, pela falta de outros enredos interessantes dos outros personagens, se destacou e produziu conteúdo com seu romance com Marcos. E é justamente disso que precisa a edição do BBB para fazer audiência: de conteúdo.

É na edição exibida sempre a noite, depois da novela das nove, onde todo o material de todas as conversas que acontecem em um dia inteiro são condensadas e transformadas em vt's curtinhos, de um a três minutos, que mostram intrigas, polêmicas e romances — favorecendo e desfavorecendo determinados participantes, dependendo do contexto e da maneira que vão para o ar e do quê vai ao ar de cada um deles. Já quem tem pay per view, pode acompanhar absolutamente tudo e assim fazer seu julgamento. E nunca, em todas as edições, a discrepância entre a edição e o pay per view foi tão gritante como no BBB17.


Por serem os protagonistas da história, a Globo tratou de "proteger" o casal Mally. O problema é que Emilly, apesar de ter a maior torcida votante, é rejeitada por metade ou mais da audiência que restou do BBB17. Então, eles precisam limpar a imagem da menina para quando ela ou Marcos vencerem não deixar aquele gostinho de "a vilã se deu bem no final". O primeiro passo foi com aquele muro que dividiu a casa e a votação (quem nem foi popular, mas sim interna) de Emilly para a falsa eliminação junto com a escolha dos seus "amigos" para dividir o lado mexicano da casa — com Tiago Leifert, inclusive, induzindo Pedro ao erro na votação para que ele "eliminasse" Emilly. Ali, houve uma clara tentativa de traçar o ponto de virada na história da princesinha de Taubaté. Um marco, em que ela receberia uma notícia trágica de sua eliminação, choraria, cairia na real e aprenderia com os erros, voltando uma pessoa melhor. Uma humanização da personagem, criando uma conexão emocional entre público e protagonista. Ao mesmo tempo em que delimitaria para o público, de forma bem didática, colocando os amigos da heroína juntos de um lado da casa e todo mundo que votou nela do outro, quem eram os mocinhos e vilões que eles deveriam torcer.

Outro ponto importante de favorecimento do casal Mally é o próprio apresentador, que tem interferido de forma descarada no jogo desde o início — coisa que Bial jamais fez. Pra ficar bem didático, vou enumerar nesse parágrafo alguns momentos cruciais em que Leifert foi além da sua função de apenas apresentar o programa e tentou orientar (leia-se: manipular) o olhar do público sobre o jogo: 1 - fixando em Elis o rótulo de "agente de caos" para ela ficar como a vilã da história e Emilly a mocinha, sendo que ali era, na verdade, um duelo de cobras; 2 - forçando uma amizade que nunca existiu no paredão que eliminou Roberta, pedindo para ela e Emilly (que mal conversavam dentro da casa nas últimas semanas) sentarem lado a lado e se abraçarem, repercutindo positivamente para a imagem de Emilly; 3 - sugerindo para os brothers do lado mexicano mentirem para os do lado americano quando a casa ainda estava dividida pelo "Muro de Trump" e Marcos era o novo líder; 4 - quando não aceitou o argumento afinidade usado por Marinalva para indicar Marcos ao paredão e forçou a paratleta a dar outras explicações para a escolha, contrariando sua postura inicial; 5 - analisando a posição dos brothers no sofá (ATÉ ISSO!!!) e sugerindo que Emilly foi "abandonada" pelos demais; 6 - quando se calou em relação às graves acusações de Marcos sobre as conversas que supostamente ocorrem entre ele e a produção no confessionário... Ufa!


É por tudo isso que chegou a espantar o verdadeiro churrasco que fizeram do casalzinho durante o programa nesta segunda (3). O jogo da discórdia funcionou quase como um jogo de vingança pessoal da edição e dos haters do casalzinho. Chamaram os eliminados de paredões passados para constranger Marcos e Emilly — e foram terrivelmente felizes nessa empreitada. Nesses mais de dois meses, a edição protegeu Serpemilly e Machista Harter de suas próprias personalidades e atuações e, agora, faltando poucos dias para o fim do BBB17 (ALELUIA!), resolveu também acabar com o favoritismo dos dois e, finalmente, expôr todo o seu mau-caratismo, mentiras e incoerências? O público do sofá deve ter ficado confuso, afinal, tudo aquilo que lhes foi exibido nos últimos 71 dias mudou da água pro vinho. E se fez presente novamente no discurso de eliminação do Ilmar, em que Leifert criticou as torcidas dos telespectadores mais "fanáticos" e "hipnotizados" (indireta mais que direta para o fã-clube da Emilly).


A verdade é que, de uns tempos pra cá, Marcos se sentiu tão à vontade ali dentro que passou a afrontar a produção com desacatos e mentiras, reforçando a impressão de que ela está o favorecendo no jogo e colocando a credibilidade do programa — que já não está lá grande coisa a muito tempo — em xeque. A criatura se voltou contra o seu criador. E a culpa é toda da Globo, que deu corda e se enforcou.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Os erros em Salve Jorge que Glória Perez vai ter que evitar em A Força do Querer



Se você curte acompanhar novela das nove, sabe que ultimamente a safra do horário não tá das melhores. Faz tempo que não assistimos uma novela que una todas as tribos e nos dê vontade de ficar na frente da TV esperando pelo próximo acontecimento. A Lei do Amor foi mais um fiasco para se esquecer. Com isso, só nos resta esperar que a próxima novela de Glória Perez, depois da destrambelhada Salve Jorge, seja capaz de resgatar o sucesso dos tempos de outrora. Por isso, o Eu Critico Tu Criticas analisou a apresentação especial de A Força do Querer, que estreia hoje (03), e lançou alguns pitacos. Confira!


"Após uma década e meia apresentando a cultura de outros países, Gloria Perez decidiu mostrar os costumes brasileiros em seu novo projeto. A Região norte foi escolhida como cenário. A viagem é feita de barco até o fictício vilarejo de Parazinho. É lá que, no primeiro capítulo, Zeca (Marco Pigossi) e Ruy (Fiuk) - ainda crianças - se afogam e são salvos por índio que entrega à dupla uma espécie de amuleto e lhes dá um aviso: a água que os uniu será a mesma que irá separá-los. Uma grande desilusão amorosa é capaz de revirar a vida de qualquer pessoa e pode abrir caminhos para nova paixão. É isso que vai acontecer com Zeca. É no bairro de Portugal Pequeno que ele se refugia para esquecer Rita (Isis Valverde), que o abandonou logo após o casamento. E será nesta localidade de Niterói, bem distante de Parazinho, que ele vai conhecer Jeiza (Paolla Oliveira), uma mulher diferente de todas que já conheceu na vida".

