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sexta-feira, 15 de julho de 2016

Escrava Mãe aborda a escravidão de forma mais interessante que Liberdade Liberdade



Liberdade Liberdade é uma novela que toca em diversos temas cruciais bastante pertinentes para a sociedade brasileira. A corrupção da Coroa Portuguesa, o abuso de poder, a sociedade hipócrita, o feminismo, o combate à intolerância e ao preconceito e o ideal de liberdade sexual que são retratados no folhetim encontram eco no Brasil de 2016 através de personagens fortes que contribuem para que a trama flua bem. Porém, a um ponto a ser questionado: por que a novela não tem um personagem negro forte o bastante que sirva para combater a escravidão?

O racismo no Brasil tem sido um grande problema desde a era colonial e escravocrata imposta pelos colonizadores portugueses (época na qual se passa a novela das onze). Por mais que algumas pessoas insistam em dizer que não existe, basta dar uma breve pesquisada nas redes sociais para perceber que a discriminação por cor está presente como nunca, na internet, nas ruas, no trabalho, na escola. Esse é um tema pra lá de importante, mas que, infelizmente, vem sendo tratado de forma repetitiva e sem maior criatividade em Liberdade Liberdade.


O sofrimento dos escravos é tratado como se fosse uma espécie de cenário, uma tela sem vida, sempre em segundo plano. Em todo capítulo, vemos as terríveis condições de vida dos escravos (a maioria da população de Vila Rica), mas não há quase nenhuma história forte para a trama envolvendo eles. O que aconteceu com o romance entre Luanda (Heloisa Jorge) e Saviano (David Junior), infernizado por Dionísia (Maitê Proença), que nutre um fetiche pelo Saviano e o fazia de objeto sexual? Luanda era uma personagem cheia de nuances. Esperta e ardilosa, é uma negra preconceituosa e intolerante por pura ignorância, acha que os brancos são senhores por direito divino, o que rendia bons embates com Bertoleza (Sheron Menezes), escrava alforriada de hábitos refinados. Mas desde que foi "comprada" por Branca (Nathália Dill), virou uma espécie de "escada" para a vilãzinha subir e destilar seus impróprios (divertidos, não vou negar). E o Saviano só serviu até agora para mostrar a sua bunda em cena (e que bunda, hein!!!).

Falando na Bertoleza (irmã de criação de Joaquina/Andréia Horta e criada de igual para igual com a família Raposo desde pequena), ela é figura negra mais revelante para a história. Entretanto, embora tenha tido um entrecho interessante com seu sequestro (a ponto de quase ser escravizada), seus embates com Luanda e tenha até uma trama própria (seu romance interracial com Ventura/Vitor Thiré), ela serve mais como "orelha" da protagonista.


Outra personagem negra que poderia ter rendido mais é a Jacinta (Dani Ornellas). Ela foi capturada por Gaspar (Romulo Estrela) e vendida como escrava mesmo sendo alforriada, virou garimpeira de uma mina, onde foi torturada e abusada pelo feitor Malveiro (Bruce Gomlevsky), virou amiga de Bertoleza quando esta tinha sido sequestrada, conseguiu fugir e sumiu. Depois de mais de um mês sem dar o ar de sua graça na trama, retornou agora como uma nobre, casada com Omar (Bukassa Kabengele), e desejando vingança contra Gaspar e Malveiro. A trajetória da personagem foi muito mal construída e acabou não despertando a torcida do público, como deveria, com essa sua volta por cima e de vingança contra seus algozes. Celeste (Olívia Araújo), escrava preguiçosa e atrapalhada, serve como alívio cômico e até tem lá seus momentos divertidos, mas também é outra personagem negra que parece deslocada na história.

Enquanto isso, Escrava Mãe, outra novela que também se passa no início do século 19 e fala sobre a escravidão, vem tratando o assunto de forma mais interessante que a novela das onze.


Enganou-se quem achou que o tema da escravidão iria deixar o horário das sete da Record mais sério e dramático. Ao contrário da maioria das cenas de Liberdade Liberdade (que parecem puramente feitas para chocar), a emissora teve o cuidado de não chocar com cenas de tortura e espancamento e foca mais na dor e no sofrimento dos escravos. A novela vem mostrando a dura vida dos escravos no Brasil naquele (triste) período de forma bem envolvente e interessante. Os rituais do candomblé, a formação dos quilombos, os escravos fugões que fazem justiça com as próprias mãos contra os brancos, os senhores do engenho que treinavam seus escravos para lutarem entre si e faziam aposta para ver quem ganhava mais dinheiro com eles, a rivalidade e os conflitos entre os próprios negros nos quilombos... Assuntos bem explorados que couberam perfeitamente dentro da história, sem soar gratuito ou panfletário.

Apesar do regime escravocrata ser o vigente na Vila de São Salvador em Escrava Mãe, alguns moradores não concordam com o que vê nos lares dos poderosos coronéis. A frente de seu tempo, personagens como Tomás (Raphael Montagner), Filipa (Milena Toscano) e Átila (Leo Rosa) lutam com as armas que possuem para que o abolicionismo chegue ao Brasil. Os negros da história não ficam só em segundo plano e desempenham papel fundamental para a história (destaques para a protagonista Juliana/Gabriela Moreyra, sua rival Esméria/Lidi Lisboa, Tia Joaquina/Zezé Motta e a poderosa Catarina/Adriana Lessa). Escrava Mãe é uma boa referência de junção histórica e ficcional, sabendo entreter e retratar a escravidão na medida certa.


De qualquer forma, ainda é de se lamentar que os negros ainda são absoluta minoria na televisão e escalados em abundância apenas para novelas que abordam o tema da escravidão.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Parece que o jogo virou, não é mesmo? Tancinha é ofuscada em Haja Coração!



Se na primeira versão, Aparício Varella (Paulo Autran) e seus sassaricos guiava a trama, hoje, 29 anos depois, o tema central está na trajetória de Tancinha (Mariana Ximenes). Quando Daniel Ortiz decidiu pegar Sassaricando e colocar no microondas, mudou o nome da novela para Haja Coração, colocou personagens novos, requentou gente de outras novelas do seu mentor Silvio de Abreu e, principalmente, elevou Tancinha ao posto de protagonista. Na versão de 1987, a icônica personagem de Cláudia Raia era apenas do núcleo secundário, mas seu triângulo amoroso com o baixinho Beto (Marcos Frota) e o fortão Apolo (Alexandre Frota) acabou roubando a cena e fez muito mais sucesso do que a trama principal. Mas parece que o jogo virou... Em Haja Coração, é a Tancinha de Mariana Ximenes quem está sendo ofuscada!

Essa comparação dos personagens de Sassaricando, como a Tancinha, com os de Haja Coração é inevitável, assim como a Fedora de Tatá Werneck em relação a vivida por Cristina Pereira (que também roubou a cena na versão de 1987). O objetivo não é reviver o mesmo personagem e sim recriá-lo, afinal, são épocas distintas. Foi preciso não deixar aquela impressão de novela desatualizada que tivemos com o remake de Guerra dos Sexos. Fedora, sem dúvida, foi a que mais mudou e ganhou força na trama como antagonista de Tancinha. Menos ninfomaníaca e ardilosa que a original, a nova Fedora agora leva o narcisismo às alturas e representa uma gama gigantesca de pessoas que se alimentam de likes e tentam suprir suas carências lutando para se fazer notar na internet. Ela já foi capaz, por exemplo, de parar o trânsito, literalmente, só porque queria fazer uma selfie e de tentar se suicidar se jogando de uma ponte após ver o número de seus seguidores nas redes sociais despencar diante do fiasco da sua festa de aniversário.

 Tudo nesse núcleo é carregado à potência máxima. E é justamente o clã Abdala o ponto alto da trama. Todas as situações ali, por mais absurdas que sejam, são divertidíssimas. Tatá melhorou muito da sua dicção incompreensível e, mesmo que o sotaque paulistano seja forçado, Fedora acaba sendo beneficiada pelo excelente talento cômico da atriz. Ela e Grace Gianoukas (a terrível Teodora) formam uma ótima dobradinha como mãe e filha. Simbióticas, quando estão juntas em cena, não tem pra ninguém. Hilárias! Uma pena a saída (mesmo que temporária) de Grace da trama (SPOILER: Teodora não morreu e reaparecerá viva na reta final). Vai fazer muita falta. A parceria de Tatá com Gabriel Godoy (Leozinho) também deu liga e diverte. Outra ótima dupla é o casal Lucrécia e Agilson. Cláudia Jimenez está mostrando que é capaz de muitas nuances de comédia e Marcelo Médici construiu seu personagem nos mínimos detalhes.



Enquanto Fedora conseguiu se atualizar, o mesmo não se pode dizer da Tancinha. Nos anos 80, a imigração italiana ainda ecoava na cidade de São Paulo. Hoje, são os bolivianos, haitianos... Não existem mais Tancinhas por aí no mundo real. Vale frisar que Cláudia Raia também foi muito criticada pelo sotaque e os exageros de sua interpretação no início. Dei uma pesquisada na internet e encontrei uma publicação da crítica Regina Helena, na revista Visão, no ano de 1987, que dizia o seguinte: "Silvio de Abreu está colocando excesso de caricatura na linguagem de Claudia. Os paulistas descendentes de italianos falam 'me vou embora', mas não 'eu me amo ele' e nem 'ele me é trabalhador'". A atriz fez aula de prosódia para ganhar o jeito de falar e acabou criando diversas expressões ao longo da trama que caíram na boca do povo. Mas se mesmo naquela época, o sotaque da Tancinha incomodava, hoje, em pleno 2016, ficou mais over ainda.

