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domingo, 18 de dezembro de 2016

O Melhor e o Pior da Semana (11 à 17/12)




   O MELHOR DA SEMANA   



Despedida de Jô


A entrevista de Roberto Carlos no Programa do Jô foi uma daquelas para ficar guardada na memória. Amigos desde a época da Jovem Guarda, o cantor e o apresentador trocaram confidências, rememoraram episódios históricos e falaram até sobre manias, hábitos alimentares e a predileção pela madrugada. Mas, marcante mesmo, foi o momento em que o Rei cantou um dos seus grandes sucessos, "Amigo", levando Jô (e o público) às lágrimas. seu último episódio foi mesmo de arrancar lágrimas. O último, então, foi uma mistura de melancolia com emoção. Diante de uma plateia cheia de VIPs, como Nizan Guanaes, Serginho Groisman e o próprio diretor-geral da Globo, Carlos Henrique Schroder, Jô surgiu reluzente num terno branco com listinhas e gravata cor de rosa. Já estava com os olhos vermelhos, e se engasgou diversas vezes durante as diversas homenagens que fez em seu monólogo de abertura. Ziraldo, o último convidado, foi simbólico por ter ido ao programa em cada um de seus 28 anos de existência e também por ter profetizado o fracasso de cada projeto bem-sucedido de Jô. Sua derradeira entrevista conseguiu até mesmo a proeza de falar mais que seu anfitrião. Mas os momentos de cumplicidade entre os dois foram de emoção genuína. É neste quesito, aliás, que Jô vai fazer mais falta: nenhum de seus jovens sucessores têm tanta quilometragem, histórias em comum com os convidados, traquejo e capacidade de se tornar íntimo de quem acabou de conhecer. Durante quase três décadas, o talk show de Jô foi um oásis na TV brasileira. Um erro tirá-lo do ar.


Xuxa imitando Eliana e Angélica


A Xuxa zueira precisa dar uma força para a Xuxa apresentadora. São a mesma pessoa, mas há um descompasso entre as duas. Nas redes sociais, Xuxa tem audiência garantida. Lá, Xuxa se expõe sem pudor (às vezes, corajosamente de cara limpa). Posta fotos e vídeos que a mostram nos bastidores da Record e na vida privada, rebate comentários maldosos... É uma Xuxa despachada, desarmada, livre, feliz. Como a que vimos no Programa do Porchat. Foi divertido à beça. Nunca imaginamos ver a Xuxa cantando "Vou de Táxi" da Angélica e fazendo a "Dança dos Dedinhos" da Eliana (com um gesto nos dedos médios que deu o que falar). Momento histórico! Já a Xuxa da TV é engessada e atravessa uma fase tensa. Mais divertida na internet e na casa dos outros do que como anfitriã, Xuxa precisa levar este espírito para o seu programa.


      O PIOR DA SEMANA      



Desfecho de Beatriz


Ridículo o desfecho da Beatriz (Bruna Marquezine), uma personagem tão importante, em Nada Será Como Antes. Ela foi morta sem concluir a vingança contra Pompeu (Osmar Prado), responsável pela morte de sua mãe, e por um personagem avulso que entrou aos 45 do segundo tempo (Davi/Jesuíta Barbosa) e nada acrescentou na série. Aliás, Jesuíta Barbosa vivendo mais um desequilibrado ciumento que mata a namorada em dois trabalhos consecutivos, depois de Justiça, mostra que a Globo anda sendo muito frouxa em relação à repetição de elenco e histórias em suas produções. Criatividade mandou lembranças...

Final de Supermax


O grande mal das produções brasileiras é deixar toda a ação para o final e enrolar no meio. Infelizmente, com Supermax, que chegou ao seu ponto final nesta terça (13/12), não é diferente. O penúltimo episódio (6/12) acabou com um bom gancho, com todos os participantes presos em uma cela, enquanto o vilão Baal (Márcio Fecher) os aguardava cheio de armas do lado de fora. Eis que o derradeiro capítulo começa e toda a tensão se dissipa em uma conversa sonsa entre o inimigo (com sua voz alterada sem razão por computadores, já que ele não era nenhuma entidade) e os mocinhos. O lenga-lenga continua.

Tudo desandou no segundo bloco, que parecia completamente desconectado do anterior. A impressão que ficou era de que a Globo quis encurtar ao máximo a série e se livrar daquele peso da programação. Os personagens foram morrendo um a um, em um desfecho que se tornava cada vez mais previsível. A chacina foi até que divertida, ainda mais pela crueza que as mortes aconteciam (com tiros na cabeça e sangue para todo lado), mas poderia ter sido iniciada em episódios passados. Ficou tudo muito acelerado neste episódio. Foi quase um "gente, esquecemos de matar o povo, começa a dar tiro em todo mundo aí". E isso foi bem frustrante, pois desejava ver sangue bem antes, e não somente agora.

Duas mortes, porém, me chamaram a atenção. A primeira foi a da transexual Janete (que eu admito que minha torcida era para ela sair viva), que me pareceu uma crítica contra a homofobia no diálogo em que Baal a chama de aberração e pergunta o que ela é e ela responde: "Eu sou ser humano". A outra morte foi a de Artur, pois simplesmente aconteceu e eu fiquei "ué, cadê?". Sério, se alguém viu essa morte, me avisa, pois para mim só apareceu o cara morto sem mais nem menos. E neste momento fiquei me sentindo um bobo por tudo que estava acontecendo, já que não tiveram cuidado neste ponto.

O final se tornou mais cômico ao trazer o corpo de Pedro Bial assassinado com um tiro na cabeça e a revelação de uma grande conspiração do governo brasileiro e mundial para deixar os participantes morrerem no presídio, para que o vírus continuasse desconhecido e restrito à região. No fim, o programa deixa em aberto o destino dos únicos dois confinados sobreviventes (já que Sérgio continuou preso na Supermax e Nonato se transformou no novo Baal). Falando no Baal, achei o fim de Nonato bem aquém da grandiosidade da sua participação na série. Fazendo jus à série, foi um final decepcionante.

Hora da "Farsa"


Que triste a trajetória do Rodrigo Faro na Record, hein... Ele, que é um apresentador carismático (e canta, dança e atua muito bem também), fazia um sábado alegre, animado, sempre pra cima, se fantasiando e dançando no finado O Melhor do Brasil. Na mudança para o domingo, porém, Rodrigo mudou completamente. Agora, sob o comando do Hora do Faro, entrou na onda do excesso de pieguice, com assistencialismo e choro o tempo todo. Caiu no mais do mesmo. Parece até uma nova (e piorada) versão do Gugu! Atualmente, rodeado de prestígio na emissora, Rodrigo representa uma das maiores audiências na Record, inclusive alcança a liderança com frequência, às vezes batendo o Faustão. Neste último domingo (11), por exemplo, o Hora do Faro bateu recorde histórico de audiência: 14 pontos de média contra apenas 7 do SBT, no Ibope da Grande São Paulo. Além disso, ficou na liderança durante 1 hora e 17 minutos e venceu por 22 minutos a final da Dança dos Famosos, do Faustão. Isso me remente àquele período de trevas que o Faustão enfrentou quando Gugu estava em seu auge no SBT. Mas não pense que o Faro tem a cara do Gugu só por conta do assistencialismo e audiência. No mesmo dia em que seu programa bateu recordes, o bom moço deixou escapar um podre fatal. Um podre que me lembra a derrocada do Gugu no SBT. O Hora do Faro montou uma farsa usando um garoto de apenas cinco anos: "Felipe sabe tudo sobre o Leonardo. Hoje ele vai realizar o sonho de conhecer o ídolo pela primeira vez!". No momento em que Leonardo entrou no palco e Felipe reconheceu o ídolo, os dois se abraçaram longamente. O cantor chorou. Faro também. E ainda gritou: "Meu Deus do Céu!!! Ele conheceu o ídolo dele!!!!". Oh, que lindo... Porém, logo depois, foi descoberta a armação: o menino já conhecia o Leonardo (eles se encontraram no camarim do cantor depois de um show em Barretos, em agosto; fato documentado em uma reportagem da afiliada da Globo na região). Em entrevista à Sonia Abrão, a assessora de Leonardo disse que Faro sabia sim que o menino já havia se encontrado com o cantor, mas que preferiu não citar tal fato durante a atração. Que vergonha, Faro... Por audiência, não poupa nem uma criancinha... Este episódio de má fé não tem a mesma amplitude do escândalo do PCC, promovida por Gugu em 2003, mas é assim que se começa quando a sede por audiência e pelo primeiro lugar no Ibope fala mais alto.

sábado, 17 de dezembro de 2016

Reformulada, A Lei do Amor ganha agilidade, mas perde sutileza e coerência


Nas últimas semanas, ficou bem claro aos olhos do público que A Lei do Amor, em baixa na audiência (até o momento, possui média de 25.93 pontos no Ibope da Grande São Paulo, apenas 0.48 décimos a mais que a fracassada Babilônia), vem passando por ajustes. De repente, tramas paralelas foram deixadas de lado e muita ação foi injetada à trama principal, fazendo com que a história de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari ficasse mais clara para a audiência. Entre os ajustes percebidos, está a maior valorização da presença dos mocinhos Pedro (Reynaldo Gianecchinni) e Helô (Claudia Abreu), a ascensão de Tião Bezerra (José Mayer) como o grande vilão da obra e a revelação de que Magnólia (Vera Holtz) e Ciro (Thiago Lacerda) são amantes, colocando-os na linha de frente como responsáveis pelos principais mistérios da trama policial.