Pra começar, ideia acertadíssima a autora resolver mostrar as riquezas do nosso Brasil ao invés de falar (pela trocentégima vez) sobre algum país estrangeiro. Salve Jorge mostrou que ninguém aguenta mais as dancinhas e os bordões estrangeiros, nem ver o português como língua oficial em qualquer lugar do mundo e a facilidade como as pessoas se locomovem, por exemplo, entre Istambul e o Rio de Janeiro. A própria Glória, que é natural do Acre, já tinha falado sobre a região na sua minissérie Amazônia, em 2007. E, mais recentemente, a novela Além do Horizonte tinha boa parte de suas cenas nessa região.

Essa parte meio mística da trama pode causar desconfiança inicial em alguns telespectadores mais exigentes e gerar cobranças caso Zeca e Ruy não tenham mais conflitos no decorrer da trama. E é o que pode acontecer se Fiuk se sair muito mal na novela e tiver seu espaço reduzido, que nem Bahuan (Márcio Garcia) de Caminho das Índias. Este tipo é muito arriscado: playboy mimado que "rouba" a namorada do mocinho pobre de coração bom. Se não for feito por um ator carismático que cative o público e que seja REALMENTE um bom ator, já era. E Fiuk, bem... Alguém se lembra de alguma atuação marcante dele? É, também não. Além do mais, Ísis Valverde e Marco Pigossi já mostraram que tem química de sobra como os mocinhos de Boogie Oogie, então Zeca já sai com vantagem na frente de Ruy na torcida do público.

Percebam também que há uma vaga semelhança ao núcleo principal de Haja Coração. Temos um caminhoneiro brutamontes (Zeca/Apolo) que disputa o amor de uma mulher (Ritinha/Tancinha) com um ricaço que promete o mundo (Beto/Ruy) e se envolve com outra que é meio feminista e não se deixa intimidar pelos homens (Tamara/Jeiza). Oxente, my good! Outro Apolo eu não vou suportar!

Aliás, seria Jeiza uma nova Dona Helo? Esse reboot de Salve Jorge tá liberado!

"Bibi (Juliana Paes) é uma mulher linda e cheia de personalidade, que necessita do fogo de uma paixão arrebatadora para ver sentido em sua vida. É em função disso que ela termina um noivado estável com o colega da faculdade de direito, Caio (Rodrigo Lombardi), para se entregar de corpo e alma à adrenalina que Rubinho (Emilio Dantas), um estudante de química que faz bicos como garçom, lhe proporciona. Com coração partido, Caio se mudou para os Estados Unidos, abandonando de vez o plano de fazer parte da diretoria da empresa de seus primos, a Irmãos Garcia. Passados 15 anos, ele está de volta ao Rio e o destino tratará de fazer Bibi cruzar o seu caminho novamente. Casada com Rubinho e mãe de Dedé, Bibi precisou interromper a faculdade para trabalhar e garantir o sustento da família. A vida do casal é cheia de paixão, mas com pouco dinheiro. Aurora (Elizângela), mãe dela, não se conforma com a escolha da filha e recorre a Caio quando Bibi está para ser despejada. Surpreendentemente, ele decide ajudar e empresta um imóvel para a ex morar com família, desde que Aurora não revele à filha quem a está ajudando. Amor, vingança ou apenas uma boa ação? Nem Caio consegue entender o que o leva a tomar tal decisão. Em princípio, a vida de Bibi melhora, mas sua louca paixão por Rubinho a levará a fazer escolhas erradas. Ela vai entrar no mundo crime e ficará conhecida por todos como 'Bibi Perigosa'. A esta altura, Caio estará ocupando um alto cargo ligado à Justiça e viverá um grande conflito íntimo entre a ética e o seu grande amor".

Juliana Paes promete e muito! A Bibi Perigosa é inspirada numa personagem real, que saiu da vida do crime e escreveu um livro sobre o assunto. Mas Caio pode ser o calcanhar de aquiles desse núcleo. Motivo? Parece ser a nova versão do (Pas)Théo, também interpretado pelo Rodrigo Lombardi, de Salve Jorge.

Em determinado momento, segundo a autora, Bibi ficará cada vez mais perigosa e mobilizará vários personagens em sua perseguição, incluindo Jeiza, e a novela ganhará contornos policialescos nessa parte. E é aí que mora o grande perigo. Em Salve Jorge, diante da patrulha que cobrava lógica e apontava diariamente todas as incoerências e os furos do seu roteiro, Glória Perez sempre usava como justificativa que novela é ficção, não tem obrigação de mostrar a realidade: "É preciso voar!". Em partes, concordo. Porém, em uma trama REALISTA e POLICIAL, não há telespectador que aceite "sonhar" ou "voar" quando está acompanhando uma história do gênero. Pistas falsas, lançadas intencionalmente pelo autor, tudo bem. Mas erros, furos, incoerências, falta de nexo são inaceitáveis. Inexperiente, talvez, no gênero, a autora acreditou que teria a cumplicidade do público em seus "voos". Lógico que não teve. Ao contrário, virou motivo de chacota. Espero que Dupla Identidade, maravilhosa série que a autora escreveu depois de Salve Jorge sobre um serial killer, tenha deixado Glorinha mais por dentro do gênero thriller policial.


"A empresa Irmãos Garcia é uma das maiores empresas de ramo alimentício no Brasil, comandada com pulso firme pelos irmãos Eugênio (Dan Stulbach) e Eurico (Humberto Martins). Embora parceiros, eles têm temperamentos completamente opostos. Eugênio quer sair do posto de chefia que ocupa e seguir a tão desejada carreira de advogado. No entanto, diversos infortúnios o fizeram adiar seus planos e, passados 15 anos, com Ruy já adulto, chega a hora de realizar o sonho adiado. Esta decisão vai acirrar os ânimos familiares. Assim como o irmão Eurico, a voluntariosa Joyce (Maria Fernanda Cândido), esposa de Eugênio, também não aceita o plano do marido. E este será apenas um dos dilemas familiares. O casal terá que lidar com as consequências das confusões de Ruy, que em uma viagem ao norte do país, se encanta por Rita (Isis Valverde) e coloca em risco seu noivado com Cibele (Bruna Linzmeyer). Já Ivana (Carol Duarte), a filha mais nova do casal, criada como a princesinha dos pais, entrará em conflito interno e se revelará trans homem. Ela vai querer resgatar a sua identidade: é um homem que nasceu em um corpo de mulher. Como a casal vai reagir diante desses turbilhões?"