Tancinha continua uma feirante que erra na concordância verbal e não fala o plural das palavras e isso é uma coisa completamente irritante de se ouvir. Os bordões "Olha os melão", "Não me enche os pacová" e "Me tô toda divididinha" foram mantidos nessa releitura, mas já não empolgam mais. Exuberante, estabanada e chegada aos barracos, ela continua romântica e "divididinha" pelo caminhoneiro Apolo (Malvino Salvador como o bruto-romântico pela milésima vez) e o publicitário Beto (João Baldasserini), o atrapalhado-romântico. Fico com o segundo. Baldasserini vem mostrando uma ótima veia cômica e suas cenas com Ximenes estão demais. É ao lado de Beto que Tancinha se torna bem mais atrativa e digerível do que o entediante clima de "tapas e beijos" com Apolo, cujo intérprete parece um pedaço de madeira ambulante quando o assunto é interpretação. E isso não tem nada a ver com "shipper" e sim com trama mesmo.


Entretanto, é outro triângulo amoroso que vem roubando a cena na novela. Estou falando de Giovanni, Camila e Bruna. Agatha Moreira e Jayme Matarazzo têm boa sintonia em cena. Apesar de algumas loucuras nonsenses envolvendo a personagem (leia AQUI), a atriz tem feito boas cenas tanto nos momentos em que Camila se mostra grosseira, quanto nas sequências em que ela evita ao máximo lembrar-se de seu passado, ainda que se depare com lapsos que retomem estas memórias. Jayme, por sua vez, também convence em cena, apesar de interpretar mais um jovem revoltado e inseguro, o que é uma constante em sua carreira. O destaque especial vai para Fernanda Vasconcellos, que, com uma carreira marcada por papéis de mocinhas choronas, tem nas mãos a primeira vilã de sua carreira e, assim que Bruna descobre o romance de Giovanni e Camila, ganhou um merecido destaque, protagonizando ótimas cenas com os dois. A personagem vem se mostrando capaz de manipular friamente o casal um contra o outro, em virtude da rejeição que aos poucos vai se transformando em ódio. Estas sequências valorizaram ainda mais o talento de Fernanda, que já de algum tempo merecia um papel diferenciado como este. Mais situações vêm por aí, conforme Camila vai retomando a memória e Bruna vai agindo para separar o casal. E estas situações irão render mais boas cenas provavelmente.



Outro triângulo que também vem ofuscando o principal não é amoroso, mas de amigas: Leonora (Ellen Roche), Penélope (Carolina Ferraz) e Rebeca (Malu Mader), curiosamente, o núcleo principal de Sassaricando. Na verdade, é um quadrilátero, pois a empregada Dinalda (Renata Augusto) também merece menção e dá um toque especial ao núcleo. É aqui que está o texto mais esperto, cheio de referências e alguma crítica social embalada no humor. E as três atrizes estão ótimas (destaque para Ellen Roche e sua ex-BBB louca por fama) como estas amigas sem nenhuma sorte no amor que se unem por acaso. Suas sequências vem rendendo cenas bem divertidas. Malu também tem dado liga com seu amor do passado mal-resolvido com Alexandre Borges (que conseguiu escapar da mesmice dos tipos caricatos bobões de trabalhos anteriores com seu Aparício); assim como o romance entre Penélope e Henrique (Nando Rodrigues), bem mais novo que ela e melhor amigo do seu filho, Beto. Quando a verdade vier à tona, promete.



Se tem alguém que está assumindo o papel de mocinha da trama, esse alguém é a Shirley, que, ironicamente, é irmã da Tancinha. Como eu disse no início dessa matéria, o autor Daniel Ortiz requentou gente de outras novelas do Silvio de Abreu. Esse é o caso da Shirley Manca (Karina Barum), que fez sucesso em Torre de Babel e agora "ressuscitou" na pele de Sabrina Petraglia em Haja Coração. Ambas são doces, meigas e de baixa autoestima por possuírem um defeito na perna que a fazem mancar. Mas a Shirley da vez ganhou ares de Cinderela. É ridicularizada pela irmã malvada Carmela (Chandelly Braz), rejeitada pelo homem que ama, Adônis (José Loreto), até que um príncipe encantado, Felipe (Marcos Pitombo), entra na sua vida e encontra seu sapatinho de cristal, quer dizer, sua bota ortopédica. E é claro que, depois de tantos desencontros, os dois irão se envolver e a mimada namorada dele, Jéssica (Karen Junqueira), infernizará a vida dos dois. Eu já estou shippando o casal #Shirlipe. A "nova" Cinderela está sendo muito bem defendida pela Sabrina e consegue despertar nossa torcida. A trama dela é bem bacana e renderia uma novela independente facilmente. Chandelly Braz também está dando um show na pele de uma adorável malvadinha. Karen Junqueira promete crescer ainda mais na trama. E Marisa Orth merece menção por sua Francesca (mãe de Tancinha, Giovanni e Shirley). Está provando que sabe fazer drama com a mesma competência que sabe fazer rir.


Haja Coração acaba divertindo por ser escrachada e não ter medo do ridículo. Muita gente reclama do exagero. Mas não é isso que importa numa comédia romântica, fazer rir?!

domingo, 10 de julho de 2016

O Melhor e Pior da Semana (26/6 à 9/7)




OBS.: Como expliquei lá na nossa fan page, tive que viajar por problemas de saúde e não pude escrever a nossa seção fixa de todo santo domingo com o melhor e o pior da TV da semana passada (26/6 à 2/7). Hoje, portanto, juntarei aquela semana com essa também (3 à 9/7).


   O MELHOR DA SEMANA   



O "despertar" de Velho Chico



Após um período arrastado, com poucos acontecimentos relevantes e um foco excessivo em questões políticas, Velho Chico vem mostrando uma benéfica mudança de rumo nos capítulos mais recentes. A novela ganhou novo fôlego com a revelação de que Miguel (Gabriel Leone) é filho de Santo (Domingos Montagner) e entrou em sua melhor momento desde a estreia, resultando em capítulos primorosos e atuações fantásticas. Falei mais detalhadamente sobre isso bem AQUI. Foi uma semana decisiva. Demorou, mas valeu a pena esperar pelo grande "despertar" da novela das nove. Velho Chico empolga quando carrega no drama com tintas de tragédia grega. Que a excelência apresentada continue se mantendo até o final da novela.

Racismo em Velho Chico



Vale ressaltar que a novela das nove também prestou um belo serviço com uma abordagem corajosa contra o racismo. No capítulo de quinta da semana passada (30/06), assim que Sophie (Yara Charry), namorada francesa de Miguel (Gabriel Leone), botou os pés na fazenda, Afrânio (Antonio Fagundes) ficou de queixo caído e disparou sem dó nem piedade: "Mas é uma negrinha! Precisava atravessar o Atlântico pra isso? Com o tanto que temos aqui". Que horror!

Quem ficou surpreso com a atitude e achou que Afrânio não podia ser racista porque tem uma filha negra, não entende nada sobre como o racismo funciona. Como o próprio disse, a filha dele é mais "clarinha". Na visão de Afrânio, um clássico coronel nordestino arcaico, aos negros só devem ser reservados em sua fazenda o espaço da roça e da cozinha. É o famoso "Não sou preconceituoso, mas (...)". Um pensamento que, infelizmente, vemos diariamente em todo lugar. O tremendo diálogo (entre muitos outros) que se seguiu e que permeou, praticamente, o capítulo inteiro discutiu o racismo de forma contundente e muito inteligente, amparado num texto bem escrito e inspirado e nas ótimas atuações de Antonio Fagundes, Gabriel Leone, Marcelo Serrado (Carlos), Lee Taylor (Miguel), Selma Egrei (Encarnação), Camila Pitanga (Isabel) e Cristiane Torloni (Iolanda). Uma pena que a aposta Yara Charry tenha deixado a desejar.

Núcleo de Giovanni, Camila e Bruna



O triângulo amoroso entre Giovanni, Camila e Bruna vem se tornando um dos pontos positivos principais de Haja Coração. Embora o par não seja exatamente um casal arrebatador, Agatha Moreira e Jayme Matarazzo têm boa sintonia em cena. A atriz tem feito boas cenas tanto nos momentos em que Camila se mostra grosseira, quanto nas sequências em que ela evita ao máximo lembrar-se de seu passado, ainda que se depare com lapsos que retomem estas memórias. Jayme, por sua vez, também convence em cena, apesar de interpretar mais um jovem revoltado e inseguro, o que é uma constante em sua carreira. Mas o destaque especial vai para Fernanda Vasconcellos. A talentosa atriz, com uma carreira marcada por papéis de mocinhas choronas, tem nas mãos a primeira vilã de sua carreira e, assim que Bruna descobre o romance de Giovanni e Camila, ganhou um merecido destaque, protagonizando ótimas cenas com os dois. A personagem vem se mostrando capaz de manipular friamente o casal um contra o outro, em virtude da rejeição que aos poucos vai se transformando em ódio. Estas sequências valorizaram ainda mais o talento de Fernanda, que já de algum tempo merecia um papel diferenciado como este. Mais situações vêm por aí, conforme Camila vai retomando a memória e Bruna vai agindo para separar o casal. E estas situações irão render mais boas cenas.

