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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

As Melhores e Piores Atrizes em 2016



Chega o final do ano e vem aquele tempo gostoso em que a gente faz uma retrospectiva de tudo o que passou e promete voltar para academia, parar de ser trouxa e tantas outras promessas que não vamos conseguir cumprir. Pensando nisso, a partir de hoje, começa aqui no blog as matérias de retrospectiva onde listarei o que amei e o que odiei no ano na nossa TV, começando pelas atuações femininas. Confira!

   AS MELHORES ATRIZES NA TV EM 2016   



20º lugar: Miriam Freeland — A Terra Prometida ousou e acertou ao trazer para o centro de uma história bíblica uma prostituta, Raabe, que roubou a cena e virou o grande destaque. A personagem é forte, tem o melhor enredo e virou a mocinha moral da história (já que Aruna/Thaís Melchior é insossa demais).

19º lugar: Marina Ruy Barbosa — A história da menina pobre que sobe na vida não é novidade alguma, mas foi exatamente nesse mote batido e, principalmente, na atuação segura de Marina (que é, sem dúvidas, uma das melhores atrizes jovens da nova geração) que Totalmente Demais teve o seu trunfo maior. Além da Elisa, a atriz ainda fez uma participação (pra lá de visceral) como Isabela na série Justiça.

18º lugar: Grace Gianoukas — Figura rara nas novelas e na própria televisão, pois sempre se dedicou mais ao teatro, e dona de uma interpretação bastante peculiar e exagerada, Grace se destacou do início ao fim em Haja Coração e protagonizou os momentos mais hilários da trama na pele da arrogante Teodora.

17º lugar: Carol Castro — Carol pareceu de um jeito surpreendente em Velho Chico. Diferente de tudo que já fez, ela não só esbanjou boa forma em cenas de nudez e interpretou com bastante emoção Iolanda na primeira fase da trama, como cantou e encantou Afrânio (Rodrigo Santoro) e todo o público.

16º lugar: Fernanda Vasconcellos — Apesar das incoerências e do fraco desenvolvimento do roteiro que envolvia o triângulo Camila-Giovanni-Bruna em Haja Coração, à medida que ia crescendo na trama, Fernanda impressionou pela versatilidade vivendo uma vilã psicopata após várias mocinhas seguidas.


15º lugar: Andreia Horta — Apesar de ter sido prejudicada pela trajetória irregular da sua personagem, a Rosa/Joaquina, Andreia honrou com maestria o protagonismo de Liberdade Liberdade, esbanjando química com Bruno Ferrari e protagonizando ótimas cenas com Lília Cabral e Mateus Solano.

14º lugar: Fabiula Nascimento — Com uma interpretação grandiosa como a forte Eulália, foi um dos maiores destaques da primeira fase de Velho Chico. Emoção pura a cada cena, a cada fala, a cada olhar.

13º lugar: Elizabeth Savala — Ela foi muito criticada inicialmente pelo excesso de exagero, mas uma atriz do quilate da Elizabeth sabe como poucas driblar críticas e se manter digna a um trabalho. Não deu nem um mês e o tom acima da Cunegundes acabou virando a marca registrada da personagem e lhe deu um charme peculiar, o que lhe transformou num dos tipos mais queridos de Eta Mundo Bom, mesmo sendo uma espécie de vilã interesseira. Hilário os momentos em que ela gritava "O meu nome é CU-ne-gun-des".

12º lugar: Camila Pitanga — A vida da atriz não foi nada fácil em 2015. Protagonista da horrenda Babilônia, a atriz foi rejeitada (com razão) por causa da Regina (que ganhou, inclusive, a categoria de "Chatonilda do Ano" na nossa premiação anual). Com Maria Tereza, de Velho Chico, porém, a atriz fez as pazes com o público e deu a volta por cima, protagonizando momentos de enorme carga dramática.

11º lugar: Bruna Marquezine — Dando vida à Beatriz, uma dançarina de boate alçada à fama como estrela de telenovela, em Nada Será Como Antes, Bruna esbanjou sensualidade, mas, principalmente, talento, mostrando uma grande evolução na carreira e maturidade ao optar pela sutileza em cena, ao invés de muitos tons acima. Assim como Marina, também é uma das melhores atrizes da nova geração.


10º lugar: Deborah Evelyn — Ela entrou em A Regra do Jogo no finalzinho de dezembro de 2015 e roubou as atenções para si por sua eficiência com uma personagem cheia de dramas e segredos. Deborah só protagonizou sequências difíceis e densas. Não houve cena alguma mais ou menos. Toda vez em que Kiki surgia, mudava os rumos da novela. Não é a toa que a própria Deborah confessou que esse era seu papel mais difícil que já interpretou na TV. E foi. Me arrisco a dizer que é o melhor da sua carreira.

09º lugar: Thaís Fersoza — Deliciosamente diabólica no papel da vilã-mor de Escrava Mãe e com um tom frio e debochado, Thaís exorcizou de vez a fama de boa moça vivendo a terrível Maria Isabel.

08º lugar: Patrícia Pillar — Patrícia é uma das melhores atrizes do país e tem um domínio cênico invejável. Isabel, sedutora e cruel mulher de Ligações Perigosas que tinha o prazer em enganar e manipular as pessoas, foi a sua quarta vilã seguida e, por mais incrível que possa parecer, ela conseguiu diferenciá-la das três anteriores que viveu (a psicopata Flora, em A Favorita, sua personagem mais marcante; seguida da arrogante Constância de Lado A Lado e da fria Angela Mahler de O Rebu). Trabalho impecável!

07º lugar: Marjorie Estiano — A autora Manuela Dias contou com o talento de Marjorie esse ano em duas ocasiões: quando lhe deu a religiosa Mariana na microssérie Ligações Perigosas e depois em Justiça, onde viveu Beatriz, uma bailarina que fica paraplégica e prefere a eutanásia. Ambas as personagens foram bem fortes e dramáticas e Marjorie impactou pelo realismo de sua interpretação nos dois momentos.

06º lugar: Leandra Leal — A atriz se apropriou da cafetina Kellen (um verdadeiro furacão em forma de mulher) de forma impressionante e, inclusive, das expressões pernambucanas, soando como uma recifense nata, sem exageros e caricatura. Leandra merecia uma Kellen faz tempo. Estigmatizada por quase sempre viver aquelas mocinhas choronas politicamente corretas, sua personagem em Justiça foi um divisor de águas na carreira de Leandra Leal, conseguindo ser má, divertida e sexy, tudo ao mesmo tempo.


05º lugar: Nathalia Dill — Nathalia brilhou absoluta como a vilã Branca, que, em meio ao clima soturno e violento de Liberdade Liberdade, foi responsável pelos momentos mais cômicos (ou tragicômicos). A atriz apostou num sotaque mineiro carregado que acabou divertindo e deu o tom perfeito para a exagerada e voluntariosa vilã, cuja loucura e impropérios foram sendo explorados gradativamente.

04º lugar: Débora Bloch — Protagonista da história mais pesada e impactante da série Justiça, Débora Bloch desempenhou brilhantemente bem todo o dilema moral de sua Elisa. Como pode a mãe se envolver com o assassino da filha? Essa pergunta foi proferida com um tom de indignação por qualquer telespectador; porém, a atriz é tão talentosa que conseguiu dar credibilidade a esse controverso sentimento e sua obsessão em vingar a filha, Isabela (Marina Ruy Barbosa), morta por Vicente (Jesuíta Barbosa). Toda essa história foi muito bem estruturada por Manuela Dias e Débora conseguiu aproveitar todas as oportunidades desse rico enredo para brilhar, em um grau de entrega impressionante.

03º lugar: Adriana Esteves — A saga de Fátima, a humilde empregada doméstica pernambucana que foi presa injustamente por sete anos e só queria reerguer sua vida ao lado dos filhos, comoveu os telespectadores que assistiram Justiça sem precisar necessariamente do famigerado tema "Hallelujah" e foi, sem dúvidas, a melhor história da trama. Principalmente, porque Fátima fez justiça ao talento de Adriana Esteves. Um papel digno de quem conquistou todo o público com a maldosa, porém, querida Carminha, de Avenida Brasil; e a melhor forma de fazer a atriz se desvencilhar da grande vilã com uma mocinha convincente que despertou a torcida do público, algo raro para as heroínas de hoje em dia.