Deste modo, os autores parecem querer corrigir os rumos equivocados da história que foram percebidos com a mudança de fases, ainda na primeira semana da novela. Afinal, quando a trama deixou os anos 1990 para chegar ao presente, deu a impressão ao público de que o enredo foi completamente deslocado. Isso porque o prólogo de A Lei do Amor ficou parecendo uma trama à parte, bastante desconexa da história que vimos no ar depois. Em seus primeiros capítulos, a novela foi toda centrada no casal principal, Pedro (Chay Suede) e Helô (Isabelle Drummond), e nas armações da vilã Magnólia para separá-los. Quando saltou 20 anos no tempo, o enredo, inexplicavelmente, diluiu a presença de Pedro (Reynaldo Gianecchinni) e Helô (Claudia Abreu), apostando num punhado de novas histórias que foram despejadas, de uma vez, no público.

Quando aconteceu o atentado contra Fausto Leitão (Tarcísio Meira) e Suzana (Regina Duarte), A Lei do Amor ganhou cores de trama policial. A história passou a girar em torno dos mistérios do atentado. Mas Pedro e Helô pouco participaram deste entrecho, preferindo viver reencontros amorosos e sendo seguidos por Tião Bezerra, que já foi apresentado como vilão para o público, mas que agia com parcimônia para os demais personagens da obra, escondido sob uma máscara de homem direito. Neste contexto, logo Pedro e Helô descobriram todas as armações que fizeram para separá-los e, assim, concluíram os acontecimentos da primeira fase. Ou seja, ficou parecendo que os primeiros capítulos não serviram para nada.

Enquanto isso, inicialmente, os mistérios em torno do atentado contra Fausto eram investigados por Élio Bataglia (João Campos), um personagem secundário que ganhou status de protagonista. Foi Élio quem agitou a trama policial em seu início, investigando o atentado contra sua tia Suzana, além de participar de uma ciranda amorosa juvenil que ganhou o primeiro plano da novela. Jovens personagens, como Analu (Bianca Müller), Camila (Bruna Hamu), Aline (Arianne Botelho), Jéssica (Marcella Rica), Edu (Matheus Fagundes), Wesley (Gil Coelho), Marcão (Paulo Lessa), Xanaia (Bella Piero), entre tantos outros, ganharam os holofotes. Neste contexto, ganhou força o triângulo amoroso entre Tiago (Humberto Carrão), Isabela (Alice Wegmann) e Letícia (Isabella Santoni), que ganhou o protagonismo romântico jovem da trama.

Com o desaparecimento de Isabela, os protagonistas jovens também se integram ao enredo policial da novela. E foi a partir daí que os autores voltaram a colocar em primeiro plano o eixo central da história. Nos últimos capítulos, as tramas envolvendo os jovens foram abandonadas, o assassinato de Zelito (Danilo Ferreira) foi antecipado e Tião Bezerra se colocou como um vilão a olhos vistos. Atacando de frente Pedro e Helô, o malvado se aproxima cada vez mais de Magnólia, com quem tem um passado mal resolvido, fazendo com que estas tramas se unifiquem cada vez mais. Assim, Pedro e Helô voltaram a agir juntos no intuito de derrubar os vilões, batendo de frente com Tião e Mag que, por sua vez, tentam separá-los novamente. Tiago também segue presente, buscando a verdade sobre o desaparecimento de Isabela.


Assim, A Lei do Amor ficou mais redondinha, pois conseguiu se livrar das "gorduras" presentes nas tramas paralelas, ganhando mais foco. Além de, finalmente, acender a luz sobre seu enredo principal, deu mais destaque a personagens que mereciam estar nesta linha de frente, como a maravilhosa Luciane (Grazi Massafera), responsável pelos melhores momentos da trama. Paralelamente, ganhou força a história envolvendo o divertido casal Antônio e Ruty Raquel (Pierre Baitelli e Ruty Raquel, excelentes em cena). Também ganhou força o triângulo envolvendo Augusto (Ricardo Tozzi), Vitória (Camila Morgado) e Beth (Regiane Alves), que acaba de chegar para colocar mais molho neste entrecho (e deixar Vitória menos chata). Ou seja, até aqui, as mudanças impressas fizeram a novela fluir melhor, sem excessos.

E as mudanças não param por aí. Anteriormente, dada como morta, Isabela voltaria à trama com um novo visual e outro nome e começaria uma vingança contra Tiago por achar que o namorado a jogou no mar após uma briga. Porém, a volta da personagem, que já era para ter acontecido, foi adiada para meados de janeiro de 2017. Sem Isabela, Tiago ficará soltinho e carente. Nesse meio tempo, Letícia mostrará ao ex-noivo que está mudada e não é mais aquela garota mimada e egoísta. Além de ajudar a tirar a fábrica da família Leitão do vermelho, a patricinha o ajudará a superar o trauma com a suposta morte de Isabela. Com isso, a amizade com a priminha começará a ter clima de romance. O plano é claro: fazer o público ficar dividido entre torcer por Letícia ou Isabela pelo coração de Tiago e "salvar" a personagem de Isabella Santoni, até agora, a mais odiada pelo público (com razão, como falei AQUI). Será que vai dar certo? Duvido muito!


Outra mudança: toda a história de corrupção e política na novela (até então, tratada de forma caricata e superficial), que seria deixada de lado, agora passará a ganhar mais espaço e um rumo mais cômico, justamente pelo retorno que alguns personagens envolvidos nesse núcleo dão com o público. Uma das queridinhas é Luciane, que, daqui pra frente, deve aparecer em várias cenas batendo boca nos comícios da vida com Salete (Cláudia Raia), que se tornará vice na chapa com o marido dela; bem como o corrupto Venturini (Otávio Augusto hilário), que, como a arte imita a vida, irá cumprir prisão domiciliar.

Resta saber se, com toda esta ação, A Lei do Amor não tenha queimado cartuchos demais e acabe ficando sem muita história para contar mais adiante. Tião sendo vilão às vistas de todos deve colocá-lo, em breve, atrás das grades. O que acontecerá com ele depois disso? Sempre corre o risco de esvaziar o personagem, afinal, todo mundo já sabe do que ele é capaz. Além disso, a revelação de que Mag e Ciro são amantes os coloca como responsáveis por boa parte das ações e mistérios que envolvem a trama policial da novela. O atentado contra Fausto, o fato de Vitória ser emocionalmente instável, e até a estranha morte de Carmen (Bianca Salgueiro), primeira mulher de Hércules (Danilo Granghéia), podem ser creditados ao casal. O que virá depois? E os trocentos personagens secundários que serão deixados de lado (caso da ótima Maria Flor, cuja Flávia está sendo desvalorizada)? Ficarão sem função mesmo na trama, só fazendo enfeite, ou sumirão de vez? Os autores terão agora que propor novas surpresas para manter a temperatura em alta.


O grande problema é que, embora tenha ganhado agilidade e ficado mais compreensível, A Lei do Amor perdeu uma grande qualidade: a sutileza. Ao escancarar tudo explicadinho, personagens dúbios que demonstravam desvios de caráter perderam sua essência e mudaram radicalmente o comportamento. É o caso de Tião, um personagem difícil de engolir. José Mayer tem se esforçado para fazê-lo verossímil, mas não dá para acreditar nele. Ele virou a personificação do próprio diabo. É mau o tempo todo e só vive para destruir quem cruza seu caminho. É um vilão gratuito e exagerado, com intenções confusas e não muito lógicas. Não me surpreenderia se em breve surgisse um "quem matou Tião?". Suspeitos não iriam faltar.