A nova loira do Trust




Desde que o Zorra se reinventou e deixou para trás o "Total" (com aquelas piadas prontas e previsíveis naquelas enquetes sem graça), o programa não só ganhou status, como também virou outro programa. Debochado, dinâmico, criativo. As sátiras políticas, então, viraram o ponto alto da atração. Na última semana, rolou o quadro A Nova Loira do Trust, parodiando a música "A nova loira do Tchan" e satirizando a mulher do Eduardo Cunha. A imitação impagável da Dani Calabresa, a caracterização perfeita dos personagens, o elenco bem afinado, a coreografia bem ensaidada, a ironia certeira para fazer rir e pensar, enfim. Foi simplesmente fantástico!

Bate e Volta com Mara e Catra



Já falei que acho original e inusitada a iniciativa da Band de colocar pessoas de estilos diferentes para trocarem ideia no Bate e Volta. O programa é bem interessante e agradável. A participação da Mara Maravilha com o Mr. Catra essa semana foi, sem dúvida, o melhor episódio. Os dois debateram e discordaram sobre assuntos como homossexualismo e drogas.

Urraca




Não é só a Thaís Fersoza que está dando um show como a terrível Maria Isabel em Escrava Mãe. Jussara Freire também está incrível na pele da Urraca. Embora esta seja mais puxada para a comédia, é daquelas vilãs que, por mais megera que seja, dá prazer de assistir. Adorando sua dobradinha com o filho Almeida (Fernando Pavão) e com a rival Rosalinda Pavão (Luiza Tomé). Depois da Donana em Pecado Mortal, mais uma vilã deliciosamente terrível para a sua carreira.

Criança Esperança


Com o sucesso do Teleton e os constantes boatos de que grande parte das doações sejam desviadas, de que a Globo usa as doações para reduzir impostos e mimimi, a emissora se viu obrigada a reformular o Criança Esperança para convencer o telespectador a participar da campanha promovida por uma emissora cujo lucro anual é de quase 3 bilhões de reais. Renato Aragão e cantores cederam espaço a outras atrações da própria TV Globo. Enquanto Silvio Santos é a marca máxima do SBT, a teledramaturgia caracteriza a imagem do canal platinado.


Por isso mesmo, achei louvável a ideia de trazer personagens históricos das novelas no chamado "mesão". Tieta (Betty Faria), Visconde de Sabugosa, Dona Benta (Nicette Bruno), Tia Nastácia (Dhu Moraes), Sassá Mutema (Lima Duarte), professora Clotilde (Maitê Proença), os vampiros Natasha (Claudia Ohana) e Matoso (Otávio Augusto), o galã Fabian (Ricardo Tozzi), Mamuschka (Rosi Campos) e Carretel (Nelson Freitas) pediram doações aos telespectadores. Foi uma oportunidade do público rever ícones da teledramaturgia brasileira. Nostalgia pura.

Caracterizados com seus respectivos personagens da Nova Escolinha do Professor Raimundo, Mateus Solano, Evandro Mesquita, Marcelo Adnet, Otaviano Costa, Fabiana Karla, Betty Gofman e Lúcio Mauro Filho também deram o ar de sua graça. Eles cantaram a música "Pelados em Santos" do saudoso grupo Mamonas Assassinas. Mais uma vez, a nostalgia se fez presente.

Mais de cem atores passaram pela bancada. O elenco platinado foi mobilizado. A Globo também acertou na escolha do quarteto que comanda o espetáculo. Dira Paes, Flávio Canto, Lázaro Ramos e Leandra Leal são personalidades que sempre defenderam a responsabilidade social.


O formato do Criança Esperança ficou bem mais interessante. O programa soube se atualizar e apresentou um harmonioso conjunto misturando entretenimento, projetos sociais e matérias emocionantes (destaque absoluto para a apresentação arrepiante de Alcione cantando o hino do funk "Rap da Alegria", numa versão mais lenta, ao lado de mães que perderam seus filhos para a violência), deixando aqueles shows frios e pirotécnicos de lado e trazendo um clima mais agradável e gostoso de se ver para um formato tão importante para as crianças do país.

A Terra Prometida




Com uma cronologia ousada, A Terra Prometida, nova trama bíblica da Record que vai dar continuidade a saga dos hebreus do Egito, quase pegou o telespectador de surpresa mostrando logo em suas primeiras cenas a quase queda das muralhas de Jericó, outra passagem emblemática da Bíblia que vai ser mostrada na trama. Não foi inovador, mas achei bem interessante mostrar o final da trama logo na estreia e, tal qual os seriados americanos, dar um retrocesso de seis meses, mostrando tudo que aconteceu até chegar aquele momento. 

A Terra Prometida não poderia ter estreado melhor. Ficou nítido que a trama teve um tratamento muito maior que o de Os Dez Mandamentos em todos os sentidos e, mesmo sendo uma continuação, vai traçar seu próprio caminho. Ao que parece, o grande trunfo de A Terra Prometida certamente será seu elenco. Nomes de peso como Beth Goulart e ex-globais contratados especialmente para a trama (como Igor Ricky, Cristina Oliveira, Elizangela, Kadu Moliterno e Paloma Bernardi) dão a credibilidade que faltou em Os Dez Mandamentos. Juliana Silveira (vilã Kalesi) e Miriam Freeland (prostituta Raabe) foram as donas da novela nessa semana inicial e mostraram que suas personagens serão os destaques femininos da trama.

Assim como em Escrava Mãe, a Record investiu (o que normalmente não acontecia) e apresentou uma animação com o resumo da luta de Josué (Sidney Sampaio) rumo à Terra Prometida, dando uma embalagem digna e bem criativa para a nova trama.


A Terra Prometida tem todas as ferramentas para agradar. Sem o ineditismo da fórmula da trama de Moisés, a novela vai ter que prender o telespectador por sua pura e simples boa trama.


   O PIOR DA SEMANA   



A morte de Raposo



Claro que sei que a morte de Raposo (Dalton Vigh) em Liberdade, Liberdade deve ter algum propósito para o andamento da (boa) história da trama. O autor não ousaria matar um personagem tão importante sem um propósito digno para o desenrolar dos acontecimentos. Quer dizer, assim espero, afinal, João Emanuel Carneiro matou a Djanira (Cássia Kis numa atuação magistral) em A Regra do Jogo e vocês lembram como ficou a novela, né? O personagem saiu de cena em grande estilo e o clima de luto rendeu cenas emocionantes. Mas o fato é que a novela das onze vai ficar muito mais pobre sem Dalton Vigh em um dos seus melhores momentos na TV. Dom Raposo era um personagem querido, merecia mais tempo na trama e poderia ter rendido muito mais (como seu romance mal resolvido com Virgínia/Lília Cabral, a relação com a filha Rosa/Andrei Horta e o pequeno Caju/Gabriel Palhares e, principalmente, a reação quando o filho André/Caio Blat se descobrisse gay). Uma pena.

Dublagem pavorosa do Batalha de Cozinheiros



Muito ruim essa dublagem do Buddy Valastro. A voz do dublador não combina em nada com o gringo. O chef para de falar e a voz ainda sai na sua boca. Mistééééério! Estranhíssimo acompanhar uma disputa com brasileiros e um apresentador dublado. E o ritmo deve ser truncado na gravação. Valastro fala em inglês e os competidores (usando um ponto eletrônico) respondem em português. Imaginem só o trabalho árduo na tradução simultânea que é cortada na edição... De resto, o programa não apresentou nada de atrativo. Ainda mais se formos compará-lo com outro reality concorrente no horário, MasterChef. Péssima estratégia da Record em colocar sua atração no mesmo dia e horário que o sucesso culinário da Band. São duas atrações bem parecidas. Com a diferença de que o programa de Fogaça, Paola e Jacquin já está consolidado na audiência e na preferência do público e é realmente atrativo.

Mega Senha Sidney Oliveira



O Mega Senha, game show (muito bom, por sinal) da Rede TV!, foi rebatizado. A partir de agora, ele passa a ser chamado de... Mega Senha Sidney Oliveira!!! Oi?! Sim, é isso mesmo. Que título mais ridículo, viu... Para quem não sabe, Sidney Oliveira é o nome daquele dono da rede de farmácias Ultrafarma. Homenagem? Nada disso. Trata-se de uma mega ação de marketing, envolvendo um valor que gira em torno de 1,5 milhão de reais POR MÊS para a Rede TV! de patrocínio da Ultrafarma. Mas que título mais esdrúxulo, né? Ah, se isso vira moda no canal... O A Tarde é Sua ia virar A Tarde é Sua, da Top Therm e do Ômega 3! Bem cafona!

Final de Os Dez Mandamentos




Os Dez Mandamentos chegou ao fim proporcionando surpresas nada agradáveis ao telespectador e com um ar totalmente amador e tosco, sem o mínimo de cuidado e esmero. A produção, como um todo, dessa segunda temporada foi desastrosa e decepcionante, mas os capítulos finais foram de uma precariedade total, com caracterizações a base de talco para envelhecer atores jovens e uma batalha sangrenta sem nenhuma gota de sangue. Falei mais detalhadamente sobre isso AQUI. A cena final mostrou a morte de Moisés (Guilherme Winter). Ele sobe no Monte, já perto de Jericó, para ali morrer e ser enterrado pelo próprio Deus, até que o Arcanjo Miguel trava um duelo contra o diabo pelo corpo de Moisés. A sequência tinha tudo para ser antológica e encerrar essa temporada com dignidade, mas o que se viu, mais uma vez, foi de total amadorismo. A batalha do bem e do mal se resumiu a uma lutinha pobre de desarrumados ninjas titãs de causar vergonha alheia em Power Ranger e Karatê Kids. Até a Sonia Abrão (defensora incansável da trama) detonou a cena. Triste fim para a saga de Moisés!

sábado, 9 de julho de 2016

Velho Chico empolga quando carrega no drama com tintas de tragédia grega



Que Velho Chico é uma produção bonita e caprichada, nunca restou dúvida quanto a isso. Elenco, direção, fotografia, trilha sonora, maquiagem, figurinos, arte... Tudo foi pensado nos mínimos detalhes, formando um conjunto primoroso na telinha de encher os olhos. Pelo menos, esteticamente falando. Tudo se destaca na novela. Menos a história. Com números modestos de audiência (entre 26 e 30 pontos), Velho Chico não acontece, pouco repercute, não gera burburinho. Entretanto, aos que não desistiram da novela das nove, é notório que ela saiu de seu leito plácido e melhorou bastante. Está mais ágil. Ainda tem muito mais blá blá blá do que ação, é verdade, mas as tramas já começaram a ficar mais interessantes e despertar a atenção.