02º lugar: Lucy Alves — É pouco comum ver atores estreantes em novelas com um papel de destaque, principalmente aqueles capazes de movimentar a história como um todo. Lucy Alves fugiu à regra e, mesmo com um papel difícil, driblou todas as desconfianças e conseguiu ser melhor do que muita atriz veterena em Velho Chico por sua interpretação visceral da, não menos visceral, Luzia. Ora louca, ora passional, nos acostumamos a amar a Luzia e até perdoar algumas maldadezinhas que ela fez no decorrer da novela. Dona de frases de efeito e bordões, como as expressões "catraia" e "cutruvia", que caíram na boca do povo, dispensou caras e bocas e atuou com naturalidade. Maior revelação da TV dos últimos anos, Lucy é um grande talento que a Globo descobriu, lapidou e certamente saberá usar em produções futuras.

01º lugar: Selma Egrei — Presente em todas as fases da trama, a personagem de Selma tinha tudo para virar uma espécie de caricatura, uma bruxa rancorosa de desenho animado. Entretanto, a atuação impecável da atriz e o excelente texto fizeram da centenária Encarnação uma das personagens mais interessantes, complexas e cativantes de Velho Chico. Fico imaginando o que seria da novela sem os seus tremiliques e suas frases de efeitos. Claro que a Encarnação teve toda aquela perfeita e pesada maquiagem de envelhecimento que ajudou na construção da centenária, mas sem o talento da Selma Egrei, de nada adiantaria, conseguindo imprimir em sua personagem todo o rancor e firmeza que ela precisava, ao mesmo tempo garantindo que ela esboçasse muita humanidade. É digna de Oscar! Ou de Emmy (#FicaADica)...

Menções Honrosas: Lilia Cabral (Liberdade Liberdade), Giullia Buscacio (Velho Chico), Zezita Matos (Velho Chico), Mariene de Castro (Velho Chico), Luci Pereira (Velho Chico), Julia Dalavia (Velho Chico e Justiça), Cyria Coentro (Velho Chico), Juliana Paes (Totalmente Demais), Viviane Pasmanter (Totalmente Demais), Juliana Paiva (Totalmente Demais), Giovanna Rispoli (Totalmente Demais), Sabrina Petraglia (Haja Coração), Chandelly Braz (Haja Coração), Ellen Roche (Haja Coração), Cristina Pereira (Haja Coração), Flávia Alessandra (Eta Mundo Bom), Camila Queiroz (Eta Mundo Bom), Eliane Giardini (Eta Mundo Bom), Bianca Bin (Eta Mundo Bom), Rosi Campos (Eta Mundo Bom), Amanda de Godoi Bárbara França (Malhação - Pro Dia Nascer Feliz), Larissa Manoela (Cúmplices de um Resgate), Lidi Lisboa (Escrava Mãe), Jussara Freire (Escrava Mãe), Juliana Silveira (A Terra Prometida), Camila Márdila (Justiça), Luisa Arraes (Justiça), Cássia Kis e Débora Falabella (Nada Será Como Antes), Jéssica Ellen (Justiça), Drica Moraes (Justiça) e Taís Araújo (Mister Brau).

      AS PIORES ATRIZES NA TV EM 2016      



05º lugar: Priscila Steinman — Foi muito bizarro a volta da Sofia à trama de Totalmente Demais. A novela, que tinha um estilo leve de conto de fadas moderno, acabou descaracterizada com a volta da personagem e a revelação de que ela era uma psicopata incontrolável. Se a atriz que a interpretou ainda fosse boa, seria mais fácil de digerir, mas nem isso aconteceu. Nos instantes em que a vilã dissimulava ser bondosa e desmemoriada para a família, por exemplo, Priscila atingia doses altíssimas de canastrice.

04º lugar: Daniela Escobar — A Garota da Moto, apesar da boa iniciativa do SBT em sair da mesmice e investir em novos conteúdos, foi uma série difícil de engolir. E um dos principais motivos foi a atuação de Daniela, cuja vilã Bernarda, de tão maniqueísta, parecia saída de uma novela mexicana ruim dos anos 80. Esqueci de colocá-la para votação como "Pior Atriz" na nossa premiação, então aqui fica o registro.

03º lugar: Giovanna Grigio — Saindo de Chiquititas, onde fez sucesso com a protagonista Mili, e caindo direto numa novela global em um papel relativamente importante, a jovem e inexperiente atriz não fez jus à sorte grande que teve e foi infeliz na interpretação de Gerusa, garota doente mais inexpressiva das novelas, em Eta Mundo Bom. Uma pena que o Walcyr só decidiu matá-la perto de acabar a novela.

02º lugar: Luiza Brunet — Em sua participação especial em Velho Chico como Madá, dona de um bordel, Luiza apareceu com uma peruca bem da esquisita que mirou na Marilyn Monroe, mas acertou em cheio na drag queen Salete Campari. A questão maior, porém, foi o sotaque nordestino que Luiza teve de fazer. Estava totalmente estranho, forçado e com uma entonação que, por vezes, lembrava a voz de uma criança. Bizarro. Agora entendo porque sua carreira como atriz nunca decolou: ela não nasceu para isso!

01º lugar: Débora Nascimento — Além do sotaque interiorano artificial demais (que acabou sumindo), Filomena (que já pode ser considerada uma das piores mocinhas de todos os tempos) era extremamente cansativa e insuportável. Pra piorar, não teve química alguma com Candinho, que só não foi prejudicado pela fraqueza da intérprete de Filó porque Sérgio Guinzé estava muitíssimo bem no papel. Em certos momentos, ficou esquecida e sem função alguma em Eta Mundo Bom. Não deu outra: foi ofuscada pelo brilho da Bianca Bin e a Maria acabou virando a mocinha oficial da história! Débora não aguentou o rojão de ser protagonista e ainda precisa se esforçar muito antes de protagonizar uma próxima trama.

Menções Nada Honrosas: Adriana Birolli (Totalmente Demais), Guilhermina Guinle (Eta Mundo Bom), Yara Charry (Velho Chico), Maria Pinna (Cúmplices de Resgate) e Carol Nakamura (Sol Nascente).


Obviamente, a lista é baseada unicamente na opinião desse humilde redator que vos escreve. Portanto, está sujeita a injustiças e esquecimentos. Cabe a cada um dos leitores concordar ou não, dar a sua opinião, completar a lista, me esculhambar nos comentários...


quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

"Nada Será Como Antes" e "Supermax": duas promessas, duas decepções



Deve ser a primeira vez que isso aconteceu: não há comédias dentre as produções de séries em exibição na Globo. Até semana passada, haviam dois produtos do gênero em cartaz, todos nas noites de terça-feira: Nada Será Como Antes, um drama, e Supermax, de terror/suspense. Duas boas experimentações na grade da emissora para sair da mesmice que estrearam repletas de expectativa. A primeira, porque iria suceder a ótima minissérie Justiça, sucesso de público e de crítica; e a segunda porque seria a primeira empreitada da Globo no universo do terror. Porém, infelizmente, ambas se revelaram duas grandes decepções.

Nada Será Como Antes tinha como ponto de partida abordar uma visão ficcional do início da televisão no Brasil. Os bastidores da TV seriam um prato cheio para um produto de alta qualidade. E foi isso que se viu nos episódios iniciais. Ao mostrar o início da televisão no Brasil por meio da fictícia TV Guanabara, a série mostrou também a telenovela como um produto que arrebata o público e se torna uma paixão nacional. Neste contexto, o drama água-com-açúcar vivido por Saulo e Verônica se confundiu com o mais básico folhetim e a série assumiu-se como uma grande homenagem ao seu próprio veículo; além de ter brincado com os estereótipos típicos do gênero (a atriz veterana que tem ataques de estrelismo, a gostosona que faz teste do sofá e só consegue um papel na novela porque namora o patrocinador, o galã gay enrustido que cria namoro de mentirinha com mulher só para disfarçar, a pressão por audiência nos bastidores, etc).