E a coerência é outra senhora que anda passando longe de A Lei do Amor, com situações difíceis de engolir. Jéssica, até então, uma garota ambiciosa e nada sentimental, virou uma santa e, do nada, passou a nutrir um amor súbito pelo médico Bruno (Armando Babaioff), aniquilando o único conflito com a mãe Salete e a irmã Flávia. Bruno, por sua vez, era um bacaca e nutria uma inveja pelo mocinho Pedro e, do nada, também virou um santo. Aproveitando que eu citei a Salete, Daniel Rocha não combina com Claudia Raia. Eles não têm química e fica difícil acreditar que um mulherão como Salete vai se apaixonar por Gustavo. Renato Góes, inicialmente escalado, era mais apropriado. Uma dúvida: quando foi que Salete deixou de ser uma devorada de homens (já que assediava sexualmente os frentistas bonitões do seu posto de gasolina)? O caso mais gritante, porém, é o da Letícia. Ela era egoísta e mimada, tinha verdadeira idolatria pelo Tião e odiava Pedro. Aí, um belo dia, acordou odiando Tião, amando Pedro e se tornando a pessoa mais madura do mundo, a filha perfeita para Helô, além de expert em negócios. Tudo de uma hora pra outra. Aham, tá...

E não para por aí. Aline, a vilã jovem da trama que fez de tudo para conquistar Tiago, e uma das poucas personagens bem desenvolvidas entre esses 987 que existe na história, saiu da trama, acabando com o único conflito do núcleo de Yara (Emanuelle Araújo, que mais parece "papagaio de pirata" da Helô). O mesmo aconteceu com Zelito, que deu sinal de que uma história ousada na novela estaria por vir com seu envolvimento com Wesley, frentista do posto de gasolina e pai solteiro, mas foi assassinado, deixando-o sem história. Com tantos outros tipos bem mais desnecessários pra tirarem... Com esse sumiço sem explicação da Isabela até meados de janeiro, fica totalmente sem sentido o fato de Helô ter avistado Isabela em Paraty. Afinal, se a moça está tão perto, por que não apareceu pelo menos para os amigos?

Resta saber se as mudanças chegaram a tempo de conquistar o telespectador insatisfeito ou se vai desfigurar A Lei do Amor e transformá-la numa colcha de retalhos mal remendados, tal como Babilônia...

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

MasterChef ou Guerra dos Sexos?



Ontem (14) rolou a grande final do primeiro MasterChef Profissionais, da Band. Se você também abriu mão de horas de sono, viu que as redes sociais entraram em polvorosa, com bandeiras feministas sendo levantadas e defendidas com unhas e dentes. No fim, o resultado que levantou inúmeras suspeitas: Dayse consagrou-se como a grande campeã. O assunto mais discutido da noite, porém, foi sobre o suposto machismo presente nesta edição. Ivo e Dário foram os mais criticados por terem protagonizados cenas em que duvidaram da capacidade da participante. Em entrevista ao Estadão, Dayse disse não representar o feminismo na vitória. E ter a presença do machismo na cozinha não a faz obrigada ser feminista. A mãe e a irmã de Marcelo chegaram atribuir a vitória da participante a uma suposta "guerra dos sexos". Concordo!

Neste ano, principalmente, o MasterChef sofreu um processo de BBBnização. O talent show rendeu aos elementos primordiais dos realities de confinamento. O participante perseguido e/ou menosprezado pelos outros. O bonzinho rejeitado. A mulher desprezada pelos "homens machistas". Nesse caso, o fato é ainda mais gritante porque quase todas as mulheres eliminadas da competição ressaltavam como ponto fundamental o machismo presente nos bastidores das cozinhas brasileiras. E isso contaminou a visão do programa. Dayse foi a "sobrevivente" da equipe feminina. E, de acordo com esta visão, teria sofrido atitudes machistas dos adversários. Foi excluída pelos demais. Menosprezada. Só por ser mulher. Como pode, né?

Marcelo, com jeitão agitado e imperativo, esteve na final merecidamente. Diferente da Dayse, que apostou na maioria das vezes no clássico, ele surpreendeu com suas invencionices, ou melhor, contemporaneidades na cozinha (algumas ficaram completamente sem conexão, segundo o paladar dos jurados). Nesta final, Marcelo ousou ainda mais apostando na gastronomia contemporânea e em suas invencionices. E acertou: os pratos do participante foram bastantes elogiados. Porém, a primeira nota apurada já trouxe muitas suspeitas. Durante a degustação, não houve nenhum prato com erros absurdos apontados. Pelo contrário, os jurados só teciam elogios. Então, como o Marcelo poderia ter recebido uma nota 2 (de um total de 10) em um prato longamente elogiado? Naquele momento, somado ao fato das declarações politicamente corretas na edição ao vivo dos jurados (que mais pareciam estar ouvindo as declarações de um ponto eletrônico), eu entendi que a vitória da Dayse tinha sido costurada pelo programa em função do feminismo.

Acredito, de verdade, que a Dayse seja uma excelente chef de cozinha, mas durante a competição ela não mostrou a ser a melhor competidora de forma consistente. Ficou claro que a direção do programa se deixou influenciar pela torcida à la BBB e queria ganhar apoio de um grupo de telespectadores defensores dos "fracos e oprimidos". Com isso, criaram mais polêmica e colocaram em xeque a credibilidade de um reality bem-conceituado. Imagine assistir a próxima temporada sabendo que levará o prêmio aquele que gerar mais afinidade com o público ao invés de ser avaliado o talento do competidor, aquele que foi o melhor?


Que fique bem claro: a questão não está no feminismo em si, nem no machismo. O problema é que tudo está se transformando em posição extremista. O atual modelo de feminismo, ao invés de pregar igualdade (no sentido de equidade, julgamento justo), vem pregando um modelo de exclusividade ou preferência. Não precisamos de mais coitados. Precisamos de iguais condições. O que importa são as habilidades, a competência, ser o melhor no que faz; até porque todos ali passaram pelos mesmos testes de seleção e desafios, tiveram acesso aos mesmos recursos, foram cobrados igualmente em termos de tempo e dificuldade. O fato de ter sido menosprezada por homens não implica, necessariamente, em machismo. Ainda bem que Dayse foi sensata ao declarar que sua vitória não representava o feminismo coisa nenhuma.

domingo, 4 de dezembro de 2016

O Melhor e Pior da Semana (27/11 à 3/12)




   O MELHOR DA SEMANA   


Décimo episódio de Supermax


Desde o início, sempre tiverem alguns comentários alertando que o episódio 10 seria o melhor de todos de Supermax. E não é que é verdade (pelo menos, até agora, já que ainda faltam o penúltimo e o último)?

A volta no tempo mostrou que tudo aconteceu, relativamente, a pouco tempo (2008), sem ter toda uma mitologia muito mais antiga, que eu acreditava que seria o norte de tudo. O foco sendo em Mauro e Nonato foi muito interessante, pois temos um que quer descobrir o que está acontecendo de errado na obra de construção da Supermax e o outro que acredita que a peste é causada pelas prostitutas, que, por sinal, foram outras personagens muito boas no episódio 10. Finalmente, tivemos algumas respostas, como a questão do vírus que era transmitido através da mosca, e que esse vírus causa agressividade e que seu hospedeiro não sente medo ou dor. E neste ínterim tivemos a questão de a empresa realizar uma completa queima de arquivo, eliminando tudo referente ao vírus, isso incluindo até a equipe de filmagem de Mauro que fazia o documentário sobre a cidade. Com uma revelação também relevante para a história: o renascimento de Baal, um antigo "deus" da Bíblia que estava de volta a terra para levantar o seu exército.

Filho. Supermax – Capítulo 10.  2016-11-29-2

O fato de Nonato ter sido o receptáculo de Baal foi algo completamente coerente, pois ele era um homem que prezava pela fé e pelos bons costumes e que Deus iria cuidar dele e de sua família a todo custo e, de uma hora para outra, toda sua família é destruída pelo vírus e ele consegue ser o único sobrevivente. Nonato abandonando a Deus e abraçando com toda força as trevas se mostrou algo que poderia acontecer a qualquer um. Baal se aproveitou de todo sofrimento e desespero de Nonato e usou isso a seu favor. E tenho que admitir que foi extremamente triste ver Nonato sacrificando seu filho e perguntando para Deus porque ele salvou Isaque, mas não salvou seu filho. Cena dilaceradora. Simplesmente não tinha como não compadecer da dor dele e concordar com todo seu discurso. Atuação estupenda de Márcio Fecher.