A mensagem visual anacrônica e inverosímel e a discrepância entre alguns atores da terceira fase em substituição com os da segunda, como Antonio Fagundes e seu Afrânio completamente diferente ao do Rodrigo Santoro (falei disso bem AQUI), já não incomodam mais tanto assim como antes. A passagem para a atualidade foi chocante, mas, com o tempo, alguns elementos foram suavizados, outros, acabamos nos acostumando (ou não). Nas últimas semanas, a novela vem entrando numa crescente com ganchos, embates, sequências e diálogos mais rápidos, perturbadores e antológicos, de tirar o fôlego, parecendo disposta a resgatar aquele desejo que tínhamos nas duas primeiras fases de correr para a TV quando a novela começa.

Santo entra na cocheira da fazenda e se desespera ao ver Olívia e Miguel juntos (Foto: Inácio Moraes/ Gshow)

Velho Chico entrou em seu melhor momento desde a estréia e nos presenteou com uma semana onde as emoções (dos personagens e do público) estiveram à flor da pele. No capítulo de segunda-feira (04), finalmente, Tereza revelou a Santo que Miguel é seu filho. Disposto a impedir que um incesto aconteça, ele sai em disparada atrás da filha, Olívia, e consegue chegar bem a tempo de impedi-la de beijar o próprio meio-irmão. Miguel e Olívia estavam começando a se envolver, mas não sabiam que eram filhos do mesmo pai. Quando a verdade lhes é revelada, o choque e a revolta é grande. Vale frisar que Olívia pode não ser filha de Santo e sim fruto de um caso extraconjugal de Luzia. Os dois, porém, já no capítulo de terça (05), decidem guardar esse amor dentro deles e se unem como irmãos. Foi um capítulo emocionante e muito bonito.

Notícia sobre Miguel deixa família de Santo emocionada  (Foto: Inpacio Moraes/Gshow)

Na quarta (06), outro aguardado desdobramento: o anúncio que Santo fez para a sua família sobre a paternidade recém-descoberta. Santo recebeu Miguel na mesa, com a família, pela primeira vez. A presença do rapaz deixou Bento indignado, afinal, estaria fazendo uma refeição íntima com o inimigo de sua família. Foram várias sequências e chaves de emoção acionadas até que tudo se esclarecesse e o amor fraterno viesse à tona, atualizando todos os sentimentos de cada um. Mais um ótimo capítulo. Com Miguel, o neto querido de Afrânio, deixando a casa do avô e indo viver com a família do pai, o ódio hereditário entre os Dos Anjos e os De Sá Ribeiro ressurgiu com força total, com Afrânio pisando, de arma em punho, na fazenda dos rivais.


E eis que Velho Chico chegou ao auge da emoção bem na quinta (07), justamente, no seu centésimo capítulo. Foi poesia pura o enfrentamento olho no olho, sem uma palavra sequer, entre Afrânio e Piedade. No melhor momento, a matriarca do clã Dos Anjos tomou o revólver empunhado por Bento contra o coronel, o colocou no chão batido e jogou um ramo de delicadas flores sobre a arma. Diante de uma mulher tão forte e de um gesto de nobreza ímpar, Afrânio baixa sua arma e também a deposita perto das flores. Minutos mais tarde, após os revólveres terem sido recolhidos, Bento, Santo e Miguel desenham com os pés um triângulo em volta das flores, selando o pacto de honra e proteção entre eles. Vale ressaltar ainda a qualidade dos diálogos. Especialmente, o discurso arrogante de Afrânio, em conflito interno com a fragilidade emocional camuflado nas intenções do personagem, ferido pela rejeição do neto querido, Miguel. O desfecho da sequência não foi menos sublime: Piedade pede uma vassoura e sai varrendo o pedaço de terra no qual pisara Afrânio e seus capangas. Ela grita dolorosamente em defesa de sua família e contra o inimigo histórico, enquanto levanta poeira sobre si mesma.

Miguel assume a briga de Afrânio para si (Foto: Inácio Moraes/ Gshow)

Trechos desse primor artístico redimem os equívocos e o ritmo arrastado vistos ao longo dessa centena de capítulos de Velho Chico. Os atores envolvidos (todos perfeitos) pareciam estar comovidos para além da ficção. Camila Pitanga, Antonio Fagundes (aqui cabe uma menção especial para esses dois porque eles entraram na trama acima do tom, melhoraram e hoje estão dando um show), Domingos Montagner, Gabriel Leone, Lucy Alves, Giullia Buscacio, Lee Taylor, Irandhir Santos, Dira Paes, Lucas Veloso e Zezita Matos estiveram profundamente mergulhados na essência de seus personagens e conseguiram transmitir tanta emoção com gestos mínimos.

Velho Chico tem o seu ritmo próprio de conduzir suas histórias, mas é justamente quando carrega no drama que fica imperdível. É uma novela tragédia, onde as situações suscitam o terror e a piedade e os personagens vivem em constante estado de tristeza, ódio e desgraça, em penúria sentimental, sem vida pulsante, todos bem densos em dramaticidade e escassos de bom humor, onde a qualquer momento um acontecimento trágico pudesse vir a acontecer. Por isso, todo esse tom teatral e lúdico acaba combinando com a proposta da novela, cuja tragédia grega acaba virando poesia. Que Velho Chico siga nesse caminho e não volte a ser Velho Sono!

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Os Dez Mandamentos - Nova Temporada: o nosso 7x1 da teledramaturgia em 2016




Há exatos 2 anos, o Brasil inteiro parava perplexo na frente da TV ao assistir a mais inesperada e vergonhosa goleada da história do futebol brasileiro. Em plena Copa do Mundo de 2014, perdemos dentro da nossa própria casa para a Alemanha por 7 gols a 1. Dói até hoje na nossa alma. Mas o 7x1 foi pouco. E ele não está só no futebol. Está na teledramaturgia também.

Nesta segunda-feira (04), Os Dez Mandamentos – Nova Temporada chegou ao fim. Aleluia, irmãos! A novela até alcançou um bom patamar nos índices de audiência, entre 15 e 17 pontos. Porém, o resultado artístico ficou muito aquém de um resultado satisfatório. Sem dúvida nenhuma, foi a pior produção desde o início da aposta da Record em histórias baseadas na Bíblia. Durante três meses, a novela desfilou pela tela uma enrolação sem fim, numa trama mal elaborada, com personagens pessimamente desenvolvidos, atores nitidamente desmotivados, sem um pingo de emoção e vitalidade da sua temporada anterior. É o nosso 7x1 do ano na teledramaturgia! Confira os 7 pontos negativos e o único positivo dessa tosqueira.

1x0: Título equivocado


A novela já começou toda errada. Disposta a continuar espremendo o sucesso da saga de Moisés até o bagaço, a Record ludibriou os telespectadores ao não exibir a conclusão do momento em que Deus entrega a Moisés as duas tábuas da Lei, deixando-o para o primeiro capítulo desta nova fase. Só que esta nova fase não teve nada de "os dez mandamentos" e sim relatou o longo êxodo no deserto, que durou 40 anos segundo a Bíblia. Portanto, chamar esta história de Os Dez Mandamentos é um equívoco tremendo. Teria sido bem melhor se a novela tivesse terminado com a abertura do Mar Vermelho. Assim, ela fecharia o ciclo no Egito e teria iniciado outro nessa nova fase com a luta dos hebreus no deserto para chegarem à Terra Prometida. As leis, em si, por exemplo, foram abordadas superficialmente, tratadas quase sempre em segundo plano. Mas esperar coerência da Record é pedir muito, né?

2x0: Efeitos especiais toscos



Faltou apuro técnico para disfarçar os efeitos de chroma key, utilizados à exaustão nas cenas dos hebreus caminhando pelo deserto. Lembraram os toscos efeitos especiais da trilogia Os Mutantes, que, ao menos, era engraçada de tão tosca que era. A esperada cena da terra se abrindo e engolindo Corá que o diga (falei mais detalhadamente sobre isso AQUI).

3x0: Catequização excessiva


Ok, é baseado na Bíblia, mas poderia ter tido uma veia menos panfletária, né? A Record já é um canal que aposta no público religioso. Explicitar isso é complicado quando se tem pessoas que não são tão religiosas assim assistindo à trama. Uma novela bíblica precisa conseguir ser respeitosa à Bíblia e ao mesmo tempo fazer uma obra de ficção. Tem que ser entretenimento puro antes de tudo. Era como se a gente estivesse sendo catequizado a cada capítulo.