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Porém, relegando toda a história do início da televisão no Brasil como mero pano de fundo, a série acabou se transformando em um drama amoroso qualquer. Os conflitos dos personagens ofuscaram o contexto histórico, fazendo com que Nada Será Como Antes perdesse o sentido de existir. Apesar da produção caprichada, ótima direção e do elenco afinado, com destaque para Murilo Benício, Daniel de Oliveira, Bruna Marquezine, Letícia Colin, Cássia Kiss, Osmar Prado, Jesuíta Barbosa e especialmente Debora Falabella, a história se mostrou cansativa e desinteressante. A série só conseguiu alguma repercussão com a exibição de duas cenas de sexo da personagem de Bruna. Mas nem isso foi suficiente para atrair o público. Outro erro que prejudicou o andamento da série foi a exibição semanal, quebrando consideravelmente o ritmo da história. Funcionaria melhor se ela tivesse sido apresentada diariamente, como uma minissérie.

Supermax partiu com uma premissa das mais interessantes: confinados num presídio de segurança máxima para participarem de um reality show, 12 pessoas acabam abandonadas no local, onde coisas estranhas e sobrenaturais começam a acontecer. Misturando as mais variadas referências em seriados e filmes internacionais, Supermax atirou em todas as direções... E acabou não acertando ninguém!

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De cara, a linguagem do reality e a presença de Pedro Bial jogaram sobre a trama um inconveniente ar de paródia do BBB. Já na segunda semana, porém, todos que viram em Supermax um programa interessante sobre um reality show macabro, são frustrados quando as já poucas características de um programa do tipo são abandonas para darem lugar ao terror e ao horror (gêneros que se mantém mais presentes durante o curso da temporada). A direção tomou a decisão de dar informações gradativamente sobre os personagens em doses extremamente homeopáticas. O texto duvidoso (que apelou para todos os maiores clichês textuais do gênero), a falta de aprofundamento nos personagens (cujas histórias foram tão mal exploradas que não dava para se gerar empatia por eles), o excesso de referências mal situadas, o abandono de premissas e a canastrice de grande parte do elenco foram fundamentais para o desinteresse do público.

Além disso, a distribuição da ação e da divagação geraram uma sensação de tédio. A grande virada que a trama sofreu foi somente no episódio 10 (explodindo nos dois últimos com toda a história do Baal), o que acabou salvando a série de muitos dos problemas que ela apresentou no decorrer de sua trajetória. Mas já era tarde demais. A ousadia e pioneirismo de Supermax, infelizmente, não foram recompensados como se esperava. Foi, sem dúvida, uma grande ideia, perdida nos equívocos gerados por uma grande euforia.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

As justiças, injustiças, vencedores e esquecidos do Melhores do Ano



Final de ano, amigo secreto, chefe tentando bancar o amigão e muito, mas muito constrangimento. Tudo isso marca o final de ano do brasileiro, não é mesmo? Claro que não, pois falta incluir a tradicionalíssima vinheta de fim de ano da Globo, especial de natal do Roberto Carlos e, claro, a premiação dos Melhores do Ano no Domingão do Faustão. Ok que o prêmio só é o mais importante da TV brasileira na cabeça do Faustão e nada mais é que uma grande festa da firma que só premia os melhores da emissora, mas vamos ver quem ganhou o quê e o que esse redator achou do prêmio realizado ontem (18)? Claro que sim!

CATEGORIA: Melhor Comédia
QUEM MERECIA: Dani Calabresa ou Welder Rodrigues
QUEM VENCEU: Dani Calabresa
O QUE ACHEI: Não foi dessa vez que o Marcelo Adnet conseguiu ganhar o prêmio desde que saiu da MTV e foi pra Globo… Mas não desista! Tente fazer um programa que seja o completo oposto do Dentista Mascarado e do Adnight (ou seja, realmente divertido), valeu! Embora Welder Rodrigues no Jardim Urgente do Tá no Ar seja fantástico, merecida a vitória da Dani. Sua Catifunda na Escolinha é hilária. Sem falar também que pra aguentar todos os chifres do maridão esse ano, tem que lucrar com alguma coisa, né?

CATEGORIA: Melhor Ator/Atriz Mirim
QUEM MERECIA: JP ou Gabriel Palhares
QUEM VENCEU: JP Rufino (Pirulito de Eta Mundo Bom)
O QUE ACHEI: Mel Maia só fez DOIS capítulos de Liberdade Liberdade e foi indicada? Tá, né... Enquanto isso, Giovanna Rispoli (a ótima Jojô de Totalmente Demais) e Tobias (que protagonizou cenas emocionantes com a Rainha Adriana Esteves em Justiça) nem foram indicados.





CATEGORIA: Melhor Cantor
QUEM MERECIA: Wesley Safadão (embora não curta muito, o ano foi dele)
QUEM VENCEU: Luan Santana (de novo!)
O QUE ACHEI: Sabe quando o Luan Santana vai deixar de ganhar o prêmio? Quando ele não for indicado! Por mim, deveriam criar uma categoria só pra ele e outra pra premiar os outros cantores.

CATEGORIA: Ator Revelação
QUEM MERECIA: João Baldasserini (apesar dele já não ser mais revelação coisa nenhuma)
QUEM VENCEU: Lucas Lucco (pelo Uódson da Malhação)
O QUE ACHEI: Lucas Lucco esperto. Saiu da categoria Melhor Cantor porque sabe que o Luan sempre vence e foi pras categorias de novela pra ver se consegue algum prêmio. De qualquer forma, chega a ser uma piada a vitória dele ao invés do João Baldasserini ou do Lucas Veloso. Mas piada ainda que não tenham nem indicado o Lee Taylor pelo trabalho incrível que fez em Velho Chico.
CATEGORIA: Jornalismo
QUEM MERECIA: Roberto Cabrini... Ops, esqueci que ele não é da panelinha global.
QUEM VENCEU: Sandra Annenberg
O QUE ACHEI: Tem como não amar a Sandra? Não, não tem! Ponto.











CATEGORIA: Atriz revelação
QUEM MERECIA: Lucy Alves
QUEM VENCEU: Lucy Alves
O QUE ACHEI: Não tinha como ser outra pessoa, né... Ia até pegar mal se ela não vencesse. A Lucy foi magnífica como Luzia. Melhor do que muito veterano.
CATEGORIA: Melhor Cantora
QUEM MERECIA: Anitta (você pode não gostar, mas o ano foi dela — Bang e Olimpíadas que não me deixam mentir)
QUEM VENCEU: Anitta
O QUE ACHEI: Em tempos de crise, mandar uma equipe até Aspen para colocar Ivete Sangalo ao vivo no Faustão é pura ostentação. Globo tá podendo... Ou melhor, Ivete tá podendo! Aliás, Veveta concorrer a Melhor Cantora é o mesmo que Silvio Santos concorrer a Melhor apresentador. Deveria ser Hors concours.
CATEGORIA: Melhor Ator Coadjuvante
QUEM MERECIA: Marco Ricca
QUEM VENCEU: Gabriel Leone
O QUE ACHEI: Anderson Di Rizzi repetindo sempre os mesmos trejeitos não devia nem tá aí, linda! Gabriel Leone deu show em Velho Chico, mas o Marco Ricca era o merecedor desse troféu. O Mão de Luva não foi pra qualquer um. De qualquer forma, o Troféu Melhor Resposta foi dele. "O que você aprendeu com Liberdade, Liberdade?", pergunta Faustão. "Aprendi que no mato aqui do Projac você pega dengue". G-E-N-I-A-L!
CATEGORIA: Melhor Atriz Coadjuvante
QUEM MERECIA: Camila Queiroz
QUEM REALMENTE MERECIA: Nenhuma das três indicadas
QUEM VENCEU: Camila Queiroz
O QUE ACHEI: Camila Queiroz mostrou que chegou pra ficar com a Mafalda. Não lembrou em nada a Angel e comprovou seu talento. Aliás, só aceito essa vitória pela injustiça que ela sofreu ano passado por ter perdido o prêmio de atriz revelação para a Isabelle Santoni, porque, verdade seja dita, haviam muitas outras merecedoras que nem siquer foram indicadas: Nathália Dill, Elizabeth Savalla, Fernanda Vasconcellos, Bianca Bin, Sabrina Petraglia, Grace Gianoukas, Chandelly Braz, Lília Cabral...