Se formos analisar pela história da demonologia e das teorias pagãs, podemos concluir que Baal espalhou o vírus para recrutar soldados para o seu lado por ter a cura para o vírus e assim conseguir criar seu exército de 450 profetas, que, neste caso, ele precisa das mulheres para procriarem, o que podemos ver na questão das prostitutas irem para o lado dele e serem aquelas que estão em constante trabalho de parto (e também por terem raptado Bruna). De qualquer forma, agora indo para a parte técnica, posso dizer que este episódio foi disparado o melhor que foi apresentado até o presente momento. A ambientação usada, com trabalhadores e prostitutas, em um ambiente que de certa forma era degradante e que facilitava bastante a proliferação do vírus, foi muito agradável de ver, principalmente por sair daqueles corredores fechados e escuros. As atuações foram bem superiores a todas que fomos apresentados até o presente momento, de forma que eu fiquei muito mais interessado em acompanhar a saga de Nonato/Baal do que termos que voltar para o presídio de novamente com as atuações, no geral, canastronas de parte do elenco.

Baal. Supermax – Capítulo 10.

Acredito que a série não precisava ter feito vários episódios para chegar até aqui, pois tivemos muitos episódios que praticamente só enrolou e este, que tinha uma grande história, ficou renegado a praticamente ao final, tendo apenas mais dois episódios para se ver todo o desdobramento do que Baal pode fazer com o pessoal que ainda está no presídio da Supermax. O episódio foi excelente, mas senti que veio um pouco tarde demais, já que poderia ter vindo mais cedo para desconfundir a cabeça dos telespectadores e dar um ritmo mais frenético a trama, pois, tirando o sexto episódio, esse foi o mais tenso até o presente momento; o que é uma pena, pois a série tinha potencial para explorar ainda mais, já que ela não tinha amarras para tratar vários temas de forma nua e crua. Fica um gostinho de decepção.

Virada de Nada Será Como Antes


Verônica flagra Saulo com outra mulher (Foto: TV Globo)

Nada Será Como Antes ganhou muito quando deixou de lado as longas cenas de sexo e nudez para investir nas boas histórias que tem para contar. Débora Falabella e Murilo Benício ganharam ótimas cenas com os novos dilemas entre Verônica e Saulo na disputa pela guarda do filho da atriz. Difícil não se emocionar. Eu sou #TeamVeronica e #OdeioSaulo! Também é preciso elogiar Cássia Kiss, que mostra, mais uma vez, que faz qualquer tipo de personagem, por mais pequeno que seja. A interpretação dela como a simplória Odete chega a ser comovente. Sem falar na boa sintonia que tem com Bruna Marquezine, sua filha na série.

Senador Venturi


Venturini denuncia Mág (Foto: TV Globo)

Mesmo que toda a história de corrupção e política na novela venha sendo tratada de forma caricata e superficial, Otávio Augusto está mandando super bem como o senador César Venturi. Um tipo bufão, de comédia, ao mesmo tempo, detestável e risível. Uma sacada de gênio dos autores na cena desse sábado (3), em que Venturi se recusa a ir preso e dá o maior chilique, se atracando com os policiais e gritando que é cardíaco. Qualquer referência com o Garotinho será mera coincidência? Seja lá como for, adorando também a dobradinha de Otávio com Grazi Massafera (outro destaque de A Lei do Amor, como falei bem AQUI).

Homenagem do JN às vítimas da queda do avião da Chapecoense



Em uma tragédia, a linha que separa jornalismo e sensacionalismo é muito tênue. Nessa semana, o Brasil e o mundo esportivo entrou em choque e de luto com a tragédia do voo que vitimou mais de 70 pessoas no acidente com o time da Chapecoense na madrugada de terça (29), na cidade de La Unión, próximo a Medellín, na Colômbia. Com duração longa, o Jornal Nacional (principal telejornal da Globo e do país) fez naquela noite a maior e melhor cobertura da tragédia, onde os apresentadores Heraldo Pereira e Giuliana Morrone desceram da bancada e encerraram o telejornal na redação, ao lado de Galvão Bueno, que fez o encerramento pedindo aplausos de toda a equipe, que bateu palmas durante 1 minuto e 20 segundos enquanto o telão do estúdio exibia fotos de jogadores e jornalistas que morreram na tragédia.

Foi uma edição arrepiante, digna, honrosa e comovente que já entrou para a história do telejornalismo brasileiro! Antes, inclusive, nas idas para o intervalo, foram sendo exibidos os nomes dos mais de 70 mortos no desastre. Bacana! Muitos repórteres da Globo com experiência em relatar tragédias, como Ari Peixoto, Helter Duarte, Alberto Gaspar e Ricardo Von Dorf, choraram no ar; e não precisariam fazer diferente, já que a emoção não compromete o bom jornalismo, ainda mais em situações extremas como essa, quando a empatia e a sensibilidade prevalecem. Mas é preciso elogiar o Galvão, principalmente ao narrar o velório coletivo da Chapecoense. Ele anulou os exageros típicos de seu estilo e fez a narração de maneira discreta e respeitosa. Em alguns momentos, emocionou-se a ponto de ficar com a voz embargada e soube respeitar o silêncio necessário em alguns trechos do cortejo e do funeral no estádio. (...)

     O PIOR DA SEMANA     


Sensacionalismo com a tragédia


Reprodução/TV Globo  Jornalista usa celular em velório - Foto/Reprodução: Globo

(...) Infelizmente, é de se lamentar que o mesmo JN, que vinha fazendo uma boa, extensa e respeitosa cobertura, tenha brindado o telespectador na edição desse sábado (03/12) com um momento de exploração grosseira do drama das famílias em luto. Achei bastante desnecessária as imagens da parte privada dos familiares (no interior do ônibus que levou parentes ao aeroporto de Chapecó e na tenda onde velaram os corpos, dentro do estádio) feitas pela repórter Kiria Meurer com a câmera do próprio celular. Se o cinegrafista não foi autorizado a filmar, era óbvio que não queriam câmeras filmando por lá. Por acaso, a repórter achou que estava visitando algum ponto turístico? Só faltou filmar os corpos dentro do caixão!

Continuando na Globo, também achei bem desnecessária e uma tremenda forçação de barra de Tiago Leifert ao citar a tragédia na abertura do The Voice Brasil, nesta quinta (1). Ele abriu o programa dizendo que, naquela noite, não era o The Voice, mas sim o "The Voice Chapecó". E que "nossos quatro times são, sem dúvida nenhuma, chapecoenses". Tudo bem que Tiago fazia parte do jornalismo esportivo da Globo, todos os demais profissionais se emocionaram e tal, mas achei deslocado e gratuito. Até porque ele estava num reality show musical, que nada tem a ver com o assunto. "The Voice Chapecó"?! Menos, né...

  Resultado de imagem para SONIA ABRAO CHAPECOENSE

Nas concorrentes, pra variar, o pior do sensacionalismo deu as caras. Foi o caso da Rede TV. Durante a manhã, o Você Na TV convocou um sensitivo ao estúdio e um vidente por telefone. O sensitivo Rodrigo, que diz ter previsto o 11 de setembro, afirmou que até o fim deste "ano carregado" haveria mais tragédias. O programa também exibiu um vídeo no qual o vidente Carlinhos previu o acidente com o avião da Chape. Pasme! Os dois espíritas se vangloriavam por terem "acertado" em cheio nas tragédias. Os apresentadores Celso Zucatelli e Mariana Leão ainda fomentavam a macabra patifaria. Quanto mau gosto, desrespeito e falta de sensibilidade num momento desses... E não parou por aí! Durante o A Tarde É Sua, a (coveira) jornalista Sônia Abrão, como era de se esperar, deu amplo destaque a tragédia e também ao vidente que "previu" a queda. O mais "engraçado" dessa história é que Sonia está lá, sentada, fazendo cara de tristeza, dizendo que era lamentável o que tinha acontecido com o time, aí do nada levanta, vai pro merchandising e já arreganha os dentes: "Vamos falar de coisa boa? Vamos falar da calça modeladora Lejeans"! Ridículo!

Um fato que chamou minha atenção foi a apresentadora Adriana Araújo ter encerrado a transmissão do velório, na Record, antes do término. Achei estranho, já que a emissora cobre até o fim esse tipo de acontecimento. Zapeei para a Globo e, nesta parte não exibida pelo canal, entrou Cid Moreira e um bispo da Igreja Católica com a mensagem do papa Francisco. A questão religiosa e da concorrente platinada entraram neste embate. Lamentável. Triste fato. Nem vou perder tempo falando da incompetência e desinformação do SBT porque o desprezo da emissora pelo jornalismo já é notório. Morreram mais de 70 brasileiros no maior acidente do país envolvendo o esporte, mas o canal preferiu enviar um repórter para a porta do Fórum de Justiça de SP para cobrir em tempo real as últimas notícias do divórcio da Luiza Brunet, no Fofocando. Jornalismo para cobrir fofoca e futilidades o SBT tem a disposição 24h, incrível...