Como o público vai reagir diante desse turbilhão, isso sim! Glorinha sempre foi uma mulher de vanguarda, levando discussões interessantíssimas e acaloradas ao público com temas difíceis através das suas novelas. A transexualidade é o grande trunfo de A Força do Querer e, antes mesmo da novela estrear, já gera polêmicas. Preparem-se para textões de ativistas LGBTUVWXYZ (uns dizendo que a autora "lacrou", outros criticando a abordagem) e telespectadores mais conservadores torcendo o nariz. A Globo vem meio que preparando o público sobre o tema com a série do Fantástico, "Quem Sou Eu?", encerrada no último domingo. Só espero que a transexualidade seja abordada de forma natural, sem ser enfiado goela abaixo.

"Em meio à crise em seu casamento, Eugênio se envolverá com a misteriosa Irene (Débora Falabella). Arquiteta e amiga de Silvana (Lília Cabral), a moça é manipuladora e é capaz de tudo para conseguir o quer. Tem um passado extremamente perigoso e desconhecido de todos".

Esse núcleo vem sendo extremamente similar ao de Caminho das Índias. Irene tem um quê de Ivone (Letícia MortadelaSabatella): seduz um ricaço (Eugênio/Raul), que vive em conflito com o irmão (Eurico/Ramiro) pela presidência da empresa (Irmãos Garcia/Irmãos Cadore) e está insatisfeito com sua vida e com o casamento com uma mulher voluntariosa (Joyce/Melissa) em crise, para dar um golpe nele. Só espero que Ivone seja uma vilãzona de raiz mesmo e não uma nova Lívia (a robótica líder da gangue em Salve Jorge).

"Do outro lado da família Garcia tem Eurico, um homem cético que quer ter o controle sobre tudo e sobre todos. Sua esposa, Silvana (Lilia Cabral), é o oposto. Viciada em jogo, vai cair de cabeça na dependência, colocando em risco o patrimônio da família. A filha do casal é Simone (Juliana Paiva), uma jovem linda e vaidosa e melhor amiga da prima Ivana".

O vício em jogo já tinha aparecido em Salve Jorge com o personagem Celso (Caco Ciocler), mas agora o tema terá uma abordagem ainda mais ampla, mostrando como o jogo pode destruir a vida das pessoas. Só espero que seja uma tema abordado de forma eficiente e não apenas para preencher tabela e depois ser esquecido (como o alzheimer da Vó Farid na trama anterior de Glorinha que desapareceu).


Outros personagens que podem bombar são Edinalva (Zezé Polessa) e Abel (Tonico Pereira), que prometem ser tipos bastante divertidos. Ela é mãe de Ritinha e ele é pai de Zeca, os dois não aprovam o relacionamento entre seus filhos e vivem implicando um com o outro. Eles provavelmente terão bordões e serão o alívio cômico da trama, já que Zezé e Tonico são experientes no humor e sempre cativam o público quando vivem esse tipo de papel (vide Ternurinha de Cordel Encantado e Ascânio de A Regra do Jogo).

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E eis que chegamos aos "voos" de Glória Perez. Segundo a sinopse, Ritinha acredita REALMENTE que seja uma sereia, porque ela tem certeza que é filha de um BOTO. Sim, na novela a personagem vai ser, supostamente, filha de uma união de Edinalva com um boto, boto cor de rosa mesmo, boto lenda da Amazônia. Quando uma amiga dela apresenta à ela o sereismo, ela fica empolgada não porque vai poder se vestir de sereia, mas sim porque acredita que JÁ É uma sereia, e aquilo seria um jeito de dar vazão a seu verdadeiro "eu". A coisa vai ser tão real que não vão faltar imagens de Isis de cauda e tudo. E ainda tem o núcleo cosplayer, com Yuri (Drico Alves), Heleninha (Totia Meirelles) e Junqueira (João Camargo), que vivem em conflito com o garoto que só se veste como personagens de animes e desenhos animados e só se comunica no celular. Teoricamente, o núcleo serve para fazer os pais entenderem melhor esse fenômeno de cosplayer no mundo jovem e a interferência da tecnologia em excesso na vida social e nos estudos dos mais jovens. Não sei vocês, mas já estou me preparando para rir muito involuntariamente disso tudo.

sábado, 1 de abril de 2017

Autores precisam ter a liberdade de bancarem suas ideias para evitar novos "Frankensteins" como A Lei do Amor


"Lá vai o trem sem destino...". Esse trecho da música de abertura de A Lei do Amor ("O trenzinho do caipira") resume perfeitamente toda a sua trajetória: uma novela desgovernada e sem rumo!

Maria Adelaide Amaral é uma das autoras que mais gosto e uma das mais bem-sucedidas da TV. É dela os ótimos remakes de Anjo Mau e Ti ti ti e as excelentes minisséries Os Maias, A Muralha, JK e A Casa das Sete Mulheres. Sua última novela antes de A Lei do Amor, Sangue Bom, escrita também com Vincent Villari, foi mais uma produção vitoriosa. Portanto, é de se espantar o que aconteceu com a atual novela das nove. A autora nunca havia passado pela experiência dolorosa de ver sua obra desagradar e ser tão criticada pelo telespectador. Não dá para dizer que Adelaide e Vincent se perderam, porque, novelistas do quilate que são, eles não perderiam o rumo da história que queriam contar. A impressão que se tem é que os dois, na verdade, não contaram o que tinham planejado e, sim, que foram modificando a trama original ao sabor das circunstâncias. Só isso explica a sucessão de erros em que se transformou A Lei do Amor.


Os problemas já começaram na primeira fase, toda centrada no casal principal, Pedro (Chay Suede/Reynaldo Gianecchini) e Helô (Isabelle Drummond/Claudia Abreu), e na armação de Magnólia (Vera Holtz) para separá-los. Quando saltou 20 anos no tempo, toda a armação que ganhou destaque na primeira fase logo foi desnudada. Assim, quem comprou todo o romantismo e as intrigas da primeira semana da novela acabou ficando a ver navios, pois nada daquilo se mostrou verdadeiramente importante para a continuidade da narrativa. A história do casal apaixonado que foi separado na juventude por uma intriga da vilã e se reencontra anos depois ganhou cores de trama policial, passando a girar em torno dos mistérios do atentado de Fausto (Tarcísio Meira) e Suzana (Gabriela Duarte/Regina Duarte).