CATEGORIA: Melhor Ator
QUEM MERECIA: Sérgio Guizé
QUEM VENCEU: Sérgio Guizé
O QUE ACHEI: Sérgio Guizé mereceu demais. Viveu seu melhor momento na carreira, fazendo do Candinho uma pessoa cativante. Sucesso merecido. Só achei que Domingos Montagner merecia um prêmio especial dado para a família dele e não apenas uma homenagem, mas...







CATEGORIA: Melhor Atriz
QUEM MERECIA: Camila Pitanga ou Andreia Horta
QUEM VENCEU: Camila Pitanga
O QUE ACHEI: Camila Pitanga mereceu muito esse prêmio por sua entrega e sua força incrível durante Velho Chico e, principalmente, por ter se redimido da insuportável Regina da tão insuportável quanto Babilônia.
CATEGORIA: Melhor Personagem (?)
QUEM MERECIA: Encarnação
QUEM VENCEU: Pancrácio
O QUE ACHEI: Por que a Selma Egrei e o Marco Nanini não foram indicados como melhor atriz/ator ou melhor atriz/ator coadjuvante? Por que criaram uma categoria "especial" para eles? Será que a Globo sentiu vergonha por ter deixado de fora os melhores dos melhores dos melhores que criou essa categoria? No caso dela, foi melhor que todas as seis indicadas, com todo respeito. Não desmerecendo o grande Nanini, que também deu um show, mas a atuação da Selma em Velho Chico é algo digno de estatueta no Oscar!
CATEGORIA: Melhor Ator de Série, Minissérie ou Seriado
QUEM MERECIA: Jesuíta Barbosa
QUEM VENCEU: Jesuíta Barbosa
O QUE ACHEI: Ufa! Pensei que as fãzinhas pré-adolescentes iam fazer o Cauã Reymond ganhar na marra! Jesuita Barbosa é um dos melhores atores da nova geração e pela dificuldade de um personagem como o Vicente de Justiça e a maestria que o interpretou, foi merecido. Aliás, não entendo essa forçação de barra pra botar o Cauã pra concorrer sempre. Ele foi ofuscado por Drica Moraes e Antonio Calloni em Justiça e tá concorrendo como melhor ator de série? Aham... Sei...

CATEGORIA: Música do Ano
QUEM MERECIA: "50 reais" da Naiara Azevedo
QUEM REALMENTE MERECIA: "Infiel" da Marília Mendonça (é mais que uma música... UM HINO!)
QUEM VENCEU: "Eu, você, o mar e ela" do Luan SantannCHEGAAAA
O QUE ACHEI: Eita fandom poderoso esse do Luan Santanna, hein... Se ele tiver concorrendo como melhor peido do ano, é capaz das fãzinhas dele virar a noite pra votar nele em qualquer coisa. Em um ano que "Camarote" e "Infiel" tocaram tanto, é difícil acreditar que indicaram essa música "Amei te ver", do Tiago Iorc, e essa do Luan (apesar de achá-las bonitas).

CATEGORIA: Melhor Atriz de Série, Minissérie ou Seriado
QUEM MERECIA: Adriana Esteves
QUEM VENCEU: Adriana Esteves
O QUE ACHEI: Adriana Esteves foi ESTUPENDA como Fátima. A melhor personagem de Justiça. Troféu mais do que justo. RAINHA SUPREMA!!! PROPRIETÁRIA DA GLOBO!!!










E vocês? O que acharam dos indicados e vencedores do Melhores do Ano 2016?
Aproveite e vote também no Prêmio Eu Critico Tu Criticas 2016. Só clicar na imagem abaixo.


domingo, 18 de dezembro de 2016

O Melhor e o Pior da Semana (11 à 17/12)




   O MELHOR DA SEMANA   



Despedida de Jô


A entrevista de Roberto Carlos no Programa do Jô foi uma daquelas para ficar guardada na memória. Amigos desde a época da Jovem Guarda, o cantor e o apresentador trocaram confidências, rememoraram episódios históricos e falaram até sobre manias, hábitos alimentares e a predileção pela madrugada. Mas, marcante mesmo, foi o momento em que o Rei cantou um dos seus grandes sucessos, "Amigo", levando Jô (e o público) às lágrimas. seu último episódio foi mesmo de arrancar lágrimas. O último, então, foi uma mistura de melancolia com emoção. Diante de uma plateia cheia de VIPs, como Nizan Guanaes, Serginho Groisman e o próprio diretor-geral da Globo, Carlos Henrique Schroder, Jô surgiu reluzente num terno branco com listinhas e gravata cor de rosa. Já estava com os olhos vermelhos, e se engasgou diversas vezes durante as diversas homenagens que fez em seu monólogo de abertura. Ziraldo, o último convidado, foi simbólico por ter ido ao programa em cada um de seus 28 anos de existência e também por ter profetizado o fracasso de cada projeto bem-sucedido de Jô. Sua derradeira entrevista conseguiu até mesmo a proeza de falar mais que seu anfitrião. Mas os momentos de cumplicidade entre os dois foram de emoção genuína. É neste quesito, aliás, que Jô vai fazer mais falta: nenhum de seus jovens sucessores têm tanta quilometragem, histórias em comum com os convidados, traquejo e capacidade de se tornar íntimo de quem acabou de conhecer. Durante quase três décadas, o talk show de Jô foi um oásis na TV brasileira. Um erro tirá-lo do ar.


Xuxa imitando Eliana e Angélica


A Xuxa zueira precisa dar uma força para a Xuxa apresentadora. São a mesma pessoa, mas há um descompasso entre as duas. Nas redes sociais, Xuxa tem audiência garantida. Lá, Xuxa se expõe sem pudor (às vezes, corajosamente de cara limpa). Posta fotos e vídeos que a mostram nos bastidores da Record e na vida privada, rebate comentários maldosos... É uma Xuxa despachada, desarmada, livre, feliz. Como a que vimos no Programa do Porchat. Foi divertido à beça. Nunca imaginamos ver a Xuxa cantando "Vou de Táxi" da Angélica e fazendo a "Dança dos Dedinhos" da Eliana (com um gesto nos dedos médios que deu o que falar). Momento histórico! Já a Xuxa da TV é engessada e atravessa uma fase tensa. Mais divertida na internet e na casa dos outros do que como anfitriã, Xuxa precisa levar este espírito para o seu programa.


      O PIOR DA SEMANA      



Desfecho de Beatriz


Ridículo o desfecho da Beatriz (Bruna Marquezine), uma personagem tão importante, em Nada Será Como Antes. Ela foi morta sem concluir a vingança contra Pompeu (Osmar Prado), responsável pela morte de sua mãe, e por um personagem avulso que entrou aos 45 do segundo tempo (Davi/Jesuíta Barbosa) e nada acrescentou na série. Aliás, Jesuíta Barbosa vivendo mais um desequilibrado ciumento que mata a namorada em dois trabalhos consecutivos, depois de Justiça, mostra que a Globo anda sendo muito frouxa em relação à repetição de elenco e histórias em suas produções. Criatividade mandou lembranças...

Final de Supermax


O grande mal das produções brasileiras é deixar toda a ação para o final e enrolar no meio. Infelizmente, com Supermax, que chegou ao seu ponto final nesta terça (13/12), não é diferente. O penúltimo episódio (6/12) acabou com um bom gancho, com todos os participantes presos em uma cela, enquanto o vilão Baal (Márcio Fecher) os aguardava cheio de armas do lado de fora. Eis que o derradeiro capítulo começa e toda a tensão se dissipa em uma conversa sonsa entre o inimigo (com sua voz alterada sem razão por computadores, já que ele não era nenhuma entidade) e os mocinhos. O lenga-lenga continua.