Morte de Zelito



É de se lamentar que, em meio a um elenco numerosíssimo e repleto de personagens sem função e desinteressantes, os autores de A Lei do Amor resolveram eliminar justamente o personagem gay, negro e, aparentemente, promissor: Zelito (Danilo Ferreira). Wesley, frentista do posto de gasolina e pai solteiro, se declarou para ele; o que deu sinal de que uma história ousada na novela estaria por vir. Ledo engano.

Zelito soube por Jessica que o maior vilão da novela, Tião (José Mayer), está envolvido no desaparecimento de sua amiga Isabela (que "morreu" em uma cena mequetrefe, como disse AQUI). E o que ele faz? Fica caladinho e investiga melhor até encontrar provas concretas? Denuncia na polícia? Não... Invade a sala do vilão, acusa ele de ter matado a garota e ainda lhe dá um soco! J-E-N-I-O! E, no capítulo desta segunda (28), ainda assistimos Tião também deixar o bom senso de lado e encomendar a morte imediata de Zelito, que morreu vítima de overdose após um capanga do vilã colocar um veneno na bebida do rapaz na balada.

Segundo a Globo, a morte de Zelito já estava prevista desde antes de A Lei do Amor ir ao ar. Duvido muito, mas, ainda sim, é uma pena que justamente ele tenha sido eliminado com tantos outros mais dispensáveis. De qualquer forma, Zelito saiu de cena em grande estilo (Danilo Ferreira brilhou na cena aterrorizante em que seu personagem morre); e Tião é um personagem difícil de engolir. José Mayer tem se esforçado para fazê-lo verossímil, mas não dá para acreditar nele. Ele é mau o tempo todo e só vive para destruir quem cruza seu caminho. É um vilão gratuito e exagerado, com intenções confusas e não muito lógicas.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Supermax tornou-se refém de si mesma



Como trazer um público que se afastou da TV de volta? Criar novelas para atrair telespectadores jovens e antenados como a ficção científica Além do Horizonte e a tecnológica Geração Brasil, ambas às 19h? Trazer uma aura de seriado à novela, como Avenida Brasil e A Regra do Jogo? Apostar em formatos seriados consagrados internacionalmente, como Dupla Identidade e Justiça? Lançar (tardiamente) um aplicativo (Globo Play) com vídeo sob demanda tal qual Netflix? Todas essas perguntas devem ter sido feitas ao longo dos últimos cinco anos na Globo. Todas, evidentemente, respondidas com atraso.

Hoje, as novelas viram que não tem como atrair esse público que afastou-se da TV aberta, abriu seus HDs para downloads ilegais de seriados internacionais e passou a assinar produtos da Netflix e TV paga. São, portanto, obsoletas (ainda que com qualidade extrema, como Velho Chico, Verdades Secretas, Sete Vidas, Além do Tempo e tantas outras mais recentes) e estão distante de quem é conectado. As séries, entre uma ou outra experiência bem sucedida, ainda tentam encontrar um caminho. O Globo Play, que oferece todo o cardápio da emissora, incluindo capítulos diários de novelas, tem relativo sucesso. Mas faltava mais.

Em 2015, iniciava-se o processo de criação de uma série original, diferente de tudo que já havia sido mostrado na TV aberta. Uma prisão, um reality show, acontecimentos sobrenaturais, terror, suspense. Estava criado o hype em torno de Supermax. Depois de todo o frisson criado (com direito a painel na Comic Con, referência para os jovens que devoram séries e tudo o mais do mundo dos quadrinhos em todo o planeta) e do adiamento (seria exibida no primeiro semestre, ficou para o segundo), a série estreou em uma iniciativa inédita. Pela primeira vez, a Globo disponibilizou toda a série no Globo Play. Diante do crescente da Netflix, que usa da estratégia ao liberar todos os episódios de uma só vez, a Globo viu nesse tipo de estratégia uma forma de manter o hype e mostrar: "Vejam, nós também estamos nesse jogo!".

Na verdade, quase todos os episódios. Exibida semanalmente às terças-feiras, na segunda linha de shows após a novela das nove, Supermax terá o seu último episódio exibido para todos, telespectadores da TV aberta e assinantes da Globo Play, em dezembro. Dos 12 episódios, 11 já estão disponíveis. E é aí que a história desandou. Pra que perder tempo assistindo pela TV, tendo que esperar semanalmente por cada episódio, quando se pode ver tudo logo de uma vez pela internet (e sem intervalo comercial)?

A tentativa de criar ainda mais hype com o lançamento de todos os episódios de uma só vez provavelmente não causou o que a emissora desejava. Haja vista que a série vem acumulando recorde negativo atrás de recorde negativo e acumula os números de audiência mais baixos já registrados por uma série da Globo na faixa horária de exibição, normalmente dedicada... A séries cômicas (como Tapas e Beijos e Louco por Elas) ou à novela das 23h. Outra tremenda bola fora da Globo: Supermax deveria ser exibida numa sexta-feira, após o Globo Repórter, um horário que a própria emissora costuma apresentar produtos, digamos, mais pesados (como foi o caso de Dupla Identidade, que também tinha elementos de terror e suspense).

Supermax é um produto de alta complexidade técnica. Por outro lado, derrapa em uma história com uma premissa interessante, mas que se mostra rocambolesca ao desenrolar da trama. A primeira (má) impressão começou ainda nas chamadas de estreia. Se antes havia um interesse por conta do formato aparentemente ousado que criou a expectativa de que Supermax seria um fenômeno ou, ao menos, criaria um novo padrão de produto seriado na TV aberta, ao lançar a série como “reality show”, a Globo cometeu outro grande erro.



As chamadas mostravam Pedro Bial, (ex-)apresentador do (famigerado para alguns, viciante para outros) BBB, no comando do reality show que dá nome à série. Os personagens, apresentados como participantes. A série, como um programa tal qual o BBB. O telespectador comum ficou confuso. Reality show? Série? O que é, afinal, esse novo programa? Caso pessoal: um familiar perguntou se nós, telespectadores, poderíamos votar para eliminar os participantes. Esse familiar não vê TV aberta com frequência, um ou outro produto. Não é nenhum desatento ou desinformado. Caiu na falsa armadilha, assim como milhares (ou milhões) de outros telespectadores completamente alheios. Supermax tornou-se refém de si mesma.

O telespectador que comprou a ideia de reality show desistiu. O jovem (quando digo jovem, não digo de faixa etária, e sim de comportamento) desistiu ao ver Pedro Bial como apresentador (ainda mais canhestro). Supermax, enfim, ficou presa à armadilha que ela própria criou. Tentou atirar em todos os lados: o telespectador que ama BBB e derivados, o assinante da Netflix que quer abocanhar todos os episódios de uma só vez, o jovem que ama séries e nem sai de casa para acompanhar. Atirou também em todos os formatos e gêneros: reality show, suspense, terror, sobrenatural, série. Errou todos. Errou feio. Errou rude.

Errou ao acreditar que o telespectador de reality show acompanharia. Não comprou a ideia por ver que aquilo é uma série e não poderia interferir nos rumos. Desistiu porque talvez não esteja acostumado a ver terror (é medroso e pudico). Quem faz binge watching (assistir vários episódios de uma só vez) achou um disparate não ver o último episódio. O jovem que devora séries viu as atuações, diálogos e situações canhestras e repetiu o mantra preconceituoso: “Ah, tinha que ser série brasileira, nada presta”.

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É uma pena que Supermax não tenha engrenado (em números e repercurssão). A sua premissa é das mais interessantes. A impressão que tenho é que os criadores juntaram todas as ideias possíveis para criar algo teoricamente “ousado” e gastaram todas as balas na concepção de Supermax . A mistura não deu liga.

Supermax repete a estratégia: personagens com histórias clichês (o assessor parlamentar corrupto, a ricaça perua, o jogador de futebol problemático, o policial bem intencionado, o padre com traços psicológicos problemáticos) e atuações (mais por conta do roteiro do que pelos atores) pra lá de forçadas. Além disso, premissa natural em qualquer série, não há sequer um personagem que cause empatia. Essa empatia não é necessariamente pelo personagem justo, vide Walter White de Breaking Bad e Frank Underwood de House of Cards (ou, num exemplo bem brasileiro, vilãs de novela como Carminha, Nazaré e Odete Roitman).