4x0: Besteirol



Nunca uma produção bíblica afrontou tanto as Escrituras. Quanta blasfêmia, Record! Uma história considerada sagrada deu lugar a tramas desinteressantes e sem noção. Que fique bem claro: adaptar uma história bíblica para novela criando novas histórias e personagens (como aconteceu na primeira temporada, que cativou com o puro e simples folhetim, porém, regado a muita história da Bíblia) é uma coisa; agora, fazer perder seu contexto bíblico, é outra coisa totalmente inadmissível. A autora Vivian de Oliveira pesou a mão no melodrama açucarado. Enquanto cozinhava em banho-maria o final da saga dos hebreus rumo à terra prometida, a novela se limitou a mostrar namoricos, rejeições, dúvidas sobre intenções amorosas, adultério, virgindade, casamentos, beijos, paqueras e disputas amorosas. Esse tipo de assunto tratado numa trama bíblica acabou descaracterizando-a. Virou um tremendo besteirol. Se ainda fossem boas histórias, eu até daria um desconto. Mas não. Essas historinhas de amor me deram sono.

5x0: Erros grotescos na escalação do elenco


NÃO PARECE, MAS É MÃE E FILHO!

Leila (Juliana Didone) e Bezalel (Igor Cosso), que interpretaram mãe e filho, poderiam facilmente interpretar um casal em outra novela. Ela, 31 anos (mas com rostinho de vinte e pouco), sendo mãe de um galalau de 25. No mínimo, surreal! E os exemplos não param por aqui. Rayana Carvalho, no papel de Adira, sendo mãe de Raya, cuja intérprete parece ser mais velha do que ela. Marcela Barrozo (Betânia) sendo mãe da atriz Ray Erlich (Talita), sendo que as duas tem (e aparentavam) a mesma idade. Erros crasos de escalação. O ator que fazia Calebe, Rodrigo Vidigal, foi substituído na passagem de tempo por outro, Milhem Cortaz, que, por sua vez, já havia participado da novela, como um vilão egípcio, Bomani. É a crise? Tá faltando ator?

6x0: Texto demasiadamente didático


Formal demais, reverencial demais, teatral demais, sofrível demais...

7x0: Produção amadora


A Record enche a boca para dizer que Os Dez Mandamentos é uma "super" produção, mas o que se viu na tela foi uma produção extremamente amadora. Isso porque cada capítulo custa cerca de R$700 mil, hein... A queda da qualidade da produção da primeira temporada para a segunda foi brusca. Os cenários do palácio do Rei Balaque (Daniel Alvim), com um ambiente escuro e artificial, comprovam tal assertiva. Os figurinos, adereços e objetos de cena pareciam recém-saídos da embalagem. Só faltava aparecer a etiqueta com o preço. Ficou super fake.


Aliás, tenho uma dúvida: já existia tinta para cabelo em pleno Egito Antigo antes de Cristo?!


Provavelmente, a Record deve ter gastado toda a verba dessa segunda temporada na abertura da terra e acabou faltando dinheiro para investirem em figurantes e maquiagem, porque só isso explica essa caracterização capenga e mal feita ao envelhecerem os atores. Para começar, basta observarmos o baixo número de figurantes. Não tem deixado de contar a história de Moisés com os poucos atores e atrizes, principalmente, quando é preciso mostrar a multidão peregrinando pelo deserto e nas batalhas contra os reinos inimigos. A impressão que deu é que os hebreus se resumiam em algumas dezenas de pessoas, quando, na verdade, eram milhares.

A falta de infra-estrutura ficou clara no penúltimo capítulo, com a dura batalha entre o exército israelita contra os soldados do Reino de Moabe. O campo de batalha foi uma vergonha. Primeiro, por causa do baixo número de atores envolvidos na luta. Era para ser um imenso campo de batalha com muitos soldados contra os homens hebreus, mas o que vimos foi um número baixíssimo de profissionais tentando dar emoção à cena. Segundo, porque faltou criatividade da parte do diretor Alexandre Avancini. Praticamente, todas as batalhas foram sequências bem longas em câmera lenta, marcadas por uma trilha sonora bastante pontuada e coreografia preguiçosa (os golpes eram quase sempre todos idênticos). E para piorar, uma batalha sangrenta não teve sequer uma gota de sangue. Mesmo quando alguém era ferido pela espada, mesmo quando ela entrava e saía da barriga dos soldados, mesmo quando algum hebreu caia no chão ferido pela lâmina, nenhum sangue foi visto. E não foi a primeira vez.


Mas o envelhecimento dos atores foi, sem dúvida nenhuma, o ápice do amadorismo e do constrangimento nessa nova temporada. Após a morte do vilão Corá e de meio elenco, engolidos pela terra após se rebelarem contra as ordens de Deus, a novela avançou no tempo em 38 anos. Obviamente, as crianças e os jovens cresceram e viraram adultos e os adultos de outrora se tornaram idosos. A produção, porém, achou que bastariam colocar perucas e barbas grisalhas nos homens, mechas brancas por toda a cabeleira das mulheres e os personagens idosos andarem curvados e recitarem o texto sussurrando para fazer jus à idade avançada e pronto, seria o suficiente para convencer o público da passagem de tempo. Só que não!

As hebreias podem ter envelhecido os fios, mas continuaram com a mesma cara de novinhas. Cadê as rugas? Cadê os traços faciais envelhecidos? Cade o pescoço, as mãos, os pés, enrugados? Os hebreus envelheceram, mas continuaram com o mesmo vigor físico de antes. Aarão, por exemplo, no auge dos seus 123 anos, teve forças para escalar um monte inteiro. Será que ele tomou a sopa mágica da Mamuska de Da Cor do Pecado? E o que dizer de Josué, o único do elenco que não envelheceu na trama? Incrível! Haja formol! E haja talco para tacarem na cara dos atores na tentativa (fracassada) de deixá-los parecendo anciões. Ficou medonho.

7x1: As exceções do elenco irregular



Denise Del Vecchio (emocionante como Joquebede do início ao fim, até na hora da sua morte), Petrônio Gontijo (Arão), Leonardo Vieira (Balaão), Larissa Maciel (Miriã), Marcela Barrozo (Betânia) e Victor Hugo (perfeito como o vilão-mor Corá) foram os únicos atores que se destacaram em meio a um elenco irregular e tiveram uma atuação acima da média. Quanto ao resto, alguns foram apenas medianos; outros, péssimos (como o canastríssimo Dudu Azevedo).


Que A Terra Prometida recupere o esmero perdido com o início da jornada dos hebreus à Canaã.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

A Favorita: o apogeu da genialidade e da ousadia de João Emanuel Carneiro


"Duas amigas que se tornaram rivais. Uma das duas cometeu um crime e está mentindo. São duas versões de uma mesma história. Quem, afinal, está dizendo a verdade? Flora ou Donatela?". Foi com essa premissa que João Emanuel Carneiro revolucionou a teledramaturgia brasileira.


Donatela (Claudia Raia) perdeu os pais num trágico acidente e acabou sendo adotada pela família de Flora (Patrícia Pillar), que era bem humilde. Quando crianças, as duas eram melhores amigas, ao ponto de, na juventude, formar uma dupla sertaneja, Faísca e Espoleta, administrada pelo caça-talentos Silveirinha (Ary Fontoura) e que chegou a fazer razoável sucesso na época. A parceria, porém, foi interrompida após as duas conhecerem os amigos Marcelo e Dodi (Murilo Benício), de quem se tornaram noivas. Donatela casou-se com Marcelo, filho do poderoso Gonçalo Fontini (Mauro Mendonça), dono de uma indústria de papel e celulose, enquanto Flora tornou-se esposa de Dodi, que era pobre e trabalhava na firma do pai do amigo.

A felicidade de Donatela e Marcelo, porém, durou pouco. O primeiro filho do casal, Mateus, foi sequestrado com seis meses de idade e nunca mais apareceu. Desde então, os dois passaram a se desentender com frequência. Flora, por sua vez, separou-se de Dodi e, depois, teve um caso com Marcelo. Engravidou dele e deu à luz uma menina, Lara (Mariana Ximenes), o que abalou ainda mais a relação entre Donatela e Marcelo e, principalmente, entre as duas amigas.

No auge da crise da ex-dupla Faísca e Espoleta, Marcelo é assassinado com três tiros disparados do revólver que estava nas mãos de Flora, pega em flagrante. Com base nos depoimentos da manicure Cilene (Elizângela), que presenciou o crime, e do Dr. Salvatore (Walmor Chagas), médico que prestou socorro a Marcelo no hospital e diz ter ouvido ele dizer o nome da mulher que o matou minutos antes de morrer, ela foi presa, condenada e separada de sua filha (na época, com três anos de idade). Donatela, que não perdoa a amiga de infância pela traição e por ter matado o marido, decide criar Lara e, tempos depois, se casa com Dodi.

A história de A Favorita, no entanto, começa bem depois de tudo isso, dezoito anos após o crime, a partir do momento em que Flora sai da prisão querendo provar a sua inocência, acusando a ex-amiga do crime pelo qual ela pagou, e se reaproximar de Lara. Donatela, por sua vez, não mede esforços para impedir que ela chegue perto de Lara, a quem diz amar como se fosse sua própria filha. No caminho das duas, surge o sedutor jornalista investigativo Zé Bob (Carmo Dalla Vecchia), que se envolve com Flora e depois com Donatela. Ele e Lara, mais do que nunca, se tornam o alvo de disputa entre essas duas mulheres que, um dia, foram amigas.


Com referências nas séries americanas e nos filmes de suspense (tanto pela condução da história, quanto pela fotografia escura e cheia de sombras), A Favorita revolucionou a teledramaturgia brasileira ao subverter o esquema folhetinesco tradicional apresentando uma história policial com uma protagonista e uma antagonista em detrimento de uma história de amor com um casal romântico central e em não revelar logo de cara quem era a vilã e quem era a mocinha da história. Durante os 55 primeiros capítulos, a novela girou em torno desse mistério e confundiu o público, que não sabia para quem torcer, pois o roteiro não deixava claro quem era a verdadeira assassina de Marcelo, quem estava mentindo, se Flora ou Donatela.