Tudo desandou no segundo bloco, que parecia completamente desconectado do anterior. A impressão que ficou era de que a Globo quis encurtar ao máximo a série e se livrar daquele peso da programação. Os personagens foram morrendo um a um, em um desfecho que se tornava cada vez mais previsível. A chacina foi até que divertida, ainda mais pela crueza que as mortes aconteciam (com tiros na cabeça e sangue para todo lado), mas poderia ter sido iniciada em episódios passados. Ficou tudo muito acelerado neste episódio. Foi quase um "gente, esquecemos de matar o povo, começa a dar tiro em todo mundo aí". E isso foi bem frustrante, pois desejava ver sangue bem antes, e não somente agora.

Duas mortes, porém, me chamaram a atenção. A primeira foi a da transexual Janete (que eu admito que minha torcida era para ela sair viva), que me pareceu uma crítica contra a homofobia no diálogo em que Baal a chama de aberração e pergunta o que ela é e ela responde: "Eu sou ser humano". A outra morte foi a de Artur, pois simplesmente aconteceu e eu fiquei "ué, cadê?". Sério, se alguém viu essa morte, me avisa, pois para mim só apareceu o cara morto sem mais nem menos. E neste momento fiquei me sentindo um bobo por tudo que estava acontecendo, já que não tiveram cuidado neste ponto.

O final se tornou mais cômico ao trazer o corpo de Pedro Bial assassinado com um tiro na cabeça e a revelação de uma grande conspiração do governo brasileiro e mundial para deixar os participantes morrerem no presídio, para que o vírus continuasse desconhecido e restrito à região. No fim, o programa deixa em aberto o destino dos únicos dois confinados sobreviventes (já que Sérgio continuou preso na Supermax e Nonato se transformou no novo Baal). Falando no Baal, achei o fim de Nonato bem aquém da grandiosidade da sua participação na série. Fazendo jus à série, foi um final decepcionante.

Hora da "Farsa"


Que triste a trajetória do Rodrigo Faro na Record, hein... Ele, que é um apresentador carismático (e canta, dança e atua muito bem também), fazia um sábado alegre, animado, sempre pra cima, se fantasiando e dançando no finado O Melhor do Brasil. Na mudança para o domingo, porém, Rodrigo mudou completamente. Agora, sob o comando do Hora do Faro, entrou na onda do excesso de pieguice, com assistencialismo e choro o tempo todo. Caiu no mais do mesmo. Parece até uma nova (e piorada) versão do Gugu! Atualmente, rodeado de prestígio na emissora, Rodrigo representa uma das maiores audiências na Record, inclusive alcança a liderança com frequência, às vezes batendo o Faustão. Neste último domingo (11), por exemplo, o Hora do Faro bateu recorde histórico de audiência: 14 pontos de média contra apenas 7 do SBT, no Ibope da Grande São Paulo. Além disso, ficou na liderança durante 1 hora e 17 minutos e venceu por 22 minutos a final da Dança dos Famosos, do Faustão. Isso me remente àquele período de trevas que o Faustão enfrentou quando Gugu estava em seu auge no SBT. Mas não pense que o Faro tem a cara do Gugu só por conta do assistencialismo e audiência. No mesmo dia em que seu programa bateu recordes, o bom moço deixou escapar um podre fatal. Um podre que me lembra a derrocada do Gugu no SBT. O Hora do Faro montou uma farsa usando um garoto de apenas cinco anos: "Felipe sabe tudo sobre o Leonardo. Hoje ele vai realizar o sonho de conhecer o ídolo pela primeira vez!". No momento em que Leonardo entrou no palco e Felipe reconheceu o ídolo, os dois se abraçaram longamente. O cantor chorou. Faro também. E ainda gritou: "Meu Deus do Céu!!! Ele conheceu o ídolo dele!!!!". Oh, que lindo... Porém, logo depois, foi descoberta a armação: o menino já conhecia o Leonardo (eles se encontraram no camarim do cantor depois de um show em Barretos, em agosto; fato documentado em uma reportagem da afiliada da Globo na região). Em entrevista à Sonia Abrão, a assessora de Leonardo disse que Faro sabia sim que o menino já havia se encontrado com o cantor, mas que preferiu não citar tal fato durante a atração. Que vergonha, Faro... Por audiência, não poupa nem uma criancinha... Este episódio de má fé não tem a mesma amplitude do escândalo do PCC, promovida por Gugu em 2003, mas é assim que se começa quando a sede por audiência e pelo primeiro lugar no Ibope fala mais alto.

sábado, 17 de dezembro de 2016

Reformulada, A Lei do Amor ganha agilidade, mas perde sutileza e coerência


Nas últimas semanas, ficou bem claro aos olhos do público que A Lei do Amor, em baixa na audiência (até o momento, possui média de 25.93 pontos no Ibope da Grande São Paulo, apenas 0.48 décimos a mais que a fracassada Babilônia), vem passando por ajustes. De repente, tramas paralelas foram deixadas de lado e muita ação foi injetada à trama principal, fazendo com que a história de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari ficasse mais clara para a audiência. Entre os ajustes percebidos, está a maior valorização da presença dos mocinhos Pedro (Reynaldo Gianecchinni) e Helô (Claudia Abreu), a ascensão de Tião Bezerra (José Mayer) como o grande vilão da obra e a revelação de que Magnólia (Vera Holtz) e Ciro (Thiago Lacerda) são amantes, colocando-os na linha de frente como responsáveis pelos principais mistérios da trama policial.


Deste modo, os autores parecem querer corrigir os rumos equivocados da história que foram percebidos com a mudança de fases, ainda na primeira semana da novela. Afinal, quando a trama deixou os anos 1990 para chegar ao presente, deu a impressão ao público de que o enredo foi completamente deslocado. Isso porque o prólogo de A Lei do Amor ficou parecendo uma trama à parte, bastante desconexa da história que vimos no ar depois. Em seus primeiros capítulos, a novela foi toda centrada no casal principal, Pedro (Chay Suede) e Helô (Isabelle Drummond), e nas armações da vilã Magnólia para separá-los. Quando saltou 20 anos no tempo, o enredo, inexplicavelmente, diluiu a presença de Pedro (Reynaldo Gianecchinni) e Helô (Claudia Abreu), apostando num punhado de novas histórias que foram despejadas, de uma vez, no público.

Quando aconteceu o atentado contra Fausto Leitão (Tarcísio Meira) e Suzana (Regina Duarte), A Lei do Amor ganhou cores de trama policial. A história passou a girar em torno dos mistérios do atentado. Mas Pedro e Helô pouco participaram deste entrecho, preferindo viver reencontros amorosos e sendo seguidos por Tião Bezerra, que já foi apresentado como vilão para o público, mas que agia com parcimônia para os demais personagens da obra, escondido sob uma máscara de homem direito. Neste contexto, logo Pedro e Helô descobriram todas as armações que fizeram para separá-los e, assim, concluíram os acontecimentos da primeira fase. Ou seja, ficou parecendo que os primeiros capítulos não serviram para nada.

Enquanto isso, inicialmente, os mistérios em torno do atentado contra Fausto eram investigados por Élio Bataglia (João Campos), um personagem secundário que ganhou status de protagonista. Foi Élio quem agitou a trama policial em seu início, investigando o atentado contra sua tia Suzana, além de participar de uma ciranda amorosa juvenil que ganhou o primeiro plano da novela. Jovens personagens, como Analu (Bianca Müller), Camila (Bruna Hamu), Aline (Arianne Botelho), Jéssica (Marcella Rica), Edu (Matheus Fagundes), Wesley (Gil Coelho), Marcão (Paulo Lessa), Xanaia (Bella Piero), entre tantos outros, ganharam os holofotes. Neste contexto, ganhou força o triângulo amoroso entre Tiago (Humberto Carrão), Isabela (Alice Wegmann) e Letícia (Isabella Santoni), que ganhou o protagonismo romântico jovem da trama.