Soma-se a mudança brusca de rumo do enredo: o elenco numeroso — repleto de atores jovens e desconhecidos (que faziam da trama uma espécie de Malhação em horário nobre) e figuras tarimbadas em papéis aquém (como Cláudia Raia, Maria Flor, Ana Flor e Tato Gabus Mendes) — com núcleos desconexos; os erros absurdos de escalação do elenco entre as duas fases (como Mag e Fausto serem Vera Holtz e Tarcísio Meira desde o começo, mas Tião ser Thiago Martins e depois virar José Mayer, para mais adiante surgir uma Mag jovem em cenas de flashback); e, claro, a chatice extrema de Letícia (Isabella Santoni). A audiência não reagiu e, a partir daí, foram feitos os chamados "grupos de discussão" com o público. Infelizmente, o que já havia acontecido em Babilonia se repetiu: estes grupos, que deveriam orientar a condução da história, acabaram iniciando um desgaste que afetou a história irreversivelmente.

Com a intromissão de Silvio de Abreu no roteiro da novela, várias revelações e entrechos foram antecipados, personagens promissores foram eliminados, outros tiveram suas personalidades alteradas sem motivo aparente e conflitos foram inseridos sem nada acrescentar. A entrada do autor Ricardo Linhares piorou ainda mais a situação, uma vez que o autor vinha de Babilônia, maior fracasso do horário das nove, e, com isto, não tinha sentido que justamente ele "ajudasse" a melhorar outra novela.

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Se antes eram prejudicados pela falta de conflitos, Pedro e Helô foram destruídos por situações que não condiziam com o perfil dos personagens. O retorno de Laura (Heloísa Jorge), uma ex-namorada de Pedro, em nada acrescentou, tornou Helô (antes, uma pessoa de mente aberta) uma ciumenta possessiva e repetiu uma situação do começo: o mocinho tinha outra filha da qual não sabia da existência. Em função dos ciúmes, Pedro passou a conviver com Laura e chegou ao ponto de transar com ela, virando um sujeito machista, totalmente diferente da pessoa íntegra de outrora. A lei do amor ou do machismo e da traição?

O machismo também esteve presente no malfeito triângulo entre Tiago (Humberto Carrão), Letícia e Isabela/Marina (Alice Wegmann). Letícia era uma garota voluntariosa e irritante. Tiago, seu então noivo, passou a se envolver com Isabela, sem desfazer o seu compromisso com a mulher. Enquanto Pedro foi "vítima" do ciúme excessivo da Helo, Tiago foi colocado pelo roteiro como "vítima" da personalidade mimada da noiva. Após um acidente, Isabela desaparece e volta como Marina para se vingar do rapaz — pois pensava que ele havia tentado matá-la — e apresenta um temperamento totalmente diferente: mais sensual e misterioso. Ela começa um jogo de sedução que novamente faz Tiago trair Letícia, sendo outra vez posto como vítima da ardilosa Marina e da passividade da agora esposa, que se tornou menos insuportável. Aliás, foi justamente para "salvar" Letícia que se prolongou o sumiço de Isabela no mar. Um tiro que acabou saindo pela culatra. O que era para ser solucionado em breve tomou proporções imensas, sendo arrastado até o último capítulo e deixando o público totalmente desinteressado com esse "mistério".


O núcleo político de A Lei do Amor, que foi usado como justificativa para o seu adiamento e a entrada de Velho Chico no horário, não rendeu o que deveria. A campanha pela sucessão municipal de São Dimas se transformou em uma piada, contradizendo a alegação do Silvio de Abreu de que o mote político poderia ser prejudicado com as eleições daquele ano. Até mesmo Luciane (Grazi Massafera), uma das melhores personagens da história, perdeu função na mesma, devido à repentina saída de Venturini (Otávio Augusto), com quem formava uma ótima dobradinha. Yara (Emanuelle Araújo) e Misael (Tuca Andrada) também sofreu com a falta de um enredo mais consistente, prejudicado pela saída da problemática Aline (Arianne Botelho), que retornou à novela como prostituta de luxo; além de ter soado forçado o envolvimento de Misael com Flávia (Maria Flor) e, posteriormente, com Ruty Raquel (Titina Medeiros); que, por sua vez, formava um casal divertidíssimo com Antonio (Pierre Baitelli), que foi desfeito sem mais, nem menos.

Outra trama paralela que sofreu com a má condução foi a de Salete (Cláudia Raia), dona de um posto de gasolina, que se envolveria com os frentistas de seu estabelecimento. Estes foram retirados da trama e ela passou a se envolver com Gustavo (Daniel Rocha), bandido que participou do atentado que matou Suzana e deixou Fausto em coma. O romance não funcionou e os autores reeditaram um drama de Verdades Secretas, colocando o rapaz para sofrer com o uso de drogas. Não convenceu. Assim como também a transformação de Ciro (Tiago Lacerda) de vilão cruel a bom samaritano, a do bobão Hércules (Danilo Grangheia) em mestre do crime na reta final e tantas outras que daria para eu ficar horas comentando.

Ainda merece destaque (negativo, é claro!) a trama em que Tião se vinga de Magnólia, que acabou se tornando um dos eixos centrais do que sobrou da sinopse. As cenas de humilhação foram todas previsíveis. Um embate arrastado que careceu de tensão verdadeira. A atriz Vera Holtz, coitada, não teve muito o que fazer com a apatia do roteiro, mas interpretou Magnólia com inspiração e dominou a novela.

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Muito se fala sobre a prática de pautar as decisões sobre as novelas de acordo com os famosos grupos de discussão. Mas desde quando o público que vê novela sabe o que quer? E o que é melhor? Se a novela inova demais, o telespectador reclama. Se ela é "mais do mesmo", reclamam. Se é violenta demais, reclamam. Se é muito bobinha, reclamam também. Velho Chico não foi nem de longe a minha novela preferida, mas o autor Benedito Ruy Barbosa (e, nesse caso, o diretor Luiz Fernando Carvalho, que não aceitava intromissões) fez um trabalho original e coerente. A Regra do Jogo seguiu o mesmo caminho porque João Emanuel Carneiro não muda uma vírgula do que quer contar. É por isso que insisto em dizer que os autores precisam de liberdade para trabalhar e que errem seus próprios erros. Fica mais bonito e mais digno do que transformar uma novela num verdadeiro Frankenstein como, infelizmente, se tornou A Lei do Amor.

Confira o Desgraçômetro atualizado das últimas novelas das 9:



quarta-feira, 29 de março de 2017

Mesmo com imagem escura e sotaques variados, Novo Mundo impressiona


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Depois das altas doses de sonífero proporcionadas por Sol Nascente, a estreia de Novo Mundo serviu como um agradável despertar. Claro, estreia de novela costuma investir muito para prender a atenção do telespectador. Se irá manter tal fôlego, só o tempo vai dizer. Mas, até aqui, Novo Mundo trouxe uma boa e interessante impressão, com jeito de aventura clássica e apostando em personagens históricos.