Ambas tinham versões muito bem convincentes. Donatela afirmava que Flora nutria uma inveja obsessiva por ela e sempre quis tomar tudo que é seu. Ela defende que Flora se casou com Dodi só para poder ficar perto dela e de Marcelo e atrapalhar seu casamento. Mas quando percebeu que, mesmo conseguindo engravidar dele, Marcelo nunca iria se separar, resolveu matá-lo. Segundo Donatela, Flora premeditou o assassinato, mas as coisas não saíram como o previsto. Ela conta que, no dia do crime, saiu de casa, mas voltou ao se lembrar que havia marcado hora com Cilene, sua manicure. Quando chegou, flagrou Flora atirando em Marcelo, o que foi confirmado por Cilene, única testemunha do caso. Depois de atirar em Marcelo, Flora ainda ia atirar nela. Para se defender, iniciou uma briga com a rival e quem pôs fim à luta foi Cilene, que conseguiu imobilizar Flora. Na briga, Flora e Donatela deixaram suas impressões digitais na arma, mas o depoimento de Cilene foi decisivo para condenar Flora. Assim como também o de Dr. Salvatore, que prestou socorro a Marcelo no hospital e garantiu que ouviu ele dizer que foi assassinado pela Flora minutos antes de morrer. De acordo com Donatela, ela e Dodi foram vítimas de Flora e a tragédia os aproximou. Ela ainda garante que ama Lara mais do que tudo nessa vida, que a garota lhe "salvou" no momento mais doloroso da sua vida e que, mesmo ela sendo fruto da traição do marido, decidiu criá-la como se fosse sua por ter se afeiçoada a menina e como uma forma de compensar o vazio deixado por Mateus, seu filho sequestrado.

Já na versão de Flora, Donatela é quem nutria uma inveja obsessiva por ela e sempre desejou tudo o que era seu, inclusive os rapazes com quem se envolvia. Flora alega que Donatela e Dodi sempre foram amantes e tanto ela como Marcelo foram vítimas de um golpe minuciosamente planejado. Donatela teria dado em cima de Marcelo já com o intuito de se casar com o jovem milionário, enquanto Dodi conquistaria Flora para se manter próximo à amante e ao dinheiro que ela passaria a ter. Além disso, o filho sequestrado de Donatela e Marcelo, na verdade, seria filho de Dodi. Para que Marcelo não descobrisse a verdade, o casal teria dado um jeito de sumir com a criança. Como a verdade veio à tona, Flora e Marcelo se aproximaram e redescobriram o amor. Quando Donatela descobriu que Marcelo iria se separar dela e que ela perderia todo o dinheiro que sempre quis, premeditou o assassinato, junto com Dodi. E deu um jeito para que Flora estivesse na casa de Marcelo no momento do crime e pagou para que Cilene e Dr. Salvatore testemunhassem para incriminá-la, o que acabou conseguindo. Segundo Flora, Donatela só criou Lara de olho na herança, já que a garota é a única herdeira de todo o patrimônio dos Fontinis.

Essa indefinição em saber em quem confiar também foi traduzida através dos personagens. Principalmente, pelo casal Irene (Glória Menezes) e Gonçalo, pais de Marcelo e avós de Lara. Irene se tornou a primeira aliada em defesa de Flora, acreditando em sua inocência e fazendo de tudo para reaproximá-la da neta. Ela sempre teve reservas em relação a Donatela, a quem julga ignorante e fútil. Gonçalo, por sua vez, sempre teve uma ótima relação com Donatela e não poupou esforços para afastar Flora de Lara. Um dos dois estava cometendo um erro terrível em defender a assassina do próprio filho. Pedro (Genésio de Barros), pai de Flora, também insiste em dizer que a própria filha é muito perigosa e nem um pouco confiável. A guerra declarada entre a mãe biológica e aquela que a criou deixa Lara abalada e confusa: ela, assim como Zé Bob e o público, não sabe em qual dessas diferentes versões de um mesmo assassinato acreditar.



Entretanto, embora ainda não houvesse uma vilã declarada, todas as evidências do roteiro apontavam Flora como uma mocinha injustiçada. O autor conduzia a trama justamente para que a cara de vítima da personagem conquistasse a confiança de quem assistia. Flora tinha um jeito simples, olhar sofrido, fala mansa e andar arrastado. Usava roupas discretas, sem nenhuma ostentação e até um pouco gastas. Como um anjinho, tinha os cabelos cacheados e loiros. Boa filha, amava e cuidava do pai, mesmo com Pedro a odiando e dizendo para que a filha não valia nada. Com uma história de vida sofrida, tinha uma postura de quem apenas queria se defender e tentar convencer a todos que pagou por um crime que não cometeu. Como não se sensibilizar com o drama de uma ex-presidiária, renegada pelo próprio pai, que tenta reconstruir a vida e luta para provar sua inocência e conseguir o amor da filha? Além disso, tinha como trilha sonora "É o que me interessa", de Lenine, uma música linda com um ritmo delicado e sensível.

Já Donatela era uma perua legítima. Metida e, por vezes, arrogante, vivia de nariz em pé e tinha um jeito exagerado de falar e gesticular. Usava um figurino tão espalhafatoso quanto ela: muito brilho, muita joia, muito luxo. Morena, cabelos sedosos e bem cuidados, pisa duro e parece estar pronta para passar por cima de quem atravessar seu caminho, mesmo que para isso tenha que usar de meios controversos. Dona de um gênio forte, tempestuosa, falastrona, vultosamente dramática, politicamente incorreta, de pavio curto, xinga, grita, briga, humilha. Uma dondoca fútil que se acha a dona do mundo, não faz questão nenhuma de trabalhar e adora comprar, gastar, ostentar e esbanjar dinheiro??? Não... Ela jamais poderia ser a mocinha da novela, nunca!

Dessa forma, Flora não se encaixaria de maneira nenhuma no papel de vilã da trama, mesmo quando passou a adotar estratégias tão desonestas quanto a rival para se vingar de Donatela (como convencendo Cilene e Dr. Salvatore a mudarem suas versões do assassinato de Marcelo na base da chantagem). Existe uma linha tênue entre justiça e vingança. Nada de surpreendente, portanto, que a certa altura ela achasse razoável se tornar tão cafajeste quanto a aparente vilã da história para provar sua inocência. Mas bastou um único capítulo para JEC desconstruir de maneira gradual tudo aquilo em que o público foi induzido a acreditar desde o início da novela.


Contrariando os clichês dramatúrgicos, onde a vilã é sempre a rica mimada e a mocinha a pobre batalhadora, o autor apresentou um capítulo recheado de tensão (sua principal característica) e o telespectador viu, após muitas semanas de mistério, a mulher humilde se revelar um demônio quando ficou cara a cara com sua rival, desencadeando novos entrechos e novos mistérios para a trama. Naquele momento, a novela tomava fôlego e caía definitivamente nas graças do público (uma vez que, devido ao início inovador e ao sucesso da tosca Os Mutantes, na Record, a trama enfrentava uma certa rejeição e o Ibope deixava a desejar), virando mania nacional.

A partir do capítulo 56, A Favorita virou outra novela. Ainda mais interessante e envolvente, com a derrocada de Donatela, que passa a ser perseguida por um crime que não cometeu, enquanto a vilã declarada consegue se infiltrar no clã dos Fontinis, dando-se início a um jogo de gato e rato. A partir daí, temos a chance de repararmos uma grande injustiça e finalmente torcer para a verdadeira mocinha da história conseguir provar sua inocência e desmascarar Flora.


Flora enganou a todos direitinho. Ela é uma psicopata clássica, pois por trás de seu jeito doce, carrega uma alma sombria e é capaz das maiores atrocidades. A grande questão é que A Favorita não é uma simples trama sobre a rivalidade entre duas mulheres. Ela é bem mais complexa e foi muito mais além do que isso. Flora amava Donatela. Um amor distorcido, doentio, às avessas. Mas não é um amor lésbico, de uma mulher por outra. Donatela é o motor da vida da Flora, o objetivo dela. Prova disso é que, quando descobre que a Donatela está viva, ela volta a ter a "razão" de viver, passando a persegui-la novamente. Donatela sabe que Flora foi uma menina que tinha medo do escuro e sofreu alucinações. Ela usa, nos últimos capítulos, essa tortura psicológica para assustar a vilã e faze-la confessar seus crimes. A Favorita não é apenas uma história policial, mas sim um drama psicológico. Se Donatela não fosse uma pessoa tão importante para a Flora, a vilã não iria fazer tudo para ficar com o rancho onde ela morava e com tudo o que foi dela. Teria fugido depois de ter ficado com todo o dinheiro dos Fontinis.

Patrícia Pillar, que já brilhava desde a estreia, mostrou sua capacidade cênica e fez de Flora uma das melhores vilãs da teledramaturgia, a partir da emblemática cena em que cai a máscara da víbora. E Cláudia Raia comprovou que sabe fazer drama com a mesma competência que faz comédia. Sua Donatela, que no início estava no comando, sofreu horrores e comoveu o público.


Um grande sucesso, A Favorita cativou a audiência e tornou a personagem de Patrícia Pillar um hit. Até hoje, Flora é uma referência de vilã. E ainda trouxe de volta ao imaginário popular a música Beijinho Doce, criação de Nhô Pai, que na novela era interpretada pela antiga dupla sertaneja Faísca e Espoleta. A música fez tanto sucesso que ganhou remixes na internet, com batidas pop, dance e funk, e a inclusão de frases e bordões marcantes de Flora. Não faltaram elogios ao ritmo alucinante que a trama apresentou, com ótimos ganchos e muitos acontecimentos em cada capítulo, não deixando-a como as famosas "barrigas" nunca.