Com o desaparecimento de Isabela, os protagonistas jovens também se integram ao enredo policial da novela. E foi a partir daí que os autores voltaram a colocar em primeiro plano o eixo central da história. Nos últimos capítulos, as tramas envolvendo os jovens foram abandonadas, o assassinato de Zelito (Danilo Ferreira) foi antecipado e Tião Bezerra se colocou como um vilão a olhos vistos. Atacando de frente Pedro e Helô, o malvado se aproxima cada vez mais de Magnólia, com quem tem um passado mal resolvido, fazendo com que estas tramas se unifiquem cada vez mais. Assim, Pedro e Helô voltaram a agir juntos no intuito de derrubar os vilões, batendo de frente com Tião e Mag que, por sua vez, tentam separá-los novamente. Tiago também segue presente, buscando a verdade sobre o desaparecimento de Isabela.


Assim, A Lei do Amor ficou mais redondinha, pois conseguiu se livrar das "gorduras" presentes nas tramas paralelas, ganhando mais foco. Além de, finalmente, acender a luz sobre seu enredo principal, deu mais destaque a personagens que mereciam estar nesta linha de frente, como a maravilhosa Luciane (Grazi Massafera), responsável pelos melhores momentos da trama. Paralelamente, ganhou força a história envolvendo o divertido casal Antônio e Ruty Raquel (Pierre Baitelli e Ruty Raquel, excelentes em cena). Também ganhou força o triângulo envolvendo Augusto (Ricardo Tozzi), Vitória (Camila Morgado) e Beth (Regiane Alves), que acaba de chegar para colocar mais molho neste entrecho (e deixar Vitória menos chata). Ou seja, até aqui, as mudanças impressas fizeram a novela fluir melhor, sem excessos.

E as mudanças não param por aí. Anteriormente, dada como morta, Isabela voltaria à trama com um novo visual e outro nome e começaria uma vingança contra Tiago por achar que o namorado a jogou no mar após uma briga. Porém, a volta da personagem, que já era para ter acontecido, foi adiada para meados de janeiro de 2017. Sem Isabela, Tiago ficará soltinho e carente. Nesse meio tempo, Letícia mostrará ao ex-noivo que está mudada e não é mais aquela garota mimada e egoísta. Além de ajudar a tirar a fábrica da família Leitão do vermelho, a patricinha o ajudará a superar o trauma com a suposta morte de Isabela. Com isso, a amizade com a priminha começará a ter clima de romance. O plano é claro: fazer o público ficar dividido entre torcer por Letícia ou Isabela pelo coração de Tiago e "salvar" a personagem de Isabella Santoni, até agora, a mais odiada pelo público (com razão, como falei AQUI). Será que vai dar certo? Duvido muito!


Outra mudança: toda a história de corrupção e política na novela (até então, tratada de forma caricata e superficial), que seria deixada de lado, agora passará a ganhar mais espaço e um rumo mais cômico, justamente pelo retorno que alguns personagens envolvidos nesse núcleo dão com o público. Uma das queridinhas é Luciane, que, daqui pra frente, deve aparecer em várias cenas batendo boca nos comícios da vida com Salete (Cláudia Raia), que se tornará vice na chapa com o marido dela; bem como o corrupto Venturini (Otávio Augusto hilário), que, como a arte imita a vida, irá cumprir prisão domiciliar.

Resta saber se, com toda esta ação, A Lei do Amor não tenha queimado cartuchos demais e acabe ficando sem muita história para contar mais adiante. Tião sendo vilão às vistas de todos deve colocá-lo, em breve, atrás das grades. O que acontecerá com ele depois disso? Sempre corre o risco de esvaziar o personagem, afinal, todo mundo já sabe do que ele é capaz. Além disso, a revelação de que Mag e Ciro são amantes os coloca como responsáveis por boa parte das ações e mistérios que envolvem a trama policial da novela. O atentado contra Fausto, o fato de Vitória ser emocionalmente instável, e até a estranha morte de Carmen (Bianca Salgueiro), primeira mulher de Hércules (Danilo Granghéia), podem ser creditados ao casal. O que virá depois? E os trocentos personagens secundários que serão deixados de lado (caso da ótima Maria Flor, cuja Flávia está sendo desvalorizada)? Ficarão sem função mesmo na trama, só fazendo enfeite, ou sumirão de vez? Os autores terão agora que propor novas surpresas para manter a temperatura em alta.


O grande problema é que, embora tenha ganhado agilidade e ficado mais compreensível, A Lei do Amor perdeu uma grande qualidade: a sutileza. Ao escancarar tudo explicadinho, personagens dúbios que demonstravam desvios de caráter perderam sua essência e mudaram radicalmente o comportamento. É o caso de Tião, um personagem difícil de engolir. José Mayer tem se esforçado para fazê-lo verossímil, mas não dá para acreditar nele. Ele virou a personificação do próprio diabo. É mau o tempo todo e só vive para destruir quem cruza seu caminho. É um vilão gratuito e exagerado, com intenções confusas e não muito lógicas. Não me surpreenderia se em breve surgisse um "quem matou Tião?". Suspeitos não iriam faltar.

E a coerência é outra senhora que anda passando longe de A Lei do Amor, com situações difíceis de engolir. Jéssica, até então, uma garota ambiciosa e nada sentimental, virou uma santa e, do nada, passou a nutrir um amor súbito pelo médico Bruno (Armando Babaioff), aniquilando o único conflito com a mãe Salete e a irmã Flávia. Bruno, por sua vez, era um bacaca e nutria uma inveja pelo mocinho Pedro e, do nada, também virou um santo. Aproveitando que eu citei a Salete, Daniel Rocha não combina com Claudia Raia. Eles não têm química e fica difícil acreditar que um mulherão como Salete vai se apaixonar por Gustavo. Renato Góes, inicialmente escalado, era mais apropriado. Uma dúvida: quando foi que Salete deixou de ser uma devorada de homens (já que assediava sexualmente os frentistas bonitões do seu posto de gasolina)? O caso mais gritante, porém, é o da Letícia. Ela era egoísta e mimada, tinha verdadeira idolatria pelo Tião e odiava Pedro. Aí, um belo dia, acordou odiando Tião, amando Pedro e se tornando a pessoa mais madura do mundo, a filha perfeita para Helô, além de expert em negócios. Tudo de uma hora pra outra. Aham, tá...

E não para por aí. Aline, a vilã jovem da trama que fez de tudo para conquistar Tiago, e uma das poucas personagens bem desenvolvidas entre esses 987 que existe na história, saiu da trama, acabando com o único conflito do núcleo de Yara (Emanuelle Araújo, que mais parece "papagaio de pirata" da Helô). O mesmo aconteceu com Zelito, que deu sinal de que uma história ousada na novela estaria por vir com seu envolvimento com Wesley, frentista do posto de gasolina e pai solteiro, mas foi assassinado, deixando-o sem história. Com tantos outros tipos bem mais desnecessários pra tirarem... Com esse sumiço sem explicação da Isabela até meados de janeiro, fica totalmente sem sentido o fato de Helô ter avistado Isabela em Paraty. Afinal, se a moça está tão perto, por que não apareceu pelo menos para os amigos?

Resta saber se as mudanças chegaram a tempo de conquistar o telespectador insatisfeito ou se vai desfigurar A Lei do Amor e transformá-la numa colcha de retalhos mal remendados, tal como Babilônia...

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

MasterChef ou Guerra dos Sexos?



Ontem (14) rolou a grande final do primeiro MasterChef Profissionais, da Band. Se você também abriu mão de horas de sono, viu que as redes sociais entraram em polvorosa, com bandeiras feministas sendo levantadas e defendidas com unhas e dentes. No fim, o resultado que levantou inúmeras suspeitas: Dayse consagrou-se como a grande campeã. O assunto mais discutido da noite, porém, foi sobre o suposto machismo presente nesta edição. Ivo e Dário foram os mais criticados por terem protagonizados cenas em que duvidaram da capacidade da participante. Em entrevista ao Estadão, Dayse disse não representar o feminismo na vitória. E ter a presença do machismo na cozinha não a faz obrigada ser feminista. A mãe e a irmã de Marcelo chegaram atribuir a vitória da participante a uma suposta "guerra dos sexos". Concordo!