Claro, como se trata de uma novela das seis, o folhetim há de imperar. Em Novo Mundo, temos o casal Anna (Isabelle Drummond) e Joaquim (Chay Suede), que traz os jovens atores repetindo a vitoriosa parceria da primeira fase de A Lei do Amor. Ela é a professora de português da princesa Maria Leopoldina (Letícia Colin) e ruma com a nobre para a colônia portuguesa para que esta conheça seu futuro marido, Dom Pedro I (Caio Castro). E Joaquim é um ator que se mete numa enrascada justamente na festa da princesa, de onde sai fugido com a esposa, Elvira (Ingrid Guimarães). Anna e Joaquim, claro, vão parar no mesmo navio e se apaixonam, mas terão Elvira como a pedra no sapato. E não apenas ela, já que Anna despertou a atenção do oficial inglês Thomas Johnson (Gabriel Braga Nunes), esse sim o vilãozão.

Com direção artística de Vinícius Coimbra, o nome por trás das igualmente belas Ligações Perigosas e Liberdade Liberdade, Novo Mundo aposta em cenários suntuosos, fotografia original e takes inusitados. Todas estas qualidades puderam ser observadas nas cenas da fuga de Joaquim, quando descobrem que Elvira pegou para si uma barra de ouro da festa da princesa. A correria, inspirada nas grandes aventuras do cinema, teve direito a saltos incríveis, truques de despiste e até a indefectível corda cortada que solta um lustre do teto. Escondido na embarcação que rumará ao Brasil, Joaquim teve seus dias de pirata.

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Outro ponto positivo é o texto dos autores estreantes Alessandro Marson e Thereza Falcão. A ideia de mesclar o folhetim de aventura com reais passagens históricas mostrou-se acertada, juntando figuras já tão conhecidas, como toda a Família Real Portuguesa, em meio aos personagens ficcionais que ajudarão a contar esta história dos tempos da colônia. O que me incomodou (não só nesta, mas em quase todas as produções de época) são os velhos e repetidos estereótipos. Dom João VI é o comilão de frango. Dom Pedro I é o garanhão. E por aí vai. Dom João VI deveria ser mais valorizado. Foi um líder importante para o Brasil. Suas obras permanecem até hoje, como o Jardim Botânico e a Biblioteca Nacional.

Outro ponto que anda me incomodando é a qualidade da imagem (apesar da riqueza da produção). A direção deveria fugir da coloração escura. Porém, o maior ruído de Novo Mundo recai nos sotaques das personagens. Caio Castro aposta no sotaque português. Já Leticia Colin adota o sotaque austríaco. Gabriel Braga Nunes fala com o atual sotaque brasileiro. Por outro lado, Leopoldo Pacheco fala com sotaque inglês ao interpretar o pirata Fred Sem Alma. É uma miscelânea que compromete o desenvolvimento da novela.

Agora é torcer para que Novo Mundo recoloque o horário das seis na boa trajetória que a faixa vinha nos últimos tempos, sobretudo com a trinca Sete Vidas, Além do Tempo e Eta Mundo Bom.

sábado, 25 de março de 2017

O Rico e Lázaro e a sensação de déjà-vu


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Não há dúvidas de que a Record, finalmente, descobriu a sua vocação na teledramaturgia quando transformou o seu projeto de minisséries bíblicas em novelas bíblicas, o que a diferenciou das tramas da Globo e do SBT e passando a azeitar a fórmula, evoluindo a cada novo trabalho. O Rico e Lázaro estreou na última semana deixando bem claro aos olhos do público a visível evolução. Já começou com uma cena no inferno, mostrando o sofrimento do "rico", enquanto o "lázaro" o observava do céu. A cena, realizada sob um efeito quase animado, parecido com o filme 300, funcionou muito bem. Na sequência, os primeiros personagens da novela foram apresentados aos baldes, dando a chance do público de conferir o figurino caprichado, os bons cenários e a grandiosidade da produção. Chamou a atenção as cenas de batalhas, todas ostentando uma direção criativa (de Edgard Miranda e equipe) e até uma violência num tom mais acentuado que nas tramas antecessoras, com muitas gargantas cortadas, sangue espirrando na tela e uma duplicação de imagem por computador que fez o exército de poucos figurantes parecer realmente dez vezes maior.


Entretanto, com relação à trama, O Rico e Lázaro ainda não disse muito a que veio. Sabe-se que a trama principal é baseada na parábola de Jesus, que conta a história de dois homens que morrem no mesmo dia, mas um vai para o céu e o outro direto para o inferno. E sabe-se também que os personagens-título são Asher (Rafael Gevú/Dudu Azevedo) e Zac (Vinícius Scribel/Igor Rickli), amigos de infância que disputarão o amor da mesma mulher, Joana (Maitê Padilha/Milena Toscano). Ainda não se sabe quem é o "rico" e quem é o "lázaro" e a trama vai girar em torno da escolha destes dois personagens fictícios que os levarão em caminhos diferentes. Afinal, qual deles vai para o inferno e para o céu? Só aguardando para saber.

Pela primeira vez, uma novela bíblica da Record tem personagens fictícios como protagonistas e não figuras importantes da Bíblia Sagrada, como Moisés (Guilherme Winter), em Os Dez Mandamentos, e Josué (Sidney Sampaio), em A Terra Prometida. As figuras bíblicas e históricas ocupam as tramas paralelas, como o Profeta Jeremias (Victor Hugo) e o rei Nabucodonosor (Heitor Martinez), o grande vilão da trama. A trama de Paula Richard, assim, tem uma proposta interessante para a diferenciar das sagas anteriores.

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No entanto, até o momento, essa é uma das poucas diferenças entre O Rico e Lázaro e suas antecessoras. No geral, todas estas novelas formam uma única saga, já que a atual segue a linha do tempo da saga do povo hebreu. A nova novela mostra que após a morte de Josué, o povo hebreu começa a "seguir seu próprio caminho", dando as costas para Deus e começando a adorar deuses pagãos. O profeta Jeremias tenta alertá-los das terríveis consequências deste caminho, mas seu próprio povo tenta o apedrejar. Sua profecia se cumpre com a chegada de Rei Nabucodonosor e de sua esposa Rainha Amitis (Adriana Garambone).

Outra diferença é o texto um tanto mais recheado de acontecimentos e situações e do excesso de teor evangelizador nos diálogos. Os Dez Mandamentos e A Terra Prometida, mesmo tendo seus momentos de pregação, se colocavam mais no propósito de contar uma história. Moisés e Josué traziam a palavra de Deus, mas também viviam situações folhetinescas típicas, dando a cara de novela necessária à narrativa. Talvez por não ter os profetas como protagonistas, O Rico e Lázaro os coloca como pregadores mais incisivos. Além disso, outros personagens também recitam ensinamentos bíblicos em praticamente todos os diálogos. A nova trama se coloca mais firme no propósito evangelizador, ao menos neste início.