A Favorita marcou a estreia de João Emanuel Carneiro no horário nobre e carimbou sua permanência no time de autores do primeiro escalão da Globo. Contendo cenas inesquecíveis de suspense (como o macabro assassinato de Gonçalo), várias viradas e uma trama central empolgante, a novela foi um sucesso de público e crítica, tendo em seu elenco grandes nomes como Glória Menezes, Mauro Mendonça, Mariana Ximenes, Ary Fontoura, Jackson Antunes, Murilo Benício e Lilia Cabral, que protagonizaram grandiosas sequências ao longo da trama.

Como eu disse certa vez nessa matéria AQUI, as tramas paralelas é o grande "calcanhar de aquiles" do JEC. Em A Favorita, não foi diferente, tanto é que foram cortadas da nossa edição sem grandes perdas para a história central. Entretanto, não posso deixar de mencionar uma subtrama muito interessante abordada na novela: a violência doméstica contra a mulher, missão dada e cumprida brilhantemente bem por Lilia Cabral, que conseguiu discutir um assunto difícil de ser abordado pela sua fragilidade - e a provável homossexualidade entre mulheres na relação de amizade de sua Catarina com Stela (Paula Burlamaqui). Jackson Antunes vivendo o marido machista Léo foi esplendoroso. Outro destaque foi o personagem Romildo Rosa (Milton Gonçalves), que interpreta um deputado corrupto envolvido no esquema de tráfico de armas. Fora todo embate ético, foi a primeira vez que uma família negra foi vivida numa novela das nove onde a temática do preconceito racial (ou social) não foi abordado como bandeira principal. Não que o racismo tenha acabado, longe disso. Mas, mostrar para o grande público que uma família negra possui outros conflitos inerente a origem racial foi algo inédito - e bem explorado.

Por tudo isso, considero A Favorita a melhor novela do JEC e, sim, bem melhor que Avenida Brasil (que também foi muito boa, é bom deixar claro isso). Desculpaê, Carminha!!!


A Favorita está sendo exibida (num compacto em 54 capítulos) atualmente na nossa página do facebook desde o início de maio e acaba de entrar em sua última semana. Você não pode perder! Clique bem AQUI para acompanhar.


domingo, 26 de junho de 2016

O Melhor e o Pior da Semana (19 à 25/5)




  O MELHOR DA SEMANA  



Novela das nove começa a andar e ganhar mais ritmo



É notório que Velho Chico está mais ágil. Ainda tem muito mais blá blá blá do que ação, é verdade, mas as tramas já começaram a ficar mais interessantes com o envolvimento incestuoso de Miguel (Gabriel Leone) com Olívia (Giullia Buscacio). Ao que indica, os dois são irmãos. Desde então, a novela vem entrando numa crescente com ganchos, embates e diálogos mais rápidos e perturbadores, com sequências primorosas brilhantemente interpretadas pelo elenco.

O esperado encontro de Miguel (Gabriel Leone) e Santo (Domingos Montagner) fez valer a espera, mesmo tendo sido uma "apresentação" entre quase sogro e quase genro, ao invés de pai e filho, uma vez que ambos ainda desconhecem o laço sanguíneo que os une. O encontro mesclou instantes tensos com desconfiança e aparente identificação imediata. Os atores convenceram em uma cena onde a contenção das emoções era fundamental para o seu êxito.

Domingos Montagner e Gabriel Leone são Santo e Miguel em Velho Chico (Foto: Inácio Moraes/Gshow e Caiuá Franco/Globo)

A indignação e a fúria de Bento com a aproximação de Miguel com sua família foram mostrados por um sempre brilhante Irandhir Santos. Giullia Buscacio vem surpreendendo (positivamente) e, como recompensa pelo seu excelente desempenho, está tendo mais importância ainda dentro de Velho Chico. Marcelo Serrado está cada vez mais soturno e mais ambíguo como Carlos Eduardo e o ator tem dado conta do recado de forma inteligente, dando uma nova cara ao deputado que tem tudo para assumir o papel de grande vilão da trama. Já Lucy Alves fez jus ao posto de maior revelação da novela e imprimiu com segurança todo o ódio que sua personagem Luzia sente dos Saruê, principalmente de Tereza (Camila Pitanga), pois sempre soube que o garoto é filho de seu marido com ela. A atriz, aliás, nem parece que está estreando nas novelas.


As brigas entre Luzia e Tereza são, até o momento, o ponto mais alto da trama. A Luzia tem um ar de louca desfreada e em alguns momentos é tão louca que dá vontade de rir dos seus rompantes. Ela chamando a Tereza de "cutruvia" e "rapariga" não deu para aguentar, não parava de rir. O embate dos rivais, o ciúme da mulher e do marido traídos, os amores impossíveis, enfim, todos os conflitos estão sendo bem construídos e, o melhor de tudo, com mais agilidade. 

Beto de Haja Coração



João Baldasserini está hilário fazendo o publicitário Beto em Haja Coração. Nem parece o mesmo ator que fez dois personagens dramáticos nos últimos tempos. Ele nasceu para fazer rir! As cenas dele com a Mariana Ximenes estão maravilhosas. Os dois tem química e isso ainda destacou a Tancinha, que estava precisando. Beto já ganhou a minha torcida pelo coração da feirante. Até porque aquele Apolo (Malvino Salvador robótico) é um chato grosseirão, viu...

As cenas de Dionísia e Terenciano na novela das onze



As cenas do Jackson Antunes com a Maitê Proença foram todas bem tensas e pesadas em Liberdade Liberdade. As torturas sádicas que Terenciano submetia a mulher passar eram assustadoras. Ele tem uma paixão doentia pela Dionísia. Sempre a espancou e volta como se nada tivesse acontecido, querendo a "família" de volta. Mesmo ela não sendo flor que se cheire e seja tão cruel quanto o marido com os escravos, dava dó da Dionísia. Terrivelmente sensacional a cena da Dionísia enterrando o Terenciano vivo na parede. Será que ele morreu mesmo?

Nova reviravolta na novela das seis


Que Eta Mundo Bom está sempre se reinventando, isso ninguém pode negar. A novela chegou a uma fase em que não dá para perder nenhum capítulo. A trama está cada dia mais envolvente com muita ação, reviravoltas e vários ganchos. Essa última semana foi de tirar o fôlego. 


Finalmente, ganhou função na trama o núcleo (até então, adormecido) da madrasta má Ilde (Guilhermina Guinle) e o enteado cadeirante Claudinho (Xande Valois). Ela foi desmascarada e o garoto pode voltar a andar se fizer uma operação. A parceria entre Sandra (Flávia Alessandra) e o advogado Araújo (Flávio Tolezani) fez diferença nos últimos capítulos por causa da química dos atores. Anastácia (Eliane Giardini) saiu de sua zona de conforto com o golpe que Sandra, com a ajuda de Araújo, lhe deu, roubando toda a sua fortuna e lhe expulsando da mansão.

Enquanto isso, o núcleo da fazenda continua divertindo. Cunegundes (Elizabeth Savalla) humanizou-se com a chegada do netinho e vive disputando-o com a mãe, Dita (Jeniffer Nascimento). Eponina (Rosi Campos) conseguiu casar, mas ainda continua "pura" e está fazendo de tudo para conseguir fazer o "cegonho" do marido Pandolfo (Marco Nanini) "voar", o que tem rendido situações pra lá de hilárias. Assim como Pancrácio (Marco Nanini) com seus tipos fantasiados pedindo dinheiro na rua. Na semana que passou, o ator arrancou ainda mais risadas como uma inusitada bailarina e acabou sendo preso e desmascarado diante Anastácia.

Eponina e Pandolfo em "Êta mundo bom!"

As tramas estão fluindo bem. Apesar de absurda a forma como Sandra deu o golpe na tia (se Araújo precisava de dinheiro para realizar a operação do filho, porque não pediu emprestado para Anastácia ao invés de dar um golpe nela?!), Eta Mundo Bom conseguiu se reinventar e ficou ainda mais atrativa. Incrível como Walcyr Carrasco tem assunto para uma novela.


  O PIOR DA SEMANA  



As doideras envolvendo Camila




Camila (Agatha Moreira) é uma moça mimada, malvada, chata e está envolvida em um crime que levou Giovanni (Jayme Matarazzo) para a cadeia. Uma dia, ela sofre um acidente, perde a memória e se transforma completamente em outra pessoa. Não que eu esteja cobrando coerência de uma novela que se passa em 2016 e que traz um subúrbio estereotipado direto dos anos 70. Nem que essa perda de memória da Camila seja digna do mais criticado dramalhão mexicano, porque ela virou uma mocinha meiga, boazinha, engajada e ainda se apaixonou pelo Giovanni (e vice-versa). Vamos para a parte mais tosca da personagem. Fedora (Tatá Werneck) está sendo enganada por Leozinho (Gabriel Godoy), um bandido que se finge de milionário para dar o golpe do baú nela. Acontece que Camila em sua encarnação anterior chegou a ver esse sujeito sendo preso pela polícia. E isso ficou tão gravado em sua cabeça como os memes da Inês Brasil na minha que quando ela o viu novamente em sua fase desmemoriada fez a mesma cara que a Raven sempre faz quando prevê o futuro. Só que Camila viu o passado do cara e conseguiu, PASMEM!, enxergar até a ficha criminal de Leozinho. As visões da Rav... Digo, as visões da Camila! O.o Oi?! Foi isso mesmo, produção?! A Camila conseguiu relembrar e ter uma visão que o Leozinho é um bandido ao apertar a mão dele?! Márcia Fernandes, venha cá, só você pode nos ajudar... Ela é desmemoriada ou sensitiva?!