Neste ano, principalmente, o MasterChef sofreu um processo de BBBnização. O talent show rendeu aos elementos primordiais dos realities de confinamento. O participante perseguido e/ou menosprezado pelos outros. O bonzinho rejeitado. A mulher desprezada pelos "homens machistas". Nesse caso, o fato é ainda mais gritante porque quase todas as mulheres eliminadas da competição ressaltavam como ponto fundamental o machismo presente nos bastidores das cozinhas brasileiras. E isso contaminou a visão do programa. Dayse foi a "sobrevivente" da equipe feminina. E, de acordo com esta visão, teria sofrido atitudes machistas dos adversários. Foi excluída pelos demais. Menosprezada. Só por ser mulher. Como pode, né?

Marcelo, com jeitão agitado e imperativo, esteve na final merecidamente. Diferente da Dayse, que apostou na maioria das vezes no clássico, ele surpreendeu com suas invencionices, ou melhor, contemporaneidades na cozinha (algumas ficaram completamente sem conexão, segundo o paladar dos jurados). Nesta final, Marcelo ousou ainda mais apostando na gastronomia contemporânea e em suas invencionices. E acertou: os pratos do participante foram bastantes elogiados. Porém, a primeira nota apurada já trouxe muitas suspeitas. Durante a degustação, não houve nenhum prato com erros absurdos apontados. Pelo contrário, os jurados só teciam elogios. Então, como o Marcelo poderia ter recebido uma nota 2 (de um total de 10) em um prato longamente elogiado? Naquele momento, somado ao fato das declarações politicamente corretas na edição ao vivo dos jurados (que mais pareciam estar ouvindo as declarações de um ponto eletrônico), eu entendi que a vitória da Dayse tinha sido costurada pelo programa em função do feminismo.

Acredito, de verdade, que a Dayse seja uma excelente chef de cozinha, mas durante a competição ela não mostrou a ser a melhor competidora de forma consistente. Ficou claro que a direção do programa se deixou influenciar pela torcida à la BBB e queria ganhar apoio de um grupo de telespectadores defensores dos "fracos e oprimidos". Com isso, criaram mais polêmica e colocaram em xeque a credibilidade de um reality bem-conceituado. Imagine assistir a próxima temporada sabendo que levará o prêmio aquele que gerar mais afinidade com o público ao invés de ser avaliado o talento do competidor, aquele que foi o melhor?


Que fique bem claro: a questão não está no feminismo em si, nem no machismo. O problema é que tudo está se transformando em posição extremista. O atual modelo de feminismo, ao invés de pregar igualdade (no sentido de equidade, julgamento justo), vem pregando um modelo de exclusividade ou preferência. Não precisamos de mais coitados. Precisamos de iguais condições. O que importa são as habilidades, a competência, ser o melhor no que faz; até porque todos ali passaram pelos mesmos testes de seleção e desafios, tiveram acesso aos mesmos recursos, foram cobrados igualmente em termos de tempo e dificuldade. O fato de ter sido menosprezada por homens não implica, necessariamente, em machismo. Ainda bem que Dayse foi sensata ao declarar que sua vitória não representava o feminismo coisa nenhuma.

domingo, 4 de dezembro de 2016

O Melhor e Pior da Semana (27/11 à 3/12)




   O MELHOR DA SEMANA   


Décimo episódio de Supermax


Desde o início, sempre tiverem alguns comentários alertando que o episódio 10 seria o melhor de todos de Supermax. E não é que é verdade (pelo menos, até agora, já que ainda faltam o penúltimo e o último)?

A volta no tempo mostrou que tudo aconteceu, relativamente, a pouco tempo (2008), sem ter toda uma mitologia muito mais antiga, que eu acreditava que seria o norte de tudo. O foco sendo em Mauro e Nonato foi muito interessante, pois temos um que quer descobrir o que está acontecendo de errado na obra de construção da Supermax e o outro que acredita que a peste é causada pelas prostitutas, que, por sinal, foram outras personagens muito boas no episódio 10. Finalmente, tivemos algumas respostas, como a questão do vírus que era transmitido através da mosca, e que esse vírus causa agressividade e que seu hospedeiro não sente medo ou dor. E neste ínterim tivemos a questão de a empresa realizar uma completa queima de arquivo, eliminando tudo referente ao vírus, isso incluindo até a equipe de filmagem de Mauro que fazia o documentário sobre a cidade. Com uma revelação também relevante para a história: o renascimento de Baal, um antigo "deus" da Bíblia que estava de volta a terra para levantar o seu exército.

Filho. Supermax – Capítulo 10.  2016-11-29-2

O fato de Nonato ter sido o receptáculo de Baal foi algo completamente coerente, pois ele era um homem que prezava pela fé e pelos bons costumes e que Deus iria cuidar dele e de sua família a todo custo e, de uma hora para outra, toda sua família é destruída pelo vírus e ele consegue ser o único sobrevivente. Nonato abandonando a Deus e abraçando com toda força as trevas se mostrou algo que poderia acontecer a qualquer um. Baal se aproveitou de todo sofrimento e desespero de Nonato e usou isso a seu favor. E tenho que admitir que foi extremamente triste ver Nonato sacrificando seu filho e perguntando para Deus porque ele salvou Isaque, mas não salvou seu filho. Cena dilaceradora. Simplesmente não tinha como não compadecer da dor dele e concordar com todo seu discurso. Atuação estupenda de Márcio Fecher.

Se formos analisar pela história da demonologia e das teorias pagãs, podemos concluir que Baal espalhou o vírus para recrutar soldados para o seu lado por ter a cura para o vírus e assim conseguir criar seu exército de 450 profetas, que, neste caso, ele precisa das mulheres para procriarem, o que podemos ver na questão das prostitutas irem para o lado dele e serem aquelas que estão em constante trabalho de parto (e também por terem raptado Bruna). De qualquer forma, agora indo para a parte técnica, posso dizer que este episódio foi disparado o melhor que foi apresentado até o presente momento. A ambientação usada, com trabalhadores e prostitutas, em um ambiente que de certa forma era degradante e que facilitava bastante a proliferação do vírus, foi muito agradável de ver, principalmente por sair daqueles corredores fechados e escuros. As atuações foram bem superiores a todas que fomos apresentados até o presente momento, de forma que eu fiquei muito mais interessado em acompanhar a saga de Nonato/Baal do que termos que voltar para o presídio de novamente com as atuações, no geral, canastronas de parte do elenco.

Baal. Supermax – Capítulo 10.

Acredito que a série não precisava ter feito vários episódios para chegar até aqui, pois tivemos muitos episódios que praticamente só enrolou e este, que tinha uma grande história, ficou renegado a praticamente ao final, tendo apenas mais dois episódios para se ver todo o desdobramento do que Baal pode fazer com o pessoal que ainda está no presídio da Supermax. O episódio foi excelente, mas senti que veio um pouco tarde demais, já que poderia ter vindo mais cedo para desconfundir a cabeça dos telespectadores e dar um ritmo mais frenético a trama, pois, tirando o sexto episódio, esse foi o mais tenso até o presente momento; o que é uma pena, pois a série tinha potencial para explorar ainda mais, já que ela não tinha amarras para tratar vários temas de forma nua e crua. Fica um gostinho de decepção.

Virada de Nada Será Como Antes


Verônica flagra Saulo com outra mulher (Foto: TV Globo)

Nada Será Como Antes ganhou muito quando deixou de lado as longas cenas de sexo e nudez para investir nas boas histórias que tem para contar. Débora Falabella e Murilo Benício ganharam ótimas cenas com os novos dilemas entre Verônica e Saulo na disputa pela guarda do filho da atriz. Difícil não se emocionar. Eu sou #TeamVeronica e #OdeioSaulo! Também é preciso elogiar Cássia Kiss, que mostra, mais uma vez, que faz qualquer tipo de personagem, por mais pequeno que seja. A interpretação dela como a simplória Odete chega a ser comovente. Sem falar na boa sintonia que tem com Bruna Marquezine, sua filha na série.