Apesar de ser uma produção de apuro estético, novamente é mais um produto que aposta na embalagem em detrimento da história. Pese ainda o fato da série se passar em uma prisão no meio da selva amazônica, que poderia render lendas e sobrenatural “coisa nossa”. O caminho adotado, aparentemente, é o de exportar a série para outros países. Um erro. O que há de melhor em produto seriado (incluindo séries e minisséries) é o brasileiro. Exemplos não faltam: O Canto da Sereia, Amores Roubados, A Teia, Doce de MãeDupla Identidade (mesmo com um pé em um conceito de serial-killeramericanizado), Os Experientes, Felizes Para Sempre?, AmorteamoLigações Perigosas (uma releitura do clássico francês, mas que poderia se passar no Rio de Janeiro daquela época facilmente), Justiça... Até mesmo fora da Globo, como A Lei e o Crime, Fora de Controle, Conselho Tutelar e Plano Alto, na Record, e Magnífica 70, na HBO (TV paga).

Ainda que preconceituosos afirmem que a TV brasileira não sabe fazer séries ou minisséries, os exemplos acima (entre uma falha e outra, encontradas também naquilo que é considerado o “padrão americano”), o melhor ainda é falar do Brasil, com formato do Brasil. O único caminho para o produto seriado brasileiro é falar de sua gente. Supermax, enfim, emula um formato feito para atrair um público que, certamente, dispensou o produto. Até mesmo os criadores e a Globo, apesar da pretensão, não apostaram tão alto quanto parece: não tem esteio e não pensaram em uma segunda temporada. Também, pudera: com tanta bala disparada, a arma ficou sem munição. A história, esse item primordial, tem que ser coisa nossa. E Supermax falha ao tentar criar uma mitologia (falarei sobre o fantástico 10º episódio no melhor e pior dessa semana, esperem!) que começa interessantíssima (os primórdios da prisão de segurança máxima), mas desemboca para um ritualístico sem sentido, quando poderia apostar em algo mais “brasuca”.

domingo, 27 de novembro de 2016

O Melhor e Pior da Semana (20 à 26/11)




   O MELHOR DA SEMANA   


Carinha de Anjo



O SBT encontrou um belo nicho ao produzir novelinhas infantis, conquistando uma relevante fatia de público com suas tramas para crianças no horário nobre. Carinha de Anjo é outra boa trama feita pela emissora. A pequerrucha Lorena Queiroz, de 5 anos, que interpreta a órfã Dulce Maria, é o maior achado do SBT. A escolha de uma menina tão nova para segurar o papel de protagonista da novela foi uma ousadia e tanto. Mas, até agora, Lorena segurou bem a responsabilidade e mostra talento de gente grande. As cenas dela com Lucero (em uma participação mais do que especial na pele de Tereza, mãe falecida da Dulce, com quem ela interage em sonhos) foram os momentos mais lúdicos, bonitos e emocionantes dessa primeira semana. Estou apostando minhas fichas também na Priscila Sol, à frente da adorável Tia Perucas. A atriz poderia ter seguido a linha caricata que a personagem tem na versão mexicana, mas ela se mostrou segura e bem mais do que uma cópia. Aguardemos! A trama, em si, está sendo uma graça e agrada todo tipo de público. Inclusive, já estou com o tema de abertura e a música Joia Rara na ponta da língua!

Gui e Zac



Vladimir Brichta e Nicolas Prattes se destacaram na cena em que pai e filho finalmente se aproximaram e se abraçaram, logo após Gui ter salvado Zac de um espancamento. A relação dos personagens, como eu já havia previsto, é uma das melhores em Rock Story. A novela segue deliciosa, atraente e bem dinâmica.

     O PIOR DA SEMANA     


"Figuração" de Ivete no The Voice Brasil


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Para quem foi anunciada como grande novidade na atual temporada do The Voice Brasil, Ivete Sangalo não teve uma função à altura do superlativo que vem à frente do título do cargo que lhe deram. De Supertécnica não teve nada. Muito pelo contrário. A cantora teve uma atuação até menos expressiva do que tinham os chamados "assistentes" nas temporadas anteriores, como, por exemplo, Luiza Possi, Rogério Flausino, Ed Motta, Maria Gadú e Di Ferrero. E eles apareciam não apenas nos ensaios, como se faziam presentes assistindo junto aos técnicos a cada apresentação dos candidatos. Um detalhe que faz, sim, toda a diferença. O que ficou parecendo é que o convite a Ivete aconteceu muito mais para criar factoides em torno de uma possível rivalidade entre ela e Claudia Leitte. Se a ideia foi fazer lobby e fornecer material para a mídia sensacionalista, até nisso o tiro saiu pela culatra. O assunto já até se esgotou em si.

Mais um capítulo da série "Como salvar o Vídeo Show?"


 

É deprimente ver a Globo atirando para todos os lados tentando salvar o Vídeo Show. O programa, que faz parte da história do canal, vem sofrendo desde 2010 com uma fraca audiência. Porém, a cerca de oito meses, com a criação do quadro Hora da Venenosa dentro do jornalístico Balanço Geral SP, o programa vem levando surras no horário e abalando a hegemonia da Globo, algo que a emissora não permite.

Depois de transformar Susana Vieira em apresentadora, trazer Miguel Falabella de volta à bancada e testar Angélica e Luciano Huck (tudo sem sucesso, diga-se de passagem), agora o Vídeo Show apela para dramas. O vespertino trouxe de volta o Caso Verdade, no qual pessoas comuns relatam casos parecidos com o das novelas, como o vivido por Carolina Dieckmann como Camila em Laços de Família (já tinha o criticado AQUI). Ou seja, não apenas as concorrentes escorregam na pieguice e apelam para chamar a atenção do público. Se você estiver zapeando e se deparar com uma trilha sonora bem dramática, Otaviano Costa e Joaquim Lopes forçando choro e uma longa reportagem, podem ter certeza que não é o Domingo Show!

As maluquices de Silvio na grade de programação do SBT


No início da década de 2010, o SBT passou a adotar uma postura mais responsável em sua grade de programação. Antes, o canal era caracterizado pela instabilidade eterna, sempre creditada às vontades de Silvio Santos, que lançava e cancelava programas ao sabor do vento, mudava horários de atrações a todo instante e decretava ordens que pareciam absurdas. Isso mudou bastante. A grade se tornou menos instável e foram lançados programas de grande viabilidade financeira. Os resultados vieram: após perder o segundo lugar para a Record, o SBT voltou a brigar de igual para igual com a concorrente.

Mas o ano de 2016 vai ser marcado como uma espécie de "retorno" de Silvio Santos atacando como "diretor de programação". Nos últimos meses, não faltaram mudanças e ideias malucas que, segundo a imprensa especializada, são ordens do dono do canal. Difícil defende-lo, viu... Programas lançados às pressas, mudanças de horário e de padrão e algumas ideias que não parecem combinar com o jeito moderno de se fazer televisão. Muitas coisas esquisitas acabaram acontecendo no SBT. E elas ainda não acabaram.

Nessa semana, o jornalístico Primeiro Impacto voltou a ter Joyce Ribeiro e Karyn Bravo, mas numa "primeira parte". A segunda continua sob o comando do "incrível" jornalista Dudu Azevedo. Coitadas. Delas e do público, é claro! O Fofocando, que já está fazendo hora extra em se tratando de Silvio, agora vai ao ar apenas para São Paulo. Como consequência, o restante do Brasil passa a acompanhar a re-re-re-re-re-re-re-reprise A Usurpadora a partir do capítulo 11 (e agora às 15h15), assim como ele já fez com A Mentira, que passou a ser exibida nacionalmente no meio da exibição por não ter ido bem em SP.

Tem que ser muito fã mesmo para aguentar essa grade voadora do SBT, viu...

O assassinato de Isabela


Fininho ameaça a atirar em Isabela (Foto: TV Globo)

Até agora não me conformei com o amadorismo nas cenas do assassinato de Isabela em A Lei do Amor. Tudo foi pobre, desde o roteiro até a sua realização. Como é possível engolir que duas pessoas (Isabela e Tiago) estejam a bordo de uma lancha relativamente pequena e não vejam que há uma pessoa escondida em um dos cômodos da embarcação? Tudo bem, eles estavam apaixonados e loucos para passear que sequer foram conferir isso, mas é que muitas outras pontas ficaram soltas nesse assassinato.

Depois de uma semana sofrendo com as desconfianças (descabidas) de Tiago, coincidentemente, Isabela leva dentro da sua bolsa exatamente o extrato que prova o depósito de 15 mil reais feito por Helô. Que tremenda coincidência, não é mesmo? Isso sem falar que, mesmo sabendo que Tiago tinha um pé atrás com essa história, ela cede aos apelos do namorado e viaja em um passeio quase lua de mel.