Mas é só. De resto, o público vai encontrar cenários e figurinos bastante semelhantes às produções anteriores, imprimindo a sensação de que acompanhamos, ainda, a mesmíssima novela iniciada lá em 2015, com Os Dez Mandamentos. Com isso, a Record corre o sério risco de saturar a temática, já que a sensação de déjà-vu é bem forte. Felizmente, a produção que substituirá O Rico e Lázaro será O Apocalipse, (ansiosíssimo!) de Vivian de Oliveira, que se passará num futuro próximo. Ou seja, sairão os figurinos suntuosos dos reinos antigos e as areias do deserto e entrará uma trama com cara contemporânea, que pode dar um necessário respiro à faixa. Caso contrário, o cansaço seria inevitável (se é que já não está cansando, haja visto que a audiência de O Rico e Lázaro está muito aquém do esperado).

quarta-feira, 22 de março de 2017

Sol Nascente: uma salada de chuchu sem tempero que só causou indiferença


ACABOU!!! ACABOU!!! NOSSA TORTURA DIÁRIA ÀS 18HRS ACABOU!!! ALELUIA, IRMÃOS!!!

Dando continuidade à nova (e péssima) política de encerrar uma novela no dia em que lhe dá na telha, a Globo exibiu o último capítulo de Sol Nascente em plena terça-feira (21). Numericamente falando, a trama sai de cena vitoriosa: estreou um pouco em baixa, mas viu seus índices subirem no desenrolar do enredo e terminou com a melhor média do horário das seis (21 pontos) desde 2013 —  desconsiderando a trama do Candinho, é claro. No entanto, mesmo com a curva ascendente, fato é que a novela das seis não disse a que veio e foi inversamente proporcional à tramas espetaculares como Lado a Lado, Sete Vidas e Além do Tempo  —  que marcaram bem menos  —, provando que audiência não reflete em qualidade.


A trama começou sonolenta, baseada numa desinteressante história de amor envolvendo dois amigos de infância, Alice (Giovanna Antonelli) e Mário (Bruno Gagliasso), e com um vilão a tiracolo de olho na mocinha, César (Rafael Cardoso). Em meio ao triângulo, a união de duas famílias, uma italiana e uma japonesa, cujos patriarcas Gaetano (Francisco Cuoco) e Tanaka (Luis Mello) nutriam uma forte amizade. No entanto, até mesmo a boa intenção de se homenagear imigrantes que fizeram o Brasil ficou pelo caminho: primeiro, pelo equívoco na escalação de atores ocidentais para viverem os orientais; e depois pelos clichês amplamente explorados. Não há dúvidas de que Luis Melo tirou leite de pedra na pele do Tanaka e até fez o público se acostumar com ele com o tempo. Mas a Globo perdeu uma grande oportunidade de fazer com que orientais se sentissem legitimamente representados. Quase não há orientais em novelas, fato grave.

Sobre a trama em si, nada chamou muito a atenção e tudo se desenvolveu em banho-maria. Em meio a tanto marasmo, a magistral Laura Cardoso esbanjou vitalidade como a Dona Sinhá. Após acumular vovozinhas simpáticas ou velhinhas carolas rabugentas, Laura finalmente voltou ao elenco principal de uma novela vivendo uma inusitada vovó do mal. Sinhá se fazia de velhinha simpática, que contava histórias e fazia doces, enquanto planejava artimanhas e assassinatos para colocar em prática uma vingança contra Tanaka. No meio de uma novela insípida, Sinhá foi um sopro de criatividade e que encantou.


Laura Cardoso precisou se ausentar por vários capítulos em razão de problemas de saúde e Sol Nascente perdeu seu principal trunfo. Seguiu em banho-maria, com a história de amor sem graça de Alice e Mário e as armações sem muita inspiração do vilão César. Entretanto, quando Sinhá retornou, Sol Nascente conseguiu sair da inércia e até que se tornou menos insuportável. Além de ela assumir de vez as vilanias da novela, a história acabou ganhando mais reforço e agilidade nas tramas paralelas. Destacou-se, principalmente, a trama envolvendo Lenita (Letícia Spiller), Vittorio (Marcello Novaes) e Loretta (Claudia Ohana). Sol Nascente ganhou mais ritmo, mas a história, mesmo assim, não trouxe lá grandes emoções. A trama foi tanto pelo caminho mais óbvio que terminou, até, no indefectível sequestro de último capítulo, quando César carregou Alice mar adentro, e Mário tratou de salvar a mocinha indefesa. Que soninho...

Sol Nascente, assim, foi uma novela que já foi tarde até demais. Foi uma trama de uma única personagem, tamanha a força da vilã Sinhá. No mais, a velha trama "mais do mesmo", com praia e boas paisagens, que Walther Negrão costuma oferecer sempre, com aqueles mesmos clichês seus que já cansamos de assistir. Enquanto Eta Mundo Bom foi um feijão com arroz requentado que deliciamos como um manjar dos deuses, Sol Nascente foi uma salada de chuchu sem tempero que só causou indiferença do público. Que venha Novo Mundo resgatar o nosso prazer perdido de assistir uma novela das seis boa e envolvente.

terça-feira, 21 de março de 2017

Tardes da Globo se tornaram mais interessantes que o horário "nobre"


A teledramaturgia brasileira vive uma fase cinzenta (em especial, a Globo). Não há uma novela que possa ser considerada grande sucesso de audiência e repercussão – seja no boca a boca do povo ou nas redes sociais. Em todas as emissoras, o índice das tramas no Ibope está apenas ok, nada mais do que isso. Falta empolgação popular. Há ausência de expectativa em relação aos desfechos.

Sempre que a TV aberta registra uma fase assim, e isso é mesmo cíclico, surge a hipótese do fim das novelas. "O telespectador teria se cansado do gênero?".

Não, não se cansou. Mas está cada vez menos interessado em enredos monótonos e repetitivos. A maioria das pessoas tem cada vez menos paciência para ficar uma hora diante da TV a fim de acompanhar um capítulo inteiro. Para dar prioridade à televisão, o público exige uma novela arrebatadora, que seja mais interessante do que o infindável menu dos canais pagos e as opções igualmente infinitas na internet. Se a trama vacilar, a atenção é desviada para um filme, uma série, uma transmissão ao vivo no Facebook, a timeline do Instagram, a interação ágil no Twitter, um vídeo besteirol qualquer do Youtube...