Senador Venturi


Venturini denuncia Mág (Foto: TV Globo)

Mesmo que toda a história de corrupção e política na novela venha sendo tratada de forma caricata e superficial, Otávio Augusto está mandando super bem como o senador César Venturi. Um tipo bufão, de comédia, ao mesmo tempo, detestável e risível. Uma sacada de gênio dos autores na cena desse sábado (3), em que Venturi se recusa a ir preso e dá o maior chilique, se atracando com os policiais e gritando que é cardíaco. Qualquer referência com o Garotinho será mera coincidência? Seja lá como for, adorando também a dobradinha de Otávio com Grazi Massafera (outro destaque de A Lei do Amor, como falei bem AQUI).

Homenagem do JN às vítimas da queda do avião da Chapecoense



Em uma tragédia, a linha que separa jornalismo e sensacionalismo é muito tênue. Nessa semana, o Brasil e o mundo esportivo entrou em choque e de luto com a tragédia do voo que vitimou mais de 70 pessoas no acidente com o time da Chapecoense na madrugada de terça (29), na cidade de La Unión, próximo a Medellín, na Colômbia. Com duração longa, o Jornal Nacional (principal telejornal da Globo e do país) fez naquela noite a maior e melhor cobertura da tragédia, onde os apresentadores Heraldo Pereira e Giuliana Morrone desceram da bancada e encerraram o telejornal na redação, ao lado de Galvão Bueno, que fez o encerramento pedindo aplausos de toda a equipe, que bateu palmas durante 1 minuto e 20 segundos enquanto o telão do estúdio exibia fotos de jogadores e jornalistas que morreram na tragédia.

Foi uma edição arrepiante, digna, honrosa e comovente que já entrou para a história do telejornalismo brasileiro! Antes, inclusive, nas idas para o intervalo, foram sendo exibidos os nomes dos mais de 70 mortos no desastre. Bacana! Muitos repórteres da Globo com experiência em relatar tragédias, como Ari Peixoto, Helter Duarte, Alberto Gaspar e Ricardo Von Dorf, choraram no ar; e não precisariam fazer diferente, já que a emoção não compromete o bom jornalismo, ainda mais em situações extremas como essa, quando a empatia e a sensibilidade prevalecem. Mas é preciso elogiar o Galvão, principalmente ao narrar o velório coletivo da Chapecoense. Ele anulou os exageros típicos de seu estilo e fez a narração de maneira discreta e respeitosa. Em alguns momentos, emocionou-se a ponto de ficar com a voz embargada e soube respeitar o silêncio necessário em alguns trechos do cortejo e do funeral no estádio. (...)

     O PIOR DA SEMANA     


Sensacionalismo com a tragédia


Reprodução/TV Globo  Jornalista usa celular em velório - Foto/Reprodução: Globo

(...) Infelizmente, é de se lamentar que o mesmo JN, que vinha fazendo uma boa, extensa e respeitosa cobertura, tenha brindado o telespectador na edição desse sábado (03/12) com um momento de exploração grosseira do drama das famílias em luto. Achei bastante desnecessária as imagens da parte privada dos familiares (no interior do ônibus que levou parentes ao aeroporto de Chapecó e na tenda onde velaram os corpos, dentro do estádio) feitas pela repórter Kiria Meurer com a câmera do próprio celular. Se o cinegrafista não foi autorizado a filmar, era óbvio que não queriam câmeras filmando por lá. Por acaso, a repórter achou que estava visitando algum ponto turístico? Só faltou filmar os corpos dentro do caixão!

Continuando na Globo, também achei bem desnecessária e uma tremenda forçação de barra de Tiago Leifert ao citar a tragédia na abertura do The Voice Brasil, nesta quinta (1). Ele abriu o programa dizendo que, naquela noite, não era o The Voice, mas sim o "The Voice Chapecó". E que "nossos quatro times são, sem dúvida nenhuma, chapecoenses". Tudo bem que Tiago fazia parte do jornalismo esportivo da Globo, todos os demais profissionais se emocionaram e tal, mas achei deslocado e gratuito. Até porque ele estava num reality show musical, que nada tem a ver com o assunto. "The Voice Chapecó"?! Menos, né...

  Resultado de imagem para SONIA ABRAO CHAPECOENSE

Nas concorrentes, pra variar, o pior do sensacionalismo deu as caras. Foi o caso da Rede TV. Durante a manhã, o Você Na TV convocou um sensitivo ao estúdio e um vidente por telefone. O sensitivo Rodrigo, que diz ter previsto o 11 de setembro, afirmou que até o fim deste "ano carregado" haveria mais tragédias. O programa também exibiu um vídeo no qual o vidente Carlinhos previu o acidente com o avião da Chape. Pasme! Os dois espíritas se vangloriavam por terem "acertado" em cheio nas tragédias. Os apresentadores Celso Zucatelli e Mariana Leão ainda fomentavam a macabra patifaria. Quanto mau gosto, desrespeito e falta de sensibilidade num momento desses... E não parou por aí! Durante o A Tarde É Sua, a (coveira) jornalista Sônia Abrão, como era de se esperar, deu amplo destaque a tragédia e também ao vidente que "previu" a queda. O mais "engraçado" dessa história é que Sonia está lá, sentada, fazendo cara de tristeza, dizendo que era lamentável o que tinha acontecido com o time, aí do nada levanta, vai pro merchandising e já arreganha os dentes: "Vamos falar de coisa boa? Vamos falar da calça modeladora Lejeans"! Ridículo!

Um fato que chamou minha atenção foi a apresentadora Adriana Araújo ter encerrado a transmissão do velório, na Record, antes do término. Achei estranho, já que a emissora cobre até o fim esse tipo de acontecimento. Zapeei para a Globo e, nesta parte não exibida pelo canal, entrou Cid Moreira e um bispo da Igreja Católica com a mensagem do papa Francisco. A questão religiosa e da concorrente platinada entraram neste embate. Lamentável. Triste fato. Nem vou perder tempo falando da incompetência e desinformação do SBT porque o desprezo da emissora pelo jornalismo já é notório. Morreram mais de 70 brasileiros no maior acidente do país envolvendo o esporte, mas o canal preferiu enviar um repórter para a porta do Fórum de Justiça de SP para cobrir em tempo real as últimas notícias do divórcio da Luiza Brunet, no Fofocando. Jornalismo para cobrir fofoca e futilidades o SBT tem a disposição 24h, incrível...

Morte de Zelito



É de se lamentar que, em meio a um elenco numerosíssimo e repleto de personagens sem função e desinteressantes, os autores de A Lei do Amor resolveram eliminar justamente o personagem gay, negro e, aparentemente, promissor: Zelito (Danilo Ferreira). Wesley, frentista do posto de gasolina e pai solteiro, se declarou para ele; o que deu sinal de que uma história ousada na novela estaria por vir. Ledo engano.

Zelito soube por Jessica que o maior vilão da novela, Tião (José Mayer), está envolvido no desaparecimento de sua amiga Isabela (que "morreu" em uma cena mequetrefe, como disse AQUI). E o que ele faz? Fica caladinho e investiga melhor até encontrar provas concretas? Denuncia na polícia? Não... Invade a sala do vilão, acusa ele de ter matado a garota e ainda lhe dá um soco! J-E-N-I-O! E, no capítulo desta segunda (28), ainda assistimos Tião também deixar o bom senso de lado e encomendar a morte imediata de Zelito, que morreu vítima de overdose após um capanga do vilã colocar um veneno na bebida do rapaz na balada.

Segundo a Globo, a morte de Zelito já estava prevista desde antes de A Lei do Amor ir ao ar. Duvido muito, mas, ainda sim, é uma pena que justamente ele tenha sido eliminado com tantos outros mais dispensáveis. De qualquer forma, Zelito saiu de cena em grande estilo (Danilo Ferreira brilhou na cena aterrorizante em que seu personagem morre); e Tião é um personagem difícil de engolir. José Mayer tem se esforçado para fazê-lo verossímil, mas não dá para acreditar nele. Ele é mau o tempo todo e só vive para destruir quem cruza seu caminho. É um vilão gratuito e exagerado, com intenções confusas e não muito lógicas.

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