Agora, vamos a cena propriamente dita. Simplesmente, do nada, depois de ter em suas mãos a suposta prova de que Isabela aceitara o dinheiro de Helô para afasta-lo de Letícia, Tiago se transforma, acusando a amada de falsa e aproveitadora. Isabela, num rompante de raiva, diz que vai embora e, ao ser puxada por ele, se desequilibra, cai, bate a cabeça e desmaia. Meu Deus, quantas "coincidências", é preciso muita imaginação para voar nessa história, viu... Para coroar a cena e fechar em alto estilo, o tal bandido (a mando de Tião) escondido na lancha desde o início do passeio entra em cena, dá uma coronhada em Tiago e joga Isabela no mar. Muito fraca tanto a batida de cabeça dela, quanto a coronhada na cabeça dele. Não convenceu o impacto pro desmaio. Com o agravante de que o bandido pega Isabela no colo e ela, DESMAIADA, passa o braço no pescoço dele. Não vou nem continuar porque vocês já sabem que Isabela vai sobreviver e aparecer linda e loura e com outra identidade para se vingar. Ai, ai, quanto clichê...

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Prêmio Eu Critico Tu Criticas 2016


Chegou a hora de escolher os grandes destaques em 2016 no mundo das novelas, séries, seriados, minisséries, realitys e programas da TV aberta em 36 categorias. A votação será encerrada no dia 29/12 (quinta-feira) e o resultado será divulgado aqui no blog dia 31 (sábado), último dia do ano. Que vença os melhores... E os piores também!


Se não estiver conseguindo visualizar a enquete abaixo, clique nesse link AQUI.


quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Deliciosa mistura de ficção e História, Nada Será Como Antes não deveria ser semanal



Deve ser a primeira vez que isso acontece: não há comédias dentre as produções de séries em exibição na Globo. Atualmente, são dois produtos do gênero em cartaz, todos nas noites de terça: Nada Será Como Antes, um drama, e Supermax, de terror/suspense. Duas boas experimentações na grade da emissora.

Apesar de vir numa embalagem bem diferente do que normalmente aparece nas produções de séries da Globo, Nada Será Como Antes conta com um enredo simples e à prova de erros. Sua espinha dorsal trata das idas e vindas de um casal, formado por Saulo (Murilo Benício) e Verônica (Débora Falabella). Ele é um empresário visionário que aposta fundo no lançamento da televisão no Brasil; e ela uma atriz de radionovelas que desponta como uma das primeiras estrelas da telinha. Casados, eles se separam quando Saulo descobre ser estéril, num momento em que Verônica sonha em ser mãe. O casal vai e volta, sendo impedido sempre de permanecer unido por percalços que vão surgindo no desenrolar do enredo.

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O plot é quase um folhetim água-com-açúcar, mas ganha um tempero especial graças ao seu pano de fundo. Ao mostrar o início da televisão no Brasil por meio da fictícia TV Guanabara, Nada Será Como Antes mostra, também, a telenovela como um produto feito para vender sabonetes, mas que arrebata o público e se torna uma paixão nacional. Neste contexto, o drama vivido por Saulo e Verônica se confunde com o mais básico folhetim e a série assume-se como uma grande homenagem ao seu próprio veículo; além de brincar com os estereótipos típicos do "mundinho pantanoso" dos famosos, como diria uma certa cobríola.

Na trama, a TV Guanabara produz e exibe, ao vivo, sua primeira novela, uma adaptação do romance Anna Karenina. Verônica Maia, estrela das radionovelas e rosto da TV Guanabara, vive o papel-título, enquanto Beatriz de Souza (Bruna Marquezine), uma ex-dançarina de boate transformada em atriz pelo namorado, o patrocinador da obra, é sua antagonista. Rodolfo do Vale (Alejandro Claveaux) é o galã da obra e vértice do triângulo amoroso. A trama torna-se um grande sucesso, para a alegria do magnata Pompeu (Osmar Padro), mas é Beatriz quem cai nas graças do público apaixonado pela história. Verônica não aceita ser ofuscada por uma dançarina e dá seus chiliques típicos de estrela. A solução encontrada é transformar sua personagem na grande vilã da trama, invertendo os papéis. Assim, a trama fala sobre a paixão do público das novelas por grandes vilãs, além de deixar claro que a vontade da audiência influi nos rumos da obra.

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Nada Será Como Antes também enfoca o universo da televisão nos anos 50 reforçando ideias que ficam no imaginário do público e não necessariamente são verdades absolutas. Um exemplo é a glamorização vista nos bastidores da TV Guanabara, com cenários e figurino impecáveis. Sabe-se que o início da televisão foi de uma precariedade absoluta, mas, aos olhos do público, o mundo dos famosos é praticamente um universo particular e é isso que a série reforça. E há também personas típicas deste universo, como o patrocinador que coloca a namorada como protagonista ou o galã que esconde sua homossexualidade para garantir seu lugar na mídia e não decepcionar suas fãs apaixonadas. A “pimenta” da história fica por conta também de Beatriz, que, ao mesmo tempo em que namora Otaviano (Daniel de Oliveira), também se envolve com a irmã dele, Júlia (Letícia Colin). O que me incomoda é esse artifício de tentar criar uma relação incestuosa entre os irmãos. Podem me chamar de careta, mas acho desnecessário. Só serve para querer chocar. Tudo isso sob a direção firme e arrojada de José Luiz Villamarim, cujo nome já se tornou uma grife, e com um elenco competente e homogêneo, sem destaques negativos.

Ou seja, Nada Será Como Antes mostra os anos 50 com uma lente de aumento, quase idealista, mas encanta pela sua temática, que traz a TV falando da própria TV. O canal, porém, perdeu a chance de ousar mais, colocando a história da TV, de fato, como protagonista, menos glamourizada, e ido fundo em questões políticas e sociais que permeiam a implantação da TV no Brasil. Neste ponto, a série acaba ficando na superfície. O fato de ser semanal também quebra o ritmo, bem como o tempo de arte reduzido dos episódios, que compromete o ritmo da narrativa, deixando-a em certos momentos lenta e morna demais. Poderia ter seguido o exemplo de Justiça, que tinha uma estrutura de série, porém, era diária (exibida às segundas, terças, quintas e sextas). Mas, ainda assim, Nada Será Como Antes é uma deliciosa opção e abre novos caminhos para a narrativa seriada nacional dentro da programação da Globo.

domingo, 13 de novembro de 2016

O Melhor e o Pior da Semana (6 à 12/11)




   O MELHOR DA SEMANA   


Início de Rock Story



Depois de uma sequência de comédias românticas leves, engraçadas e água-com-açúcar, que vinha ditando esse estilo desde Alto Astral (2014), Rock Story chegou dando um tremendo chacoalhão no horário das sete. Sai o colorido e a descontração de Haja Coração e entra uma história (pelo menos, nesses primeiros capítulos) focada no drama, um tanto mais densa, soturna e, até aqui, sem muito espaço para o riso.

A autora Maria Helena Nascimento ousou em fazer um primeiro capítulo mais focalizado na ruína do protagonista Gui e, a partir do segundo episódio, fazer uma maior apresentação dos personagens. A boa direção de Dennis Carvalho contribuiu decisivamente para o impacto das sequências, apesar de uma pequena impressão de correria no primeiro bloco do primeiro capítulo, felizmente atenuada.

Embora esteja envolto num clima musical, Rock Story não tem nada de sonho ou de fantasia (como Cheias de Charme, por exemplo, que também explorou o universo musical e pode ser acompanhada atualmente no Vale A Pena Ver de Novo). Um exemplo de que Rock Story é mais "pé no chão" que suas antecessoras é a comunidade onde Zac, vive: bem realista, distante do Borralho, de Cheias de Charme, da Paraisópolis de I Love Paraisópolis, do bairro de Fátima de Totalmente Demais ou do bairro da Mooca de Haja Coração.


A única semelhança (e também seu ponto negativo) em relação às últimas novelas do horário das sete é a abertura preguiçosa ao estilo caleidoscópio que deixa a gente com labirintite ao olhar. Só se salva graças a música-tema: a ótima versão da (ótima) Pitty para "Dê Um Rolê", dos Novos Baianos; bem como a inclusão do clássico "We Will Rock You", do Queen, nas vinhetas de ida e volta dos intervalos comerciais.

Outra novidade é o protagonista explosivo, que apareceu berrando em boa parte dos episódios. Cantor de rock decadente, Gui Santiago é o personagem mais rico (dramaturgicamente falando) da trama, devido à personalidade repleta de altos e baixos em sua luta para recuperar o sucesso do passado, provar que Léo Regis roubou sua música e salvar seu casamento com Diana. Vladimir Brichta voltou às novelas em grande estilo, com um desempenho que tem tudo para ser o melhor de sua carreira. As melhores e mais intensas cenas dele foram ao lado de Nicolas Prattes, que faz o problemático Zac (emocionante o momento em que Gui diz ao filho que iria mil vezes atrás dele se ele fugisse dele). Os dois vivem uma relação bem conflituosa e vão, aos trancos e barrancos, criando uma relação bonita entre pai e filho. Já amando! Nicolas vem se mostrando mais à vontade do que na Malhação - Seu Lugar no Mundo, onde esteve um tanto apático.