Fenômenos de audiência e mobilização virtual de outrora são cada vez mais necessários às emissoras, porém, difíceis de serem reproduzidos. Talvez, por isso, se explique o verdadeiro "Vale A Pena Ver de Novo" que virou a reexibição de Avenida Brasil (último grande sucesso que reuniu todas as tribos em frente a TV às 21hrs na Globo e última novela realmente boa do horário) no quadro Novelão do Vídeo Show. O quadro pega apenas a história principal da novela, conta tudo com uma narradora simpaticona e ilustra com uma ou outra cena da própria trama. Acontece que a edição ficou um poucããããão diferente no Novelão da saga de Nina e Carminha, pois a novela foi exibida quase na íntegra. Longas cenas que não faziam a história avançar foram exibidas, o texto da narração foi bem minimalista e exibiram até as tramas dos núcleos secundários. Foi quase uma exibição pro Vale a Pena Ver de Novo, só que dentro do Vídeo Show, demorando mais de um mês para o seu fim (quando deveria ter sido, no máximo, umas duas semanas).

DESAPEGA-AVENIDA-BRASIL

Falando no Vale a Pena Ver de Novo, se antes a faixa de reprises era visto como um tapa-buraco na programação, hoje possui importante relevância na média diária de audiência da Globo. Frequentemente, atrai três vezes mais público do que Record e SBT no mesmo horário. A reprise da deliciosa Cheias de Charme, que termina hoje (21) e foi outro fenômeno de 2012 junto com Carminha e cia, chega ao fim com média geral de 17 pontos. Um verdadeiro sucesso, tendo marcado em alguns capítulos mais de 20 pontos.


Para esticar a boa fase da faixa de reprises, a Globo escalou Senhora do Destino, a novela mais assistida dos anos 2000 e última trama realmente decente escrita pelo Aguinaldo Silva. A primeira reexibição na faixa vespertina, em 2009, alcançou média de 21 pontos, com alguns capítulos quase chegando aos 30. Basta uma pesquisa básica para constatar que as empreguetes e Nazaré Tedesco dominam os assuntos mais comentados e geram mais euforia nas redes sociais do que todas as novelas inéditas que estão no ar.

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Esse ótimo desempenho ressalta tanto o saudosismo dos noveleiros por tramas envolventes e carismáticas quanto a dificuldade das produções atuais em atender essa demanda básica. Nos últimos anos, o consumidor de teledramaturgia se mostrou mais exigente, enquanto as novelas parecem ter ficado menos interessantes. O formato não precisa ser reinventado. Basta deixar de ser previsível, entediante ou excessivamente inverossímil. E, acima de tudo, mostrar eficiência na pretensão de entreter, ao invés de irritar (cofcofALeiDoAmorcofcof) ou provocar nossa indiferença (cofcofSolNascentecofcof).

domingo, 12 de março de 2017

O Melhor e o Pior da Semana (5 à 11/3)




   O MELHOR DA SEMANA   


Rock Story (pelo conjunto da obra)


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Essa semana a TV foi de Rock Story, a melhor novela inédita em exibição atualmente. A trama chegou em seu centésimo capítulo e resolveu dar uma boa acelerada nos acontecimentos. Finalmente, a Lorena, a irmã gêmea da Julia, ambas vividas pela Nathalia Dill, chegou ao Brasil e o encontro das duas rendeu picos de audiência a novela. Mas é claro que essa chegada da Lorena, agora de vez dentro de Rock Story, não vai ser em vão. Basta lembrar que ela é a gêmea má da trama. Outro entrecho que movimentou a novela esta semana foi a divulgação das fotos íntimas da Diana (Alinne Moraes) por Léo Régis (Rafael Vitti) para se vingar da ex-noiva. Com uma ótima abordagem, a história é uma mescla de várias outras que realmente aconteceram e sendo mostrada assim numa trama voltada para o público jovem não deixa de ser uma forma de educar esse público para o mundo digital que a cada dia anda mais perigoso. Ironia genial toda essa situação ter sido exibida em plena semana do Dia Internacional da Mulher. Programaram muito bem! E o mais importante é que esteve em sintonia total com a trama, sem didatismo ou incoerência.

Volta do MasterChef


Concorrentes fazem com que MasterChef Brasil siga instigante e sem sofrer desgaste

Desde a primeira exibição do MasterChef Brasil, todo mundo aposta no desgaste do formato, já que, além do original, a Band lançou versões com crianças, profissionais e até especial de final de ano. A questão é que o público não dá qualquer sinal de desinteresse pelo reality show. Os concorrentes e os ótimos jurados fazem com que o MasterChef siga instigante. Diante do modorrento BBB17, a gente agradece!


     O PIOR DA SEMANA     


Sophia Abrahão no Vídeo Show


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É fato que desde a saída de Monica Iozzi, o Vídeo Show não consegue fixar uma companhia a altura para Otaviano Costa na bancada. Após promover um rodízio de repórteres e até apelar à Susana Vieira às quintas-feiras, o programa manteve Joaquim Lopes ao lado de Ota e foi levando como pôde. Para cobrir as férias do Otaviano, a direção da atração foi buscar alguém de fora e a escolhida foi a atriz Sophia Abrahão. Dona de muitos seguidores e fãs nas redes sociais, Sophia conseguiu fazer certo barulho e mobilizar sua grande rede, mas deixou a desejar (e muito) na bancada. Totalmente apática e inexperiente, ela não transmitiu naturalidade, não transmitiu carisma, nem maior conhecimento sobre a história da TV.

P.S.: O Vídeo Show, há muito tempo, vem carecendo de um conteúdo mais criativo e dinâmico. Atualmente, suas pautas são todas feitas no piloto automático e, hoje, só se salvam os quadros Memória Nacional e Meu Vídeo É um Show. De resto, nada chama a atenção. Incluindo aí o quadro Novelão, que antes resumia novelas em uma ou duas semanas e agora virou mais um Vale a Pena Ver de Novo com o repeteco prolongadíssimo de Avenida Brasil. Não é assim que o Vídeo Show vai sair do buraco onde está enfiado.