Muito intervalo e pouca prova no MasterChef



Agora com poucos participantes, o MasterChef usa e abusa dos intervalos comerciais para fazer o programa render. O que torna o programa ainda mais massante. Não era melhor colocar mais provas em vez das duas de praxe? Com menos gente, há de se ter criatividade!

Lengalenga do sumiço de Ciça



Ciça (Julia Konrad) está fora de Malhação desde o dia 24 de maio e a novelinha teen gira em torno do seu sumiço. Os personagens passam dias falando que ela não deixaria o filho com Samurai (Felipe Titto), se ela viajou mesmo para fora do país abandonando o próprio filho, se ela tá viva, se o Samurai não a matou, se ela não tá sendo mantida em cárcere privado por ele, mas nada anda. É o mesmo assunto há mais de um mês. Quem ainda aguenta essa temporada?!

Chá de sumiço do Raposo



Já faz umas três semanas em Liberdade Liberdade que eu nunca mais vi o Dalton Vigh. Na história, seu personagem viajou para o Rio de Janeiro. Só que essa viagem do Raposo não teve função alguma no roteiro. Esse sumiço do personagem está muito estranho e sem sentido. O Dalton Vigh deve ter tido algum problema de saúde, só pode. TRAGAM O RAPOSO DE VOLTA!!!

Terra se abrindo na novela bíblica da Record


Foi ao ar nessa terça-feira (21) o capítulo mais aguardado da segunda temporada de Os Dez Mandamentos: a abertura da terra. Se a demora para a cena acontecer e os (toscos) efeitos especiais já incomodaram e foram de pura vergonha alheia na primeira temporada quando o mar se abriu, ver a terra se abrindo foi ainda pior. Bom, o capítulo começou às 20h40, mas o momento mais aguardado se deu só nos momentos finais, lá por volta das 21h30. Até lá, dá-lhe paciência para suportar tanta conversa fiada e intervalos comerciais. Aquela enrolação típica da Record. Quando finalmente começou, me bateu uma saudade de Os Mutantes, viu...


Corá e seu grupo de rebeldes seguiam desafiando Moisés e desafiando o poder de Deus, que se cansa de tanto mimimi e decide mostrar pra todo mundo quem é que manda. O chão começa a tremer e os hebreus correm apavorados. Um "furacão" de fogo feito provavelmente pelo Movie Maker surge em uma tenda. Vendaval, areia voando, tornado de fogo... Mas a roupa do Corá seguia branquinha, branquinha, toda limpinha. Sabão em pó poderoso esse, viu... Até que a terra, finalmente, começa a se abrir. Figurantes começam a cair e se jogam como se aquilo fosse uma piscina. Quer dizer, caíram onde se não havia profundidade?! Onde havia, estava escuro e falso. Em alguns momentos, parecia era que o pessoal estava sendo engolido por uma areia movediça.

Como tudo que está ruim pode piorar, o que dizer daqueles closes constantes nos rostos dos atores? Só serviu para intensificar a canastrice do elenco. Justiça seja feita, Vitor Hugo (sempre brilhante como Corá desde o início) segurou muito bem a onda e não desbancou para as caras e bocas desenfreadas. Pena, porém, que não teve um final à altura. Poxa, ele era o grande vilão da trama, merecia um desfecho com mais impacto. Um desperdício matar os casais e nem sequer um olhar, um adeus, uma expressão, nada. Os exagerados enquadramentos na cara dos atores foram inúteis. Ao todo, morreram 250 pessoas. Algumas cenas das quedas foram tão repetidas e demoradas que acabaram cansando. Faltou criatividade na hora de dirigir as cenas. A sequência toda durou uns cinco minutos e foi exibida em câmera lenta e com aquele fundo instrumental ensurdecedor que acabaram tirando um pouco da emoção e do clima de tensão. Poderia ter rolado alguns diálogos ou gritos. Dariam mais realismo e emoção para a cena.

Me desculpem, mas quem achou aquilo tudo real BATA NA SUA CARA ANTES QUE EU BATA! Ficou evidente os erros de continuidade e os efeitos especiais precários, seguindo um péssimo padrão de filmagem num set limitado com atores (em sua grande maioria) tão limitados quanto. Quero nem ver como vai ser quando destruírem os muros de Jericó em A Terra Prometida...

Cobertura de Sonia Abrão sobre o Power Couple Brasil



Sonia Abrão já é famosa pela cobertura dos realities shows no A Tarde É Sua. Quem não se lembra da torcida da jornalista por Alemão e Siri no BBB7? No ano passado, ela fez uma ampla cobertura sobre a oitava edição de A Fazenda, defendendo a "injustiçada" Mara Maravilha com unhas e dentes; assim como também declarou toda a sua repulsa pela Ana Paula no BBB16. Porém, neste ano, Sonia Abrão derrapou (e feio) nas análises do Power Couple Brasil. Misturou o lado pessoal com o profissional. E isso é algo gravíssimo. Ainda mais em rede nacional.

Durante as primeiras semanas do reality de casais, Sonia afirmou categoricamente que não gostaria de fazer uma extensa cobertura da atração por ser amiga íntima de duas das participantes (Gretchen e Simony), o que seria "antiético" (palavras da própria Sonia), e enfatizou que não acompanhava com afinco o programa. Entretanto, diante da ampla repercussão negativa sofrida pelas duas, o jogo virou. A Tarde É Sua começou a dar mais espaço para o Power Couple Brasil. E Sonia transformou-se em baluarte da defesa das duas.

Nesta semana, após a vitória avassaladora de Laura e Jorge (merecidamente, leia AQUI), a apresentadora da RedeTV! demonstrou irritação exacerbada, principalmente com Conrado e Andreia Sorvetão. O cantor falou sobre a influência de Simony nas análises negativas proferidas no A Tarde É Sua sobre o casal. A roda da fofoca, então, virou espaço para debater assunto pessoal. Sonia Abrão falou que Conrado e Andreia formam o "casal falsidade" e falam mal pelas costas dela própria e até da madrinha (deu a entender que falava sobre Xuxa Meneghel).

Sorvetão não é bem quista pela direção da RedeTV!. É bom lembrar que ela foi uma das primeiras contratadas da emissora, posteriormente demitida e, desse modo, a loira falou mal do canal em entrevistas. Diante da política da empresa, estes profissionais não podem ser citados nominalmente. Daí, Sonia Abrão chama pejorativamente Andreia de "picolé" em seu discurso bufado: "Nem isso ela merece de consideração da nossa emissora", disparou com sarcasmo. Abrão falou que "a picolé deve deixar de ser mulher capacho e aprender a ser gente". Isso mesmo, leitores... E logo no início, Sonia havia elogiado uma frase dita pelo Michel Temer: "Eu não falo para baixo". A ideia era seguir esse mantra, mas não foi o que ocorreu...

Felipeh Campos, aquele ex-peão de A Fazenda 7, que teve uma das piores participações de todos os realities exibidos no Brasil, serviu de escada para a apresentadora. Rasgou elogios para Simony, teceu elogios para a perfomance de Gretchen e resolveu também detonar Sorvetão, colega de confinamento do reality da Record. Chamou-a de baixa, superficial e falsa. Vai vendo! Depois, relembrou que também chamou-a de "bagulho" na Fazenda. E o telespectador vendo Felipeh rechonchudo (para ser bonzinho) na tela criticando o corpo dos outros. Ele ainda falou que Andreia jogou baixo na Fazenda e quis montar um complô contra ele. Coitado, né gente... Ele teve um desempenho tão "positivo" e "maravilhoso" no jogo, quando humilhava a Pepe e Neném e usava de comentários ofensivos e preconceituosos para se referir a dupla, não é mesmo?

Na roda da fofoca, também estava Kaká da Band FM e que também detonava Sorvetão e apoiava Simony: "Quem nasceu para ser picolé, nunca vai ser Letícia Spiller". Constrangedor!

Sonia discordou do resultado final com mais de 80% de preferência por Laura e Jorge. "O público conhece a história da Simony. O público sempre gostou dela", defendeu. Minha querida, o telespectador avaliou o que se passou DENTRO da mansão e não o passado de cada um. E sobrou até para Roberto Justus. Abrão acredita que o apresentador é sócio do programa e, desse modo, poderia aumentar o valor do prêmio final. "O Justus é rico. Enfia a mão no bolso". E ainda aconselhou Conrado e Andreia a serem menos falsos e parar de falar mal pelas costas "antes que a Sorvetão derreta", completando: "Foi uma vitória para a Simony e não uma derrota".

Como a própria Sonia Abrão falou sobre formador de opinião na sociedade contemporânea, o telespectador não é bobo. Tenho o maior respeito pela Sonia como crítica de TV, mas desta vez ela se queimou, sem a menor necessidade, com o público. É evidente a relação pessoal da apresentadora com Simony. Não ocorreu a imparcialidade jornalística. Simony e Gretchen ampliaram o índice de rejeição. É notório isso. Ela deveria abster-se de emitir qualquer comentário sobre o desenvolvimento do reality devido a essa proximidade. Ficou feio.


Visite a nossa fan page para assistir A Favorita, que está sendo exibida de segunda à sábado, sempre ao meio dia. Clique na foto para ver os capítulos:



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