A sempre talentosa Nathalia Dill também merece o reconhecimento pela segurança na composição de Júlia (que, apesar de ter se mostrado bem idiota ao cair numa armadilha do namorado, ainda não me despertou antipatia) e esbanjou química com Vladimir Brichta na cena do primeiro beijo dos dois. Mais elogios também devem ser feitos para a também ótima Alinne Moraes, uma das melhores de sua geração, que se entregou com muita verdade aos conflitos vividos por Diana (um tipo dúbio), chama atenção pela versatilidade e sua reinvenção a cada personagem. Ana Beatriz Nogueira (apesar de viver mais um papel parecido com os anteriores, a de mãe enérgica que vive em função do filho, desta vez, numa linha cômica) e João Vicente de Castro (como o invejoso Lázaro, empresário de Gui e de Léo) ainda não foram muito explorados, mas certamente brilharão muito mais pra frente. Uma ressalva, porém, deve ser feita para Rafael Vitti. Meio travado, o tom adotado pelo ator para viver o ídolo teen Léo Régis ainda lembra muito o Pedro, seu personagem de sucesso na Malhação Sonhos. Espero que Vitti corrija esta má impressão a tempo.

A julgar pelas qualidades apresentadas nos capítulos iniciais, Rock Story mostrou ter uma trama bastante promissora. As nuances e ambiguidades dos personagens principais (fugindo do maniqueísmo), a trama densa e ágil, a trilha sonora eletrizante e os bons desempenhos de parte do elenco contribuíram decisivamente. Fica o desejo de que os próximos capítulos mantenham a boa impressão dos primeiros.

O "despertar" de Supermax


Depois de um início morno e um tanto confuso, Supermax finalmente engatou numa explosão de ação, terror e acontecimentos bizarros e já está começando a mostrar qual é, de fato, sua proposta.

Esse "despertar" da série já havia acontecido semana passada, no sexto episódio (1/11), com duas importantes reviravoltas: a doença misteriosa de Cecília e o acidente de Sabrina (que quase perdeu a perna por conta de uma armadilha que foi colocada dentro da cadeia para pegar os participantes). Depois de aparecer, aparentemente, curada, Cecilia se transformou. Parece que o provável vírus que está nela tomou conta de seu sistema nervoso, ou sei lá o que, só sei que ela virou um monstro, arriscaria até a chamá-la de zumbi. As cenas dela possuída foram bem-feitas, principalmente a das cordas (em que ela quebrou os próprios braços para se soltar), que me fazia retorcer na cadeira a cada estalo. E tenho que dar os parabéns a cena do ataque de Cecília. Os gritos de possuída dela atacando os colegas, a luta pela sobrevivência deles (que conseguem capturá-la e decidem assassiná-la), a trilha sonora incidental, tudo ali foi magnífico.

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No episódio dessa semana, o sétimo (8/11), depois de eliminarem Cecília, Arthur decidiu explorar o compartimento secreto que achou em um daqueles túneis, trafegando pelas dependências e corredores misteriosos do presídio, até chegar a sala de controle e monitoramento do "falecido" reality show. Ele encontra o operador morto na mesa de controles. Como ele morreu? Também quero saber, mas creio que essas respostas virão mais para o final. Arthur vê os depoimentos dos participantes e descobre o segredo de quase todos eles; além de conseguir ver o que os participantes estavam fazendo e falando (o que achei meio forçado, já que eles pararam de usar seus microfones no episódio anterior) e ouvir que eles estavam planejando sua possível morte, já que foi mordido por Cecília. A questão do perigo eminente e de um desconfiando do outro deu o tom a este episódio, que teve uma grande carga de suspense e tensão. Foi um episódio tão delicioso de assistir que, mesmo ele sendo um dos mais longos, foi um dos que passaram voando e, quando voltei a mim, o episódio já tinha finalizado e eu desejando por mais respostas.

Ao final do episódio, a mosca demoníaca que picou Cecília atacou novamente e apareceu bem no pescoço do ex-padre Nando. Será que picou ele? Será que teremos um novo infectado? Ou novos? E ainda temos as suas visões. Dessa vez, ele viu todos serem queimados vivos em um milharal, outra cena bizarra.

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De fato, Supermax tem muitas referências com filmes e séries americanas. A princípio, comecei a pensar que seria algo meio The Walking Dead, mas então comecei a examinar com mais detalhe as atitudes de Cecília e vi que era igual aos contaminados/possuídos do filme espanhol Rec. Mas o legal é ver como essas referências estão sendo utilizadas dentro de Supermax. Não é apenas um cópia e cola barata, mas sim dando a sua identidade ao que já existe e deixando tudo ainda mais denso e interessante de se assistir. Agora teremos mais sangue, mais "contaminados" e mais mortes. Já espero ansioso pelo próximo!

     O PIOR DA SEMANA     


Final de Haja Coração



O penúltimo capítulo de Haja Coração pecou pela resolução atropelada de questões pendentes e prejudicadas pela barriga da trama (falei sobre isso AQUI), como a revelação de que Guido, além de pai de Shirlei, era padrasto de Felipe e a de Adônis confessando a Nair que gastava o dinheiro que ela lhe dava para pagar a faculdade na farra. As sequências da morte de Bruna tiveram como ponto mais positivo as atuações de Fernanda Vasconcellos, Jayme Matarazzo e Agatha Moreira, mas pecou pela trilha sonora calma num momento tenso e soou inverossímil a finalização curta da cena, além da mudança para uma tomada geral da cidade ao som de um pagode de Thiaguinho (?) e a rápida recuperação de Giovanni (??), sem nenhum arranhão depois. Salvou-se a linda cena do casamento de Shirlei e Felipe, que emocionou.

O último capítulo repetiu o mesmo erro das cenas atropeladas, além de finais péssimos. Shirlei anunciou sua gravidez e Felipe não ficou sabendo, nem ao menos houve uma lua-de-mel para o melhor casal da trama (quiçá, dos últimos tempos na TV). Tancinha, por sua vez, se reconciliou com Fedora, participou de uma apresentação de balé e foi assistir à corrida de Apolo, tudo isso em poucos minutos. Numa velocidade impressionante. Enquanto isso, eram dado os finais dos outros personagens. Todas as cenas foram atropeladas para dar espaço para a resolução do mistério de Tancinha. Confirmando o que já era previsto pelo desenvolvimento, a feirante se despediu de Beto e escolheu Apolo, um final diferente da original de 1988, o que contrariou parte considerável do público, dada a imensa rejeição ao insuportável protagonista.

Se ao menos o autor tivesse melhorado a personalidade do piloto e o tornado mais tragável, o final seria um pouco mais aceitável, mas não foi o que aconteceu. Apolo nunca mudou seu jeito grosseiro, chato e machista e Daniel Ortiz fez de tudo para empurrá-lo desta forma goela abaixo do público. Isto se caracteriza mais como uma vaidade pessoal do autor do que propriamente preservação da coerência da história e, principalmente, a preferência do público, presenteando a atuação inexpressiva do Malvino Salvador ao invés da atuação segura de João Baldasserine. Dizem que o cenário político atual do país pesou na decisão sobre o final de Haja Coração. O que é uma justificativa estapafúrdia, como disse AQUI.

A volta de A Usurpadora (de novo!)



A Usurpadora é a minha novela mexicana favorita. É quase perfeita. Só se perde um pouco depois do julgamento da Paulina. Já vi inúmeras vezes, sempre dizia que não ia assistir de novo e lá estava eu vendo novamente, mas com apenas um ano e alguns meses da última reprise não dá. A Usurpadora, Maria do Bairro e Marimar são muito queridas, mas mereciam um bom descanso na grade do SBT. Calculo uns 5 anos. Se, pelo menos, esse prazo fosse respeitado, sempre marcariam uma audiência satisfatória.

A milionésima volta de A Usurpadora é mais uma intervenção louca de Sílvio Santos na grade do SBT. Tudo para tentar salvar o engessado Fofocando. Não é uma decisão tão absurda assim porque hoje o Fofocando é antecedido por um programa infantil, o que dificulta a transição. Mas não precisava ser A Usurpadora o produto escolhido ou exatamente uma novela. Poderia ser uma série de comédia, como Eu, a Patroa e as Crianças ou As Visões da Raven, que não são tão infantis assim e seria uma boa ponte. Até porque a série, se não obtiver resultado, é só tirar da grade. É menos traumático que ir metendo a tesoura numa novela.

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