Mais do mesmo


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O Bom Dia e Cia, tradicionalíssimo infantil do SBT mudou de cenário e, finalmente, passou a ser realizado em HD. Agora, os greens, seres verdes que há anos protagonizam as vinhetas dos infantis do canal, ganharam uma espécie de vila onde vivem e o cenário do programa reproduz isso. Além de novos cenários e novas vinhetas, há também novas provas que os telespectadores podem participar por telefone e concorrer a prêmios. Quer dizer, "novas", mas nem tanto, pois nada mais são que as mesmas provas de sempre, com novos painéis e até novos nomes, mas sem grandes novidades. O programa explora o mesmo formato sem grandes investimentos desde 2007, quando passou a ser exibido ao vivo. Ou seja, a atual fórmula do programa já completa 10 anos no infantil, que estreou em 1993 com apresentação de Eliana e forte conteúdo didático. São outros tempos, sem dúvidas. A atração poderia aproveitar o embalo de estreia de "nova temporada" para dar uma boa renovada em sua seleção de desenhos. Salvo uma ou outra mudança, o Bom Dia e Cia exibe praticamente os mesmos desenhos (com os mesmos episódios) há mais de 15 anos. Seria do bom grado também se tirassem a Silvia Abravanel, totalmente dispensável. Com uma voz forçada (parecida com aquela que fazemos quando estamos conversando com um bebê), ela decepciona na espontaneidade. Apática, suas brincadeiras com as crianças soam falsas. Pobre geração Nutella...

Traição de Pedro


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A Lei do Amor nem de longe lembra outras novelas assinadas por Maria Adelaide Amaral, como Sangue Bom e TiTiTi, que eram elogiadas por terem textos inteligentes e ótimas sacadas. O que sobra no atual enredo das 21h são situações pra lá de confusas. A última envolve Pedro (Reynaldo Gianecchini): não faz o menor sentido o personagem trair Helô (Claudia Abreu) nessa altura do campeonato, com a trama chegando ao fim. Além disso, não condiz com a postura do velejador, sempre apresentado como um mocinho justo, gentil e de bom caráter que lutou para ficar com Helô. Pior ainda: repetindo uma cena que aconteceu no início do folhetim. Mas repeteco pouco é bobagem, afinal, Helô novamente esconde do amado que espera um filho dele. Justo Pedro, que também não sabia da existência de Stelinha. A autora está sem criatividade? Sim ou com certeza? Não posso deixar de comentar também todo o teor machista que rodeou essa situação. Afinal, a impressão que ficou foi que a culpa do Pedro ter traído Helô não foi dele, mas sim dela por ter sido tão ciumenta (com o detalhe de que toda essa insegurança da personagem é meio ilógico pelo fato dela ter sempre se mostrado uma mulher de mente aberta e a própria ter escondido de Pedro também que tinha uma filha dele). Sinceramente, A Lei do Amor não tem mais salvação...

quinta-feira, 2 de março de 2017

BBB17 | Afinal de contas, devemos julgar por nível de entretenimento ou moral?



Foi com esse discurso que vocês podem conferir no vídeo acima que Tiago Leifert anunciou a eliminação de Elis do BBB17. Para um bom entendedor, meias palavras bastavam. Leifert praticamente implorou aos candidatos que se permitissem jogar e agitassem a casa. Ou seja, que fizessem tudo aquilo que Elis fazia.

Elis não é nenhum exemplo a ser seguido. Ela não teve um pingo de vergonha na cara ao destilar seu veneno e suas artimanhas e picuinhas como se milhões de pessoas não estivessem assistindo tudinho pelo pay per view. Com um dom de muitos políticos de se esquivar das acusações, ela adotou uma estratégia suicida e, ao mesmo tempo, hilária que envolvia escapar do paredão contando todas as histórias possíveis e sempre tentando angariar o colar do anjo. Para isso, a agente do caos escolhia um alvo e plantava a discórdia na cabeça do povo, fazendo toda casa votar no desinfeliz que ela havia jogado na cruz. Como uma verdadeira agente secreta, Elis acendia o fósforo, jogava e saia correndo, deixando toda casa pegar fogo. E, enquanto todos se matavam, ela escapava ilesa toda sorridente, já planejando quem iria fazer a casa colocar no próximo paredão. Obviamente, não demorou para ser desmascarada pela casa, sendo eliminada com um índice expressivo de rejeição para um paredão triplo: 80%. Creio que seu maior erro foi não ter escancarado para o público suas ideias de jogo e nos tornado seu cúmplice, ao invés de agir sempre sorrateiramente.

Confesso que teria receio de ser vizinho dela, mas me é muito agradável a distância, assistindo-a no conforto do lar. Como o próprio Leifert disse, Elis saiu por cima porque honrou a oportunidade que teve, aproveitando, se jogando, vivendo. Afinal, ninguém quer assistir perfeição no BBB e sim o mais descompromissado entretenimento. Quem assiste o reality com esses olhos, como se esperasse assistir a uma vitrine de virtudes, está se enganando. Ali dentro o que se espera ver são pessoas comuns agindo como pessoas comuns: errando, acertando, amando, mentindo, possuindo defeitos, qualidades, manias... O BBB, na minha opinião, está mais para uma sessão de psicanálise coletiva e invertida, onde deveríamos enxergar nossas próprias virtudes e vícios através daquelas pessoas confinadas. Esqueçam essa história de heróis e vilões. A disputa na casa é por carisma. Quanto mais entrosamento, espontaneidade e diversão, melhor (vide o sucesso que foi o BBB16 graças ao furacão Ana Paula). E a única participante dessa edição que, para o bem ou para o mal, chegou o mais perto de reunir todas essas qualidades foi a Elis.


A agente do caos se tornou uma peça indispensável para fazer a casa girar. Com a sua saída, o que resta agora? Emilly, atualmente, é a personagem principal da casa, catalisando tanto o amor incondicional quanto a antipatia em excesso aqui fora da casa (eu faço parte do segundo grupo). Porém, produz um entretenimento chato e clichê. O BBB17 se resumiu unicamente ao casalzinho fake Dolly e suas DRs e transas. Se eu quiser ver uma ninfeta pedindo gozada na boca de um quarentão eu acesso o xvídeos!

Quem mais tem produzido entretenimento? Roberta, a mentirosa que "murchou" depois que viu que tinha feito burrada atrás de burrada? Tiago Leifert, que tem interferido no game? Marcos, que a todo momento diz não precisar do prêmio e só parece estar interessado em converter todos a bondade e em dar uns pegas na Miss Boquete? Rômulo, o diplomata que usa critério "procedimental" para votar e que se acha o paladino da moral e da razão? Marinalva, aquela que vota pra eliminar alguém dizendo que espera que ela faça muito sucesso aqui fora ou votando no que vai ser menos votado? Daniel, que usa como justificativa condição financeira? Alguém mais? Falta carisma! Falta um bom enredo! Falta se expor! Falta disposição para jogar! E falta disposição do público para entender que, pelo bem do entretenimento, quem movimenta o jogo não pode ser preterido para dar vez a "plantas". Pelo visto, o BBB17 morreu e só esqueceram de enterrar.


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